Amanhã demitem-se todos os membros do Governo do CDS – PP. Inclusivamente, o recem nomeado e hoje empossado Secretário de Estado, para a equipa das Finanças. Voltamos a um Governo descoligado, à espera da abstenção dos deputados do PP.
Por quanto tempo? Pouco, com certeza.
estou aqui com uma dúvida
Mas alguém me sabe informar se o Dr. Rio é candidato a alguma câmara municipal nas eleições de Setembro?
que tome sais de frutos
Está explicado o mistério da saída de Portas do governo. Afinal, diz-nos o gabinete do (ainda?) Senhor Primeiro-Ministro, o chefe do governo “informou” o o chefe do partido da coligação da “escolha” de Maria Luís Albuquerque. “Informação” e “escolha” de que o recém-indigitado número dois do governo terá “discordado”. Quanta ingratidão! Mas a escolha é toda do Senhor Primeiro-Ministro, naturalmente. Que extraordinário sentido político! Que enorme sentido de responsabilidade! Que tacto e quanta diplomacia, numa altura em que tudo estava a correr pelo melhor e o país pode bem aguentar com mais esta pequena crise. O Dr. Portas não engoliu? Paciência! Que tome sais de frutos. Estamos conversados.
Presunção de responsabilidade?! – II
Agora, sem dúvida, o bola passou mesmo para o lado de Paulo Portas! Quo vadis, PP?!
Presunção de responsabilidade?!
Ensinam-nos as boas regras de interpretação legal que existe uma presunção de sensatez (mínima) e capacidade de (boa) expressão de que goza o Legislador (nº3, do artigo 9º do Código Civil). No fundo, esta presunção – claro que sempre ilidível – deveria aplicar-se, de um modo geral, a quase tudo o que, na vida, implique decisão e responsabilidade. Será, pelo menos, um razoável critério de análise dos comportamentos humanos. Diria, ainda deveria ser mais imperiosamente exigível, no que respeita à actividade política. À luz deste hipotético critério, como compreender a demissão-bomba, embrulhada epistolarmente, de Portas? Aparentemente, atendendo às consequências, será difícil. A não ser que se esteja perante um dos tais casos em que a tal presunção de razoabilidade e de sensatez é ilidida!
Dizem as televisões
que Passos pondera ficar no governo.
Com Portas no Largo do Caldas. O BE+PS (linha António Costa) nas redacções. Os barões do PSD sonhando com o Bloco central. O PCP na rua.
Resta-lhe felizmente o apoio de Seguro .
o dr. portas
Não sei se Paulo Portas está, ou não, a ensaiar o número da vítima indefesa de Passos Coelho, para ver se ainda vai a tempo de cair nos braços de Tózé Seguro. Acho-o mais inteligente do que isso, embora já nada me surpreenda. Todavia, o estatuto de virgem enganada não lhe cai bem. Primeiro, porque tinha já perdido a virgindade com o PSD de Durão Barroso, que o usou e atirou à sarjeta sem aviso prévio. Dessa vez, vá lá, a primeira, não se lhe pode levar a mal… Agora com Passos Coelho e o PSD mais aparelhista de que há memória, Portas aceitou ir para o governo sem um acordo de legislatura, deixando-se remeter para um humilhante terceiro lugar no governo, atrás de um independente, o que obviamente significava que a sua opinião seria sempre secundária. Aí, de três uma, ou se achava suficientemente esperto para impor a sua vontade ao líder do PSD, ou estava disposto a qualquer papel em troca de meia dúzia de lugares no governo, ou convenceu-se que uma posição subalterna era o que lhe convinha nesta difícil situação do país. A coisa saiu-lhe muito mal e, ao fim de dois anos de andar a ser publicamente tratado como uma velha sopeira de província numa casa marialva, acaba a fazer beicinho na praça pública. Veremos como se sairá disto, se é que tem ainda saída possível. Em condições normais, Paulo Portas sairia directamente do governo para o cemitério da política. Mas com o Dr. Portas nunca se sabe. Ou não gostasse o próprio de comparar o seu percurso político à lenda sobre a Grã-Duquesa Anastácia…
Lembram-se?
Das cassettes de Eanes e do telemóvel de Catroga? Há coisas que se devem ter sempre à mão em certos encontros.
