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Pepe, o PS, a culpa do árbitro e as nossas responsabilidades

18 Junho, 2014
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Fernando Medina, o número dois de Costa na Câmara de Lisboa, deu uma entrevista importante, e reveladora, ao Observador. Aqui fica o meu comentário – que é também um comentário à falta de soluções credíveis por parte do PS: 

Fernando Medina falha nos caminhos que propõe para o futuro. Falha, primeiro, ao fazer depender qualquer futuro de uma renegociação com o exterior, com “a Europa”. É como começar a construir a casa pelo telhado – ou como preparar uma equipa para um partida decisiva começando por pedir para escolher o árbitro. Não é sério, do meu ponto de vista, falar aos portugueses sem começar por dizer o que temos de fazer. Não é sério começar por falar do que os dirigentes europeus devem fazer – aqueles que não controlamos, aqueles de que podemos sempre queixarmos, para sacudir culpas. E ainda é menos sério pressupor que as negociações que outros fizeram são sempre más, e as nossas negociações serão sempre melhores, sobretudo quando a última negociação que fizemos – fez o governo onde estava Medina – foi a do memorando inicial da troika.

cumes de prazer

18 Junho, 2014
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Village-people-lookalkesO que Portugal precisa para sair da crise é de “um programa de fisioterapia que ajude a reconstituir o músculo“, disse António Costa a uma assistência que se reuniu para o ouvir no American Club of Lisbon e que ficou “muito excitada” (“really excited“) com as intenções políticas do ainda Presidente da Câmara de Lisboa. Depois de espantar a pátria anunciando que só deixaremos de ser pobres quando formos ricos, Costa deslumbra agora com esta fantástica metáfora de ginásio, músculo e suor. Não é para admirar que a libido dos americanos presentes tenha atingido cumes de prazer.

Spelling bee

18 Junho, 2014

Aclarar v. tr.
1. Fazer desaparecer o que impede a claridade ou a clareza de.
2. Tornar límpido.
3. Tornar evidente.
4. Clarificar.

Uso numa frase: TC recusa pedido de aclaração.

Primeira, segunda e terceira via

18 Junho, 2014

As vias

v império

18 Junho, 2014
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O messianismo político do sebastianismo é o mito fundador da nossa modernidade política. Essencialmente, ele traduz a desresponsabilização dos portugueses pelo seu próprio destino, sempre à espera de um salvador que os conduza à glória e à felicidade, a quem delegam a condução quase integral das suas existências. A dependência que temos em relação à política e ao governo, em relação a quem se depositam todas as esperanças de vida, são indiciadoras de uma sociedade retrógrada e subdesenvolvida. Hoje Costa, há uns anos Cavaco, antes Salazar, daqui por uns tempos outro qualquer. Os portugueses desabituaram-se de assumir riscos e a responsabilidade por si próprios. Por isso mesmo é que as ideias de mercado, concorrência e propriedade privada lhes são antipáticas. Eles preferem diluir-se no que é público e não tem dono nem responsável visível, onde podem sobreviver sem correr grandes riscos, ainda que vegetando. Depois, quando clamorosamente os políticos não lhes concedem o mínimo que eles pretendem, substituem quem está e proclamam a infalibilidade do que se segue. Os portugueses entregaram-se, por inteiro, à política, aos políticos e ao estado, alegando que é daí que virá a salvação e um salvador, ainda que intimamente saibam que pouco lhes podem dar. Mas podem dar esse pouco e isso é quanto basta para muitos. Os portugueses escolheram deixar de ser livres.

Uma dúvida (ou como a generosidade fica patente em sintetizar todas as dúvidas numa só)

18 Junho, 2014

solucao-para-a-crise

Em que consiste exactamente a 1ª e a 2ª via?

Heureca

18 Junho, 2014

Estou muito optimista com esta terceira via, a que consiste em aumentar a riqueza. Costa tem toda a razão: com mais riqueza passa a haver mais dinheiro e, consequentemente, menos necessidade de endividamento, aumentando a disponibilidade financeira para maior croissance, que nos permite ter muito mais dinheiro para investir em extra-croissance, iniciando uma aceleração em espiral expansiva de serviços do estado, aumento de salários, redução de desemprego, redução de impostos e aumento exponencial de receitas fiscais com taxas reduzidíssimas.

Agora só falta resolver o problema dos lixeiros.

400

17 Junho, 2014
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A não haver erro na notícia ou na comunicação feita pelo senhor vice-primeiro ministro, o governo prepara um conjunto de investimentos que, totalizando a irrisória quantia de 400 milhões de euros, resultará na criação de 400 pujantes novos postos de trabalho. Admitindo que os quatrocentos contemplados não sejam todos Zeinais Bavas ou Antónios Mexias, existe uma certa discrepância entre o dinheiro investido, o resultado anunciado e o entusiasmo exibido pelo governo. Não obstante, quatrocentos novos postos de trabalho, mesmo que nos custem um milhão de euros cada, são sempre de louvar. Até por representarem um inequívoco triunfo da economia planeada pelo governo sobre a iniciativa privada, desmentindo assim todos quantos insistem na peregrina ideia de que governo e estado desbaratam os recursos por si confiscados aos cidadãos e às suas empresas.

fácil de entender

17 Junho, 2014
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Há por aí um certo desconsolo com o “sucesso” da recuperação económica portuguesa, ao ponto do anterior ministro das finanças, Vítor Gaspar, se mostrar muito preocupado com a taxa de desemprego que teima em persistir elevada.

