Cá vamos nós, outra vez
O problema da natalidade, discutido hoje no Parlamento, é um daqueles feitos à medida de socialistas, pessoas que necessitam de soluções demográficas para a sustentabilidade dos problemas de despesa que eles próprios criam e sonham continuar a criar. Desengane-se o leitor que pensa que se trata de uma questão nacional: quem discute a problemática na natalidade tem capacidade simultânea para, do seu tempo livre oriundo da ausência de filhos, se indignar com expressões como “o dia da raça”.
Discutir no Parlamento as “soluções para a crise demográfica” é particularmente manhoso: tudo que um Parlamento pode fazer é desincentivar a natalidade através dos seus incentivos à natalidade, nunca o contrário. Querem incentivar a natalidade? Permitam o consumo livre de álcool por adolescentes. Tudo o resto não passa de embriaguez do próprio Parlamento sobre o seu papel divino na orientação das necessidades e vontades alheias motivado pela capacidade comprovadamente transcendental de sacar dinheiro ao contribuinte.
Este país tem um problema de indefinição: é um país desenvolvido que, há quatro anos, procura toda e qualquer desculpa para regressar ao terceiro mundo onde nunca esteve. Medidas de apoio à natalidade são eugenia inversa e, de uma forma ou outra, consistem no mesmo: pagar aos grupos socialmente problemáticos para que se reproduzam sob pretexto de criação de mão de obra futura (“Arbeit macht frei”) que apenas multiplicará os problemas sociais do futuro.
A melhor medida de incentivo à natalidade que o Parlamento pode decretar é a promessa de não incentivo à natalidade.
dinastias
Depois dos Bush, que já levam dois presidentes dos EUA e têm um candidato promissor a caminho das próximas eleições presidenciais, os «Freitas do Amaral» iniciam, em Portugal, a honorável tradição das dinastias republicanas do poder. Com a diferença de, pelo menos até agora, nenhum deles ter ganho coisa nenhuma, nem se prever que venham a ganhar tão cedo.
Go, Johnny, go

Rui Moreira tem toda a razão. Isto é um problema sério, que merece a consideração de todos os portuenses através de uma densa e profunda reflexão que permita estabelecer limites a esta vilanagem. A descaracterização da cidade pelo turismo é notória e altamente perniciosa para a imagem da cidade invicta, agora vencida por esse rebanho de invejosos da nossa tripeiridade. Além disso, não queremos aqui turista de pé-rapado.
Sobre a identidade da cidade, por exemplo, uma pessoa já não pode simplesmente mijar contra um poste sem ver um turista de máquina fotográfica a fotografar a Torre dos Clérigos. Já nem se pode ser tranquilamente violado na Rua dos Caldeireiros, tal a quantidade de comedores de panini que saem daqueles restaurantes descaracterizados, onde já nem um cão se pode comer, mesmo com a inócua descrição no menu de “cabrito assado”. Anda um gajo a decapar a pintura do Renault 5 do vizinho e a ser preso por isso para estes labregos depois irem às galerias de arte alternativa apreciar uma decapagem de um Bel’Miró ou ouvir um poema punk de Brochnyziev.
Uma pessoa quer abrir a gabardina na Avenida dos Aliados às 21h00 para mostrar a masculinidade à universitária assustada e é logo confrontado por dezenas de estrangeiros e até portugueses que nos impedem de realizar a nossa felicidade. Anda uma pessoa a tentar ser palmada no autocarro por um carteirista de boina e tudo o que consegue é o número de telefone de uma bifa.
É preciso acabar com esta descaracterização da cidade. O Porto quer-se triste e taciturno, cheio de suburbanos que falam como uma canção dos Trabalhadores do Comércio e que regressam a casa no comboio às 18h30, não de pós-modernos a beberem os nossos cimbalinos às 22h00, hora a que qualquer café decente deveria estar fechado. Ai, Lima 5, Lima 5…
É preciso acabar com isto de ingleses no Porto. Estão a descaracterizar a cidade. Tenho dito.
