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Season das cartas

25 Agosto, 2015

Mãe,

Isto é tão difícil. Porque deixei que me metessem nisto? O outro até tem sorte, mesmo preso, por poder passar a vida a escrever cartas. Eu não posso. Eu tenho que aparecer para tentar resolver as asneiras que a minha equipa faz, muitas vezes piorando até a situação. Isto está tão difícil, mãe… Eu estou habituado a ser colocado nos lugares, não a conquistar a posição. Só me apetece desistir. Mas, sabes, queria tanto ser alguém, ser reconhecido, respeitado, adorado, até venerado… Porque não consigo escapar à sombra do outro? Como pode alguém tão ausente fazer-me tanto mal?

E estes ingratos que votam, eles não sabem que eu tenho razão? Eles não conseguem perceber que eu vou fazer deste país o oásis da Europa destruída pela gorda alemã? Eles não percebem que a vitória do Syriza foi uma esperança para que possamos seguir o mesmo caminho? Eles não vêem a espiral recessiva, o segundo resgate, a desgraça da emigração que obrigou tantas pessoas a emigrar, como o meu próprio pai, vítima do neoliberalismo que não providenciou a humanidade solidária para que não tivesse que vir parar a este canto desgraçado do mundo? Que destino é este? Até jornalistas, daqueles que não dignificam a profissão, me aparecem vindos de arbustos no parque de estacionamento do restaurante.

Mãe, eles estão a trair-me. Eles querem tacho e não param enquanto não o conseguirem. Eu não consigo criar 350 ministérios, dá muito nas vistas. Que faço, mãe? E 207 mil empregos? Que idiota se lembrou de querer parecer rigoroso com um número tão parvo? Dois-zero-sete… Noves-fora: nada… É este o meu destino? Que faço? E o maluco que convidei para aparecer para tentar dignificar a minha posição na academia dos artistas, sociólogos, filósofos e antropólogos? Agora quer ser presidente. Eu nunca conseguiria estar mais que 10 minutos a falar com ele, agora vou ter que o gramar a fingir que manda? Porque não fiz como o outro que decidiu taxar os discos dos computadores? Teria sido muito mais inteligente.

Isto foi tudo um grande erro, mãe. Eles vão destruir-me. Vou acabar numa autarquia daquelas esterqueiras para onde mandam os indesejados. Eu sou um urbano moderno, mãe. Eu vou engolir o cravo. Nunca o devia ter cortado. Eles convenceram-me e eu caí na esparrela. Não podes aparecer outra vez, mãe? Dar mais 35 entrevistas que me façam parecer humano? Preciso de ajuda.

Não me odeies, mãe. Dei um passo mais largo do que as pernas. Cheguei ao fundo da estrada, duas léguas de nada, não sei que força me mantém. Quero é voltar para os braços da minha mãe.

A.

Ecos de um sistema caduco

25 Agosto, 2015

Taxistas detidos no aeroporto por especulação

Os suspeitos, com 38, 39 e 65 anos, transportaram passageiros em percursos de várias zonas de Lisboa para o aeroporto da Portela e, “em duas situações, introduziram indevidamente no taxímetro suplementos no valor de 1,60 euros, quando não havia lugar à sua introdução e, numa outra situação, foi exigido montante superior ao suplemento, tendo o motorista de táxi solicitado ao passageiro o valor de quatro euros, um preço superior ao constante na tabela de preços em vigor”, refere a PSP num comunicado hoje divulgado.

Em 2015 leva-se a julgamento taxistas por fraudes de 1,60 euros. A principal razão: um sistema regulatório caduco baseado num no comando e controlo da actividade pelas autoridades públicas. Existe uma solução para este problema que não envolve polícia nem tribunais. Chama-se Uber. Um motorista da Uber nunca se atreveria a cobrar mais do que o previamente estipulado. A principal razão? O pagamento é feito por cartão de crédito de acordo com o percurso feito através de um sistema automático.  E uma razão secundária: um motorista da Uber que preste um mau serviço arrisca-se a uma má avaliação e a nunca mais ser chamado. Agora pensem, quantas vezes é que um taxista pode maltratar um cliente sem perder negócio? As vezes que quiser.

as virtudes do socialismo

24 Agosto, 2015
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Coisa que só poderia escrever n’ O Insurgente. As ideias socialistas não penetram no Blasfémias.

Como?

24 Agosto, 2015

“Coligação tem uma estratégia: fazer-se de morta”- declarou na TVI Marcelo Rebelo de Sousa. Espantosamente Judite de Sousa não lhe perguntou se fazer-se de morto não é precisamente a estratégia  que Marcelo desenhou e tem aplicado com proveito a si mesmo nesta pré-campanha das presidenciais.

conversas em família

24 Agosto, 2015
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Numa carta, hoje dirigida aos portugueses, em forma de Conversas em Família da era digital, António Costa anuncia duas coisas que carecem de esclarecimento: a) que o PS tem um «modelo de desenvolvimento – assente no conhecimento e inovação»; b) que o PS irá «criar emprego de qualidade e com futuro».

