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Vamos a jogo

30 Novembro, 2014

Costa só tinha uma coisa a fazer; teimoso, fez o contrário. Pode ganhar as eleições na mesma mas, e que se lixe, a única coisa que vai conseguir é adiar o fecho da era bancarrotária até ao julgamento – formal ou não – de Sócrates. O que Costa fez, ao encher a equipa com fiéis do culto macabro, foi centrar todo o programa eleitoral na libertação do cérebro da bancarrota, a tal que a ocorrer sem acusação e prova de inocência originará um desejo explícito do partido em obter justiça popular através do voto.

Boa sorte: não faltam chanfrados nos blocos, livres e sindicatos de 6 sócios desta vida para vos fazer a vida negra. Já vos terá ocorrido que se os portugueses quisessem eleger a Catarina Martins ou o Rui Tavares já o teriam feito sem necessitar da recauchutagem new age e corte de cabelo hipster com Cunhal, Carvalhas e Jerónimo de Sousa? Provavelmente, até ocorreu. Para mim é bluff: vamos a jogo.

Mas ele diz que é inocente…

28 Novembro, 2014

Duarte Lima condenado a 10 anos de prisão, apesar de se dizer inocente. Isto é o fim do regime. No mínimo, uma cabala.

Sugestão para evitar prisão: ir para o aeroporto; lá não se deve prender ninguém.

O que é a justiça? II

28 Novembro, 2014

José Sócrates: “Ai fui eu que aprovei isso!?”

O ex-primeiro-ministro desabafou perante um responsável da prisão que para ter acesso ao cartão do recluso com o dinheiro que pode gastar e os dez números de telefone para onde pode ligar eram necessárias “muitas burocracias”. Em resposta, esse elemento mostrou-lhe o decreto-lei do regulamento geral das prisões e o Código de Execução de Penas, chamando a atenção para a assinatura no documento e disse: “Foram aprovadas por si.” Sócrates ainda gracejou: “Ai fui eu que aprovei isso!?”, contou ao DN fonte prisional.

Argumentário para todos os dias, horas e situações

28 Novembro, 2014

Certamente que deter um ex-primeiro-ministro na manga de um aeroporto a uma sexta-feira à noite e andar a passear com ele por Lisboa durante dias à vista dos flashes e das câmaras televisivas não contribuiu em nada para a seriedade dos procedimentos judiciais – aliás, suspeito mesmo que tenha havido aqui um desejo retorcido de humilhar o homem perante o país, condená-lo na mesa do café e no sofá de casa.

Porquê questionar apenas a manga do aeroporto, a sexta-feira à noite e as deslocações em Lisboa? Por mim tenho questões para todos os dias da semana e fases do dia:

Certamente que deter um ex-primeiro-ministro num sábado numa sala de cinema quando o filme (francês) ainda ia a meio e obrigá-lo a pernoitar nas precárias instalações do TIC para que esse momento não fosse assinalado pelos flashes e as câmaras televisivas não contribuiu em nada para a seriedade dos procedimentos judiciais – aliás, suspeito mesmo que tenha havido aqui um desejo retorcido de desvalorizar o cinema francês e humilhar o homem perante o país, condená-lo na mesa do café e no sofá de casa.

Certamente que deter um ex-primeiro-ministro no meio da rua a um domingo à tarde e em seguida distribuir fotos oficiais dele a ser transportado não contribuiu em nada para a seriedade dos procedimentos judiciais – aliás, suspeito mesmo que tenha havido aqui um desejo retorcido de humilhar o homem perante o país, condená-lo na mesa do café e no sofá de casa.

Certamente que deter um ex-primeiro-ministro na sua própria casa a uma segunda-feira de manhã e em seguida levá-lo para o TIC onde nunca mais foi visto pelos flashes e as câmaras televisivasnão contribuiu em nada para a seriedade dos procedimentos judiciais – aliás, suspeito mesmo que tenha havido aqui um desejo retorcido de humilhar o homem perante o país, condená-lo na mesa do café e no sofá de casa.

Certamente que deter um ex-primeiro-ministro a uma terça-feira antes de almoço e levá-lo de mota com um capacete enfiado na cabeça para andar a passear com ele por Lisboa durante dias à vista dos flashes e das câmaras televisivas não contribuiu em nada para as boas relações com o presidente francês nem para a seriedade dos procedimentos judiciais – aliás, suspeito mesmo que tenha havido aqui um desejo retorcido de humilhar o homem perante o país, condená-lo na mesa do café e no sofá de casa.