Porque não volta Guterres?
irmão catita
O mano Castro mais novo, o Raul, é um tipo catita. Tão catita, tão catita, que até acha o Obama «um homem honesto», ao que lhe pediu, de homem honesto para homem honesto, para pôr termo ao embargo a Cuba. Comovido com a singeleza do momento, o Nobel da Paz e Grande Libertador e Democratizador do Mundo Árabe disse ao catita do irmão Castro mais novo que «o tempo em que os Estados Unidos interferiam livremente nos assuntos regionais acabou». Tudo catita! Só falou perguntar ao mano Castro mais novo quando é que a Famiglia estará disposta a tirar as patas de Cuba. Uma mão lava a outra. Ou, pelo menos, deveria lavar.
Chamaram-lhes retornados
Hoje no Observador publico um texto sobre a primeira grande leva de retornados. São aqueles que chegam a partir de Setembro de 1974.
Anúncios como estes foram durante alguns meses os únicos sinais de que os retornados estavam a chegar.
Durante meses os retornados são invisíveis nas páginas dos jornais portugueses. Também não se fala deles nas rádios nem na televisão. Informa-se em tom crítico que a minoria branca está a fugir de Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Medo infundado e receio de perder privilégios são as razões geralmente apontadas para essa fuga. Vítor Crespo, Alto-Comissário de Moçambique, é um dos dirigentes que mais associa a vontade que muitos portugueses manifestavam de deixar Moçambique ou Angola a uma espécie de aleijão moral e político. Moçambique só seria independente em Junho de 1975. Mas até lá Portugal sujeitaria os seus cidadãos naquele território a um regime que só não se diz totalitário porque a possibilidade de fugir continuava a existir. O que não quer dizer que não se tivesse tentado impedi-los dessa última liberdade, a liberdade de partir: na reunião da Comissão Nacional da Descolonização, presidida pelo Presidente da República, que teve lugar a 4 de Novembro de 1974 equacionou-se nesse dia a possibilidade de Portugal obrigar os seus funcionários públicos a permanecer em Moçambique depois da independência.
Temos de falar sobre o Kevin
Eu devia falar do Sócrates, que até montou uma conferência de imprensa muito bonita para o efeito, esperando que dissesse mal, bem, ou fosse o que fosse, desde que falasse. Devia porque, não o fazendo, alguém pode esquecer o homem, a obra, o legado, a bancarrota, o homoerotismo pinga-amor saloio e a arrogância que regista como determinação nas moças de companhia do regime em Louboutins incapazes de ofuscar pronunciados joanetes, o menor dos defeitos.
Devia, mas já não interessa. Como qualquer desgraçada pendurada que jura não mais depender da bondade de homens casados, a velha carcaça socialista confunde abusado e abusador, diluindo-os em exigência de estupidez que permita engolir a má-fé que apregoa como forma de redenção.
Que o PS não tenha sido remetido para a obsolescência eleitoral, apesar da mais que notória inquietude pela possibilidade, é um fenómeno que só poderá ser explicado se conseguirmos continuar a fingir que a eventual corrupção de Sócrates é o maior embaraço na existência da patética figura na história portuguesa do século XXI. Não é. O maior embaraço dos portugueses é o constante enfatuamento por pastiches das ébrias recordações fabricadas dos anos 70, como Sampaio da Nóvoa não conseguirá deixar de demonstrar ao fazer aparecer o aquilino nariz num genérico muzak de celebração do 25 de Abril.
Pf para o rapto use um avião da TAP
Augusto Santos Silva: “Se fosse possível, era o primeiro a ir raptar António Guterres a Genebra”
…e de uma vez por todas resolva o mistério guterriano do acordo com os pilotos da TAP: Os pilotos há muito que reclamam o direito a uma participação até 20% no capital da TAP a privatizar. Já houve ameaças por parte dos pilotos para fazer cumprir aquilo que se diz ser um acordo assinado entre o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) e o ministro das Obras Públicas do primeiro Governo de António Guterres.
Tal como se esperava
Os jornalistas começaram a fazer as malas.
Os notáveis já não saem do carro para entre câmara e microfones o visitarem.
