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Jornalismo Becel

26 Outubro, 2014

O Jornal de Notícias, na sua forma light de ver o mundo, opta for fornecer a versão margarina para barrar das eleições brasileiras. Simplificando a coisa num esquerda contra direita e pobres contra ricos, o jornal – que manifestamente apoia Dilma – opta pela versão Gil Garcia do significado de “direita”, o que inclui todo e qualquer social-democrata, e, inadvertidamente, descobre que no Brasil há mais ou menos 50% de ricos e 50% de “povão” em representação dos pobres.

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Resumindo e concluindo, no que ao jornalismo diz respeito, o fosso entre a classe média e a média da classe é cada vez maior. O mesmo jornal avança com uma capa brilhante que diz que 5000 bombeiros foram obrigados a emigrar. É uma pena: podiam ter ficado como pirómanos de política no JN.

uma tareia

25 Outubro, 2014
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Foi o resultado do quarto e último debate das presidenciais brasileiras, ontem à noite realizado na Globo. Aécio deu uma sova monumental à candidata-“presidenta” e lançou-a ao tapete com um ko. “Presidenta” que, quando posta fora do roteiro em que o marqueteiro a tinha treinado, revelou a sua fraca condição de artefacto artificial produzido por Lula da Silva, sem alma nem personalidade próprias. Alguns momentos do debate chegaram a ser ridículos e até constrangedores, porque Dilma a alhos respondia com bugalhos, engasgava-se e parecia ficar com falta de ar, como quando Aécio lhe perguntou se ela, tal como a elite do PT, continua a considerar José Dirceu um «herói da pátria» e um «prisioneiro político», e se tinha conhecimento da roubalheira na Petrobrás, conforme a revista Veja denunciara um dia antes. A propósito da revista Veja e das consequências das denúncias, veja-se, na fotografia abaixo, como os apoiantes do PT manifestaram o seu desagrado na sede da Editora Abril, proprietária daquela publicação, em São Paulo. Mais quatro anos de PT, em cima dos últimos doze, não indiciam nada de bom. O Brasil tem de mudar e se o debate de ontem à noite tiver algum impacto eleitoral significativo, Aécio, à revelia das sondagens, já ganhou. Esperemos que sim.

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Paciente tratado à força

25 Outubro, 2014

Para todas as histórias de conflito há, pelo menos, duas versões. Sem querer determinar razões e muito menos opinar sobre diagnósticos e prognósticos para os quais tenho qualificações nulas, não deixa de me surpreender a resposta em forma de carta ao director do responsável pelo Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental à situação levantada por este artigo de opinião, posteriormente desenvolvido no i.

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O doente em causa foi internado compulsivamente na Urgência do Hospital de São José com base em avaliação psiquiátrica que concluiu existir perturbação psiquiátrica grave, ausência de consciência patológica, recusa de tratamento e risco de deterioração acentuada do estado clínico na ausência de tratamento, sendo o internamento a única forma de garantir o tratamento adequado.

O internamento compulsivo não faz qualquer tipo de sentido se o objectivo é “garantir o tratamento adequado”, que não pode ser impingido coercivamente a quem quer que seja, só porque um serviço acha que é melhor para o indivíduo em questão. O internamento compulsivo faz sentido se existir indício de ocorrer dano pessoal ou patrimonial de monta para o próprio ou terceiros. Em suma, não se internam compulsivamente pessoas para lhes “garantir o tratamento adequado” e sim porque se crê que causarão dano a si próprios ou a terceiros.

Apesar de poder ser isto que o Dr. Caldas de Almeida pretende dizer, não foi isso que efectivamente disse: disse que se internam pessoas compulsivamente para lhes proporcionar o melhor tratamento, algo que serve para tudo e mais alguma coisa que retire direitos básicos às pessoas, nomeadamente o direito de não ser tratado. Neste fundamental aspecto, a resposta dada a um artigo de opinião encaixa perfeitamente no adágio “pior a emenda que o soneto”.

Ora aqui está uma nova causa fracturante

25 Outubro, 2014

A legal battle over who can use men’s and women’s public toilets in Houston, Texas, has spiralled into a social media war about basic American freedoms, and is still gathering speed.

The story begins in May, when the city passed an ruling intended to strengthen the rights of minority groups. One detail was that transgender people were given the right to use male or female public toilets based on their own choice. The ruling was widely promoted by Houston’s mayor, Annise Parker, and dubbed the “Bathroom Bill” by her conservative opponents. A group of Christian pastors gathered 50,000 signatures demanding the law be repealed.

O Kumbaya da treta

24 Outubro, 2014

Diz Fernando Sobral no Jornal de Negócios:

Portugal não mudou. Empobreceu, continuará a estar exangue enquanto não renegociar esta dívida brutal com um serviço da dívida impossível de pagar com este crescimento. A questão é política. É social. É de visão estratégica. Mas, sobretudo, é moral. É, tristemente, uma questão moral.

Em primeiro lugar, se o pagamento da dívida é uma questão moral, publique o ensaio metafísico no Eva de Natal, não num jornal de negócios. Em segundo lugar, relembro a pessoas que escrevem em jornais de negócios, neste caso o Fernando Sobral – que de negócios demonstra perceber tanto como a Virgem Maria percebia de canoagem -, que a dívida é renegociada todos os dias: umas vezes adquirindo dívida com juros mais vantajosos para amortizar dívida mais onerosa mas, sobretudo, e isso sim sempre diariamente, demonstrando que o país tem capacidade para ser levado mais a sério do que um leitão faminto a sugar na teta da permanente auto-comiseração. Já nem se trata de tentar vender ilusões, Fernando, trata-se de insistir na miserável lata de tratar os leitores de um – sublinho – jornal de negócios como meros imbecis; e isso, Fernando, isso também é renegociar a dívida, mesmo que no sentido contrário do que pretende.

