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O “enorme sucesso” de Monchique

15 Agosto, 2018

Não sei como a nossa classe política ainda tem cara para sair à rua. Mas que grande bando de salafrários incompetentes nos saíram na rifa! E com um bidão gigantesco de “sem vergonhice” na cara para conotar este grande incêndio de Monchique como “exemplo de sucesso” ao combate de fogos apenas por não ter morrido gente. O nosso Primeiro, sempre divertido e bem disposto, até nas tragédias, a buscar analogias em tudo, até comparou o incêndio que lavrava há 6 dias às velas de um bolo de aniversário para explicar aqui aos tontinhos que uma vela apaga-se bem com um sopro mas quando são muitas é mais complicado. Que queriducho! A sério? Então porque razão não “apagaram a vela” quando era apenas “UMA”  na Serra? Falta de fôlego? Falta de vontade? É que falta de meios não foi de certeza porque nos anunciaram a maior preparação e investimento em  meios jamais vista em Portugal!

Podem inventar toda a narrativa que bem entenderem mas nós, não somos cegos. E as populações que viram tudo arder como fósforos, muito menos ainda. Não passou despercebido logo no início da tragédia que havia uma política do “deixa arder mas poupem as pessoas”. Que havia ordens superiores para não actuar no imediato. Daí colunas inteiras de bombeiros parados durante mais de 5 horas à espera de ordens. Não passou despercebido também, que não havia qualquer preocupação com os bens quando populares afirmaram não terem visto os anunciados mais de mil homens no terreno. NADA! Tal como disse o nosso engenhoso Primeiro, e bem,  os bens são substituíveis, as vidas humanas não. E assim, que se lixem as propriedades, os negócios, os animais, a fauna pois não pode é haver quem diga que morreu gente mesmo que essa gente venha a morrer depois de desgosto, de desalento, de falta de meios de sobrevivência. Isso pouco interessa. Estão vivos para poder assistir à miséria que irá ser sua vida dali em diante. Mas como se pode ser tão insensível aos bens e ganha pão das nossas gentes?

A verdade nua e crua é que só não morreu gente, apesar de toda a cautela em retirar os habitantes à força e alguns algemados, porque houve gente que desobedeceu às ordens da GNR para seguir numa estrada em chamas, novamente por falta de informação dum SIRESP inoperacional, descoordenação e desorientação da Protecção Civil,  como foi o caso de Alferce. Claro que isso não passa hoje de uma hipótese, mas de uma hipótese que não foi testada porque houve desobediência civil. Simples.

Dizem que falhou tudo em Monchique desde o planeamento ao combate. Eu digo: não são falhas.  São um propósito. A teoria das falhas é aquela que mais convém a toda esta malta que vai de políticos a interesses privados. Recorrer aos lapsos para justificar o que já não tem justificação alguma plausível é como continuar a aceitar as desculpas dos nossos filhos com professores, para justificar as negativas a todas as disciplinas, todos os anos lectivos. Não faz sentido algum. Erros todos comentem uma vez. Lapsos também. Mas décadas a fio sempre no mesmo registo, sempre nos mesmos segmentos mas com a variante de, a cada ano se gastar mais milhões em combate, sem o retorno em maior protecção, só revela uma coisa: há interesses económicos poderosos por trás desta mentira gigante de combate aos fogos.

Porque se houvesse combate real todas as populações seriam apoiadas, instruídas e acompanhadas localmente para manter as matas limpas e ordenadas; as florestas seriam vigiadas; as localidades teriam um plano de combate a incêndios activo e eficaz com várias bocas de incêndio espalhadas pelas aldeias ao dispor dos habitantes; nenhuma mata estatal estaria por limpar; todos os organismos estatais de socorro e combate a incêndios teriam apenas profissionais da área altamente qualificados; os meios de combate seriam eficazes e em número suficiente; os incendiários teriam penas efectivas tão dissuasoras que jamais teriam vontade de repetir o crime.

Mas o que se vê não é isto. Porque de quinze em quinze anos, o tempo que leva à sua regeneração, é preciso que arda mata. Seja de pinheiro, seja de eucalipto seja do raio que for. Arde tudo. Ora no sul, ora no centro, ora no norte ora por todo o lado ao mesmo tempo. Dependendo das “necessidades”.  Por isso deixa-se bombeiros parados durante horas. Foi assim em Pedrógão. Foi assim nos fogos de Outubro. Foi assim em Monchique.