E os pedidos de esclarecimento são os seguintes:

1º Considera o PS que é ao governo que compete «inovar», «investigar» e desenvolver o país, ou isso é responsabilidade das pessoas, das suas formas de organização, das empresas, das universidades, sendo que o estado e o governo devem evitar, ao máximo, estorvá-las, desde logo, não as procurando substituir em coisas que não sabem, nem podem, fazer?

2º «Emprego de qualidade e com futuro» é um terceiro género entre a «precariedade» e o contrato efectivo de trabalho, ou, como é de presumir, os 207 mil contratos de trabalho que resultarão das medidas do governo de Costa serão todos contratos efectivos, para contrastarem com esse flagelo social, na visão do PS de Costa, que é a «precariedade» laboral?

Aguardamos resposta, quem sabe, numa das próximas Conversas em Família.

Sorte a nossa não ter tido um problema de azia que ainda fazia rebentar uma bomba na esperança que lhe passasse o fogo no estômago

23 Agosto, 2015

A advogada do homem que disparou esta sexta-feira no comboio de alta velocidade para Paris veio dizer que o seu cliente lhe pareceu muito fraco e mal-nutrido e que ele lhe tinha tido que tudo o que queria era assaltar algumas pessoas no comboio, noticia a Reuters.

“Vi alguém muito doente, alguém muito fraco fisicamente, como se sofresse de má-nutrição, muito, muito magro e exausto”, disse Sophie David, advogada do atirador, à BFMTV, depois de ter entrevistado o cliente na esquadra da polícia em Arras. A advogada acrescentou que o marroquino de 26 anos se mostrou muito surpreendido ao saber que as autoridades europeias o assumiam como radical islâmico.

 Sophie David continuou, dizendo que o cliente lhe referiu que encontrou a Kalashnikov num parque junto à estação central de Bruxelas onde costumava dormir e que uns dias depois decidiu entrar no comboio que outros sem-abrigo lhe tinham dito que costuma ir cheio de pessoas abastadas. “Ele esperava alimentar-se recorrendo ao assalto à mão armada”, defendeu a advogada.

Ayoub el Khazzani feriu duas pessoas no comboio, mas foi rapidamente detido por três americanos, dois deles militares, que seguiam no comboio. Não conseguindo usar a Kalashnikov que estava encravada e tendo-lhe sido retirada a outra arma que tinha consigo, o homem ainda conseguiu sacar de um x-ato e ferir gravemente um dos homens que o conseguiu deter.

Há sempre uma praia à espera dos revolucionários tipo chic

23 Agosto, 2015

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Yanis Varoufakis e Danae Stratou. Arnaud de Montebourg e Aurélie Filippetti. A revolução é tão gira, tão chic…

As coisas são o que são mas podem estar a deixar de ser o que eram

23 Agosto, 2015

Tema do meu artigo de hoje no Observador: O maior problema dos socialistas nesta campanha não são  os cartazes trapaceiros. Ou o facto de Sócrates estar preso. O maior problema do PS nesta campanha pode resultar de não perceber que o país mudou. O PS continua a falar para o país que resultou do 25 de Novembro de 1975. Mas quem vai a eleições é o país que viveu Abril de 2011. Ou seja o país que percebeu que nada estava garantido nesse Estado que os vencedores de 1975 lhe tinham prometido.

Tão verdade que até dói

23 Agosto, 2015

Nicolau Santos: Maria de Belém é uma pessoa encantadora, de uma enorme gentileza e que exerceu sem rasgo mas com competência as funções públicas que lhe têm sido confiadas.

E contudo há pessoas que exerceram sem rasgo e com uma enorme falta de competência as funções que lhe têm sido confiadas e que não devem ver-se ao espelho há muito tempo.

Deve ter sido desgosto de amor, discussão por causa do futebol

22 Agosto, 2015

SIC:Três feridos num tiroteio em comboio de ligação entre Amesterdão e Paris

Vale a pena ouvir esta peça da SIC apresentada como se no TGV tivesse acontecido uma discussão entre os passageiros. Depois lá se percebe que um passageiro tentou disparar sobre quem ia no comboio que não tem paragem aqui, que partiu dali… O que a vozinha off nunca conseguiu dizer é que eram norte-americanos os militares que neutralizaram o autor do atentado.

Eu já penso como poeta

22 Agosto, 2015

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Não há povo que aguente isto vezes 17.

21 Agosto, 2015

Segundo informa o Paulo Tunhas o candidato Sampaio da Nóvoa ofereceu ao Expresso um poema, composto enquanto o fotografavam, prova indisputável de que Sampaio da Nóvoa, como diz o Expresso, é “homem de letras”. E o poema como era?

“E depois
Do dia de amanhã
Chega ontem.
E então fomos presente.”

Isto é assim: os candidatos são às cabazadas. As campanhas vão ser o que se sabe. Mas pelas almas: poemas não. Não há povo que aguente isto vezes 17.