Certamente que deter um ex-primeiro-ministro enquanto corria à beira do Tejo numa quarta-feira de manhã cedo  e obrigar a que o inquérito não pudesse prolongar-se para lá das 19h de modo a que o detido não tivesse de andar a passear por Lisboa durante dias à vista dos flashes e das câmaras televisivas não contribuiu em nada para a seriedade dos procedimentos judiciais – aliás, suspeito mesmo que tenha havido aqui um desejo retorcido de humilhar o homem perante o país, condená-lo na mesa do café e no sofá de casa.

Certamente que deter um ex-primeiro-ministro  numa quinta-feira a horas não divulgadas num local desconhecido e levá-lo para local desconhecido para que fique preservado circo mediático e não tenha de andar a passear por Lisboa durante dias à vista dos flashes e das câmaras televisivas não contribuiu em nada para a seriedade dos procedimentos judiciais – aliás, suspeito mesmo que tenha havido aqui um desejo retorcido de humilhar o homem perante o país, condená-lo na mesa do café e no sofá de casa.

Descubra as diferenças

28 Novembro, 2014

Naquele bairro cheio de famosos, onde tem casa o ex-presidente Nicolas Sarkozy, ninguém esperava encontrar um ex-primeiro-ministro ao balcão de um modesto café frequentado sobretudo por apostadores de corridas de cavalos. Um ex-primeiro-ministro que era visto a correr às oito da manhã e, depois, aparecia no Le Diplomate, ainda de fato de treino, para tomar dois cafés curtos “como um de nós”, ainda se espanta Ângela Cesário, há 31 anos em França. Ângela e o marido, Duarte, têm uma empresa de reparações, ao virar da esquina. Quando o político quis fazer obras na casa de banho, foi a eles que recorreu. “Calha bem, são portugueses!”, terá comentado, porque falava mal francês. E, logo ali, se marcou uma ida ao seu apartamento, “simples, sem os luxos que se veem no bairro”.

Poucos meses depois José Sócrates apresentava uma dissertação ou tese redigida em francês.

O diferente

28 Novembro, 2014

Dia sim dia não são presos padres acusados de pedofilia. A Igreja não pede um tratamento especial e diz confiar na justiça.

Dia sim dia sim são detidas pessoas acusadas de corrupção. Os próprios e os seus advogados  preparam a respectiva defesa.

José Sócrates foi preso. Está a ter um tratamento prisional de excepção que os seus correlegionários nunca tolerariam se o visado não fosse um dos seus. Estes todos os dias criam factos e incidentes de modo a que rapidamente estejamos atulhados na discussão sobre a coincidência da data da prisão e o local da detenção (questões logo deixadas cair quando se percebeu que Sócrates sabia que ia ser detido), depois sobre a violação do segredo de justiça – já agora promovida por quem? – e depois sobre o que calhar. Porque é do sucesso desta criação de factos que resultará a legitimação diante da opinião pública do gorar da investigação.

O que estáem causa não é a justiça. Não é o regime. É sim a presunção por parte de um grupo de pessoas que partilham entre si a convicção de que não se lhes aplica nada  daquilo que defendem para os outros.

boas notícias no brasil

27 Novembro, 2014
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Joaquim Levy, um Chicago boy, à frente da Fazenda. Se Dilma, que finalmente parece ter compreendido que não entende patavina de economia, respeitar o novo ministro, pode ser que alguma coisa se componha.

fácil de resolver

27 Novembro, 2014
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Raramente vi caso judicial mais fácil de resolver do que o actual de José Sócrates. Se bem entendi, o antigo primeiro-ministro é suspeito de crimes de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal agravada, em virtude de depósitos bancários elevados, no montante aproximado de 20 e tantos milhões de euros, e por causa de uma suposta compra de um apartamento num dos bairros mais luxuosos de Paris. Sendo assim, quanto ao problema do dinheiro depositado, de duas três: ou esse dinheiro existe ou não existe. Se existir e se for de José Sócrates, bastar-lhe-á demonstrar a sua proveniência legítima (salários, heranças, a descoberta casual de um tesouro, euromilhões acumulado, etc.). Caso não exista, ou se existindo esse dinheiro não for seu, bastará demonstrar que nada tem nada a ver com tamanha maquia, passando o seu motorista a ter que explicar a mando de quem o recolhia e a quem o entregava. Já quanto ao apartamento de Paris, francamente luxuoso para um tão convicto socialista (mas essa é outra questão), também não lhe será certamente complicado demonstrar que não era o seu dono, se fosse apenas inquilino, ou que, caso o tenha adquirido, explicar a proveniência do dinheiro/crédito imobiliário com que o comprou. Para o primeiro caso existirão certamente contratos de arrendamento e transferências bancárias de rendas, enquanto que para o segundo bastará explicar como conseguiu os 2.8 milhões de euros que se diz ter a coisa custado. Teria, assim, sido muito mais interessante – e útil para Sócrates – que o seu comunicado de ontem tivesse explicado isto, em vez de se limitar a expor a requentada teoria da cabala política. No fim de contas, não são apenas os comunicados judiciais que são francamente inconclusivos…

