Vida (assim tão) nova?*
(Já agora, ainda a respeito disto, observado pelo Rui A.)
Novo Governo (na prática), vida nova. Será isto que muita gente espera. A esperança de que essa vida nova signifique qualquer coisa de positivo, de animador, depois de dois anos de exaustão económica e social (já não é só “fadiga” fiscal!). Dois anos de dificuldades que excederam aquilo que a generalidade das pessoas previa. De forma pouco avisada! Bastaria ter-se atentado em alguns exemplos históricos de intervenções do FMI noutros Estados (connosco, agora, por acaso é do FMI, em formato de “troika”, com as Instituições da UE). Recorde-se, por exemplo, o já relativamente longínquo resgate da Argentina e o estado em que, ainda hoje, os argentinos se encontram. Na realidade, aquela esperança de vida nova pode ser equívoca. Simplesmente porque a nossa margem de autonomia política e financeira é, praticamente, inexistente. Poderão, igualmente, ser equívocas certas propostas políticas que se vão ouvindo, fazendo lembrar o velho adágio “em casa onde não há pão, todos ralham sem razão”. Quem invoca a necessidade de se renegociar os termos do memorando de entendimento (sem mais e sem dizer como) esquece-se de que essa renegociação depende da vontade de terceiros que, no caso (pormenor!) são simplesmente os nossos credores. Depois, no quadro da União, não há revoluções, nem murros na mesa; há, outrossim, evoluções.
Idoneidade
Carlos Zorrinho, líder da bancada parlamentar do PS, exige a demissão da ministra Maria Luís Albuquerque. Segundo o próprio, “isto configura uma manifesta falta de idoneidade para assumir com autoridade e credibilidade as responsabilidades de ministra de Estado e das Finanças“.
Um pequeno progresso em 2 anos
2011: PS quer mais «taxação sobre rendimentos de capital»
O secretário-geral do PS, António José Seguro, pediu hoje à bancada que estude e apresente «novas formas de taxação sobre rendimentos de capital», declarando-se o partido «favorável a qualquer iniciativa» que diminua as diferenças entre ricos e pobres, noticia a Lusa.
2013:
Seguro acusa Governo de ter “acordado” tarde para a reforma do IRC
O secretário-geral do PS acusou o Governo de ter “acordado” tarde para a reforma do código do IRC, que “já devia ter sido feita”, porque para “captar” investimento o país precisa de um “quadro fiscal previsível”.
um ministério sexy
Pires de Lima quer atrair. Mas não lhe bastará encher a septuagenária de botox. Vai ser necessário muito mais do que isso.
O novo ódio da nomenclatura
Maria Luís Albuquerque é o novo ódio de estimação da nossa nomenclatura. Percepcionam correctamente que ela é o principal obstáculo entre eles e a despesa pública. O episódio de ontem dos emails sobre os swaps é revelador. Maria Luís Albuquerque tinha dito que nenhuma informação relevante sobre SWAPS tinha sido passada na transição de pastas. Surgem agora estes emails, que a própria Maria Luís Albuquerque pediu depois da transição de pastas, para provar que a informação foi passada na transição de pastas e que Maria Luís Albuquerque mentiu. A forma instintiva como a nomenclatura se coordena espontaneamente para perseguir quem se lhes opõe é fascinante. É também interessante ver quem faz de idiota útil e vai atrás.
E a equidade? E a discriminação?
Aconselho aos fiscais da equidade que façam da Bulgária a sua causa.
Esta semana o parlamento búlgaro foi cercado. Deputados e membros do governo acabaram a ser retirados com algumas dificuldades. Este ano Bulgária já vai no segundo ciclo de indignação de rua. O primeiro como conseguiu fazer cair um governo de direita ainda teve um bocadinho de cobertura mediática. Mas agora que o governo é socialista a rua búlgara ainda interessa menos.
Mas em nome da equidade a Bulgária merece um tudo nada mais de atenção. Pelo menos ao nível da atenção votada a qualquer cena de pedrada em Gaza. Até porque a Bulgária parece estar para aderir ao método Tahir: por voto escolhe-se um governo que logo se faz cair na rua, sendo este substituído por outro que logo anuncia mais eleições…
Como é possível?
Como é possível que numa linha nova, com comboios recentes e sistemas de controlo e limitação de velocidade remotos, se circule a 190 km/h numa zona limitada a 80 km/h?