Abaixo a mutualização

24 Outubro, 2014

Vários municípios do país, quase todos governados pelo PS, contestam o Fundo de Apoio Municial, que é um fundo de ajuda a municípios com problemas financeiros (habitualmente associados a excesso de endividamento). Entre as autarquias contestatárias está Lisboa, governada por Fernando Medina.

Os argumentos contra esta mutualização das consequências da  irresponsabilidade financeira parecem decalcados do argumentário alemão contra a mutualização das dívidas europeias:

  • “Retirar verbas de territórios para apoiar outros territórios é manifestamente inconstitucional e, acima de tudo, não é justo (…). Estamos a trabalhar naquilo que poderá vir a ser objecto de uma acção judicial para a inconstitucionalidade”
  • existem câmaras que têm um programa de Programa de Apoio à Economia Local (PAEL) mas que, com a entrada no FAM, poderão “entrar em incumprimento”: “Ou pagam o PAEL ou pagam este fundo”

(via Insurgente)

Aqui também não são necessárias aspas

24 Outubro, 2014
Deixando de lado a mania com o verbo arrasar não se percebe porque se onsidera que Manuela Ferreira  Leite defende Estado Social.  Pode defender tanto ou tão pouco quanto Mota Soares. Ou Jerónimo de Sousa. Ou Passos Coelho. Tem posições e defende-as. Com convicção. Mas não é isso que está expresso nesta frase.

Direito das crianças ou direitos dos adultos à custa das crianças?

24 Outubro, 2014

ILGA relembra: Portugal não protege filhos de casais homossexuais

A associação ILGA elogia a eleição de Portugal para o Conselho de Direitos Humanos da ONU, mas recorda que o país ainda não protege os direitos das crianças filhas de casais de pessoas do mesmo sexo. (…)

Como exemplo, a associação recorda que Portugal ratificou, mas “nunca” aplicou, “algumas das suas obrigações internacionais” em matéria de “coadoção das crianças filhas de casais de pessoas do mesmo sexo”.Em matéria de direito à adoção e acesso a técnicas de reprodução assistida, as pessoas LGBT são “uma clara exceção” às atuais leis e práticas portuguesas, “o que vulnerabiliza particularmente as filhas e os filhos de casais do mesmo sexo”, denuncia a ILGA.

A associação espera agora que “a presença de Portugal no Conselho de Direitos Humanos permita finalmente encontrar a coerência entre as posições externas portuguesas e a sua materialização dentro do país”.

Aqui não há aspas. Há uma certeza relembrada pela ILGA: Portugal não protege filhos de casais homossexuais

“Jornalismo”

24 Outubro, 2014

“Atentado terrorista” em Jerusalém mata um bebé
Enfim já não estamos no acidente de trânsito – “Automóvel atropela transeuntes em Jerusalém – mas escrever “Atentado terrorista” entre aspas tem aquele toque distintivo tão gauche caviar. Digamos que é ums espécie de “jornalismo”.

Há aqui qualquer coisa que não bate certo

23 Outubro, 2014

O PS vai abster-se na votação do projeto de resolução do BE sobre a reestruturação da dívida, apesar de não concordar com o ponto em que se fala de iniciar processo de “negociação”.

A iniciativa do Bloco faz eco do Manifesto dos 74, assinado por pelo menos quatro membros da bancada, incluindo o líder parlamentar Eduardo Ferro Rodrigues.

Quanto à iniciativa do PCP para a renegociação da dívida, o sentido de voto vai ser o chumbo.

Então e NOS?

23 Outubro, 2014

Neste movimento para nacionalizar a Portugal Telecom há uma coisa que me intriga: por que é que não nacionalizam antes a NOS? A NOS tem ar de ser uma empresa mais sólida e mais estratégica que a coitada Portugal Telecom. Pensem nisso.

A mulher que morreu porque tinha medo de germes e o homem que morreu para não se reformar

23 Outubro, 2014

…ik al heb omgelegd?”; Gerty Casteelen escolhe as palavras correctas para completar a questão do entrevistador, sobrepondo um “já abati?” à interrogação “quantas pessoas…”, como “com humor” às vezes diz. A resposta é três, com três outros casos pendentes.

Após 8 sessões, a paciente envia cerca de 80 emails a Gerty, o que a fez a psiquiatra perceber o quão a paciente desejava “eutanasiar-se”; Gerty opta por este termo em detrimento de “suicidar-se”. A psiquiatra concluiu que a misofobia controlava toda a vida da paciente, impedindo-a de manter relações, obrigando-a a passar todo o tempo a limpar. A paciente desejava morrer às 20h11 e já tinha os cartões de luto prontos.

A paciente comprou champanhe para as quatro mulheres que testemunham a sua morte: uma amiga, a médica de clínica geral, Gerty e a enfermeira em serviço para a clínica que providencia eutanásia. A paciente de 54 anos, de pijama cinzento, está feliz e relaxada. Gerty chama atenção para a hora, que as coisas têm que ser preparadas para se cumprir o horário das 20h11. A paciente quer tempo para beber mais um copo de champanhe. Pouco antes das 20h11 as mulheres desejam-lhe boa sorte para a jornada. Adormece rapidamente. Já está.

