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serve para quê?

13 Dezembro, 2018
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140714-constitution-questions-editorial

Existem razões históricas – teóricas ou factuais – para a existência do modelo de Estado Contemporâneo em que vivemos, que é o que nasce e se desenvolve com e a partir dos Iluminismos. O mito criado, nos séculos XVII e XVIII, em Inglaterra e em França, respectivamente, foi o do contrato social, que, com uma ou outra subtileza entre os autores que se esforçaram por o justificar (Hobbes, Locke e Rousseau, essencialmente), imaginava um acordo unânime entre todos os cidadãos para, abandonado um estado de natureza ficcionado, criarem a sociedade política e nela viverem melhor. Se nenhum dos três mencionados autores se entendia quanto à configuração e o modo de exercício do poder soberano contratualmente criado, todos estavam, contudo, de acordo quanto à primeira razão da sua existência: a segurança individual de pessoas e da sua propriedade, condição sem a qual não seria possível a liberdade.

Duzentos anos volvidos sobre o início da implantação do Estado de Direito Constitucional (o que foi criado pelo contrato social, que é a constituição política liberal) em Portugal (comemorará duas centúrias, em 1820), o que resta da defesa desses valores por parte do nosso estado? Onde está a segurança física eficaz das pessoas e dos seus bens? Por onde anda a polícia nas grandes cidades deste país? Onde estão as patrulhas nas auto-estradas a fiscalizarem quem brinca com a vida alheia? Os polícias que previnem os assaltos e os crimes? Que evitam as transgressões constantes das leis que asseguram a convivência social? Por onde pairam os guardas florestais que previnem os incêndios e afugentam os incendiários? De todos eles, cada vez mais se vêem menos. Cada vez se sente mais que as polícias servem para cobrar multas e acudir os aflitos, somente depois das tragédias ocorrerem.

O estado português cobra impostos absurdos aos seus cidadãos. Hoje, já nem sequer os protege de modo que lhes inspire segurança e confiança. Serve, então, para quê?

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15 comentários leave one →
  1. 13 Dezembro, 2018 23:47

    O estado (em letra pequena), serve para alimentar uma casta politica de 1 milhão de mamões do OE. A gente paga, mais nada e xiu.

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  2. lucklucky permalink
    13 Dezembro, 2018 23:51

    Para alimentar quem precisa da violência( leis, regras, regulamentos) do Estado para ter “clientes”.

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    • Martim Moniz permalink
      14 Dezembro, 2018 19:20

      Na França é assim: O ataque em Estrasburgo trouxe, outra vez, o medo para as ruas da Europa. Chérif Chekatt, francês de 29 anos, abriu fogo nas ruas que circundam o mercado de Natal e matou três pessoas, deixando mais de uma dezena feridos. A operação policial montada para a sua captura deu frutos 48 horas depois. Chekatt foi abatido não muito longe do local onde cometeu os crimes.

      Com um longo historial de delitos e detenções, estava referenciado pelas autoridades e constava da chamada “Ficha S” desde 2015 – altura em que esteve preso e em que se terá radicalizado. Muitos outros suspeitos de terrorismo também estão ou já estiveram na “S”.

      O problema maior é que este ficheiro contem mais de 20 mil nomes. Um quebra cabeças para as autoridades francesas.

      Mas, afinal, o que é esta lista?

      Como, por exemplo, o FBI ou a Interpol, a polícia francesa também tem, desde 1969, uma lista dos chamados “mais procurados”. Inclui milhares de nomes de pessoas procuradas pelos mais variados crimes e uma, chamemos-lhe assim, subsecção onde estão os que são vistos como uma ameaça para a segurança nacional e são marcados com um “S” (de “Sûreté de L’État”, Segurança do Estado).

      Fazer parte da “Ficha S” não quer dizer implicitamente que se tenha cometido um crime ou que a qualquer momento se possa ser detido, mas sim que as autoridades podem “acompanhar” os passos destas pessoas.

      Todos os anos a lista é revista. Os nomes que já lá estão são avaliados de novo para se saber se ficam ou saem e, claro, podem entrar outros.

      A “Ficha S” não é exclusiva de extremistas islâmicos – alguém pertencente ao crime organizado pode lá estar, assim como membros da extrema direita –, mas a realidade diz que são a maior parte. Em 2015, o então primeiro ministro, Manuel Valls, disse que metade dos 20 mil nomes eram, de facto, suspeitos de ter ligações a grupos extremistas islâmicos. Já este ano, e segundo a agência Reuters, o número de “fichados” subiu para 25 mil.

      Entretanto, também em 2015 – altura dos atentados no Bataclan, esplanadas de Paris e Stade de France – as autoridade francesas iniciaram uma segunda lista. A “Fichier des signalements pour la prévention et la radicalisation à caractère terroriste” (“Arquivo/Ficha para a Prevenção da Radicalização Terrorista”) tem cerca de 20 mil nomes e, o mais provável, é que alguns sejam os mesmos que estão na “Ficha S”.