Sincero respeito às famílias das vítimas.
Guerra entre gerações
O Papa Francisco está no Brasil para falar da juventude. Esse foi o tema da coluna de Miriam Leitão hoje no GLOBO. Os jovens sofrem com a falta de um futuro promissor como nunca antes visto. Há o problema cultural, de degradação de valores, e há os riscos de violência. Sem falar da questão gravíssima do desemprego. Esse foi, aliás, o foco do artigo da colunista. Curiosamente, ela não cita o welfare state uma única vez. Vamos aos fatos:
O desemprego de jovens chega ao ponto calamitoso de 54% na Espanha. Na Grécia, quase 60%, em Portugal, 42%. A média da Europa supera 20%. Fora dessa devastação, só a Alemanha, com 7%, um número melhor do que o do Brasil, que, em maio, registrou 13,6% de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos. A taxa geral do país foi 5,8%.
Leia mais aqui.
O mau exemplo que vem de cima
A 29 de Maio, Balbino Caldeira mandou a carta que segue abaixo à AR. Até agora não obteve resposta
«Exma. Senhora
Presidente da Assembleia da República
Dra. Maria da Assunção Esteves
Assunto: Faltas de deputados à sessão parlamentar de 17-5-2013
1. Bruno Vitorino (PSD)
2. Carlos Páscoa Gonçalves (PSD)
3. Correia de Jesus (PSD)
4. Eduardo Teixeira (PSD)
5. Fernando Marques (PSD)
6. Joaquim Ponte (PSD)
7. Luís Pedro Pimentel (PSD)
8. Luís Vales (PSD)
9. Maurício Marques (PSD)
10. Ferro Rodrigues (PS)
11. José Lello (PS)
12. Miranda Calha (PS)
13. Mota Andrade (PS)
14. Vitalino Canas (PS)
15. Manuel Isaac (CDS-PP)
Com os melhores cumprimentos,
António Manuel Balbino Caldeira»
Cromos para a troca
O concurso da FENPROF é um clássico. Mas este tabaco vendido em qualquer lado deste mundo ocidental também tem o seu glamour
O ultraneoliberalismo a prejudicar o verdadeiro ensino

É com profundo lamento que verifico terem passado 4 anos sem a realização de novas edições do concurso Cuba, quero conhecer-te melhor. Sendo uma excelente iniciativa para que professores da Fenprof possam reafirmar “como se forja a dignidade de um povo” (para além do que já vão fazendo), o exemplo cubano – por oposição ao caso de insucesso português – incentivaria estudantes a reafirmarem a luta que os une a docentes, famílias e Inês do Bloco em defesa da escola pública, nomeadamente pelo fim (consagrado constitucionalmente) de latifúndios curriculares.
Sem o concurso, os nossos jovens dos 5 aos 18 anos perdem oportunidade para aprenderem sobre os “5 heróis (jovens lutadores anti-terroristas, prisioneiros nos EUA hoje)“, uma lacuna infelizmente não colmatada pelos programas ultraneoliberais-centralizados-socializantes-latifundiários do Ministério da Educação.
Mais uma clara demonstração do ultraneoliberalismo a prejudicar a oportunidade de férias pagas por cubanos em Cuba.
ideias para o crescimento
O governo português continua teimosamente a insistir em políticas recessivas de austeridade, rejeitando as políticas de crescimento económico que lhe têm sido aconselhadas pela oposição, por eminentes economistas portugueses e estrangeiros, pelas centrais sindicais, por ilustres membros da prelatura lusitana da Igreja Católica, sobretudo pelo seu Bispo Castrense D. Januário Torgal Ferreira, por Tozé Seguro, pelo Presidente da República actual e pelos Presidentes da República pretéritos Mário Soares e Jorge Sampaio, e pelo Doutor Artur Baptista da Silva, conselheiro não ratificado da ONU.
Tamanha cegueira só pode encontrar justificação na falta de cultura dos membros do governo e numa imensa falta de imaginação para criarem as políticas de crescimento económico de que todos falam. Ou, então, num profundo masoquismo político, que se satisfaz em maltratar o povo e em perder votos e eleições, coisa incomum na política, a merecer estudo psicanalítico.
Para suprir essa lacuna governamental e pôr o país no caminho que ele merece, deixamos aqui algumas sugestões de políticas económicas para o crescimento. Embora estas ideias sejam nossas, apostamos que encontraremos a sua grande maioria nas propostas que o Partido Socialista levou para o acordo de salvação nacional.
