TAP vai ser privatizada já em 2001
A TAP vai ser privatizada no segundo semestre de 2001, garantiu Jorge Coelho, ministro do Equipamento Social, ao «Jornal de Negócios».
Depois da ruptura do acordo com o SairGroup, empresa mãe da Swissair, Jorge Coelho afirma que a privatização da transportadora aérea nacional «avançará ainda no segundo semestre deste ano, se possível, logo depois do Verão.
Segundo o ministro, o Governo vai agora proceder à escolha dos bancos que vão ficar responsáveis pelas novas avaliações da companhia, que nos últimos estudos ascendia a 300 milhões de euros (60 milhões de contos).
Em Fevereiro de 2012, António Costa defendia um grande operador Lusófono para a aviação e outro para os aeroportos:
António Costa defende integração da TAP numa grande companhia latino-americana
“Tenho dito e repito que a privatização da TAP é a mais crítica que está em cima da mesa, assim como a privatização da ANA, e acho que era útil para o país do ponto de vista estratégico uma estratégia de fusão por integração entre a TAP e uma grande empresa e a integração da ANA com os aeroportos brasileiros”
Em Agosto de 2014, António Costa defenia que a TAP não deve ser privatizada:
“Sobre a TAP já disse: é mesmo aquela empresa que não deveria ser privatizada porque os riscos da privatização da TAP são muito grandes”.
Para o presidente da Câmara de Lisboa, a TAP é “condição da nossa inserção” de Portugal no mundo, uma vez que tem um valor “extremamente estratégico” para a relação transatlântica, em particular com o Brasil e o conjunto da América Latina. “A TAP é um valor sobre o qual Portugal não devia hesitar em conservar”, afirmou.
A 11 de Dezembro de 2014, António Costa, ao mesmo tempo que disse que no sector público há soluções, defendeu um aumento de capital da TAP em bolsa para evitar a privatização (SIC):
O líder do PS afirmou hoje que devia ser pensada uma solução pública para a TAP, que evite a privatização da companhia aérea. António Costa defendeu um “aumento de capital na empresa através da bolsa”.
Questionado pelos jornalistas sobre a privatização da TAP, o líder dos socialistas reconhecer que a empresa precisa de ser capitalizada, referindo também as restrições impostas pelas regras europeias. “Julgo que no sector público há soluções”, disse, defendendo então a necessidade de um aumento de capital através da bolsa. Actualmente, a TAP não é cotada em bolsa.
A 11 de Dezembro de 2014, comparou a TAP às caravelas dos descobrimentos:
«A TAP é fundamental. Na era da globalização, tem a importância que as caravelas tiveram na era dos Descobrimentos», realçou, referindo que «não haverá futuro para o país», se este não estiver inserido «nas rotas da globalização».
Boyboy
Nos últimos tempos apareceu um novo tipo de perturbado em Portugal. É o tipo que esbraceja muito, correndo de um lado para o outro sem propósito aparente, gritando que vêm aí os radicais; e cuidado com os radicais, vejam os radicais, como não vêem os radicais, seus estupores de trampa com os olhos vendados pelos mercados e o capitalismo desenfreado, bandalhos radicais? O expoente máximo dessa categoria de alucinado é Mário Soares, quer pelo conservadorismo patriarcal que lhe atribui destaque (bastante irónico, diga-se de passagem), quer porque o líder actual dos socialistas é tão redondamente vazio de discurso que se torna necessário reforço através de outras personagens. É como chamar o aposentado Maradona para ajudar o Atlético de Vila Chã a marcar golos.
Esta perturbação e a sua proliferação em artigos de “opinião” seria um bocado radical se não tivesse sido redefinido o conceito de radical para toda e qualquer pessoa cujo objectivo na vida difere de ser boy de um boy, como os típicos boyboys que populam as redes sociais portuguesas, elas próprias uma espécie de recreio da ala paranóica do hospital psiquiátrico.