Homem de 63 anos, fisicamente saudável. Trabalhou sempre, nunca foi de férias. Suicídio falhado, não quer repetir a experiência. Sobretudo, também não quer causar transtorno a outros. Perto da idade de reforma, após anos de tratamento para depressão sem sucesso, chegou a altura de morrer. Gerty acredita que é impossível para este homem continuar a viver. Nunca manteve relações e, sem ligação à família, é um homem sozinho no mundo. Gerty concede uma certa bizarria ao considerar que o homem, admirado pelos colegas de trabalho, trabalho que executa diligentemente, é consumido pela auto-comiseração de quem não sente ter direito de viver. Na véspera da morte, organiza encontro num bar para se despedir dos colegas de trabalho, informados da decisão da morte uns dias antes. Colegas ficam tristes que ele “tenha que ir”. Na manhã seguinte, Gerty administra-lhe o cocktail letal. “A maioria morre em 10 minutos, este demorou duas horas”, recorda.

Este artigo é uma adaptação condensada e em português do artigo de Joke Mat, publicado no jornal holandês NRC Handelsblad em Janeiro de 2014. Versão em inglês.

Obrigatório ler

23 Outubro, 2014

Matar conseguem mas a suicidar falham sempre. A este fantástico texto do Ferreira Fernandes eu acrescentaria ainda a explicação emocional do matar por amor. Os jornalistas adoram categorizar os crimes: temos os crimes de ódio, horríveis porque remetem para as fobias e para o racismo, e os crimes de amor que enfim matam como os de ódio mas em que o autor do crime diz que ama a vítima. E não raramente desata numa choradeira declarando esse amor. Do ponto de vista das vítimas deve ser relevantíssimo ser esfaqueado por amor ou por ódio.

Um caso de sinistralidade rodoviária

23 Outubro, 2014

Ora, ora Vítor no Canadá o autor do atentado ainda tem “ligações ao terrorismo internacional”. Digamos que é uma outra forma de identificar o terrorismo – o internacional – versus o nacional mas concede-se que é terrorismo. Se o caso suceder em Israel pode ficar tudo reduzido a um problema de sinsistralidade rodoviária: “Automóvel atropela transeuntes em Jerusalém Se o condutor for palestiniano, claro.
Se o condutor fosse israelita o título seria provavelmente assim: Judeu mata bebé palestiniano de oito meses em Jerusalém. E nos dias seguinets teríamos o acompanhamento empolgado e empolgante da nova intifada.

Com ligações ao terrorismo internacional

23 Outubro, 2014

O acto de terror ocorrido no Canadá foi realizado por pessoa com “ligações ao terrorismo internacional”, lê-se em decrépito exemplo da falência dos jornais. Referem-se, presumivelmente, ao terrorismo internacional laico, aquele cujo terror existe só para divertir, sem ligações a causas radicais de cariz doutrinário de certas e determinadas religiões particularmente talhadas para o ideal humanista inspirado no Blade Runner. Ou, vai-se a ver, foi pessoa com ligações ao terrorismo internacional budista.

Ainda bem que não foi um daqueles gordinhos anti-aborto no Texas profundo, que esses são sempre cristãos e isso seria estereotipar o “terrorismo internacional”.

Não discriminarás o “terrorismo internacional” por género, raça, sexo, orientação sexual, identidade de género, defesa de ideologias sanguinárias, abnegação marxista e religião.

Condecoisação

22 Outubro, 2014

Acho um gesto um pouco indelicado se se confirmar que o Senhor Presidente da República opta por não condecorar o Senhor Doutor Engenheiro José Sócrates depois de o último ter feito um esforço tão grande para a reeleição do Senhor Presidente.

Por outro lado, se a condecoração é a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, é menos um crucifixo para enervar a família do comentador da RTP.

Adenda: Isto vem agora porque anda aí a circular novamente a coisa, que a campanha já começou e o alvo ainda é o mesmo.

Quem quer casar com a carochinha?

22 Outubro, 2014

A TAP é uma empresa:

  • descapitalizada – significa que não tem capital para investir e expandir as operações. Não o pode fazer via crédito porque o nível da dívida já é elevado para o capital que tem
  • que dá prejuízo
  • facilmente subjugável por sindicatos – por ser uma empresa pública e por ser uma empresa de capital intensivo
  • não pode ser recapitalizada com fundos públicos (regras europeias)

A solução que o PS tem para a TAP é vender 49% a privados, mas nunca mais de 49%. Note-se que mesmo para uma posição de controlo da empresa, o governo está com dificuldade em encontrar investidores a custo zero. Portanto, quem é que quer meter dinheiro da TAP tendo em conta que o Estado continua a mandar e mandará sempre, a relação com os sindicatos mantém-se com os mesmos protagonistas e não há qualquer garantia ou perspectiva de distribuição de dividendos?

tem de ir a ministro

22 Outubro, 2014
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Alguém que consegue dar aulas simultâneamente em 104 sítios é, necessariamente, um poço de sabedoria, um portento de inteligência, de capacidade de trabalho e agilidade profissional. Sendo professor e com tamanhas qualidades, deverá ir, no mínimo, a Ministro da Educação. Até para substituir o que ainda por lá está, visivelmente cansado e a necessitar de descanso.

Podemos falar de educação?

22 Outubro, 2014

1) O que esta terça-feira podia ter sido apenas mais um dia de aulas normal, acabou afinal com uma professora agredida na escola básica e secundária do Cerco do Porto, em Campanhã. Dezenas de pais surgiram à hora do almoço obrigando a PSP a enviar quatro carros patrulha. Mas o motivo que alarmou os pais foi, afinal, a presença de uma criança alegadamente com ébola.

