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A propósito de Omara

6 Janeiro, 2021

Beatriz Imperatori, Directora Executiva da UNICEF em Portugal, publica hoje o no Observador um artigo intitulado «Omara: discutir as causas (e as culpas) não pode impedir a ajuda às vítimas» na sequência do artigo que ali publiquei no passado Domingo: “Omara, a bebé subnutrida”. Por culpa de quem?

O texto de Beatriz Imperatori está aberto pelo que basta clicar para ler.

Do meu que está fechado fica aqui uma parte: A Omara tem 8 meses e é a mais nova de cinco irmãos. Quando nasceu já tinha muito pouco peso e, o facto da sua mãe Zara não conseguir amamentar, dificultou o ganho de peso que necessitava para crescer saudável.” — Este anúncio de uma actual campanha da UNICEF segue o padrão habitual destes apelos: crianças negras de olhos imensos e peso escasso contemplam-nos enquanto uma voz off repete que se dermos uns euros as salvaremos. Ninguém explica onde nasceu a Omara. Que catástrofe, facto ou circunstância levam a que ela seja tão débil. Aconteceu algum terramoto no seu país? Incêndio? Erupção? Nada se diz. Omara é apenas “a bebé subnutrida” como se a sua subnutrição fosse uma fatalidade e a sua assistencialização o destino óbvio. Muito menos se sabe que família é a sua. Por exemplo, Zara, a mãe de Omara, que pela imagem parece tão jovem, já vai na quinta gravidez, com óbvio prejuízo da sua saúde pois nem consegue amamentar. Que condicionantes culturais, familiares e religiosas levam esta mulher a estas gravidezes sucessivas que a esgotam? Quem governa o país de Omara e da sua mãe Zara? Aliás qual é o país de Omara? Nada sabemos sobre isso. Somos só nós, a subnutrição de Omara e os euros que não nos fazem falta e podemos dar para a salvar. Publicitariamente esta técnica de comunicação é perfeita mas politicamente é um desastre pois é nesta descontextualização das vítimas que se tem baseado o desastre africano pós colonial: libertações que acabaram em regimes de terror, revoluções socialistas que produziram estados falhados, sociedades que empobrecem… e nunca se encontram responsáveis, a não ser os suspeitos do costume ou seja os países europeus que na sua maioria há mais meio século deixaram de administrar aqueles territórios.»

13 comentários leave one →
  1. JgMenos permalink
    6 Janeiro, 2021 11:43

    Silenciar as acções dos corruptos e promover assistência às suas vítimas é o que resulta do ‘anticolonialismo’ esquerdalho.

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  2. chipamanine permalink
    6 Janeiro, 2021 11:58

    A grande miséria africana e a respectiva fome tem um nome: A neocolonização marxista promovida pelos seus dirigentes e apoiada sempre pelos neocolonizadores …..no início a antiga URSS e agora pelo P, Comunista Chinês.
    A desresponsabilização sobre os quasi-cadáveres que a propaganda “benemérita” tenta incutir faz parte dessa neocolonização: a gente explora a gente leva-os à miséria e os outros que ajudem.
    Chama-se a isso dialéctica materialista aplicada.

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  3. jppch permalink
    6 Janeiro, 2021 13:18

    Parabéns Helena pelo seu post… deveras pertinente e que deve ser objecto de profunda reflexão.
    Eu e a minha família sempre doámos verbas para a UNICEF assim como para a AMI e, continuaremos a fazê-lo, mas agora debaixo de uma exigência crítica que até não tínhamos. Na realidade está-se a dar (e deve-se dar para salvar crianças) mas a UNICEF, ou a ONU nunca põem em causa os sistemas que parem estas tragédias e enquanto não se questionar, milhares ou milhões vão acabar a pedir as nossas esmolas… a ONU não questiona (nem ninguém) as oligarquias e cleptocracias facínoras que produzem estas tragédias… e passado décadas e olhando diacronicamente para áfrica , começo a pensar quais países estavam preparados para ser independentes e ter “know how” para promover um desenvolvimento sustentado nas suas populações… continuamos a comprar cacau e a vender Nescuik sendo que parte do valor acrescentado da venda enche os bolsos de oligarquias e cleptocracias… mais uma vez parabéns pelo seu post

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  4. 6 Janeiro, 2021 13:52

    Helena, o seu excelente post trouxe-me à memória o Professor Francisco Cambournac, que praticamente erradicou a malária (paludismo) das nossas antigas colónias. Hoje em dia, em Angola, por exemplo, praticamente toda a população tem paludismo, razão porque as faltas ao trabalho são enormes, e poucos são os que vivem mais do que 50 anos.
    Ou seja, milhões de mortes de que ninguém fala, aliadas à enorme miséria, foram as conquistas da independência!

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  5. Prova Indirecta permalink
    6 Janeiro, 2021 14:03

    Parece que o manhoso , digo , o Marcelo , providencialmente teve contacto com um positivo do seu staff e entrou hoje em isolamento profiláctico por duas semanas….E logo agora , eu que já tinha comprado as pipocas para o debate com o AV

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  6. FreakOnALeash permalink
    6 Janeiro, 2021 14:52

    Dou para o banco alimentar e chega para me tranquilizar a consciência. Quem me pede diretamente, mesmo que eu tenha noção, que é para droga ou vícios também não costuma ir de mãos vazias, nem que sejam uns trocos. Unicef, Onu não. Tenho uma teoria, talvez parva, que nunca partilhei e que na essência é isto: País X não se sabe governar e com povo na miséria, logo deve perder a sua autodeterminação e deixar-se governar por quem saiba até que o povo deixe de estar na miséria e tenha ganho educação para se saber sustentar.

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    • André Silva permalink
      6 Janeiro, 2021 19:49

      A sua teoria não é parva. Mas talvez um pouco ingénua e com demasiada boa fé – o que só revela o seu bom fundo.
      A minha teoria já vai mais no sentido de “que se f*dam os pobres e mal agradecidos, e que ainda mordem na mão que lhes dá de comer e os tenta ajudar”.

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  7. Eduardo Menezes permalink
    6 Janeiro, 2021 18:05

    E porque não pensar num esquema fraudulento que quanto a mim é o mais certo

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  8. Carlos Conde permalink
    6 Janeiro, 2021 19:05

    A D. Beatriz Imperatori (nome curioso e promissor) esquiva-se às questões pertinentes colocadas pela Helena e utiliza a cassete fastidiosa como resposta.
    É sempre mais eficaz dar directamente a quem necessita do que utilizar intermediários, sejam eles quem forem.

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  9. André Silva permalink
    6 Janeiro, 2021 19:44

    Há uma “Directora Executiva” da UNICEF só para Portugal. Extraordinário.

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  10. 6 Janeiro, 2021 19:50

    Em tempos que já lá vão dei por mim em Madrid, Plaza Callao, com três mendigos, machos em idade madura, que sentados no chão, sem maçar ninguém, palestravam serenamente. No chão, quatro púcaros para moedas e, diante de cada púcaro, um cartaz: “PARA COPAS”, “PARA PUROS”, “PARA COCA” e “PARA PUTAS”. Nunca dei esmola com tão boa vontade. Pelo menos sabia para que dava. Agora ONGs e similares… sei lá!

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  11. voza0db permalink
    6 Janeiro, 2021 21:46

    No dia em que €€€ resolvam a fome e a miséria, acordem-me!

    UN/UNICEF/OTAN/OMS e por aí fora são apenas organizações para providenciar BONS TACHOS para os meninos e meninas dos supostos países “desenvolvidos” e elevados LUCROS para BANCOS/CORPORAÇÕES!

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