Estado da nação
Política de identidade
Trans, bi, asexual, queer, liberal, socialista, comunista, conservador, hetero, católico, muçulmano, judeu, cristão, ateu, populista, independente, social-democrata, libertário, auto-sexual, não-binário, anti-emigração, colonialista, apropriador cultural.
Ambições
Engenharia aeroespacial, professor universitário, empreendedor, influencer.
Realidade
Analfabeto, partizan, tudo é a extensão do clube de futebol, recibos verdes permanentes.
Rendimentos
Fortuna de família.
Religião
Bisbilhoteiro, alcoviteiro, ilusão sobre ele próprio. Covid-19.
Desejos
Tatuagem igual à dos outros para mostrar ao mundo que é diferente. Ser injectado com algo desconhecido antes dos outros. Confiar cegamente em autoridades enquanto se demonstra publicamente desconfiança. Que ninguém veja o seu histórico de internet.
Sexualidade
Sites de Internet.
História
Mitologia e teorias da conspiração. A culpa é dos russos, dos chineses ou dos muçulmanos. Império ocidental, como criado por Zuckerberg ou Musk.
Literatura
Shoegazing. Mamas da Ana Moura.
Solução para todos os problemas
Desligar internet, só comprar livros em alfarrabistas. Rejeitar tudo que tenha sido escrito após 2000, a começar por este post.
Persona non grata
Já tínhamos saudades da fatwa. Ainda bem que estamos todos contentes. Como se costuma dizer, são os excessos do artista. Como nós gostamos do artista, não só toleramos como aplaudimos quando uma televisão é atirada da janela do quarto de hotel.
Um adulto na ONU
Enquanto secretário-geral das Nações Unidas António Guterres tem exercido um mandato patético, profundamente ridículo e tristemente infantil. Apesar disso, a esmagadora maioria dos líderes políticos mundiais tem contribuído para o caricato e desprezível circo de em que se tornou a ONU.
Porém, há um adulto na sala da Assembleia-Geral desta organização que disse tudo o que é necessário e que vale a pena ouvir, até ao fim deste excerto vídeo:
A transcrição completa oficial do discurso de Javier Milei pode ser encontrada aqui.
Os culpados pelos incêndios
Perante a tragédia de incêndios florestais que ganham dimensão catastrófica e atingem severamente as populações, a opinião pública procura simplificar o seu quadro mental para tentar compreender a complexidade do fenómeno. A classe de comentadores fala-barato e jornalistas ignorantes alimenta a indignação que está a um passo de clamar por justiça popular.
O povo está ansioso por identificar e punir os responsáveis por tudo isto. Quem observa os fogos no local ou pelas televisões fica unida pelos mesmos pensamentos e desejos, mas confusa perante uma situação tão esmagadora.
Porém, cai na armadilha lógica da conspiração, concentrando e objectificando a causalidade do mal naquilo e naqueles que se lhes apresentam como mais plausíveis culpados. No meu tempo de jovem, o alvo eram os madeireiros e os especuladores imobiliários. Depois foram as celuloses. Hoje a moda parece ser as empresas de exploração de minério e os mais lunáticos de todos atribuem as culpas às alterações climáticas.
Encontrado um bode expiatório – qualquer que ele seja – a opinião pública conforta-se por ter finalmente compreendido os acontecimentos à sua volta, numa aparente lógica infalível.
Este quadro de referência simplório e ignorante é o mais conveniente possível para os dirigentes políticos. Estes não querem ser responsabilizados por nada e focam-se na sua popularidade imediata. Assim, basta ajustarem os seus planos e discurso àquilo que sentem ser o desejo das pessoas comuns. Os políticos acabam a ser comandados pelas massas que não pensam nem querem pensar. São portanto, o oposto de líderes.
Enquanto sociedade preferimos a miopia de não ligar patavina aos factos e o narcisismo de encontrar uma explicação para o fenómeno dos incêndios. Isso poupa-nos o trabalho de ouvir quem sabe e há muitos anos estuda e analisa o tema, como é o caso de Henrique Pereira dos Santos ou João Adrião. Mas o seu conhecimento e argumentação sustentada em factos, é dissonante e por isso não traz audiências para espaço mediático.
Foi neste contexto que o primeiro-ministro fez ontem uma declaração ao país em que insinua de forma capciosa e contraproducente que andam por aí grupos de incendiários em número relevante que de forma sádica e em benefício de interesses económicos malévolos causam monstruosos incêndios.
As pessoas comuns apegam-se a esta forma de pensar e hipnotizam os próprios dirigentes políticos no pensamento mágico de que acabando com os incendiários, acabarão os fogos florestais de grande dimensão.
Tudo, portanto, ficará igual ao que acontece há dezenas de anos.
Ou até pior.
Quem são afinal os culpados?
A minha crónica-vídeo de ontem, aqui:
Mini-saia não, o que fica bem é cada um com as calças com que nasceu
O ministro da educação, na senda dos outros todos que gostam de deixar o selo no ministério, correndo atrás do populismo “dos estudos” como se não houvesse um para cada moda e anti-moda numa academia tão delapidada cujo píncaro da virtude é propor-se a fabricar naves espaciais, como aliás qualquer indivíduo produzido pelo pantanal político-partidario do país, decidiu que seria boa ideia que as escolas proibissem telemóveis.
Presume-se que esta proibição seja só para alunos, não para professores e pessoal não-docente, muito menos para a imbecil fatigada da turma do 4º ano que passava o tempo no Facebook, pessoas para as quais as premissas de não avariarem da cabecinha já não se aplica — coitados, já estão perdidos; talvez se possa salvar os mais novos. E já se salvaram os mais novos com os Magalhães, com os seus sucessores, com a criação de salas de fumo escondidas dos alunos, com a cidadania que levada à letra condenaria qualquer político ao fogo do infer… de párias e com a azeiteirada homofóbica da religião LGBT que serve para encher fileiras na IL (na barricada dos crentes) e no Chega (na barricada dos evangélicos do aborto às escondidas). Agora vão salva-los dos pacotes MEO. Já deles não há quem nos salve.
As crianças aprendem pelo exemplo. O exemplo é simples: podes usar telemóvel, mas na sala de professores. Drugs are bad, mkay? Excepto se for a compra de uns dispositivos muito bons para o bloqueio de redes à empresa do meu primo.
«Super Mário» Draghi, o herói do momento.
O relatório de Mário Draghi sobre a competitividade da União Europeia foi recebido de forma maravilhada por muitos dirigentes políticos e comentadores da nossa praça. Há muito que não se assistia a tanto entusiasmo com um social-democrata adepto de políticas keynesianas.
O documento elaborado conclui, e bem, que a União Europeia não é competitiva, carece de liderança tecnológica e está atrasada na produtividade e no crescimento após anos de intervenção estatal, planos ditos de estímulo, política monetária expansionista, taxas de juro negativas e centralização de políticas. Mário Draghi acrescenta, e bem, algo que já está diagnosticado há imenso tempo e hoje parece ser mais consensual: a União Europeia precisa de desburocratizar e diminuir a regulação estranguladora na inovação e do aumento da produtividade.