Os indefectíveis começam a falar dele como personagem do passado
Os que beneficiaram com o seu exercício do poder referem com ar distante aquilo que desconheciam do seu outrora líder
Agora para ele chegou o tempo da solidão. A dar a cara por ele apenas uns artistas. Obviamente artistas. Mas tenho a certeza que todos os atrás referidos andariam exultantes, eufóricos, arrebatados, correndo atrás dele, elogiando-lhe as intervenções e o espírito visionário caso ele não tivesse caído em desgraça e estivesse a caminho de outros voos. Mas dele ao menos sabia-se o que era. A sua corte essa é composta por gente que é melhor não saber o que é porque serão sempre o que for preciso.
o rapto
António José Seguro lançou, definitivamente, a confusão no PS, ao dar o seu apoio pessoal e institucional à candidatura de Sampaio da Nóvoa sem avisar a direcção do partido. As reacções estão a ser muito críticas para com o secretário-geral, e mesmo os apoiantes de Seguro consideram-se despeitados com esta atitude. Em tom de ameaça, o líder parlamentar avisou que «o PS, enquanto tal, só deve apoiar uma candidatura presidencial depois das legislativas». O que é facto é que Seguro não avisou ninguém do que se preparava para fazer, numa atitude que muitos consideram ser de profundo desrespeito institucional. Apesar do «mal-estar nas fileiras socialistas», houve quem tivesse manifestado um apoio de princípio a Sampaio da Nóvoa, como sucedeu com o histórico João Cravinho. Mário Soares ainda não se pronunciou, mas é sabido que é um apoiante do antigo Reitor da Universidade de Lisboa, apesar do nome «Sampaio» não ser do seu particular agrado. O PS avança, assim, dividido para as legislativas por causa da candidatura presidencial, o que, segundo os críticos do actual secretário-geral, demonstra a sua inabilidade política e incapacidade para atingir consensos, o que obrigará a debater a liderança após aquelas eleições, se ainda houver liderança. No meio desta confusão, o outrora arguto Augusto Santos Silva ofereceu-se para ir «raptar Guterres a Genebra». Alguns responsáveis socialistas temem que estas intenções possam originar, caso se concretizem num momento de desvario, mais um escândalo judicial de enormes proporções para o PS.
Se eu fosse o Costa,
além de bonito, espadaúdo e com uma bela voz, teria todo o interesse em ter um candidato presidencial que me deixasse em paz. Assim, se eu fosse o Costa, o meu candidato presidencial seria Marcelo Rebelo de Sousa. Claro, nunca o poderia dizer em público, se eu fosse mesmo o Costa. Poderia, sim, dizer que o meu candidato seria Guterres enquanto metia a tropa fandanga que detesta o antigo PM em lugares de destaque no partido. Poderia até sugerir um tipo como Sampaio da Nóvoa, daqueles tipos cujo nome não temos a certeza de ter escrito correctamente, tal a notoriedade da pessoa em qualquer tasca de Cinfães. Poderia dizer isso tudo mas, enquanto fazia figas, só desejaria mesmo que Marcelo se candidatasse.
conjuntos
Hoje de manhã, a TSF tratou do IMI, da reavaliação dos imóveis feita pelas Finanças ao longo dos últimos anos, a queda da cláusula de salvaguarda ocorrida este ano e o absurdo que é a actualização dos imóveis ser sempre feira para cima e não para baixo, como o mercado, a variação dos preços e a degradação desses bens aconselharia.
Ouvida sobre o tema e depois de ter perorado sobre as maldades que também aqui são feitas pelo grande capital, a deputada do Partido Comunista Paula Santos meteu os pés pelas mãos, quando lhe perguntaram se não lhe parecia que devia ser revista a actualização os imóveis baixando o seu valor, se fosse caso disso. Aí, a camarada alegou que não é «líquido» que essas variações sejam «benéficas para o conjunto dos trabalhadores», dizendo ainda que o tema «exige ponderação aprofundada».
Bom, que baixar o valor dos imóveis é benéfico para o «conjunto dos trabalhadores», parece difícil de contestar. Agora, que a mesma redução seja benéfica para o «conjunto» dos interesses autárquicos do Partido Comunista é que provavelmente será mais difícil de demonstrar.
socialismo de sacristia
Tal como Pedro, que negou a Cristo três vezes e acabou por ser o primeiro papa da Igreja, também António Guterres negou três vezes a Costa e será o próximo presidente da república. Esta é a mensagem subliminar desta notícia do Público, cuja importância e destaque só se podem entender pela referida analogia bíblica, de resto, certamente ao gosto de tão augustas personagens do nossos socialismo de sacristia. Sampaio da Nóvoa, o zelota, que se cuide.
