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Será mesmo assim?

11 Dezembro, 2018

«Portugal poupa 100 milhões com pagamento antecipado ao FMI: (…) Na prática, explicou o ministro [Mário Centeno], o que as finanças optaram por fazer foi pagar agora a dívida do FMI cujo prazo só terminava entre 2021 e 2023, realizando em compensação novas emissões em dívida, com prazos mais longos, nos mercados. Como as taxas de juro a que o Estado português se consegue endividar nos mercados são, neste momento mais baixas do que aquelas que estavam previstas no empréstimo do FMI, o Tesouro pode conseguir com esta operação uma poupança».  (no Público).

Ora, não é assim tão certo que Portugal se tenha vindo a endividar a taxas mais baixas. Ainda recentemente, foi emitida dívida em moeda chinesa (Panda Bonds) a um juro que será próxima dos 5%, muito superior ao juro da dívida ao FMI que se situaria no 2,08%. Aconselho a leitura do artigo de Ricardo Cabral «Forte com os fracos» para melhor enquadramento.

 

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5 comentários leave one →
  1. Luis Lavoura permalink
    11 Dezembro, 2018 11:11

    Que eu saiba, não foi emitida dívida em moeda chinesa. Portugal disse que o iria fazer, ou que irá fazê-lo, mas ainda não o fez. Também não sabemos a que taxa de juro essa dívida irá ser emitida, se será 5% ou outra qualquer.
    De qualquer forma, não podemos comparar taxas de juro em moeda chinesa com taxas de juro em euro. É normalíssimo empresas ou bancos internacionais emitirem dívida em diferentes moedas com diferentes taxas de juro. As taxas de juro em diferentes moedas são diferentes, porque as políticas dos Bancos Centrais são difeentes. As empresas e bancos internacionais emitem dívida em diferentes moedas, mesmo tendo que pagar taxas de juro mais elevadas, por uma questão de proteção.

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  2. Luis Lavoura permalink
    11 Dezembro, 2018 12:02

    O Gabriel Silva facilmente encontrará no mercado empresas ou bancos europeus (por exemplo: Nordic Investment Bank; GlaxoSmithKline; Eurofima) que têm obrigações emitidas em moeda estrangeira (dólar americano, neozelandês ou australiano) pela qual pagam juro superior ao qual pagam por obrigações (que também têm) emitida em euro. Essas empresas aceitam emitir essas obrigações e aceitam pagar esse juro superior para captarem mais investidores e para fazerem hedge (proteção) em relação ao valor relativo das diferentes moedas.

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    • Gabriel Silva permalink*
      11 Dezembro, 2018 12:09

      A questão não é a diversificação de fontes de financiamento/empréstimos. É a de saber se de facto ao pagar-se antecipadamente um empréstimo, mediante a obtenção de novos empréstimos existe ou não uma poupança efectiva. No texto que cito, parece indicar que não existe.

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      • Luis Lavoura permalink
        11 Dezembro, 2018 15:12

        Parece indicar, mas não indica. O autor do texto escreveu-o de forma suficientemente confusa para que ele pareça indicar algo, mas teve o cuidado de jamais o indicar explicitamente.
        Temos que comparar os empréstimos que Portugal paga (ao FMI) em euros com os novos empréstimos que Portugal contrai também em euros, E conforme diz no texto, e muito bem, os empréstimos que Portugal agora contrai em euros têm taxa de juro bastante inferior àquilo que Portugal está pagando ao FMI. Ponto final. Isto é que interessa.

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  3. LTR permalink
    11 Dezembro, 2018 15:33

    Toda a gente sabe onde está o manhoso. Até dentro do partido.

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