o ano que aí vem
Graças aos resultados de ontem, o ano que aí vem augura-se auspicioso, pelo menos até às próximas legislativas. Se a coisa for como se espera, ainda havemos de ouvir o António Costa a clamar por austeridade e a pedir contenção nas despesas do estado…
Agora é tarde: Inês é morta.
Ferro Rodrigues pede a Cavaco que antecipe legislativas
Cavaco ofereceu em 2013 ao PS a possibilidade de eleições antecipadas. Aliás caso Seguro tivesse então aceite a proposta do PR, proposta essa que parecia feita à medida do inseguro Seguro, Portugal estaria agora em legislativas. O PS impôs a Seguro rejeitar o acordo porque o ódio a Cavaco falou mais alto. Agora é tarde: Inês é morta.
reflexão
Vencidos e vencedores (PT)
DERROTAS
Do PSD/CDS – Grande cabazada, resultado miserável (seja em perpectiva nacional ou desempenho europeu);
Do CDS – Perde metade da representação;
De Paulo Rangel, Nuno Melo e Carlos Coelho – Pagam pesadamente a miserável e indigente campanha realizada;
Do PS/Seguro – 4% de diferença, atendendo às circunstâncias, é derrota política;
Bloco de Esquerda – Depois de perderem metade do eleitorado e da representação na A.R. perdem agora outra metade do eleitorado e 2/3 da representação. Em deterioração rumo à irrelevância merecida;
VENCEDORES
Marinho e Pinto – Obviamente;
PCP – Os comunas conseguem excelente resultado cavalgando a onda nacionalista e anti-europeísta que varreu a Europa;
Livre – Ultrapassam o Bloco em Lisboa, sendo isso uma grande vitória. E tem boa votação que lhes daria grupo parlamentar em legislativas. Para partido com poucas semanas é bom;
Francisco Assis – Apesar de campanha desastrada, tem mais 5% que Vital Moreira há 4 anos….
o ps e as suas encruzilhadas
Deve ter sido tamanha a alegria e a festança pela “esmagadora vitória” de ontem do PS, que o Câmara Corporativa ainda não conseguiu editar um único post a comemorar o feito. Uma transcrição de um artigo de Correia de Campos sobre as malfeitorias que o governo tem feito ao estado social e um outro com uma intensa reflexão do deputado Galamba sobre o futuro da social-democracia europeia, com um lúgubre comentário sobre a prestação do PS nas eleições de ontem (“não podemos dizer que o PS tenha tido uma vitória histórica, longe disso”). Pouco, muito pouco. A vitória de ontem merecia mais e certamente que os próximos dias serão pródigos em festejos.
O que fazer com tantos votos?
“O que fazer com tantos votos”, questão que Rui Tavares poderá colocar, talvez a Manuel Alegre.
Agora, que o objectivo do Livre não foi atingido, é preciso arranjar novos objectivos. Talvez possam fazer isso através de um processo público de primárias.
Dois anos separam estas capas
Curiosa explicação
O DN já arranjou uma explicação. Afinal os “populistas” retiram votos ao PS, e apenas ao PS, reduzindo a sua expressão eleitoral, que, na maior crise desde a peste negra, ainda não conseguiu convencer o seu eleitorado de que é o mais vocacionado para materializar o unicórnio.
É curioso revelar assim, na capa de um jornal, toda a estratégia de um partido para vencer eleições. As pessoas que gostam muito de “transparência” devem estar satisfeitas.
Mais fascinante é o DN reconhecer que o PS perdeu votos para um candidato que é contra a co-adopção e o casamento gay.
Adenda: Faltava colocar aspas em populista. Não reconheço a Marinho e Pinto uma capacidade de superação de um Alegre, Sócrates, Soares e outros que tais; mas, de acordo com o que ouvi nas televisões ontem, o termo correcto para caracterizar Marinho e Pinto é “populista”, o que quer que isso signifique em Portugal.
