O mundo não se organiza em função do PS nem espera que o PS reflicta para continuar a rodar
A questão não é a posição do PS sobre a dívida mas sim a posição que a dívida tem nas nossas vidas
Ferro Rodrigues admite que o PS ainda não tem posição sobre a dívida
shark tank à portuguesa
Seis grandes empresários portugueses, daqueles que «triunfaram no mercado», formam o júri do Shark Tank Portugal, o programa televisivo que recebe empreendedores em busca de parceiros de investimento para os negócios que ambicionam criar. Angelito, Varadas, Coelhone, Granadas, Oliveira da Serra e Salgadinhos formam o painel. Segue-se o resumo do primeiro programa.
Apresentadora: Senhoras e senhores, começa hoje o Shark Tank Portugal, o programa que realiza os sonhos dos empreendedores nacionais que buscam o dinheiro que não têm para os negócios que nunca hão-de ter, junto de empresários de sucesso que têm dinheiro sem nunca terem tido negócios. Que entre o primeiro candidato, o jovem Antunes, que quer abrir uma mercearia de produtos finos em Freixo-de-Espada-à-Cinta.
Angelito: Seja bem-vindo, caro Antunes. Espero que nos surpreenda e nos cative com o projecto que vai apresentar. Mas, por favor, não me desiluda, porque o último empreendedor em que apostei, depois de estabelecido e bem estabelecido com o capital político que lhe consegui reunir, deu-me um coice a arrumou-me como se faz com os velhos, o ingrato! O que nos vem, então, propor?
Antunes: Boa noite a todos os membros do ilustre júri. Venho pedir-vos € 500,00 em troca de 100% de uma mercearia fina que quero montar na minha terra, Freixo-de-Espada-à-Cinta, onde para se comprar uma posta de lombo de bacalhau temos de percorrer mais de 130 Km até ao Continente mais próximo, em Bragança. É negócio de sucesso garantido!
Varadas: 100% do capital? E você vive de quê? Ao menos recebe em robalos?
Antunes: Em roubá-los?
Varadas: Não, homem, em «robalos», aquele peixe que se vende em carros topo-de-gama e que costuma ser embrulhado juntamente com notas de 100 euros. É mais ou menos a mesma coisa, mas tem as suas minudências.
Antunes: Prefiro que me paguem um salário no final do mês, que isto de ser empresário tem riscos elevados em Portugal.
Angelito: E você só quer o salário? Não se compromete com o negócio? Não quer sentir o risco empresarial? Não tem a correr nas veias o killer instinct que distingue um verdadeiro empresário de um reles marçano de farmácia?
Antunes: Bom, se me arranjarem um lugar de marçano lá na farmácia de Freixo, deixo já a mercearia.
Oliveira da Serra: Homem, não pense pequeno, caramba! Você, por acaso, já passou pelo meu banco? Olhe que se lá passar à porta e entrar, enchemos-lhe os bolsos de pastel. E ainda leva um Mirone de bónus se se portar bem.
Salgadinhos: Mas se for ao meu, para além de caroço e de dois Mirones, ainda lhe damos valiosas acções da PPT.
Granadas: Ó patrão, ó patrão, damos acções da PPT? E tenho que assinar alguma coisa?
Salgadinhos: Não se meta homem, não seja burro, que a conversa não é consigo! Assina o que eu quiser e mandar, pois com certeza! Não se esqueça que investir numa mercearia em Freixo-de-Espada-à-Cinta é criar valor para o nosso Grupo. E sempre fazemos um favor ao Presidente da Câmara, que é nosso amigo e trabalhou lá na agência.
Coelhone: Meu rapaz, por acaso tens algum membro da Edilidade a apoiar-te?
Antunes: Donde, Senhor?
Coelhone: Da Edilidade, caramba, da Câmara Municipal. Da Junta de Freguesia, pelo menos.
Antunes: Aí não conheço ninguém, Senhor.
Coelhone: Mau, mau, rapaz. Assim nunca serás um verdadeiro empresário português. Daqueles que triunfam no mercado, pá!
Angelito: Vamos lá com calma, meu caro Coelhone. Já nos passaram pelas mãos casos bem piores e olha que cheios de sucesso, hoje em dia, graças ao nosso rasgo empresarial. Qualquer um de nós tem as suas histórias e memórias para contar…
Coelhone: Pois tem, ó Angelito, mas sem amigos morre-se na prisão! Nos negócios isso é fatal! Olha aquele tipo que tinha o sobrinho taxista em Paris. Não escolheu os amigos certos e foi o que se viu…
Varadas: Ai morre, morre. Às vezes, já nem chega ter amigos! O país e o mundo civilizado estão perdidos! Já nada é como era nos tempos em que fizemos Portugal crescer!