O boyboy hiperboliza hipérboles, apelando ao espírito cómico de “isto não se aguenta” acompanhado de açorda e vinho alentejano no restaurante recomendado por outro boyboy. É um patusco enraizado no ensino para competências do sentir e do acreditar, nomeadamente na sua auto-recriação de cosmopolitismo burguês rodeado de ilhéus parolos, meros peões num jogo eleitoral de sabujice com efeito de placebo. Criam partidos, desfazem partidos, renovam lideranças e arranjam sempre forma de fazer flutuar a mediocridade embebida em gordura, elevando-a ao endeusamento compatível com o “humanismo” enfiado em gargantas prontas para o receber de chofre.
Que muito mais de 50% da opinião publicada seja onirismo pluviante de boyboy, isso só indica o papel actual da imprensa na sociedade: residual; que o boyboy se leve a sério é que já entra mesmo no domínio da alfabetização.
É isto?
Até às eleições: Costa afasta alianças à direita e quer partidos à esquerda na “solução”
Depois de ganhar as eleições como nova esperança da esquerda: Costa defende “projecto comum” pós-eleitoral com PSD
Como estratégia não está mal visto. Só que parte do princípio que todos os outros à sua esquerda e à sua direita são parvos.
Se o CDS andasse mais na rua
perceberia que não há mal algum em dar chaves da cidade a quem quer que seja. Se passassem ali pelas bandas do Campo Grande constatariam que muito mais simbólico do que ter chaves que não abrem nem fecham nada é ter à porta de casa uma espécie de parque pessoal em cima do passeio.
Para uma teoria da cor
Desentendimento de socialistas
Discordo veementemente da posição do vereador do CDS que acha que Soares não deve receber a chave da cidade de Lisboa. Eu acho que deve receber a chave e muito mais, deve até receber a própria cidade de Lisboa. Depois que a governe, como fez em 1983 e 1984 no resto do país, que ela bem precisa.
Faltam o sindicato dos passageiros, o sindicato dos contribuintes e o sindicato dos chantageados
Segundo o Sol integram esta plataforma sindical
Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil
Sindicato dos Trabalhadores da Aviação Civil
Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos
Sindicato dos Técnicos de Handling de Aeroportos
Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves
Sindicato dos Quadros da Aviação Comercial
Sindicato do Pessoal de Voo da Aviação Civil
Sindicatos dos Economistas
Sindicato dos Engenheiros
Sindicato Nacional dos Engenheiros
Sindicato dos Contabilistas
Sindicato das Industrias Metalúrgicas e Afins
Ide e multiplicai-vos
Doze (12) sindicatos (12) da TAP (foram 12) anunciam greve (12 sindicatos) para a semana entre Natal e Ano Novo (a realizar pelos 12 sindicatos).
Os doze (12) sindicatos (12) são: Simão, Pedro, Tiago, João, Filipe, Bartolomeu, Tomé, Mateus, Tiago, Tadeu, Simão e Judas Iscariotes.
Dizem que é “para sensibilizar o Governo para a necessidade de travar o processo de privatização”
Desconheço a sensibilidade do Governo eu, como contribuinte com familiares muito directos emigrados com viagens marcadas para os dias de greve, estou com uma sensibilidade acrescida para a necessidade de não termos de sustentar esta pouca vergonha de gente farta de viver bem.
Margem de erro absolutamente igual ou inferior a 0,005pp
A “economia não registada” registou uma subida que a coloca em (com erro máximo de 0,005 pontos percentuais) exactamente em 26,81% do PIB. Não é em 25,98% do PIB, é em 26,81% do PIB, ouviu bem. Podia ser 26,80%; mas não é, é 26,81% do PIB.
Todas as transacções que faz sem factura? Aquele indivíduo que lhe foi pintar a sala? O gajo que deu um jeitinho à máquina de lavar roupa, que – afinal – era só voltar a engrenar a correia? Aquele bandido que foi aí para as vindimas em troca de salpicão? Exactamente 26,81% do PIB. Aferido correcta e precisamente com o registador automático de economia não registada.