A coisa não merece, contudo, grande espanto. A economia é uma ciência simples e de elementar compreensão: ela reproduz as escolhas individuais das pessoas, dos agentes económicos e dos protagonistas políticos, pelo que tudo que ultrapasse o entendimento de um homem médio está fora da realidade. Ora, sendo Vítor Gaspar um homem acima da média, não se compreende a sua admiração.

Ainda por cima, porque o que se passa em Portugal é muito simples de perceber: o país mantém, há décadas, um modelo social autofágico, que consome mais recursos do que os que a economia consegue gerar. Perante uma situação de emergência financeira, provocada pelo alarme dos credores que nos dificultaram o acesso ao crédito, os decisores políticos viram-se forçados a aumentar substancialmente a tesouraria para manterem o essencial do modelo social que originou a crise, e que eles, por culpas próprias e alheias, deixaram praticamente intocado. Chamou-se a isto salvar o “estado social”, tendo semelhante proeza sido realizada pela única via possível quando o crédito se esgota e quase não se conseguem cortar despesas: aumentando os impostos.

Ora, só quem acredita que a economia é uma dádiva celestial (ou governamental, o que, para o caso, resulta no mesmo) pode conceber crescimento de riqueza em simultâneo com crescimento de impostos. A riqueza ou fica nas mãos de quem a gera e comprovadamente a sabe aplicar ou vai para os cofres do estado, de onde some inutilmente mesmo antes de lá entrar.

Assim, só numa economia que permita a poupança, isto é, com baixos impostos, poderá haver investimento e criação de empresas e de emprego, o mesmo é dizer, de riqueza. Por outras palavras, enquanto os impostos permanecerem pornograficamente altos, a economia portuguesa continuará a esmorecer. Tudo o mais é conversa fiada.

Voltem para o armário

17 Junho, 2014

Durante alguns dias considerei se este ridículo artigo do Público, “os intelectuais de direita estão a sair do armário”, merecia algum tipo de resposta ou se devia ser tratado como uma peça do 1 de Abril que, por engano, foi publicada pela metodologia Seguro de “é preciso mais tempo”. Depois, quando tinha decidido que o artigo não merecia maior consideração que uma peça sobre o holocausto ecológico de Viriato Soromenho-Marques (que, curiosamente, demonstra o quão a poluição não se considera, ela própria, poluição), chega a resposta do Mário Amorim Lopes, tornando evidente que o meu texto não teria nada a acrescentar. Porém, até tem, que o Mário é demasiado educado para isto. Aqui vai:

Não existe direita. Apenas existe o que a esquerda decide que é a não-esquerda.
Ninguém se caracteriza de direita ou anda na rua com plumas multicolores na procura de uniões desta. Ninguém organiza congressos para “congregar as direitas”, “unir as direitas” ou “combater com uma frente unida o crescimento da esquerda”. Isso seria apenas parvo, o que é intrinsecamente uma condição de esquerda; Não há a Internacional Direitista nem poemas com gaivotas e meninos de mão dada que enfiam flores na metralhadora; não há rancho folclórico aos gritos de “isto não se aguenta”, em corridinho, ao som da concertina, enquanto o Fagundes, com o traje de noiva, abana o farfalhudo bigode da cerveja com sabor a cereja num TwittPE da doutora Estrela. A direita é simplesmente composta pelos que os muito preocupados em identificarem-se de esquerda não acolhem no seu seio. A direita é um conjunto de pessoas que só sabe que o é porque a esquerda assim os identifica. A direita não sai do armário porque não existe; o que existe é uma disponibilidade pontual da esquerda para não espezinhar através do auto-consagrado cânone da bestialidade todos os que não “sentem Abril” a cada orgasmo patético com a matrona entediada.

É impossível “ser de direita”. O verbo “ser” exclui livre-arbítrio e introduz uma certeza, algo que torna em dogmático o que é, por si só, uma abdicação de espírito crítico. As pessoas são (verbo ser) – e por exemplo – católicas ou judias, não são “de esquerda” ou “de direita”. O conceito nem sequer é compatível com um dogma coerente: na Dinamarca considera-se o cheque-escola um conceito inclusivo de progresso enquanto aqui se considera uma medida mais ou menos ao nível do extermínio dos judeus (que aparentemente é de direita, enquanto o extermínio de ucranianos é de esquerda).