Mas convinha que esta gente que está agora encantada pelo Super-Mário dizer o óbvio tivesse um módico de cepticismo crítico e os fizesse descer à realidade terrena. Desde logo alguém acredita que a centralista e estatista Von der Leyen terá mesmo vontade de implementar a desregulamentação e desburocratização do diagnóstico Draghi? Por outro lado, porque as soluções preconizadas por Draghi são uma continuação da receita que tem levado a União Europeia a definhar. Depois do fiasco dos contraproducentes fundos do Next Generation atirados para a economia a pretexto da covid19, fala-se de um novo Plano Marshall de dimensão redobrada, um mito e uma falácia histórica que na melhor das hipóteses foi irrelevante para a recuperação do pós-guerra e mais realisticamente contribuiu para prolongar a crise.
Apesar de o problema não ser falta de dinheiro mas sim políticas económicas intervencionistas, Draghi admite que dos 800 mil milhões de euros/ano de investimento adicional que diz ser necessário na União Europeia, apenas 400 mil milhões de euros/ano venham dos Estados, que é como quem diz, dinheiro retirado adicionalmente aos contribuintes actuais e futuros. Isto, acompanhado da estapafúrdia ideia de recurso a mais dívida pública e emissão de euro-bonds. Portanto, a solução parece ser mais uma vez tirar dinheiro à economia privada para depois devolver à economia privada, mas segundo o critério de burocratas. Vai correr pelo melhor…
Entretanto, a CIP — Confederação Empresarial de Portugal saliva com mais uma bazuca a que os interesses instalados se possam abarbatar e já veio pedir novos apoio públicos a investimentos do setor privado.
Iremos de bazuca em bazuca até à pobreza total. Porém, Draghi é o herói do momento que os políticos adoram e a oligarquia implora.
A minha crónica-vídeo de ontem, aqui:
Os silenciados

Eles são já milhões por todo o mundo mas ninguém dos media generalistas lhes dá voz. Pelo contrário, evitam-nos como se tivessem lepra. Os silenciados (veja aqui; aqui; aqui; aqui; aqui; aqui; aqui; aqui; aqui; aqui; aqui; aqui; aqui; aqui; aqui; aqui) são cidadãos comuns que acreditaram que os governos dos seus países queriam protegê-los da ameaça de uma “terrível doença” que supostamente estaria a dizimar populações por todo o mundo. Acreditaram porque esta narrativa estava sustentada por alguns pseudocientistas, pseudoprofissionais de saúde e pseudocomentaristas que juravam a pés juntos que se não seguíssemos as regras impostas e não nos inoculássemos, era a morte certa. Isto, difundido massivamente pelos media, 24h sobre 24h, semeando medo e terror para que não houvesse dúvidas de que a ameaça era real. Tudo sem um único jornalista do mainstream a questionar e a investigar o que era denunciado no contraditório feito por inúmeros cientistas (inclusive prémios nobel), médicos e profissionais de saúde, que entretanto surgiram muito rapidamente a expor as incongruências grosseiras da narrativa oficial. Este artigo dá voz a alguns deles:
Ler mais…O Rust Belt, a China e a “Nova Direita”
(…) Estas circunstâncias levaram nas últimas décadas, tanto no Rust Belt como na Appalachia, a uma intervenção significativa do Estado sob diversas formas, programas e instrumentos de apoio, sempre feita em nome da protecção das indústrias locais, da preservação do emprego, e do combate à pobreza e exclusão social. Portanto, ao contrário de algumas narrativas ideologicamente enviesadas, não se poderá afirmar que são regiões deixadas à sorte do fundamentalismo neo-liberal no mercado livre e na globalização.
(…) A evidência dos factos não ajuda à narrativa do pensamento mágico que acredita na ilusão de que tarifas comerciais mais elevadas à entrada de produto estrangeiro, nomeadamente da China, trará de volta empregos industriais ao Rust Belt, até porque a indústria transformadora depende hoje fortemente da automação.
(…) Se é certo que o socialismo empobrece, é triste verificar que nos últimos tempos as forças políticas de Direita nos EUA, na Europa e em particular em Portugal se têm esquecido de verdades económicas básicas e infletido numa deriva populista estatista.
O meu artigo completo de hoje na coluna da Oficina da Liberdade, aqui:
Censura do “Bem”
O dono do Facebook divulgou uma carta onde admite formalmente que, a pedido do governo americano, exerceu censura contra terceiros nas redes sociais. Mark Zuckerberg identifica explicitamente a Casa Branca como origem das pressões censórias a que foi repetidamente sujeito e a que cedeu. Note-se que Kamala Harris é vice-presidente dos Estados Unidos e dada a fragilidade cognitiva de Biden, é muito plausível que as ordens para censurar conteúdos no Facebook tenham vindo directa ou indirectamente desta ultra-esquerdista muito apreciada na bolha mediática portuguesa. É curioso que um censor seja hoje visto como um democrata por largos sectores da sociedade…
A carta que Zuckerberg escreveu vai ainda mais longe, divulgando que além da Casa Branca e da Administração Biden-Kamala, o próprio FBI deu, na prática, instruções ao Facebook para remover conteúdos online por supostamente serem considerados desinformação, quando não passavam de notícias politicamente inconvenientes para o governo de Biden e Kamala.
Já em França, o dono do Telegram, concorrente do Facebook e do X, foi preso pelas autoridades locais que se queixam da falta de moderadores de conteúdos nesta rede social e acusam a empresa de permitir atividades criminosas na plataforma, nomeadamente de espalhar informações falsas e propaganda pró-Kremlin. É argumento equivalente a mandar prender o presidente dos CTT por não vasculhar todo o correio que circula em Portugal, algum do qual, certamente, com conteúdo nada recomendável. Ou então mandar prender o presidente da Estradas de Portugal pelo facto de um condutor ter propositadamente provocado um acidente mortal.
Ironicamente, o dono do Telegram foi obrigado a fugir da Rússia há 10 anos depois de se recusar a entregar dados dos utilizadores pró-Ucrânia às agências de segurança russas e se recusar a bloquear a conta do falecido líder da oposição Alexei Navalny. Aliás, o Telegram é especialmente popular nos países da antiga união soviética, amplamente utilizado pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, e pelos cidadãos russos que desejam aceder a informações não censuradas sobre a guerra Rússia-Ucrânia.
Numa declinação mais pitoresca da bufaria e pulsão para a censura que graça no nosso país, o hospital de Santa Maria ameaça com processos judiciais os utentes que façam críticas nas redes sociais aos serviços ou profissionais do hospital.
As liberdades individuais vão-se esvanecendo pouco a pouco e uma sociedade totalitária acaba por se impôr com o consentimento paulatino da população. Os casos que referi nesta crónica são apenas simbólicos capítulos de um caminho para a servidão.
A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:
Os super-ricos.
Um manhoso estudo elaborado por dois autores sem qualquer relevância académica diz que se o Estado Português criasse um imposto sobre os “super-ricos” poderia encaixar mais de 3.500 milhões de euros. Este confisco de património abrangeria 0,5% dos contribuintes, cerca 42.000 pessoas com um património global financeiro e não-financeiro de 2 milhões e meio de euros, como se estes fossem super-ricos. Mas enfim…
A comunicação social nacional disseminou acefalamente as conclusões canalhas deste estudo, pois sabem que uma franja considerável da sociedade e, infelizmente, grande parte da juventude acredita que os ricos não deveriam existir e que novos impostos são solução para a pobreza e uma fonte de crescimento económico.
