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um país que a todos deveria envergonhar

13 Julho, 2019
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Há uma velha frase indevidamente atribuída a Voltaire, mas que é, na verdade, da sua biógrafa Evelyn Beatrice Hall (1868-1939), que sumaria exemplarmente o que não pode nunca deixar de existir numa sociedade liberal ou livre, se preferirem evitar conotações ideológicas, sob pena de deixar de o ser, por mais que se engane a si mesma. A máxima é universalmente conhecida, reproduz muito bem o que era o espírito do velho filósofo das «luzes» francesas, e é mais ou menos isto: «Eu desaprovo o que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo».

O significado desta afirmação é de elementar compreensão, e quer dizer que a liberdade de expressão – sem a qual não existe sombra de democracia e liberdade – é exactamente para os pensamentos e as pessoas com as quais não concordamos e que até por vezes nos ofendem. Numa sociedade de pensamento uniforme – ou único, conforme se prefira uma nomenclatura ocidentalizada ou soviética – é que ninguém se pode atrever a sair da norma e, sobretudo, a dizê-lo em voz alta.

A propósito disto está, ou parece estar, o artigo «racista» da Maria de Fátima Bonifácio. Mas não está. Por mim, muito mais preocupante do que a senhora ter escrevinhado algumas coisas insensatas, no meio de outras que até eram bastante ponderadas, têm sido as reacções ao que ela escreveu, no suposto uso daquele princípio atribuído a Voltaire, e que a Constituição da nossa República consagra em vários lados, mas muito especificamente no seu artigo 37º, nº 1, sob a forma de direito fundamental, logo intangível até pela própria república em uníssono, assim ela para aí estivesse virada: «Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações».

As reacções persecutórias a Maria de Fátima Bonifácio, que não as de indignação, que são, obviamente, elas também, formas de uso da liberdade de expressão, deviam-nos envergonhar a todos, porque são próprias de regimes e mentalidades ditatoriais, fascistas ou comunistas. A pretexto, já li e ouvi dizer que a senhora – que é uma académica notável, já agora – tem de ser expulsa da sua Universidade; já li e ouvi dizer que a senhora tem de ser expulsa do Público e, quiçá, proibida de escrever na imprensa portuguesa; já li e ouvi dizer, num discurso, esse sim, de ódio incontido, que a senhora «tem que pagar pelo que fez» (mas que raio fez ela, senão expressar o seu pensamento), e por aí vai. Enfim, um verdadeiro nojo, próprio de pides e de bufos, mas um nojo que não é acidental, nem sequer casuístico, porque tem precedentes, e tão-pouco é da responsabilidade da autora do artigo.

O facto é que em todas as sociedades existem maluquinhos convencidos que detêm a verdade sobre a felicidade dos povos e os meios de a alcançar. Os exemplos históricos – de Cuba “Libre”, ao paraíso soviético e ao Império Nazi de mil anos – são absolutamente horríveis, mas eles começaram sempre por uma teorização e uma filosofia. Em Portugal, desde que António Costa, levou para a área do governo, pela simples volúpia de poder pessoal, as «esganiçadas» do Bloco – termo aqui intencionalmente empregue para lembrar que o mesmo valeu um processo-crime ao seu autor – ele criou uma «vanguarda» do regime que zela pela sua «pureza», denunciando, acusando, perseguindo. Ora, quase todos os dias temos bons exemplos de que a «vanguarda» desempenha muito bem o seu trabalho, e se ultimamente – por puro oportunismo eleitoral – tem amansado os decibéis do esganiçanso, as intenções permanecem as mesmas.

Por conseguinte, Portugal tem que decidir se quer ser, de facto, uma sociedade livre, tal e qual o 25 de Abril lhe prometeu, ou se prefere manter a PIDE em exercício de funções e importunar quem usufrui de uma liberdade que, se calhar, não termos. Enquanto admitirmos «delitos de opinião», não seremos nunca uma sociedade livre, e devemos envergonhar-nos daquilo que somos como comunidade.

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16 comentários leave one →
  1. Antonio Maria Lamas permalink
    13 Julho, 2019 07:51

    Excelente.

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    • Carlos Rosa permalink
      13 Julho, 2019 21:09

      O Costa é um ótimo exemplo de político profissional perverso. Tudo o que seja indústria, comércio, agricultura, saúde, educação, etc., não percebe um corno. Para jogadas políticas, golpadas, truques, acordos de conveniência é um ás.
      A sua bíblia é o Marxismo de má memória que tem uma história de roubo e morte.
      Portugal está a viver um drama de ilusão. Os portugueses são mal tratados nos hospitais, nas escolas, nos tribunais, nos transportes e nas finanças. Os orgãos de informação controlados pela agência de notícias Lusa, e cheios de jornalistas incompetentes/ignorantes, dizem-nos diariamente que Portugal está melhor. Mentira descarada. Os empregos são na sua maioria precários e os salários baixos. Os comunistas dos sindicatos são coniventes com a miséria dos trabalhadores e do povo.
      Não fosse o Costa aproveitar-se de alguma arrumação que o Passos Coelho deu ao país e o dinheiro dos turistas estrangeiros que nos visitam, já tudo teria estourado. Mas vai estourar. Só não estourou já porque o povo vive, por enquanto, conformado com a ilusão, convencido que este governo sendo de Esquerda, está do seu lado. Mas a Esquerda que o povo está a degustar vai dar-lhe uma forte e prolongada indigestão. Quanto mais tempo consumirem dela pior será a ressaca.