Um país prodigioso

27 Novembro, 2014

O motorista de José Sócrates é defendido pelo escritório de Proença de Carvalho (que pelos vistos cobra 400 €/hora). Quando contactou o escritório, estes não sabiam de que assunto se tratava. Cândida Almeida quer uma rigorosa investigação ao segredo de justiça. O actual responsável pelo DCIAP não abriu a boca, e de resto ninguém sabe sequer o nome dele/dela. O ex-PGR Pinto Monteiro jantou com Sócrates na semana passada, e falaram de livros e viagens. Foi o 1º almoço a sós entre os dois de sempre. O ex-PGR já deu uma entrevista à RTP. A actual PGR não abriu a boca. Jorge Sampaio está preocupado com o país,  na semana não estava, ou pelo menos não disse nada. Proença de Carvalho e Maria de Lurdes Rodrigues debateram ontem na TSF a prisão de Sócrates. Uma foi recentemente condenada por prevaricação quanto era ministra de Sócrates, o outro é o chairman do escritório que defende o motorista. Ambos concordaram que a defesa de Sócrates tem pouca visibilidade nos media. Informação passada por advogado de Sócrates chegou ao Twitter ao mesmo tempo que o próprio Sócrates se queixa de violação do segredo de justiça.

Amanhã o Arménio Carlos está a explicar como o corte dos subsídios leva um homem a não se arrepender de cortar cabeças

27 Novembro, 2014

Dinamarca pagou subsídio de desemprego a 28 ‘jihadistas’ a combater na Síria

Ó senhor opinador amador, desapareça!

27 Novembro, 2014

Pronto, já passou tempo suficiente para toda a gente opinar sobre a prisão preventiva do doutor-engenheiro Sócrates. Agora parem de falar neste assunto que estão a gerar ruído. A defesa precisa de espaço mediático e de comentário para a sua própria estratégia; não vale a pena continuar a contaminar o país com opiniões do foro pessoal sem o aval profissional e que retire o espaço de defesa do acusado.

E entretanto também

27 Novembro, 2014

a propósito da reacção à sentença do polícia que matou Michael Brown temos tido direito às notícais habituais dos jornalistas que se vêem enquanto brancos-libertadores de negros-oprimidos . Sobre esta forma de ver a preto e branco Gabriel Mithá Ribeiro escreveu no Observador um texto muito interessante que o tumulto do fim-de-semana injustamente relegou para segundo plano: A nova colónia negra trancada no armário branco

Entretanto

27 Novembro, 2014

a cruz no escudo Real Madrid
rmadridescudo

vai ser retirada no Abhu Dhabi para não ofender os muçulmanos. É caso para dizer que Alá seja louvado por naquelas bandas serem monárquicos pois se assim fosse o Real Madrid ainda tinha de deitar fora a coroa e deixar de ser Real e quiçá passar a Atlético.

TwittSocras

26 Novembro, 2014

Apesar das dúvidas suscitadas pelo estilo pitoresco do advogado João Araújo, é reconhecido o interesse do profissional pelo funcionamento das instituições europeias, visto aqui a participar na iniciativa TwittPE da então eurodeputada Edite Estrela, iniciativa que consistia em levar pessoas do povo com conta na rede social Twitter a Bruxelas para perceberem o funcionamento… er… das coisas. Não que tenha mal, as instituições europeias são coisas fascinantes. O ano de 2012 foi particularmente bom para esta iniciativa, que contou com a participação de outros notáveis do Twitter como Carlos Zorrinho, José Junqueiro, Henrique Monteiro e o saudoso João Pinto e Castro.

twittpe2012

Fatal

26 Novembro, 2014

O momento ao minuto 2.15 em que a entrevistadora adopta aquele tom enfático-paternal que nos aterra quando o ouvimos ser utilizado pela primeira vez em relação a alguém da geração dos nossos pais.

Tudo o que hoje foi perguntado a Mário Soares não é eticamente condenável.

Ele foi a Évora por sua vontade e disse o que quis.

Tal como disse o que quis à TVI.

E na verdade não disse nada que nunca tenha pensado. Para Soares aquilo a que ele chamou e chama democracia foi e é um regime em que os polícias de facto  não tocam em socialistas

Mas seja como for acho que há um princípio nestas coisas: não entrevistes os pais dos outros em circunstâncias em que não gostarias que entrevistassem os teus

Uma vez na vida o PS deve concordar com Cavaco

26 Novembro, 2014

O presidente da República considerou, esta quarta-feira, que a detenção do ex-primeiro-ministro José Sócrates não irá afetar a imagem de Portugal, sublinhando que quem observa o país verifica que as instituições “estão a funcionar com toda a normalidade”

Suponhamos que o actual PR alinhava pela escola Sampaio e convocava eleições?