Entretanto em França

21 Agosto, 2015

Agression à la maternité de Bordeaux : il refuse que sa femme soit examinée par un homme

a coisa

21 Agosto, 2015
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Uma coisa designada «Nós, cidadãos», que replica outra coisa, aparentemente bem sucedida em Espanha, com nome parecido, prepara-se para ir a votos nas próximas legislativas, com um programa obviamente destinado a salvar a pátria, o que a coisa considera ser sinónimo de «garantir a sustentabilidade do Estado Social». E como pretende a coisa realizar semelhante feito? Obviamente pela via fiscal, atirando com mais impostos em cima das «megaempresas», o que será óptimo para atrair o investimento estrangeiro e aumentar o emprego. Como, segundo uma atribulada contabilidade eleitoral do líder da coisa, há, por aí, 800 mil votos perdidos pelos grandes partidos, a coisa que quer dizer «coisas novas»,  vê aí uma magnífica janela de oportunidade para vir a fazer grandes coisas. Ah, e, já agora, só mais uma coisa: a coisa revê-se muito no «exemplo moral e cívico do general Eanes». Ele há cada coisa!

“Sondagem” sobre Presidenciais

21 Agosto, 2015
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Muito curiosa esta disputa. Dir-se-ia que os “aparelhos” de Henrique Neto e Rui Rio estão activíssimos, com os seus candidatos a ultrapassarem-se entre si e a alternarem a liderança. Interessante o posicionamento de Barroso, que se me afigura ser o que tem nomeações mais genuínas, respeitando o espírito da questão formulada. Quanto a Marcelo, parece que está sem fôlego. 

você compraria um carro a alguém que lhe dissesse isto?

20 Agosto, 2015
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«Convém não confundir promessas com aquilo que são estimativas dos resultados das promessas».

importa-se de repetir?

20 Agosto, 2015
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Um dia depois de ter assumido o «compromisso» de criar 207 mil postos de trabalho, até 2019, e de ter realçado que falava em «compromissos» e não em «promessas», António Costa vem agora dizer que não se comprometeu com números, mas com medidas que estima poderem vir a alcançar esses números. Ou seja, de um dia para o outro, os «compromissos» viraram «estimativas» e os números certos (207 mil não é propriamente um arredondamento como 200, 210 ou 250 mil, mas um número que sugere exactidão e rigor) passaram a objectivos a alcançar por medidas cujo resultado ele confessa não poder garantir. Nestas circunstâncias, teria sido mais sério dizer que se comprometia em vir a tomar medidas que acredita que criarão emprego, do que em falar em números certos, escalonados anualmente, como se sugerisse que esses números eram infalíveis.

É certo que o actual PS tem tido alguma falta de sorte com as circunstâncias que o envolvem, entre elas, a «circunstância» de ter um ex-líder e ex-primeiro ministro seu detido por suspeitas de corrupção, sobre o que o partido nada tem dito e tinha obrigação de dizer. Mas se perder as próximas eleições será por inteira culpa sua e de quem o dirige.

Dissonância cognitiva

20 Agosto, 2015

Esta foi a semana em que o PS prometeu criar 207 mil postos de trabalho em 4 ano, uns 40 mil em excesso em relação ao previsto no PEC do governo. Cerca de 10 mil empregos por ano em excesso.

Na semana passada o PS falava em mais de 1 milhão de desempregados reais e de 500 mil desempregados. Isto dá um total de 1,5 milhões de empregos que nas contas do PS teriam que ser criados. O PS pretende criar 40 mil em 4 anos.

As contas do PS

20 Agosto, 2015

O PS tenta lavar a sua incompetência passada na gestão das contas públicas apresentando números.

Lembrando qual é o problema do PS: em 2009 (e também em 2011) foram a eleições com propostas baseadas na ideia fantasiosa de que se aumentarmos a despesa pública o PIB cresce mais e a colecta fiscal aumenta. No final tiveram que chamar a troika. Entretanto inventaram todo o tipo de justificações para a bancarrota, todas elas responsabilizando terceiros. O eleitorado ficou um bocado desconfiado da competência do PS para lidar com as contas públicas.

Agora a solução do PS para o problema do PS: apresentar uns números que alegadamente comprovam que se a despesa pública aumentar o PIB cresce mais e a colecta fiscal aumenta.

Podíamos cair na armadilha do PS e discutir estes números em detalhe. Isso implicaria andar a ver se o multiplicador da medida X é 1,3 ou 0,7, como se alguém pudesse mesmo garantir que consegue saber quais os multiplicadores. No limite, os resultados destes exercícios são impossíveis de comprovar, excepto quando já é tarde demais.  A experiência dos últimos anos mostra que a economia não se comporta como o previsto pelos modelos das diversas instituições (BP, FMI etc). Mostra ainda que, se um plano tem uma componente despesista e uma componente de controlo de despesa, a primeira componente irá alem dos objectivos e a segunda ficará muito aquém dos objectivos. Os riscos de confiar em cenários que esticam a despesa certa alegando que ela será compensada com ganhos incertos são por isso evidentes.

A questão, no entanto, é política e de princípios. Acreditamos, outra vez, na visão tecnocrática de que é possível manipular a economia ajustando o consumo, e que isso não tem custos, ou não acreditamos. Se acreditamos, é tempo de tentar outra vez o que falhou durante os 10 anos que precederam a bancarrota.

Qual o Presidente preferido?

