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Direito à greve e liberdade de associação

23 Dezembro, 2014

O direito à greve não é na realidade um direito. Para começar, trata-se de uma opção irrenunciável. Por ser irrenunciável viola a liberdade de os trabalhadores se associarem a empresários para constituírem unidades de produção, com vantagens mútuas, em que os trabalhadores se comprometem a assegurar a produção sem quebras.

direito e greve

22 Dezembro, 2014

Num nundo  que se diz cada vez mais da imagem, ainda assim as palavras tem o seu peso e significado definidor. Rodrigo Adão da Fonseca começa por dizer que «O direito à greve é um anacronismo nas sociedades atuais». Mas na verdade, creio bem que o seu artigo deveria ter começado mais corretamente por «A greve é um anacronismo nas sociedades atuais». É que tudo o que ele diz de seguida se refere sem excepção, não ao direito à greve, mas à realidade, sob o seu ponto de vista, da esmagadora maioria das greves que tem ocorrido recentemente.

O que são coisas substancialmente diferentes. Ler mais…

Liberal à americana ou beterraba à portuguesa

22 Dezembro, 2014

No meio de uma série de clichés metro-chique, roçando o sucedâneo e não a própria ova que é caviar, Rui Tavares conseguiu escrever um texto, que removendo as falácias, tem caracteres suficientes para caber num Tweet. Essa é parte positiva: quanto menos substância mais ar sobra para encher o balão dos Verdes do PS.

A parte negativa é esta:

Dizia Irving Kristol que “um conservador é um liberal que foi assaltado” (ao que Tom Wolfe respondia que “um liberal é um conservador que foi preso”).

Dediquemo-nos à primeira parte. Claro que as frases acima se aplicam principalmente à nomenclatura americana, onde “liberal” e “conservador” quer dizer, grosso modo, “de esquerda” e “de direita”. Mas, para o caso que nos traz a crónica, podemos usar liberal no sentido europeu, como defensor da primazia dos mercados desregulados na economia.

É claro que, para Rui Tavares, liberal à americana tem um significado. Também é claro que, para Rui Tavares, o significado oposto também serve para o que quer dizer. Até “beterraba” serviria, por oposição a “batata” ou até a “triciclo”. Poderia explicar as diferenças mas, sinceramente, e para Rui Tavares, não tenho paciência e seria um exercício fútil; seria até mais proveitoso explicá-las a uma parede ou às pérolas da Raquel Varela.

Dediquemo-nos então ao que Rui Tavares tentou fazer. Claro que as frases acima se aplicam principalmente à nomenclatura americana, onde “liberal” e “idiota útil” querem dizer, grosso modo, “de extrema-direita para o Rui Tavares” e “Rui Tavares”. Mas, para o caso que nos traz a crónica, podemos usar idiota útil no sentido europeu, como defensor do tachinho-a-ver-se-pinga-alguma-coisa-nas-próximas-eleições-senão-é-para-experimentar-já-de-outra-maneira-que-funcione.

é tudo nosso!

22 Dezembro, 2014
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Se a TAP é dele, mandem a conta ao Baptista-Bastos, o tal que se recusa a vender a companhia de aviação que lhe pertence. Para assegurar o pagamento da dívida, certamente não se escusará a oferecer como garantia real o imóvel lisboeta onde vive e que também é dele.

Slap in the face

22 Dezembro, 2014

A decisão do tribunal arbitral sobre serviços mínimos a efectuar durante a greve na TAP é a maior chapadona na cara que o governo podia levar. E mais do que merecida.  Aquilo que o governo alegadamente  queria preservar (transportes  à «dispora» e açores e madeira) é plenamente assegurado. O governo precipitou-se e recorreu a um instumento ilegal, ilegitimo e politicamente desastroso.

