Desculpem lá
mas a nação não precisa de ser salva. A questão resume-se a isto: o PS integra a FUR ou opta pela democracia?
Obs. Convém que António José Seguro não esqueça que em nenhuma das opções o seu futuro será menos a prazo. Mas se optar pela FUR é suicídio certo (seu e do PS) se optar pela democracia os socráticos vão fazer-lhe a vida num inferno. Mas ao inferno sobrevive-se.
Acho bem
Madeira investiga contas públicas desde 1419 Mas sobretudo temos de fazer as contas da fase anterior e tentar repor a Madeira tal como estava antes da presença colonial. Proponho mesmo a descolonização da Madeira.
Já há nove anos era mais que óbvio
Sessão parlamentar em Fevereiro de 2004:
Primeiro-ministro: Sr.ª Deputada, não venha agora com questões de cultura democrática, porque há uma diferença fundamental entre nós. Sabe qual é? O meu partido foi a eleições, Sr.ª Deputada, já perdemos e já ganhamos eleições, mas o seu partido nunca se apresentou a eleições.
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
Protestos do PCP e de Os Verdes.
Primeiro-ministro: O seu partido é um partido original em Portugal, porque ninguém sabe qual é a sua expressão; é um partido que, na prática, funciona como um apêndice do Partido Comunista Português; é um partido sem qualquer base eleitoral própria e temos aqui as Sr.as Deputadas, por sinal até bem simpáticas, e não está em causa as pessoas, mas sem qualquer representatividade.
Protestos do PCP e de Os Verdes.
Primeiro-ministro: Portanto, é extraordinário que seja este partido, que não tem qualquer representatividade, a vir aqui dar-me, a mim, que já me sujeitei várias vezes a eleições, que perco e ganho eleições, lições de cultura democrática. Isto quer dizer, Sr.ª Deputada, que não aceito lições de cultura democrática de ninguém, muito menos – desculpar-me-á – de V. Ex.ª!
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
O Sr. Bernardino Soares (PCP): – É uma vergonha!
O Sr. Presidente: – Srs. Deputados, vamos passar à segunda volta deste debate.
perdição nacional
Se não for possível um governo de salvação nacional, ficaremos com um governo de perdição nacional?
Qual é a terceira via?
Resolva a crise
Um país que obtém X em receitas e gasta Y em despesas, sendo Y>X, que deve fazer?
Premissa: X corresponde a metade do que é produzido no país.
Comentadores: resolvam a crise.
Vocês não enganam ninguém, pá
O meu post de ontem gerou alguma controvérsia nos comentários. Trata-se de uma mera adaptação de uma declaração de um equivocado devidamente corrigida para o mundo físico. É estranho que um país que se quer considerar europeu ainda não saiba que saúde e educação são integralmente pagas graças à premissa de existência de propriedade privada e lucro.
Se assim for, se o país na sua generalidade não perceber esta premissa, então nem a educação presta, nem faz qualquer falta, de nefasta que é.
Quero acreditar (afinal vivo em Portugal) que não é assim.
O Governo Tripartido de Esquerda
Primeiro Ministro: António José Seguro
Ministro de Estado e das Finanças Sociais: João Semedo
Secretário de Estado da Renegociação com a Troika: João Galamba
Secretário de Estado para a Mutualização da Dívida Pública: Pedro Nuno Santos
Secretário do Planeamento Quinquenal e do Controle da Especualção: Bruno Dias
Secretário de Estado para a Extinção da Lei da Oferta e da Procura: Fernando Rosas
Secretário de Estado dos Impostos das SGPS: Jeroen Dijsselbloem
Secretário de Estado para a Diminuição do Índice de Gini: Luis Fazenda
Ministro de Estado e dos Direitos dos Trabalhadores: Jerónimo Sousa
Secretária de Estado da Modernização Administrativa: Ana Avoila
Secretária de Estado da Regulamentação Empresarial e da Luta contra o Empresariado Infantil: Raquel Varela
Secretária de Estado da Luta Contra a Precariedade: Mariana Aiveca
Ministro da Economia e dos Estímulos ao Crescimento: Carlos Zorrinho
Secretário de Estado da Economia Científica Avançada: Artur Baptista da Silva
Sub-Secretário de Estado Adjunto da Economia Keynesiana: Nicolau Santos
Secretário de Estado de Combate aos Crimes das Grandes Empresas: Fernando Serrasqueiro
Ministro das Novas Tecnologias e das Exportações: JP Sá Couto