A esquerda portuguesa é a legítima herdeira da tradição judaico-cristã.
O artigo do Público demonstra isso na perfeição: não há necessidade de se esconderem no armário aqueles não têm ideias bem definidas e crescentemente claustrofóbicas sobre o papel regulador do Estado; a sério, é possível até não serem estúpidos se não articularem uma ideia sobre a forma como a Merkel devia ser chicoteada no convés e por aí fora. A esquerda é o Bem, o herói circunstancial na luta permanente contra o Mal da ignomínia e escravatura intelectual “da direita”. O que o artigo faz é o mesmo que a esquerda nacional sempre fez: mostrar que há uma fogueira para quem não demonstra arrependimento pelo sentimento de culpa obrigatório e mais que justo por não ter a capacidade intelectual de “ser de esquerda”. Pessoalmente, não me interessa se urbanos saem ou não do armário; preferia, sim, mil vezes, que a pessoa que escreveu a peça voltasse, ela própria, para o local de onde nunca devia ter saído.

As pessoas boazinhas

17 Junho, 2014

Tema do meu artigo de hoje no DE: Estou farta. Mas não farta em geral. A minha fartura é um caso muito particular. Estou farta de pessoas boazinhas. Causam-me a mesma agonia que na infância me suscitavam as iscas: as iscas eram tão saudáveis, as iscas faziam bem, as iscas isto e aquilo. Felizmente lá em casa não era muito popular a invocação então generalizada dos pastorinhos da serra da Estrela que passavam fome e que certamente iriam adorar a comida que nós rejeitávamos, pois creio que teria acabado a integrar os pastores mais as ovelhas e as serranias da Estrela ao Caldeirão ou Mú no desgosto, sim desgosto enquanto contrário de gosto, ou “igosto” para usar a prefixação em voga no Tribunal Constitucional, que aquela textura pastosa das iscas me causava. Lembram-se que por mais que as mastigássemos as iscas nunca mais acabavam? Pois é essa sensação de mastigação circular que eu, décadas depois e já relativamente reconciliada com as iscas, experimento perante os sobressaltos cíclicos das pessoas boazinhas. E nas últimas semanas as pessoas boazinhas têm andado tão sobressaltadas, com tantos factos ali mesmo a jeito para elas poderem mostrar como são boazinhas. Os pinos metálicos colocados na entrada de um edifício em Londres, pinos esses que teriam a finalidade de impedir os sem-abrigo de pernoitarem naquele espaço, foram o pretexto ideal para a manifestação de carradas de bondade.  Ler mais

de sucesso em sucesso

16 Junho, 2014
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O Dr. Paulo Portas não cessa de se congratular com o fim do programa de ajustamento orçamental português. Ora, sabendo-se que tal sucesso foi conseguido quase exclusivamente pela via do aumento de receitas fiscais e que, graças ao descabelado volume que estas atingiram, o pouco que ainda existia da economia portuguesa não estatizada está em vias de extinção, é chegada a hora do Dr. Portas nos esclarecer como querem ele e o seu partido – o “partido dos contribuintes”, é bom não o esquecermos – ajudar a repor uma carga fiscal que não continue a esmagar o país. De resto, se isto não for um objectivo nacional, deste governo ou de qualquer outro que se lhe siga, nomeadamente do Partido Socialista, que também não vemos, em qualquer uma das versões dos dois Antónios, particularmente preocupado com o tema, o “sucesso” orçamental destes três anos valerá de pouco. É só continuar a esventrar o contribuinte com impostos pornográficos e deixar o tempo passar. Não será preciso esperar muito.

Um filho não é um rim

16 Junho, 2014

Percebi que devia responder aos comentários feitos ao meu texto “Os pénis de aluguer e os testículos de substituição” depois de ter lido alguns desses comentários, nomeadamente um assinado por Filomena Gonçalves, que se identifica como Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Fertilidade. Aí, a dado momento, lê-se: “espero que nunca tenha um problema de saúde grave que requeira tratamentos médicos difíceis ou, por exemplo, necessidade um transplante (valha-nos Deus alguém lhe doar um rim – que exploração, que tábua rasa à dignidade humana), porque não podemos obrigar a sociedade a aceitar o inaceitável, ou seja, devemos todos resignar-nos aos desígnios da vida, e deixar nas mãos da mãe Natureza a nossa saúde e a nossa felicidade.”

O que me separa de quem defende as barrigas de aluguer é precisamente a minha rejeição do filho-orgão que se vai buscar a outro corpo, um corpo sem direitos a que se agradece e ao qual às vezes também se paga. Realmente um filho não é um rim. Ler mais

Os pénis de aluguer e os testículos de substituição

15 Junho, 2014

Tema do meu artigo de hoje no Observador: Nós vivemos numa sociedade que cultiva à exaustão e frequentemente com histeria as maravilhas da gravidez. O que se sente na gravidez. A ligação única entre a mãe e o feto. O primeiro olhar, o pegar no bebé. A voz. Fazem-se álbuns com ecografias. Uma mulher grávida não é hoje uma mulher grávida mas um repositório de circunstâncias únicas, irrepetíveis, aulas de yoga e alimentação especial. À excepção das mulheres-barrigas naturalmente.

A “barriga” não só não tem rosto como também não tem sentimentos, provavelmente porque os sentimentos se alojam no coração que fica muito acima da barriga, quase ao nível dos lábios sorridentes dos pais e mães que encomendaram estas crianças e que, aqui deste lado, do lado mediático, endinheirado e solar da história, falam de corpo inteiro sobre a vivência única que é ter um filho nos braços.

