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a dra. cristas tem os dias contados

7 Março, 2018
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A avaliar pelo que se lê neste artigo do Observador, parece que há uns quantos cidadãos filiados no CDS sumamente preocupados com o «esvaziamento ideológico» do partido, que se propõem redefini-lo nos «grandes princípios» que o devem nortear.

Lido o texto do jornal, e presumindo que este não falta à verdade, conclui-se que o esforço intelectual desses cidadãos não excede o de uma toupeira à procura de um buraco por onde possa ver a claridade do luar. Porque, se for verdade o que ali está escrito, o esforço da toupeira será infinitamente superior aos resultados aqui apresentados.

Enumerando os méritos de tão suados trabalhos, ficamos a saber que o CDS deverá «abrir-se» aos militantes e ao povo trabalhador, proibir o aborto e o casamento homossexual, conferir o direito de voto nas autárquicas aos jovens com dezasseis anos, afirmar-se perante o PSD (de que não poderá ser «muleta») e – não podia faltar – retomar as suas preciosas origens «democratas-cristãs».

Admitindo que todos os subscritores das peças «ideológicas» a submeter ao Congresso do partido tenham mais do que dezasseis anos – o que o teor das propostas não permite assegurar – e que aqueles que tenham já atingido a maioridade tenham todos casamentos heterossexuais e nunca tenham levado as namoradas à parteira, é de lhes perguntar o que pensam (?) sobre o destino do país e da sua economia, sobre o papel do estado na regulação social, a carga fiscal que incide sobre os portugueses e as suas empresas, a educação e a justiça, ou até, fugindo às funções tradicionais da soberania, coisas um pouco mais prosaicas como, por exemplo, o alojamento local, o Serviço Nacional de Saúde, a RTP ou a Caixa Geral de Depósitos. Tudo coisas certamente muito comezinhas para preocupar tamanhas inteligências, preocupadas que estão com a especulação sobre o cosmos e a vida, de que as propostas que veiculam trazem uma nova e invejável mundovisão.

A Dra. Cristas que se acautele, ou não aquecerá o lugar que ocupa.

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9 comentários leave one →
  1. Procópio permalink
    7 Março, 2018 17:33

    Por este caminho, quem tem os dias contados somos nós.

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  2. Procópio permalink
    7 Março, 2018 18:28

    Vamos lá falar de coisas sérias.
    O Paulo foi convidado em 2013 pela élite. A senhora ainda não foi sequer convidada.
    Tal como as coisas estão, quem não é convidado, não conta.
    Houve só um que foi convidado e não apareceu. Tramou-se, ainda hoje o esfaqueam.
    O Paulo anda contente na dele. Bem informado, até se mostrou irrevogável a certa altura. Recuou, mas já sabia que a maré baixa ia chegar. Quando vier a maré alta ele reaparece.
    Dizem as más linguas que o mar está bravo. Eu não tenho ido à praia.

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    • 7 Março, 2018 19:09

      Entre outros méritos do PPCoelho, esse, recusou-se ir ao altar Davos. Outro: não passou “bola”, nunca se sentou ao lado de certa gentalha que preside a clubes de futebol.

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  3. Raghnar permalink
    7 Março, 2018 18:52

    Depreende-se que nos assuntos económicos concordam, no geral, com a direcção partidária. É precisamente nos costumes e na imposição de agendas que a esquerda tem vencido aos pontos a direita, por falta de comparência.

    Eu nem vou muito à bola com o PP, mas não acha que quem defende o conservadorismo nos costumes também tem direito a representação politica? É que na minha opinião, nestes últimos anos, a “direita” em Portugal é praticamente uma cópia da esquerda, com mais algum rigor na Economia. E não muito…

    Liked by 2 people

    • André Miguel permalink
      7 Março, 2018 20:35

      Não é por falta de comparência, é mesmo falta de cérebro de quem vota.

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  4. 7 Março, 2018 19:05

    A ACristas vai triunfar facilmente no congresso. Com poder reforçado. Está em alta.

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  5. carlos alberto ilharco permalink
    7 Março, 2018 20:56

    O “artigo” vem assinado por Miguel Santos Carrapatoso.
    Não sei quem é e nunca ouvi falar no senhor.
    Provavelmente continuará no seu anonimato a escrever umas coisas para um jornal que é lido por alguns na internet.
    Gostava de ter um emprego como este.

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  6. Euro2cent permalink
    7 Março, 2018 21:43

    «esvaziamento ideológico»

    A mim preocupar-me-ia o enchimento ideológico.

    Dantes achava que os partidos eram muito fulanizados, e achava aflitiva a falta de ideias em cãogressos televisionados do PSD, etc.

    Hoje acho isso próprio de associações semi-benévolas de malfeitores, e ficava preocupado se adquirissem ideologia.

    Aí é que a coisa podia descambar a sério. Prefiro que se concentrem no saque sem fanatismo ideológico.

    ( “Quais ideias?” – ainda bem que não têm, era pior. )

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