A propósito de discriminações

26 Novembro, 2014

Estranho que aos socráticos e respectivos compagnons de route não ocorra discutir a óbvia discriminação constituída pelo facto de se ter aberto uma excepção para Sócrates estar numa cadeia destinada a magistrados e forças de segurança. Acrescento já que concordo com essa excepção mas sei bem que caso o detido fosse do CDS ou do PSD a esta hora já estariam convocadas manifestações pelas forças vivas do costume e com a presença dos notáveis do costume para protestar contra o tratamento de favor e os privilégios. Essa decisão serviria obvia e claramente para mostrar a parcialidade do juiz Carlos Alexandre. Depois estranho mais ainda que Mário Soares tenha visitado José Sócrates apesar de este não ser dia de visita. Goste-se ou não – eu não gosto – Portugal continua a ser o país em que Cavaco Silva, então primeiro-ministro, não visitou o pai no hospital porque não tinha consigo o Bilhete de Identidade e como tal um segurança não o deixou entrar. E é o país em que Mário Soares, então Presidente da República, visitou na Tunísia um  antigo primeiro-ministro italiano fugido à justiça do seu país, e agora não sei a que título visita uma pessoa que está detida num dia em que tal não é permitido aos demais.

Correcção: A visita desta quarta-feira de Mário Soares a José Sócrates, na cadeia de Évora, foi autorizada ao abrigo do artigo que permite aos reclusos preventivos em regime comum receberem visitas, sempre que possível todos os dias, indicam os serviços prisionais. Em resposta às questões enviadas pela Lusa, a Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais avançou que o nome de Mário Soares “consta, na qualidade de amigo, da lista de visitantes apresentada, conforme o legalmente previsto, pelo recluso”. Desta forma, explica, a visita de Mário Soares foi “previamente solicitada e autorizada ao abrigo do disposto no nº 1 do art.º 222º do Regulamento Geral dos Estabelecimentos Prisionais”.

Ainda bem que este artigo existe e ainda bem que Sócrates pode usufruir dele ( e espero que todos os outros presos em preventiva) Mas repito: caso o detido fosse do CDS ou do PSD a esta hora já estariam convocadas manifestações pelas forças vivas do costume e com a presença dos notáveis do costume para protestar contra o tratamento de favor e os privilégios.

O que é a justiça?

26 Novembro, 2014

Sou sensível ao que o Joaquim Sá Couto escreve aqui. Nos últimos 20 anos já vi a posição dominante sobre os direitos dos arguidos oscilar entre “há um excesso de garantias” e “há violação das liberdades fundamentais”. Entre “estamos a condenar inocentes a dias de prisão” e “o Duarte Lima não está preso porquê?”. Estas questões colocam-se a propósito de figuras públicas com quem o parte da opinião pública tem empatia, mas não com acusados desconhecidos de tráfico de droga, roubo, fraude fiscal, pequena corrupção, etc.

É evidente que há uma excessiva subjectividade nestas análises, e por isso é que o pêndulo oscila, dependendo de quem são os acusados, dos crimes e da memória, sempre curta, de casos idênticos.

Há uma forma de eliminar essa subjectividade, através de um véu de ignorância entre o legislador e a sua posição social futura. Imagine-se que as leis são feitas por uma Assembleia cujos membros desconhecem a sua posição na sociedade para a qual estão a legislar. Imagine-se que após a definição das leis, a posição social social dos legisladores  é sorteada (e eles sabem disso desde o início do processo). Uns tornam-se ricos e talentosos. Outros pobres ou com dificuldades físicas ou cognitivas. Este processo legislativo força os legisladores a escolherem leis mais justas, sem serem afectados pela subjectividade da sua posição social (que é desconhecida no momento em que as leis são feitas).

Curiosamente, este caso Sócrates é o que mais se aproxima deste ideal de justiça. A última alteração ao código de processo penal foi em 2010 e tem a assinatura do Primeiro Ministro José Sócrates Pinto de Sousa. Não consigo imaginar nada mais justo do que um homem ser processado pelas regras que ele próprio considerou justas para os outros.

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O QUE ESTÁ EM CAUSA: CRISE DE REGIME. PROBLEMA DAS INSTITUIÇÕES. EVENTUAL VIOLAÇÃO DO SEGREDO DE JUSTIÇA. PODIA LÁ SER OUTRA COISA?

26 Novembro, 2014

PRIMEIRO FOI UMA CRISE DE REGIME:

FÓRUM TSF: Detenção de José Sócrates

A detenção do antigo primeiro-ministro deu força a um debate, em que se associa a queda do BES e o caso dos vistos dourados: Podemos falar em crise do regime? O que espera do comportamento da justiça e dos partidos? Como é que estes casos influenciam a forma como olhamos o funcionamento do Estado?