Depois vem a palhaçada de encontrar os culpados. No ano passado andaram atrás dum raio num pinheiro; agora persegue-se os pobres postes da EDP. Tudo para desviar o olhar dos verdadeiros responsáveis: governo e lobbies. É o “vira o disco e toca o mesmo”.

A mim já  ninguém me vende mais teorias para boi dormir. É tudo tão claro que até ofende qualquer ser inteligente com capacidade de análise. Monchique foi apenas um pequeno foco que por ter sido literalmente ignorado, se transformou na maior área ardida da Europa neste verão. Que ceifou vidas de trabalho que se vão juntar às de Pedrógão que volvido um ano, muitos  continuam por ressarcir dos danos nem sabem quando o vão ser, se o vão ser e quanto.  Isto apesar dos generosos donativos que mobilizou uma nação inteira e que ninguém sabe para onde foram.  Noutro país, mas civilizado, esta corja criminosamente negligente da ANPC e políticos, já estaria toda a preencher o impresso para o desemprego.

Salvar pessoas foi o único plano de combate em Monchique para evitar a queda de um governo que está preso moralmente por fios. Portanto,  um “sucesso” inventado  só  para a manutenção da  geringonça no poder. Só não vê quem não quer.

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33 comentários leave one →
  1. 15 Agosto, 2018 12:47

    Óptimo, Cristina !

    “Só não vê quem não quer”, certo. Mas o que preocupa é a quantidade de tugas que não consegue “ver” o que de mal e de modo trafulha faz e diz este desgoverno.

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    • LTR permalink
      15 Agosto, 2018 13:35

      Os tripeiros também não estavam a ver nada e depois deram um pontapé no Fernando Gomes em favor de Rui Rio, e repetiram deixando o futebol de lado, o que é notável se considerarmos o peso aparente do futebol que chega pela TV. Dizem que o problema estava nas sondagens.

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      • 15 Agosto, 2018 13:55

        De facto o RRio venceu em 2001 sem a muleta do futebol . Mas certamente conseguiu muitos votos em 2005 e em 2009 com votos de Benfiquistas (e são muitos no concelho portuense), por ter ostracizado o FCPorto, nunca o ter recebido na câmara, mais o seu posicionamento anti-futebol com muita demagogia a propósito.
        Claro que esse apoio Benfiquista não foi decisivo…mas ajudou-o.

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  2. rão arques permalink
    15 Agosto, 2018 13:18

    Enquanto não houver ninguém que lhes atire com um entrapado de merda ao focinho vão continuar a andar por aí a gozar com o pagode.

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  3. LTR permalink
    15 Agosto, 2018 13:29

    E o PR lá fez novamente figura de pateta, indo cumprimentar os operacionais numa cerimónia onde não estavam os bombeiros, que não foram convidados pelo MAI. Só lá estava a Guarda Republicana. Que dose! Que elegância! Que país!

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  4. Artista Português permalink
    15 Agosto, 2018 13:35

    Bravo, Cristina! Mas pode ser que a praga dos incêndios se resolva …. graças ao Trump. Quem sabe? É que agora aquele malandro decidiu impor uma taxa ao papel exportado pela Portucel. Se calhar, no futuro as exportações de papel vão diminuir e assim pode perder-se o interesse em atear mais incêndios. Veremos…

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  5. 15 Agosto, 2018 14:11

    Ora aí está o servicinho feito ao governo pelo Web Summit: vai retirar o convite à Le Pen.
    BE+Galamba 1-0 Liberdade. Siga o baile.
    E se o Duterte ou o Maduro, os PM’s da Hungria ou da Itália, o Lula, fossem convidados, o que já teria acontecido ?

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    • LTR permalink
      15 Agosto, 2018 14:51

      Para certas cabeças é perfeitamente compreensível que “gente” das correntes políticas de esquerda associadas às grandes matanças do Sec.XX estejam representadas em parlamentos na Europa, onde discursam pela liberdada, sobre a banca, as tecnologias e tudo o que lhes apetece e em que são especialistas. Ou até que governem sem terem sido eleitas. Agora, Le Pen fazer um discurso integrado num evento global (que poderia ser até um exercício interessante) é que não.

      Estou até para ver a cara dos democratas que lá forem, a falar para TV, e quem vão ser os que anulam a presença por causa disto. Até já estou a pensar em meia dúzia de pavões idioto-desavergonhados que caso fosse um grande democrata cubano ou venezuelano iam logo.

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      • 15 Agosto, 2018 15:56

        Isso.

        Quando o AC-DC, ou o Louçã forem à Web Summit, que haja pelo menos um jornalista que à saída ou entrada no Arena, lhe coloque este caso. Mas de chofre, nas ventas, em directo nas tv’s e rádios — para que zelosos, serviçais editores não tenham oportunidade de…”corta !”