Até aqui nada de muito especial.

2) “A direcção está toda reunida lá dentro e ninguém nos diz nada. Há ébola ou não? Ligaram-me aqui da escola a avisar”. Quem? “Sei lá bem quem. Preciso é de saber se há [ébola] para levar o meu neto daqui para fora”, dizia uma avó com os braços no ar segundos antes de desaparecer na multidão que aguardava por notícias debaixo de um sol intenso. Não havia ébola. Alguns alunos decidiram ligar aos pais dando conta do vírus. “Há ébola”, diz Sofia, de 11 anos. Aponta para um cartaz da Direcção-Geral de Saúde sobre o que fazer se tiver sintomas.

Portanto a Sofia vê o cartaz e conclui que há ébola. A avó diz que lhe ligaram da escola e diz que não sabe quem foi. E avós, pais e netos todos com uma fantástica disponibilidade para estes ajuntamentos acham que a escola tem de dizer se há ébola. Fantástico.

3) Pelas 13h a escola pedira ajuda à PSP. Uma docente de 43 anos tinha sido agredida durante a manhã. Tirara o telemóvel a uma aluna de 12 anos que o usava à socapa na aula de educação visual. No final, a aluna do 6.º ano exigiu o telemóvel de volta. A explicação da professora de que a regra era entregá-lo à direcção da escola não a satisfez. Tirou o telemóvel a um colega e ligou aos pais. Disse-lhes que tinha sido agredida pela professora. Foi o suficiente para os pais, feirantes, lá rumarem. Enquanto o pai falava com o director, a mãe descobriu a professora numa das salas de aula e “deu-lhe quatro bofetadas depois de lhe puxar os cabelos”, descreveu fonte da PSP do Porto.

Ou seja a petiza não ficou satisfeita. Tirou o telemóvel a um colega que não sa sabe o que achou do assunto. Disse que tinha sido agredida. E os pais feirantes deixaram a  feira e foram para a escola. Provavelmente vão ter de ser ressarcidos pelo prejuízo da interrupção laboral. Na escola enquanto o pai fala com o director a mãe deambula. E tanto deambula que encontrou a professora. Ora está-se mesmo a ver que a culpa foi da professora que devia ter-se escondido numa arrecadação para nao exaltar a senhora.

4) Mas no exterior a multidão indignava-se com a ausência de novidades sobre o ébola. “Eu acho que há aqui um engano qualquer”, disparava um polícia enquanto tentava controlar os pais que forçavam a entrada na escola. O esforço por explicar que o problema não era o ébola de pouco lhe serviu. “Não é verdade. Os alunos é que espalharam o boato sobre o ébola. O que aconteceu foi apenas a agressão e depois os pais começaram a vir todos para aqui para a porta”, contou um funcionário da escola. No exterior, os pais exigiam esclarecimentos da direcção do estabelecimento.

Os pais estão convencidos que a escola faz diagnósticos de ébola. Nos idos de 1975 quando dia sim dia sim havia boatos sobre bombas nos liceus os nossos pais tinham o estranho hábito de não ser nada complacentes com a nossa crença em boatos. Mais bizarramente costumavam apurar de forma expressiva o que teríamos nós a ver com a propalação desses boatos. Abstenho-me de explicar o vexame que era os paizinhos irem à escola saber da nossa segurança e muito menos o cataclismo para as nossas pessoas inerente à conclusão por parte dos nossos pais de que os seus filhos tinham responsabilidades em tal boataria.

5) A escola faz parte dos estabelecimentos de Território Educativo de Intervenção Prioritária. Fica junta ao Bairro do Cerco, um aglomerado social marcado pela toxicodependência.

Portanto um Território de Educação Educativa é um território comanche? Já agora alguém é toxicodependenete nesta história?O que tem a  toxicodependência a ver com isto? Podemos faltar de falta de educação e de regras ?

6) “Os pais [da aluna] não vinham só para falar. Ainda tentámos defender a colega, mas não conseguimos impedir a agressão”, disse Filipe Remédios Gomes, professor de Matemática. A mãe, de 33 anos, foi identificada pela polícia, mas a docente preferiu não apresentar queixa, segundo a PSP.

Portanto a mãe de 33 anos deve ser a supermulher pq além da própria professora não se conseguir defender os outros professores também ficaram paralisados não conseguindo impedir a agressão. Vá lá saber-se pq a professora não vai apresentar queixa.

7) José Maia, presidente da associação de pais, dá razão à professora, mas também defende que, “se tirou o telemóvel à força, também merece uma sanção”. Ao final da tarde desta terça-feira a direcção da escola continuava reunida. Confirmou apenas que será aberto um processo de averiguações. Já em Outubro de 2008 uma professora foi agredida por ter colocado um aluno de castigo na cantina. A escola decidiu proibir então a entrada dos pais.

Naturalmente a escola vai averiguar.  Mas não vale a pena fazer sequer de conta que se averigua. Tendo em conta as declarações do presidente da associação de pais creio que o melhor é colocar estes pais a darem aulas aos seus filhos.

Superar o inconseguimento

22 Outubro, 2014

António terá tentado matar as duas filhas para as poupar ao sofrimento de ficarem sem mãe, já que a tinha assassinado de forma permanente, algo habitual em assassínios. Um bonito gesto de compaixão por parte deste homem como tentativa de remediar um trágico acidente que consistiu em espetar algumas facas na mulher (entre três e quatro, que se foram partindo), acaba por ser interpretado, por pessoas precipitadas que julgam os outros com uma total falta de tolerância para com o próximo, como “matar as filhas”. Toda a gente tem que ter direito a uma morte digna: mais vale que seja pelas mãos de quem nos ama mesmo, como o pai.