DEPOIS TORNOU-SE UM PROBLEMA DAS INSTITUIÇÕES:

FÓRUM TSF: José SócratesAs suspeitas que recaem sobre José Sócrates, que ficou em prisão preventiva, têm consequências políticas? De que forma é que este caso afecta o PS? Este caso influencia a forma como olha o funcionamento das instituições do Estado?

HOJE JÁ TEMOS ALGUÉM A QUEM AVALIAR: A JUSTIÇA E A COMUNICAÇÃO SOCIAL. ALÁ SEJA LOUVADO!

FÓRUM TSF: O caso Sócrates

O Ministério Público abriu um inquérito para apurar a eventual violação do segredo de justiça. Como avalia a atuação da justiça e o comportamento da comunicação social? E como avalia a forma como os partidos estão a lidar com o caso Sócrates?

Castas pouco conhecidas

26 Novembro, 2014
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Partidos impedem pela quarta vez revogação do estatuto dos funcionários parlamentares

Este é um tema que faz sempre a unanimidade do Parlamento. Estamos a falar de uma casta de funcionários dinástica, que se iniciou em 1975 e já terá elementos da 3ª geração. A subserviência dos deputados aos seus interesses tem sido uma constante, vá lá saber-se porquê…

E daí?

26 Novembro, 2014

Ondas de choque da detenção de Sócrates:

a)  António José Seguro é definitivamente um homem com azar no que aos calendários respeita. Tivesse a detenção de Sócrates acontecido alguns meses antes e António José Seguro continuaria como líder do PS.

b) Por ironia do destino, Costa, levado quase em ombros pelos históricos do partido, pode vir a ser o líder a quem cabe a espinhosa tarefa de explicar aos socialistas que na República não há partidos mais iguais que os outros e que denunciar a corrupção no PS não é uma afronta nem uma traição.

c) Basta seguir o calvário vivido em Espanha por Rajoy com Barcenas, o ex-tesoureiro do PP detido há algum tempo, para perceber o risco para o PS que advém de alguns dos arguidos tentarem desresponsabilizar-se alegando cumplicidades do partido.

d) A vantagem que a actual situação traz a António Costa é que tem aqui o motivo mais que suficiente não para apagar pessoas das fotografias, mas para as tirar da sua equipa, que em boa verdade é quase uma equipa de Sócrates sem Sócrates.

e)  Curiosamente esta crise pode ter trazido ao PS aquilo que lhe estava a fugir: um bom candidato presidencial. Com Sócrates passado à situação de “não está nem se espera” no Largo do Rato, Guterres sentir-se-á muito mais à vontade para dizer sim a uma candidatura presidencial onde o seu maior obstáculo eram os sectores jacobinos do PS, sectores esses que preenchem boa parte do universo socrático.

f) Os “E daí?” (grupo que durante anos e anos de cada vez que se questionava a actuação de Sócrates respondia sobranceiramente com um “E daí?”) continuam a andar à procura de alguém a quem, uns mais reverendos e outros mais obrigados, possam venerar. Ou na falta dele alguém a quem possam perguntar como fizeram a Rui Mateus quando este denunciou o caso Emaudio: “Então, como é que se sente na pele de um traidor?”

Maquilhagem à noite com a luz apagada

26 Novembro, 2014

dislexia
Continua a ser fascinante observar que defensores da inversão do ónus da prova na proposta de lei do enriquecimento ilícito se manifestem repugnantemente indignados com o risco para a presunção de inocência decorrente de prisões preventivas.

É melhor não fechar o inquérito

25 Novembro, 2014

O Ministério Público abriu um inquérito para apurar se existiu ou não violação de segredo de justiça durante a investigação que levou à detenção de José Sócrates.

É que entretanto aconteceu uma outra fuga de informação. E essa a não ser que s e esteja num caso de pirataria está devidamente identificada: Alda Magalhães Telles (segundo o SOL casada com João Araújo, advogado de José Sócrates)  colocou ontem à noite na sua conta do Twitter uma informação sobre os interrogatórios aos quatro arguidos: “Curioso, durante todo o interrogatório os arguidos não foram nunca confrontados com um único facto concreto de corrupção. #oops”, escreveu Alda Telles

Face ao problema com a reputação dos arguidos

25 Novembro, 2014

que agora atacou estrénuos combatentes contra a corrupção proponho que no caso dos alegados corruptos serem socialistas se devia adoptar como lema este conselho do David Dinis:  a investigação decorria em sigilo, não se perguntava nada, depois alguém ligava ao suspeito e dizia-lhe: olhe, o meu amigo foi ontem julgado por corrupção e foi considerado culpado.