Assim:
1ª Fabricar notas de banco em quantidade suficiente para acabar com a crise e com a pobreza (ideia roubada ao Dr. Mário Soares).
2ª Obrigar os bancos a concederem crédito ao consumo e às empresas a custo zero ou próximo disso. Os bancos iriam buscar aos seus lucros perdulários o dinheiro que «perderiam» nestas operações. A dinamização da economia interna com estas medidas seria espectacular e geraria riqueza e prosperidade para todos (ideia roubada do Professor Francisco Louçã).
3ª Duplicar o número de funcionários públicos, acabando assim com o problema do desemprego e com a instabilidade na administração pública (ideia roubada ao Sr. Arménio Carlos).
4ª Retomar um amplo programa de obras públicas, desde logo o TGV e o novo aeroporto de Lisboa, mas também novas auto-estradas, pontes, hospitais, escolas e outros, através de vantajosas parcerias público-privadas, que gerariam emprego, dinamizariam o mercado interno, criariam riqueza para todos e, mais importante de tudo, não teriam qualquer encargo sobre os contribuintes portugueses (ideia roubada ao Engenheiro José Sócrates).
5ª Criar um grande banco público de fomento da economia e das empresas, que emprestaria dinheiro a quem dele precisasse para desenvolver negócios de sucesso garantido (ideia roubada ao Dr. António José Seguro).
6ª Pregar o calote aos alemães e demais credores do tesouro público (ideia roubada a um ilustre deputado do PS, cujo nome não se me ocorre no momento).
7ª Obrigar os empresários portugueses a duplicarem os postos de trabalho nas suas empresas, a reajustarem anualmente os salários em 10%, a aplicarem um salário mínimo com o valor praticado na Suécia e a não despedirem trabalhadores nos próximos cinco anos (ideias roubadas ao Sr. Jerónimo de Sousa).
8ª Solicitar aos nossos amigos europeus que nos paguem a dívida (ideia roubada ao Dr. António José Seguro, que tem muitos amigos por essa Europa fora).
9ª Criar o «Dia Nacional do Empresário», prometer a redução dos impostos num prazo máximo de cinquenta anos, criar condições atractivas para o investimento estrangeiro, como o «Prémio do Investidor Camone do Ano» (pago em títulos da dívida pública), e garantir aos investidores que «Portugal é um país amigo» (ideias roubadas ao Sr. Primeiro-Ministro Dr. Paulo Portas).
É fácil e não custa nada, como se vê. Só falta começar.
Fatofobia
A presidente Dilma tem atacado a “postura pessimista” daqueles que criticam a situação econômica. Ela foi buscar até em Camões inspiração para acusar esses “profetas do Apocalipse”. Sinto-me, em um surto de megalomania narcisista, diretamente atingido. Afinal, tenho feito duras críticas ao modelo econômico nos últimos três anos, aqui nesse espaço, alertando que o modelo era insustentável e que teríamos sérios problemas.
Para os “desenvolvimentistas”, não há problema algum, ou, se há, eles vêm de fora. Tenho dificuldade de compreender por que as economias de Chile, Peru, Colômbia e México continuam crescendo bem mais que a nossa, e com bem menos inflação. Mas deve haver alguma explicação mirabolante que me escapa.
Leia mais aqui.
Um mês.
Parabéns!…
…O seu jornal conseguiu o 500º título ridículo consecutivo.

O que mudou nas últimas 3 semanas
1. Deixou de se falar numa coligação PS/CDS.
2. Provou-se que a esperança de que o governo podia cair por decisão do CDS era infundada.
3. Percebeu-se que o crescimentismo e o anti-austeritarismo tem menos apelo eleitoral do que se pensava.
4. Algumas pessoas perceberam que os juros da dívida pública dependem das nossas opções políticas.
5. A estratégia “um pé fora outro dentro” do CDS bateu na parede.
6. Algumas pessoas passaram a aceitar que a austeridade durará mais tempo do que pensavam.
7. Alguns eleitores perceberam o real valor das propostas de António José Seguro. A alcunha “Tó-zero” tornou-se mais popular.
8. As bases do PSD perceberam que o futuro sem Gaspar é muito parecido com o futuro com Gaspar.
9. As ideias da maior parte dos comentadores foram postas à prova e percebeu-se que não valiam grande coisa. Mas nenhum comentador se demitiu.