Secretário de Estado da Internet: José Magalhães
Ministra dos Negócios Estrangeiros e das Relações com a América Latina: Ana Gomes
Ministra dos Assuntos Europeus, Congressos, Seminários e Grupos de Trabalho: Edite Estrela
Ministro da Propaganda Comunicação e Divulgação do Estado: Augusto Santos Silva
Secretário de Estado da Programação Televisiva e Rádio Pública: Emídio Rangel
Secretária de Estado da Internet, Blogues e Redes Sociais: Estrela Serrano
Secretária de Estado para a Reposição da Narrativa Histórica: Fernanda Câncio
Subsecretário de Estado para a Reposição da Narrativa Histórica e do PEC IV: Pedro Silva Pereira
Secretária de Estado da Comunicação em Casos de Falta de Energia: Heloisa Apolónia
Ministra dos Direitos das Minorias e da Luta Contra a Violência de Género, Violência Doméstica e Combate à Homofobia: Isabel Moreira
Secretaria de Estado dos Direitos da Mulher: Ana Drago
Secretário de Estado para a Erradicação Definitiva do Fascismo: Sérgio Lavos
Ministra das Artes e dos Subsídios à Cultura: Catarina Martins
Secretária de Estado da Literatura e Poesia: Inês Pedrosa
Secretário de Estado da Arte Urbana: Grafiter Exas
Secretário de Estado do Som e da Música de Qualidade: Pedro Abrunhosa
Secretário de Estado das Actividades Culturais de Rua, Happenings e Manifestações: Helena Pinto
Secretário de Estado para a Renegociação do Acordo Ortográfico: Miguel Sousa Tavares
Secretário de Estado para a Especificidade do Cinema Europeu: João Botelho
Secretária de Estado das Transferências Consumidores-Artistas: Gabriela Canavilhas
Ministro da Segurança Interna e Defesa dos Direitos: Manuel Tiago
Ministro da Justiça Social: Boaventura de Sousa Santos
Secretário de Estado da Politologia: André Freire
Secretário de Estado da Quadratura dos Corpos: José Gil
Ministro das Obras Sociais, Aeroportos e TGVs: Jorge Coelho
Secretário de Estado para a Extinção das PPP: Paulo Campos
Secretário de Estado das Rendas Excessivas: Agostinho Lopes
Ministra da Felicidade Geral: Maria de Belém Roseira
Ministro da Solidariedade Intergeracional: Pedro Delgado Alves
Ministro da Agricultura, das Cooperativas, do Vinho e da Proteção dos Produtos Tradicionais: Sérgio Sousa Pinto
Secretário de Estado de Controle de Espécies Agrícolas: Gualter Baptista
Ministro da Saúde e da Proteção contra as Epidemias: Francisco George
Secretário de Estado para a Liberdade do Medicamento: João Cordeiro
Ministra da Educação e da Erradicação dos Exames: Ana Benavente
Secretária de Estado do Ensino de Marcoeconomia Moderna: Ana Sá Lopes
Secretaria de Estado para a Extinção do Capitalismo Selvagem Neoliberal: Gil Garcia
Ministro das Generalidades e Banalidades: Pedro Marques Lopes
Secretária de Estado do Lero-Lero: Clara Ferreira Alves
Secretário de Estado da Música de Fundo: Pedro Adão e Silva
Teste à realidade
A corja que se refugia na Constituição que se ponha a pau. É que se o meu direito à propriedade privada, ao lucro, à integridade física e moral não valem nada, então, também os seus direitos a saúde, educação, pensão, trabalho e habitação públicos deixam de valer. E nós pagamos para eles!
Da austeridade
Redacção sobre a austeridade tema do meu artigo de hoje no DE: A redacção da vaca. A redacção da candidata a Miss Universo. A redacção do jornalista activista. A redacção dos comentadores. A redacção de Passos Coelho. A redacção de António José Seguro. A redacção do CDS. A redacção de Manuel Alegre. A redacção do PCP. A redacção de António Costa. A redacção de José Sócrates. A redacção de Cavaco. A redacção da ‘troika’. A redacção das 2+3 cabeças do BE. A redacção da realidade.
Fantástico
«Touro em fuga entrou no Centro Hospitalar em Vila Real e feriu duas pessoas. (…) A PSP de Vila Real tomou conta da ocorrência e acabou por abater o animal por este representar um perigo para as pessoas. O touro foi apanhado junto ao Centro Oncológico. A polícia garante que foram cumpridos todos os formalismos legais.» O problema não é o bicho ter fugido, ter entrado num hospital… não. O problema é ter sido abatido. A não ser no bendito dia em que o vejam entrar pela redacção fora os touros são para adorar como nas antigas civilizações.