Top 5 de inimigos socráticos

14 Junho, 2014

Neste artigo pretendo explicar a posição dos socráticos, identificando os 5 vilões mais relevantes, de forma a que crianças (público alvo) consigam entender.

Bandido número 1: Cavaco Silva

Responsável por tudo de errado que aconteceu, acontece e há-de acontecer no país. Tornando Voldermort num Bambi em comparação, destruiu toda a agricultura, indústria e serviços, criando o monstro das parcerias do estado com privados visando a conclusão do elefante branco que é a A1.

Bandido número 2: Angela Merkel

Nazi, mais radical que Hitler, endrominou maquiavelicamente o estado português a aceitar dinheiro emprestado que não era preciso, usando taxas de juro brutais iguais às da Alemanha, tudo para escravizar os povos do sul, impelidos à compra de inferiores Mercedes, BMW e Audi em detrimento de obras em escolas públicas. É gorda e circula uma fotografia, que poderá ser dela ou não, em que está nua. É a favor da federação europeia mas, inexplicavelmente, não nos nossos termos.

Bandido número 3: Durão Barroso

Abandonou o país pela Europa permitindo a vitória eleitoral de José Socrat… Não, não é isso.

Bandido número 4: Mariano Rajoy

Está a destruir a Espanha, tal como o outro galego Franco já tentou sem tanto sucesso, arruinando a liga ibérica contra a austeridade. Cumpriu uma promessa eleitoral com a lei do aborto e, com isso, não deve ser perdoado.

Bandido número 5: António José Seguro

Não apresenta soluções para o país, as que passam, obviamente, pela canonização de José Sócrates. Não tem carisma nem sex appeal LGBT e continua a recusar envergar turtlenecks em pleno mês de Maio.

Nós já só queremos voltar à boa vida

13 Junho, 2014
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Há um ambiente de descompressão no ar que não é do Santo António e do regresso do calor e da sardinha: é dessa ideia bem portuguesa e bem antiga que tudo se há-de compor sem esforço, porventura até sem acção e sobretudo sem que nada mude. Mais uma crónica minha no Observador.

Doutorados em PPP

13 Junho, 2014
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Apareceram aos magotes desde que se começou a (tentar) cortar na despesa pública. Baixar os encargos com as PPP foi a alternativa milagrosa apontada por muitos – incluindo o PS que as (re)negociou – que evitaria todo e qualquer outro corte. O tema presta-se a demagogia barata facilmente vendável, desde logo por ter como principais interessados as construtoras como concessionários e os bancos como financiadores. Apontar estas instituições como capazes das maiores vilanias e cujo objectivo único é locupletarem-se com lucros fabulosos, constitui argumentário com óptima receptividade junto do cidadão comum, pouco preocupado com a sua fundamentação e sempre disponível para aceitar um “culpado rico” a quem a crise possa ser imputada. A inumeracia reinante, que não compara os valores relativos do défice a anular e de cada tipo de despesa, só ajuda a “pintar” um quadro super maquiavélico.

No fundo, ainda ninguém interiorizou que as PPP não são uma despesa, mas apenas e tão só uma forma de financiamento da dita. Não passam de mera “carpintaria financeira” muito do agrado dos governos, pois permitem-lhes desorçamentar montantes vultuosos de despesa, apresentarem “obra palpável” do agrado dos eleitores, que jamais irão questionar a necessidade da auto-estrada, do novo hospital ou da moderna e artística estação de metro, atirarando o respectivo pagamento para as calendas, muito provavelmente a cargo de quem vier a seguir. Não tendo a despesa que ser registada aquando da sua execução, existe desde logo um incentivo adicional a empolá-la com extravagâncias de encher o olho (vejam-se os granitos reluzentes e mármores utilizados à fartazana pela Parque Escolar), muito adequadas à compra de votos.  Estamos pois a falar de dívida a suportar por rendas futuras que integram naturalmente o pagamento da nova estrutura, da margem do concessionário e dos juros a entregar à banca nacional e internacional que se dispôs a tudo alavancar, confortada pela garantia do Estado.

Em suma, estamos perante “investimentos” financiados integralmente por dívida interna e sobretudo externa. Em tese, até se poderia aceitar se o seu retorno, directo e indirecto, permitisse custear o serviço da dívida. Não acredito que, dentre as dezenas de PPP já executadas, haja alguma que reúna tão virtuosos requisitos. Ou seja, o problema não está no modelo de financiamento, mas nos investimentos que não geram retorno, entendido este como efeito multiplicador do PIB.

Mas não têm as construtoras e a Banca toda uma estrutura de lobbying montada para incentivar os poderes públicos à despesa? Certamente que sim, o mundo está cheio de rent seekers. Só que os governos não foram eleitos para lhes defender os interesses. 

Agora é que as bimbys vão para o lixo

13 Junho, 2014

Cheguei lá atravás do ABC. Trata-se de uma nova forma de cozinhar. Mete-se tudo nuns recipientes herméticos e depois liga-se a máquina de lavar louça. A mim que ainda estou da idade da pedra dos tachos e das panelas isto parece-me bem mais prático que as bimbys.