Cá vamos andando, com a graça do Timoneiro
A decisão do presidente, a reboque da demissão de Paulo Portas, permitiu invalidar um governo legítimo, legitimando-o, através da promoção do demissionário a vice-primeiro-ministro.
Parece confuso mas apenas porque não tentam explicar isto a um estrangeiro. Nesse caso, tornar-se-ia simples e resumiriam a situação a “há motivos para termos falido e nenhum deles é a crise internacional“.
A cereja no topo do bolo seria tentar explicar que, a julgar pelo caracter sazonal já evidenciado, estaria na altura de re-referendar o aborto.
Portugal é o exemplo perfeito do caminho socialista constitucional: ou se avança para o que, numa dada altura, se considera “progresso”; ou insiste-se, moendo, desinteressando, maçando, destruindo a participação e opinião cívica pela tortura sucessiva da repetição imperiosa de agenda de mutação social.
Este socialismo é, como aliás sempre foi, a destruição do razoável pela promessa do impossível.
A semana em que Seguro escolher não ser PM tema do meu artigo de hoje no DE: « António José Seguro confundiu comentadores com eleitores e a tolerância que lhe concede uma pequena e ruidosa minoria com os votos da maioria que tem de obter para chegar a São Bento. E curiosamente nem percebeu que aquilo que movia os ditos críticos e históricos contra este acordo não era tanto o que estava a ser negociado em si mesmo – e que qualquer líder do PS uma vez primeiro-ministro vai ter de implementar a não ser que queira fazer de Portugal uma república bolivariana – mas sim o facto de o acordo permitir umas horas de triunfo a Cavaco Silva. Negar a Cavaco o momento triunfal em que Passos, Seguro e Portas assinariam o Acordo de Salvação Nacional foi o grande objectivo de Soares e Sócrates. O ódio dos socialistas do passado a Cavaco falou mais alto que o seu amor pelo PS do futuro. E Seguro não percebeu que ao rejeitar o acordo comprometia o seu futuro como primeiro-ministro e alienava o único aliado que teve até agora: Cavaco Silva. »
Leiam que ler nunca fez mal a ninguém
Do cabaré para a revolução, de JOANA STICHINI VILELA na Carrossel: Paixões proibidas, casamentos arranjados, espectáculos de striptease. A jovem alentejana nunca teve uma vida convencional mas a dada altura tudo se tornou ainda mais inacreditável.
Jogo do Rato e do gato
Notícias do panóptico
um achaque presidencial
Afinal, o que Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa teve há uns dias foi um achaque! Quando se aguardavam trovões e relâmpagos, raios e coriscos vindos de Belém, Sua Excelência deu-nos, ou melhor, deu-se a um achaque. Farto de assistir, impávido e sereno, aos achaques alheios, o Presidente reivindicou para si também o inalienável direito ao achaque presidencial. Só nos últimos meses, para falarmos apenas em achaques graúdos, achacaram o Costa do PS, o Portas do CDS, o Gaspar das Finanças, o Soares da Fundação, o Sócrates da afundação e o Tozé só não achaca porque ninguém o levava a sério. É muito achaque para um presidente só! Cavaco não podia continuar de fora e, por isso, achacou também: entrou com cara de mau, fez exigências e impôs condições, ameaçou com a Constituição e, quando ostensivamente não lhe ligaram nenhuma, assobiou para o ar e foi engraxar os sapatos. Bem vistas as coisas, a «salvação nacional» pode esperar mais algum tempo. O achaque presidencial é que não aguentava mais. Agora já está. Um achaque em grande, uma beleza de achaque. Como este lhe saiu caro, tão cedo não voltará a ter outro.
Síntese da crise
Desculpem esta interrupção. Afinal o resultado das eleições continua válido. Continuem.
o salvador
Muito dificilmente Cavaco deixará de dissolver a Assembleia e de convocar eleições antecipadas imediatas. Conhecendo-lhe o carácter manifestado ao longo destes muitos anos em que exerce o poder, ele não quererá fazer prova viva da presuntiva inutilidade da sua magistratura, nem perderá a oportunidade de castigar – e de se vingar – de Paulo Portas, Pedro Passos Coelho e António José Seguro, pelas desconsiderações dos últimos tempos. Este último, por sinal, deixou de falar em eleições antecipadas, mal fez a rábula de anunciar o fim de negociações que verdadeiramente nunca tiveram início. Qualquer outra saída confirmará o presidente da República como um artefacto inútil do regime, o que ele manifestamente não pretende quando está a terminar a sua longa carreira política e ambiciona sair para a História como o salvador da pátria.