E colocou-se, voluntariamente, na desgraçada posição da sua «requisição civil» ser mero objecto de chacota, ignorada e desrespeitada.

a superioridade evidente da ética republicana

22 Dezembro, 2014
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A Princesa Cristina de Espanha, uma das Grandes do Reino, vai ser julgada por um tribunal comum do estado, acusada de fraude fiscal, por juízes vulgares que fazem «justiça me nome do povo», como se de uma simples plebeia se tratasse. A coisa tresanda a conspiração contra a monarquia, e toda a Família Real, o Pariato do Reino e o bom povo espanhol não podem estar senão indignados contra esta perseguição à fidalguia coroada espanhola. De resto, alguns Grandes de Espanha, Marqueses, Condes, Duques, Viscondes e Barões, já manifestaram o seu desagrado com o que se está a passar no Reino. O Marquês de Vigo afirmou que «a Justiça lançou uma bomba atómica sobre a democracia», o Visconde de Cáceres não tem dúvidas de que a Princesa é «uma mulher muito séria», o Barão de Badajoz põe «as mãos no fogo por ela» e o Duque de Albatroz, o decano da fidalguia castelhana, proclamou que isto «é tudo uma infâmia» e que «todo o Reino está contra esta bandalheira». Perguntado se via nestas declarações formas menos legítimas de pressão sobre o Estado de Direito Democrático, o Duque de Albatroz não escondeu o seu desagrado com a pergunta e respondeu: «O Estado de Direito Democrático somos nós, ora essa!».

Reacção dos jornalistas, entrevistados por jornalistas à saída da entrevista ao jornalista

22 Dezembro, 2014

Só queria relembrar que estamos num país em que o último primeiro-ministro está detido preventivamente por suspeitas de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais. Às vezes parece que esquecemos, com o folclore de entrevistas a advogados patuscos, com caravelas aéreas que não conseguimos pagar e com o “isto não se aguenta” trauliteiro da lixarada regimental dos socialistas de todos os partidos, todos bailarinos num ballet goês de simbiose entre a arte da dissimulação e o atrevimento da ignorância, deste facto tão singelo. Apaixonados pelo FMI, é o que é.

Ontem fui bombardeado com perguntas dirigidas a outras pessoas. Hoje presume-se que seja igual. “Então o Carlos Abreu Amorim já não é liberal?” – “isso não sei, sei que não foi preso por suspeitas de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais”; “Então o Carlos Abreu Amorim deu uma entrevista?” – “é provável, mas eu não sou o Carlos”; “Então, não há comentário sobre a entrevista do Carlos Abreu Amorim?” – “não fui eu quem entrevistou o Carlos”; “Como reagiu o Blasfémias à entrevista do Carlos Abreu Amorim?” – “com a normalidade própria do WordPress”; etc, etc. Aparentemente ninguém se lembrou de perguntar o que quer saber ao próprio Carlos, habituados que estão a respostas por interposto Abrantes. Perguntem-lhe, pá.

Só num país de socialistas de claque partidária alguém acharia que um blogue é um partido. Chega a ser cómica essa associação, mas, e muito felizmente, não só não é um partido como não é uma central de comunicação preocupada em limpar a imagem de um falidor condenado nas urnas e agora suspeito de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Como habitualmente, para as pessoas preocupadissimas com tudo excepto corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais, há a TSF e o canal do militante número um do PSD, aquele onde reside o Adão e Silva e com presença habitual do para-o-estado-tudo-que-seja-servico-público-excepto-para-mim do Daniel Oliveira. Já eu, eu respondo por mim e muitas vezes, principalmente em dia de jogo do FC Porto, nem isso.

Tendo em conta a disponibilidade para apresentar habeas corpus

22 Dezembro, 2014

revelada por alguns cidadãos portugueses recomendo vivamente que se preste atenção a este caso: ARGENTINA Importante precedente judicial en los derechos de los animales Conceden el hábeas corpus a Sandra, una orangután del zoo de Buenos Aires La justicia argentina determina que la privación de libertad es ilegal y califica a ‘Sandra’ como una persona ‘no humana’ con sentimientos y capacidad de tomar decisiones

