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AD e as eleições Europeias

4 Abril, 2024

Os novos ministros tomaram posse e não há como não notar o contraste de dignidade institucional em relação ao anterior executivo socialista. Veremos agora como o governo de Luís Montenegro se acabará de constituir, nomeadamente com a escolha dos secretários de estado.

Seja como fôr, para ser capaz de cumprir a vontade de mudança que Portugueses claramente sinalizaram nas eleições, Luís Montenegro e a sua equipa deverão ser hábeis e inteligentes o suficiente para procurar assegurar à sua Direita a aprovação das medidas reformistas que se impõem, vincando um claro registo de diferença e descontinuidade em relação ao Partido Socialista. Uma coisa é Montenegro durante o seu discurso de posse chamar o PS à sua responsabilidade democrática. Outra coisa será Montenegro governar na expectativa de que o PS viabilize as propostas do governo, querendo evitar que o PSD negoceie com o Chega. Havendo uma claríssima maioria de Direita no Parlamento, se Montenegro se deixar manietar pela agenda política socialista, de nada terá servido o resultado das recentes eleições legislativas.

Pedro Passos Coelho, na única intervenção pública durante a campanha eleitoral, afirmou de forma escorreita a ideia fundamental de que cada Português deve reganhar o direito a definir, controlar e criar o seu próprio destino. Ora, há a sensação de que muitas das políticas que Luís Montenegro vier a adoptar são decididas em Bruxelas e não em São Bento. Parece que as elites da União Europeia se arrogam saber o que é melhor para nós.

Nesse sentido, ao contrário dos louvores unânimes do comentariado nacional sobre a presença no governo de vários ministros com grande experiência política nas questões europeias e da absoluta necessidade do governo executar rapidamente e em força o PRR, a mim tal deixa-me desconfortável e desconfiado sobre se alguns dos ministros de Montenegro não serão serventuários de ideias esdrúxulas e destrutivas como as da neutralidade carbónica, do exército único europeu, das ansiedades climáticas, da sufocante regulação dos mercados, das agendas woke e do multiculturalismo, ou das fascizoides politicas de combate ao suposto discurso de ódio.

Em Junho temos eleições Europeias e veremos então se se confirma a radical alteração do padrão de voto dos Portugueses das legislativas, nomeadamente dos eleitores mais jovens. Montenegro deverá anunciar em breve o cabeça de lista da AD. Seria conveniente alguém com sentido crítico e não um mero papagaio da burocracia europeia politicamente-correcta.

A minha crónica-vídeo de ontem, aqui:

3 comentários leave one →
  1. Mário Marques's avatar
    Mário Marques permalink
    4 Abril, 2024 15:56

    Gostei do discurso do Montenegro, escorreito e claro, não votei nele, mas, uma coisa foi o que ele disse, outra foi o que quis dizer, mas, o que vai acontecer pode ser um pouco diferente, como de costume. A única coisa certa e que quase de certeza irá acontecer, são os principais caminhos que deverão ser trilhados (que o NOM deferiu para Portugal) terão que se fazer, não há que fugir, estamos tão endividados que temos que obedecer aos donos.

    Querem festa, cravos e cantar o Grândola Vila “bronzeada”?, não, ninguém dá nada a ninguém. Os 230 deputados da AR só servem para “comer” os impostos, e transmitir as ordens dos “donos”!.

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  2. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    4 Abril, 2024 21:39

    As esperanças são infundadas. O PSD é um partido do centro extremista – não é paradoxo * -que concorda com boa parte da destruição da economia e da agricultura Europeia por causa da ideologia do Estado Tecnocrático que professa para criar uma “economia verde”.

    *o centro é definido por eles e pelo PS. Na verdade são partidos radicais querendo mudar de alto abaixo a produção de energia, alimentação e industria a partir da burocracia.

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  3. Marques Aarão's avatar
    Marques Aarão permalink
    5 Abril, 2024 06:40

    Onde param as vozes que ao longo do tempo nos foram martelando com a ideia que Montenegro não se mostrava capaz de se constituir como alternativa.

    Para já é notório que o novo 1º Ministro para além do respeitável discurso se tem assumido como um verdadeiro estadista, enquanto que o grande opositor nada mais tem feito do que meter os pés pelas mãos.

    Quem foi que meteu na cabeça a PNS que sendo o cabeça de cartaz do do maior partido do contra se pode considerar líder da oposição.

    Terá havido alguma votação secreta que lhe conferiu esse estatuto?

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