19 Agosto, 2015
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os «compromissos» do ps e de antónio costa

19 Agosto, 2015
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António Costa assumiu, perante o país, um conjunto de compromissos para um futuro governo do PS liderado por si. Vejamo-los um por um e aquilo que eles poderão significar:

«Promover o emprego»: há duas formas de um governo olhar para a criação de emprego: uma é acreditar que são as empresas e a sociedade civil que o criam. Neste caso, ao governo competirá não obstaculizar a vida das empresas e da iniciativa privada, para que elas possam cumprir a sua missão natural. A outra consiste em defender que são o governo e o estado os verdadeiros dinamizadores da economia, através do investimento público. Da última vez que o PS e António Costa estiveram no governo foi esta última orientação que foi seguida. O «compromisso» de então era criar 150.000 postos de trabalho. Os resultados ainda estão à vista de todos;

«Combater a precariedade»: só pode ter um significado, que é o de que um futuro governo PS criará legislação que endurecerá mais ainda as relações de trabalho. As consequências disto serão exactamente as contrárias das que se enunciam no objectivo anterior: com leis de trabalho mais rígidas, as empresas reduzirão a contratação de novos trabalhadores e o desemprego aumentará;

«Aumentar o rendimento disponível das pessoas»: como? Só há uma maneira de o fazer: diminuindo os impostos. Importa-se o PS de explicar quais os impostos sobre o rendimento das pessoas singulares que está disposto a baixar e para que montantes por escalão? Esta seria uma medida muito interessante, se exequível. Obviamente, se o PS explicar claramente como, quando e onde o irá fazer;

«Dar prioridade às pessoas»: o PS pressupõe que o PSD e o CDS dão prioridade aos animais? Ou aos objectos inanimados? Talvez não fosse pior explicar direitinho o que significa este sound bite;

«Resolver os bloqueios de financiamento às empresas»: um futuro governo PS pretende substituir-se à actividade bancária? Vai instrumentalizar o crédito, obrigando os bancos a concedê-lo em montantes altos e a taxas artificialmente baixas? Ou será que voltaremos ao escudo e a fabricar notas? Muito francamente, por mais que se olhe para este «compromisso» do PS, ele fará sempre recordar os compromissos do Syriza de Varoufaquis;

«Promover um Estado forte, inteligente e moderno»: em vez de reformar o estado e de o retirar de onde ele não deve estar, o PS pretende torná-lo mais «eficiente». Um velho sonho de todos os governos dos últimos cinquenta anos, com os resultados que estamos agora a pagar. E sim, fujam: vem aí um novo Simplex, mais serviços e funcionalismo público. Ou seja, um incontável aumento de despesa pública, para que tudo fique na mesma ou pior ainda do que já está.

E tudo isto passava por jornalismo de referência

19 Agosto, 2015

2015: Mais filhos. Natalidade pode subir pela primeira vez em cinco anos

Em 1998 quando ainda se discutia a reforma da Segurança Social e foi dado a conhecer o respectivo Livro Branco surge a notícia de que em 1997tinham nascido mais mais três mil bebés. E logo se tiraram conclusões espantosas. Mesmo em jornais de referência como o Expresso tiravam ‑se conclusões, no mínimo, delirantes: «O aumento da natalidade ocorrido desde o segundo semestre de 1996 – que contraria uma evolução negativa registada durante 21 anos – contribuirá para repensar a amplitude da reforma do sistema de Segurança Social (SS). Segundo diversas fontes, esta realidade “derrota” a maioria das projecções efectuadas no relatório do Livro Branco da Segurança Social (LBSS). Talvez por isso, vários especialistas em estatística manifestaram discordância quanto às projecções demográficas utilizadas para os cenários do LBSS.»

Quem seriam as “diversas fontes” e os “especialistas em estatística” que o Expresso invocava? Espantosamente esta versão dos factos vingou:  de repente, mais três mil nados‑ vivos em 1996 pareciam ter a chave da sustentabilidade da Segurança Social na mão. E tudo isto passava por jornalismo de referência.

Pena não ser leão e não se chamar Cecil para que as redes sociais o recordassem

19 Agosto, 2015

Esta imagem mostra o arqueólogo Khaled Asad, Director de Antiguidades do Museu de Palmira junto a um dos preciosos sarcófagos que faziam parte do patromónio daquela cidade.  Khaled Asad,82 anos, foi agora publicamente decapitado após ter sido interrogado durante um mês pelo Estado islâmico. O seu corpo ficou pendurado numa coluna no centro da cidade. O seu crime: querer salvar Palmira.

SYRIA - SEPTEMBER 01:  Palmyra's Last Treasures in Syria in September, 2002 - Khaled Asad, the Director of Antiquities and Museum in Palmyra, in front of a rare sarcophagus depicting two priests (they wear the typical cylindrical cap), a father and his son, one with his wife and the other one with his sister. Dating from the 1st century, it is one of the finest sculptures in Palmyra.  (Photo by Marc DEVILLE/Gamma-Rapho via Getty Images)

O meu muro pessoal

19 Agosto, 2015

BW-rain-vacationsTenho estado muito bem no meu cantinho preferido de férias, mais longe do frenesim mediático português que do país propriamente dito, eis que o meu tempo por cá termina, neste último dia, com uma trovoada e o céu mais cinzento que o retratado no primeiro cartaz ridículo da sucessão de cartazes ridículos de António Costa. Está a chover de tal forma que apenas encontro a vantagem de obter uma lavagem grátis do carro para a viagem de regresso de amanhã.