É mesmo verdade, o regime está podre

25 Novembro, 2014

Há uns anos prenderam preventivamente um primo meu que matou o pai enquanto ouvia uma canção dos The Doors. Isto alegadamente, já que ninguém conseguiu encontrar o álbum. Bem, prenderam o meu primo porque havia risco de fuga, aliás confirmado por uma das moças que trabalhava para ele no bar selecto que tinha para os lados de Quintanilha; risco de fuga associado a uma ideia fixa que ele tinha desde pequenino, que eu lembro-me bem de ele o dizer já quando incendiávamos cães vadios motivados pelo excesso de tempo livre quando a escola era só de manhã e o professor não nos escolhia para explicações individualizadas ao colo durante a tarde, que consistia em dormir com a mãe sem o pai estar ali a incomodar, visto que era um senhor muito peludo.

Foi preso preventivamente e, inadvertidamente, acabou por ser acusado de matar um guarda prisional, que apesar da mania de dizer “graças a Deus” por tudo e por nada, até era boa pessoa mas desastrada, já que tropeçou no pé do meu primo e caiu na bigorna guarnecida com picos em chamas esquecida das filmagens de um filme snuff que o meu primo tinha rodado no pequeno-almoço comunal anterior. O meu primo nem nunca foi pessoa particularmente violenta, mesmo nos combates organizados entre claques de futebol, uma actividade recreativa como qualquer outra das patrocinadas pela junta de freguesia e que acabou por lhe valer a alcunha de Triturador; como dizia, não é violento, é só feitio, já que é um tipo assim para o aguerrido, combativo, mas um doce de pessoa com um sentido de humor muito corrosivo, como aquela suástica tatuada na testa demonstra a quem conhece o que lhe vai no coração.

Nós bem tentamos, apelamos, escrevemos muitos artigos e até conseguimos demonstrar aos vizinhos que havia uma agenda escondida na justiça e que esta consistia em usar o caso mediático do meu primo para ocultar a bandalheira que havia no quiosque da Dona Fernanda correspondendo ao tráfico de cromos contrafeitos do Euro2004. Essa vergonha e aquele caso do Arménio que continuava presidente do rancho folclórico quando toda a gente sabia que o Arménio tinha comprado cromos no quiosque para a caderneta da filha. Isso não queriam eles que se andasse a divulgar, por isso incriminaram o meu primo, só porque ele bebeu o sangue do pai, uma prática comum em vampirismo, que, como se sabe, não é crime. E a necrofilia também não é crime, o guarda já estava morto e estava, que diferença fazia esperar mais um bocadinho para embalsamar o corpo?

O meu primo foi até considerado o Nelson Mandela de Moimenta, na luta pela liberdade e justiça num país dominado pelos lóbis dos poderosos como o Arménio, que por ter três vacas já se acha mais importante do que as pessoas que têm que ganhar a vida a alugar gajas num bar. É por isso que eu não acredito na justiça e acho que o regime está podre.

Saudades do tempo em que as pessoas eram levadas discretamente?

25 Novembro, 2014

Mário Soares: “Sábado o país foi confrontado com um acontecimento que deixou todos os democratas imensamente preocupados. O que foi feito a um ex-primeiro-ministro com um enorme aparato lesivo do segredo de justiça não pode passar em vão”, escreveu esta terça-feira Mário Soares na coluna de opinião que escreve no Diário de Notícias,  “O tempo e a memória”.

O ex-presidente da República e figura histórica do Partido Socialista também aproveitou o espaço no diário para apontar o dedo à comunicação social e ao “espetáculo mediático” que tem feito, ao violar, também ela, o segredo de justiça. Mário Soares refere-se à revelação dos factos que só deveriam ser conhecidos quando o juiz se pronunciasse. “Independentemente do que está em causa e da separação de poderes entre a política e a justiça”, escreveu.

Condenação

25 Novembro, 2014

Depois de alguns dias em frente a uma garagem seguir-se-ão alguns dias em frente a uma prisão. Primeiro vão dilatando o horário de almoço, depois, um a um, deixam de ir. A prisão passa a ser a mesma de sempre, sem repórteres acampados, silenciosa no exterior exceptuando a hora das visitas, a que é frequentada por todo o tipo de pessoas cuja luta de classes se resume à tentativa de passar mais ou menos droga pela revista dos guardas. Um a um vão sumindo os dedos dos irredutíveis que se prendem ao penhasco que é o delírio da negação. Nesse dia, lá para sexta-feira, Sócrates estará condenado: condenado a ser uma mera menção embaraçosa na história do Partido Socialista.