a falácia do «liberalismo» bancário

21 Dezembro, 2014
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O problema das falências bancárias é que deixam os depositantes que neles confiaram, convencidos que entregavam o seu dinheiro a entidades sólidas, seguras e de confiança, sem o valor dos seus depósitos, muitas vezes eles também falidos e desgraçados, sem qualquer responsabilidade no que sucedeu ao banco. Ora, a culpa disto decorre da existência de um mercado financeiro «liberalizado», «desregulado» e a agir à margem do estado, que anda por aí a enganar os clientes, como os socialistas de todos os partidos não se cansam de pregar, ou, pelo contrário, será antes consequência de um modelo bancário hermeticamente fechado, que funciona completamente à margem das regras de mercado, ancorado por instituições estaduais que garantem a sua suposta solvibilidade e segurança? Nos casos do BPN, do BES, do BPP e noutros, em quem acreditavam os depositantes e por que razão entregavam eles as suas economias a estas empresas financeiras? Por causa dos belos olhos do Sr. Ricardo Salgado, ou das qualidades morais e empresariais do ex-Conselheiro de Estado Dias Loureiro ou do antigo Secretário de Estado das Finanças Oliveira Costa, ou porque o Banco Central do Estado Português garantia, a montante a a jusante, que o sistema bancário português estava sólido e firme como um penedo? E a ganância desses senhores é bem sucedida por eles dirigirem empresas de sucesso num mercado de livre-concorrência, ou porque eles se movimentam num sistema cartelizado, no qual muito poucos entram, invariavelmente vindos e cruzando relações e influências espúrias com a política, o governo e o estado? Por outras palavras, quem atesta a segurança de um banco? Um mercado livre e concorrencial, onde qualquer empresário se pode estabelecer oferecendo serviços bancários que os clientes escolhem livremente, ou o estado português, que dirige um sistema bancário baseado em regras por ele criadas, com índices de solvibilidade por ele fixados, com regras de concorrência criadas e fiscalizadas pelo Banco Central, com taxas de juro e políticas de crédito instrumentalizadas pelo governo para promover o «bem-estar social», e com financiamentos ruinosos à dívida pública e aos programas do governo para «incentivar» a economia e o emprego? E quem garantiu, na recente crise do BES, a quinze dias dele estoirar, que o banco era seguríssimo? O dito «mercado» ou o Presidente da República Portuguesa, o Primeiro-Ministro, a Ministra das Finanças e o Governador do Banco Central do mesmo país?

Por fim, para se entender um bocadinho por que razão é tão falível o sistema financeiro e bancário da maior parte das sociedades em que vivemos (e para percebermos porque é que nem todos os bancos fazem do crédito a sua principal actividade…) e por que razão isso nada tem a ver com uma economia de mercado, mas, pelo contrário, com a instrumentalização dessa actividade económica pelo «estado forte» que os socialistas de todos os partidos tanto ambicionam, fica aqui este excelente artigo de Murray Rothbard, de leitura muito recomendável para se evitarem certos disparates.

Pois…

21 Dezembro, 2014

«After all, these 50 years have shown that isolation has not worked.  It’s time for a new approach.» (Obama sobre Cuba, 17/12/2014)

«President Barack Obama said on Thursday he had signed into law a new Russian sanctions bill» (17/12/2014)

conversões

21 Dezembro, 2014
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Depois do Pedro Arroja, muitos anos depois, também o Carlos Abreu Amorim concluiu que, afinal, não é liberal e que «o estado tem que ter força». Os peregrinos de Fátima que se cuidem.

Se não for muito pedir

21 Dezembro, 2014

importa-se de ficar com a minha parte da TAP? Já agora eu prefiro uma companhia que não seja minha mas que não faça o que define como “greve que protege os emigrantes e o país”. Se isto é uma “greve que protege os emigrantes e o país” nem quero imaginar o que será uma greve que não protege os emigrates nem o país!

Ou quiçá não proteger ” os emigrantes e o país” é termos uma companhia que  faz os voos para os quais vendeu os bilhetinhos e em função dos quais as pessoas marcaram os seus compromissos. Isso sim é que será não proteger ” os emigrantes e o país” mas convenhamos que mesmo que isso me transforme numa traidora à pátria prefiro mesmo uma companhia que seja dum capitalista qualquer e que alheio à defesa do país e à protecção devida aos emigrantes voe nas datas marcadas.

A história das nossas vidas contada ao povo e às crianças

21 Dezembro, 2014

Todos os dias esta ladainha é repetida. É simples: basta escrever uma coisa e o seu contrário.

As pessoas drogam-se porque o capitalismo produz um excesso de sensações e a droga surge-lhes como o interdito numa vida em que a esperança não tem lugar.

As pessoas drogam-se nestes tempos de crise porque precisam de escapar a um quotidiano em que a esperança não tem lugar.

As pessoas divorciam-se porque no capitalismo tudo é fugaz. Não existe o valor dos compromissos.

As pessoas divorciam-se porque a crise comprometeu os sonhos de uma vida a dois. Com a precariedade instalada não existe o valor dos compromissos.

As pessoas sofrem de excesso de peso porque as refeições oscilam entre o fast food na rua e os excessos em casa. Perderam-se os saberes e os equilíbrios de outrora.