António terá dito que tencionava suicidar-se após o gesto de bondade mas que não terá conseguido. Assim sendo, e por ter manifestado a sua vontade, e porque o sofrimento que este incidente causará para sempre o impedirá de viver uma vida plena de felicidade, António fica elegível para eutanásia progressista como forma de superar o inconseguimento.

O muito inteligente

21 Outubro, 2014

Mário Soares, hoje no DN:

“Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu – de que é segundo responsável o nosso muito inteligente Vítor Constâncio -, tem feito o que pode para ajudar os países europeus que mais têm sofrido com a austeridade.”

“Noutros países, como a Itália dirigida pelo presidente Napolitano, a França do primeiro-ministro Renzi e, embora tenha grandes dificuldades, a Espanha do socialista Pedro Sanchez, líder muito inteligente do PSOE”

 

 

É indigno e imoral um partido falar de morte digna

21 Outubro, 2014

De vez em quando retorna a conversa sobre eutanásia, seguindo um ciclo inverso à publicação de fotos em bikini nas redes sociais pelas mesmas pessoas que conseguem ter ideias brilhantes para e por todos nós, graças a Zeus. Invariavelmente, é conversa atirada por gajos e gajas bonitos, com idades perfeitas entre os 30 e os 50, em forma, com todas as pernas e braços, pele viçosa, sem espinhas e eczemas embaraçosos, deformidades, comensais esporádicos em restaurante com estrela Michelin, com bicicleta de marca e tendo algum historial de férias caribenhas ou nas índias. Pessoas com a arrogância que a beleza e o pico do interesse sexual tendem a transformar em ídolos pop mascarados em escritores que ninguém lê, deputados que ninguém sabe ter elegido e agentes culturais cujos sazonais poios não passam o crivo de um bilhete parcialmente pago, quanto mais pago na totalidade.

Nunca se vêem paraplégicos acamados, com feias escaras, num quarto húmido decorado com crucifixo carcomido e desumidificador em saldo da Worten, que clamem por eutanásia. Nunca se vêem, sobre esse tema, os já viúvos no solitário caminho para a demência profunda, embaraçados em decrescentes momentos de coerência com o mijo que escorre para a sarjeta na momentaneamente eterna desconhecida paragem de autocarro. Quem fala desta problemática – porque para um progressista, outros morrerem é uma problemática – é sempre belo, educado, letrado, atraente, charmoso e dispensa Viagra. Tem o cabelo imaculado. A barba perfeitamente aparada. É uma besta cuja noção de sensibilidade termina na barreira de suor entre os corpos que copulam intelectos, entranhada no eu-eu-eu-eu instagramico que é palco da disjuntiva relação entre a vaidade e o bem-colectivo.

Nenhum destes abetumados néscios vê além de si próprio e do brilharete que origina a sua exímia e cultivada inteligência. Não imaginam que a percepção da eutanásia para o velho acamado é a do fardo, a do “não dar trabalho”, a do lastro que impede a plena realização dos familiares responsáveis pelo seu cuidado. Não imaginam que a esmagadora maioria dos velhos que pede para morrer está, quando crê falar a sério, a emanar altruísmo puro, a libertação de outros da carga que para esses é a própria existência alheia.

A morte é assunto demasiado sério e muito pouco compreendido para ser discutido por quem salta entre aborto livre, supressão de puberdade a crianças ditas transgénicas, cheias de Lisboa, tourada, efebofilia, mais-uma-linha-de-coca na urbe lisboeta a oeste de Marvila, amanhã-estou-na-SIC-Notícias, casamento entre plantas e a patológica crucifixofilia republicana do club des Jacobins.

Às vezes não Podemos

21 Outubro, 2014

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Entretanto, em Espanha, o Bloco/Livre/Syriza/filhos-de-burgueses-estragados-pelo-ensino-marxista-e-excesso-de-acesso-a-iPads/envergonhados-do-PCP-que-preferem-zeitgeist-ya-meu/Protótipo-de-Daniel-Oliveira-antes-de-ser-absorvido-pelo-PSOE apresentou algumas medidas. Eis as mais cómicas/assustadoras/cassette/sou-tão-giro:

  1. Redução da jornada laboral para 35 horas e idade da reforma para 60 anos;
  2. Proibição de despedimentos em empresas com benefícios fiscais;
  3. Auditoria cidadã à dívida pública e privada. Reestruturação da dívida considerada legítima;
  4. Criação de uma agência europeia pública de notícias independente;
  5. Eliminação de privilégios fiscais e educativos concedidos à Igreja Católica;
  6. Fim das políticas anti-terroristas que violem, nomeadamente, o direito de livre associação;
  7. Abolição de designação de patologia a todas as opções sexuais e identidades de género;
  8. Garantia de acesso a emprego público a pessoas LGBT em risco de exclusão social;
  9. Re-nacionalização de todos os centros hospitalares privatizados;
  10. Aborto seguro, livre e gratuito na rede pública;
  11. Abolição de qualquer subvenção ou ajuda ao ensino privado;
  12. Electricidade, água e aquecimento a direitos humanos inalienáveis;
  13. Redução do IVA cultural para 4%;
  14. Fim das deportações;
  15. Reconhecimento da Palestina e devolução dos territórios ocupados por Israel;
  16. Abandono do tratado de livre comércio entre EUA e UE;
  17. Proibição da tauromaquia.

as contas da pt

20 Outubro, 2014
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Qualquer pequena média empresa que vá à falência está sujeita a um processo judicial de apuração das razões que motivaram o fim da sua actividade. O património sobejante responderá perante inevitáveis credores (estado, fornecedores e bancos, por via de regra), o mesmo sucedendo com o património dos seus administradores, que, para além do mais, podem ser criminalmente responsabilizados pelas dívidas e pelos destinos a que conduziram a empresa.