Ontem Pacheco Pereira analisava os resultados das europeias dizendo que o povo está descrente e sem alternativas e que a democracia está em risco. Parece que as 16 opções de voto que ontem apareceram no boletim de voto não são suficientes para assegurar alternativas suficientes. António Costa explicou que tudo se resolve com uma “nova agenda mobilizadora”, uma grande ideia, mas que ele não devia ter revelado, porque os outros 15 partidos vão copiar. Eu, por mim, penso que as pessoas não querem mais alternativas, nem querem uma “nova agenda mobilizadora”. Querem um cheque bebé, de preferência sem a necessidade de fazerem o bebé. Foi aliás distribuindo um cheque de 80 euros a cada trabalhador que a nova estrela da esquerada italiana, Matteo Renzi, conseguiu a vitória mais expressiva da noite de ontem, tendo o dobro dos votos do populista lá do sítio. Portanto, cá está uma boa forma de combater o populismo: distribuam dinheiro às pessoas porque elas andam desiludidas com a política desde que se deixou de fazer uma auto-estrada em cada terrinha e um estádio por distrito e de dar complementos de reforma para os velhos, empregos fictícios para os jovens e progressões automáticas na função pública. Temos que recuperar a política naquilo que ela tem de mais nobre.
A abstenção
Em Portugal quase atingiu os 2/3 do eleitorado e no resto da europa não andou muito distante. Do que resulta, mais uma vez, um enorme défice de representatividade do Parlamento Europeu com crescimento relativo das franjas radicais.
Reconheça-se que o eleitorado denota alguma clarividência. Porque haverá de se dar ao trabalho de ir votar em candidatos que não conhece, que lhe foram impostos pelas oligarquias partidárias em listas plurinominais, cujo fito principal é usufruírem durante meia década de salário e regalias de topo e de quem é mais prudente esperar que cumpram o mandato em plena ociosidade sob pena de parirem legislação estúpida?
Claro que o resultado prático é o reforço do populismo multicolor, seja da Frente Nacional, do Syrisa, ou do justicialismo intolerante de um Marinho Pinto. Mas talvez o sistema precise de apanhar um valente susto para se reformar. E a principal reforma será a de atribuir representatividade plena aos deputados europeus. Alterando, por exemplo, o sistema eleitoral para maioritário na base de círculos uninominais, adoptando o que já funciona bem em vários países.
paulo morais
Os 7% de votos na lista de Marinho Pinto são um protesto contra o sistema político e aquilo que os eleitores entendem ser a corrupção da classe política. Foi uma votação expressiva, que poderá decidir o resultado das próximas legislativas. Por isso, quer o PS quer o PSD certamente que o vão tentar captar. No caso do PSD essa tarefa está naturalmente facilitada: bastará que o partido olhe com outros olhos para Paulo Morais, que, salvaguardadas, em seu largo benefício, as devidas distâncias, poderá ocupar nessas eleições o espaço que nestas coube a Marinho Pinto.
o elevador da glória
3,75% foi a percentagem de votos que separou o partido vencedor das eleições, o PS de António José Seguro, sem responsabilidades na execução das políticas de austeridade do governo dos partidos que ficaram em segundo lugar. Falta um ano para as legislativas e José Sócrates já deu o mote para o que irá suceder no interior do PS: o resultado do governo foi uma “hecatombe”, mas a vitória de Seguro “não foi muito expressiva”, por não ter ficado “acima de 40%”, disse. Hoje, embora simbolicamente, José Sócrates subiu o elevador do Altis para felicitar o seu camarada secretário-geral do PS. Certamente que não desceram juntos.
Resultados eleitorais das legislativas de 2011
Vitória histórica
Quero congratular esta vitória histórica dos 35 congressos de união das esquerdas, como se pode comprovar pelo mapa político da Europa desta noite.