As pessoas sofrem de excesso de peso porque com a crise comem muito fast food e deixaram de fazer uma alimentação mais equilibrada. Perderam-se os saberes e os equilíbrios de outrora.

Orgasmo constitucional

21 Dezembro, 2014

Acordar então e fazer dos dedos uma arma simbólica para a explosão de prazer e de direitos que aqui se têm e ali, mesmo ali, o silêncio esconde numa dor que tem de ser coletiva. Porque é coletiva.

O constitucionalismo é, por definição, orgasmático. As múltiplas interpretações, a emoção pautada pelo voto vencido que faz escorregar o dedo no interior da toga, a ciência do dedo que encontra o seu caminho para o socialismo universalista e clitórico da noite anterior, record mundial, gang bang laboral de igualdade salarial, a frase sem verbo, o verbo sem substância de substantivo adjectivado em modo, as reticências omitidas, idas, idas, o fluxo, menstrual, animal, neandertal, constitucional, social, dá-me um ideal, eu sou Portugal.

Em termos literários, Isabel Moreira reúne o consenso: é incenso para a falta de senso. Uma escrita pautada pela oligofrenia das palavras, ao vento, soltas, commando-style, debaixo da toga, arejadas e devidamente depiladas de artifícios arcaicos retentores de feromonas sentimentais. Em termos humanos, Isabel Moreira é melhor: tem pulso e genitais e não tem medo de os usar.

Recomendo então a leitura dominical de todo o artigo. Publique -se.

Já está agendado dia para Portas ir à comissão de inquérito do BES?

20 Dezembro, 2014

«Portas exigiu que BES integrasse consórcio que financiou compra dos submarinos»

Sem emenda

20 Dezembro, 2014

Este governo acredita mesmo que tem o poder de «requisitar» os cidadãos para trabalharem, queiram estes ou não. O simples facto de acreditarem que tal é possível é em si mesmo extraordinário, para além de claramente ser muito perigoso.
Creio que estão enganados no hemisfério onde vivem. Isto não é a China, nem Cuba.

Ver o Pires de Lima a tentar fazer o papel de Costa Martins e invocar o revolucionário e decrépito  decreto 637/74 de 30 de Novembro parece cena de ópera bufa. Vá lá que Pires de Lima não acusou os grevistas de estarem ao serviço da contra-revolução e do imperialismo como teria certamente feito Costa Martins. Todos no Conselho de Ministros se esqueceram que depoios daquele triste ministro e sua pandilha, houve uma Constituição aprovada, a qual tem uma certas regras sobre o assunto que conviria ler de vez em quando. Apenas para não fazerem cenas tristes destas, ok?

Claro que no meio disto tudo, ninguém tira alguns  bons momentos de humor bem conseguido (mais uma vez por Pires de Lima, o  homem anda em grande na patomina politica…).: «“Estamos a falar do Natal, não é uma altura qualquer. Se não fosse no Natal, a atitude do Governo poderia ser outra”». Sim, punham um nariz vermelho e passava a ser Carnaval…

zigue zague

20 Dezembro, 2014

Na verdade Poiares Maduro fez o mesmo que todos os seus antecessores: alterar ou substituir a contento próprio a direcção da RTP. Apenas foi por caminho mais complicado ao criar orgão intermédio para almofada de impacto.

As negociações concessionadas

20 Dezembro, 2014

Paulo Lino Rodrigues, piloto, consultor (da P. Rodrigues Consultores) mas não sindicalizado, foi o porta-voz dos sindicatos nas negociações sobre a greve.

proibir a entrevista foi um favor que lhe fizeram

20 Dezembro, 2014
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Lidas as oitenta e uma perguntas da entrevista proibida do Expresso a José Sócrates é a conclusão que se pode retirar.

Se tivermos em conta que há 40 anos era assim até que evoluímos qualquer coisinha

20 Dezembro, 2014

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alguém tem que nos defender do capital

19 Dezembro, 2014
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A TAP, empresa pública portuguesa, é um património colectivo de que todos nos devemos orgulhar.

A TAP liga Portugal e os portugueses ao mundo, nobre ideal que vem do tempo das caravelas, só suportado pelo altruísmo e generosidade de todos os contribuintes, que a ganância privada imediatamente destruiria em busca do lucro fácil e do vil metal.

Sem a TAP os portugueses da diáspora veriam quebrados os ténues laços que os unem à pátria.