Se perder a chave do carro, fale com estas pessoas. Eles vêem e aferem tudo.
Espectacular viragem súbita de especialista em direito para especialista em economia social não sociopata
Graças a este artigo do DN, as redes sociais serão inundadas por progressistas-humanistas-palermistas preocupadíssimos com o Gini, a desigualdade, os ricos (bandalhos!) de camisas Bijan (soltem os prisioneiros!), e, basicamente, o facto de se considerarem pobres oprimidos através das suas ligações fibra aos 400 canais de TV e 100 megas de internet.
Como os números citados, nomeadamente o espectacularmente oco “portugueses mais ricos ganham dez vezes mais que os mais pobres”, e porque o que importa é a cobiça e não o rendimento próprio, são referentes a comparações de anos anteriores com 2011 (a sério), vale a pena mostrar os resultados principais a tempo dos progressistas-humanistas-palermistas evitarem críticas inadvertidas ao saudoso 44. Obviamente a culpa é do Passos, do Portas e, sobretudo, do Relvas.
presunção de inocência
Esperemos que os arautos da presunção de inocência de José Sócrates manifestem iguais sentimentos por Ricardo Salgado. Não necessariamente com a mesma ênfase e entusiasmo, mas, de todo o modo, de forma inequívoca. A presunção de inocência quando nasce é para todos.
o problema
O problema desta comissão parlamentar ao BES está em saber se algum dos ilustres deputados que a compõem tem competência técnica para discutir com Salgado assuntos de gestão financeira. Já não digo de um banco, mas pelo menos de uma vulgar empresa.
O ilícito que é licitamente ilícito
Há quem discuta o enriquecimento ilícito, que devia passar a ser ilícito, apesar de já o ser, porque há ilícitos mais ilícitos que os outros ilícitos, como os ilícitos que não são ilícitos. É muito confuso.
A minha preocupação, porém, é o enriquecimento lícito.
Quão lícito é enriquecer se todos os dias se usam palavras e expressões como desigualdade, progressividade, responsabilidade e justiça social? A única forma de enriquecimento lícito na retórica traulitosocialista dos países afundados em dívida é a de “ou enriquecem todos ou não enriquece ninguém”, como se a acumulação de capital fosse uma espécie de cooperativa de “bem comum”, o que quer que seja “o bem” e, mais importante, o que quer que seja “o comum”.
Tal como nem o pai morre nem a gente usa os diamantes, essa retórica só se aplica a quem gera emprego, não a quem o destrói. Quem diz que o 44 pode ter enriquecido ilicitamente está a lançar uma cabala inaceitável sobre todos os exploradores do Homem pelo Homem, esses sim, possuindo o dinheirinho que agora nos dava jeito ser ilícito, porque o sonho do povo oprimido é, no fundo, ter amigos especiais com boas perspectivas de negócio imobiliário lícito.
Toda estas ilicitudes parecem demasiado ilícitas para não serem lícitas pela vontade dos Homens de Bem.
prisão preventiva
Qualquer que seja o motivo que leva a uma prisão preventiva, ele será sempre uma confissão de incompetência do estado. Incompetência em evitar que o suspeito fuja do país, incompetência em evitar que ele prejudique o andamento do inquérito, incompetência em evitar que ele perturbe a ordem social, e, obviamente, nos países que permitem períodos dilatados desse regime, incompetência em acusá-lo, julgá-lo e condená-lo num período de tempo razoável para todos os envolvidos no processo. Deste modo, fora dos crimes de sangue detectados em flagrante delito, ou de cuja autoria subsistam poucas dúvidas, dificilmente qualquer outra prisão preventiva não deixará de ser também uma grave censura para o estado que a comete.
De certeza que acham que é mesmo isso que querem fazer?