 

Lembram-se há um ano?

13 Junho, 2014

PS tem “dúvidas fundadas” de que está a ser alvo de escutas. Partido suspeita que a sua sede nacional, em Lisboa, está sob escuta

O Partido Socialista entregou uma queixa na Procuradoria-Geral da República solicitando uma investigação já que tem “dúvidas fundadas” de que vários meios podem estar a ser “alvo de escutas ilegais”, disse fonte oficial do PS.

Socialistas temem que telefones da sede estejam a ser alvo de violação PGR abre inquérito a escutas no PS Queixa do Partido Socialista motiva decisão do órgão judicialLer mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/politica/pgr-abre-inquerito-a-escutas-no

CMTV – Correio da Manhã jornal impresso Edição impressa 13 Junho 2014 Ver capas anteriores Correio da Manhã Sexta-feira, 13 de Junho de 2014 – 12:25 Subscrever newsletter Siga o CM em: Facebook Twitter Lisboa 26º C Previsões Diretor: Octávio Ribeiro Diretores-adjuntos: Armando Esteves Pereira, Eduardo Dâmaso e Carlos Rodrigues Home Últimas Nacional » Internacional » Sport » Lazer » Multimédia » Opinião » Outros » Promoções CM Exclusivos CM hoje nas bancas 160 mil funcionários públicos escapam a cortes Jogo da internet provoca destruição de carros Aumenta gasto dos utentes em remédios Canais lançam novidades para os meses quentes Volta para violar filho Exclusivos CM hoje nas bancas Prima de autarca revela segredos do pacto da morte Guerra de empresários trava ida de Tiba para Benfica Parlamento deve legislar sobre sondagens Bárbara Guimarães está loira Fernanda Serrano: “Só algo de muito grave me faria avaliar outros convites e sair da TVI” Exclusivos CM hoje nas bancas Charneira Marinho A razão dos mercados Desmaios As mulheres e o Ronaldo Veja mais opinião hoje Exclusivos CM hoje nas bancas João Miguel Rodrigues Tamanho Letra Imprimir Comentar Enviar Partilhar Ler Comentários URL COMENTÁRIO MAIS VOTADO “que coincidências, mais uma manobra do PS para desviar as atenções da porcaria que fez ao país! ” Anónimo 21 Julho 2013 Socialistas temem que telefones da sede estejam a ser alvo de violação PGR abre inquérito a escutas no PSLer mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/politica/pgr-abre-inquerito-a-escutas-no-ps

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Protesto estatisticamente significativo

13 Junho, 2014

A conceção1 da prova é a culpada pelos maus resultados, diz Lurdes Figueiral, presidente da Associação de Professores de Matemática. Aparentemente, para um professor de matemática, é possível calcular, a olho nu e com elevado grau de confiança, a existência de diferenças significativas entre duas médias, uma de 47%, outra de 49%.

Eu sei que é um preciosismo matemático – algo que não se deve esperar obrigatoriamente de um professor de matemática – mas, é 47% diferente de 49% com provas diferentes e diferentes alunos?

De acordo com Lurdes Figueiral, em declarações à TSF (sem link), houve uma preponderância de exercícios de cálculo na prova de matemática, algo que, pelo exagero, prejudicou os resultados.

É um problema neste país: cálculos a mais. Este excesso, tão prejudicial para aferir a realidade (quer das contas públicas do país, quer das aprendizagens dos alunos), estraga a possibilidade de conclusões peremptórias através da ferramentas bem mais relevantes que o cálculo: o desejo, a paixão e a certeza conceptual da bondade em tudo o que é justamente belo.

Numa coisa Lurdes Figueiral tem razão: as provas aos alunos não são boas para aferir as aprendizagens dos alunos; porém, são excelentes para aferir professores, motivo pelo qual não faltarão movimentos exigindo a sua abolição.


1 Grafia que permite a manutenção do princípio da igualdade de “concepção” a “concessão”.

Não pagar o dízimo à esquerda tem custos

12 Junho, 2014

Católicos contestam prémio atribuído pela Universidade Católica a Soares dos Santos

Obs. A propósito das pessoas que como os subscritores deste protesto questionam Soares dos Santos por ter  “Uma forma de enriquecimento baseada nos ganhos do capital e sua acumulação” – realmente há quem não tenha enriquecido ou pelo menos garantido um apreciável rendimento à custa do Estado – quantas delas que acusaram Champallimaud do mesmo e de muito pior não tentam agora ser tratadas na fundação sustentada pela dádiva daquele que foi em Portugal o símbolo do capitalismo?