Liberdade de expressão fascista
Esta declaração do deputado comunista gerou indignação, felizmente, no micro-nicho das redes sociais e blogues das pessoas que prezam a liberdade. Felizmente. Felizmente. Repito a repetição: felizmente.
Infelizmente, “a rua”, essa entidade opinion-maker dita anónima, serve de trampolim para a dislexia entre frases de liberdade e a opressão que anseiam os seus instigadores.
Quão mais afastadas estão as ruas dos terríveis regimes comunistas, mais estas ruas namoram com a alternativa que não é alternativa a nada.
E se tivesse sido um deputado do PNR a dizer aquilo? Seria simplesmente “liberdade de expressão”? Este país tolera (mais que bem) o fascismo, desde que a bandeira tenha a cor vermelha.
A tradição já não parece ser o que era!
Mais um Conselheiro nacional do CDS-PP a criticar o líder!
Surpresas “pré-pós-troika”?
Vou pensando que Belém tem mesmo em mente a realização de eleições antecipadas, já (quer dizer, antes de Junho de 2014). Numa pose institucionalista, o Presidente pode ter previsto esgotar todas as hipóteses (ou dar essa ilusão), aparentes e formais, de as provocar, para depois, voltando a surpreender, poder declarar ao país que tudo foi efectivamente tentado com os atuais partidos e estas lideranças…. mas não deu mais!
Senão, para quê impor um caminho (ou a ilusão dele) que acabaria, com muita probabilidade e a prazo curto (que, de todo o modo, depois, seria visto como uma perda de tempo), por ter que o levar ao mesmo resultado, ou seja, a aceitar a remodelação de que agora, no seu discurso, nem sequer falou?
A correcção das ilusões
Querido mês de Julho
Papel
«Deu-se há dias a primeira manifestação organizado pelo sindicato do governo. Não foi na rua, nem na Assembleia (nas galerias), nem às portas duma fábrica ou empresa, nem a cantar a Grândola, foi numa igreja durante uma missa. Não sei o que pensa o novo Patriarca, ou a Igreja, mas assistir à primeira manifestação pública do sindicato do governo durante uma missa coloca-lhe o dilema da lembrança de Cerejeira, presumo que lembrança muito mal vinda. Ele há cada uma, ir manifestar-se para uma Igreja durante uma missa, com dezenas de guarda-costas cá fora, é um penoso retrato do nosso sindicalismo governamental. No entanto, tem uma enorme vantagem sobre os grevistas da CGTP e da UGT, não perdem o salário de um dia de trabalho. » Pacheco Pereira começa a estar para o governo como aqueles anti-cavaquistas que ora fazem de Cavaco um tonto ora um ser maquiavélico capaz de jogadas de antecipação da mais elaborada das políticas. E assim chegámos agora à tese de um governo em decomposição – o que me parece ser verdade – mas que nesta agonia concebe uma organização não sei se secreta se discreta que antecipadamente foi agenciada para ir aos Jerónimos bater palmas a Passos e Cavaco, já agora não durante a missa mas antes da missa. A tese é um bocado forçada mas não foi por isso que escrevi este post. O que está em causa é mesmo a evocação de Cerejeira que não é bem vinda nem mal vinda. É despropositada e mais adequada às Armas de Papel.
Rua… disse ele!*
“Na semana passada, todos fomos confrontados, de forma inesperada, com uma grave crise política. Os efeitos fizeram-se sentir de imediato no aumento das taxas de juro e na deterioração da imagem externa de Portugal”. Foi assim que Cavaco Silva começou o seu (até agora) mais importante discurso.
Sem comentários*
Um acidente de comboio. As autoridades rejubilam porque apenas se tentou apedrejar um carro de bombeiros, os assaltos foram actos isolados e alguns pequenos grupos receberam de forma rude os socorristas.
*Contudo recomenda-se a leitura disto
Antes tarde que nunca
Os Verdes apresentaram uma moção de censura que dá jeito ao Governo e entala o PS. E finalmente pergunta-se o óbvio: quem representam os Verdes? E sobretudo questiona-se a legitimidade deste grupo parlamentar atribuído a um partido que nunca foi a votos. Para se perceber a falta de dignidade subjacente à existência do grupo parlamentar d’ Os Verdes suponha- se como aqui se sugere que PS, PSD, CDS e BE criavam outros partidos e com eles concorriam coligados. Assim postas as coisas parece inadmissível não parece?