Queda epistolar II
É verdade que, como diz o Rui, aqui que “PPC fez perder, por sua inteira responsabilidade, o estado de graça que o seu governo recebeu no dia das eleições, anunciando sempre que as medidas reformadoras viriam depois das medidas necessárias para pagar o défice das contas do estado, mas que iam destruindo as contas da economia”. Também não deixa de ser verdade que o Primeiro-Ministro, “viu ontem e hoje, em resultado do seu imobilismo e da falta de respostas aos problemas do país, o seu governo a desmoronar-se”.
No entanto, apesar disso, apesar das greves gerais (inconsequentes), apesar do simulacro de “rua” (e ainda bem que não foi mais do que isso), o que fez, AGORA, cair mesmo, mesmo o Governo (que, note-se, tinha maioria parlamentar, suportada numa coligação e a mão Presidencial por baixo, segurando-o), acabou por ser o quê?! Inabilidade ?! Falta de comunicação interna?! Estupidez?! Irrealismo?!
Uma grande irresponsabilidade e uma enorme incompetência (pelo menos) política! E, não de um personagem só! Uma coligação presupõe, como o tango (e a valsa, etc., etc.) uma permanente dança a dois!
29 de Setembro
Um belo dia para se fazerem eleições. Autárquicas e legislativas.
António José Seguro concorda: Seguro: “Gostaríamos de ter mais um boletim de voto” O líder do PS alega que os portugueses gostariam de ter nas eleições autárquicas mais um boletim de voto para escolher um novo Governo.
Quem se chega à frente
E apresenta uma moção de censura?
é o que dá entregar o poder aos jotas
Pedro Passos Coelho assumiu um país em bancarrota, prometendo aos portugueses que seria capaz de resolver o problema, com sacrifícios reduzidos para todos.
Pedro Passos Coelho, levianamente, candidatou-se às eleições legislativas como se fosse candidato à presidência da Junta de Freguesia de Sanfins do Douro, sem desprestígio para a colectividade. Não preparou um programa, não elencou um número de medidas concretas de execução imediata, não dialogou com o seu mais do que provável parceiro de coligação sobre o que teria de ser feito para salvar Portugal, no momento imediato ao dia das eleições. O que interessava era ganhá-las, que, depois, logo se trataria da saúde aos sanfinenses.
Pedro Passos Coelho, uma vez no governo, aplicou ao país a receita que o país já conhecia, ainda que em dose muito mais violenta do que as anteriores: aumentou impostos e não fez as reformas estruturais que tinham de ser feitas para os baixar, ainda que no longo prazo.
Pedro Passos Coelho manteve os bordéis do regime nas mãos dos proxenetas habituais e não retirou o estado, nem o governo de sítio algum onde eles sempre costumam estar. Reduziu, nalguns casos, a sua presença, isto é, diminuiu temporariamente o cancro, mas não eliminou as células cancerosas.
Pedro Passos Coelho fez perder, por sua inteira responsabilidade, o estado de graça que o seu governo recebeu no dia das eleições, anunciando sempre que as medidas reformadoras viriam depois das medidas necessárias para pagar o défice das contas do estado, mas que iam destruindo as contas da economia.
Pedro Passos Coelho não percebeu que, em democracia, nenhum estado de graça é eterno, sendo que, em momentos de crise, ele é sempre muito efémero. Quando tentou fazer alguma coisa, os poderes corporativos do regime já se tinham recomposto da derrota socrática e vedaram-lhe o caminho.
Pedro Passos Coelho não entendeu que o seu governo terminou no dia do chumbo do orçamento de estado de 2012. A partir desse momento, ele já não seria capaz de fazer as reformas de que o país precisava. Como não fez, nem fará.
Pedro Passos Coelho viu ontem e hoje, em resultado do seu imobilismo e da falta de respostas aos problemas do país, o seu governo a desmoronar-se. Depois disto só lhe resta demitir-se.
Pedro Passos Coelho foi, assim, mais um erro de casting da direita portuguesa, porventura o mais grave e de piores consequências em democracia. A direita convenceu-se que bastava um jovem voluntarioso, bem intencionado e bem falante, com longos anos de experiência na jota do partido, mas com um curriculum profissional e pessoal francamente medíocre, para responder às imensas exigências impostas ao país. Não chegava e não chegou, como se viu.
Daqui por alguns meses, perdidas as legislativas e as autárquicas, a direita devolverá o poder ao Partido Socialista, por sinal o grande responsável pela falência do país. A chefiar o governo termos mais um jota, tão mal ou pior preparado do que o jota que substituirá. O cenário não pode ser mais assustador.