Oliveira da Serra: Mesmo assim, eu acho que você devia ir ao nosso banco. Fale lá com aquele rapaz, o Loureiro, que lhe pode ser muito útil e lhe dará sábios conselhos, não tivesse ele sido um dos mais eminentes conselheiros da nossa República.
Varadas: Por falar em República, você vai vender bananas na sua mercearia, ou só robalos?
Salgadinhos: Venha mas é ao nosso banco, caramba! E traga as suas economias, que lhes daremos bom destino. Invista em acções do Grupo, coisa segura e certa, como ainda há dias afiançaram as grandes autoridades deste pais.
Antunes: Mas eu só quero umas massitas para abrir uma mercearia. A alta finança não é para mim!
Granadas: Faça o que o Senhor Doutor lhe está a dizer, homem! Ele é que sabe destas coisas. Comigo resultou: já conto com quase trinta anos de sucesso empresarial! Volta e meio assino uns papéis e já está!
Angelito: Isto não me está a agradar. O candidato não tem um projecto claro para o capital que nos pede. Estou fora.
Varadas: Que já estás fora há muito tempo já sabemos todos, ó Angelito.
Granadas: Eu também estou fora, pelo menos enquanto puder não estar dentro. Não vejo como poderei trazer valor a uma mercearia em Freixo-de-Espada-à Cinta. Ainda se fosse no Brasil, tinha lá um gestor, por sinal genial, para encabeçar o projecto.
Coelhone: Nem em Freixo-de-Espada-à-Cinta, nem no Brasil, nem em lado nenhum, Granadas. Já agora, também estou fora, porque este tipo não conhece ninguém que seja conhecido. Como é que você tem a lata de vir aqui dizer que quer ser empresário, se nem se quer é amigo do Presidente da Junta?
Oliveira da Serra: Eu também queria estar fora, embora por enquanto esteja dentro.
Salgadinhos: E eu ainda não estou dentro, pelo que, por enquanto, estarei fora.
Varadas: E eu nem dentro, nem fora, que ninguém se decide. Isto assim não é vida.
Apresentadora: Senhoras e senhores, terminou o primeiro Shark Tank Portugal. O candidato a empresário entrou como saiu e como costumam sair a maior parte dos empresários portugueses, isto é, sem nada nos bolsos. Para a próxima, se quiser dinheiro que vá ao Totta!
Antunes: E como é que eu volto para Freixo-de-Espada-à-Cinta, que nem dinheiro tenho para a passagem de camioneta?
Coelhone: Não tem camioneta? Faça como eu: vá de mota, homem de Deus! Mas que grande canastrão nos saiu este Antunes!
Ai, Timor …
Timor dá-nos uma lição importante: uma boa rede de corrupção, uma que seja eficiente a corromper, tem que ter o sistema judiciário dentro da rede. De resto, no futebol é tudo mais transparente. Não há corrupção no futebol sem corrupção dos árbitros e todos sabemos que árbitros estrangeiros não dão jeito nenhum.
o país da carochinha
Quase dez anos volvidos e uma imensidão de capital destroçado, a PT poderá ficar nas mãos de quem a quis comprar no mercado, sem cunhas políticas, corporativismos ou «golden shares». Infelizmente, na altura, os defensores do «interesse nacional», ancorados por idiotas úteis que ajudaram a fazer coro, como os sindicatos do costume, preferiram a solução política à solução de mercado. Os resultados estão aí, à vista de todos, e, mesmo assim, entrando pelos olhos dentro de qualquer um, há quem continue a enjeitá-los. Pode ser que, mesmo depois de tudo o que se passou, seja ainda a economia verdadeiramente privada a tirar a PT do sufoco em que os «patriotas» do costume a colocaram. Embora, desta vez, o «verdadeiramente privada» seja apenas parcial. Mas sempre vale mais assim do que assado.
a sensatez de galamba
O deputado do PS João Galamba manifestou-se apreensivo com os comentários das organizações que compunham a extinta troika sobre o orçamento proposto pelo governo português para 2015. Realçando o facto dessas instituições entenderem “que estão perante um quadro macroeconómico de absoluta fantasia e de irrealismo”, em virtude do governo ter abrandado a malfadada “austeridade”, Galamba chamou, deste modo, a devida atenção para o facto do equilíbrio orçamental português não ter sido ainda conseguido e que os ganhos nesse domínio alcançados nos últimos anos são ainda muito precários. O FMI, o BCE e a Comissão Europeia disseram, com os seus comentários, que é necessária mais austeridade do que aquela que o governo quer para 2015. Galamba acompanha as preocupações da troika. Tamanha sensatez só poderá ser um bom augúrio para um futuro governo do PS. Afinal, a austeridade é para continuar!
não terá de se esforçar
Anda meio mundo preocupado com o incumprimento das metas orçamentais, acordadas com os credores, por parte de um futuro governo do PS, liderado por António Costa. Pelo que se vê por aqui, é uma preocupação desnecessária, até porque Costa terá o trabalho muito facilitado.