O meu muito obrigado.
aproveitando a ocasião
Talvez fosse oportuno explicar aos porta-vozes dos partidos e aos políticos em geral que falam na televisão, que não há “há anos à frente”, pelo que escusam de estar sempre a repetir o que sucedeu “há anos atrás”.
outra vitória estrondosa
Já em França, a “vitória estrondosa” foi para a senhorita Marine Le Pen e a sua Frente Nacional, que capitalizaram o discurso de descontentamento contra as políticas de austeridade do governo francês. Só que lá o estrondo foi bem maior, com o partido de Marine a conseguir praticamente o dobro dos votos do Partido Socialista do infeliz Holande. Espera-se que António José Seguro, no discurso que assinale a sua “estrondosa vitória”, não se esqueça de também de referir mais esta pesada derrota das políticas europeias de austeridade.
“vitória estrondosa”
O PS optou por uma estratégia óbvia de fuga para a frente: lançar o foguetório antes que os resultados assentem e as pessoas percebam que isto são eleições europeias, onde o voto de protesto é sempre recorrente, que 75% dos eleitores não compareceram às urnas e que, à esquerda, o voto cresceu e fugiu ao PS. Se isto são boas notícias para as legislativas, vou ali e já volto…
europeus derrotam europeístas
Shultz e Junker deveriam fazer uma declaração de derrota conjunta, face à abada que levaram dos europeus.
Da censura voluntariamente aceite
Diz a Comissão Nacional de Eleições: «os resultados oficiais apenas podem ser divulgados após as 22h em Portugal»
Aí sim? E por obra de quem? Onde está o fundamento legal? Não existe.
A Direcção-geral de Administração Interna (DGAI), que tem a seu cargo a administração eleitoral, emitiu uma nota em que avisava que a “divulgação pública dos resultados do escrutínio provisório, tendo em atenção a hora de fecho das urnas em Itália, só poderá ser efectuada a partir das 22h de Lisboa”(*)
Essa é boa! Então não diz a lei eleitoral que «— O apuramento assim efectuado é imediatamente publicado por edital afixado à porta principal do edifício da assembleia ou da secção de voto, em que se discriminam o número de votos de cada lista, o número de votos em branco e o de votos nulos.» (*)
Ou seja, assim que são apurados os votos estes tem de ser imediatamente afixados. E como tal publicados e dado conhecimento geral. Seria ilegal não o fazer. Assim, se a comunicação social quiser divulgar os dados conhecidos pode naturalmente fazê-lo. Só quem aceite voluntariamente a censura é que vergará abjectamente a espinha e seguirá a «ordem» ilegal.
Deixemo-nos de tretas está bem?
Em vez de andarmos para aí feitos tontos a ouvir uma criatura com ar de quem acabou de sair de uma reunião de condomínio a dizer que acha que são horas de matar seria bem melhor que ouvíssemos este bem mais genuíno desejo
Pois
Hoje não se pode usar símbolos políticos, pelo menos nas imediações das mesas de voto. Pode-se colocar uma cópia do boletim, exposta na parede, à porta do local onde os vossos filhos aprendem a versão da História do funcionalismo público, com heróis vermelhos e bandidos opositores ao jacobinismo. Não se pode colocar na lapela nem o pin do biberão, símbolo do maior partido sem representação parlamentar oficial, isto de acordo com o português do apartamento do lado, nunca de nós próprios.
O boletim está carregadinho de variações da palavra “socialismo” e a concentração de foices e martelos é superior à da comum quinta com fundição nocturna, a que é alumiada pela estrelinha de Belém do Messias revolucionário que dará a vida do reles opositor pelo bem comum.
Ainda está tudo fechado, só abre daqui a uma hora: já se sabe como é a produtividade nacional. Ide. Observai os que vos rodeiam, instagramem a cena e updatem o Facebook. Isto não se aguenta, a fome é negra, isto assim nunca se viu, estão a destruir o estado social as sent from my iPhone.