Queda Epistolar?
Espera-se, agora e depois das cartas de Vítor Gaspar e de Portas, que Passos Coelho não deixe de institucionalizar esta nova prática política e dê, também, o seu contributo para a hermenêutica política nacional.
(Note-se: não há só cartas de demissão; poderão também existir cartas de resiliência….).
O regresso às origens

demitiu-se o nº 2
Fez bem. Depois da demissão de ontem do número 1, não havia mais condições para continuar.
Portas cansou-se?
Da política de austeridade. Da reduzida margem para a compra de votos. Quiçá de credores cada vez menos tolerantes com o laxismo tuga e que irão impôr os inevitáveis cortes em salários e pensões.
Concluiu que estar no governo escalda e tentou o golpe de asa tradicional, bater com a porta com estrondo e fazer em seguida o teatro da vitimização.
Merece voltar à dimensão do táxi.
A austeridade vai acabar?
Boa.
Xeque auto-mate
Disse-me um espanhol
Que tal como o PSOE deles, não basta ao PS português ter distribuído entre si o melão, ainda quer comer as pevides.
Gasparzinho, o fantasma camarada
Os portugueses estão sofrendo com as medidas de austeridade, não resta a menor dúvida, e é compreensível a revolta popular. Dito isso, a solução não está em relaxar o aperto e partir para novas rodadas de aumento de gastos públicos, justamente a razão do problema. Gaspar virou símbolo de tudo que há de terrível na economia, incorporando a bandeira da austeridade, vista como pecado atualmente. Mas tal como o Gasparzinho do desenho animado, ele é um fantasma camarada: parece assustador, mas no fundo é seu amigo.
Recomendo aos patrícios a leitura do livro “Portugal na Hora da Verdade”, de Álvaro Santos Pereira. O economista e Ministro da Economia e Trabalho coloca o dedo na ferida, quando diz:
Lamentavelmente, os nossos défices orçamentais são crônicos, persistindo quer em períodos de forte crescimento econômico, quer inclusivamente após a nossa adesão ao euro. Qual é o problema? O problema é que os défices têm de ser financiados e, mais cedo ou mais tarde, pagos. Por isso, uma das conseqüências dos défices orçamentais é fazer crescer a dívida pública de um país. No fundo, tudo se passa como num orçamento familiar: se continuarmos a gastar acima dos nossos rendimentos, a única maneira de mantermos os nossos gastos e hábitos de consumo é pedir emprestado. O mesmo acontece com o Estado: quando as receitas estatais (os impostos, etc.) são menores do que os gastos (isto é, quando há défice orçamental), o Estado tem de se endividar para suprimir a diferença. Ou seja, a dívida pública é a irmã gêmea dos défices orçamentais. E é exatamente isso que tem acontecido em Portugal: nos últimos anos, os défices orçamentais crônicos e crescentes têm feito aumentar substancialmente a dívida pública nacional.
Leia mais aqui.
Quem vamos culpar dentro de uns anos por termos querido acreditar que a austeridade era um fanatismo de Vítor Gaspar?
Os puros tema do meu artigo de hoje no DE: « Por acaso os funcionários públicos manifestaram-se em Portugal contra o mais que populista aumento de ordenado de 2,9 % com que foram brindados pouco antes das eleições de 2009? Ou foi a maçonaria que nos obrigou a premiar os governos que iludiam a sustentabilidade da Segurança Social? Pelo contrário essas opções gozaram de largo apoio popular. Tal como agora é fácil e popular dizer que os grandes beneficiários do congelamento das rendas foram os bancos que através do crédito à habitação tornaram Portugal num país de endividados. Até podemos imaginar reuniões entre banqueiros e ministros combinando esquemas de prestações, seguros e cartões de crédito. Mas todos nos recordamos da simpatia votada aos que, dizendo-se defensores dos inquilinos, se opunham à actualização das rendas.» Dentro de uns anos quem vamos culpar por termos querido acreditar que a austeridade era um fanatismo de Vítor Gaspar? Que o crescimento da economia era o resultado de uma bondade natural de alguns políticos?…
Não se esqueçam
de guardar algumas páginas de jornal onde os magníficos reformados da República e os presidentes das confederações criticavam Vítor Gaspar. Guardem também e sobretudo as declarações dos socialistas sobre a austeridade de Gaspar. Não se esqueçam dos textos dos indignados do centrão com Gaspar (estes por favor não os percam!) E por fim já que estão nisso ponham de lado também as intervenções dos comentadores, dos padres e dos artistas sobre a austeridade e Vítor Gaspar. Dentro de cinco anos voltem a ler, a ouvir, e a rever. Depois tirem as conclusões.