 

As presidenciais portuguesas

12 Junho, 2014

decidem-se hoje em boa parte em Espanha: António Guterres entre candidatos a Prémio Príncipe das Astúrias da Cooperação

Figuras de estilo

12 Junho, 2014

“Há crianças a lavar pratos de manhã à noite”. É a factura da crise   Estas declarações da presidente da Confederação Nacional de Acção Sobre o Trabalho Infantil (CNASTI) têm todos os ingredientes para abrir noticiários. E deveriam sê-lo não só porque os  factos referidos são graves mas também porque a CNASTI parece ter saído de um torpor informativo de vários anos. Presumo que os seus colaboradores terão andado a a fazer as investigações que agora permitem à presidente fazer estas declarações:o site da CNASRI vive numa doce modorra, nos jornais raramente se encontram notícias sobre a CNASTI…

Como por razões profissionais tenho de garantir verosimilhança àquilo que outros escrevem este tipo de declarações causa-me sempre várias dúvidas. Por exemplo, a CNASTI já apresentou queixa por isto: “nas zonas de turismo existe muitas crianças que vão trabalhar para restaurantes, por exemplo, a lavar louça. Começam a trabalhar de manhã e saem quando o restaurante fecha” ? E queixa naturalmente não apenas por crianças – de que idade? – estarem a trabalhar mas também por os restaurantes em causa ficarem com tais pilhas de louça suja acumulada durante a noite que as crianças que de lá saíram quando o restaurante fechou têm logo de manhã de voltar aos restaurantes para  lavá-la. A imagem da criança a lavar pratos é poderosa mas não pode ser usada como figura de retórica.

 

Coincidências

11 Junho, 2014

Num país distante, uma minoria que se considerava moralmente superior lidava mal com o princípio um homem um voto.
Nesse país um homem que a minoria detestava ganhou várias eleições e tornou-se Presidente da República.
Um dia esse homem enquanto Presidente sentiu-se mal enquanto discursava na cerimónia do dia do seu país.
No facebook alguém escreve «nem o tipo morre nem a gente almoça»
O tipo não morreu. E mais ou menos uma hora depois o tipo estava a colocar uma medalha no peito do pai da autora daquele comentário.

Nogueira explica

11 Junho, 2014

Mário Nogueira já explicou que não há qualquer pedido de desculpa a fazer. Limitou-se a estar numa manifestação num evento não relacionado, sem ouvir ou ver o que acontecia, sem perceber o que o rodeava e sem ter qualquer responsabilidade com o que, da sua acção, pudesse advir.

Explicou, portanto, o que é ser um sindicalista da função pública.

P.S.: Setôr, não fiz o trabalho de casa porque estava ali na aula mas nem ouvi nem percebi o que se estava a passar quando o anunciou.

Em sentido, sociedade comunitária em geral comandada por general em particular

11 Junho, 2014

Amanhã começa o campeonato mundial de futebol. Nada representa melhor a bipolaridade entre esperança e a desilusão típica dos portugueses que uma competição nunca vencida. O melhor exemplo talvez seja o festival da canção da Eurovisão: há sempre uma esperança que, quando se concretiza a derrota, se transforma num misto de “não fazemos nada de jeito” e “aquilo está tudo comprado”.

Em Portugal há o trauma dos poderosos. Há sempre o poderoso que controla tudo, que manipula resultados, que obtém o que quer por vias travessas. Pode ser o Platini ou a Merkel; pode ser “a crise internacional” ou “a falta de meios”. Pior: pode ser o euro ou “o neo-liberalismo”. Por isto gostamos de Sebastiões, seja o Sócras do PEC IV, seja o Hollande da metafísica económica que mantém ligado o socialismo à máquina por mais um mandato.

António Costa vai pelo mesmo caminho, colocando-se (ou deixando-se colocar) na posição do Cristiano Ronaldo da economia. Quando se deposita tanta esperança num único jogador, o resultado é sempre o mesmo: um Atlas, com o peso do mundo aos ombros, permanentemente no limiar do insucesso. Vocês já sabem que vai correr mal, não sabem? Tanto o mundial como o Costa; tanto o Eurofestival como o keynesianismo eleitoral, o que envergonharia Keynes, ignorando a existência de ciclos, usando gasolina quer para alimentar a chama, quer para a extinguir.

Não deixa de ser estranho que um povo tão constitucionalmente socialista deposite tanta esperança num único jogador. Afinal, “a sociedade” gosta é de um general.

O pulha

10 Junho, 2014

O pulha há anos que não trabalha.
O pulha há anos que só fala dos trabalhadores.
O pulha há anos que fala pelos trabalhadores.
O pulha há anos que é pago pelos contribuintes portugueses.
O pulha há anos que diz andar a defender a classe.
O pulha há anos que é adorado pelos jornalistas.
O pulha há anos que faz sempre o número da indignação.
O pulha há anos que aparece em todo o lado à procura de ser visto.
O pulha há anos que faz de conta que precisa de gritar.
O pulha há anos não quer que os outros falem.
O pulha há anos que exige absoluto respeito pelos seus direitos. (Para o pulha mais ninguém tem direitos à excepção dos camaradas do pulha.)
O pulha foi ao 10 de Junho.
O pulha gritou.
O pulha foi filmado.
O pulha riu quando Presidente desmaiou.
O pulha abanou-se ainda mais para que os repórteres o filmassem outra vez.
O pulha ouviu gritos contra si.
O pulha veio-se embora.
O pulha amanhã vai falar de patriotismo.
O pulha é apenas um pulha.
O pulha nunca deixa de ser pulha.
Mas nem sequer é o nosso pulha. Porque não serve para nada. Só nos envergonha.