presidenciais, parte 2
presidenciais
Guardado estava o ícone para o líder adequado
Fazendo minhas as palavras do Rui eu só acrescentaria que o ícone roubado durante três anos pelos nazis alemães (1941 a 1944) foi fielmente guardado entre 1944 e 2015 por Estaline, Malenkov, Khrushchev, Brejnev, Andropov, Chernenko, Gorbatchov, Ieltsin, Medvedev até que Tsipras foi eleito na Grécia e finalmente o ícone podia regressar a casa.
um enorme simbolismo
Embevecida, a comunicação social anuncia que Vladmir Putin devolveu à Grécia de Alexis Tsipras um ícone ortodoxo de S. Nicolau, que tinha sido roubado pelos nazis durante a 2ª Guerra Mundial e que ficara 70 anos sob depósito fiel da amiga Rússia. Um gesto de enorme simbolismo, não haja dúvida, agora que a própria Grécia está a ser patrioticamente resgatada aos novos nazis pelo bravo Alexis. A Rússia certamente não deixará de os ajudar…
Eu faço e aconteço
Uma das grandes alegrias de ser português reside no espectacular destaque dado pelos habitantes da vila mediática à eleição do busto, tão mais espectacular quanto os habitantes do resto do país ignoram este destaque. O Presidente, figura meramente decorativa a que se exige apenas um mínimo de decoro – por exemplo, não partilhar selfies em biquini às bolinhas rosa no Instagram – e inteligência mediana de típico embaixador em país amigo, detentor de um cargo não-executivo, é a figura que vai a cimeiras sempre iguais sobre os mesmos temas que não atam nem desatam – graças a Deus – e que, em casa, repete com afinco “eu estou atento” sem pensar perante toda e qualquer insignificância que atraia a atenção da população da vila mediática. É um prémio carreira ou, visto de um prisma cínico, um talhão no Panteão sem ter que saber jogar à bola.
É admirável que, para um cargo não-executivo, tanta gente se apresente disponível com frases como “o que eu faria”. Não farias nada, pá; e ainda bem. Sendo uma eleição a que qualquer um com mais de 35 anos pode concorrer (o que exclui, à partida, o potencial para um concorrente daquelas causas loucas como o veganismo por já ter batido as botas com défice proteico), é terreno livre para derrotados à partida, que conseguem na campanha atenção para a sua causa de eleição, como o elevador que não funciona no condomínio ou o alargamento da época de caça à perdiz; estes são os candidatos compreensíveis: os que aparecem durante dois meses, entram para o cânone crescente de tresloucados com ideias para o país e eclipsam-se, de regresso ao taxi mas agora com uma conta no Twitter do tipo @RodovaldoFagundes_PR2016 e uma bandeira made in China cheia de vincos.
No entanto, que apareça tanta gente disponível sem diagnóstico confirmado de maluco e que afirme ter ideias para o país é algo me preocupa. Digo-o com toda a sinceridade. Não me recordo sequer de campanhas anteriores com um candidato ideal, alguém que se limita a prometer usar uma tesoura do distrito de Portalegre para cortar fitas ou filigrana de Gondomar na lapela para o entediante discurso do 25 de Abril perante a multidão geriátrica à rasquinha da próstata. Seria pedir demais aos candidatos para limitarem as promessas ao que realmente interessa que é, tão somente, “eu vou parecer um Presidente”?
Terror fiscal
um presidente à medida da esquerda que temos
Sampaio da Nóvoa Presidente, por João Taborda da Gama.
Agitprop
Polícia dos EUA acusado de assassínio por matar afro-americano desarmado
Polícia dos EUA: É branco? Asiático? Indiano? Hispânico?… Este homem é identificado como polícia e como polícia de um país.
Afro-americano: isto quer dizer o quê? Que a vítima é negra? Que teve um antepassado em África? Nesse caso o polícia se for branco torna-se european-american?
A notícia de um acto – policia mata cidadão desarmado – deixou de ser a notícia de um acto para se tornar num panfleto.
Caro António-Pedro Vasconcelos
Caro António-Pedro Vasconcelos,
Depois de ter criado uma das mais enigmáticas imagens do cinema português, a da Ana Zanatti a polir o lustro a um Alfa Romeo, é com regozijo que o vejo regressar ao tema da metalização de pinturas através da sua experiência de gestão de empresas de aviação comercial. Durante uns tempos, também eu próprio fui especialista em cinema lá na ONU.