O insustentável peso da mentira
Reparo, com a habitual bonomia suicida da politiquice nacional, um alívio pela saída de Vítor Gaspar, como se esta representasse o início de uma alternativa à aritmética. Habilmente disfarçada de consequência da “democracia de rua“, um paradoxo por natureza, os detractores da austeridade tomam os outros por papalvos – como aliás sempre fizeram – no típico jogo deslumbrado do sebastianismo quase-erótico da idolatria pelo facilitismo.
Tal como com a Grécia ou a com a França, nada me custaria observar, de fora, o trauliteirismo das cantigas ocas anti-austeritárias, uma espécie de recusa popular pela retórica política ainda incompreendida pelos partidos de poder, eventualmente em crescendo de contestação por promessas impossíveis de cumprir. Por outro lado, ao contrário da na Grécia ou na França, eu vivo em Portugal.
Adenda: para quem não entendeu, o endeusamento não é pela figura de Gaspar ou do próprio governo e sim pela Sagrada Constituição e as suas gárgulas em forma de tribunal que asseguram que os interesses se mantenham na despesa sectária que os contribuintes não conseguem pagar.
Muito obrigado
Imagina se fosse com Bush…
A crise gerada pelo vazamento de informações sigilosas de espionagem do governo americano se internacionalizou. O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha convocou o embaixador norte-americano no país, Philip Murphy, para pedir esclarecimentos sobre alegações de que a Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) dos EUA espionou instituições da União Europeia.
Abro aqui um parêntese: não vejo Edward Snowden, o ex-técnico da CIA responsável pelos vazamentos, como um herói libertário, ao contrário de muitos colegas. Claro que há efeitos positivos no que ele fez, mas nem por isso seus atos são defensáveis, já que, para liberais como eu, os fins nobres não justificam quaisquer meios. Isso sem falar que não costumo ter muita simpatia por “heróis da liberdade” cujo alvo prioritário é sempre o governo americano, e que depois ainda buscam refúgio nas piores ditaduras mundo afora. Fecho o parêntese.
O que eu queria falar aqui pode ser resumido em uma perguntinha básica: alguém consegue imaginar qual seria a reação em geral caso essas denúncias todas ocorressem durante o governo Bush?
Leia mais aqui.
separadas à nascença

a frase a reter
Da carta de demissão de Vitor Gaspar: “Os riscos e desafios dos próximos tempos são enormes”.
quando os governos têm lepra
O estertor deste governo, que girou sempre em torno de Vitor Gaspar, ocorre com a sua saída de cena e a sua substituição por uma figura subalterna, sem qualquer dimensão política ou reconhecimento técnico, profissional ou académico, que faça merecer o lugar que vai ocupar. Este género de situações são muito comuns nos momentos do fim político dos governos. Já vimos disto nos derradeiros momentos do cavaquismo, no segundo governo de Guterres, com Sócrates e até mesmo com Santana. Quando os governos têm lepra e estão à beira de um triste fim, ninguém quer proximidades excessivas. Ficam os que já estavam nas segundas e terceiras linhas. É um filme sobejamente conhecido, com um final próximo e que não surpreenderá ninguém.
“O tempo político de Gaspar acabou”
Ao contrário do de Cavaco Silva, enquanto Governante por interposta pessoa? Melhor, enquanto uma espécie de manager à distância (não muita, entre Belem e S. Bento) do Governo?
A novel Ministra-swap Maria Luis Albuquerque terá sido cooptada (“sugerida”) por Cavaco Silva? Para alguns, pelo menos, também terá sido um “golo” de Belem, num jogo em que o árbitro sempre que pôde, acabou por intervir?