É em nome destes princípios e ideais que a TAP decide fazer greve no Natal e no Ano Novo. Alguém tem de defender os portugueses contra o grande capital e a cupidez dos mercados.

Privatizações irónicas

19 Dezembro, 2014

Não foi para se privatizar que o Dr. Salazar criou a TAP ou a RTP.
Respeitemos a ideia que o Dr. Salazar tinha para o país: abaixo as privatizações irónicas.

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Continuo sem perceber

19 Dezembro, 2014

porque não pode José Sócrates dar entrevistas.

E fazer com que os sindicatos fossem serviço público?

18 Dezembro, 2014

Independentemente de fazer ou não sentido a requisição civil apresentada hoje para colmatar o mal já feito pelo pré-anúncio de greve da TAP na semana do Natal, greve esta tão moralmente censurável como greve aos exames nacionais ou ao serviço de urgência hospitalar, o argumento anti-privatização a partir do pressuposto que, ao fazer a requisição civil, o governo opta por evidenciar o serviço público imprescindível fornecido pela TAP, simplesmente não colhe frutos.

Ninguém diz que a TAP não faz um serviço público importantíssimo. A Ryanair também faz e não é por isso que deve ser nacionalizada. O que isto evidencia é que serviço público importantíssimo não pode ser gerido por grupos de interesse com poder suficiente para chantagear contribuintes. Dito de outra forma, se não é passível de requisição civil, não deve ser gerido pelo Estado; se é gerido pelo Estado deve ser consensual que é passível de requisição civil.

Aliás, nenhuma greve percepcionada como não possuindo risco acarreta qualquer poder reivindicativo. Uma greve só é consequente se há risco real de despedimento do grevista, que opta por aceitar esse risco em prol da possibilidade de benefício maior. As greves que se vêem na função pública e em empresas públicas são menos que teatro, são uma fantochada de privilegiados habituados a vacas gordas que apenas servem para alimentar a engrenagem dos palonços cuja função na vida é empecer por vício.

Em Portugal ninguém desvirtua mais a função sindical que os próprios sindicatos. Eu começaria por dissecar o financiamento destes antes de emprenhar pelos ouvidos qualquer ceninha que vos faça sentir bem com o que julgam ser magnânimas demonstrações espalhafatosas de bondade; mas cada um humilha-se com o que quer.

O PS alinhar na posição do papalvo inútil não é surpreendente: sempre tiveram dificuldade em distinguir o que é do Estado do que é do partido.

não tem meio termo

18 Dezembro, 2014
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Os objectivos das greves recentes da TAP são clarinhos como água: evitar a sua venda, desvalorizando a companhia com prejuízos consideráveis e, sobretudo, enviando aos potenciais compradores a mensagem de que a companhia é ingovernável sem os sindicatos, o que assusta qualquer investidor. Neste braço de ferro, o governo, de duas três: ou privatiza ou capitula. A requisição civil é um remendo de circunstância. Já a questão de fundo não tem meio termo.

Só faltava mesmo mais uma idiotice…

18 Dezembro, 2014

Requisição civil? Esta gente é parva ou faz-se.

Estamos porventura em situação de Estado de Sítio ou Estado de emergência?

Não? É que não conheço outras situações em que os direitos civis dos cidadãos possam ser legitimamente restringidos. Então querem obrigar as pessoas a trabalhar negando o direito à greve? Lamento informar, mas tal «resolução do conselho de ministros » é treta e letra morta.

Pode a greve ser uma chatice, e pode-se discordar das suas razões, mas isso não dá direito ao governo de tentar alinhar na idiotice vigente e  ser mais estúpido do que o habitual.

A partir de hoje o Jingle Bells não soa ao mesmo

18 Dezembro, 2014

Quantas horas tem o disco de Natal da TAP? Estou há largo tempo a tentar alterar as datas de um voo na TAP. Creio que Já ouvi o Jingle Bells mais vezes que a Gaivota voava em 1975

Também lhe terão chumbado o PEC IV?