Lugar do morto, expressão usada para designar o passageiro que é transportado no veículo de outrem, que nada faz para providenciar a sua locomoção mas conhecido por queixar-se da forma como é conduzido.
Uma das questões que levanta no seu último guião, sobre se a privatização da TAP originaria o fim das greves por decreto, fez-me recordar o quão a privatização das salas de cinema me permitiu uma intensificação da greve ao cinema português contemporâneo. Não é que o rabo da Soraia Chaves deixe de merecer a minha atenção, porém, não consigo imaginar o que este traria de interesse a um edil, muito mais facilmente corruptível com pratos de cozido à portuguesa do que com a promessa de morte por ataque cardíaco. Isto é o conhecimento do país real, percebe?
Acrescento – às suas inúmeras certezas de gestão aeronáutica substanciadas pela capacidade de síntese de incongruências no discurso apoiado em tontices – apenas uma questão: há algum português cujo rendimento não seja oriundo do orçamento de estado ou de subsídios conexos que queira saber se a TAP é pública ou privada? Se sim, porque não faz um documentário subsidiado sobre ele, em nome da ciência?
Nova geração de políticas sociais
O novo presidente da câmara de Lisboa (alguém sabe se houve eleições?) anunciou uma nova geração de políticas sociais que inclui habitação social para a classe média. Ou como dizem no site da CML, “classe média entra na corrida à habitação social”. Conhecido informalmente como o “programa Baptista Bastos”, este programa vem mais uma vez mostrar que Lisboa é o maior trampolim da política nacional. Embora Fernando Medina revele muita falta de ambição. Estado social para a classe média (paga pela classe média alemã?) é uma adquirido do regime. Inovador seria criar habitação social para ricos.
Novas ambições
“É tempo de uma nova ambição”, disse o novo presidente da autarquia de Lisboa na tomada de posse do mandato para o qual não foi eleito, permitindo-lhe, assim, melhor aferir sobre instantes temporais que requerem ambições com nascimentos na posteridade das velhas.
Já sabe, o caro leitor: quando quiser uma nova ambição, trate de eleger a velha, que o progresso é sempre oriundo da tradição e não de democracia directa.
4 anos
Presidenciais: isto não está a acontecer
O ambiente mudou – usaram ambientador

Há pouco falava das corporações de universitários, da maneira como se protegiam. Há um poder que tinham e que não queriam dissipar. Claro que alguns professores têm poder.
Sinto-me uma pessoa mais do contra-poder do que do poder. A pergunta para mim é estranha. O único cargo onde poderia ter tido algum poder, mas foi um cargo de que gostei muito pouco, foi o de consultor do Presidente da República, do Dr. Jorge Sampaio. Não gostei daquele ambiente. Tenho uma extraordinária relação com o Dr. Jorge Sampaio, por quem tenho uma enorme admiração. Mas o lugar concreto de consultor…
A esse lugar foi dar como?
Um dia estava em casa e telefonaram-me. Não tinha falado uma vez com o Dr. Jorge Sampaio. Uma senhora disse-me que o Dr. Jorge Sampaio, que tinha sido eleito há umas semanas, em 1996, queria falar comigo. Pensei que fosse um amigo a gozar. A pessoa não se desmanchava, eu também não. Disse-lhe: “Muito bem, dê-me o número de telefone que ligo para aí”. Telefonei e era mesmo verdade. Ele estava no Forte de Catalazete, convidou-me e aceitei na hora. Depois verifiquei que não gostava.
Laicidade outro nome para o medo
Candidato presidencial dos socráticos
Uma das grandes vantagens de Sampaio da Nóvoa para candidato presidencial é não se lhe conhecer qualquer ideia para o país. Infelizmente, esta candidatura não é só composta de boas notícias: além da postura hirta e da generalidade indignada de lugares comuns desprovidos de razão, lógica ou senso, há também uma espécie de auto-reconhecida seriedade apresentada com gravitas de actor de telenovela que não augura nada de bom se o candidato acredita, sozinho, que está mesmo a falar a sério.
Não sei se rir se chorar
A avaliar pelas declarações feitas ao longo do dia a propósito da morte de Manuel de Olveira creio que não devemos estar no mesmo país. Nunca tinha dado por tanto cinéfilo nesta ditosa pátria
Má sorte, ter nascido Santana
Parabéns aos lisboetas, que passam a ser governados por um senhor que passa no crivo de Jorge Sampaio, impedindo, assim, a necessidade de eleições antecipadas.