O excesso de tempo livre pela fatalidade que é não me poder dedicar à arte do bronze corporal permitiu-me ler este artigo sobre o muro húngaro e reflectir sobre a minha própria condição de recluso do clima. Eu queria mesmo estar na praia e estou a ser impedido, como se barrado por um muro climatérico, de aceder à vida melhor de refugiado de uma guerra contra o frio outonal. A União Europeia não me ajuda. Ignoram o meu problema. Eu tenho frio e não tenho culpa de ter frio. Há mecanismos jurídicos para evitar o meu frio. Eu só quero o calor do sol democrático que me permite derreter numa toalha entre camadas de calor atmosférico e areia previamente aquecida. Porque me colocam este muro da vergonha, pior que o muro de Berlim, que me impede de aceder ao único clima que importa no Mediterrâneo? A União Europeia devia decretar que Verão é para calor, não para chuva ridícula e indesejada. Uma pessoa está até a gastar dinheiro para estar aqui e só vê os seus desejos defraudados por governos sem liderança para resolver o meu problema específico de falta de sol no último dia de férias.

Tal como a autora do artigo – Patrícia Fragoso Martins – estou indignado, inconsolável e desejo tanto a bonita e límpida simplicidade que acabo a escrever sobre sonhos infantis e frustrações pueris com a candura de uma personagem que a Pixar consideraria demasiado bidimensional.

um facto extraordinário

18 Agosto, 2015
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«Manuel Alegre apoia a candidatura de Maria de Belém», deveria estar escrito assim: Manuel Alegre apoia candidatura onde não está o seu camarada e amigo de longa data Mário Soares. Comme d’habitude.

Indignações selectivas

18 Agosto, 2015

O artista judeu Matisyahu viu a sua actuaçao cancelada no festival Rototom Sunsplash. Porque é judeu e declarou o seu apoio ao Estado de Israel. Chegou a exigir-se ao cantor uma declaraçao política a favor de um estado palestiniano para que o boicote fosse levantado.

Curiosamente as redes sociais não se indignaram. Foram a banhos coitaditas.

um reaccionário

17 Agosto, 2015
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António Costa queixa-se que 90% dos contratos de trabalho recentemente celebrados em Portugal são «a prazo», logo, «precários», e que os jovens que os celebraram «não vão ter segurança no trabalho». Em sua opinião, essa percentagem deveria ser inversa e é grave que assim não seja.

Ora, grave é esta forma de ver o mundo do trabalho e das empresas. Ela amarra as empresas, os empresários e os trabalhadores a leis trabalhistas rígidas, que os obrigam a manter incompetentes, ou a terem de fazer um esforço absurdo para se conseguirem ver livres deles. As consequências desta rigidez são múltiplas, mas, entre outras, a mais grave é a da contracção dos novos contratos de trabalho e a estagnação do emprego, já que nenhum empregador mentalmente são está disposto a correr riscos desnecessários e só contratará um novo funcionário quando não puder deixar de o fazer. Mas esta é também uma maneira, provavelmente a melhor, de perverter o funcionamento normal de uma empresa, desmerecendo o mérito e privilegiando a forma: quem tem um contrato de trabalho não precisa de muito mais para se manter empregado. No fim de contas, o que António Costa sugere é que se aplique a mentalidade dominante na função pública às empresas privadas.

Foi deste tipo de leis supostamente proteccionistas do trabalho, saídas da Carta del Lavoro italiana, que vivemos nas últimas décadas em Portugal. E foram elas em boa parte responsáveis por um mercado de trabalho arcaico, estagnado e por empresas e empresários que preferem não arriscar. Ou seja, estas leis «proteccionistas» do emprego contribuem mais para o desemprego do que o faria um mercado livre de trabalho.

Acresce que em parte nenhuma do mundo de hoje as coisas ainda funcionam desta maneira. Com esta mentalidade, António Costa demonstra ser um reaccionário e um homem que pertence ao passado.

Já não há pachorra

17 Agosto, 2015

A entrevista de ontem ao Público do secretário executivo da CPLP deveria automaticamente assinalar a dissolução e encerramento de tão manifesta inútil e pouco sadia organização, que apenas pode envergonhar quem se diga seu «membro».

O ditador da Guiné-Equatorial dissolve todo o poder judicial: para  o fulano, «é uma questão interna».
E ajuda à festa: «mas não há desrespeito pelos direitos humanos»….
Tudo aquilo é um chorrilho indigno e bacoco.

