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Refundar a Direita: PSD vs CDS

27 Março, 2019

Bem sei que das poucas coisas que ainda valem a pena na política é a discussão de ideias e pouco importam os meandros partidários e o manejo de trincheiras a que os profissionais do ramo se dedicam.

De todo o modo, já que muitos dos que prezo e respeito intelectualmente têm sido prolixos na análise do estado e do futuro do PSD com a sua liderança, sujeito-me a expôr a tese de que a reconstrução e a refundação da Direita passarão mais pelo CDS do que pelo partido de Rui Rio.

Esta proposição não é resultado de uma reflexão fechada e definitiva da minha parte, mas apenas uma elaboração que deixo a escrutínio e comentário dos leitores para que com esse contributo a possa adensar ou, pelo contrário, infirmar.

Mas não errarei por muito na análise ao dizer que o pêndulo político está artificialmente puxado à esquerda, fruto do arregimentar pelo PCP da Função Pública e no controlo da acção reivindicativa sindical. E também do Bloco na vertente de instalação de uma cultura urbano-identitária neo-fascizante.

Por instinto de sobrevivência o PS foi atrás e com ele deslocou o PSD do centro para campos outrora assumidamente socialistas.

O PSD só caiu nesta manobra porque à sua direita viu o CDS tombar para o mesmo lado. O CDS em vez de se apresentar como um partido conservador nos costumes e liberal nas questões económicas transformou-se num partido estatista na economia (vidé a recente abstenção na questão do reporte automático de saldos bancários ao Fisco) e progressista na agenda cultural (como na lei da paridade do género).

Com este posicionamento do CDS o PSD pressupôs que o encosto ao PS não o faria perder o seu eleitorado de tendência mais à direita. Todavia o perímetro da Direita não se alargou, mas apenas se transladou. Para o limite errado.

Os conservadores são muito sensíveis à imagem dos seus líderes e ver Cristas a cozinhar no Programa da Cristina ou no Cabaré da Coxa a achar piada (como lembrou Vasco Pulido Valente) a ser considerada uma MILF é quase fatal para o seu descrédito. Esses conservadores terão também entendido como uma subordinação ao discurso e à agenda da esquerda o facto de aquele que era visto como um provável sucessor da actual líder ter abordado o tema da sua homossexualidade em entrevista ao Expresso e alimentado sequelas do assunto noutros fora. O que reforçou a convicção de que o CDS, assim, estaria orientado para ser liberal nos costumes.

A minha análise é singela: olhando para o panorama político, as recentes iniciativas partidárias, os últimos convénios de reflexão que se organizaram e o discurso dos líderes dos partidos da Oposição, quem terá mais a perder nas eleições que se avizinham é Assunção Cristas e não Rui Rio.

Se o resultado eleitoral do CDS não subir significativamente quando toda a conjuntura parece à primeira vista assim facilitar, o caso pode não ser fácil de digerir. E há uma probabilidade que diria não ser despicienda de o crescimento em votos não se verificar.

O CDS tem-se posicionado ao centro procurando captar voto de descontentes sociais-democratas, mas o Aliança está mais próximo de cumprir esse papel numa transição suave das intenções de voto. Com a saída de cena de Adolfo Mesquita Nunes, os liberais do PSD – nada satisfeitos com Rio – já não vêem no CDS um refúgio e por isso a escolha natural será a Iniciativa Liberal. A agremiação de Carlos Guimarães Pinto captará ainda o voto tradicionalmente abstencionista de Direita e por isso o CDS não terá muito novo eleitorado de que beneficiar.

Dada a significativa maior escala do PSD e o caldeirão de sensibilidades e tendências que ainda tem dentro do partido, é mais fácil ao CDS reposicionar-se como conservador ao estilo thatcheriano do que ao PSD descolar do PS por iniciativa própria.