Mas acham que é a sério?
Algumas pessoas não compreenderam o objectivo dos jarretas ressabiados ao apresentarem a proposta da resgate da PT. Pita Barros, por exemplo, tenta responder, mas não há nada a responder porque também não havia qualquer pergunta ou sequer proposta séria.
Vamos esclarecer isto de uma vez por todas: estes caramelos não querem que vocês resgatem a PT, eles querem que vocês pensem que o governo a alienou. Andam a fazer isto há tanto tempo que não admira que comecem a acreditar nas próprias tretas.
Não estamos no domínio na política, que mais não é que opções entre possibilidades mais ou menos desagradáveis; isto é o domínio do desprezo pela inteligência dos concidadãos, isto é o melhor do regime das montras da luz vermelha dos ilustres em lingerie.
Merkel diz que países como Portugal tendem a oferecer licenciaturas em áreas que beneficiariam de cursos vocacionais, mais directos, curtos, e orientados ao mercado laboral.
Uma série de licenciados que encaixam no perfil apontado passarão o dia a explicar que Portugal não tem licenciados a mais, que juram ter sido o que ouviram Merkel dizer. QED.
O assunto do costume para fazer de conta que se resolve alguma coisa
O governo francês não consegue levar avante boa parte das medidas que toma. A construção de uma barragem torna-se um caso nacional com feridos e um morto, a construção de um aeroporto ia degenerando numa guerrilha grunge.Para bem de todos e em particular de Hollande não há aeroporto, não há barragem, não há eco-portagem… E assim para entreter e fazer de conta que faz alguma coisa o partido do governo, o PS, avança sem temor para uma proposta que, essa sim, define sem temor o seu perfil executivo: Le PS va déposer un texte à l’Assemblée pour reconnaître la Palestine
deixo este educativo video
Queridas 14 personalidades onde estavam em 2007 quando a PT não podia ser comprada por empresários portugueses?
De 2007 a 2014 sempre o mesmo argumentário. O mesmo ódio ao mercado. O mesmo apego aos negócios do Estado. Aquilo que as 14 personalidades agora escrevem e que em baixo transcrevo é exactamente o que em 2007 as então sorridentes personalidades nos diziam para justificar a sua oposição à OPA da SONAE.
Notícias do centro de dia
Com a reforma vem também a dificuldade em arranjar actividades que permitam ocupar os tempos livres. No Verão há o dominó no parque ou até a loucura dos transportes públicos nas linhas que transportam os jovens para as praias. No Inverno há manifestos para se gastar o dinheiro dos outros.
O grupo de pessoas com programas de comentário televisivo que estão ressabiadas com Passos Coelho fez um manifesto. Mais um. É sobre qualquer coisa que viram na TV. Depois finjam que leram lá isso que é para o jantar correr bem e não se desaproveitar o pudim.
Para lá vamos. Quem novo não vai de velho não passa.
Que pena não ter sido em Massamá
O português sofre com a austeridade, seja aqui, seja na Suíça. Um homem, devastado pela austeridade, estrafega (na realidade, baleia) a mulher, mãe dos três filhos, o seu novo marido e a si próprio porque, com a austeridade, o amor é sempre o que fica quando todo o resto colapsa.
Na realidade, não se pode noticiar assim o caso do imbecil que arruinou a vida a cinco pessoas além da dele em Wilderswil, Berna, para pena do tudólogo que consegue associar toda e qualquer estupidez à crise com a excepção da própria.
Edmundo, o marajá do piropo

Edmundo, piropado pelo mundo.
Rebola, agita, pendulando em badalo harmonicamente o pistão encerado de fragrância almíscar, como batuta para orquestra de primeiro violino em fio dental.
Edmundo saltou à vedação em Melilla para o campo de golfe com um sonho: tornar-se pedreiro na linha de TGV Caia-Poceirão. Com a crise e o abandono do projecto ferroviário que garantiria a Mário Lino um lugar nos livros de história, Edmundo foi obrigado a dedicar-se a actividade mais lucrativa, auferindo o salário mínimo acrescido de gorja pela ostentação do corpanzil a audiências embevecidas contra a violência tauromáquica do Homem versus animal potente.