um regime de coronéis

16 Agosto, 2015
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As recentes manifestações ocorridas no Brasil contra esse factotum de Lula da Silva, a «presidenta» Dilma, são reveladoras da perversão que constituem os sistemas de governo ditos presidencialistas fora dos EUA, sobretudo em países de fraca tradição democrática e institucional, como o Brasil. Na verdade, o presidencialismo exclui a responsabilidade política do presidente, que só pode ser destituído em razão de actos pessoais que envolvam responsabilidade criminal, devidamente comprovada num processo de impeachment. Ora, não se tendo chegado, por enquanto, aí, e tendo Dilma Roussef sido eleita sem qualquer verdadeira legitimidade democrática, mas por um sistema de coronelismo à General Tapioca (em homenagem à personagem de Hergé), de alianças promíscuas entre novos e velhos coronéis, de conluios ilegítimos em torno dos grandes interesses estatais e pela míngua da sopa dos pobres, eleitoralmente manipulada graças ao voto obrigatório, as oposições tentam a força das ruas para retirar a mulher de um sítio onde nunca a deveriam ter posto. Qualquer que seja a saída, nunca será boa para o país, menos ainda para o regime instituído pela Constituição de 1988, que criou um falso federalismo num país de dimensão continental. O que conviria fazer quando Dilma cair, e é inevitável que caia, era reformar a Constituição e criar um verdadeiro federalismo onde, por enquanto, apenas existe um estatismo centralista disfarçado. Essa seria a única maneira de civilizar o «presidencialismo» brasileiro e evitar que ele seja pouco mais do que um regime de coronéis escondidos atrás de instituições ditas democráticas, que verdadeiramente não existem.

O melhor da Campanha

16 Agosto, 2015

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Conta oficial de António Costa garante-nos que o plafonamento da Segurança Social é mesmo a bomba atómica com efeito para várias gerações ao passo que João Galamba nos garante que a única forma de termos pensão em 2040 é garantir que o PS ganha as eleições (imagino que tenha que ganhar todas as eleições até 2040). Com o plafonamento adeus pensão, quer na parcela acima do plafonamento quer na parcela abaixo.

Em resumo, a Segurança Social é tão fiável que só teremos pensões se vivermos em ditadura, dado que não é crível que o PS ganhe todas as eleições até 2040.

um tipo extraordinário

15 Agosto, 2015
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Sampaio da Nóvoa anda incomodado com as hipotéticas candidaturas presidenciais de Rio, Marcelo, Santana e Belém, isto é, com todas as candidaturas, excepto a sua, por serem de «pessoas que fracturam tudo». Logo ele que é um homem vindo de «causas fracturantes», apesar de considerar que a sua candidatura «não é de esquerda». Mais uma fractura, pois então. Nessa medida, aceitando o sensato apelo do reitor-candidato, o que seria mais apropriado era que ninguém mais se candidatasse às próximas presidenciais e que ele fosse candidato único, logo, infracturável. Que tipo extraordinário!

Tsypras Macdonald?

14 Agosto, 2015

No ano de 1900, reinava ainda a rainha Vitória no Reino Unido, quando um grupo de dirigentes sindicalistas, entre os quais Ramsay Macdonald, fundou um agrupamento político que viria a ficar conhecido como Partido Trabalhista.  No especto político da altura eram a esquerda radicial. A direita conservadora e a esquerda liberal viam-nos com desconfiança.

Após a guerrra, em 1924 obtiveram finalmente um resultado eleitoral que lhes permitiu, com o apoio dos liberais, formar pela primeira vez governo, com o seu histórico dirigente Ramsay Macdonald como primeiro-ministro. O governo aguentou-se apenas 9 meses. Contudo,  haviam superado a prova do poder, vencendo os medos iniciais de alguma sovietização (então tão em voga…), e ganho o necessário prestígio para ascenderem por mérito próprio ao governo.  Em 1931, já com a Depressão em movimento, tornam-se a força mais votada e formam governo, novamente com o apoio dos liberais e com Ramsay Macdonald como pm.

A Depressão e as dificeis medidas a tomar irão causar profundas divergências na sua base de apoio. Ao ponto de perder o apoio parlamentar e  ser obrigado a resignar. Mas acaba por ser novamente nomeado primeiro-ministro. Desta vez apenas contando com o apoio dos Conservadores e dos Liberais. Invocou a procura do «bem comum» para aceitar tal pacto que visava tomar medidas radicais mas tidas como necessárias. O seu eleitorado e partido não entenderam assim, vendo antes uma traição aos seus propósitos socialistas e à classe operária.  O partido que ajudara a fundar tratou rapidamente o expulsar.

um pedinte

14 Agosto, 2015
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Pior do que o candidato em si mesmo, que ninguém conhece e parece não estar interessado em conhecer, é o facto de António Nóvoa se ter posicionado, nesta corrida a Belém, como um pedinte de mão esticada perante António Costa, a quem implora, agora, um apoio que lhe fora prometido e que começa a ver fugir. Na verdade, se não for o apoio expresso e massivo dos grandes figurões da esquerda socialista (Soares, Sampaio e Eanes já garantidos), como poderá projectar-se António Nóvoa perante Rebelo de Sousa ou Rui Rio, no curto período de tempo que lhe sobra até às eleições e sem um histórico a que possa apelar? Não pode. Por isso, qualquer hipótese, reduzida que seja, de vitória do candidato presidencial Nóvoa pressupõe o apoio, em bloco, do Partido Socialista. Como isso está cada vez mais longe de acontecer, o objectivo central da candidatura de Nóvoa passou a ser o de convencer o secretário-geral do PS a apoiá-lo expressamente, em vez de tentar convencer os eleitores a votarem nele. Os eleitores deverão, oportunamente, recompensá-lo por esse gesto.