Desculpem a interrupção
mas alguém me consegue explicar que notícias são esta sobre o Sporting:
Bruma foi alvo de tentativa de rapto
BRUNO DE CARVALHO COMENTOU SITUAÇÃO DO JOGADOR “Bruma raptado? Não sei de nada…”
Mais duplos critérios
Em busca do pai tuga – A falta do pai. A questão da identidade. E da falta dela. Como a falta do pai pode afectar crianças e adultos. Mas isto claro porque estamos a falar no contexto da guerra travada na Guiné. Já no caso das barrigas de aluguer ou na co-adopção o pai e mesmo a mãe não fazem falta alguma. Não existem problemas de identidade. São todos tão felizes mas tão felizes que levantar simples questões de identidade gera um coro de críticas
Até quando durará isto?
Vale a pena ler este texto de Nicolau Santos sobre os acontecimentos de ontem na AR porque este texto é um espelho do duplo critério que em Portugal vigora EM MATÉRIA DE COMUNISTAS E NAZIS:
«A presidente da Assembleia da República lida muito mal com contrariedades. Lida pior com desafios ao seu autoritarismo. E não suporta as manifestações de descontentamento popular que, volta e meia, acontecem na hemiciclo de São Bento.» NÃO FAÇO IDEIA SE ASSUNÇÃO ESTEVES LIDA BEM OU MAL COM AS CONTRARIEDADES LOGO DOU ISSO DE BARATO MAS HÁ AQUI DOIS PRESSUPOSTOS DE PURA MÁ FÉ: O QUE ACONTECEU NA AR NÃO FOI UM CONFRONTO COM O AUTORITARISMO DA PRESIDENTE AD AR E MUITO MENOS TEVE ALGO DE MANIFESTAÇÃO POPULAR. O QUE ACONTECEU NA AR FOI UMA DESORDEM PROVOCADA E CONCEBIDA POR UM REDUZIDO GRUPO DE FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS COM DISPENSA DE SERVIÇO PARA SE DEDICAREM À ACTIVIDADE SINDICAL QUE PELOS VISTOS INCLUI ESTE TIPO DE ARRUAÇA.
Ler mais…
Pedido de desculpa
Quero pedir desculpa aos portugueses pelo pedido de desculpa de Boaventura Sousa Santos a Evo Morales. Admito poder estar a exceder-me, generalizando este pedido de desculpas a todos os portugueses, mas isso também não impediu Boaventura Sousa Santos.
Assim, quero pedir desculpa aos portugueses que não desejam uma ditadura sanguinária pelo necessário incómodo de gramarem a liberdade que o professor Boaventura Sousa Santos tem para dizer baboseiras em nome de todos os portugueses.
Adenda: quero pedir também desculpa aos portugueses que entenderam do parágrafo anterior que a Bolívia é uma ditadura sanguinária por terem tido uma escola tão fraquinha.
Sobre a manifestação semanal do PCP
Ontem um grupo organizado do PCP, controlado por Ana Avoila e Mário Nogueira, interrompeu ilegalmente a sessão do Parlamento. Este grupo organizado do PCP foi descrito em alguns órgão de comunicação como “cidadãos”, “povo” e “pessoas”. A opinião pública ficou muito indignada com o que disse a presidente do Parlamento e com a possibilidade de passar a haver um controlo mais apertado nas entradas do público.
Seria a isto que Cavaco se referia?
Seria a isto que Cavaco se referia no seu discurso quando disse “se esse compromisso não for alcançado, os Portugueses irão tirar as suas ilações quanto aos agentes políticos que os governam ou que (sublinhe-se) aspiram a ser governo“?
O comunicado do PS é, de facto, exemplar quanto à capacidade de nada de novo se dizer, parecendo que se diz o contrário e o seu contrário outra vez, em menos de 1 página…
A decisão certa.
A demissão do anterior ministro das Finanças abriu uma caixa de Pandora, a qual ainda não se encontra fechada presentemente. O choque que sobreveio envolveu diversas pessoas, tendo levado a uma proposta de acordo através do qual dois partidos com expressão eleitoral marcadamente diferente seriam, na essência, colocados a par.
A proposta, fortemente desequilibrada como era, poderia desencadear, no caso de ser implementada, sérios problemas no final do próximo mês de Setembro. Nas eleições autárquicas, não apenas poderão os dois partidos ter, no seu conjunto, uma votação baixa, como poderá ocorrer que o partido menor venha a ter um resultado em total falta de consonância com o papel governamental previsto na proposta atrás mencionada.