Uma estátua para Mário Soares. Projeto já existe
É que tendo em conta a cruzada em que o homenageado anda com aqueles que designa como “os chineses” é capaz de se lembrar do original
Perante as notícias dos tumultos em várias cidades norte-americanas
só posso concluir que fosse o presidente afro-americano (seja isso que for) e tudo seria diferente.
Interessante
Quociente familiar
O governo introduziu um quociente familiar para determinação do rendimento colectável no calculo do IRS. Se bem percebi o rendimento de um casal passa a dividir por 2+0.3N em que N é o número de filhos. Num sistema de impostos progressivos, o resultado desta alteração é o aumento de transferências de quem não tem filhos para quem os tem. O que implica um agravamento das perversões causadas pela progressividade.
Note-se que em 2012-2013 houve um agravamento da progressividade, a qual foi considerada temporária para uma situação de emergência. O quociente familiar reduz a progressividade para quem tem filhos e eterniza a progressividade “temporária” para os restantes. O governo descobriu uma forma de optimizar a colecta fiscal que consiste em cobrar mais àqueles que em teoria terão menos despesas. É um truque que eterniza progressividade elevada com transferências maiores entre uma minoria cada vez mais pequena e uma maioria cada vez maior. Em breve teremos os impostos a ser pagos apenas pelos estéreis e os gays.
Um segundo efeito perverso desta medida é o efeito que tem em quem ainda não tem filhos. Aquelas pessoas que adiam o nascimento dos filhos porque ainda não constituíram poupança suficiente para os ter (segundo a sua perspectiva) terão que adiar um pouco mais porque estarão sujeitos durante mais tempo à progressividade temporária. Em contrapartida, aqueles que já têm filhos terão impostos mais baixos.
Note-se que os menores são por norma um encargo adicional para o Estado, em serviços de educação e, em menor grau, de saúde. A introdução deste quociente leva a que as transferências ocorram daqueles que consomem menos serviços públicos para os que consomem mais. Mesmo que se queira beneficiar quem tem filhos, haveria formas mais elegantes de o fazer. Por exemplo, através de deduções de serviços de educação e saúde comprados aos privados, opção que libertaria de encargos os serviços públicos.
O engodo dos alegados crimes de Sócrates
Tema do meu artigo de hoje no Observador:
Um clássico russo no quintal
A presunção de inocência, que em poucos dias se transformou na presunção da perpétua ingenuidade do tuguinha, está a dar lugar ao esmorecimento do circo mediático, muito por culpa do alinhamento dos palhaços. Meterem o palhaço rico com os excessos típicos do palhaço pobre só poderia originar uma sucessão de palhaços pobres com maneirismos saloios de aspiração a uma sofisticação tão gasta como em contra-ciclo. Salva-se Guterres, que conseguiu manter-se calado tempo suficiente para não atrair moscas a cada declaração.
Agora resta cumprir horário, meter lá o Costa numa deslocação total do centro de gravidade do planeta para Évora e retirar a ficha da tomada antes que o idiota de Dostoyevsky perceba que o sanatório é melhor opção que o esquecimento. É verdade que o tipo esforça-se, com as cartinhas de clichés copy-paste e a inovação da Bic vermelha; porém, e pelo menos até ao recurso, dificilmente deixará a prisão para regressar ao manicómio.
E porque há vida para lá da política
chavismo unânime
«Os deputados da Assembleia da República aprovaram por unanimidade a proposta de lei que vai obrigar todos os postos de abastecimento de combustível a comercializarem combustível simples, designado low cost» (no Público)
Prisão preventiva – estudo de casos
Tenho visto várias críticas à prisão preventiva, mas ainda não percebi qual deve ser o critério. Há quem defenda que não deve haver nunca, há quem defenda que só deve haver para crimes de sangue (nos crimes de sangue já se pode prender inocentes?), há quem se indigne selectivamente, com rodopios de uma semana para a outra. Às vezes parece que o critério é a empatia com o preso ou a sua classe social. Deixo aqui alguns casos para reflexão e quando tiverem um critério avisem. Quais destes casos valeria um post na blogosfera contra a prisão preventiva?
