Olhos que partem tristes
Senhora, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
Estará este senhor a lamentar-se ter ficado sem os olhos? Os olhos vão partir e ele fica? Terá olhos com personalidade que ficam tristes? Partirão os olhos deste senhor no lugar da senhora em causa? Para onde vão os olhos?
Será que Larry Summers é um machista por não culpar a sociedade pela subrepresentação das mulheres na ciência e engenharia? O jornalista percebeu qual era a tese de Larry Summers sobre o tema?
Os juízes da Relação do Porto acham mesmo que o álcool melhora a produtividade, ou estarão a defender uma tese mais subtil? Serão eles uns básicos, ou estarão a ser subestimados? A jornalista percebeu a função das frases citadas no texto em questão?
O que nos leva a outra questão: sendo os jornalistas profissionais da escrita, porque é que tão frequentemente mostram que não têm muito jeito para interpretar textos um bocadinhos mais rebuscados?
direito ao trabalho
Um investidor determina o destino do seu dinheiro apenas em função das leis laborais de um país? Certamente que não. Ele leva em conta múltiplos factores, mas se for empresário e se o seu dinheiro disponível para investimento estiver destinado à criação de uma empresa, não deixará de as ter em conta. No mais, qualquer investidor ou empresário quer apostar o seu dinheiro minimizando os riscos da aplicação e maximizando os seus lucros possíveis e previsíveis, obviamente, dentro de um grau de incerteza quanto ao futuro, que nunca poderá eliminar. Em qualquer acção humana, o comportamento dos agentes não costuma afastar-se muito deste padrão médio: riscos calculados e minimizados, objectivos possíveis maximizados.
No caso do investimento estrangeiro para a criação de empresas, levam-se em conta um conjunto de factores que visam aquelas duas finalidades, precisamente reduzir riscos e maximizar objectivos. Entre outros, a estabilidade política, a segurança das pessoas e da sua propriedade, o desenvolvimento económico, os níveis de fiscalidade e estabilidade fiscal, as condições de implementação do negócio, segurança bancária, facilidade de circulação de capitais dentro e para fora do país, status da burocracia e sua rigidez, qualidade, independência e velocidade da justiça, níveis de corrupção, etc. Neste contexto, a legislação laboral – a facilidade ou a dificuldade com que um empresário poderá gerir os seus recursos humanos – é um factor de extrema importância para uma decisão de investimento, sobretudo se ela for draconianamente desfavorável a quem está disposto a investir.
Qualquer investidor, nacional ou estrangeiro, com capital disponível, só pensará em Portugal se não tiver alternativas ou escala que lhe permitam arriscar num país que o trate melhor. Os riscos de qualquer negócio são, aqui, demasiadamente elevados, e, entre eles, os riscos trabalhistas são factor predominante. Os nossos são ainda muito elevados, e foram em boa medida responsáveis pela perda de investimento de muitas empresas estrangeiras e mesmo nacionais. Quem disser ou pensar o contrário desconhece, em absoluto, a realidade, ou faz de conta que a não conhece, por conveniência pessoal, política ou ambas.
Mas como é isto possível, se Portugal tem sido, ao longo das últimas décadas, um estado proteccionista da economia e do «trabalho», o que significa, na visão marxista da luta de classes que adoptámos, defender os trabalhadores assalariados da exploração dos seus patrões? Os objectivos dessas políticas, traduzidas em abundante legislação, são, teoricamente, garantir o trabalho, e melhorar das condições do trabalho e do trabalhador, oferecendo-lhe garantias e direitos que limitam os poderes do «patrão», presumindo que numa normal relação de trabalho não prevalece o princípio da cooperação entre as partes, que permitirá que trabalhadores e empresários progridam (ou recuem) em conjunto, mas sim uma relação de conflito e de exploração. Com esse espírito, a legislação portuguesa tem vindo a consagrar, de há muito, uma panóplia de férreas regras económicas proteccionistas do trabalhador, desde logo o utópico «direito ao trabalho», como se este não fosse gerado no mercado, mas na Assembleia da República ou nas Centrais Sindicais. Os resultados de tais políticas foram, como está hoje bem à vista de todos, precisamente os inversos dos pretendidos.
