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Um país frio e limpinho, como uma câmara mortuária hospitalar

8 Janeiro, 2018

energia-eólica1

 

O preço da electricidade vai subir e, de acordo com a imprensa, Marcelo Rebelo de Sousa quer estudar esse aumento. Aconselho desde já o Presidente da República a fazer esse estudo durante o dia, aproveitando a luminosidade e o calor proporcionados pelo sol. É que se o fizer de acordo com os seus conhecidos hábitos nocturnos vai precisar de acender as luzes e ligar os aquecedores, e isso fica bastante dispendioso.

Nada tenho contra os estudos em geral e contra os estudos eléctricos em particular. No entanto, quer-me parecer que chegam um bocado atrasados. É como se os alunos do Prof. Marcelo pegassem pela primeira vez no Manual de Direito Constitucional à tarde, depois de terem feito o exame durante a manhã: aprendiam na mesma a matéria mas já não iam a tempo de fazer a cadeira.

Se o estudo tivesse sido feito nos seus tempos de comentador televisivo, quando o país se atirava de cabeça às renováveis, talvez tivesse sido mais útil. Dessa forma, usando a sua grande influência, Marcelo podia ter lançado ao povo português a pergunta decisiva: os meus caros compatriotas querem uma energia limpinha a um preço muito alto ou acham preferível pagar substancialmente menos por uma energia ligeiramente mais badalhoca? E logo veríamos as preferências higiénicas da nação.

Note-se que eu nem sequer me dei ao trabalho de verificar se o Prof. Rebelo de Sousa alguma vez levantou a voz contra aqueles que colocaram Portugal no pelotão da frente da electricidade asseada. Isso faria de mim uma espécie de jornalista de investigação com preocupações deontológicas, quando, na realidade, sou apenas um chato. De qualquer forma, o risco que corro de estar a praticar uma injustiça é quase nulo: durante os anos em que enchemos as nossas serras com ventoinhas, só duas ou três personalidades conhecidas alertaram que aquele investimento era precoce e muito pesado para a carteira dos consumidores; todos os outros bateram palmas e acharam a ideia fantástica. A probabilidade de Marcelo Rebelo de Sousa ter feito parte desse minúsculo e corajoso grupo que, remando contra a corrente, defendeu que era melhor aquecer a casa com electricidade suja do que morrer de frio num ambiente imaculado, é tão grande como a probabilidade de vermos a nossa factura da luz diminuir por causa dos estudos eléctricos da Presidência da República.

 

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9 comentários leave one →
  1. 8 Janeiro, 2018 17:48

    Permita-me que melhore a pergunta : “querem uma energia badalhoca às escondidas a parecer limpinha um preço muito alto ou acham preferível pagar substancialmente menos por uma energia badalhoca à vista?
    No entanto, eu diria que, pelo que vejo da nova puritanice new wave, de humilde pretensioso ambientalista, de pobre rico tuga que vive à custa do cartão de credito, guiando um Audi diesel pago a 150 prestações, que trata o cachorro como um filho que jamais quererá ter, e que se manifesta na internet no seu Apple produzido na China, contra “exploração” e a “poluição” da ganancia e o egoismo humano, em missão no salvamento do planeta, ao sabor de uma banana “biologica” produzida “sustentavelmente”, importada por um cargueiro movido a gasoleo da america latina e um chá oriental zen da india. Devo dizer que tenho duvidas quanto aos resultados das respostas.

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  2. Oscar Maximo permalink
    8 Janeiro, 2018 17:55

    Quando na minha vizinhança vi que os mais preocupados com o ambiente eram os que mais faziam viagens de avião, fiquei totalmente elucidado.

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  3. Arlindo da Costa permalink
    8 Janeiro, 2018 18:15

    Quem quer chaufage que pague! É o mercado a funcionar, minha senhora! Ou então que falem com o Putin que ele arranja um pipeline com gás quentinho da Sibéria.

    Ou ainda podem com o «liberal» Catroga e toda aquela trupe que besuntou as mãos com prendas do comité central do PC Chinês, esse mesmo, aquele do tio Mao Mao…

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  4. lucklucky permalink
    8 Janeiro, 2018 19:17

    Não é energia limpa

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  5. carlos alberto ilharco permalink
    8 Janeiro, 2018 21:36

    Não percebo patavina disto, agora não gostei da crítica ao Presidente/Paizinho.
    Ele fala sobre tudo a toda a hora porque razão não havia de falar sobre isto?

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    • licas permalink
      14 Janeiro, 2018 19:51

      De facto, pensando melhor, tens razão, C. A. Ilharco…

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  6. Manuel permalink
    9 Janeiro, 2018 21:00

    O consumo de electricidade em 2017 foi igual ao de 2006. Quando as eólicas foram introduzidas seria para satisfazer o aumento de consumo. Felizmente tal não se verificou porque o País tornou-se muito mais eficiente. Assim, como no contrato previa que as fósseis continuassem a receber mesmo paradas, o aumento do custo da electricidade é todinho para que as centrais fósseis (carvão e gás) não percam dinheiro, mesmo paradas.

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  7. Carneiro permalink
    14 Janeiro, 2018 17:53

    O que os criticos dizem, e cito, uma torre eólica gasta 240 ton de aço e 170 ton de carvão a ser construída. Nunca produzirá energia verde suficiente para compensar a energia fóssil que consumiu. O KW/hora tradicional custa 39,5 € e o KW/hora eólico custa 93 €. Para uma fonte renovavel que só se renova a horas de baixo consumo quando não faz falta. Há quem lhe chame a “energia idiota”. Eu não entendo os ambientalistas que se preocupam tanto com as perdizes dos caçadores e ignoram as matanças das pás das eólicas.

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  8. licas permalink
    14 Janeiro, 2018 19:48

    As eólicas pá, são a caça aos euros do Estado, nossos, pá!

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