Dois homens e uma mulher em prisão preventiva por vários roubos em Lisboa
Incendiou a própria casa depois de discussão e ficou em prisão preventiva
Altos dirigentes do Estado em prisão preventiva no caso dos vistos gold
Prisão preventiva para dois dos seis suspeitos de burlas a idosos
Prisão preventiva para suspeitos de furto de máquinas de tabaco
Prisão preventiva por furto de cobre no Grande Porto
Prisão preventiva para padre acusado de pedofilia
Homem detido por violência doméstica no Porto ficou em prisão preventiva
Prisão preventiva para três dos detidos por alegada fraude fiscal
Grândola vila morena, terra da comicidade

Jurei ter por companheira
A tua poberdade.
Depois aprendi a vestir-me dessa pobreza. Isto é: a habitá-la. Ouvir de antepassados, das mortes de filhos à sorte de surtos sem estado social, da partilha com o afeto da proximidade, da ausência de alternativa, de ausência de um grito a reclamar que reclamassem a cidadania dos direitos e não do assistencialismo fascista.
Vesti-me dessa pobreza. Para poder ser a pobreza, isto é, ser o outro, e falar dela sem truques mas sempre assumindo um discurso ideológico. Porque para pobreza, basta a pobreza.
Assisti a um caminho de redução gradual e sustentada dos níveis de pobreza. Cada pobre atirava-me para a responsabilidade coletiva da erradicação do horror da indignidade, mas assisti a esse caminho. Sei que se deveu às mãos de muita gente, do Estado e da sociedade.
Não percebo por que razão este Governo apostou no “empobrecimento regenerador”, não percebo por que razão este Governo preferiu a abstração ao país real e destruindo a classe média cortou as pernas aos pobres.
Nacionalismo económico na era da globalização
Quem é que melhor defende os interesses portugueses (o que quer que isso seja) na questão da Portugal Telecom:
Isabel dos Santos, filha do presidente angolano e de uma russa, nasceu em Bacu, Azerbaijão e licenciou-se no Kings College. Quer comprar a PT SGPS para decidir o destino da PT Portugal.
Zeinal Bava, de ascendência goesa, cidadão português, nascido em Moçambique e com formação Anglo-Saxónica. Tinha um grande projecto de um grande operador lusófono, mas o empréstimo à Rioforte estragou-lhe o projecto.
A Oi, dona da PT Portugal, é um empresa brasileira com esta organização accionista:
Armando Pereira, português do Minho, emigrou para França com a 4ª classe. É dono de 30% da Altice, empresa que quer comprar a PT Portugal à Oi por 7400 milhões de euros.
Patrick Drahi, judeu sefardita (de acordo com a Lei Orgânica n.o 1/2013 o governo pode conceder nacionalidade portuguesa a judeus sefarditas descendentes de judeus expulsos de Portugal). É o maior accionista da Altice.
Henrique Granadeiro, português, o homem que assumiu a responsabilidade pelo empréstimo à Rioforte.
Os CTT, empresa portuguesa com capital disperso pelo capitalismo internacional. Os CTT são parceiros da Altice no projecto de compra da PT, depois de terem verificado que não havia condições para uma proposta autónoma.
E assim deixamos de ter de pagar?
Aranha Vermelha
Já vens tarde, menino com o rei na barriga

Algumas pessoas, por princípio, são contra a prisão preventiva por esta implicar a privação de liberdade para alguém não condenado ou sequer acusado. Sou sensível a este argumento; Sócrates é que não é: durante o seu mandato como primeiro-ministro nada fez para alterar o que agora, em causa própria, considera uma injustiça atroz.
A prisão de Sócrates é perfeitamente justa: segue as regras que ele próprio considerou adequadas por omissão de iniciativa para as alterar. Não há maior justiça do que penar de acordo com o que considerou justo para todos os que o antecederam na toma do remédio.
Revisitar os clássicos


Qualquer culto exige dedicação.
