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Sócrates ainda (des)governa este País

7 Julho, 2019

 

Post de convidado: Atacante Moura

Quando falamos de Sócrates e das suas ideias, há muito quem diga “isso teve o seu tempo”. Pois bem, a verdade é que isso não teve o seu tempo. Estamos em 2019, a discutir o tema da demolição do Prédio Coutinho, e a VianaPolis continua a ser financiada com o dinheiro dos contribuintes para fazer… nada.

A actividade da VianaPolis designa-se no “desenvolvimento da acção estruturante relativa à expropriação do Edifício Jardim, subsequente demolição e posterior construção do novo Mercado Municipal e espaços públicos envolventes, bem como o arrendamento, gestão e administração de bens imobiliários.” Estamos, pois, perante um caso de incompetência.

Durante quase duas décadas, os contribuintes sustentaram uma empresa – cujos custos de constituição nunca foram comunicados – e que tarde apresentou o projecto do Mercado Municipal que está na origem da eventual demolição do Prédio Coutinho (ficámos a conhecer as imagens da maquete do Mercado Municipal a 5 de Julho de 2019, numa tentativa desajeitada de comunicar positivamente num caso mediático que já manchou o nome da cidade em todos os órgãos de comunicação social deste País).

A mesma empresa não empreendeu acções de sensibilização junto da comunidade (os próprios vianenses não sabiam, até 5 de Julho de 2019, que não era uma réplica do mercado original o que estava previsto para aquele local, mas antes um mercado igual a qualquer outro), não agendou visitas dos proprietários aos apartamentos alternativos, não dialogou, não procurou minimizar o impacto nos moradores, não existiu, a não ser para atacar os resistentes com actos indignos de uma sociedade do século XXI.

Em 2012, o Jornal de Negócios noticiava uma dívida da VianaPolis de 17 milhões de euros à Banca, sendo que o actual presidente da autarquia remetia uma fatia de 5 milhões de euros desse endividamento para a operação do Edifício Jardim. Quanto deve a VianaPolis hoje? Juntem-se os cerca de 23 milhões de euros gastos em indemnizações por expropriação e cerca de um milhão em custos judiciais e mais dois milhões em juros. Some-se um milhão e duzentos mil euros para a já adjudicada demolição do Prédio Coutinho à DST. Como dizia o outro, “é fazer as contas” e andamos a pagar mais de 30 milhões de euros para tratar da estética de uma cidade no Alto-Minho. Ou chega agora a hora da cosmética das contas?

O actual Ministro do Ambiente fala agora – sim, só agora, já que está na mira do escrutínio público – de um processo contra os moradores do Prédio Coutinho por lesarem o Estado e os contribuintes, razão pela qual espero receber a minha parte se houver demolição e ressarcirem os lesados – que também somos nós.

Não deixa de ser interessante que, pela primeira vez em todo o processo, pareça que o Ministério do Ambiente e a VianaPolis se organizaram para comunicar em conjunto num momento de crise e, de repente, pareça que já estava tudo pensado e pronto a executar. Não estava.

Sócrates teve o seu tempo… mas os meus impostos continuam, ainda hoje, a pagar as suas ideias.

Até breve,
Atacante Moura

Socrates (2)

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11 comentários leave one →
  1. LTR permalink
    7 Julho, 2019 21:07

    Continuo a achar a dualidade de critérios muito estranha.

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    • Carlos Rosa permalink
      7 Julho, 2019 23:46

      Sim, senhor ministro! Eureka!
      Já que aqueles velhos não querem sair dos seus apartamentos, mande-os prender. Saem logo. Ai não que é côco.
      Onde é que já se viu num regime socialista haver gente a pensar que são donos das suas casas?