Ora, no caso da PT, a situação em que actualmente esta outrora importante empresa se encontra foi resultado de actos claros de gestão, com autores materiais e morais facilmente identificáveis. O estado, através da posição privilegiada que a golden share lhe concedia, tomou decisões para impedir a entrada de novos accinistas e manter o controlo no quadro de referência que acabou por levar a empresa à ruína iminente. Estes accionistas de referência terão, por sua vez, movimentado quantias astronómicas de dinheiro sem o consentimento, sequer o conhecimento, dos seus colegas da administração. E a estratégia brasileira, a tal que faria da PT uma empresa global, mais não foi do que uma leviana negociata política, cuja consequência foi a destruição quase total do valor da empresa portuguesa.

Neste estado de coisas, num país com tribunais pejados de pequenos e médios ex-empresários, arruinados pelas contingências do país em que vivem, a cargo com processos judiciais quase sempre de poucas centenas ou milhares de euros, que contas serão pedidas aos accionistas, e aos seus representantes legais, que levaram a PT à situação em que está?

Antecipação das eleições

20 Outubro, 2014

Podemos parar de fingir que o que está em causa não é a gestão do ciclo eleitoral? É óbvio que a oposição quer as eleições o mais perto possível do pico da austeridade e o governo quer o contrário. Acontece que as regras são conhecidas desde o início do jogo e nenhum governo arrisca medidas difíceis se não puder gerir os timings. Sem garantias mínimas de que os calendários eleitorais são cumpridos todos os governos passam a governar para o curto prazo.

Já tremem as pernas aos deputados do PS

20 Outubro, 2014

Dívida pública: PS não esclarece, para já só ouve

Homofóbicos e homofóbico-fóbicos

20 Outubro, 2014

A grande maioria dos pais espera que os seus filhos sejam heterossexuais. Não é uma questão de fobia, como os que se refugiam em reductio ad brutus pretendem passar: é uma questão óbvia de descendência e expectativa razoável de que, através de convencional relação heterossexual, os filhos lhes providenciarão a oportunidade de se tornarem avós biológicos. Isto antecede qualquer outra consideração de conflito e aceitação social, por muito chanfrado que seja o argumentador progressista que vos tente contrariar (normalmente insultando a vossa mãe). No entanto, ter filhos homossexuais tem as suas vantagens, como Jenny McCarthy pode atestar: para a radialista, um filho gay permite partilhar o prazer pelas compras ou o pragmatismo de penteados partilhados.

Há aqui um pequeno conflito de pontos de vista. O progressista permanentemente irado – característica excessivamente abundante em activistas para ser mera coincidência – já estaria pronto para disparar, graças à frase dos avós, pelo estereotipo de família dita convencional que, na sua imbecilidade, determinou ser o ponto deste post, não fosse a apresentação imediata de um exemplo de estereotipo ligeiramente mais aceitável, a do gay que gosta de compras e com tiques de cabeleireiro. No fundo, o problema não é o estereotipo e sim a levemente articulada bondade de quem o emite.

Progressivamente, a homofobia – termo cuja utilização disparou em 2011 – passa a dar lugar ao homofóbico-fóbico, a fobia em segundo grau que caracteriza pessoas com fobia a quem diagnosticaram taxativamente e solitariamente como homofóbicos. Qualquer um pode diagnosticar o que quiser, por isso tudo isto é normal: o progressista vive obcecado com o que ele próprio sente, que é tão-tão-tão importante em relação ao que os outros sentem que é mais que óbvio ser obrigação da sociedade aceitar as premissas de candura nas pretensões que pretende impor. É a essência do socialismo, seja moderno, seja o que for.

Tendência de busca de 'homophobic'.

Tendência de busca de ‘homophobic’.

A questão é muito mais simples: a grande maioria das pessoas é banal. Por isso mesmo, a grande maioria das pessoas nem se lembra de comentar o quão interessante seria ter um filho gay ou, cruzes, o quão um prontamente diagnosticado homofóbico devia ter um filho gay, como se a homossexualidade do filho servisse o propósito de punição para o pai.

Roger Ebert disse-o melhor a propósito de uma questão relacionada com o filme Brüno: I didn’t use the word “stereotype” in my review, and Brüno in my opinion is not a stereotype of any human being living or dead. Anyone who thinks he is “an average gay man” is a below-average average idiot.

Seria extremamente interessante que o progressista que se queixa de estereótipos começasse por deixar de estereotipar quem dele discorda. No entanto, a grande maioria dos progressistas é demasiado idiota para o compreender.

Problemas pragmáticos da identidade de género

20 Outubro, 2014

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não falta por onde

20 Outubro, 2014
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“Teremos sucessivamente mais dificuldades em conseguir poupanças adicionais”, Maria Luís Albuquerque, na apresentação do OE-2015.