O Ferreira Fernandes é um senhor que escreve demasiado bem para pensar tanto tempo com a gónada. Esta frase não pretende ser polémica ou insultuosa: cada um ama quem quer e Ferreira Fernandes, habituado a um mundo de estagiários-papoila nas saudosas redacções de jornal dos anos dourados do diz-lá-o-que-devo-pensar-professor-doutrinador com mão marota deslizante, gosta de Sócrates e da pulsão que o 44 gera no gajedo pré- e pós-menopausa com manias de irreverência estudantil. Sim, também há “gajos” que curtem o 44, como há rapazinhos que gostam do Justin Bieber, mas não é disso que se trata e sim da veneração pelo tipo que finge ter mais testosterona perante uma audiência de eunucos, aliás, tema recorrente de Ferreira Fernandes, que tão bem consegue descrever a doutorite saloia do português. Às vezes é preciso ser para defender.
A utilização da expressão “pedaço de asno” até é particularmente criativa em relação a – sei lá – “pedaços de merda”, expressão usada nos saudosos tempos da espiral recessiva. Agora, Ferreira Fernandes pode presumir a inocência de quem ele bem quiser, não pode é esperar ser inocentado da sua imensa presunção, cultivada com a devida reverência por senhores angolanos que a toleram dentro de patamares bem definidos.
Ferreira Fernandes está disposto a fazer o trabalho de relações públicas da infecção, e isso é lá com ele. A presunção de inocência da infecção deve ser mantida a todo o custo. Nenhum culto chegou aos fiéis sem um tipo capaz de escrever sermões escorreitos; que esteja disposto a expôr o 44 a um ridículo adicional (o próprio faz um trabalho excelente) é que já não parece grande estratégia. Talvez Ferreira Fernandes pudesse ser o editor da newsletter que o 44 lançou na semana passada para a imprensa e prometeu tornar regular (vai no número 3)? Isso sim, seria um serviço de valor, com paralelo apenas na promoção de Edite Estrela para editora do Ação [sic] Socialista !!!
Vai acabar a escrever para o Borda d’Água
«O antigo primeiro-ministro José Sócrates nega, em carta enviada à RTP, ser proprietário de um apartamento de luxo em Paris, mas confirma ter morado numa casa emprestada pelo amigo Carlos Santos Silva. Esta é a terceira vez que José Sócrates fala à imprensa desde que está detido em prisão preventiva, em Évora, por suspeita de branqueamento de capitais, fraude fiscal e corrupção.José Sócrates garante ainda que, apesar de estar preso, não vai ficar calado.» Também já demos por isso.
Aguardo com expectativa que o argumentário sicn-pintomonteirista-ferreira alves- sousa tavares…
Circo mediático. Clara e demonstrada violação do segredo de justiça. Tentação do popularucho. Coincidências. Linchamento. O que sabemos deste processo é apenas o que tem sido dado através de fugas de informação, o que também não está certo. Há uma condenação sistemática, um julgamento público. A sentença depois não muda para contrariar a opinião pública. Muitas vezes a pressão social é tanta que a própria justiça está encurralada, em que já não pode ilibar. A justiça portuguesa não me oferece garantias de procedimentos corretos, seguidos com a máxima verificação de que os pressupostos estão lá todos. Estamos a falar de acusações gravíssimas. Na melhor das hipóteses daqui a três anos vai ter uma sentença transitada em julgado. Até lá, você destruiu a vida de quatro pessoas, que são irrecuperáveis. Há aqui coisas que são irreparáveis.
Seja aplicado a este caso:
A Polícia Judiciária está a fazer buscas na diocese do Porto, nomeadamente em computadores de algumas paróquias, avança o Jornal de Notícias, que tem o tema como manchete na edição em papel desta segunda-feira. Cartas anónimas via email, assinadas por um tal de “M. Saleixo”, com acusações graves têm na mira vários membros de igrejas da Invicta. As cartas têm sido enviadas nos últimos dois meses e têm chegado a todo o clero e instituições católicas. Ler mais…
Full circle

Parece-me que alguém foi enganado nesta história
Uma página do discurso
e então, é por isso que importamos as romenas !!!