18 Dezembro, 2014

Putin: Crise no rublo é resultado de fatores externos

TAP, da próxima vez será diferente …

18 Dezembro, 2014

O manifesto contra aprivatização da TAP informa-nos das asneiras que a gestão pública foi fazendo ao longo dos anos:

a TAP viu-se impelida a comprar a Portugália, que também estava falida. Depois, viu-se obrigada a recomprar a Groundforce, então já espanhola, a quem tinha sido entregue todo o handling do aeroporto de Lisboa e Faro, e que prestava cada vez pior serviço. E, finalmente, num negócio desastroso, tanto a nível financeiro como estratégico, e cuja opacidade está por clarificar, foi empurrada para comprar a VEM, no Brasil, operação que tem vindo a custar à holding somas absurdas, que perturbam o plano operacional da empresa no seu core business: o transporte aéreo.

Ao mesmo tempo, pede aos contribuintes para meter lá mais dinheiro:

Por isso, só não é possível financiar a TAP se o Governo se demitir das suas obrigações e decidir não defender o seu património e o interesse nacional.
[…]
Por forma a assegurarem alguma estabilidade concorrencial no sector, estas políticas são norteadas pelo princípio “one time, last time”, que proíbe uma empresa de receber apoio e ajuda na reestruturação mais do que uma vez a cada dez anos. Ora, não há apoio estatal à TAP há 18 anos!

O Baptista-Bastos é meu!

17 Dezembro, 2014

Um senhor do Júlio de Matos veio dizer-nos que o internamento do Baptista-Bastos estava previsto desde o começo deste novo “isto não se aguenta”. O senhor do Júlio de Matos (eles são tantos, que se torna difícil decorar-lhes os nomes) tem olhos de peixe morto e voz compulsiva: isto para melhor o identificar. Os protestos da Esquerdalhada atingiram a zona do confronto verbal mais tempestuoso. Desde “traição” ao abandono das nossas grandes mentes ao “capital intelectual multinacional”, ouviu-se de tudo. A paixão sublinhou as intervenções, percebendo-se que o Baptista-Bastos não é assunto neutro, nem, apenas, mais um cérebro entregue à voracidade da ‘ciência’ que tem beneficiado, unicamente, os grandes interesses.

A ‘ciência’, aliás, não é, só, o prolongamento do mundo; é a imposição de uma alternativa de contra-senso; seja: a ausência de decisões irracionais, em favor de uma ordenança específica. As pessoas ficariam desprovidas das possibilidades de escolha, reguladas pelas leis do mercado, afinal comandados pela alta finança. E a União Europeia mais não é do que uma hipótese da continuidade das ideias que formaram este poder absorvente que nos submete com absorção. O internamento de Baptista-Bastos pertence a esse projecto de controlo global. O Júlio de Matos fala da inevitabilidade do internamento. Um ex-candidato a bastonário da Ordem dos Médicos, por exemplo, entre muitos mais, desmente essa inevitabilidade, agitando o princípio de que o Baptista-Bastos é uma mente “de bandeira”, definição assaz enigmática. Aprendi, durante toda a vida, com aquele intelecto, possuo um indisfarçável sentimento de posse, sei o que ele representa para os portugueses lá de fora. O Baptista-Bastos não é unicamente um indivíduo internável ao sabor das circunstâncias, um internamento banal: é um estado d’alma, uma emoção, um pequeno orgulho e a módica vaidade que nos resta.

O capitalismo não tem lágrimas: a compaixão não lhe assiste, o coração é-lhe oco; e tanto se lhe faz como se lhe fez a natureza emocional das coisas. Os homens apegam-se aos sítios e às realidades. Há tempos, numa manifestação de protesto pela alienação do Baptista-Bastos, um antigo estagiário, reformado, gritava, com os olhos embaciados: “O Baptista-Bastos é meu!” Dele e de todos nós. Menos para esta gentalha, cuja argumentação quantitativa apenas obedece às incertas versões do momento.

Adaptação de A TAP é minha

(Quase) todos querem a privatização da TAP

17 Dezembro, 2014

O governo quer privatizar 100%, mas chama-lhe privatização a 66%.

O PS diz que é contra a privatização, mas diz que quer dispersar 49% em bolsa, o que na prática quer dizer que terá que privatizar a 100%.

E até os sindicatos da TAP, que se dizem contra a privatização por razões de princípio, por razões de interesse nacional, para defender os emigrantes e o turismo, estão dispostos a concordar com ela desde que o interesse dos trabalhadores saia a ganhar de forma desavergonhada.

Portanto, estamos todos de acordo, a TAP é para privatizar. Bem, todos não, duvido que os potenciais compradores estejam tão entusiasmados com esta privatização como governo, PS e sindicatos.