Edmundo mergulha no tanque de sebo que ocupa grande parte dos decrépitos bastidores no Arco-íris Púrpura, local de culto para escritores socráticos e mulheres de meia-idade que ainda não se decidiram acerca de descendência humana apesar da menopausa eminente. “Badala-me a testa”, grita a chiffon preto e soutien rosa, que é a peça de vestuário mais perto do coração de todas as peças de vestuário. “Prega-me à parede com a bovina âncora”, refuta a loira dos motivos marítimos, mais achacada a Tourette voluntarista em forma piropal. É uma festa de despedida de solteira, celebrando a segundo violino a janela temporal entre este e o ponto em que regressará ao estado de não-casada. “Chocolate com nata”, grita a gorda do canto, criando a primeira ambivalência semântica da noite entre sobremesas e piropos.
À quinta-feira é noite do homem. O strip másculo de homem escurinho não é exclusivo para géneros femininos, que o mundo mudou para a abrangência de toda e qualquer forma identitária de igualdade. Belarmino, o franzino tatuado de tumefacção adornada pela tarântula violeta, com teia que envolve o escroto numa unificação do eu glandular, agita o braço-galho numa manifestação invernal que puxa para si a investida taurina que o torna uno com o capote a cornear. “Fundo”, compulsiva e fremente assinalando-se alvo e vítima de ataque a desferir, como se Edmundo não fosse gente, que homem não é certamente e gente não badala assim.
O primeiro piropo que Edmundo ouviu neste país foi “se fosses mais novo levava-te todo para uma casa em Elvas”. Piropos na rua são graves mas no local de trabalho são, sobretudo, imorais. Nada impede as gajas que são gajos e os gajos que são gajas de ofenderem, violentarem, estuprarem a dignidade de Edmundo. A Lei não é Lei. Pelo Edmundo e outros utensílios Benetton multicolores deste mundo, ilegalize-se o piropo.
Ainda há quem queira outra URSS

No Verão de 1987, pouco mais de um mês após o histórico discurso de Ronald Reagan que terminou com “Sr. Gorbachev, derrube este muro!”1, Billy Joel, tocava na União Soviética, em Tbilisi (hoje capital da Geórgia), Moscovo e Leninegrado (hoje, São Petersburgo). Com nova edição restaurada e ampliada, a versão especial com duplo CD e DVD/Bluray contém um documentário com mais de 60 minutos sobre a parte soviética, integrada na digressão do álbum The Bridge. O que mais transparece do documentário é o quão aquela geração precisava de ver para além do muro. Muito recomendado, principalmente para os eternos saudosistas das realidades que nunca viveram.
Uma pequena nota para quem não gosta de Billy Joel: é bom poder ter escolha para se gostar ou detestar determinados artistas, não é? É mais uma diferença em relação à ida URSS.
1Mr. Gorbachev, open this gate. Mr. Gorbachev, tear down this wall!
A castração do bom senso
Em Portugal fala-se português nas aulas e não é suposto que nas aulas de geografia, matemática ou história os alunos falem uns com os outros em crioulo, russo, chinês ou ucraniano. A Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo está a prestar um péssimo serviço ao alimentar fantasmagorias de exclusão em vez de promover a inclusão. E de facto nas aulas os alunos devem falar a língua em que o ensino é ministrado. O resto não passa de conversa fiada para escamotear um dado incontornável: os alunos portugueses no Luxemburgo dominam mal o francês e sobretudo o alemão. O que em parte explicará o seu fraco desempenho escolar.
Ó Portugal, volta para trás
Assim como assim
qual é o critério vigente nas redacções portuguesas para noticiar as manifestações: número de manifestantes? Existem tumultos? Mortos? Razões da manifestação? Não. Se assim fosse as manifestações contra a construção de uma barragem em França , a morte de um dos manifestantes e agora as manifestações em Toulouse e Nantes protestando contra essa morte teriam sido noticiadas em Portugal. Mas à excepção de umas referências tardias como esta não se encontra muito mais.
O disparate pegado
Na Porta da Loja vem reproduzida a resposta de Miguel Caetano às declarações de Orlando Raimundo sobre o seu pai, Marcello Caetano, na revista Tabu. Vale a pena ler porque sobre Marcello Caetano até mais que sobre Salazar escrevem-se os maiores disparates. Disparates mesmo. Coisas como que o seu gosto pelas corridas de cavalos era tal que tinha um espaço para descansar no hipódromo do Campo Grande. Nem Marcello apreciava corridas de cavalos e mesmo que apreciasse não precisava de repousar no hipódromo pq vivia ali bem perto, em Alvalade.
As declarações de Orlando Raimundo aqui desmontadas por Miguel Caetano são doutra natureza, menos ridículas mas mais gravosas, nomeadamente as que se referem à doença da sua mulher e á sua necessidade de se manter no Governo para custear as despesas com a doença de que esta sofria. Marcello Caetano ao aceitar a chefia do Governo pôs fim a um carreira bem remunerada como especialista de Direito.
