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Galamba, Matos Fernandes e o hidrogénio

6 Janeiro, 2021

Os portugueses estão fartos de pagar impostos, de resgatar bancos e empresas públicas falidas e de serem chamados a contribuir pornograficamente para o enriquecimento de oligarquias penduradas em negócios com o Estado.

Este sentimento gera-se porque vemos que estão a mexer na nossa carteira sem consentimento e o Estado vem meter a mão no nosso bolso sem pedir licença.

Mas os portugueses, no fundo, são uns anjinhos porque estão a ser roubados em grande escala de outras formas sem sequer se aperceberem disso.

Sabe que desde 2006 já pagou em taxas de electricidade mais do que o valor de todas as injecções no Novo Banco? Tem consciência de que o Estado lhe cobrou através das facturas da EDP mais do que todo o orçamento anual do ministério da saúde? Tem noção de que o dinheiro dos seus impostos que vai ser despejado na TAP é uma história para meninos quando comparada com o valor do custo acrescido que paga pela luz em sua casa?

Não queria começar o ano com más notícias, mas a verdade é que António Guterres, José Sócrates e António Costa montaram ao longo dos anos uma farsa de “liberalização” do mercado de electricidade e os sucessivos governos socialistas alimentaram uma paixão pelas energias sustentáveis que já custou mais de 14.000 milhões euros e, além deste valor já pago em taxas, fizeram com que cada lar em Portugal ficasse adicionalmente com uma dívida de 500€ cujo pagamento será exigido no futuro.

A esta brincadeira de mau gosto chamam “custos de interesse económico geral” (CIEG) e o nome da coisa é misterioso precisamente para gozar connosco e ninguém perceber a razão do saque ao dinheiro do contribuinte. Mas no fundo o que os socialistas fizeram foi garantir a certos produtores de energia comprar toda a quantidade de electricidade que viessem a produzir a um preço muitíssimo superior ao practicado no mercado, garantindo-lhes a expulsão de concorrentes e a manutenção do esquema de remuneração até 2032.

Este engenhoso esquema de rendas garantidas pelo Estado faz com que a capacidade instalada de produção seja largamente superior às necessidades actuais do consumo de energia eléctrica dos Portugueses e, por isso, o excesso produzido é exportado a preço zero várias vezes ao ano ou pura e simplesmente “deitado ao lixo”.

Resultado: em relação, por exemplo, à energia solar os portugueses pagam um preço dez vezes superior aquele que deveriam pagar. Em vez de pagar cerca de 30€ MWh/hora estão a pagar 300€ MWh/hora.

Portugal está assim no podium dos países da União Europeia com electricidade mais cara para as famílias e mais de metade da fatura de electricidade dos consumidores domésticos se refere a impostos e taxas. Esta obscenidade é especialmente gravosa quando mais de metade dos portugueses tem dificuldades em aquecer a sua casa no Inverno.

Este ano o sobrecusto dito de “interesse geral” ascenderá a mais de 900 milhões de euros e na próxima década os portugueses pagarão mais 7.000 milhões de euros.

Como se fosse coisa pouca, António Costa sujeita-nos ainda às excentricidades e projectos megalómanos do seu ministro Matos Fernandes e do seu complemento João Galamba.

Quando a competitividade do país e o combate à crise económica exigiria baixar os custos de energia, o Ministério do Ambiente vai gastar num novo projecto de hidrogénio metade do valor a fundo perdido que Portugal irá receber da União Europeia através do seu programa de resposta à covid.

O hidrogénio é uma fonte de energia caríssima para os consumidores e totalmente desnecessária porquanto já existem alternativas a metade ou a um quarto do preço.

Pior ainda: os governantes irão repetir os enormes erros do passado. Vão garantir a priori a compra dessa produção e atribuir privilégio de pagamento de rendas elevadas aos produtores durante um longo período.

Estes projectos de lesa-pátria são envolvidos nas narrativas capciosas da moda, do combate às alterações climáticas, da descarbonização, da transição justa, da economia verde ou de qualquer outra fantochada útil para enganar simplórios e enriquecer camaradas.