Os tempos que vivemos são profundamente ignorantes e de valores morais corrompidos. A inveja perpassa esta ideologia. E são ideias imorais também porque a suposta “transferência de riqueza” através da tributação dos ricos é apenas uma forma de legalizar o roubo.
A esmagadora parte da riqueza dos super-ricos não é consumida em iates, joias ou luxos pessoais. Aliás, as pessoas muito ricas nunca conseguiriam consumir pessoalmente toda a riqueza que possuem, mesmo que dormissem em colchões de notas. Por isso utilizam quase toda a sua riqueza investindo em negócios produtivos e até em causas meramente filantrópicas. Investem em activos que lhes rendem benefícios, obviamente. Mas que são empresas e fábricas que geram emprego e criam produtos úteis valorizados pela população em geral e muitas vezes absolutamente vitais para os menos afortunados.
Se o Estado confiscar as poupanças e os activos dos ricos através de impostos, não reduz consumos extravagantes, mas diminui a oportunidade de usar a riqueza em criação de valor e inovação para a sociedade. Os super-ricos continuarão sempre ricos. Serão as classes média e trabalhadora as mais prejudicadas quando a resposta ao aumento de impostos resultar em menos empregos, salários mais baixos e produtos mais caros.
A acumulação de riqueza por meios honestos deveria ser elogiada e incentivada. Sem poupanças e capital não teremos uma sociedade próspera. Contudo, o estúpido ar do tempo vai no sentido de punir a acumulação de riqueza através de esquemas fiscais contraproducentes, ineficientes e baseados em falsidades.
Para um crente, um imposto sobre a riqueza pune a iniciativa e capacidade empreendedora das pessoas e a frugalidade daqueles que usaram os seus talentos dados por Deus para criar riqueza ou acumular grandes poupanças, e priva os cristãos da oportunidade de partilharem voluntariamente a sua riqueza através de actos de caridade.
Não considerando a inveja ou o roubo como pecados, tal forma de estar deveria pelo menos fazer corar de vergonha qualquer pessoa decente.
A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:
As elites têm medo da Liberdade e do povo
Com a subtileza de um troglodita e a elegância de um mamute, um comissário europeu ameaçou censurar e punir severamente Elon Musk se este transmitisse no Twitter a sua conversa com o ex Presidente dos Estados Unidos da América. Obviamente, não só a conversa entre Musk e Donald Trump teve lugar, como se registaram audiências astronómicas.
O raivoso comissário não hesitou em usar e abusar da posição de poder da Comissão Europeia para tentar coagir o dono da rede social X e, arrogantemente, impedir que centenas de milhões de utilizadores tivessem acesso a informação e conteúdos que lhes interessaria. Uma pulsão censória de fazer inveja a ditarorezecos e tiranetes nada recomendáveis.
Mas não é só o narcisista Thierry Breton que acha que vai salvar a plebe europeia dos supostos ataques do dono do X. Recentemente, no Reino Unido, outros políticos angustiados tiveram a distinta lata de afirmar que Musk estava a liderar e a promover violência e tumultos. Estas elites dirigentes não têm coragem, nem honestidade, nem tão pouco a humildade de reconhecer o impacto negativo e profundamente desestabilizador das suas próprias políticas na sociedade e que estão na origem das tensões sociais a que todos assistimos. O pavor desta gentalha é o de que a liberdade de expressão possa levar a que uma revolta das massas os tire do poder e das posições de privilégio assim como destrua a autoridade que o sistema ainda garante às elites.
Mas voltando ao autoritarismo presunçoso e antidemocrático dos órgãos europeus não eleitos, será bom lembrar que o regulamento invocado para calar o pio a Musk e Trump foi o chamado «Digital Services Act». Ora, este indecente diploma foi votado favoravelmente por todos os eurodeputados Portugueses, com excepção dos do BE e do PCP. A Iniciativa Liberal e o Chega não tinham à altura deputados europeus, mas o grupo Renew Europe, onde aliás Thierry Breton é dirigente, e que a Iniciativa Liberal passou, entretanto, a integrar votou unanimemente a favor.
E mais: cá em Portugal, não passou assim tanto tempo desde que a unanimidade dos deputados do nosso Parlamento deixaram passar a infame “carta portuguesa dos direitos digitais”, uma espécie de transposição para a realidade nacional do regulamento invocado para tentar justificar a atitude censória do comissário europeu contra Trump e Musk.
Ou seja: sob a ultrajante máscara do combate à «desinformação» e ao «discurso de ódio», a regulação das redes sociais e a determinação por via da Lei do que pode e não pode ser dito em público tem levado a um repugnante e profundo declínio do valor da Liberdade.
A civilização é uma opção alternativa à barbárie. Mas nem todos escolhem a primeira.
A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:
Pedro «Catarina Mendes Adão e Silva» Duarte
Pedro Duarte, foi director de campanha de Luís Filipe Menezes na corrida à Câmara do Porto, e mais tarde director da campanha de Marcelo Rebelo de Sousa às Presidenciais. No primeiro caso, felizmente, perdeu. No segundo caso, infelizmente, ganhou. De qualquer forma, tendo assumido essas funções, partamos do princípio de que perceberá alguma coisa de comunicação.
E deve mesmo perceber, uma vez que afirmou recentemente que “Tem uma visão para a Comunicação Social em que o Estado tem de ter uma intervenção”. O problema está em que Pedro Duarte é agora ministro dos assuntos parlamentares e, nessa qualidade, numa sociedade livre e numa democracia avançada os governantes não devem ter «visões» nem «intervenções» nos media. Se têm, é porque a sociedade não é assim tão livre, nem a democracia especialmente avançada.
Pedro Duarte sucedeu na pasta ministerial à socialista de má memória Ana Catarina Mendes, e recupera agora uma ideia estapafúrdia de outro ministro de António Costa, o ridículo Pedro Adão e Silva: a aquisição a privados dos 45% do capital social da Lusa que faltava ao Estado para ficar com o controlo quase exclusivo da agência de informação. Note-se que, antes das eleições legislativas o PSD rejeitou esta opção, mas agora que os sociais-democratas estão confirmados no governo, a ideia passou a ser óptima e oportuna. Aliás, Pedro Duarte, considera agora que a compra das ações da Lusa ao grupo Global Media é “uma prioridade absoluta”.
Esta cambalhota política permite simultaneamente ao Governo por uma pata adicional no controlo da narrativa dos media e fazer um mini resgate a um grupo privado específico que se encontra em stress financeiro.
Para disfarçar a marosca, o próprio primeiro-ministro Luís Montenegro fala num «plano de ação de apoio aos media» com medidas «de caráter muito diversificado», admitindo até um eventual financiamento estatal para comunicação social. Sabemos no que dão estas magníficas e desinteresseiras intenções dos políticos. Já vimos o filme várias vezes, com diferentes protagonistas. É clarinho que o governo fica com maior latitude para interferência e controlo das notícias que saem para o espaço público.
O extraordinário é que, salvo raríssimas mas honrosas excepções, os jornalistas e órgãos de comunicação social estão muito satisfeitos com tudo isto.
De facto, a Liberdade não é para todos!…
A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:
A censura na Europa
Elon Musk revelou há dias que a Comissão Europeia propôs às plataformas de redes sociais acordos ilegais secretos no período que antecedeu as recentes eleições europeias. O acordo pretendido pela Comissão Europeia pressupunha que as redes sociais censurassem os conteúdos nas respectivas plataformas, se forma sigilosa e, por contrapartida, estas estariam imunes a processos judiciais que levariam à imposição de multas gigantescas e restrições à sua actividade comercial ao abrigo do chamado Regulamento dos Serviços Digitais.