Será que sabe quanto custa?
O PS prometeu ontem o fim dos cortes nos salários da Função Pública. Isto implica um aumento de salários entre 3% e 8% num único ano para grande parte dos funcionários. Devem ser mais de 500 milhões de euros. António Costa, na Quadratura do Círculo não foi tão taxativo. Falou em fim dos cortes em 2016 ou tão cedo quanto possível (ou seja, logo se vê) e na dificuldade em não o fazer atendendo às decisões do TC (ou seja, não me comprometo com nenhuma política, isto é decisão do TC). Vamos ver quantos jornalistas perguntam a António Costa quanto custa esta promessa e de onde vem o dinheiro. Ora, 80% de … são … bem, é fazer as contas.
Graças a Deus que o cidadão palestiniano era um moderado que de modo algum enfermava do extremismo do rabi
No Expresso esta foto era acompanhada da seguinte e esclarecedora legenda: Polícias israelitas guardavam esta manhã a entrada do local sagrado de Jerusalém conhecido como Templo do Monte e Esplanada das Mesquitas, onde ontem um rabi da extrema-direita foi alvejado por um cidadão palestiniano
Entendamo-nos
Ferro Rodrigues defendeu hoje na AR que o memorando de entendimento foi preparado, negociado, celebrado e assinado pelos partidos que não estavam no Governo?
Ergue-te, Lázaro Emanuel
Este post foi motivado por uma daquelas pessoas que usa os comentários para falar de bogalhos em posts de alhos.
Não se tem ouvido falar das crianças que desmaiam com fome nas salas de aula do país, vítimas da austeridade que faz pais perderem capacidade financeira para lhes providenciar pequeno-almoço. Juntaram-se aos idosos que morrem abandonados, também eles desaparecidos das notícias?
Relembro que terem saído as crianças esfomeadas das notícias pode significar uma de três coisas: nunca existiram (ou seja, o número de casos pontuais é pouco variável de ano para ano, mesmo com o milagre socrático); existiram mas já não existem (ou seja, o problema foi resolvido com o pior governo de sempre desde o paleolítico); ou existem na mesma mas vocês já não querem saber (ou seja, não será um problema para o governo seguinte, é já uma não-questão para o pior trauliteiro desde da maravilha que são os polegares oponíveis).
Podem começar.
A ler
Este texto de LuísNo século XIX, o darwinismo deu à mania uma respeitabilidade nova. Em 1883 Francis Galton, primo de Charles Darwin, cunhou o termo “eugenia”, ou “bem nascido”, para designar “o estudo dos agentes que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações, física ou mentalmente”. Galton entendia que “as forças cegas da selecção natural (…) devem ser substituídas por uma selecção consciente” e que os problemas sociais resultavam da proliferação de gente com características inatas “viciosas” e “degeneradas”. Em 1908, um dos fundadores da Eugenics Society, em Londres, foi Leonard Darwin, filho de Charles Darwin.
Estas ideias serviram, nas primeiras décadas do século XX, para justificar o internamento compulsivo, a esterilização e o extermínio dos deficientes mentais, dos vagabundos e das raças inferiores. E não foram só os nazis a fazê-lo, embora não gostemos de o admitir: todos participámos. Basta deitar os olhos às revistas médicas da época, em qualquer país europeu, para ficarmos elucidados sobre o tema.
A eugenia do século XIX era um ideal das elites. Às pessoas comuns nunca interessou, nem interessa, se a “raça” é saudável ou “degenera”. Não interessam os filhos dos outros, só os próprios. A perda de influência das elites no espaço público ditou uma transformação importante: antes “populacionais”, as ideias eugénicas tornaram-se individuais. E egoístas (se temos cada vez menos filhos e se os temos cada vez mais tarde, não podemos dar-nos ao “luxo” de cometer “erros”).
É por isso que investimos tantos recursos no rastreio pré-natal de doenças raras.
Por outro lado, se há poucas partidas, é importante maximizar as chegadas. Tal como a velha eugenia das elites não visava apenas eliminar os doentes, mas fortalecer e melhorar a “raça” (“contribuir positivamente para a melhoria das características do conjunto populacional”, nas palavras de Galton), também a nova eugenia egoísta usa o diagnóstico genético pré-implantação (que consiste em caracterizar geneticamente os embriões obtidos por fertilização in vitro antes de os implantar no útero), não apenas para identificar e eliminar os embriões defeituosos, mas também para seleccionar embriões “perfeitos”. Os americanos, que nestas coisas andam sempre à frente, já têm clínicas que oferecem aos futuros pais a possibilidade de escolher a cor dos olhos ou do cabelo dos filhos. Até arranjaram um nome para isso: “designer babies”.