Na verdade, o proteccionismo infantiliza as pessoas e as sociedades. O proteccionismo legalista e estatista dos trabalhadores contra os patrões, enfraqueceu as empresas e aumentou exponencialmente o risco de investimento em Portugal. Ainda agora, após a falência do modelo proteccionista, o país continua a exigir, não se sabe bem a quem (a governos falidos, a empresários inexistentes?) «direito ao trabalho». Mas de que vale impor ou exigir direitos, se eles não são exequíveis? De que nos serve afirmar na Constituição que todos temos direito ao trabalho, se não existirem empresas que o ofereçam? Em vez de exigirem «direito ao trabalho» e a protecção daquilo que já quase não existe, os portugueses deveriam exigir aos seus governos o direito à criação de trabalho. Por outras palavras, o direito à livre empresa e à liberdade contratual.
3 pontos

Segundo a sondagem DN/JN/RTP/Antena 1, faltam 3 pontos percentuais para os socialistas perceberem que os delírios da ala socrática não são alternativa viável ao onirismo simplista da ala Seguro.
Falta a ala do PS que reconhece o memorando (que assinaram) e cuja oposição seria a insistência na inabilidade do actual governo em cortar despesa como deve ser. A ala que diria que austeridade não é só para alguns, teria que ser sobretudo para quem gera a despesa excessiva. Esta seria a ala que teria a maioria absoluta. Onde andam?
pensem nisso
32% de intenções de voto no PSD, que fica apenas a 3% do PS, após a pior crise que o governo conheceu, com recessão económica séria, desemprego elevadíssimo, agitação social e impostos absurdos, só podem significar que, se o ambiente económico melhorar, ainda que ligeiramente, nos próximos dois anos, o PS perderá as legislativas de 2015. Os socialistas que pensem nisso e façam um esforço para entender as razões destes números. Depois das eleições autárquicas já será tarde.
Se o PS tivesse assinado o acordo
esta sondagem seria muito diferente. Provavelmente o PS estaria nos 40%. De cada vez que a bancada parlamentar do PS alinha com o BE abre-se uma garrafa de champanhe na sede dos laranjas.
venha investir em portugal!
O principal problema revelado pela decisão aqui comentada do Tribunal da Relação do Porto, que manda reintegrar numa empresa um trabalhador que exercia o seu ofício sob embriaguez, não está tanto no absurdo da coisa, até porque cheios de decisões absurdas estão os nossos tribunais, mas no que ela significa para a economia do país. E o significado é somente este: em Portugal, uma empresa não consegue despedir um trabalhador, nem mesmo se ele se apresentar alcoolizado no trabalho.
Agora vão lá convencer investidores estrangeiros a investir em Portugal, quando, por exemplo, com a mesma língua e vantagens de mercado muito superiores, o podem fazer no Brasil, onde um trabalhador é despedido com uma simples conversa, sem necessidade de demonstração de justa causa, tão-pouco de processo disciplinar.
Os portugueses querem emprego e emprego bem remunerado, mas ainda não perceberam por que razão os têm cada vez menos.
Para mim faz todo o sentido
O Tribunal da Relação do Porto decidiu equiparar o condutor do camião do lixo de Oliveira de Azeméis a um detentor de cargo político. Assim se justifica a consideração sobre o estado do trabalhador, como não estando “aos tombos e aos pontapés aos resíduos, murmurando palavras em língua incompreensível“, como se conduzir um camião do lixo embriagado seja comparável a outras situações não causadoras de dano, tais como permitir a construção de 10 estádios ou denominar “sem custos para o utilizador” as concessões das auto-estradas mais caras do país.
A utilização abusiva de dinheiro dos contribuintes por um político, tal como o álcool para um condutor de pesados, permite melhorar a produtividade.
um estado com direito (2)
«Com os copos tudo é mais fácil» foi, por outras palavras, o sentido dos «fundamentos» do Tribunal da Relação do Porto, ao condenar uma empresa a reintegrar um trabalhador que ia frequentemente bêbado para o trabalho. É o reino da mais absoluta bandalheira, que envergonharia o Burundi, mas parece não envergonhar Portugal. Esperemos que os eminentes Desembargadores mantenham a opinião se este, ou qualquer outro «trabalhador», alguma vez vier a passar-lhes por cima de carro, com uns graus a mais de álcool no sangue. É que, segundo muitas e bem fundadas opiniões, os copos também libertam os condutores e melhoram a condução. Para além de que, dirigir em certas estradas e circunstâncias também não é «muito agradável», tal e qual o trabalho que o alegre trabalhador tem de desempenhar, segundo a douta opinião dos magistrados.