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modelo europeu
Porque não haveria a União Europeia de apoiar o golpe militar no Egipto? É uma instituição que já tem bastante prática interna de mandar repetir referendos até dar o resultado certo….
«eu é que sou o presidente da junta…»
Assunção Esteves dará uma belissíma presidente interina, assim que os partidos se desfaçam deste pr-empecilho: PSD e CDS insistindo na remodelação e o PS clamando por eleições antecipadas.
Entretanto num país perto de nós…
…o Parlamento ocupa-se de coisas realmente importantes:
Trabalhadores da Carris querem 12 € por mês para cortar cabelo
A ter em conta
Moral da história
Qualquer notícia sobre a partida de Álvaro Santos Pereira não só se revela sistematicamente um manifesto exagero como também é geralmente acompanhada da estrepitosa queda daqueles que a davam como adquirida. Moral da história: meter-se com o Álvaro dá azar. E azia.
Colher os frutos da austeridade
Cavaco Silva deve a sua carreira política a um golpe contra o governo austeritário de Mário Soares e Hernâni Lopes.
Doutrina Cavaco
Na semana passada, a doutrina Cavaco era que o governo só cai no Parlamento.
Esta semana, a doutrina Cavaco é que o Presidente decide as remodelações e eventualmente quando cai o governo e quem o substitui.
Um Monti português que corte 4,7 MM?
O que é que o Presidente pede ao certo, um consenso entre os partidos ou um governo que corte 4,7 MM? Um Monti português vindo do partido presidencial ou um PM que dê a cara e arrisque cortar 4,7 MM? É que as duas coisas não são compatíveis. O consenso em Portugual é que a austeridade foi longe de mais e agora é preciso apostar no crescimento, e quem sabe repor os salários da FP pré 2011 e descer os impostos. O partido presidencial, pela voz de Ferreira Leite e Silva Peneda, sempre defendeu menos austeridade, menos cortes e menos reformas. O próprio Presidente sempre se mostrou mais preocupado em manter a sua reforma do que com a necessidade de a cortar.
Tudo a Monti
Acho bem que o PS seja chamado a responder no que diz respeito ao cumprimento do memorando. Durante os últimos dois anos, o estado permanente de “fumei mas não inalei” permitiu o regabofe do discurso esquizofrénico de “mais tempo e mais dinheiro” conjugado com o “ai nosso senhor laico que o défice é elevado“. Cavaco faz bem em exigir que o partido responsável pela intervenção externa passe a ter um discurso menos orientado para imbecis, com o mínimo denominador comum de trauliteirismo decadente e o permanente “amem-me que não vos darei uma carga de porrada” do típico abusador.
Quanto ao Monti português, Cavaco não tem qualquer razão. A existir essa figura, só fará sentido no pleno estado de alienação de formalismo constitucional. Assim a modos que regendo-se por pragmatismo. Desta forma, Cavaco será sempre parte do problema e nunca da solução.
Quem será o nosso Monti? (III)
Cavaco baralhou toda a gente, a começar pelos “comentadeiros” do regime. Daqui a algumas horas conheceremos as reacções que contam, quando os mercados abrirem. Para já, estão os partidos a lamber as feridas e o cidadão comum, saturado deles e a não querer ouvir falar de eleições, receptivo a um governo presidencial que, no limite, poderá ir até 2015 e definir o rumo pós-Troika. Ler mais…
Deve ser isto a estabilidade
Governo demitido.
Portas continua ministro dos negócios estrangeiros do governo de gestão.
Eleições antecipadas marcadas.
Partidos incentivados a fazer um acordo, não se sabendo sobre o quê.
Campanha eleitoral em curso, sendo necessário cortar em salários e pensões da FP.
Silva Peneda em contactos para formar governo.
Espírito patriótico
E é isto: o Presidente rejeitou, pela segunda vez, a solução que lhe foi apresentada pelo Primeiro-Ministro.
Espero, sinceramente, que esta tentativa presidencial de agradar a gregos e a troianos resulte. No entanto, duvido que a constatação presidencial de que “se esse compromisso não for alcançado, os Portugueses irão tirar as suas ilações quanto aos agentes políticos que os governam ou que aspiram a ser governo” seja suficiente para convencer os actuais líderes dos partidos do “arco da governação” a entenderem-se.