Hipótese nula
Não seria útil relacionar isto com as notícias de crianças que desmaiam com fome nas escolas? À falta de relação interessante entre crise e porradinha da velha, talvez não seja um grande salto presumir que pais abusadores não têm como principal prioridade providenciar pequeno-almoço aos desgraçados petizes.

Vão ali dar uma voltinha da Buraca à Damaia de Cima
e trarão para contar muito mais do que aquilo que se vê neste video
Mas crimes não vejo nenhum. Vejo sim muita falta de educação.
Vale a pena ouvir e ver
Esta entrevista de Augusto Santos Silva a Maria João Avillez. Está ali toda uma estratégia para levar o PS ao poder e sobretudo para manter o PS no poder. Pode apoiar-se ou não. Pode ou não desejar-se que seja assim. Mas que há ali uma cabeça a pensar que mete o pobre Ferro Rodrigues a milhas de distância há
Neo-tradicional hipocrisia revisitada

Melilla, 22 de Outubro 2014, José Palazón—Reuters
A neo-tradicional hipocrisia ocidental, a da “chega de austeridade”, tem a vantagem de purgar sentimentos de culpa por barreiras necessárias à imigração descontrolada. Da mesma maneira que “não se aguenta mais” o corte na pensão do Dr. Bagão Félix, algo manifestado nos media com histórias hiperbolizadas de fome que automaticamente desaparecerão quando o Dr. Costa proceder ao milagre da multiplicação do crescimento, lamenta-se o tratamento desumano que consiste em erguer barreiras que evitam milhares de novos beneficiários do Estado Social, o tal que é declarado morto sempre que o PSD está no governo. Em Espanha é igual.
Na visão mais benignamente humanista-porque-sim-e-parece-sempre-bem, estaríamos dispostos a permitir a entrada de toda a gente oriunda de África que quisesse entrar e, em simultâneo, conseguiríamos manter o discurso do aumento do salário mínimo “pela dignidade”? Certamente que sim: a lógica nunca foi abundante nos auto-consagrados detentores da moral. O que isto demonstra é que este povo retratado pelos media ainda não sabe o que quer: não é possível defender o proteccionismo dos privilégios que já não conseguimos pagar e alargar a base de protecção social a um número crescente de imigrantes em busca do mesmo.
As barreiras são feias mas necessárias. Quem não aguenta a sua presença, se tiver um único neurónio funcional, em segredo agradece ao tipo cujo trabalho é manter essa feiura.
Não
Entretanto, faz-se ciência em Portugal
Isto é dito sobre o conteúdo de uma revista científica da Universidade de Lisboa:
O ensaio continha fotografias de graffitis espalhados pela cidade de Lisboa que serviriam, segundo a direção editorial, para refletir “a frustração popular contra o grande capital e as políticas de ‘austeridade’ em vigor na União Europeia”.
Descentralização da despesa: mandem dinheiro
Portugal é frequentemente considerado um Estado centralista e não faltam pedidos de descentralização, de regionalização, de reforço do poder local. Curiosamente, tais pedidos vêm frequentemente acompanhados de um outro pedido: mandem dinheiro.
Dois casos esta semana:
O governo dos Açores pede ao Estado Central que autorize uma descida dos impostos nos Açores. Claro que pedem ao mesmo tempo que o Estado Central compense os Açores pela perda de receita. A doutrina é: queremos localismo para baixar impostos e centralismo para vocês nos pagarem as contas.
16 câmeras da Região de Lisboa, lideradas pelo presidente de câmara da cidade de Lisboa (o que não é o Fernando Medina), querem que as autarquias possam definir elas próprias se os seus funcionários podem trabalhar 35 horas. Claro que todas querem que o horário seja de 35 horas. Faz parte da prática comum das autarquias dar prioridade ao bem estar dos funcionários, a principal clientela local, em detrimento dos cidadãos dessas autarquias. Claro que esta insistência nas 35 horas, 12.5% menos que o horário de trabalho de referência em Portugal, sinaliza que as autarquias têm funcionários a mais, mais precisamente, têm pelo menos 12.5% de funcionários em excesso. A questão que se coloca é: porque é que as autarquias não reduzem o número de funcionário e desviam os recursos para o que de facto interessa, servir os cidadãos? Podiam até baixar os impostos locais. Parte da resposta está no facto que grande parte das receitas das autarquias são transferências do Estado Central e da União Europeia. A outra parte está no facto de as autarquias estarem reféns das suas clientelas. Estes dois motivos levam a que as autarquias se comportem como sindicatos dos seus funcionários.