O X (ex-Twitter) recusou o acordo, mas Musk afirma que o Facebook e a Google o aceitaram.
É extraordinária a hipocrisia e o cinismo da Comissão Europeia. É que Bruxelas tem alertado constantemente para uma suposta ameaça da Rússia à Europa por via da disseminação de notícias falsas, desinformação e discursos de ódio provenientes do regime de Putin. Mas se isto é verdade, é bom que os cidadãos europeus estejam conscientes de que os ataques à sua liberdade e atitudes antidemocrática censórias são também o modo de acção das elites da União Europeia.
Este desprezo pelos cidadãos e pela democracia assenta na húbris e presunção institucionalizada de que os burocratas e decisores da União Europeia sabem o que é melhor para a sociedade e, portanto, devem eles decidir em nome dos europeus o que é um discurso aceitável, o que pode e não pode ser dito online, e prevenir que informação inconveniente chegue à população que não tem a mesma capacidade de discernimento e cultura das elites.
O Regulamento dos Serviços Digitais não passa de máscara sob a qual a elite da União Europeia exerce o seu poder, subvertendo os valores europeus da democracia e da liberdade de expressão. É um subterfúgio para controlar narrativas úteis aos interesses da oligarquia dominante que passa por exemplo por instrumentos como os chamados “verificadores de factos” ou polígrafos, pela programação centralizada dos algoritmos para remoção de certas publicações e cancelamento de utilizadores inconvenientes, etc.
Esta forma de manipular os cidadãos tem sido consentida e mesmo apreciada pelos partidos portugueses, da esquerda à direita.
A censura regressa à Europa promovida por dirigentes políticos com a cumplicidade activa de algumas Big Tech e passiva dos media tradicionais que beneficiam do ataque contra os novos meios de comunicação.
Dir-se-ia que se adoptarmos como princípio de prudência considerar as narrativas dos burocratas de Bruxelas e de grande parte dos nossos jornais e televisões como desonestas e mentirosas, estaremos mais bem informados e mais próximos da verdade dos factos.
A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:
O «Pacotão»
O Governo desenhou um documento com 60 medidas a que pitorescamente deu o título de «Acelerar a Economia» e sobre o qual o próprio Primeiro-Ministro disse, sem se rir, que se trata de “um programa que visa transformar o país”.
Os membros do Executivo podem ter frequentado as melhores escolas do país, andado por Harvard e pelo Insead, e ter no curriculum sonantes referências profissionais. Mas apesar de se movimentarem entre escritórios refinados e climatizados, não se conseguem libertar da parolice de achar que uma vez chegados ao governo, o país pula e avança segundo o que idealizam as suas cabecinhas.
Haver um «ministério da economia» é já uma contradição nos termos porque, tendencialmente, ou há ministério ou há economia. As duas coisas em simultâneo coexistem com grande dificuldade. Isto se entendermos o mercado como um mecanismo de cooperação baseado na livre iniciativa privada e em trocas voluntárias. Porque se formos democratas, mas fiéis a uma variante aparentemente benigna de socialismo acreditaremos nos mesmos lirismos económicos de Luís Montenegro e do ministro Pedro Reis.
Entretanto, o ministro das Finanças declarou ser “impossível estimar o custo-benefício global” do já célebre «pacotão». Mas facilito o trabalho a Miranda Sarmento e adianto já que a baixa do IRC é bem-vinda e que o compromisso de o Estado pagar a 30 dias aos seus fornecedores é de elementar dignidade.
Já quanto à redução para 20% do IRS para trabalhadores estrangeiros qualificados (seja o que isso fôr), apesar de à primeira vista a medida não ter custos fiscais, não só os benefícios são meramente hipotéticos como introduz uma ultrajante discriminação: os estrangeiros têm desconto, mas os Portugueses pagam mais e não bufam! Quem anda com a bandeira da dita «justiça social» sempre na ponta da língua, acha bem discriminar pessoas por critério de qualificações académicas?
As restantes fantasias do «pacotão» preconizam coisas que estou certo poderiam ser subscritas com gosto pelos anteriores ministros Augusto Mateus, Pina Moura, Manuel Pinho, Vieira da Silva, Pires de Lima, Caldeira Cabral, Siza Vieira ou Costa Silva. O resultado, esse, é sempre o mesmo: inócuo, na visão de um optimista; prejudicial, sendo realista.
A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:
Perigo em França e no Reino Unido
Amanhã, quinta-feira, decorrem eleições gerais no Reino Unido e no próximo Domingo o mesmo acontece em França.
Em Inglaterra ninguém acredita que o Partido Trabalhista deixe de vencer as eleições, e por grande margem. O partido trabalhista é uma espécie de equivalente do Partido Socialista em Portugal e depois de muitos anos arredados do poder, tudo indica que obterão uma claríssima maioria eleitoral.
O partido Conservador que tem governado o país irá perder as eleições por culpa própria. A causa mais imediata do seu desaire e que muitos querem esquecer ou escamotear foram as políticas públicas adoptadas a pretexto da covid19 que espatifaram a economia, criaram e agigantaram profundos problemas sociais, e deixaram as finanças públicas em pantanas. Infelizmente o quadro político é ainda mais funesto porque o partido Conservador deixou há muito tempo de ser um verdadeiro partido de Direita e tem adoptado políticas públicas estatistas e intervencionistas e narrativas progressistas e de cedência ao politicamente correcto. Ou seja, no fundo é hoje uma agremiação de socialistas. O drama está em que se Rishi Sunak é cor-de-rosa, o mais que provável próximo primeiro-ministro – Keir Starmer – tem carregadas tonalidades vermelhas e uma vontade indisfarçável de aumentar e criar novos impostos.
Já em França toda a gente fala e comenta a possibilidade e, dizem, o perigo de uma vitória da extrema-direita. Aparentemente todas as pessoas que se auto-atribuem valores de boa formação cívica e moral combatem com todas as suas forças e estão dispostas a tudo para não deixar o partido de Marine Le Pen chegar ao poder.
Mas o problema para a França não está em Le Pen. o seu partido está hoje integrado sistema e institucionalizado. Tem um programa económico fortemente estatista e, caso não defendesse políticas restritivas em relação à imigração, poderia aliás ser tido como socialista.
O verdadeiro risco para a Europa e o dramático para a França seria a nova frente de Esquerda ganhar as eleições. Trata-se de uma surreal miscelânea de marxistas, anti-semitas, simpatizantes de grupos terroristas como o Hamas, contemporizadores com o expansionismo de Putin, anti-capitalistas delirantes que propõem um programa económico capaz de levar a França à falência num curto espaço de tempo e gente que lida muito mal com a liberdade, desejosa de impor à maioria dilacerantes doutrinas progressistas reivindicadas por minorias alienadas e desumanas.
Depois da viragem à direita nas recentes eleições para o Parlamento Europeu, a Europa poderá acabar por se deparar com governos em Inglaterra e França saudosistas da distopia soviética.
Em tempos conturbados como estes, lembro que Democracia não é sinónimo de Liberdade.
A minha crónica-vídeo, aqui:
Carros eléctricos chineses
O recente episódio da guerra aberta entre a União Europeia e a China a pretexto da indústria de automóveis eléctricos é um manancial infindável da ignorância e falácias de toda a espécie sobre comércio internacional, propaladas por políticos, dirigentes e economistas.