Não existe pecado ao sul do Equador
Brasil cita risco de calote e nega apoio a novo auxílio do FMI à Grécia
«Onze países da América Latina se recusaram a apoiar a decisão do Fundo Monetário Internacional nesta semana de continuar financiando a Grécia, citando riscos de não pagamento, e o FMI informou que Atenas pode precisar de um alívio da dívida mais rápido por parte da Europa. A abstenção dos países do América Latina em relação à decisão do FMI foi revelada pelo representante brasileiro em um comunicado público incomum nesta quarta-feira, destacando a frustração crescente nas nações emergentes com a política do Fundo de resgatar os países europeus endividados.»
O mundo mudou e há quem não o tenha percebido. Vão acabar a mendigar aos novos senhores lembrando-lhes que são todos de esquerda e que denunciaram todos o capitalismo. Vão voltar de mãos vazias e humilhados porque os senhores da nova ordem têm mais com que se preocupar, não têm complexos de culpa e sobretudo têm a arrogância dos jovens.
Os crispados
Agora estamos na problemática da crispação. O problema é a crispação. Tenho muita pena mas a crispação em política não é um problema. É uma táctica. E em Portugal tem sido usada com mestria sobretudo pela esquerda radical. Se lerem jornais de 75, 76, 77… encontrarão inevitavelmente Soares crispado, Sá Carneiro crispadíssimo, a direita do CDS provocando crispação… Naturalmente nunca encontram Cunhal crispado. Nem sequer Arnaldo de Matos.
O que temos neste momento é muito simples: o PS radicalizou à esquerda. Não é uma questão ideológica. O que está em causa é a sobrevivência de Sócrates e da sua tropa que por razões conjunturais se aliaram a Soares, Alegre e contam com a anuência de Costa cuja estratégia tem sido precisamente anuir com todos sem se comprometer com nenhum. Incapaz de fazer frente a esta gente Seguro rompeu as negociações para o acordo e pôs o PS de braço dado com o BE e o PCP o que naturalmente implica uma radicalização da sua linguagem e uma total ausência de cabimento nas suas propostas. Não há nisto crispação alguma mas sim uma radicalização. Não creio que seja uma aposta ganhadora para o PS e muito menos para Seguro mas é uma aposta legítima. Agora poupem-me ao discurso da crispação. Estamos sim perante a radicalização de um partido do centro. O nosso problema não é a falta de diálogo por causa da crispação mas sim que um partido fundamental para a democracia tenha optado por radicalizar mesmo que circunstancialmente.
“papalogia”
Flat Earth Society
Eu não percebo nada de barcos, confundo bombordo com estibordo e popa com proa. Também não percebo nada de economia, aliás, nem uma conta de dividir sei fazer. Mas sei olhar para um mapa: Sines, a terra do meu velho, está em linha recta com o Canal do Panamá; (Henrique Raposo)
Mais notícias do panóptico
Só hoje tivemos isto, mais isto e agora o cão Zico que passa a Mandela tornando-se um símbolo da liberdade no dizer de uma humana que dirige uma associação chamada Animal.
um estado com direito
Uma decisão provisória do Tribunal Constitucional, conhecida a menos de dois meses do dia das eleições, permite a candidatura, também ela provisória, do Dr. Seara à municipalidade lisboeta. O Dr. Seara ficou feliz, embora resmungue umas coisas sobre a desvantagem em que se encontra nas sondagens, e a Dra. Teresa Coelho, o seu número dois na lista, rejubilou. Todavia, se algum Conselheiro do eminente Tribunal resolver sair da letargia habitual da classe e, quem sabe, interromper as férias (caso isso seja legalmente admissível) para apreciar a substância do problema, o Dr. Seara poderá muito bem ficar, a dois três dias de eleições, com a candidatura inviabilizada, como bem assinalou o Sr. Pedro Pereira Pinto, do insuspeito Movimento Revolução Branca. Isto, obviamente, se o distinto Tribunal não decidir pronunciar-se lá pelos idos de Março, com Seara eleito presidente ou vereador, ficando, então, sem se saber o destino dos eleitos e dos órgãos municipais a que se candidataram “provisoriamente”. Por outro lado, ignora-se ainda se esta decisão beneficiará, ou não, as candidaturas de Menezes e dos outros candidatos em iguais circunstâncias, e se estes podem, a partir de hoje, ser também candidatos provisórios nas próximas eleições autárquicas. São coisas como estas que garantem a segurança jurídica da República, e que fazem de Portugal não um estado de direito, mas um estado com direito. Uma beleza!