Dúvida
Esta questão das “dúvidas fundadas” sobre escutas terá resultado de alguma troca de pontos de vista entre António José Seguro e Cavaco Silva nas conversas que mantiveram em Belém?
A ver também
Como de costume o parlamento que se inibe de pronunciar sobre matérias da sua competência como a legislação sobre os candidatos às autárquicas continua na sua gesta da engenharia social e assim no dia 24 de Julho vai ser votada a co-adopção por casais do mesmo sexo. Ao contrário do que foi afirmado no Prós & Contras pelos defensores da co-adopção o nome dos pais consta no cartão de cidadão. Conhecer a identidade dos seus pais é um direito das crianças e não um artifício legal para que pessoas que optam por uniões estéreis possam ter a alegria de ver o nome de ambas inscrito como pais ou mães
A ver vamos
Sendo certo que as escutas e outras intrusões se dividem em hediondas, assim assim e ‘estão a falar de quê?’ consoante os sentimentos da esquerda em relação aos poderes que as organizam esta notícia merece a maior atenção:
PS suspeita de escutas ilegais na sede nacional do partido O PS suspeita que há escutas ilegais na sede nacional do partido, no Largo do Rato. O Correio da Manhã diz que os socialistas já entregaram uma queixa na Procuradoria Geral da República. O PS suspeita de escutas ilegais na sede do partido em Lisboa. O Correio da Manhã revela que, na sexta-feira, o chefe de gabinete de António José Seguro entregou uma queixa na Procuradoria Geral da República (PGR) ao cuidado da procuradora Joana Marques Vidal . De acordo com o jornal , os socialistas têm dúvidas fundamentadas de que os telefones, os computadores e outros meios técnicos da sede nacional do partido estão a ser vigiados. O Correio da Manhã acrescenta que contactou fonte da direção do partido que recusou prestar esclarecimentos porque o assunto é delicado e deve ser tratado exclusivamente nas instâncias judiciais.
Coerência socialista
O PS fez-nos o favor de não querer ser parte da “salvação nacional”. É uma mera questão de coerência: todos sabemos que, vencendo as próximas eleições, só a falta de financiamento os impedirá de continuarem a ser a “destruição nacional”.
Sexta-feira, 19 de Julho: As últimas duas perguntas do PS nas negociações
Sexta-feira, 19 de Julho: Seguro anuncia fim das negociações e culpa PSD e CDS
Sexta-feira, 19 de Julho: Críticos de Seguro congratulam-se com ruptura / Na versão da RTP estamos perante um sonoro aplauso do PS a António José Seguro.
cavaco sabe o que faz
Graças a um magistral e surpreendente plano do chefe de estado, Portugal ficou sem governo, no momento mais árduo da intervenção estrangeira a que se encontra sujeito e a um passo de um fatal segundo resgate. O primor com que Aníbal Cavaco Silva colocou as peças do seu rebuscado xadrez, não poderia ter outro desenlace. Num breve discurso de alguns poucos minutos, Cavaco desautorizou o governo actual e a fórmula renovada que lhe fora apresentada por Passos e Portas, passou um atestado de mentecaptez aos dois partidos da coligação, encostou o PS e o seu timorato líder às cordas, não lhe dando alternativa senão avançar para a porrada, rejeitou eleições durante pelo menos um ano e negou liminarmente a possibilidade de formar um governo de sua própria iniciativa. Cinicamente, no olho do furacão, ainda foi dormir para as Selvagens, donde anunciou que nada nem ninguém lhe tirariam o sono. Na verdade, experimentadas e ouvidas várias formas inverosímeis de tirar o país do sarilho para onde se deixou conduzir, só faltava mesmo tentar fazê-lo sem governo. Foi o que nos ofereceu o presidente da República. Cavaco sabe o que faz.
Detroit e a lição de Schumpeter
Deu no GLOBO: Detroit se torna a maior metrópole americana a pedir concordata
Símbolo da industrialização, da classe média e do sonho americanos, Detroit não resistiu a 50 anos de esvaziamento, falta de planejamento e desleixo fiscal, entrando ontem com pedido de concordata na Justiça federal de Michigan, na maior declaração de insolvência municipal da história dos EUA.