[trocadilho com nomes, esgar libertino que se transforma em tom preocupado]
Mas hoje, camaradas, hoje é o dia mundial contra o SIDA !!! Queria interromper este discurso e chamar uma actriz veterana com voz projectada e semblante carregado, para ser aplaudida por vocês já a seguir, não sem antes ler esta lista perfeitamente aleatória de pessoas que morreram de complicações decorrentes do SIDA, vítimas desta seita neoliberal que destrói a imunidade do corpo e da mente, assim como a humanidade em geral e que servirá de desculpa para justificar a falta de meios apesar da minha espectacular habilidade para lidar com as cheias, coisa que pretendo que a Europa faça por mim. Queria, porém, mandar primeiro um beijinho ao Matteo Renzi, que é europeu, e que também respeita a parte que interessa das constituições.
[actriz genérica que tenha entrado em telenovela aparece em cena, com óculos postos]
- Rock Hudson
- Freddie Mercury
- António Variações
- Michel Foucault
- Liberace
- Anthony Perkins
- Cazuza
- Rudolf Nureyev
- Isaac Asimov
- John Holmes
- Tom Fogerty
- Richard Hunt
- Ray Gillen
- Ösel Tendzin
- Kiyoshi Kuromiya
- John Sex
- Trevor Kent
[ar carregado durante as palmas, pausa de 6 segundos, olhar cabisbaixo]
[face com ar de negociação com lixeiros, severidade nas sobrancelhas]
Um empresário, um advogado e um motorista entram num bar. “Bolas”, exclama
página 44
as sotainas de costa
O socialismo português nutriu desde sempre um fascínio mórbido pelo clericalismo e pelo catolicismo ditos de «esquerda». Só para nos situarmos nas proximidades do 25 de Abril para cá, tivemos que aturar os «católicos progressistas», os entusiastas da «teoria da libertação» do sinistro Boff, a «Juventude Universitária Católica Feminina», o Bispo do Porto, o «Grall», de Lurdes Pintasilgo e Teresa Santa Clara Gomes (um nome que era, em si mesmo, uma devoção), a «democracia-cristã» do Professor Freitas, um homem cheio de amor aos pobrezinhos e fadado, desde tenra idade, para ser ministro socialista socrático, a beatitude quase sacerdotal de António Guterres, a Opus Dei com «consciência social» de Maria do Rosário Carneiro, e o recentíssimo fascínio de personagens manifestamente anticlericais pelo Papa Francisco, como é o caso de Mário Soares, como se ali estivesse o anjo vingador de todas as por eles consideradas infâmias da Igreja Católica a que agora preside.
Para não ficar ao lado de tão honorável tradição, António Costa tem já o seu sacerdote de serviço, de seu nome António da Nóvoa. Nóvoa é candidato a candidato presidencial pelos socialistas, em nome de uma «nova política», advento das boas-venturanças que certamente revelarão também o «homem novo» cheio de consciência social e soldado da cruzada contra o «capitalismo selvagem», apóstolo de um «forte Estado Social» pleno de amor e devoção ao próximo. Foi isto mesmo que ontem transmitiu aos congressistas do PS, com a sua voz pautada e vagarosa de claustro de seminário e homilia de província. Que Deus os inspire em tão árdua tarefa!
Usar as mortas
Decidiram, no partido do prisioneiro 44, enumerar uma lista de mulheres que morreram, vítimas de violência domestica. Telenovela rasca. É ao que vêm, claro, à total ausência de decência e respeito destas desgraçadas, usando os seus nomes para uma aclamação pantomineira.
Pessoalmente gostei muito. Costa também vai acabar com a violência doméstica. Não era sem tempo. Força, camarada, força.


