Atentado contra os direitos humanos
Isto é muito aborrecido. Andam estas pessoas a combater pelo que é belo e justo – um aprazível califado livre de heréticos infiéis -, aparece logo um tipo a colocar em causa a segurança dos meninos, pondo em questão as medidas de segurança, homologação e higiene no trabalho, numa clara violação das normas da igualitária Jihad. Que o governo é notoriamente desprovido de princípios humanistas, isso já sabíamos há muito com as queixas heróicas da Dr. Manuela Ferreira Leite, obrigada a distribuir parte da sua pensão para aqueles pobrezinhos que viram a pensão mínima aumentada; que o governo seja capaz de discutir à porta aberta a situação de portugueses que apenas se deixaram fascinar pelo dever de estupro e mutilação de pessoas que recusam serem tocadas pela bondade do profeta, isso já um verdadeiro atentado aos direitos humanos.
Uma espécie de Taxa de Direitos de Passagem?
Graças aos céus que nós temos em Portugal a Taxa Municipal de Direitos de Passagem.
Tratar o doente vs minimizar o risco
A Ana Matos Pires publicou um artigo que endereça as questões aqui levantadas sobre um caso de internamento compulsivo em psiquiatria. Considero que não só é um texto equilibrado como apresenta uma autoridade sobre a matéria que obviamente não possuo. Quem trabalha com as situações tem argumentos enquanto eu racho lenha, como se costuma dizer.
Foquei-me no texto-resposta de Caldas de Almeida, que continuo a considerar desequilibrado, mesmo que insista que possa existir uma diferença substancial entre o que disse e o que poderia ter pretendido dizer.
A segunda categoria que a Ana apresenta, a do tipo que não está a ameaçar partir tudo e que mesmo assim é internado de forma compulsiva não parece nada descabida: exige é uma responsabilidade da equipa que o interna para assumir a existência (ou percepção dessa existência) de risco, presente ou futuro, para o dano pessoal ou patrimonial. Naturalmente, a percepção que se obtém através da família e de quem convive com a pessoa é extremamente importante para a determinação deste tipo de casos, nem pretendo colocar isso em questão.
Neste tipo de casos, focar a legalidade do internamento na melhoria do doente parece manifestamente errado uma vez que a minimização desse dano já acarreta, colateral e benignamente, a ocorrência dessa melhoria. Assim, as duas categorias apresentadas pela Ana parecem ser uma só: a do tipo que ameaça partir tudo e a do tipo que, não o fazendo, aparenta ter ou vir a desenvolver rapidamente esse risco. Na minha humilde opinião, repito – pouco avalizada para estas matérias -, é aí que está o erro na resposta de Caldas de Almeida, que terminaria com todas as dúvidas se tivesse escrito o primeiro ponto desta forma:
O doente em causa foi internado compulsivamente na Urgência do Hospital de São José com base em avaliação psiquiátrica que concluiu existir perturbação psiquiátrica grave, ausência de consciência patológica, recusa de tratamento e risco de deterioração acentuada do estado clínico passível de culminar em dano pessoal ou patrimonial para si ou para outrem na ausência de tratamento, sendo o internamento a única forma de minimizar esse risco através do tratamento adequado.
Por favor
Alguém sabe onde se podem encontrar nos jornais, rádios e televisões nacionais notícia sobre a morte de um manifestante, em França? O cadáver de Rémi foi descoberto ontem após os confrontos que ocorreram em Sivens, a propósito da construção de uma barragem.
Por mim até o revestiam a bronze
Há uns dias chamei a atenção para o inevitável facto de que a não condecoração da coisa socrática pelo Presidente reeleito seria assunto para os próximos tempos. Há vários motivos para isso:
- Progressão automática na carreira: estão habituados a que estas coisas sejam automáticas; um tipo passa um determinado tempo no serviço, nem que assassine a mulher do chefe durante a violação que termina com um incendiário fogo-de-artíficio redutor do edifício a escombros, está cá uns anos, tem que progredir na carreira;
- Princípio constitucional da confiança: a mesma coisa; uma pessoa tem expectativa razoável de se tornar conde (como o Conde de Contar), marquês (como o do consultóri@), ou ainda barão (como o de strip tease), é altamente inconstitucional que não obtenha a legítima satisfação que servirá para fingir que foi o Presidente e não o Governo da coisa socrática quem assinou o Memorando da Austeridade para assegurar o resgate.
- Principio constitucional da igualdade: se o Guterres teve, o doutor-engenheiro também tem que ter. Não é de surpreender que seja Manuel Alegre, agora, a puxar pelo assunto: o homem nunca foi senador mas gostaria de ser, nunca foi presidente mas gostaria de ter sido, nunca teve influência mas gostaria de ter.