agora é tarde
Comentário mesquinho e desnecessário de Rui Rio, que escusava de nos dizer o óbvio, isto é, que jamais votaria no seu velho ódio de estimação, Luis Filipe Menezes, para o substituir numa cadeira que ocupou, com brilho muito discutível, durante doze anos. O comentário vem, de resto, numa altura em que Rio parece ter desistido, de vez, de se candidatar ao lugar de Monti português, agora que Passos e Portas parecem ter voltado a entender-se, pelo menos para levarem o governo até ao final da legislatura. A partir de Setembro deste ano, Rio ficará sem nada para fazer na política, a não ser assistir ao desfile de personagens de que não gosta em lugares que foram ou poderiam ter sido seus. Contudo, só pode queixar-se de si próprio, por não ter tido a coragem suficiente de avançar quando teve essa oportunidade. Agora é tarde.
Alegria no trabalho
«Note-se que, com álcool, o trabalhador pode esquecer as agruras da vida e empenhar-se muito mais a lançar frigoríficos sobre camiões, e por isso, na alegria da imensa diversidade da vida, o público servido até pode achar que aquele trabalhador alegre é muito produtivo e um excelente e rápido removedor de electrodomésticos».(*)
Assim disseram os desembargadores Eduardo Petersen Silva, Frias Rodrigues e Paula Ferreira Roberto, sobre uns trabalhadores camarários que estavam alcoolizados.
Estranho? Não. Afinal provavelmente também sobre eles não recai «nenhuma exigência especial que faça com que o trabalho não possa ser realizado com o trabalhador a pensar no que quiser, com ar mais satisfeito ou carrancudo, mais lúcido ou, pelo contrário, um pouco tonto”.
Isto não costuma chamar-se discriminação?
Dans l’Aude, une maison de retraites pour homosexuels
Pessoalmente acho que uma empresa pode restringir o universo dos seus clientes mas tenho a certeza que se a discriminação fosse ao contrário teríamos escândalo.
que se lixe!
Este excelente artigo de João Miguel Tavares demonstra o estado miserável em que se encontra o actual Partido Socialista, a fazer de tontos dez milhões de portugueses que padecem pelo estado em que o país se encontra, no qual este partido tem especiais e graves responsabilidades. E não é somente pela péssima “liderança” de António José Seguro, que produz inanidades diárias sobre o sofrimento das pessoas, mas também e sobretudo, pelo facto de não haver por lá ninguém que ponha cobro a esta situação e que fale aos portugueses com a seriedade que eles merecem, numa altura de grave crise nacional. Infelizmente, andam todos a fazer contas à vida, a medir influências pessoais e tribais, e à espera dos resultados das autárquicas, para verem se Seguro passa ou não no eleitorado. Quanto ao país, que se lixe!
Estava informada
Ontem alguns jornais estavam escandalizados com o facto de Maria Luís Albuquerque ter estado bem informada sobre os swaps. Mas não é motivo para escândalo. O dever dela era informar-se e estar informada. Razão para escândalo é ela ter-se informado pelos seus próprios meios porque o anterior governo aparentemente pouco sabia sobre o assunto.