Devagar, devagarinho

14 Agosto, 2015

São estas pequenas tretas que me tiram verdadeiramente do sério. As coisas minúsculas, micro-aberrações locais que nada parecem dizer sobre o mundo mas cujas repetições sistemáticas originam a assimilação de nova normalidade progressivamente desabrigada numa gélida transmutação de humanos em máquinas de uma moral padronizada na ausência de livre arbítrio.

“The Curious Incident of the Dog in the Night-Time”, um livro da chamada nova vaga de literatura YAN (Young Adults Novels), uma etiqueta que serve para caracterizar histórias com pés e cabeça que não necessitam do cinismo adulto de anos de convivência com partidos políticos para ser compreendidas, foi retirado da lista de leitura de uma escola na Flórida, EUA. O problema parece ser o uso de alguns palavrões, linguagem pouco adequada para crianças, mesmo que proferida no livro por uma criança. A parte perturbadora desta história é ninguém se ter queixado do abandono de uma criança autista pela mãe ou desta ter sido agredida pelo pai; ninguém parece queixar-se de um animal poder ter sido maltratado até à morte: o que importa são uns palavrões em determinadas cenas associados a um discurso que questiona a existência de Deus.

A superficialidade com que o politicamente correcto aborda a sua auto-imposta censura traduz-se na vontade de passar pelo mundo ignorando-o, criando um casulo tendencialmente crescente de imbecis dispostos a julgar algo pela forma mais rapidamente que pelo conteúdo.

Podia fazer agora um paralelo com o fascínio português pelos socialistas do discurso aparvalhado, mas não vale a pena: devagar, devagarinho, lá chegaremos à total obliteração da vontade própria e do pensamento próprio fora da rede neuronal do preceito papista da muy artolas ética republicana de grande superfície comercial. Nada como o serviço estatal, o emprego estatal, a gestão estatal, o pensamento estatal.

Christopher, a personagem principal do livro, diz, a um dado ponto, quando lhe explicam o significado do nome, que não quer ter um nome que signifique algo, quer um nome que signifique ele próprio. Quem não quer? Só a turba.

Adenda: Haveria algum problema se, em vez de um livro sobre uma criança autista, a diferença fosse esta ser um bissexual de 12 anos a preparar a mudança de sexo?

consequências

11 Agosto, 2015
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img_708x350$2015_05_20_21_48_33_253892O endeusamento do António Costa pós-Seguro começou no exacto segundo em que José Sócrates foi detido. O país politicamente civilizado e polido proclamou, em uníssono, a sua admiração pelo, primeiro, silêncio do novo chefe socialista, depois, pelos comentários moderados pedindo que a justiça cumprisse a sua missão, e, por fim, pela tardia mas solidária visita a Évora, a única exigível a personagem em tão exigentes funções.

Depois, o mesmo país continuou, embasbacado, a exaltar o inigualável talento político do novo chefe da oposição, assim ele se encostou ao Bloco e a Rui Tavares, levando o PS em demanda dos votos e das alianças que lhe permitiriam construir uma alternativa, à esquerda, ao pérfido governo da coligação. Uma estratégia genial!

Em seguida, foi a admiração pelo persistente silêncio esfíngico de Costa: ele estava muito acima destas questões da política banal e reservava-se olimpicamente para as exigências da governação, ao que o destino certamente não o faria esperar por muito tempo.

Por fim, a rendição absoluta: o «documento dos economistas», notem bem, é de economistas que se trata, não de quaisquer uns, mas de «Economistas», Economistas com «E» maiúsculo, como outrora os «Doutores em Direito de Coimbra» do Dr. Almeida Santos. E com propostas e tudo, coisa nunca vista e rara, que certamente faria render Portugal e os portugueses à sapiência de tão sublime bando e do chefe que o escoltava.

Subitamente, ia a procissão com o santo no andor, as sondagens começaram a dar para o torto. Espanto e admiração! Certamente fabricadas e falsas, ao serviço da coligação e do governo. De uma coisa não hajam dúvidas: António Costa será o próximo primeiro-ministro de Portugal, fizesse chuva, fizesse sol. Porquê? Porque sim.

Só que os problemas não se ficaram pelas sondagens. Foram as declarações sobre a melhora do país nos últimos anos. A saída trapalhona da Câmara de Lisboa. O disparate com a candidatura de Nóvoa. As eleições na Madeira. Os sms ameaçadores a um jornalista do Expresso. Os desaguisados com as listas de deputados. Os conflitos com o pessoal de Seguro. A exaltação do Syriza e o enrascanço em que por causa do Syriza se meteu. O amadorismo da pré-campanha. O absurdo dos cartazes com «histórias de vidas» inexistentes. A atitude divisionista para com Maria de Belém. E a coisa ameaça não ficar por aqui.