Descubra as diferenças
Boletim de voto das eleições de 1975:
![1975 Boletim de Voto 25-04 (Assembleia Constituinte)[4]](https://blasfemias.net/wp-content/uploads/2014/05/1975-boletim-de-voto-25-04-assembleia-constituinte4.jpg?w=600&h=450)
Partidos candidatos às europeias de 2014 alinhados pela ordem por que aparecerão no Boletim de Voto:
1.
Partido Socialista – (PS);
2.
Nova Democracia – (PND);
3.
Partido da Terra – (MPT);
4.
Movimento Alternativa Socialista – (MAS);
5.
Partido pelos Animais e pela Natureza – (PAN);
6.
Partido Operário de Unidade Socialista – (POUS);
7.
Partido Trabalhista Português – (PTP);
8.
LIVRE – (L);
9.
Bloco de Esquerda – (B.E.);
10.
Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses – (
PCTP/MRPP);
11.
Portugal Pro Vida – (PPV);
12.
Partido Democrático do Atlântico – (PDA);
13.
Partido Nacional Renovador – (PNR);
14.
CDU – Coligação Democrática Unitária – (PCP-PEV);
15.
Aliança Portugal – (PPD/PSD.CDS-PP);
16.
Partido Popular Monárquico – (PPM).
Ide votar ou ficai em casa, ambas são permitidas
Hoje ninguém apela ao voto em Sicrano e Beltrano. Hoje apela-se ao voto, ponto. Sim, o voto abstracto, não o voto concreto. Supondo que Mário Soares apela ao voto, não é ao voto num partido específico, é ao voto abstracto, num partido qualquer, de forma completamente desinteressada, seja ele qual for, nem que num partido conhecido por acções que, por muito menos, levaram à morte do rei D. Carlos.
Ninguém apela ao não-voto. Não se pode: alegadamente é anti-democrático. A abstenção é encarada como um problema, como que se alguém que conscientemente não quer participar na votação esteja a prejudicar a nação unida no objectivo que é a existência do próprio ritual.
Uma democracia madura não tem medo da abstenção. Divirtam-se hoje com os inúmeros apelos que ouvirão ao voto: está tudo bem, não têm que ir votar se não quiserem. A sério, não faz mal. Democracia é também aceitar os que em actos eleitorais não querem participar.
A tradicional descida de Notre Dame à Sorbonne
O Partido Socialista conseguiu afastar da “tradicional descida do Chiado” o homem responsável pela vinda da Troika, conseguindo elevar a percentagem de votos pela remoção da campanha do factor mais determinante para a redução de abstenção de potenciais votantes na coligação governamental.
Seguro demonstra, com isto e a quem ainda tem dúvidas, que é o único candidato socialista a primeiro-ministro.
Ó criaturas
palito e canibal, a mesma luta, afinal!
Com esmagadores 40,15% e 21,95%, respectivamente, de 401 votos dos leitores do Blasfémias, 62,10% do total, portanto, Manuel Palito Baltazar e Adolfo Luxúria Canibal sagraram-se os grandes vencedores da nossa sondagem de ontem, que queria saber quais as micro-personalidades nacionais que os leitores do blog gostariam de ver em Bruxelas. Não é para admirar: ambos têm uma forma particularmente resoluta e determinada de enfrentar as situações que os apoquentam, ainda que Palito leve até ao fim aquilo que Canibal se limita, por enquanto, a ameaçar fazer. Mas, não haja dúvidas, ambos estão muito próximos na pedagogia que sugerem para resolver problemas. Problemas mentais, sobretudo. E deles, claro.
Proteccionismo?
O BES informa que a auditoria externa realizada às demonstrações financeiras de 2013 da ESI “apurou irregularidades nas suas contas e concluiu que a sociedade apresenta uma situação financeira grave”.(*)
…a instituição admite que “um agravamento da respectiva situação financeira bem como as irregularidades detectadas nas suas contas” podem “afectar a reputação do BES e a cotação das suas acções”,
Que aquele grupo financeiro passa dificuldades «reputacionais» já sabia. Em Espanha levou com uma multa por «infracções muito graves» relacionadas com branqueamento de capitais. Nos EUA também tem actualmente um processo similar por «conluio em fraude e violação de regras de prevenção de branqueamento de capitais». O próprio Ricardo Salgado esteve envolvido numa salgalhada (passe o pleonasmo) com as suas declarações fiscais (*).