Responsabilidade pela dívida das empresas públicas
As empresas de transportes são veículos de dívida pública. As empresas estão falidas e permanecem falidas para se evitar o reconhecimento das suas dívidas como dívida pública. Fazer swaps numa destas empresas não é um mero acto de gestão da empresa, é um acto de gestão da dívida pública. A ideia de que o ministério das finanças não tem que saber desta dívida que representa uns 20% do PIB, e dos swaps associados, é absurda.
a evitar
Embora não seja admirador da espécie do jornalista português, reconheço que quem os chama para prestar esclarecimentos deve submeter-se, sem reservas, ao que eles pretendam saber, por mais incómodas que sejam as perguntas. Por isso mesmo, Pedro Lomba e os seus colegas de governo que se meteram nesta brincadeira dos briefings diários com a comunicação social, não devem, nesses mesmos briefings onde é suposto esclarecer a opinião pública através das perguntas dos jornalistas, insistir em dizer-lhes que não vão responder às perguntas que lhes são dirigidas. No caso dos swaps, sobre o qual inevitavelmente incidia o briefing de hoje, se Lomba considera que «os esclarecimentos prestados pela ministra foram cabais e esclarecedores», por que razão chamou os jornalistas? Este género de conferências de imprensa à medida dos interesses dos conferencistas arrisca-se a expor o governo ao ridículo, e a transformar pessoas com curriculum profissional de excelência, como é o caso de Pedro Lomba, em vulgares apparatchiks saídos das jotas. A evitar, se possível.
o futuro da rtp
É, tal como no passado, continuar a sacar dinheiro ao contribuinte. Não há necessidade de constituir grupos de trabalho informal para se saber isso, Dr. Maduro. Está visto que você é muito novo nestas andanças.
Dois detalhes sobre swaps
Vitor Gaspar explicou ontem para quem quis ouvir que os swaps foram usados pelo anterior governo para esconder dívida.
Rui Rio foi administrador da Metro do Porto enquanto representante de um dos principais accionistas. A Metro do Porto foi das empresas que mais abusou dos swaps.
Espantoso não é?
“Não estamos a fazer mal a ninguém” respondeu o membro de um grupo que estava a fazer grafittis numas ruas do Algarve,
PESSOA E UM LEILÃO ATRIBULADO
Leilão de Pessoa decorre hoje. Espólio vale mais de 400 mil euros
Obs. Ter em conta que estávamos em Novembro de 2008 logo o próprio leilão era uma performance da heteronímia pessoana em que se cruzavam o lado futurista de Álvaro de Campos com a melancolia fatalista de RIcardo Reis.
Espírito monárquico
Ninguém em Portugal deve ter um espírito tão monárquico como Mário Soares. Ninguém como ele terá tanta vontade de abjurar o sistema republicano, que lhe veda a indicação do sucessor. Por todos os que lhe sucederam nutre despeito ou mesmo ódio, ao ponto de os considerar usurpadores de lugares que por direito dinástico, quiçá divino, lhe pertencem. Tudo indica que Rui Rio lhe seguirá as pisadas.
O delírio centralista
«O despacho enviado às escolas na última sexta-feira pela Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGESTE), e que desenha a nova rede escolar para o ano lectivo 2013-2014.…»(*)
Assim não dá. Pretender insistir numa estrutura gigantesca, nacional, para organizar as escolas de forma uniforme dá nisto. O caos.
A «passada sexta-feira» foi dia 26 de Julho. É nesta altura que querem «desenhar a nova rede escolar» ? Só podem estar a brincar. É por essas também que nesta altura as familias não tem sequer os horários das aulas. Nem sabem em que dia começam as aulas. E que estas nunca arrancarão antes do meio de mês de Setembro. Qualquer outra organização que tivesse um planeamento tão caótico e que defrauda dessa forma os seus clientes estaria condenada ao imediato fracasso e debandada dos seus consumidores. Infelizmente este, na sua esmagadora maioria, não pode escolher outro fornecedor.
Mas porque raio não são as escolas geridas pelas autarquias, com a respectiva contratação local de professores, gestão de funcionários, oferta escolar e curriculos? O escrutíno seria bem mais próximo e eficiente. Porque se insiste em planeamento central, nacional e estupidamente burocrático e ineficiente? Libertem-se disso!
Coisa linda
era o Francisco José Viegas ter feito um contrato swap para viabilizar o empréstimo que lhe permitiria comprar o Crivelli. Ou uma PPP. Depois mandava este papelinho para a AR.