Há uns dias, Pacheco Pereira dizia que a campanha teria a componente de arremesso do calhau socrático; infelizmente, não foi uma interpretação literal, apesar de também ser correcta: quando nada resta para atirar, atira-se com a memória da inglória passada. Agora, quem se presta a esse papel, de ser usado como objecto inanimado de outrem, ou está na má-vida ou dela tem saudades.
2ª Conferência – Liberalismo Clássico – Porto
O Instituto Ludwig von Mises – Portugal está a realizar um ciclo de conferências subordinadas ao liberalismo clássico. No dia 1 de Novembro, que já foi feriado mas agora já não é apesar de desta vez calhar a um Sábado, realizar-se-á a 2ª conferência, na mui nobre e historicamente liberal cidade do Porto. Se os temas lhe interessam, faça a sua inscrição em mises.org.pt.
Sem palavras
PÚBLICO: Um agricultor do Parque Natural de Montesinho, em Bragança, foi autuado e pode vir a pagar entre 2000 e quase 85.000 euros de multa. Tudo porque limpou um terreno agrícola de que é proprietário sem pedir autorização.
José Luís Terrão, com 73 anos, residente na aldeia de Varge, é acusado pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) de ter cometido duas infracções graves: arrancou 13 azinheiras e abriu um caminho no terreno agrícola de que é proprietário próximo da aldeia.
O processo de contra-ordenação corre desde 27 de Maio de 2013, data em que o agricultor foi notificado de que foi autuado por duas infracções e que “a sua conduta é punível com uma coima única entre 2000 e 84.819,68 euros”.
Está ainda sujeito a sanções acessórias se não repuser a situação anterior.
No auto de notícia enviado pelo ICNF é explicado que o corte sem autorização constitui contra-ordenação punível com coima de 49,88 a 74.819 euros e a abertura do caminho sem parecer, uma contra-ordenação grave punível com coima de 2000 a 10.000 euros.
“Isto é arruinar as pessoas, se fosse uma multa de 200, 300, 400 euros, agora esta coisa!”, desabafou à Lusa, enquanto calcorreava o monte até à propriedade que comprou quando regressou de França, onde esteve emigrado 38 anos.
O terreno tem várias árvores, mas estava abandonado, o que levou José a pagar a três homens para limparem silvas, carrascos e reabrir um caminho que, garante, já existia, mas estava coberto de mato. Ler mais…
o terceiro debate
Aécio Neves perdeu a eleição de hoje no terceiro debate televisivo, quando, convencido que teria um confronto civilizado com Dilma, a «presidenta» o apanhou desprevenido, atacando-o com uma inaudita violência, tendo-o deixado por diversas vezes desconfortável frente às câmaras e perante milhões de brasileiros. Recuperaria magnificamente no último confronto televisivo, quando deixou Dilma completamente atarantada, mas foi tarde demais para recuperar. Até ao terceiro debate, Aécio estava na frente em todas as pesquisas eleitorais, caiu a partir daí e recuperou um pouco depois de sexta-feira. Mas não o suficiente para ganhar.
O Brasil inicia assim um ciclo de mais quatro anos de PT, após doze consecutivos. As instituições brasileiras e a economia do país estão excessivamente frágeis para aguentar, com saúde, mais do mesmo, e o que se prevê é que o que aí vem seja ainda pior. É que, ao contrário de Lula que foi sempre um pragmático, Dilma tem convicções ideológicas e já as anunciou. Ela acredita na intervenção do estado na economia, no dirigismo e na planificação governamental. Não quer um Banco Central autónomo do governo, desconfia da iniciativa privada, quer fechar o país ao investimento estrangeiro e abri-lo ao terceiro-mundismo latino-americano, pretende manipular preços e estimular o consumo à conta de crédito fictício, acredita no assistencialismo estatal e na subsídio-dependência. Uma tragédia, em cima de uma situação económica que é já muito grave. E, depois, há ainda o grave problema da corrupção, que, a par com o da violência, ameaça transformar-se na imagem de marca do país, e que é o caldo de cultura onde vegeta o dito Partido dos Trabalhadores.
Mas os resultados de hoje são uma oportunidade para que o PSDB aprenda a fazer oposição. O modelo norte-americano seguido pelo partido, sem chefia clara que corporize uma alternativa ao poder durante praticamente os quatro anos do mandato presidencial, deu nisto. O PSDB e toda a oposição precisam de um líder inequívoco, já a partir de hoje, que marque Dilma Rousseff e o seu próximo governo. O futuro do Brasil dependerá, em boa parte, disso.