No breve espaço desta crónica não tem cabimento desconstruir todas as palermices que se vão ouvindo por aí sobre conceitos como o de «comércio justo», «reciprocidade comercial», «defesa da indústria local» e outros lirismos vários. Apenas chamarei a atenção para três historietas normalmente utilizadas por quem é a favor ou contemporiza com a imposição de restrições à importação para a Europa de veículos eléctricos com origem na China, nomeadamente impondo tarifas e impostos adicionais que podem chegar a representar mais de metade do preço destes carros.
Desde logo, não existem carros «alemães» nem carros «chineses». As cadeias de produção estão integradas a nível mundial e por isso a origem das componentes de um carro é tão diversa e a incorporação de valor num automóvel tão geograficamente diversificada que ignorar estes factos seria compreensível num homem das cavernas, mas é suspeito vindo de quem sabe ler e escrever.
A Comissão Europeia da santinha Von der Leyen grita e protesta contra os supostos subsídios que o governo Chinês oferece aos seus construtores permitindo-lhes praticarem preços baixos. “Alto e para o baile que isso é uma injustiça para a Europa!”, dizem os burocratas europeus que omitem que a própria Europa subsidia a indústria local, cheios de vontadinha de fazer praticar as mesmas manigâncias de que acusam os chineses. Mas, pior do que isso, os dirigentes da União Europeia ficam tristes por os consumidores europeus terem acesso a produtos mais baratos à custa do dinheiro dos contribuintes chineses. Ou seja: os chineses pagam para os europeus gastarem menos dinheiro, e a Dona Ursula acha isso um desaforo…
A classe dirigente tem investido milhares de milhões de euros a tentar impor aos cidadãos a parva e histérica narrativa da emergência climática e da absoluta necessidade de uma transição energética. Ora, quando marcas automóveis chinesas colocam no mercado produtos que servem esse propósito, a Comissão Europeia faz flic-flac à retaguarda nas suas intenções de salvar o mundo do apocalipse climático e evidencia que os seus propósitos são afinal outros bem diferentes, aliás idênticos aos da mais antiga profissão do mundo.
A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:
Juventude e «Extrema-Direita»
A nível europeu, os partidos do sistema podem manter-se dominantes, mas assiste-se a um pronunciado crescimento de partidos conservadores nacionalistas. Verifica-se uma espécie de rebelião silenciosa que está a preocupar a classe dominante, sobretudo porque o voto populista de direita está a ser impulsionado pelos jovens da chamada Geração Z, enquanto está em declínio o progressismo característico dos Millennials, que estão agora a chegar à meia-idade.
Existem diferenças relevante e idiossincrasias próprias em cada país, mas na Alemanha, em França, Itália, Bélgica, Holanda ou mesmo em Portugal com o Chega, uma grande parte dos jovens e em alguns casos mesmo a maioria das pessoas com idades compreendidas entre os 18 e os 25 anos apoiam partidos que defendem bandeiras e causas ditas de direita radical.
A Europa e em especial a juventude está claramente a virar à direita. Não apesar dos esforços dos partidos do sistema em criarem «linhas vermelhas» e alertarem para o perigo da dita «extrema-direita», mas em grande medida por causa disso.
O que muitos jovens têm vindo a verificar é que os partidos ditos extremistas, acabam por ter posições políticas que não só eram completamente aceitáveis, mas também convencionais há apenas algumas décadas. Dois exemplos: as políticas relativas à imigração ou políticas sociais com base na família tradicional.
Quanto mais forte for a tentativa de repressão dos partidos populistas de direita, quanto mais insultos de racismo, xenofobia, misoginia, fascismo e até de nazismo forem alvo os partidos radicais de direita, mais apelativo se tornará a um jovem de 20 anos aderir ao «fruto proibido» pela actual elite política.
Excluir da discussão pública os temas que desassossegam os jovens e admitir apenas a continuação de políticas mainstream, enquanto se atira artificialmente todas as outras alternativas para o campo da indecência e desumanidade tem tido o efeito contrário ao desejado pela oligarquia dominante.
Na maioria dos países europeus, os jovens são eleitores de protesto e por isso os partidos do sistema e os alienados progressistas de esquerda só têm facilitado a revolta da juventude e o crescimento da Direita radical.
Talvez pudesse ser de outra forma, mas se calhar esta guerra cultural teria mesmo de ser travada.
A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:
“Fascismo” nunca mais!

“Fascismo nunca mais!” foi a frase que mais se ouviu nas comemorações do 25 abril. Mas será que houve mesmo fascismo em Portugal? A resposta é claramente: não! O doutrinamento marxista nas escolas públicas do pós-revolução ensinaram que o Estado Novo era uma ditadura “fascista” e os media generalistas repetiram a patranha incessantemente. Daí o facto da MAIORIA da população portuguesa actual estar convicta de que era mesmo assim. Só que não. Como já expliquei em artigos anteriores:
“O Fascismo não é nem nunca foi de direita. O facto de ter sido omitido das aulas de História nas escolas públicas não faz desaparecer a sua origem. E qual é ela? O fascismo nasceu com o filósofo italiano socialista Giovanni Gentile que acreditava que existiam dois tipos opostos de democracia: uma liberal individualista que considerava egoísta e outra, a verdadeiramente democrática, na qual os indivíduos se subordinavam ao Estado, uma comunidade que lembrasse a família e em que estivessem todos juntos pelo bem comum.
Ler mais…Missão: extinguir instituto público
Segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística, em 2022 tinham actividade em Portugal muito perto de um milhão e meio de empresas não-financeiras. De acordo com a mesma fonte, só 2% destas empresas são sociedades com perfil exportador e mais de 80% de todos os trabalhadores no nosso país estão integrados em empresas que se dedicam apenas ao mercado nacional.
Não deixa, pois, de ser curioso que o Estado mantenha em funcionamento a AICEP, uma agência pública para suposto apoio à internacionalização da economia que, como vimos, potencialmente beneficia um número ínfimo de empresários. Aliás, segundo o próprio relatório e contas da AICEP, este instituto público teve em 2023 interação direta para desenvolvimento do negócio internacional de empresas com umas singelas 3.555 empresas. Ou seja, interagiu com 0,2% das empresas do país. Dito de outro modo: por cada mil empresas nacionais, a AICEP interagiu com apenas duas.
Esta brincadeira custa só em gastos com o pessoal deste instituto público 29 milhões de euros por ano aos contribuintes, numa pitoresca estrutura hierárquica caracterizada por ter um cargo de direcção por cada 4 funcionários.
Recordo que sectores de actividade tão importantes como a energia, as telecomunicações, o serviço postal, entre muitos outros foram já totalmente privatizados. Porém, o Estado mantém-se presente nos serviços de consultoria em internacionalização de empresas, o que não deixa de ser anedótico. Note-se que não faltam sequer empresas privadas que prestem serviços neste âmbito. Aliás, só não existem mais porque o Estado lhes faz concorrência desleal à custa dos nossos impostos.
Os contribuintes portugueses já pagam demasiados impostos em benefício de poucos, mas o Estado insiste em servir de “babysitting” aos interesses instalados do costume e às corporações que se lambuzam em rendas obtidas pela sua proximidade ao poder político.