A Frente Popular e a cultura patriótica
Onde andariam aquelas almas que agora rasgam as vestes por causa do quadro de Crivelli – já se fala em caso Crivelli – quando em 2005 o então governo optou pornão comprar a colecção Champalimaud? Alguém se lembra da ministra da época ter sido questionada sobre o património que ia sair de Portugal? Assim por junto o então Ministério da Cultura autorizou a saída de 200 peças entre as quais se contavam dois Canaletto além de obras de Fragonard, Guardi, Boucher… O PÚBLICO fazia títulos como “Saída da Colecção Champalimaud não é “escândalo”, mas deixa “mágoa” entre especialistas”. E até se concluía que o gosto de Champalimaud era “estandardizado”. Agora um Crivelli dá audição parlamentar. Francamente o Francisco José Viegas devia ter explicado que deliberou como deliberou porque o Crivelli corresponde a um gosto estandardizado, apetecível para um público que vê a arte como um investimento e não como uma aposta na criação de criadores e na formação de públicos . Em seguida evocava três grandes projectos estruturantes desta aposta: África.cont, um centro de arte africana contemporânea em Lisboa; o pólo ibérico do Hermitage e o Museu do Mar da Língua Portuguesa .
A ler e ouvir
Abusar de Sá Carneiro Margarida Bentes Penedo
Quer mais erros, mais impostos ou mudar o Estado? – Bruno Proença
Dicionário político
Hoje no DE: O que é o “Peso político”?
Não está mal
O anti-clímax da oposição, com a irresponsabilidade permanente de quem nem quer saber se o país está sob resgate, gerou uma ausência de notícias deixando apenas o tontismo crónico. Uma excelente oportunidade para governar – se ainda possível – graças à inabilidade estratégica além do eleitoralismo vazio da oposição socialista, a que permite dispersão da contestação sem alternativa pelas praias do país.
O que o país precisa parece ser férias permanentes de Prós e Contras e similares.
Contradições dos moralistas
O BE deve ser, de longe, o partido com maior rotação de deputados. Facto que denota uma enorme falta de respeito pelos mandatos. Cometida de forma recorrente por quem está sempre na 1ª fila das “pregações moralistas”.
Leituras:
«U.S. House Backs Obama’s Drone Strikes, NSA Spying». There’s no CHANGE…
Hooliganismo
Os que criticam campanhas eleitorais por prometerem a irrealidade são os mesmos que abraçam campanhas eleitorais de irrealidade do outro clube.
A diferença fundamental está em quem melhor lida com os guardiões da sagrada constituição socialista.
PS – eleições mais tarde mas com mais votos.
As ocorrências políticas de Julho 2013 colocaram o PS diante de um dilema. Convocado para encontros com PSD e CDS, as alternativas que se colocavam ao PS eram, na essência, duas: Ler mais…
o rei dos sound bites
Do mais palavroso político português dos últimos anos, cuja vida profissional tem sido pouco mais do que conversa, eventualmente só ultrapassado em quantidade de sound bites pelo seu antecessor e mentor que ficou conhecido para a estória pelo nome de «Picareta Falante», saiu esta verdadeira pérola de retórica: «Eu considero que o nosso país precisa menos de palavras e mais de acção». Que tal começar por si próprio e dar-nos algum sossego aos ouvidos?
Mintam que a gente gosta
Tal como a maioria dos portugueses, Mário Soares está desiludido com António José Seguro. Porém, o problema para Soares parece ser oposto ao dos portugueses: enquanto estes acham que Seguro não poderá cumprir o que promete, Soares gostaria que Seguro prometesse mais do que o que poderia cumprir.
o busílis
Dois anos e inúmeros aumentos de impostos depois, o primeiro-ministro português mais liberal de sempre reconhece que a excessiva carga fiscal que incide sobre os portugueses e as suas empresas está a matar a economia e, por arrasto, as próprias finanças públicas. O Dr. Xavier, que a propósito da reforma do IRC lhe deve ter explicado isto, poderia ter tido esse trabalho mais cedo. Não escaparíamos, à mesma, à actual carga fiscal, mas sempre teríamos um primeiro-ministro mais esclarecido e sabedor.
monty… python?…
Silva Peneda, o eterno Monti português não consumado, sugere que os negociadores portugueses enfrentem a troika com abaixo-assinados de exigências. Diz ele: «Eu, se fosse negociar com a troika, gostaria muito de levar debaixo do braço um documento assinado com todos os parceiros sociais como um instrumento de pressão». Uma pena este homem não ter chegado a chefe do governo! O Dr. Soares é que tinha razão.