Experimente começar por aqui.

secessão

19 Outubro, 2014
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A natureza autonómica do estado espanhol parece já não ser suficiente para manter a unidade nacional, se é que ela verdadeiramente existe, ou alguma vez existiu, em Espanha. Sendo que o grau dessa autonomia é muito variável, consoante as regiões pretendam uma maior ou menor ligação ao poder central, a Catalunha, que levou essa distância ao máximo permitido pela Constituição, continua insatisfeita e a manifestar-se esmagadoramente nas ruas, pedindo um referendo à secessão do estado espanhol. Há poucas semanas, a Escócia não se separou do Reino Unido por menos de dez pontos percentuais em relação ao não. Se os estados compostos da União Europeia se começarem a cindir, não há mecanismo previsto nem para os integrar, nem para os excluir. Este é o problema político que a Europa enfrentará nos próximos anos, e que de alguma forma corresponde ao fim do Estado-Nação, onde ele nasceu e provavelmente se esgotou. A insatisfação das pessoas pelo fracasso das políticas que os seus estados conduziram nas últimas décadas, a sensação de que algumas regiões vivem à custa de outras e a insatisfação generalizada com os governos centrais, são sentimentos que estão longe de serem distantes a estes acontecimentos. O modelo de organização política estadual, como o conhecemos nos últimos duzentos anos, poderá não durar muito mais, nos países que não forem capazes de o modificar a tempo.

E agora, Cavaco?

19 Outubro, 2014

Tema do meu artigo de hoje no Observador: Portugal estava viciado em jogadas e pedidos de demissão. A cada demissão parecia que se punha o contador a zeros. Tivemos demissões que nunca entendemos – lembram-se que fomos para eleições porque Sampaio achou que o governo de Santana estava descredibilizado após a saída do ministro do Desporto, Juventude e Reabilitação? Mais tarde houve quem achasse que Cavaco se devia demitir por causa do referendo aborto. Ou que deveria demitir Sócrates apesar de a Assembleia da República não se comprometer votando favoravelmente uma moção de censura. Agora os pedidos de demissão estão reduzidos ao folclore da CGTP que tal como o galo de Barcelos não se sabe ao certo para que serve mas dá interessantes separadores televisivos. Através do seu feroz institucionalismo Cavaco obrigou-nos a viver sob o regular funcionamento das instituições.

Um caso de vida real

19 Outubro, 2014

Este artigo é inspirado no “Our transgender child”, publicado na Salon em Setembro de 2014.

Na Primavera de 2009 acolhemos um lindo menino, o Pedro, o nosso primeiro filho do sexo masculino. Ou assim achávamos, na altura. Em Fevereiro de 2010, o Pedro emitiu, depois das primeiras palavras soltas, a primeira expressão perfeitamente inteligível: “tartaruga ninja”.

Ler mais…

Um galinheiro de 680 mil euros. Vazio.

19 Outubro, 2014

Um dia em Tarna nas Astúrias apareceu um urogalo.
O urogalo ao contrário do habitual nos urogalos era manso. Tornou-se uma mascote.
Um dia o urogalo apareceu morto. As autoridades fizeram três autópsias para descobrir quem matara o urogalo.
Um dia apareceram as máquinas. Derrubaram as antigas escolas e construíram a Casa do Urogalo.
Informavam as autoridades que se ia poder ver a vida dos urogalos mais as crias dos urogalos. Os urogalos a dormir. Os urogalos a comer.
Um dia os técnicos foram-se embora. A Casa do Urogalo estava terminada.
Custou 680 mil euros. Está completamente vazia. Sem luz. Nem urogalos.
Uma capoeira vazia.Em Tarna nunca mais apareceu um urogalo. No Inverno também só ficam quatro habitantes em Tarna.

A história da Casa do Urogallo Mansín está aqui. E para quem quiser usar as instalações aqui ficam fotos desta fantástica capoeira
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O pivot do socialismo

19 Outubro, 2014

Paulo Portas: “Se preferia a redução da sobretaxa em um por cento no próximo ano? Preferia!”

Paulo Portas a repetir o recurso estilístico que usou quando matou a TSU. TSU que foi substituida pela sobretaxa. Sobretaxa que ia ser substituída quando as medidas de reforma do Estado de  Paulo Portas começassem a dar frutos.

Olá, eu sou o João e sou perfeito na minha identidade

19 Outubro, 2014

Olá, eu sou o João.

Os meus pais acham perfeitamente normal que eu diga que sou diferente. Eles também acham que eu sou diferente e isso deixa-os bastante satisfeitos. Algumas pessoas dizem que não é adequado que eu me defina como diferente aos 9 anos mas os meus pais sempre gostaram da ideia de mostrarem o quão especial eu sou, algo que os faz particularmente especiais também, por conseguirem ter um filho tão canonicamente perfeito, algo que demonstra o quão perfeitos eles também são, se não até mais que eu.

Eu falo-vos de transgenderismo aos 9 anos porque eu pretendo desmistificar construções sociais da sociedade, percebem?

Isso e porque a imbecil da minha mãe começa a sentir remorsos por não me ter comprado o fato de princesa na Euro Disney.

Eu sofro muito quando vou ao Continente comprar a revista da Violeta. Quando a minha mãe me perguntou se podia contar a minha história, disse-lhe que sim. Eu, aos 9 anos, tenho uma capacidade de abstracção fantástica que me permite ter perfeita consciência da problemática dos outros miúdos da minha idade que querem ir para o ballet.

Eu sou mesmo perfeito e tenho tanta sorte em ter pais tão compreensivos e sensíveis para esta problemática.

agora queixam-se

18 Outubro, 2014
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Segundo o Expresso desta semana, Pedro Passos Coelho terá dito que “sem o PS, mais não e possível”, querendo com isto dizer que as reformas de que o país precisa só se podem fazer num entendimento de regime entre os seus dois principais partidos.