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  2. Jornaleco permalink
    13 Julho, 2019 09:42

    Vamos lá usar a lógica, que dizem tanto amar e usar.

    Citação: “[…] Portugal tem que decidir se quer ser, de facto, uma sociedade livre, tal e qual o 25 de Abril lhe prometeu, […]”

    a. Uma frase desnorteada, tonta.

    b. Os criminosos são livres. Ele fazem o que querem. Graças ao cabrões do 25 de Abril.

    c. Portugal não pode decidir nada. Impossível! São os portugueses que decidem, e cada um faz o que quer. E muitos estão cada vez pior e a dar poder aos idiotas e aos mentirosos, aos tal asnos perfeitos.

    d. Livre em que sentido? De que liberdade fala o autor? Não compreendo muito bem.

    Citação: “[…] ou se prefere manter a PIDE em exercício de funções e importunar quem usufrui de uma liberdade que, se calhar, não termos. […]”

    e. A PIDE antes do 25 de Abril dos cabrões do fascismo da esquerda, essa PIDE tinha a obrigação de evitar que os tal cabrões da esquerda fascista chegassem ao poder. E foi um éxito total a PIDE antes do 25 de Abril, no tempo de Salazar.

    f. Agora a PIDE da esquerda fascista é pior do que tudo visto até hoje. Agora a PIDE defende e trabalha para os criminosos. Há uma diferença substancial e perigosa.

    Citacão: “[…] Enquanto admitirmos «delitos de opinião», não seremos nunca uma sociedade livre, e devemos envergonhar-nos daquilo que somos como comunidade.”

    g. O autor ainda não percebeu como a canalha da esquerda fascista funciona. Foi tudo mentira. A liberdade e a esquerda fascista são inimigos profundos. Eles enganaram o povo. Eles nunca quiserem ser justos. Eles não são justos. Eles quiseram a liberdade para opter, chegar ao poder. Agora acabou-se a liberdade.

    h. Energonhar-me? Eu? Eu não fiz mal a ninguém. Eu estou só a preparar-me para distribuir palmadas aos meus inimigos, que não me querem deixar ser livres e querem-me roubar o pouco que tenho. Se eu não começar a defender-me e a parar esses cabrões, isto vai evoluir até ao comunismo, o pior dos venenos.

    Há aqui muitos a sonhar e a viver atrás da lua, e não ver os problemas reais, que vão e estão a inquietar esta Europa comunista e perversa.

    Liberdade? Para ser infiel, pôr os cornos ao vizinho e foder a mulher dele sem ser punido. É essa a liberdade da qual o autor sonha?

    Matar bebés?

    Destuir postos de trabalho bem pagos?

    Adorar o ambiente?

    Beijar o cu à perversidade e à decadência?

    O autor deve estar a brincar e a sonhar.

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  3. Jornaleco permalink
    13 Julho, 2019 10:22

    O problema deste país, é a desilusão da esquerda fascista. A esquerda sempre enganou e nunca convenceu. A esquerda nunca soube criar riqueza. Nunca. Só sabe roubar. Enganar. Aumentar impostos.

    Introduzir em 1974 um modelo falhido, foi um desastre. Só asnos é que fazem isto.

    Um país, que rouba a aqueles que têm propriedade, põe lá os clientes da esquerda a pagar rendas ridículas, que não dão para manter os custos das casas, que faz troça dos proprietários, que castiga quem trabalha, e dá prémios aos malandros e asnos e ladrões?

    Igualdade?
    A esquerda é a personificação da mentira e da incompetência. Foi sempre assim.

    Quem quer destruir a família, não sabe o que é verdadeira amizade e amor.

    Nem de amor a puta da esquerda percebe um corno. Nem disso percebem.

    O avanço agora é tal, que vão ao cu um do outro. Mulher e homem e homem e homem. Que nojo. O culto da morte merece a morte.

    Donde veio a riqueza do cabrão e ladrão do Mário Soares? O filho, um asno perfeito, conseguiu ser doutor, como?

    Porque é que a esquerda (fascista) não tem humor nenhum, que mereça o termo?