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  6. 15 Agosto, 2018 14:23

    Os paladinos pela Liberdade como o Alegre, a Roseta, o Louçã, o Jerónimo, a Catarina, o Boaventura, nada têm a dizer sobre a indisfarçada proibição da participação da Le Pen ?

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  7. 15 Agosto, 2018 14:27

    Republicou isto em Palhota-da-Malamala.

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  8. LTR permalink
    15 Agosto, 2018 15:05

    1 – Web Summit: “Se o Governo português nos pedir para cancelar o convite a Le Pen, vamos respeitar”.

    2 – “Na sequência da polémica que envolve a líder do partido de extrema direita, Paddy Cosgrave afirmou que “se tornou claro que a decisão correta para a Web Summit é rescindir o convite que fez a Le Pen”.”

    3 – O governo não tem nada a ver com isto.

    Curioso é que também ontem ficamos a saber que ia haver um furo para prospeção de petróleo dispensado das obrigações, com o qual a tutela nada tinha a ver. E no mesmo dia, o governo que tentou resolver os problemas da falta de papel em tribunais, também declarou que afinal não tem nada a ver com o assunto que tentou resolver. Aliás, os tribunais e a venda de bolas de berlim nas praias são da responsabilidade do ministério do circo do reino de Espanha, como toda a gente sabe. Aliás, duas semanas antes, o mesmo governo declarara que não havia problemas nenhuns desse género.

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    • LTR permalink
      15 Agosto, 2018 15:09

      “o governo português não vai pedir à organização para retirar Le Pen do evento.”

      Eles no dia 15 a comentarem oficialmente via Lusa uma decisão já tomada e de que naturalmente não tinham conhecimento!

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  9. SRG permalink
    15 Agosto, 2018 15:18

    No tempo da outra senhora, havia Guarda-rios, Cantoneiros e Guardas florestais, isto só para falar no que à mata florestal diz respeito. Resumindo e concluindo havia sem dúvida mais responsabilidade no que concerne à segurança das populações. Hoje sem dúvida está tudo muito melhor …

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  10. PAIXAO AFONSO permalink
    15 Agosto, 2018 15:26

    Espero que o cata vento não se torne a candidatar como prometeu o ano passado.

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  11. José Domingos permalink
    15 Agosto, 2018 15:35

    De facto, isto não passa de desonestidade politica, feito por um pm que ninguém elegeu. Arder pode arder tudo, agora mortos, é que não, a naçãozinha não se pode dar ao luxo de perder contribuintes.
    O tó da churrasqueira, é capaz de jurar que Deus não existe, discurso típico de um jacobino onde os aventais estão por todo o lado, á espera do futuro procurador da republica, para limpar a pocilga dos justiceiros. Continua a ditadura com a ajuda dos fretes do jornalixo nacional.
    Ainda estou á espera, do motivo de ser negado uma palestra de Jaime Nogueira Pinto, pelos meninos fascistas do iscte, o pastel de belem também queria saber o motivo e ainda não se sabe de nada, continuo á espera.
    Agora foi a Le Pen a não ser autorizada a falar, uma cobardia da organização, a mando dos comissários políticos.
    E ninguém diz nada, e a ditadura aqui tão perto.
    Este povozeco, também não merece mais.

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  12. A. R permalink
    15 Agosto, 2018 15:40

    No tempo do Durão -sem limpeza de matas e sem Siresp que se visse- Monchique ardeu menos, houve menos prejuízos e não morreu ninguém. Nas palavras do PS foi uma catástrofe agora … foi um sucesso. O PS não é um partido .. é um gangue.

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  13. 15 Agosto, 2018 15:46

    “Isto apesar dos generosos donativos que mobilizou uma nação inteira e que ninguém sabe para onde foram.”

    Ora está a ver, já encontrou aí uma outra motivação para o crime. A tragédia é um excelente negócio, a população emociona-se, solidariza-se com a desgraça, envia o seu dinheiro para ajudar as vitimas, para uma conta bancaria que não controla. Ou então serve como justificação para os governos alocarem fundos financeiros. No final o dinheiro desaparece, ou então é encaminhado para a “construção” do que foi destruido. Constroi-se 30 declara-se 100 e o resto vai pró bolso.