“Refundar” a Direita – toda a área não socialista – talvez seja mais eficiente e eficaz com a mudança de eixo do CDS do que o do PSD. Se o CDS alterar a sua abordagem, o PSD vem por arrasto. O inverso é mais difícil.

Nessa altura os liberais sentir-se-ão mais confortáveis para se diluir pragmaticamente entre o voto no PSD e no CDS ou regressar à abstenção e à sua condição de cépticos em gente que procura orientar o rebanho através do exercício do poder e por via da legislação.

Fica o repto para os leitores me convencerem de que estou errado.

Cristas_Rio-3

 

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11 comentários leave one →
  1. Carlos Rosa permalink
    28 Março, 2019 00:15

    Eu só tenho a dizer o seguinte:
    -O que vai por aí acerca das alterações climáticas é um embuste.
    Os donos do Sistema, sem nada saberem sobre como se deve gerir um país, colocaram Portugal numa situação desastrosa, num beco sem saída.
    Comunas no Alentejo e socialistas em todo o país, incompetentes para todo o serviço, na ânsia de ganhar eleições, afugentaram os portugueses que agora estão nas grandes cidades ou no estrangeiro. Os partidos da cambada têm que ser julgados pelo atrevimento que tiveram de se apoderarem da governação para seu benefício próprio.
    Em Portugal tal como noutros países, depois de despovoarem o interior vêm agora com o embuste das alterações climáticas, mas não mexem uma palha no sentido de povoar novamente Portugal com actividades de toda a espécie e por conseguinte com pessoas.
    Só o povoamento dos campos pode evitar isso da mudança climática.
    Quem sabe isso são os poucos portugueses que ainda restam nas suas terras
    Onde é que já se viu tanto fogo em pleno inverno.
    Fora com os de Esquerda que têm arruinado Portugal.

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    • Jornaleco permalink
      28 Março, 2019 01:25

      @Carlos,
      como você muito bem sabe, o ambiente está em perfeita condição. Essa vigarice com o clima é um pretexto, para nos escravizar.

      E os fogos são todos postos, por criminosos.

      Eles governam desde faz um tempo sem o povo. Tudo bem dos macacos de Bruxelas. Isto é uma ditadura suave, do pior. E aqueles parvos não querem mudar.

      Só a esquerda burra, malandra, ladrona, fascista é que acha tudo muito bem. Eles estão contentes e só mortos deixam o poder.

      Conversar, trocar argumentos com inteligência? Metade do povo é doido e malvado.

      Agora estão a planear destruir a nação. Em toda a Europa. E depois a nível mundial. Isto está tudo doido. Eu só sinto nojo.

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  2. 28 Março, 2019 00:21

    Parabenizo-o por colocar a tónica de uma eventual renovação da direita aos partido. Não o acompanho na importância que atribui às ideias liberais e aos liberais no nosso espectro político. Os partidos liberais na Europa não ganham eleições em lado nenhum… Aqui, por maioria de razão, ainda lhes será mais difícil obter um bom resultado.

    Acompanho o que diz Jaime Nogueira Pinto:

    «a redução da política à economia: a mensagem que movimentos como este da União Europeia trazem, por um lado, o optimismo de que o período das guerras está ultrapassado, por outro, de que hoje tudo se reduz à gestão – o que era um sonho antigo, já no século XIX Comte [Auguste] dizia que a partir do momento em que entrássemos na sociedade industrial as guerras iriam desaparecer e em vez do governo dos homens teríamos a gestão das coisas. Ora, isso é tudo contrário àquilo que, em meu entender, é imutável, que é a natureza humana. A ideia de que a natureza humana muda…»
    in: https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/jaime-nogueira-pinto-nao-ha-direita-nenhuma-em-portugal

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  3. Manuel Alves permalink
    28 Março, 2019 01:16

    Carlos Rosa, comentário brilhante.

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  4. Arlindo da Costa permalink
    28 Março, 2019 02:18

    Aposto no a(pro)fundamento da Direita. Paz à sua alma….