Agora sabe-se que a própria holding do grupo está em «falência técnica» (*)
Mas, sinceramente, o que acho espantoso é que tal situação tão grave, se saiba pela voz do próprio BES que é obrigado a anunciá-la no prospecto de aumento de capital.
Então a auditoria que revela tais dados é encomendada pelo Banco de Portugal, é comunicada à CMVM e não há um comunicado das autoridades supervisoras dando conhecimento dessa informação? Não é relevante para o mercado? Não é relevante para os outros accionistas? Não é relevante para a concorrência? Não é relevante para os clientes? Só por obrigação legal o próprio visado é obrigado a fazer auto-delacção da sua situação gravosa? E se não houvesse aumento de capital? Ficava a CMVM e o BP apenas pela exigencia técnica de reforço de provisões sem que se soubesse do verdadeiro estado da situação? Que supervisores são esses? Encobridores?
A mulher gorda canta hoje à meia-noite
Com devido respeito pelo último dia de campanha eleitoral – particularmente dirigido para “último” em vez de “campanha” – este queimar de cartuchos final (e por isso mesmo) tem tudo para gerar momentos verdadeiramente hilariantes, reduzindo in extremis o papel do eleitor ao de um gravador no bolso de Ricardo Rodrigues.
Mário “é preciso unir a esquerda” Soares recusou a participação na “tradicional descida do Chiado” (expressão que, se repetirmos várias vezes, pode atingir mesmo proporções de tradição). Jornais, sempre preparados para caracterizarem alguém como “peso pesado”, recorrem ao que sobra, colocando o epíteto em José Sócrates, o trendsetter que pode mesmo colocar o “tradicional” em “descida do Chiado”.
Em conclusão, o “peso pesado” que o Partido Socialista apresenta para o encerramento da campanha é o tipo que perdeu as eleições. Sendo assim, não percam a tradicional descida da Carmelinda Pereira: ninguém perdeu tantas eleições como ela, o verdadeiro “peso pesado” da democracia portuguesa, por muito que Pacheco Pereira se esforce.
Em dia que se sabe que o custo das promessas do PS rondam o dobro do anunciado, é dada aos eleitores a oportunidade de encararem a campanha eleitoral como uma forma de assegurar que menos de metade do que é prometido pode sequer ser contemplado para eventual cumprimento. Amanhã é dia de reflexão: quantos candidatos vão olhar o espelho?
A não perder
Esta conversa entre Jaime Gama e Jaime Nogueira Pinto no Observador.
Surpresa
Afinal as promessas do PS custam o dobro do anunciado.
A deriva de Mário Soares
Soares jura que vai votar no PS. Mas está ao lado de Alexis Tsipras num cartaz da campanha europeia da esquerda radical.
Tema para a minha crónica no Observador: Ao aparecer num cartaz do Syriza, Soares colocou-se ao lado da esquerda que recusa o Tratado Orçamental, uma esquerda que está fora do consenso europeu.
à espera de domingo
europeias – sondagem
Moral da história e da História
Tema do meu artigo de hoje no Observador: Em matéria de totalitarismos só os comunistas amam. Os fascistas não podem amar e se por acaso amarem não se deve falar disso.
E isto não indigna ninguém?