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  14. Andre Miguel permalink
    15 Agosto, 2018 16:40

    E isto também não iremos ler jamais no público ou DN:

    http://puntocritico.com/2017/10/19/el-cartel-del-fuego-por-daniel-toledo/

    Aqui está muito mais detalhado e os detalhes sobre Portugal são para ficar com os cabelos em pé… Vergonhoso o que aqui está denunciado e como continuamos na paz do senhor.

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  15. Procópio permalink
    15 Agosto, 2018 17:44

    Este post é notável. Eu sabia que algo estava a ser sonegado, mas não imaginava tanto!
    O meu obrigado a Cristina e André Miguel.
    Um dia a podridão virá ao de cima.
    Sem beijos nem abraços, porque a até a hipocrisia tem limites.

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    • Andre Miguel permalink
      16 Agosto, 2018 08:43

      Nada a agradecer, caro Procópio.
      Divulgue massivamente por favor, a reportagem que partilhei, pois está em curso um crime de lesa pátria diante de todos nós.

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  16. 15 Agosto, 2018 18:04

    Que a figurinha pançuda que nos governa tentasse passar a ideia de que não haver nenhuma morte tenha sido uma enorme evolução, como se antes dele ocorressem chacinas nos incêndios com dezenas de vítimas todos os anos, não me surpreende. Que o jornalismo, comentadores, analistas e cientistas sociais que dissecavam e retorciam até ao átomo todo o algarismo anunciado e toda a vírgula dita por Passos Coelho, não tenham em massa exposto esta enorme lata de Costa – também não me surpreende. Que o vulgar eleitor, grelhando numa toalha de praia e anestesiado pela ilusão de uns trocos depositados no bolso, se esteja nas tintas para a destruição permitida e a falta de vergonha dita, planeando reeleger e aclamar esta vergonha humana – infelizmente ainda menos me surpreende.

    De Marcelo nem vou falar – não merece o meu tempo.

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  17. carlos alberto ilharco permalink
    15 Agosto, 2018 18:50

    Grande intervenção, disse (quase) tudo.
    O que faltou foi dito por um comentador
    E ninguém diz nada, e a ditadura aqui tão perto.
    Este povozeco, também não merece mais.

    É isto.

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  18. Tiro ao Alvo permalink
    15 Agosto, 2018 19:43

    Aqui está um tema em que o actual governo não pode assacar as culpas ao governo anterior, como é habitual fazer, restando-lhe a saída de dizer que está tudo a correr às mil-maravilhas, uma vez que não morreu ninguém, esquecendo as muitas centenas, quando não os muitos milhares de portugueses que foram muito prejudicados, gente que, por regra, pertence às classes mais desfavorecidas.

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  19. raCSt14CrAmirocarrola@sapo.pt permalink
    15 Agosto, 2018 20:17

    O retrato da Cristina sobre os incêndios e a torpeza dos dislates e mentiras do Tó-Chamuça, que com toda essa corja que gravita à sua roda estão a dar cabo do país, está perfeito.
    Realmente, não se percebe: serão as sondagens que são feitas a pedido do Chamuça e do PS, ou, perante toda esta miserável desgraceira,este povozeco gosta de ser enganado, tripudiado e roubado por esta choldra de politiqueiros?
    Não há tomates para gritar a esta gentalha, que chafurda na política, que vão fazer pouco da mãezinha que os pariu?

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  20. Carlos permalink
    15 Agosto, 2018 22:14

    CONCORDO com tudo

    O POVO Português é muito pacífico e facilmente enganavel por este governo PS e pelo seu RP o presidente Marcelo, que se tivesse um cognome seria o tá se bem ou o beijoqueiro.

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  21. 15 Agosto, 2018 23:29

    Os salafrários conseguiram que não morresse ninguém no incêndio em Monchique.
    Vamos ver se eles conseguem esse sucesso na próxima legislatura.

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  22. Leunam permalink
    16 Agosto, 2018 00:03

    Eu não tenho quaisquer possibilidades de o fazer; mas pedia encarecidamente a quem tenha meios, para que FOTOGRAFASSE agora os principais cumes das serras ardidos no incêndio de Monchique para, passados meia dúzia de anos, saber quantos Aero-geradores (vulgo ventoínhas) foram instalados.

    Estas máquinas não gostam de que as encostas dos montes onde estão instaladas estejam cobertas de arvoredo!

    Cristina um excelente texto. Obrigado.
    Agradecimento extensivo ao Sr. Comentador André Miguel pela achega valiosa.

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    • Andre Miguel permalink
      16 Agosto, 2018 08:44

      Leunam,
      Nao agradeça, por favor, divulgue massivamente a reportagem que partilhei, pois é um crime de lesa pátria que está em curso.

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