A icônica capital automotiva do país não conseguiu acordo com credores e sindicatos de servidores públicos para reescalonar a dívida estimada em US$ 18,5 bilhões e solicitou supervisão judicial para implementar um plano de reequilíbrio de suas finanças.
Leia mais aqui.
O caso Zimmerman
O clima é de revolta nos Estados Unidos após George Zimmerman ter sido absolvido pela Justiça pela morte de Trayvon Martin. O caso ganhou visibilidade nacional, ou mesmo internacional, em boa parte graças ao pronunciamento de Obama, que afirmou que se tivesse um filho homem, ele se pareceria com Trayvon. Mas há muita, muita coisa errada nisso tudo, mostrando como a cartada racial faz, como primeira vítima, a busca pela verdade.
Primeiro, o contexto da coisa, de forma bem resumida. Para quem quiser mais detalhes, Ben Shapiro trata do assunto no capítulo sobre racismo em seu excelente livro Bullies. O bairro é violento, e uma onda de crimes e atos de vandalismo varre o local. Moradores criam grupos de proteção e vigilância. Zimmerman faz a ronda noturna, e observa um sujeito com atitude suspeita, olhando para algumas casas sozinho.
Leia mais aqui.
As melhores medidas de Seguro
- Fim às políticas de austeridade
- Aumento do salário mínimo e das pensões mais reduzidas
- Reposição dos níveis de proteção social assegurados pelo complemento social para idosos e pelo rendimento social de inserção
- A parte da dívida soberana superior a 60% do PIB deve ser gerida ao nível europeu
- O nosso país deve solicitar o reembolso dos lucros do sistema de Bancos Centrais
- A componente nacional dos fundos comunitários destinados ao investimento não deve contar para o défice.
- redução do IVA da Restauração
- TAP como um operador aéreo lusófono.
(aqui)
Então foi só isto?
O PS resolveu apresentar no seu site o documento que levou para as negociações. É um documento revelador. Primeiro, porque percebe-se que não conhece o significado da palavra “compromisso”: para o PS só haveria compromisso se o PSD e o CDS concordassem com todas as propostas dos socialistas; como não concordaram, são culpados pelo fracasso. É uma posição, no mínimo, infantil. Depois, não há uma só proposta quantificada. Aparentemente para o PS o dinheiro continua a não ser problema. Quando é esse exactamente o problema. Não precisávamos de ter perdido uma semana nisto.
Teoria sem conspiração
O que levou António José Seguro a fazer esta fuga em frente nada teve a ver com as negociações. Foi simplesmente isto.
Pelo menos está fresquinho
Em período de férias não dou grande importância às politiquices da república, algo cujo valor de entretenimento só pode ser aferido quando estamos muito ocupados a cumprir rotina em vez de simplesmente viver. Reparei, porém, que o Presidente da República quis um entendimento entre os partidos (o que seria passar à política em vez da politiquice). Ideia gira, no papel, a única coisa que daí decorrerá será a escolha do método de partilha das migalhas que sobram enquanto a torneira de financiamento não é fechada.
Se esperam um compromisso de “salvação nacional”, são demasiado crédulos. O compromisso será sempre sobre quem recebe os incentivos certos para o voto nas próximas eleições através da criação de novas distorções na economia nacional.
No entanto, mesmo fora, tenho a percepção que as negociações em curso são positivas: permitem um período em que o país passa a existir sem as mediáticas comunicações de um país que finge que não está falido.
Assim, deve respirar-se melhor.
Daqui a dez anos
teremos a sentença que obriga as mulheres a ir ter bebés na MAC. Como isso se revele insuficiente terá de existir outra sentença a obrigá-las a ter consultas na MAC. Nesta via da judicialização-socialista das nossas vidas acabaremos a ter ser tribunais determinando a obrigatoriedade constitucional de engravidar,
Títulos de parte interessada
Quem chegou a estas conclusões? No caso do pequeno-almoço o que devia estar em casa não é ser na escola mas sim existir pequeno-almoço. E este deve ser tomado em casa. Se se quer apoiar estas crianças e as suas famílias seria muito melhor dar-lhes o necessário para tomarem o pequeno-almoço em casa.