Obs. Já agora quantas pessoas votaram no pulha? Como é eleito o pulha?

Esperemos

10 Junho, 2014

Pelo 10 de Junho em que um grupo de neo nazis se vá manifestar durante o 10 de Junho, interrompendo o PR democraticamente eleito. Depois trocamos uma sideias sobre o assunto

Viciados

10 Junho, 2014

Viciados na retória esquerdista os repórteres não conseguem sequer dizer que alguns dos populares presentes reagiram aos manifestantes cantando o hino e batendo palmas qunado foi anunciado que Cavaco ia regressar.

Nunca mudam

10 Junho, 2014

Cavaco Silva sente-se mal durante o discurso. Mário Nogueira e respectivos acompanhantes regozijam-se.

10 de Junho – tão relevante que nem é notícia

10 Junho, 2014
Dilema: quem está a mais? O 10 de Junho ou os jornais?

Dilema: quem está a mais? O 10 de Junho ou os jornais?

“Ele (já não há) coisas (assim tão) terríveis!…”

10 Junho, 2014
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Os caminhos tortuosos e imaginativos do “ajustamento orçamental”, na Europa.

Dos países comunistas não se foge, deserta-se

10 Junho, 2014

Diário de Notícias, 10 de Junho de 2014: 8 membros da Companhia de Bailado de Cuba desertam

 

A insustentável leveza do professor Marcelo

9 Junho, 2014
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Foi esta semana, podia ter sido a semana passada ou na próxima. A propósito da prelecção dominical na TVI, resolvi escrever umas linhas onde defendo que para Marcelo nunca há políticas, há factos políticos. Nunca há objectivos, há apenas fintas e volteios. Talvez seja por isso que nunca marcou um golo – ele nunca remata à baliza, só brinca na areia. Para ler o resto é só seguir o link. 

o regresso de joselito

9 Junho, 2014
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Joselito_El-Triunfador-Joselito-v_3_LPNão está em causa que muito boa gente tenha cuidado das suas reformas no consulado de José Sócrates, como António Costa exaltou no seu momentum de entronização como candidato a líder do PS, ao elogiar o “impulso reformista” do anterior primeiro-ministro socialista.

Até aí, nada de novo: já todos tínhamos percebido que Sócrates está de regresso, até pela euforia que paira em diversos sítios da net, de há uns dias para cá.

A questão é outra: ele volta para onde? É que, enquanto o elogio a António Guterres feito por Costa, enaltecendo a “visão estratégica” do homem que via indícios de crescimento económico no facto dos hotéis algarvios estarem cheios de portugueses na Páscoa, leva candidatura presidencial no bico, não se consegue, por enquanto, entender qual possa ser o destino político do mestre da Sorbonne.

A não ser que Costa tenha tomado por boa a sugestão da liderança bicéfala feita por Seguro, e se esteja a preparar para governar o PS em diarquia. Mas ele que não se precavenha, que, por um destes dias, já nem a diarquia lhe aproveita.

Alguma coisa está para acontecer

9 Junho, 2014

Reparem neste modelo do casaco de Merkel
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Agora comparem com os modelos anteriores:
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A SENHORA MERKEL MUDOU DE MODELO DE CASACO!!!!! ALGUMA COISA DE MUITO IMPORTANTE ACONTECEU OU ESTÁ PARA ACONTECER: UMA MULHER NÃO MUDA O MODELO DO BLAZER ASSIM DO PÉ PARA A MÃO. AINDA POR CIMA ESTA NOVA VERSÃO TEM ASSIM UM AR DE BATINHA. CREIO QUE NÃO VEM AÍ NADA DE BOM.

trapaceiros aéreos portugueses

9 Junho, 2014
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logo_tap_ptImagine que, por qualquer motivo, você precisa transportar um animal doméstico, no caso, um cão, de um país estrangeiro longínquo para Portugal. Como levá-lo de barco ou de carro está fora de questão, por impossibilidade da segunda hipótese e devido ao tempo de duração da primeira, o que fará qualquer normal cidadão português? Fácil: recorre aos serviços da TAP, a transportadora aérea portuguesa, empresa pública e orgulho de todos nós!

A primeira coisa a fazer é consultar o site da empresa. Aí, encontrará o preçário do serviço, pelo qual ficará a saber que o preço do transporte do animal, que se situa entre 48 kg e 100 kg, segundo os parâmetros estabelecidos pela empresa, irá até 480,00 euros. Não é barato, mas ainda é suportável.

Posto isto, compra uma passagem aérea para si e solicita a marcação de lugar para o animal no mesmo vôo. O bilhete é emitido e pago, juntamente com a reserva feita para o animal, cujo pagamento se processará no balcão da TAP do local de embarque.