Confesso que tenho uma secreta, embora ténue, esperança de que a nova administração da AICEP recentemente nomeada e chefiada agora por um respeitado economista que chegou a ser candidato a presidente da câmara do Porto pela Iniciativa Liberal, encare como sua missão extinguir, tão depressa quanto possível, este instituto público.
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Tribunal, Governos e Universidades sem noções
Uma organização internacional fez, na prática, a equivalência moral entre terroristas sanguinários que pretendem matar o maior número possível de inocentes e líderes políticos eleitos democraticamente que respondem em legítima defesa a uma tentativa do seu extermínio.
Aconteceu quando o Tribunal Penal Internacional tenta iniciar um processo para abrir um hipotético mandado de prisão contra o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu, ao mesmo tempo que diz ter suspeitas – “suspeitas”, note-se – de crimes contra a humanidade praticados pelos assassinos em série do Hamas.
Na ONU, o respectivo conselho de segurança observa de pé um minuto de silêncio pela morte do carniceiro de Teerão responsável pela execução de milhares de oponentes políticos e até crianças. O secretário-geral da organização, o nosso inefável António Guterres, emitiu uma nota escrita manifestando a sua “tristeza” pelo desaparecimento de um monstro encarnação do Mal.
Entretanto, os indescritíveis actuais governos de Espanha, Irlanda e Noruega vão reconhecer a Palestina como um Estado, governado por gente que apoiou activa e passivamente a chacina de jovens israelitas e que mantém reféns bebés e idosos arma política doentia e xenófoba contra judeus.
Por cá, uma cambada nojenta de universitários parasitas com uma visão completamente distorcida e alheada da realidade dedica-se a manobras de circo ultrajantes travestidas de manifestações de apoio à Palestina ocupando espaços públicos e impedindo o regular funcionamento das faculdades.
As universidades deixaram há muito de ser uma reserva de racionalidade e inteligência crítica, as instituições internacionais abandonaram um registo de decência moral e humanidade.
Importa por isso resgatar para cada um de nós, a consciência e noções de Bem e de Mal que têm sigo usurpadas e deturpadas por instâncias e organismos difusos corrompidos pelas elites dominantes.
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O ministro, a economia e as falhas de mercadoa
O Ministro da Economia não tem aparecido nas notícias, e bem! Pena é que exista esse Ministério pois é o primeiro passo para deixar de existir Economia.
Mas, num olhar mais atento pelos jornais, lá aparecem referências a Pedro Reis em alguns eventos públicos distribuindo soundbytes acerca das suas prioridades para o país na área que tutela. “Tutelar” a Economia é já de si todo um programa, para não dizer simplesmente uma contradição nos termos. Mas enfim…
O ministro Pedro Reis afirmou recentemente – e cito: “Tenho como prioridade máxima a operacionalização do Banco de Fomento”. O governante acrescentou que o Banco de Fomento “tem de colmatar as falhas de mercado“. Proclamou depois ser sua intenção “recuperar com intensidade e empenho a diplomacia económica”, explicando que pretende incentivar as empresas a uma “agenda de cobertura de novos mercados”.
Um discurso com décadas, gasto, bafiento e inútil que recupera fantasias estatistas de governos passados. Por exemplo António de Oliveira Salazar chegou a criar um Banco de Fomento na década de 50, Paulo Portas passeou-se por esse mundo fora à conta pública supostamente catalisando a internacionalização da economia privada e o socialista António Costa diz sobre o Banco de Fomento exactamente o mesmo que o coordenador do programa económico do PSD.
O toque de modernidade que Pedro Reis introduz agora é o de defender que Portugal se deve posicionar internacionalmente em sectores como o da “transição digital, da transição climática ou da fileira verde”, o habitual lero-lero parolo e dirigista de quem se julga capaz de saber melhor do que os mercados que caminhos a economia deve tomar.
A ideia peregrina de que existem falhas de mercado resulta da circunstância infantil e utópica dos burocratas no poder idealizarem nas suas simples cabecinhas que existe um modelo económico perfeito, e que se a coordenação livre dos agentes económicos não resultar igual à concepção imaculada das suas geniais teorias os governantes devem culpar a realidade e accionar a intervenção do Estado para suprir as necessidades particulares um número muito limitado de projectos e apoiar os objectivos específicos de certas corporações.
Apesar de terem falhado todas as experiências históricas que tentaram substituir o mecanismo de mercado por um planeamento central mais ou menos assumido, os nossos políticos dizem que “agora é que vai ser!”…
Ou seja: preferem continuar a usar o Estado como baby-sitter de grupos específicos e de interesses instalados na nossa sociedade à custa do dinheiro de todos os contribuintes.
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Imigração e Criminalidade
Luís Montenegro, Rui Moreira entre outras figuras públicas prestaram um péssimo serviço ao país na forma como comentaram os crimes ocorridos no Porto envolvendo imigrantes magrebinos.
Obviamente que espancar pessoas é a todos os títulos condenável e absolutamente inaceitável. E era apenas isto que deveriam ter dito. Quando os políticos enquadram a violência ocorrida em suposto racismo, xenofobia e “crimes de ódio” cedem à tentação de mostrar quão boas e virtuosas pessoas são. Mas pior. Embora quiçá sem intenção, objectivamente menosprezam a realidade de insegurança que se vive na cidade e sobretudo escondem e silenciam a questão da ligação entre imigração e criminalidade.
Em vários países da Europa está estudado e documentado o desproporcionado número de crimes que são cometidos por algumas etnias relativamente à sua representatividade na população em geral. Em Portugal parece que se escondem este tipo de estatísticas, mas com grande probabilidade o nosso país não será uma excepção europeia.
Esta disparidade na propensão para o crime não resulta da genética ou da raça em si mesma. Mas certamente também não é resultado de racismo ou discriminação social. Aliás, não me consta que as cidades da Argélia ou de Marrocos sejam mais seguras que as cidades portuguesas, e lá não existe certamente xenofobia contra argelinos nem marroquinos, os habitantes locais. Os padrões de comportamento de imigrantes em Portugal, nomeadamente de origem islâmica, resultam de diferenças culturais e de uma complexidade de factores nomeadamente a idade média e a composição familiar das suas populações.
Porém, ao contrário daqueles que não se cansam de apontar as falhas do nosso país em integrar os imigrantes, convém não esquecer que a responsabilidade primeira e o ónus da adaptação recai em primeira instância sobre os próprios imigrantes e não sobre a sociedade de acolhimento.
Ora, Portugal não deve autorizar a permanência de imigrantes com registo criminal conhecido, nem deve tolerar delinquentes estrangeiros desculpabilizando-os como se vítimas de racismo se tratassem.
Evitar que as questões da imigração e da criminalidade sejam associadas na discussão pública é uma lengalenga politicamente correcta que resultará apenas em abdicarmos dos nossos valores de liberdade, segurança e identidade cultural, o que não ajuda a manter uma sociedade funcional.
Podemos fechar os olhos a isto e tratar um caso de polícia como se fosse um pretexto para bater a mão no peito virtuoso ao mesmo tempo que ignoramos as queixas de quem vive no local. Mas não podemos ao mesmo tempo queixarmo-nos do crescimento do populismo.