No Malomil António Araújo conta uma história inacreditável: «O ano passado, a jornalista da TVI Marta Dhanis tomou a iniciativa de escrever a Renato Seabra, o homicida de Carlos Castro que se encontra a cumprir 25 anos de pena de prisão numa cadeia dos Estados Unidos. A primeira carta que recebeu de Seabra era lacónica e de poucas palavras, um pouco tímida até. Mas, aos poucos, a jornalista conseguiu ir conquistando a confiança e a intimidade do recluso. Poucos dias depois, em Junho de 2013, Renato Seabra enviava uma nova missiva, onde contava como se sentia ali, na prisão. »
Imprescindível
este artigo do Alexandre Homem Cristo sobre a polémica em torno do videoclip dos Mão Morta:
Sem qualquer relevância para a polémica acrescento aos argumentos do Alexandre Homem Cristo que o video é fraquito e a canção mais fraca ainda. Já agora em matéria de videoclip muito abaixo da canção temos este que acompanha uma belíssima canção da Naifa. O videoclip é uma colecção de cromos onde nem falta o filho com a farda do Colégio Militar, símbolo do lado do mal, burguês e conservador como não podia deixar de ser. Mas embora um videoclip possa servir para tentar vender uma canção – estratégia Mão Morta – espero eu que não chegue para a diminuir no caso da NAIFA
as únicas eleições importantes
As eleições europeias do próximo domingo não são importantes? Mas como não são importantes? Considerando o calendário eleitoral que aí vem – europeias, legislativas e presidenciais – não só são importantes, como são as únicas que podem ter alguma influência na vida dos portugueses, caso ganhem as tendências anti-europeístas que se manifestam nalguns países, como em França e em Portugal, onde os partidos que vão à frente nas sondagens – Frente Nacional e Partido Socialista, respectivamente – têm em comum a contestação às políticas de austeridade e de rigor orçamental que as instituições comunitárias têm imposto nalguns países da União. Já em relação às próximas legislativas e presidenciais, ganhe quem ganhar continuará tudo na mesma, como todos já percebemos graças ao esclarecedor Sr. François Hollande, em pouco menos de um ano despromovido de arauto de uma nova esquerda anti-austeritária a lacaio da Sra. Merkel.
Eu de psiquiatria não sei nada
mas posso garantir que podendo isso valer-me ser dada como padecendo de obsessões compulsivas e opiniões requentadas não penso deixar de opinar sempre que possível sobre alguns temas, nomeadamente sobre a forma como o jornalismo de causas sobretudo em momentos de arrebatamento acaba a ser conivente com mistificações, autoritarismos e teses apocalípticas que de mal explicadas acabam a produzir indiferença. Basta escrever Foz Côa, Faixa de Gaza e aquecimento global neste blogue para dar conta de como não penso deixar cair esses assuntos no esquecimento.
O Partido Socialista no seu labirinto
Hoje a taxa de juro a 10 anos atingiu os 4,1% (há uns dias era 3,6%). O Tribunal Constitucional prepara-se para chumbar medidas que valerão mais de 1000 milhões de euros. O Partido Socialista promete gastar mais 800 milhões de euros por ano, que seriam pagos com o crescimento económico que, segundo o próprio partido socialista, não existe. As actuais eleições europeias transmitem sinais de desagregação dos antigos arranjos políticos e da pópria União Europeia na Grécia, França e Reino Unido, e na verdade ninguém sabe muito bem como será a Europa dentro de um ano. Pergunto-me por isso em que mundo viverão pessoas como o Manuel Caldeira Cabral para virem garantir em público que o Estado vai poder gastar mais, cobrar menos impostos, crescer e em simultâneo respeitar o tratado orçamental. Tudo isto antes de uma decisão do Tribunal Constitucional crítica para as finanças públicas, e tendo o PS submetido pedidos de inconstitucionalidade que valem mais de 2 ou 3 mil milhões de euros.
Note-se ainda que o PS sempre defendeu estímulos keynesianos para combater a recessão e agora vem dizer que se houver crescimento também pretende gastar mais. Ou seja, há sempre uma justificação para gastar mais. Isto independentemente dos riscos óbvios que o próximo ciclo político vai ter. Aumentar a despesa porque a economia cresce, sustentando a consolidação orçamental no aumento da receita, torna inevitável uma bancarrota quando vier a próxima recessão.