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  2. Velho do Restelo permalink
    7 Julho, 2019 21:24

    Agora que já sabemos que o “grande interesse público” que pretende justificar a demolição é a construção dum mercado, segundo entrevista dada pelo Sr. Presidente da CMVC a um jornal e rádio locais:
    «…
    A não construção do mercado no local do Edifício Jardim está a causar um grande prejuízo à cidade. Há dinâmicas económicas e sociais que estão a ser prejudicadas por este atraso.
    …»
    Falta esclarecer o que vai ser comercializado nesse “mercado”! Peixe e marisco não deve ser, porque nesse caso mais valia montá-lo mais perto da lota.
    Porque será que é mais vantajoso junto à marina ? Deve ser algo muito valioso para justificar tamanho investimento … será pó branco ?
    A que “dinâmicas económicas e sociais” estaria o Sr. Engº a referir-se ?

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    • LTR permalink
      7 Julho, 2019 22:12

      “bem como o arrendamento, gestão e administração de bens imobiliários”

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      • Os corruptos que se cuidem permalink
        8 Julho, 2019 02:21

        Numa palavra, que são duas: especulação imobiliária. Mais duas: mafiosices com terrenos.

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  3. A. R permalink
    7 Julho, 2019 22:46

    O menino de Ouro – aprenda da fotografia do tipo Monty Python – só nos deixou merda. Demolir um prédio para construir um Mercado junto a uma Marina abandonada não lembra ao careca

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  4. José Monteiro permalink
    7 Julho, 2019 23:21

    Na URSS, havia um princípio ‘jurista’ de aplicação pronta, em casos como este particularmente justificado:
    CRIMES ECONÓMICOS contra o Estado, contra o Tesouro do Povo, mesmo sem Delfos.
    Socialistas & criminosos, sem que cristãos democratas, social democratas e ‘patriotas’ de esquerda, sejam capazes de articular um pensamento a condizer.
    Filhos de virtuosas mães.

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  5. Beirao permalink
    8 Julho, 2019 09:34

    Uns perfeitos FDP toda esta canalha socrática. Na Grécia os grunhos esquerdalhos do bloco de esquerda lá do sítio foi corrido que nem uma lindeza a pontapé.
    A direita grega, com tomates, varreu do poder essa miserável seita do quanto pior melhor…
    Só neste cu de Judas lusitano os cabrões da geringonça ainda dão cartas… Até quando?
    Presumo que enquanto persistir a pouca vergonha de os tugas parasitas dos grandes centros urbanos do litoral, preguiçosos e caloes, sempre de mão estendida ao favorzinho do cacique da terra, base de apoio da esquerdalhada unida, continuarem na mama da subsídiodependencia, as malvadas geringonças da nossa desgraça vão perdurar neste portugalzinho cada vez mais individuado e a caminho de nova bancarrota..
    É preciso, é urgente arranjar um líder a sério, de colchões no sítio, para comandar a direita e po-la a dirigir os destinos de Portugal.
    Vamos a isto!

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  6. 8 Julho, 2019 19:34

    Falta saber qual o ministro do ambiente que considerou o Coutinho uma aberração, pois falta, olhe que ele tem nome de filósofo.

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  7. Velho do Restelo permalink
    9 Julho, 2019 11:29

    O Telmo diz bem “…se houver demolição …”, pois tudo leva a crer que não vai acontecer!
    Tendo em conta a situação financeira da VP, o mais certo é dar o estoiro e o mamarracho “desocupado” ir parar ao colinho dos bancos credores, que depois fazem o que lhes for mais lucrativo para recuperar do rombo causado por estes maníacos ressabiados!
    Ou seja, reparam as paredes arrombadas para intimidar os “Coutinhos Irredutíveis”, dão uma pintura no exterior do prédio, e põem à venda !
    Com alguma sorte, os antigos proprietários ainda conseguem recuperar a sua casa com alguma “vantagem financeira”, a avaliar pelo que dizem alguns experts comentadores do Blas !

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  8. caampus permalink
    9 Julho, 2019 17:54

    Vai apanhar gambuzinos ?

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