Folgar as costas
Havia uma lei para onerar consumidores pela cópia legal de obras que possam ou não possuir e que lhes permitia continuar a aceder legalmente à cópia que já podiam fazer. Na realidade, tratava-se de uma iniciativa para compensar autores pela cópia indevida, vulgo pirataria, apesar de ninguém ter cojones para o admitir ou sequer mencionar sem extrema indignação, esta tão típica do lusitano manso que acha que ninguém percebe algo se ninguém o mencionar.
O Presidente vetou-a. Não resolve o problema, mas folga as costas. A lei é uma nódoa.
Pergunta do dia
Quem disse que a mudança no País se iniciará nas regionais de 29 de Março e que será o primeiro travão ao falhanço da política de Passos Coelho?
mas certamente que não…
“Não esperem que assinemos uma rendição incondicional”, afirmou hoje o maravilhoso Alexis Tsipras, inquestionável sucessor na cátedra Mohammed Saeed al-Sahhaf, e figura cada vez mais incontornável da boa disposição política europeia. O desgravatado primeiro-ministro grego disse isto a propósito da sua já célebre intransigência nas negociações com os seus credores, cujos resultados tonitruantes obrigaram mesmo estes últimos a mudar de nome, tal o receio que lhe têm. Posto isto, Tsipras escusava de nos dizer o óbvio, que ele não se renderá sem condições. Sem um gordo cheque, certamente não deixará ninguém em paz.

Não, isto é mesmo a sério, não fui eu quem se lembrou desta maravilha. O original está aqui.
Parolada de volta
Hoje passou um tempo de antena do António Costa Partido Socialista. A ideia é o culto de personalidade. Da última vez correu mal, mas vocês é que sabem.

“o meu mundo é a preto e branco”.
o regresso de santana lopes
Quem anunciou a sua morte política vai ter de se desdizer.
o estoiro
Graças a políticas monetárias e económicas sensatas, que retiraram o país da inflação crónica de que padeceu durante muitos anos, o Brasil conseguiu um excelente crescimento económico por cerca de uma década, que terminou sensivelmente há quatro anos.
Infelizmente, durante esses anos de sucesso, o país não fez o que tinha a fazer e deixou todas as reformas de que necessitava por realizar. Pior do que isso, os últimos anos de governo inverteram as medidas económicas que asseguravam o crescimento, grosso modo, as que compuseram o “Plano Real”, e dedicaram à economia uma “atenção” de que ela não só não necessitava, como a pôs no miserável estado em que está. O governo decidiu-se a aumentar um já de si muito elevado grau de intervencionismo na economia, agravando a despesa pública com toda a sorte de programas ditos sociais, medidas de “impulso” económico a eito, controlo estatal de certos preços, como o dos combustíveis, para fins eleitorais, manutenção artificial de taxas de juro baixas para pôr o eleitorado a consumir, etc..
Um governo intervencionista carece, obviamente, de uma estrutura que o acompanhe. Por isso, revela a revista Isto É deste sábado, desde o fim do governo FHC, até hoje, as pastas ministeriais passaram de 24 para 39. Os números deste “inchaço” são verdadeiramente alucinantes, mas basta referir somente os dois seguintes: o número de funcionários que trabalham para os 39 ministérios ultrapassa os 113 mil e o seu custo salarial é de 400 biliões de reais, tendo crescido, de 2010 até 2014, em 120 biliões.
Refira-se, para compor o panorama, que o Brasil é um estado federal (um falso federalismo, na verdade, mas com a estrutura de um verdadeiro) que possui três níveis de poder político: o federal, o estadual e o municipal. Cada um destes níveis de poder dispõe de uma complexa estrutura funcional e burocrática, sendo 27 os estados (26 estados e o distrito federal de Brasília, mais exactamente) e 5.570 os municípios.
Por fim, é conveniente lembrar que o Brasil é um dos países mais corruptos do mundo, o que quer dizer que, para além dos recursos consumidos pelo funcionalismo público em salários e outras benesses legais, há um valor incalculado, mas certamente gigantesco, de dinheiro roubado aos contribuintes.
Dá para perceber claramente aonde tudo isto vai parar, não dá?