Nesta altura do campeonato, isso é verdade, e já aqui o tínhamos escrito. No entanto, isso é verdade apenas nesta altura, mas não tinha de o ser. De facto, se o governo tivesse entrado na legislatura a fazer aquilo que tentou iniciar dois anos depois, não havia PS, Tribunal Constitucional ou sindicatos que se lhe opusessem, e hoje boa parte das reformas de que o país carece estariam feitas. Infelizmente, perdeu quase dois anos a resolver problemas de tesouraria, em vez de tapar o rombo do cofre, e quando se preparava para ir ao essencial já era tarde. Foi, de resto, por isso mesmo que Victor Gaspar se demitiu.

Quanto ao PS ir para o governo, também isso deveria ter sucedido nesta legislatura, se não lhe atribuindo ministérios, pelo menos obrigando os seus anteriores responsáveis a prestarem contas do que tinham feito na legislatura anterior. É isso, aliás, que se faz em qualquer empresa em estado falencial iminente, quando uma administração substitui aquela que a arruinou: exige a quem lá esteve que acompanhe a análise das contas, que preste as explicações e justificações que forem necessárias, que ajude a descobrir os buracos que abriu para que sejam reparados o mais depressa possível.

Uma das condições que a troika devia ter imposto antes da assinatura do memorando e de ter começado a mandar para cá massa, era que o primeiro-ministro e o ministro das finanças cessantes, estes pelo menos, ficassem ao dispor da nova administração do país e dos seus credores para lhes explicarem o que fosse necessário. Em vez disso, deixaram-nos ir de férias, fazer mestrados em França e dar aulas na Universidade, e também não fizeram imediatamente o que tinha que ser feito. Agora queixam-se, mas já vai tarde.

Dever ser problema meu mas não percebo o que apurou o PÚBLICO além da evidente vontade da sua redacção de ajudar António Costa a balizar-se

18 Outubro, 2014

«A intenção dos socialistas era marcar o ponto no dia do debate da Petição sobre o Manifesto dos 74, agendando para quarta-feira, que defende a reestruturação da dívida pública.

Ao que o PÚBLICO apurou, o principal partido da oposição pretendia evitar recorrer às expressões “renegociação” ou “reestruturação” no seu documento. A intenção era não deixar sem resposta o apelo de debate feito pelos signatários da petição. E, assim, o grupo parlamentar socialista ponderava avançar com um processo parlamentar de audição pública que levasse à Assembleia personalidades e especialistas na matéria, capazes de apresentar “soluções responsáveis e exequíveis”. Portanto, ao mesmo tempo que rejeitava a política de austeridade do actual Governo, baliza os seus limites.

O novo PS, que resulta da vitória de António Costa nas primárias, não parece disponível para propostas mais radicais, como o a defesa unilateral de um hair-cut aos valores da dívida ou a saída do euro. Ao que o PÚBLICO apurou, o texto em preparação insiste numa resposta à escala europeia, avisando que o PS continua a acreditar no projecto europeu “em todas as suas dimensões”.

Uma posição cautelosa que reflecte a forma como o futuro secretário-geral do PS tem lidado com o tema desde que avançou para as primárias socialistas.»

A regra mutante

18 Outubro, 2014

Anda tudo deliciado a ler as transcrições das gravações do BES. Curiosamente ninguém se interroga sobre a legalidade dessas gravações. Se valem ou não como meio de prova. Se este tipo de transcrições são lícitas deixou de ser discutido. Interessante.

Mas esperava outra coisa?

18 Outubro, 2014

Diz Vital Moreira:

Francamente, não sei que interesse tem o PS, a um ano de voltar ao governo (tudo o indica), em alimentar o debate sobre a chamada reestruturação/renegociação da dívida pública, que não leva a nada e que só pode criar falsas expetativas e as consequentes frustrações.

Professor, não é óbvio que muita conversa sobre o inexequível é a melhor forma de evitar falar sobre o exequível?

A reestruturação da dívida pública não é para ser colocada na agenda política — o que só pode criar nervosismo nos investidores e fazer subir os custos de financiamento — mas sim para se fazer discretamente, quando houver condições para isso, quer pela substituição da dívida com juros elevados por outra com juros mais baixos (como estão agora), quer para renegociar com os credores institucionais (FMI, e BCE) a maturidade e os juros.

Porém, essa saudável opção, que levaria ao reconhecimento de obra feita pelo actual governo, não origina eco na comunicação social e, principalmente, não serve para arregimentar os soldados descartáveis para a campanha eleitoral. O professor parece interessado numa campanha orientada para a governação, como se isso desse votos, essa coisa tão desprovida de mediatismo que é o sentido de responsabilidade.

o bom povo português

17 Outubro, 2014
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Parece que está próximo de dar nova maioria absoluta ao Partido Socialista de António Costa, repetindo a mesma façanha de há uns anos, com José Sócrates, que tão felizes resultados nos trouxe. O fenómeno não seria inteiramente incompreensível, tendo em consideração os últimos anos de sacrifícios impostos pelo governo do PSD/CDS e a reacção natural do eleitorado aos mesmos. Só há uma coisa que não se entende: o que disse, até agora, António Costa, que leve a tamanho entusiasmo pelo personagem? Desde logo, o que garante que ele possa fazer melhor do que aquilo que tivémos nos últimos três anos? Quem souber, responda, porque, até agora e desde que ganhou as primárias do PS, só o ouvi falar sobre as cheias de Lisboa.