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  3. procópio permalink
    14 Dezembro, 2018 00:19

    O problema já não está na utilidade. A situação oscila entre a pouca vergonha e estrangular o povo como se faz em cuba e na venezuela. Na coreia do norte é “fait accompli”.
    A primeira é viabilizada pelos impostos progressivos e aniquilação da classe média conta com a resignação, desmoralização e prostituição dos merdia, a começar pela televisão.

    A segunda hipótese, não é viável a curto prazo, a geografia não a favorece.
    A Coreia do Norte faria as delícias
    Representantes da Coreia do Norte saudados na Festa do Avante, Setembro 2017.
    Para que não fiquem dúvidas na mesma festa o chefe rezava assim:
    Infelizmente, desde que a URSS se dissolveu o mundo vai muito mal: “Seu desaparecimento representou um imenso retrocesso para as forças da paz e do progresso social, os direitos dos trabalhadores e a soberania dos povos”. Menos mal que reste Pyongyang.

    Há hipóteses que parecem longínquas. Nem por isso deixam de ser plausíveis em cenários inesperados.

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  4. 14 Dezembro, 2018 00:24

    O Estado é ladrão!

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  5. André Miguel permalink
    14 Dezembro, 2018 05:41

    Serve para alimentar a casta de aventais que anda a espatifar Portugal há mais de um século.

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  6. 14 Dezembro, 2018 09:12

    Serve para sustentar bandos de parasitas com casa, agua, luz e rendimento mínimo garantido, por um lado, e, por outro, para os juízes absolveram ou mandarem em liberdade criminosos com grossos cadastros.
    Cambada de sacanas nojentos!

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  7. Rogerio Alves permalink
    14 Dezembro, 2018 09:45

    Para que serve um parasita?

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  8. Luis Lavoura permalink
    14 Dezembro, 2018 09:51

    A segurança física das pessoas e dos seus bens nunca foi tão grande como atualmente. Todas as estatísticas afirmam um declínio acentuado da criminalidade contra as pessoas e bens.
    Quanto à segurança rodoviária, também nunca ela foi tão grande. Atualmente morrem 700 pessoas por ano em desastres rodoviários em Portugal; há 40 anos morriam 2500 pessoas por ano – mais do triplo.
    Isto são dados objetivos. O post do Rui é conversa fiada.

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    • 14 Dezembro, 2018 10:09

      Luis Lavoura : é FALSO! Desde 2016 que os mortos na estrada estão a aumentar, os crimes violentos também. Leia estatísticas e deixe as mentiras Bruxeleanas

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    • 14 Dezembro, 2018 15:04

      não conta com a medicina ? de 1978 até hoje avançou bastante ..e as motorizadas? em 78 a malta tinha motinhas a mato.

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    • lucklucky permalink
      14 Dezembro, 2018 18:07

      “Todas as estatísticas afirmam um declínio acentuado da criminalidade contra as pessoas e bens.”

      Impostos no 25 de Abril: menos de 15% do PIB. Hoje mais de 35% – sem contar com o endividamento.

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  9. Artista Português permalink
    14 Dezembro, 2018 16:01

    O que vale são os condomínios privados, essa grande “conquista de Abril”!

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  10. Velho do Restelo permalink
    14 Dezembro, 2018 18:48

    Em Lisboa, se estacionar fora dos locais permitidos, ou exceder uns minutos o tempo já pago, leva multa, carro bloqueado ou mesmo rebocado! Basta andar 20Km, e o cenário é totalmente diferente! É outro país, se quiser ver um PSP fardado (só para ver a farda),
    o melhor é ir ao pingo doce! Aí tem sempre um ou mais a inspeccionar as prateleiras, ou a namoriscar as funcionárias! Em contrapartida, é raro ver uma patrulha em funções ! Normalmente movimentam-se lentamente, para serem vistos pelo povinho (é o chamado patrulhamento de visibilidade), mas se virem alguma viatura mal estacionada, desviam-se.

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  11. Velho do Restelo permalink
    14 Dezembro, 2018 18:49

    Já observei (e filmei) o que se pode designar por cúmulo da perguiça policial : Uma destas patrulhas de visibilidade aproximava-se duma rua onde uma viatura mal estacionada bloqueou a circulação porque um pesado não conseguia passar, e todo o trânsito ficou bloqueado! Começou o buzinão quando a patrulha de 3 elementos estava a cerca de 50m do local! Adivinhem o que aconteceu … os 3 PSP’s mudaram de rumo, seguiram por uma paralela à rua bloqueada e desapareceram em segundos !! Fala-se muito de grevistas, mas muito pior são estes palhaços que não estando oficialmente de greve, só fazem os “serviços remunerados”. Então e a verba do orçamento de estado serve para quê ?

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