Um dia, quando for ilibado ou condenado judicialmente, lá estará um ou outro repórter estagiário a cobrir a coisa, sem grande interesse para o público em geral. Restará um ou outro maluquinho, daqueles que outrora se queixou da “direita”, a “maldita direita”, os bandidos que não paravam de falar em Sócrates. Porque tinham medo, porque eram obcecados, talvez até frustrados. Chegará a paz desejada: já não haverá ninguém para falar de Sócrates.

Porque não falam de Sócrates?

República de Juízes

24 Novembro, 2014

joaquim

A crise do regime

24 Novembro, 2014

Receber luvas, favorecer este ou aquele, traficar influências, realizar negócios ruinosos para o contribuinte, isso é o regime.

Ser investigado, detido ou condenado, isso é a crise do regime.

Está correcto: a justiça põe em causa o regime. Salvem o regime: acabem com a justiça.

Exactamente

24 Novembro, 2014

Alberto Gonçalves: A esquerda lamenta diária e ancestralmente a corrupção e a pouca-vergonha que por aí vão. Mal se engaveta o “eng.” Sócrates, a mesma esquerda mostra-se desconfiadíssima da Justiça e, em pânico, profetiza a derrocada do regime e do sistema solar. Se calhar o melhor era prender o Cavaco e não se falava mais nisso.

Fogo sobre o quartel general

24 Novembro, 2014

Sobre a prisão de Sócrates – Contra-revolução em marcha

Como é sabido, o PCTP/MRPP nunca morreu de simpatias por José Sócrates e pelo seu governo, um dos piores que o país teve.

Mas não é isso que agora está em causa, quando a Polícia Judiciária, pela mão de famigerados justiceiros como Rosário Teixeira, com a cobertura de agentes do Ministério Público e de juízes como Carlos Alexandre, depois de ter abortado prematuramente a Operação Labirinto no caso dos vistos gold, permitindo que Miguel Macedo e outros altos quadros do Estado, do governo e do PSD pudessem escapar à prisão; depois de deixar à solta Ricardo Salgado, chefe do maior gang de gatunos e financiador das campanhas eleitorais de Cavaco e do PSD, e de não tocar em Paulo Portas e Durão Barroso, a mesma PJ e ministério público decidem precisamente prender uma importante figura do Partido Socialista, com quem os actuais dirigentes do PS mais se identificam politicamente.

Isto não sucede, obviamente, por acaso e segue-se a anteriores operações de assassinato político contra altos dirigentes do PS, como foi o caso de Ferro Rodrigues e, mais recentemente, com a aplicação de pesada pena de prisão a Armando Vara.

O PCTP/MRPP considera que a actuação da Polícia Judiciária, do ministério público e da polícia política (as secretas SIRP e CIS, que são quem, em boa verdade e na sombra mandam de forma incontrolável) é apenas orientada para atingir e perseguir os partidos de esquerda e consolidar o poder do actual governo e coligação de traição nacional PSD/CDS, impondo-se, por isso, a adopção de medidas urgentes e radicais em matéria de composição dos Conselhos Superiores da Magistratura e do Ministério Público e das polícias políticas para travar o golpe de estado em curso.

Por último, o PCTP/MRPP não pode deixar de denunciar o facto de o presidente da República estar a colaborar objectivamente com aquele plano, pois fecha os olhos e deixa passar uma situação que é, para todos os efeitos, de manifesto irregular funcionamento das instituições democráticas e de crise constitucional, e se recusa a usar dos seus poderes para dissolver a Assembleia da República e marcar logo as novas eleições legislativas, que dê uma nova oportunidade à democracia constitucional.

Lisboa, 22 de Novembro de 2014

A Comissão de Imprensa
do PCTP/MRPP

E de repente

24 Novembro, 2014

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Após semanas e semanas a assistirmos ao desfile dos advogados betos, vestidos de betos e muitos com apelidos que se mantêm nas lombadas dos livros de Direito desde que Salazar estudava em Coimbra ou que já tiveram os paizinhos na crise académica de 1962 eis que surge esta personagem a procurar situar-se nos antípodas.

marquês

23 Novembro, 2014
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Marques_de_Pombal

tricéfala

23 Novembro, 2014
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tricefaloA Convenção do Bloco de Esquerda acaba de eleger, pelo expressivo resultado de 259 votos, uma Coordenação tricéfala. Um destes dias, serão mais os coordenadores do que os eleitores.

O mundo do óbvio

23 Novembro, 2014

Como é que sendo agora tão óbvio que Sócrates tinha estado envolvido em X e em Y, que ostentava uma vida que os seus rendimentos não explicavam que isto assim e aquilo assado também se considerou óbvio há menos de um mês  que o PR o devia condecorar?

Prenderam um Jim Jones, e agora?