Deixemo-nos de caravelas e discutamos ponto por ponto o que exigem os vice-reis

17 Dezembro, 2014

Exigência dos sindicatos da TAP:

  • Reposição, até 31 de janeiro de 2015, de todos os Acordos de Empresa em vigor nesta data e ratificados pelas Associações Sindicais signatárias – acrescida de impedimento de denúncia unilateral desses acordos até 2022.
  • Garantia de que não haveria um processo de despedimento coletivo ou de redução temporária do período normal de trabalho (Lay off), num prazo de pelo menos 10 anos;
  • Resolução de todas as disputas interpretativas, entre os sindicatos e a administração da TAP, onde tem prevalecido a interpretação da administração de Fernando Pinto;
  • Assegurar o cumprimento das “responsabilidades, vencidas e vincendas, com pensões, complementos de reforma, prémios de jubilação, seguros de saúde e de vida”;
  • Instituição dos mecanismos de proteção das antiguidades (dos trabalhadores), nas eventualidades de fusão ou de aquisição do Grupo TAP;
  • Definição dos mecanismos de participação e envolvimento dos trabalhadores nas decisões estratégicas do Grupo TAP;
  • Resolução “de todas as outras disputas pendentes sobre matérias relevantes”, envolvendo o Governo, o Grupo TAP e todos os sindicatos
  • Impedir no prazo de dez anos uma “subcontratação ou externalização das atividades do Grupo”, assim como “joint Ventures” (alianças);
  • Definir limites estritos, durante sete anos, a operações de Wet Leasing – que são Wet contratos em que a companhia aérea disponibiliza o avião, a tripulação completa, efetua a manutenção e suporta o seguro do avião, recebendo o pagamento pelas horas operadas por parte da companhia operadora.
  • Garantir a manutenção do domicílio e da base operacional da TAP em território português – “no muito longo prazo”;
  • Garantir “a promoção da adequada capitalização do Grupo TAP, com vista ao crescimento sustentado da atividade do Grupo”;

Centralismo é incompetência

16 Dezembro, 2014

O Secretário dos Transportes anunciou o acordo para que a subconcessão do Metro do Porto ao consórcio Viaporto seja prolongado até Março do próximo ano.

É notável.

A intervenção do Governo no concurso de concessão do Metro do Porto teve como resultado inevitável (e previsível), o atraso de um ano no dito cujo. Seguiu-se uma negociação em cima do joelho a poucos dias de terminar a actual concessão, suplicando que a actual concessionária extenda a sua actividade por mais 3 meses. E depois lá para  Abril se verá….Onde metem o dedo fazem asneira.

Final feliz

16 Dezembro, 2014

Os jogos do campeonato passam a ter lugar em Évora e assim os presidentes dos clubes vão todos ao presídio que isto de irem uns e os outros não dá que pensar ao adepto.

O Expresso manda uma pergunta com cada visitante e no fim monta a entrevista.

A RTP pode desistir dos jogos da Champions e transmite o campeonato eborense que sai mais barato e dá mais audiências

A TAP não é privatizada nem nacionalizada: é deslocalizada para Beja donde voará para onde lhe aprouver  a trazer visitantes para o campeonato e para a cadeia.

Na SIC o Miguel Sousa Tavares e a Clara Ferreira Alves moderados pelo António José Teixeira passam a emitir a partir de Évora um programa subordinado ao tema: isto está tudo ligado

Nuno da Câmara Pereira ganha um prémio da world music com esta sua interpretação

E a propósito de mexilhões e lagostas

16 Dezembro, 2014

Graças ao Malomil descobri o site do Tavares Rico. Onde isto é um cozido à portuguesa
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e Eisenhower que se existir vida eterna deve estar lá em cima à espera do autor desta legenda para lhe pedir uns esclarecimentos é definido como “Famoso estilista francês. Conhecido pelo seu estilo irreverente”

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Soltem o homem, pá, não vai interferir com a investigação, pá

16 Dezembro, 2014

Vejo muitas dúvidas serem levantadas sobre a prisão preventiva do doutor Sócrates. Ele próprio as expressa, escrevendo cartas a vermelho, pretendendo conceder entrevistas e assegurando que continua nas notícias através de visitas mais ou menos enfadonhas.