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Os aflitinhos com as redes sociais
Em Abril de 2022 Elon Musk anunciou a intenção de comprar o Twitter, sendo que em Outubro desse ano viria mesmo a concluir a transacção com sucesso. Mas desde o primeiro dia em que se soube deste negócio que os patetas do costume desataram numa gritaria pegada e infantil contra o perigo de o novo dono da plataforma passar a permitir na sua rede a propagação do suposto “discurso de ódio” e de ideias “extremistas”.
Muitos destes aflitinhos urbanos anunciaram de imediato que se iriam retirar do Twitter, graças a Deus. Mas, azar dos azares, os choramingas progressistas acabaram, entretanto, por regressar todos ao Twitter, agora denominado de X. Todos será exagero meu porque Paulo Portas, por exemplo, continua nas suas homilias dominicais a fazer campanha contra Elon Musk e a liberdade de expressão dos aderentes à rede.
Mas, como não poderia deixar de ser a uma instituição de burocratas não eleitos com inclinação própria de tiranetes, a Comissão Europeia, em resposta à ousadia empresarial de Elon Musk não alinhada com a agenda de Bruxelas, lançou logo em 2022 um projecto de plataformas e redes sociais alternativas ao Twitter, inspiradas no sistema esquerdista Mastodon. Dizia a Comissão Europeia que era intenção da sua iniciativa preservar a decência e a democracia, garantir acesso da população a boa informação, evitar a disseminação de fake news entre outros desejos de miss-mundo. O Twitter era o «Mal». As redes da Comissão Europeia o «Bem».
Ora, dois anos depois, perante o total fracasso do seu projecto, a Comissão Europeia vê-se no embaraço de decidir pelo encerramento das suas redes sociais bem-comportadas. É que mesmo entre centenas de eurodeputados, comissários, diplomatas e funcionários da Comissão só conseguiram que 40 “contas institucionais” fossem abertas na sua rede, e na plataforma vídeo só conseguiram recrutar uns ridículos 6 aderentes!
Ninguém sabe quanto dinheiro dos contribuintes europeus se gastou nesta fantochada de guerra contra Elon Musk, mas isso até acaba por ser de somenos importância quando comparado com a determinação e desfaçatez com que muitos políticos, dirigentes e fazedores de opinião continuam a tentar controlar e determinar sob a capa cavilosa da “regulação” o que os cidadãos podem dizer, ver ou ler no espaço público. No fundo, o projecto é sempre o mesmo: criar uma narrativa única oficial, banir o pensamento crítico, limitar a liberdade à conveniência da oligarquia dominante.
Estou curioso para saber o que pensam os nossos candidatos a eurodeputados sobre estas perigosas agendas da União Europeia.
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A revolução dos (es)cravos

Hoje, começo o meu texto com um excerto de um documentário da RTP:
“As motivações da criação do Movimento dos Capitães começaram por estar relacionadas com problemas de carreira e com o descontentamento crescente nas Forças Armadas pela manutenção da guerra. A aprovação pelo governo de dois decretos-lei – 353 e 409, de julho e agosto de 1973 – para responder às necessidades da guerra colonial criou um forte descontentamento profissional entre os oficiais que tinham tido uma formação militar de quatro anos. Estes não aceitavam poder vir a ser ultrapassados pelos novos oficiais milicianos, cuja formação seria feita apenas em dois semestres.
O Movimento dos Capitães, de natureza clandestina, organizado para a defesa dos seus interesses corporativos não se desfez, mesmo após terem conseguido que Marcello Caetano suspendesse os decretos. Os capitães continuaram a reunir-se para discutir o que se passava na guerra colonial.”
Ler mais…Uma democracia de «Aiatolas» de esquerda
Ontem, um Presidente de Câmara Municipal mandou cancelar e impedir que continuasse a decorrer uma conferência em que participavam reputados intelectuais e académicos, destacados políticos incluindo um primeiro-ministro europeu em funções, um candidato presidencial, diversos ex-ministros, deputados e até um cardeal da Igreja Católica.
Este Presidente de Câmara ordenou que as forças policiais cercassem o edifício onde o evento estava a decorrer, impedindo a entrada do público e dos conferencistas, proibindo a distribuição de comida e bebidas a quem já estava dentro da sala há horas e preparando-se para cortar a electricidade ao espaço, fazendo dos participantes reféns.
O local onde decorre esta conferência é privado, e o seu dono foi ameaçado de lhe ser retirada a licença de exploração da sua sala de eventos caso não cumprisse a ordem do autarca, que estava a ser posta em prática através da força pela polícia.
Tudo isto decorreu em Bruxelas, nas barbas e quiçá com a conivência de toda a classe de dirigentes e burocratas da União Europeia. Para estes actos absolutamente antidemocráticos e totalmente contrários à defesa das liberdades humanas básicas foram apresentadas, por escrito, pelo próprio presidente da Câmara local, razões que se prendem com o facto de o evento juntar personalidades com uma visão da sociedade de pendor conservador-nacionalista, uma atitude eurocéptica e que, portanto, seria gente conotada com a extrema-direita e que isso acarretaria riscos de perturbar a ordem pública na cidade.
Entretanto, numa decisão judicial de urgência, um tribunal superior belga revogou a ordem do autarca e determinou que o congresso deveria ter lugar livremente e que o segundo dia da conferência decorresse sem qualquer restrição.
Infelizmente, esta inclinação para a censura, o silenciamento, o restringir da liberdade de expressão, o uso da força e da coação para impor um pensamento único, a segregação de quem pensa diferente, a estigmatização de gente desalinhada com a narrativa no poder e todos os tiques e ferramentas totalitárias estão na essência da nossa actual Esquerda política e até em alguma Direita dita “moderada”. Na Bélgica e em toda a Europa, incluindo Portugal.
Basta ver a reação da oligarquia e dos comentadores às recentes intervenções públicas de Pedro Passos Coelho para perceber que há demasiada gente que não veria com maus olhos a instauração no nosso país de um califado progressista ou de uma democracia de aiatolas de esquerda.
Como disse o saudoso Vasco Pulido Valente: “Quando se raspa um socialista acaba sempre por se encontrar um tiranete”.
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Chega a primavera, chegam as folhas e as páginas
Passos Coelho apresentou um livro. Vai ser comprado pelas pessoas do circuito de livros políticos portugueses e serve para promover a aparição do ex-primeiro-ministro no circuito de notícias que não são sobre aquecimento global ou relacionadas com fotos que personalidades e pseudo-personalidades publicam no Instagram. Mais de 20 (e menos de 100) vão mesmo ler a coisa de uma ponta à outra, incluindo o depósito legal.
Entretanto, não vamos ficar a saber como fica espectacular o corpo de uma quarentona alegadamente conhecida completamente nua (leia-se, com um fato de banho numa piscina de um hotel exótico em instantâneo devidamente encenado). Também não ficaremos a saber nada de novo sobre “a família”, que parece ser o tema do livro.
Famílias há muitas. Além do antigo modelo de homem, mulher e dois filhos e meio, há também outras configurações, como a de um rancho folclórico, um grupo de conspiracionistas do 4chan ou até o das pessoas que frequentam apresentações de livros políticos.
O mundo está igual ao que estava antes da publicação do livro e continuará igual após todas as indignações habituais do pós-grandoladas. Fascismo nunca mais! Hoje havia uma manifestação do PCP em Campanhã sobre um assunto qualquer, como haverá outra amanhã em qualquer outro lugar sobre outro assunto igualmente digno de pretexto para manifestação. Não passarão, pelo menos por passagem de nível com guarda.