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  5. Jorge Pacheco de Oliveira permalink
    28 Março, 2019 08:17

    Concordo em absoluto com a chamada de atenção para o tema das alterações climáticas, uma fraude científica que assumiu uma dimensão planetária porque foi adoptada pela Internacional Socialista.

    Trata-se, portanto, de uma causa da esquerda. Os partidos de direita não têm nada que aceitar esta causa. Antes pelo contrário, devem rejeitar os alarmismos e os medos que são incutidos nas pessoas com cenários climáticos apocalípticos sem qualquer sentido.

    Em Portugal os partidos de direita devem exigir que a comunicação social nacional acabe com a vergonhosa censura que é feita aos artigos e eventos críticos da tese alarmista, os quais têm lugar praticamente apenas nos países anglo-saxónicos onde a liberdade de expressão é mais valorizada.

    Se os partidos de direita se conformarem com a tese das alterações climáticas fazem figura de idiotas. Até porque esta tese não é tão politicamente correcta quanto parece. Várias sondagens no estrangeiro têm revelado que as populações olham com alguma descrença os cenários catastrofistas que lhes são apresentados. Talvez porque comecem a perceber que a tese das alterações climáticas não passa de um pretexto para serem criadas novas taxas que se reflectem nos preços da energia eléctrica.

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    • Jornaleco permalink
      28 Março, 2019 16:48

      Muito bem.

      Essa vigarice com o ambiente já é muito velha. Já o “Club of Rome” nos anos de 1960 e assim, preparou o chão, para esta burrice criminosa, para nos escravizar e roubar mais o dinheiro da carteira. E até hoje eles conseguiram, infelizmente. Não tanto como esses porcos queriam, mas este pouco, já é demais. E eles continuam a apertar-nos.

      Querem destruir tudo. Você está bem informado.

      É um crime. Podíamos ter energia muito barata, e só roubam aos pobres, aos mais pobres, esses filhas da puta.

      E quem quiser fazer carreira contra o ambiente, está feito num bife. E uma maioria perversa do povo, a gostar de criminosos. Isto não vai terminar bem. Impossível.

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  6. 28 Março, 2019 10:15

    Análise interessante, parabéns. Mas tenho de discordar por duas razões:

    (a) A direita não precisa de se refundar, precisa de se afirmar. Daí a minha visão critica sobre inciativas como o M 5.7, censurada no Observador, mas reposta aqui: https://marques-mendes.blogspot.com/2019/03/a-censura-no-observador-e-os-problemas.html

    (b) Não acredito que “é mais fácil ao CDS reposicionar-se como conservador ao estilo thatcheriano”. O CDS um partido de matriz democrata cristã que nunca aceitará um liberalismo económico à maneira Tatcheriana. Reconheço que possa ter melhores quadros que o PSD, mas estes à primeira oportunidade viram-se para uma carreira nos negócios (vidé Lobo Xavier, Pires de Lima e agora o Adolfo Mesquita).

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  7. Aónio Lourenço permalink
    3 Abril, 2019 10:12

    Caro Tiago, discordo porque tal como o Tiago, acredito em ideias na política. E o CDS não tem nenhumas. Tal como o PS é um partido de advogados, que se focam apenas na retórica inócua e básica, para que a plebe a colha. Podemos achar que por vezes Rui Rio se apresenta demasiado à esquerda, também o acho, mas acho que é a única peça apresentável em todo o xadrez da política nacional. À esquerda no PCP temos um avozinho que defende tiranias comunistas; no BE uma tipa formada em teatro que é uma excelente oradora mas não diz nada de jeito; no PS o advogado Costa com a sua ladainha barata a vender banha da cobra; e no CDS a advogada Cristas a querer imitar o advogado Costa na retórica infantil para tentar arrecadar votos. Rui Rui leva 9.5 de nota, mas é o único que passa no exame!

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