Por mim, António Costa espantou-me negativamente desde o seu primeiro momento de liderança. Tinha a seu respeito uma expectativa relativamente elevada, que infelizmente não se confirmou. E não foi necessário esperar pelos desaires mais evidentes. Bastou vê-lo a reagir temerariamente ao caso Sócrates, em vez de o ter enfrentado como se exigia a quem liderava um partido que tinha preventivamente preso um seu muito recente ex-líder e chefe do governo, a calar-se perante os problemas do país por provavelmente ter muito pouco a dizer-lhe e, sobretudo, a retirar o PS do centro político, onde, como ensinou Mário Soares, se ganham eleições em Portugal, para promover zeros-à-esquerda cujo único valor era afugentar o eleitorado de centro. Tudo o mais são consequências.

a galeria não precisa de reforços

11 Agosto, 2015
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Tenho suficiente consideração pessoal e histórica por José Ribeiro e Castro para esperar (e desejar) que ele não passe a integrar a galeria dos ressabiados da política nacional, ao lado das ilustres figuras de Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira, Freitas do Amaral, entre outros. Todavia, as suas intervenções públicas das últimas semanas, aparentemente ditadas pela sua exclusão das listas de deputados, indicam o contrário. Ora, quem anda nestas coisas há mais de quarenta anos não pode espantar-se pelo facto do CDS ser um partido de (quase) um homem só, pelo menos um partido onde as decisões capitais são tomadas pelo líder e pelo seu inner circle. Ou seja, pelo seu grupo de fiéis, ao qual José Ribeiro e Castro nunca pertenceu. Facto que ele certamente também não ignorará.

É, é mesmo a mesma coisa

11 Agosto, 2015

Duas situações:

Primeira
Cartazes com “pessoas reais” que, na realidade, são uns tipos fotografados à porta da junta de freguesia e aos quais são atribuídas frases como “estou desempregada há 5 anos e nem uma ajudinha recebo”, “ando a recibos verdes e mal tenho que comer” ou “o meu marido obriga-me a ter relações sexuais com seis senhores da Guiné em simultâneo enquanto filma para meter no site ‘liberais domésticas e doidas’”.

Segunda
Cartazes com a fronha de um indivíduo que não é uma “pessoa real” e sim um actor franciu/sapo que permite o uso da sua imagem em mensagens publicitárias que não lhe atribuem declarações em concreto.

Se acham que a primeira situação é igual à segunda, talvez consigam compreender este artigo do Observador, uma notícia sobre o poder de persuasão da “geração mais bem preparada de sempre” para enganar os tolos.

Círculo Eleitorais

11 Agosto, 2015

Foi ontem publicado o Mapa Oficial n.º 2-A/2015, com a distribuição de deputados por círculo eleitoral. Comparando os dados com os do Mapa das legislativas de 2011, constata-se que a alteração mais relevante é a perda de um deputado pelo círculo de Santarém, que acresce ao de Setúbal. Há, porém, alguns outros dados interessantes:

  • O número total de eleitores aumentou: 61.747 (considerando apenas o território nacional, o aumento foi de 14.403).
  • Apesar do aumento global, apenas seis distritos (mais a RA dos Açores) viram aumentar o número de eleitores: Aveiro, Braga, Faro, Lisboa, Porto (onde se verificou o aumento mais significativo) e Setúbal.
  • Os distritos do interior são, sem surpresa, os que mais perderam eleitores (Beja, Bragança, Castelo Branco, Guarda e Portalegre).
  • O círculo de Fora da Europa aumenta mais de 36% (e já justificaria um terceiro deputado, se as regras fossem as mesmas dos círculos do território nacional).
  • Há diferenças significativas entre  número de eleitores inscritos e o número de deputados eleitos: em Portalegre ou Bragança, são necessários cerca de 50.000 eleitores para eleger um deputado. Já em Setúbal ou Lisboa, bastam pouco mais de 40.000.

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Quando a crise aperta a televisão desperta

10 Agosto, 2015

Tema do meu artigo no Observador: Agora que o Varoufakis se foi embora está na hora de mandar vir mr. Spock. Em Portugal em 1978 além do Caminho das Estrelas vieram também a Escrava Isaura; a Abelha Maia, a Vaca Cornélia… e até a Tele-Culinária que nao era televisao mas parecia deu uma ajuda. Em Portugal  1978 o socialismo foi para a gaveta. E a televisão saiu do armário.

uma desgraça

8 Agosto, 2015
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A enraizada mentalidade da esquerda e da extrema-esquerda portuguesas, para quem a iniciativa privada é sinónimo de trafulhice e a boa propriedade é apenas a que tem gestão pública, é uma desgraça nacional. Esta mentalidade explica muito bem o atraso atávico de Portugal, que não fez a Revolução Industrial a tempo com medo de perder os campos, que atrasou o caminho de ferro por receio das importações, que condicionou a indústria para evitar que a produção de riqueza fugisse ao controle do estado, que nacionalizou a propriedade privada porque ela tinha que ser de «todos» e não somente de «uns poucos» e que tem medo que as pessoas tenham liberdade para escolher a educação que querem, a saúde que querem, a segurança social que querem. O pretexto é sempre o mesmo, e é miserável: «no privado é para alguns (,,,) e no público é para os que menos podem». A esquerda e a extrema-esquerda portuguesas têm medo da liberdade e querem impedir que as pessoas possam crescer e progredir sem terem de andar de mão estendida à espera que o estado se lembre delas. Não acreditam que não se possa deixar ser miserável ou pobre toda a vida, e não se tenha de estar condenado ao assistencialismo do estado. A esquerda e a extrema-esquerda portuguesas têm medo da liberdade. Nem Salazar, que queria Portugal e os portugueses a viverem «habitualmente», pensava tão mal do seu país.