Como enquadramento, bastará dizer que em termos internacionais Portugal tem baixas emissões de CO2 e que em todo o mundo se expandem neste momento a activação de centrais eléctricas com base em energias fósseis. Acresce que o mercado residencial doméstico está muito longe de ter um contributo significativo para as emissões de carbono, ao contrário por exemplo do sector dos transportes que tem sido negligenciado pelo mesmo governo de António Costa.

Resumindo: à boa maneira socialista é fácil atribuir privilégios a uns poucos à custa do dinheiro de todos os outros.

O meu video de hoje está disponível aqui:

7 comentários leave one →
  1. Expatriado permalink
    6 Janeiro, 2021 18:52

    Já agora vejam isto

    https://video.foxnews.com/v/6220729814001#sp=show-clips

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  2. Prova Indirecta permalink
    6 Janeiro, 2021 19:46

    https://observador.pt/opiniao/a-dignidade-das-instituicoes/

    Isto sim , é jornalismo . O André Ventura devia aproveitar a oportunidade para em directo esfregar o artigo nas ventas do matraquilho .

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  3. Expatriado permalink
    6 Janeiro, 2021 19:48

    O Capitólio foi invadido

    https://video.foxnews.com/v/6220738583001#sp=show-clips

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  4. LTR permalink
    6 Janeiro, 2021 19:54

    Estes tipos primeiro decidem uma maratona de coisas sobre o lítio. Depois decidem que vai haver uma refinaria do produto. Depois, decidem que vai ser num município cujos habitantes haverão de ser compensados, o que significa que a compensação ao “povo” muito provavelmente entrará por onde há-de naturalmente entrar, apesar de não haver nada para compensar, porque, dizem, o produto e o seu tratamento são inócuos, o que levanta outro problema: os produtos durante décadas ali emitidos até hoje não são nada inócuos e por vezes quase levam ao vómito. Ou a compensação era para compensar de algo que ainda não conheciam e não tinha ainda acontecido? Depois, para surpresa deles mesmos (as mais altas instâncias governamentais no domínio), ficam a saber pelo jornal que vai fechar uma refinaria de hidrocarbonetos e, imagine-se, os tipos lembraram-se, alegadamente e conforme posto a circular, de entrar no negócio do tratamento do lítio. E precisamente no município onde se haveria de encontrar a tal refinaria prevista. Eles, espantados, muito espantados, e profundamente espantados (porque nem há lá bispos do partido, nem nada que se pareça), pedem reuniões de emergência para inglês ver, enquanto esperam recatadamente pelos resultados daquele problema pendente com a bactéria de origem semi-desconhecida, que ao contrário da mesma num outro local há não muito tempo, os mantinha à frente das câmaras de televisão reportando as façanhas ativas e proactivas na resolução do problema e na caça policial aos malandros. Só faltava agora contratualizar com alguém a garantia de produção através de uma pequena alínea que obrigue o estado a entrar com a diferença entre a procura prometida e o ocorrida, como se fosse uma espécie de estrada temporariamente sem custos para o utilizador. O que nos vale é que uma refinaria não é uma auto-estrada, nem muito menos pessoas que nunca sabem nada de nada estão habilitadas a contratar coisa alguma.

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  5. voza0db permalink
    6 Janeiro, 2021 21:38

    O Telmo deve viver noutro país, só pode!

    Os portugueses estão fartos de pagar impostos,

    ANEDOTA DO DIA… A MANADA DE BOÇAIS TUGA já vai mostrar no dia 24 de Janeiro o quão não farta anda!

    E nas próximas eleições, sejam elas quais forem, idem aspas!

    Liked by 2 people

  6. Zé Manel Tonto permalink
    6 Janeiro, 2021 23:09

    “Os portugueses estão fartos de pagar impostos”

    Começa logo com uma frase que não representa a realidade.

    Liked by 3 people

  7. LDM permalink
    9 Janeiro, 2021 19:41

    Não sei de os outros portugueses estão fartos de pagar impostos, eu estou fartíssimo!!

    A política energética não é um erro, é de propósito …

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