Até aqui, tudo muito bem. Só que, imagine agora, a dois dias da viagem marcada – e paga, repita-se – você recebe uma comunicação da TAP, dizendo que o país de embarque do animal exige que o mesmo seja feito através de um despachante. Bom, você não deixará de estranhar que só a dois dias e depois de tudo confirmado, a TAP lhe comunique uma exigência que já deveria saber e ter comunicado, mas tudo bem:  vamos em frente e toca a fazer o que nos é exigido.

E, então, é que a coisa se complica: o serviço do despachante custa cerca de USD$ 300,00, só que o da TAP passa, agora, para – pasme-se! – USD$ 3451,92. Qual a razão? Muito simples: a TAP aproveita a boleia das exigências legais locais e deixa de considerar o transporte como de um animal doméstico, passando a considerá-lo como carga. O animal está dentro dos parâmetros da carga e peso da companhia, só que como vai ser embarcado por um despachante, passa para outro preçário da TAP. Como é evidente, nada nem ninguém obrigam a companhia a isso: trata-se apenas de uma espertalhonice para sacar dinheiro ao indígena.

Ora, como a TAP não tem patrão, ninguém se preocupa com as eventuais consequências indemnizatórias de um futuro processo judicial. Se alguma coisa houver para pagar, o contribuinte tem os bolsos à disposição, e não será por mais mil ou menos mil que o gigantesco buraco de uma companhia aérea, que está sempre lotada e que cobra preços elevados, crescerá significativamente. É para ocorrer a esse tipo de emergências que os portugueses pagam impostos!

O futuro está nos números

9 Junho, 2014

Poderá António Costa vir a ser um grande reformador, como sugere o Carlos Guimarães Pinto?

A resposta está nestes números: 0,5%,130%, 5%, 59.2%, 66%, 31,5%, 8%, 24,85%, 0,15%, 4,25%

0,5% é o défice estrutural imposto pelo tratado orçamental

130% é o peso da dívida pública em Portugal.

5% é o défice actual

59.2% é a votação de PS, CDS e PSD nas eleições europeias.

66% é a percentagem de deputados para mudar a Constituição

31,5% é o IRC que o investimento estrangeiro relevante paga em Portugal

8% é a votação do PASOK nas europeias.

24,85% é a votação de Marine Le Pen nas europeias.

0,15% é a actual taxa de juro do BCE

4,25% é a taxa máxima que os juros do BCE atingiram no final do ciclo económico anterior à crise

Um governo de António Costa teria que cumprir os 0,5% de défice estrutural do pacto orçamental, o que implicaria baixar aqueles 5% de défice para valores abaixo de 1% ou 2%. Claro que o Costa pode negociar com a UE para relaxar essa meta (tendo em conta o seu enorme peso político na Europa), mas os factos macroeconómicos não mudam, nomeadamente os 130% de dívida que obrigam em qualquer circunstância a um corte no défice, para alem de que uma renegociação esbarraria nos 24,85% de Marine Le Pen e de outros líderes de extrema direita. António Costa poderia apostar em atrair investimento estrangeiro baixando aqueles 31,5%, mas o PS tem um historial de minar esse abaixamento, e demoraria anos até ser levado a sério. A outra alternativa é fazer reformas de longo prazo, mudando a Constituição, liberalizando saúde e educação e reformando a segurança social. Aqui ainda poderá haver uma janela de oportunidade para que aqueles 59.2% de votos superem, graças ao método de Hondt e à bipolarização das legislativas, os 66% de deputados necessários para mudar a Constituição, isto se a ala esquerda da bancada do PS votar a favor, o que não é garantido. Outra alternativa ainda é cortar salários e pensões contando com a bondade do Tribunal Constitucional, ou aumentar impostos, mas estas opções esbarram no fantasma do PASOK (8%). António Costa, que sempre procurou estar no centro do status quo, teria que optar sobre que aspecto do status quo iria ter que deixar cair, e optaria por não deixar cair nenhum. Retórica e prática política de António Costa resumem-se a falar de agendas, planos e apostas e no fim atirar dinheiro para os problemas. E o tempo não pára. Ao longo do actual ciclo económico as taxas do BCE subirão de 0,15% para valores próximos dos 3% ou 4%. E haverá uma nova recessão. Quando isso acontecer, quem não se preparou voltará à bancarrota.

Alguém sabe responder?

9 Junho, 2014

Candidato e presidente da CML António Costa manteve-se na Quadratura do Círculo. Era estranho tanto mais que por via dessa sua circunstância por aquelas bandas não se falava da autarquia de Lisboa e os assuntos colaterais eram abordados de uma forma muito condicionada. Agora que António Costa está candidato à liderança do PS vai manter-se na Quadratura do Círculo? E como val ali ser abordada a situação interna do PS?Vão falar de Seguro?

em comum

9 Junho, 2014
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O que têm em comum estes dois homens, Marques Mendes e José Sócrates? Embora por motivos diferentes, ambos consideram “um suicídio” o governo demitir-se após o enésimo chumbo orçamental do Tribunal Constitucional, que lhe retira condições para cumprir as metas orçamentais. Um doce a quem adivinhar as razões de tamanha prudência. Pela saúde do governo de Passos e de Portas não será certamente. Ambos gostariam de lhe tratar da saúde, é certo, mas também nada de exageros…