Digamos, Albuquerque é uma escolha lógica e de aparente continuidade – se bem que essa continuidade seja, de facto e muito provavelmente, só aparente … não tanto por razões internas, mas sim por razões externas, ou seja, da própria “troika” que, em função das dissidências entre os head office das Instituições que a compõem, promoverá ajustamentos aos seus prórpios programas de ajustamento.
não é uma boa notícia
Vitor Gaspar sai zangado com o governo e com os partidos da coligação por causa da pressão que estes têm exercido contra as suas políticas? Ou sai devido aos maus resultados das contas públicas do primeiro trimestre do ano? Ou por a troika não ter ficado convencida das intenções “reformistas” do governo e pairarem nuvens negras sobre a próxima avaliação? Ou porque percebeu que já não ia a tempo de fazer o que devia ter começado a ser feito imediatamente no dia da tomada de posse do governo? Em qualquer dos casos, a saída de Gaspar, antes do fim do programa de ajustamento das nossas contas públicas, não é uma boa notícia para ninguém, ao contrário do que muitos (quase todos…) possam pensar. Seja por incapacidade política para prosseguir com o plano de ajustamento, seja pelo fracasso do mesmo, a saída de Vitor Gaspar anuncia que virão aí dias bem piores do que os que temos tido.
Ter ou não ter razão…
(antes do tempo, mas não muito): Afinal, Carlos Abreu Amorim, tinha razão! Antes do tempo (em Maio), mas não muito.
PS – à atenção, por exemplo, de Moreira da Silva.
OK, demitam-se então
Confirmando-se a saída de Vítor Gaspar, apesar da competência que Paulo Macedo possa ter para o cargo, o governo sairá com uma fragilidade que não lhe augura capacidade para dois anos de mandato. Assim sendo, demitam-se. Entreguem o país à oposição do PCP, Bloco, CDS, PS e PSD. No fundo, como dizia o outro, “quem criou o problema que o resolva“.
avalie o gaspar
não durará muito tempo
Se Vitor Gaspar, o principal e quase único responsável pela política económica e financeira deste governo o abandonar antes do fim do programa de ajustamento, como parece estar para acontecer, o governo de Passos manterá condições de subsistência? Francamente, foi tal a relação de dependência criada que não acredito que o governo dure muito tempo.
Notas de férias – 4
Fiz um seguro sobre o carro que aluguei que permitia ter cobertura a 100% num eventual sinistro que o destruísse. Como devolvi o carro, pretendo agora renegociar esse seguro com a base legal de ter perdido 500.000€ mais o prémio pela não ocorrência do sinistro.
É inadmissível. A probabilidade de ocorrência de acidente era diminuta comigo a conduzir.
Notas de férias – 3
Grafitei as paredes brancas desta urbanização. Pode parecer que não, mas foi um acto de socialização da minha arte, algo que é um direito mais que justo destas pessoas, o de terem acesso à cultura da minha individualidade tribal.
O proprietário de uma das casas veio com uma teoria fascista de ter direito à parede branca na sua propriedade, algo que encarei como um acto deliberado de boicote à arte e à cultura de uma minoria.
Exijo os meus direitos de grafitador e já fui à embaixada levantar um incidente desta opressão ao português pelas forças policiais estrangeiras que me confiscaram as tintas.
Notas de férias – 2
Num restaurante, eu e umas senhoras gregas obrigamos o alemão a comer sopa, isto apesar de ter escolhido a paella.
A comunidade do sul explicou ao homem que é do seu interesse comer só sopa. Assim, o que sobra do preço que iria pagar pela paella pode ser usado solidariamente para que eu possa comer a lagosta.
A vida solidária é bela.
Brasil: a grande oportunidade. Deles.
Para se perceber ao vivo e em directo aquilo que Francisco José Viegas aqui denuncia nada como ler Boaventura Sousa Santos.
Obs. Quanto dos tais 100% do petróleo que Dilma anunciou virem a ser afectados à educação vão servir para sustentar observatórios, centros, grupos, associações… disto e daquilo que mais não passam do que juventudes partidárias de grupos de extrema-esquerda com ordenado no fim do mês?
Para acabar o dia
Há uns anos dizer que se gostava de fado suscitava comentários tão ou mais condenatórios do que actualmente declarar que se gosta de touradas. Por isso como hoje já aqui tivemos o momento das touradas podem agora ficar com o fado e tentar perceber como esta senhora – Lucília do Carmo – além de cantar divinamente leva o português a um nível que poucos escritores conseguem.
Notas de férias – 1
Já abri conta no bar de praia. Vou poder gastar tudo o que quiser em bebidas sabendo que acima dos 60% tudo será mutualizado com os restantes clientes.
Manter-vos-ei informados nestas férias de solidariedade europeia.