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  4. Jornaleco permalink
    13 Julho, 2019 10:29

    Este país precisa justiça perfeita, e não a há, porque a tal esquerda a odeia. Lógico.

    Liberdade já há demasiada, sobretudo para aqueles, que não a merecem.

    Vivemos em tempos altamente perversos, decadentes. E não o reconhecer, não falar abertamente sobre ela, ter medo de o fazer, augura um futuro nefasto.

    Portugal tem que libertar-se rápidamente de Bruxelas, sair do euro, fazer coisas muito corajosas e inteligentes. O Trump mostra como. É por isso que as putas o odeiam profundamente. Mas não faz mal. As putas levam nos cornos, uns pontapés na parte traseira e o caminho estará livre: liberdade!!

    Senão!
    Com esta canalha da nossa sociedade, filhos podres de famílias abastadas? Jamais vamos sair do buraco, em que esse esterco nos querem meter.

    A infidelidade tem um preço muito alto, que muitos depois não vão querer pagar, mas terão que o fazer. Queiram ou não.

    Infidelidade leva sempre à pobreza, mais tarde ou mais cedo.

    Porque é que Portugal está tão endividado? O que é que isso significa?

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  5. 13 Julho, 2019 12:32

    o que já deu para perceber é que quem anda com “inquisição e censura” na boca são os que têm comportamento inquisitorial e censório. censuram a torto e a direito, apelam a auto censura ., umas bestas.

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  6. J. Pedo Pires de Campos Henriques permalink
    13 Julho, 2019 13:40

    Concordo na generalidade com o exposto neste artigo… se posteriormente considerar deveras conveniente, por aqui escreverei e aprofundarei face ao exposto…. obrigado pela coragem do que disse…

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  7. jppch permalink
    13 Julho, 2019 14:10

    Posso intelectualmente diferir do conteúdo exposto…. contudo tenho de agradecer por o postar e porque o mesmo tem sustentadamente muito que pensar…. e um obrigado por
    JPPCH

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    • Artista português permalink
      13 Julho, 2019 16:40

      O que é “postar”? Fui consultar o a nova Bíblia do Acordo Ortográfico e não encontrei nada…

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      • 13 Julho, 2019 17:55

        São postas de pescada embaladas em papel porque o plástico vai ser banido.

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  8. Procópio permalink
    13 Julho, 2019 19:18

    A perda da vergonha ainda não terá infltrado a maioria dos inocentes. Gente silenciosa, adoentada, amedontrada. Assim se presta a ser escravizada paulatinamente, a preceito.
    Uma minoria bem organizada tomou conta do poder, com infiltração máxima dos media, com apoios internacionais poderosos, de Soros a Bruxelas. Faz o que quer. Silencia quem pia, espolia descaradamente, ocupa lugares estratégicos e usa parte do roubo para comprar traidores oposiocionistas nojentos, à espera de prebendas. Isto não costuma acaber bem.
    Perguntarão até quando dura? Até os ventos mudarem. Os tempos estão incertos.

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  9. Procópio permalink
    13 Julho, 2019 19:30

    A falta de vergonha está generalizada, o rectângulo é uma amostra.
    Isto não costuma acabar bem.

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  10. Arlindo da Costa permalink
    14 Julho, 2019 04:31

    Qual é a «raça» da «historiadora»? Para além de ser parecida com um vizinho meu, velo ali traços mouriscos ou berberes. Mas como não sou especialista, fica para os entendidos em raças, etnias e simiologia…

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    • Jornaleco permalink
      14 Julho, 2019 05:01

      Qual raça? A raça nunca interessou nada.

      O que está só em causa, são só os valores que qualquer um defende.

      A esquerda quer foder com a mulher do vizinho.
      E se o vizinho descobrir o mesmo, parte a cabeça à esquerda, não é?

      Quem é que o impede? O macaco na selva?
      Porque é que toda a esquerda nega a justiça perfeita?

      A esquerda é a maldade absoluta. O tal lobo em pele de ovelha, a traição, a infideldiade total. Nenhuma nação consegue sobreviver muito tempo com esses cretinos malvados.

      Quem é infiel numa coisa é infiel EM TUDO.
      Uma lei universal.

      Tão díficil a compreender?
      Qualquer pessoa dantes com quatros anos escolares sabia-o.

      As nossas universidades transformam a maior parte da nossa juventude em autênticas putas, sem carácter nenhum, digno de isso, sem espinha dorsal.

      Olhe para as biografias da esquerda fascista. Não encontrará nenhum que fosse fiel. Todes foderem com a mulher do vizinho. Quer provas?

      A este país falta só a justiça perfeita.

      O que a esquerda fascista mais tem medo, e que ela e eles mais temem, que o diabo, com o qual eles também fodem. É tudo a eito. Gatos, cenouras.

      Isto da “liberdade” é tudo tretas. A esquerda fascista merece a prisão e só isso.

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