Se vocês têm plena convicção que a sua liberdade não interfere com a investigação, então soltem-o. Lá porque ele afirma pretender mobilizar a opinião pública contra a justiça isso não significa que a vossa convicção deva ser minimamente abalada: decerto que não interferirá com a investigação e parará imediatamente de ser o Sócrates de sempre, isto quase de certeza, certezinha.

Do fascismo

16 Dezembro, 2014

Do artigo 75 da lei 115 de 2009, aprovada com os votos favoráveis do PS (minoritário) e abstenção do PCP e BE (PSD e CDS votaram contra):

2 – Os órgãos de comunicação social podem igualmente ser autorizados a realizar entrevistas a reclusos […] quando tal não prejudique […] as finalidades da prisão preventiva […].
[…]
5 – Tratando-se de recluso preventivo, a autorização da entrevista depende ainda da não oposição do tribunal à ordem do qual o recluso cumpre prisão preventiva, com base na ponderação do prejuízo da entrevista para as finalidades da prisão preventiva.

A avaliar pela reacção que até agora as autoridades australianas tiveram face ao seu impressionante curriculum hoje quando e se tudo terminar bem no sequestro deve ir para casa tomar chá

15 Dezembro, 2014

O homem armado que fez esta segunda-feira um número indeterminado de reféns foi identificado como Man Haron Monis, um iraniano de 49 anos residente na Austrália devido ao estatuto de asilo político que lhe foi concedido pelas autoridades.

Na lista de ofensas que o colocaram a braços com a justiça estão, entre outros, o envio de cartas a ofender os familiares de falecidos soldados australianos.

Há ainda suspeitas de que será responsável pelo homicídio da sua ex-mulher.

Já em outubro, o homem foi acusado de 40 crimes de agressão sexual e indecência, incluindo 22 crimes de agressão sexual agravada.

Man Haron Monis foi acusado em 2002 de agredir sexualmente uma mulher e de, juntamente com a sua atual mulher, esfaquear a sua ex-mulher até à morte em Sidney, em 2013.

Todos juntos podemos poder

15 Dezembro, 2014

Mas, Mário, não percebo essa relutância.

Não queres o que é melhor para a sociedade e para o bem comum? Desejas mesmo deixar de possuir 0,00001% de uma companhia que, e apesar de ter permitido à nata que ignorasse a proibição de fumar a bordo, te trata da mesma forma como trata todos os trabalhadores, demonstrando que o direito à greve em prol da produtividade é inalienável apesar do transtorno que isso possa causar aos ricos que viajam de avião enquanto crianças passam fome nas escolas por causa da austeridade? Queres mesmo deixar de contribuir para que Portugal possa desbravar caminho com aquelas caravelas do ar, em busca de colónias daquelas habitadas por índios hereges que necessitam de evangelização como de chicote para as costas num pavimento imaculadamente concebido para o conforto nos alunos? Nesta era da globalização, com companhias capitalistas como as que citas, esses da EasyJet e Ryanair, que procuram o lucro a todo o custo, nem que para isso tenham que trabalhar na semana do Natal, achas que estás a contribuir para o desenvolvimento do país ao abdicares de contribuir, como te compete, para acabares com o isolamento das pessoas que vivem em Trás-os-Montes ou Alentejo profundo, dando-lhes perspectivas de por 500 ou 600 euros visitarem a civilização parisiense, berço da filosofia ocidental, local onde Kant desenvolveu a teoria da ética do Dante, tudo num ano, que passa num instante, mesmo para o emigrante?

Queres mesmo sair do “nós”, Mário? Nós que somos uno, somos povo, cultura, força gravítica de clusters essenciais e investimentos cruciais, actividades fundamentais e estratégias fulcrais? Queres ficar isolado neste país dilacerado pela austeridade, fechado em si próprio, protegido das investidas merkelianas de conquista do mundo através de empréstimos bancários em vez de caravelas?

Qual é o próximo passo, Mário? Acabar com os telemóveis através da privatização da TMN? Vamos voltar ao pombo-correio? Como vais a Badajoz? De comboio? Daqui a nada até a CP quererão privatizar, essa jóia da coroa com dívida que se confunde com o PIB da Islândia.

elementar, meu caro costa

15 Dezembro, 2014
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Eu não quero ser sócio da TAP, nem consigo entender por que é que o meu dinheiro há-de sustentar os custos de uma companhia de aviação à qual pago o preço de um bilhete (caro, por sinal) sempre que a escolho para me transportar para um sítio qualquer. Alguém que explique isto ao Dr. António Costa.