23 Novembro, 2014

Ontem, num daqueles programas de televisão que não são bons, como os de debate entre pessoas cuja divergência de opinião é inexistente e a coincidência tão previsível como irrelevante, alguém cuja profissão é emitir opinião mainstream indistinta e a velocidade de cruzeiro dizia que a detenção de Sócrates não tinha sido assimilada pelas pessoas, ainda, de tão chocante que é a detenção de um ex-PM.

Eu assimilei. Dado o número de casos em que o nome do indivíduo aparece e em conjunção com o seu permanente pavonear no espaço mediático, quer através de esbelta figura, quer por interposta apara de maquineta que o endeusou, era apenas uma questão de tempo até a exuberância de impunidade ser demais e a bolha rebentar. Trata-se do tipo que faliu um país, situação sempre aborrecida e que explica a aversão popular a pavões. É ligeiramente irritante para o tal de país real que uma pessoa que origina o maior ajuste de rendimentos no bolso do Zé continue a ter espaço dedicado ao onanismo com vista para o Sena, sem sinais aparente de contenção, como as pessoas normais fazem, ainda que de forma aparente que demonstre a capacidade de humanizar um ego dilatado e tão flutuante como passível de preencher qualquer buraco na camada de ozono.

O país parou porque prenderam um indivíduo suspeito de receber luvas? Acho que não, o país não parou e ninguém duvida da capacidade do ser em questão para aceitar luvas, quer tenha recebido, quer não tenha. Seria como duvidar que o tipo que se orgulha de dormir com a arma debaixo do travesseiro fosse capaz de matar a mulher por falta de sal no bife em dia de derrota do Benfica. Afinal, “eles não são todos iguais”? Afinal, não “era prender esta cambada”? Afinal, não era “preciso uma auditoria cidadã”?

Se Sócrates é culpado ou não isso nem sequer é relevante para a horda confusa de aparas do regime, que está muito mais preocupada com o como de que com o porquê. É a forma como o prenderam às 22h30 e houve tempo para uma câmara captar uma imagem duvidosa de um veículo qualquer numa rua perto da uma da manhã; é a forma como alguém eventualmente se esteve cagando para o segredo de justiça; é o como pode a figura sobreviver numa cama de palha enrolando a bijan como travesseiro numa prisão turca onde é sodomizado pelos guardas… perdão, este último como é do filme Expresso da Meia Noite, não do programa com o mesmo nome do canal que conseguiu filmar um carro numa estrada à noite.

O Partido Socialista tem que conseguir purgar culpas e expiar os seus pecados, nem que para isso tenha que deixar este Jim Jones uma ou duas noites à espera para ser ouvido antes de ser definitivamente libertado e considerado inocente. Alguém tem que dizer a esta figurinha e ao seu Templo do Povo que a farsa acabou, que ele é o sal na ferida. Ninguém tem mais a ganhar com o descrédito do tipo que o próprio Partido Socialista, que pode sair definitivamente do limbo. Se querem mesmo escolher uma teoria da conspiração, eu começaria por essa.

Sabem que dia é hoje?

22 Novembro, 2014

Dia Nacional do Engenheiro 2014

como findam os regimes

22 Novembro, 2014
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Depois das detenções de Ricardo Salgado e de José Sócrates, que puseram em cheque o sistema financeiro e o sistema político português (a ordem é arbitrária), seja qual for o rumo que os processos venham a tomar – e não se antevê que seja particularmente auspicioso para nenhum dos dois – o regime precisará de forças hercúleas para se salvar, ou ciclópicas, como dizia outra nossa personagem histórica de fim de regime, por sinal também ela transportada de carro no seu momento final. Se o PS e o PSD não perceberem este momento e não se entenderem rapidamente, não ficarão por cá muito tempo para verem o que lhe sucederá.

A culpa não é de Sócrates. É nossa

22 Novembro, 2014

Tema do meu artigo de hoje no Observador:Foram os políticos, e neste caso particularmente os do PS, ao pôr de lado a moral e ao centrar tudo no avanço da justiça, ou mais precisamente na sua capacidade de fazer arquivar os processos, quem sentou um dos seus, Sócrates, no banco traseiro daquele carro utilitário que o levou do aeroporto até ao DCIAP. E foram os portugueses, enquanto eleitores, sancionando o comportamento de Sócrates, dando-lhe a vitória em 2009, quem depositou Portugal na mão das polícias e dos juízes.

o infante de portugal

22 Novembro, 2014
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Aí há uns meses, porque a filha de D. Juan Carlos, a Infanta Cristina, foi indiciada num processo judicial de corrupção e branqueamento de capitais, alguma esquerda portuguesa reclamou, mesmo antes de findo o processo e confirmadas, ou não, as suspeitas que recaiam sobre a princesa, o fim da monarquia espanhola. Agora que recaem sobre um recém ex-primeiro-ministro de Portugal idênticas suspeições, também pretendem o fim da nossa república?