Diz-se que a Tesla não está muito bem. Parecem assuntos não-relacionados, mas são mesmo não-relacionados. Ou então não são. Estamos a viver o dia mais quente desde o Big Bang, pelo menos em Gaza. Ou em Kiev, ou noutro sítio qualquer onde aconteça mesmo alguma coisa. Isso sabemos pela t-shirt do Zelensky e por vários estudos de várias universidades por vários investigadores de várias questões de género.
Os jasmins ainda não floriram, mas está para breve. Se conseguir manter os pássaros afastados será um ano bom para as ameixas. Ainda não meti as alfaces e se apanho o gato que arrancou um pepino… acabo a dar-lhe comida como aos outros cinco. É toda uma excitação suburbana, saber quais dos pimentos são os vermelhos e quais são os verdes. Lá está, há muito a dizer sobre família, mas perder o sono é mais sobre forma de proteger os morangos da bicharada socialista que vive de usufruir do trabalho dos outros.
Chega! Ou Basta! Ou qualquer coisa. Que saudades do Big Brother original. Ao menos queríamos mesmo saber do destino do Zé Maria.
Linhas vermelhas a Passos Coelho
A gritaria e choro convulso a propósito da apresentação por Pedro Passos Coelho de um livro sobre temas ligados à família parece uma versão ligeiramente mais moderada da reacção fanática e ensandecida à publicação no final dos anos 80 do “Versículos Satânicos” de Salman Rushdie.
À porta da livraria lisboeta estiveram até manifestantes de cara tapada enfurecidos com a blasfémia que o livro apresentado por Passos supostamente representa. Estes chanfrados foram travados pela polícia de colocarem em causa a segurança dos presentes na sala.
Já nas televisões assistimos em directo à apoplexia da cangalhada comentadeira, furiosa pela heresia de Passos Coelho não ter vergonha de dizer em público aquilo que pensa pela sua própria cabeça, algo inconcebível para invertebrados subservientes a agendas ideológicas distópicas.
Como seria de esperar, a esquerda rafeira protestou o mais que pode e curiosamente alguma esquerda da direita, incluindo destacados elementos do PSD e da Iniciativa Liberal, fizeram questão de se demarcar dos comentários políticos que Pedro Passos Coelho aproveitou para fazer na ocasião.
Para além do folclore das reacções ridículas há, portanto, uma leitura política a se fazer de tudo isto, nomeadamente para o espaço da Direita. Muita gente no PSD ainda não percebeu a razão de terem tido um resultado eleitoral magríssimo e do Chega ter tido um crescimento gigante. É que várias das bandeiras que o Chega levanta são preocupações e assuntos que interessam muito a uma camada significativa da população. O Chega deu voz a esse eleitorado que foi totalmente esquecido pela restante Direita.
Mas as «linhas vermelhas» não foram só ineficazes. Foram sobretudo contraproducentes. Em vez de o PSD integrar esses temas no seu discurso político e dar maior consistência e racionalidade à análise de questões como a defesa da família, os malefícios da ideologia de género, os problemas da imigração, o PSD deixou esse debate político exclusivamente ao Chega.
Seria, portanto, suicida e uma estupidez que os dirigentes do PSD deixassem passar a ideia de que o seu partido pretende reincidir no erro, ainda mais grave, que é o de criar um cordão sanitário, uma nova «linha vermelha» agora em relação a Pedro Passos Coelho.
A peixeirada que a Esquerda faz sempre que Passos Coelho fala tem um objectivo: impedir que o PSD cresça e passe também a tratar dos temas que deram votos ao Chega. Se o PSD cair novamente nesta armadilha da Esquerda, então, efectivamente, não serve para nada.
A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:
AD e as eleições Europeias
Os novos ministros tomaram posse e não há como não notar o contraste de dignidade institucional em relação ao anterior executivo socialista. Veremos agora como o governo de Luís Montenegro se acabará de constituir, nomeadamente com a escolha dos secretários de estado.
Seja como fôr, para ser capaz de cumprir a vontade de mudança que Portugueses claramente sinalizaram nas eleições, Luís Montenegro e a sua equipa deverão ser hábeis e inteligentes o suficiente para procurar assegurar à sua Direita a aprovação das medidas reformistas que se impõem, vincando um claro registo de diferença e descontinuidade em relação ao Partido Socialista. Uma coisa é Montenegro durante o seu discurso de posse chamar o PS à sua responsabilidade democrática. Outra coisa será Montenegro governar na expectativa de que o PS viabilize as propostas do governo, querendo evitar que o PSD negoceie com o Chega. Havendo uma claríssima maioria de Direita no Parlamento, se Montenegro se deixar manietar pela agenda política socialista, de nada terá servido o resultado das recentes eleições legislativas.
Pedro Passos Coelho, na única intervenção pública durante a campanha eleitoral, afirmou de forma escorreita a ideia fundamental de que cada Português deve reganhar o direito a definir, controlar e criar o seu próprio destino. Ora, há a sensação de que muitas das políticas que Luís Montenegro vier a adoptar são decididas em Bruxelas e não em São Bento. Parece que as elites da União Europeia se arrogam saber o que é melhor para nós.
Nesse sentido, ao contrário dos louvores unânimes do comentariado nacional sobre a presença no governo de vários ministros com grande experiência política nas questões europeias e da absoluta necessidade do governo executar rapidamente e em força o PRR, a mim tal deixa-me desconfortável e desconfiado sobre se alguns dos ministros de Montenegro não serão serventuários de ideias esdrúxulas e destrutivas como as da neutralidade carbónica, do exército único europeu, das ansiedades climáticas, da sufocante regulação dos mercados, das agendas woke e do multiculturalismo, ou das fascizoides politicas de combate ao suposto discurso de ódio.
Em Junho temos eleições Europeias e veremos então se se confirma a radical alteração do padrão de voto dos Portugueses das legislativas, nomeadamente dos eleitores mais jovens. Montenegro deverá anunciar em breve o cabeça de lista da AD. Seria conveniente alguém com sentido crítico e não um mero papagaio da burocracia europeia politicamente-correcta.
A minha crónica-vídeo de ontem, aqui:
Um presente envenenado
Sem surpresas, após 8 anos de desgovernação total por António Costa e com o país mergulhado no caos social e económico, eis que a “velha” coligação AD vence as eleições. Sempre foi assim: o PS afunda a nação; o PSD é chamado para a fazer emergir.
À rasquinha – porque agora, ao contrário de outros tempos em que a política estava refém dos dois únicos grandes partidos, há o elefante do CHEGA na sala responsável pelo esvaziamento dos partidos do sistema -, a velha AD venceu estas eleições contribuindo para uma viragem expressiva à “dita direita” dando-lhe uma maioria relativa no governo e absoluta a nível parlamentar, totalizando 138 deputados, contra apenas 93 da ala socialista.
Ler mais…Emigrantes: reserva de esperança para Portugal
(nota: crónica-vídeo publicada hoje às 16h30, antes da confirmação oficial da perda de mandato de ASS)
Augusto Ernesto Santos Silva exerce ainda o cargo de Presidente da Assembleia da República, tendo sucedido ao consulado inenarrável de outro socialista de má memória, Eduardo Ferro Rodrigues.
Indivíduo com uma indisfarçável ultrainsuflada auto-estima, o mandato de Santos Silva notabilizou-se pelo facciosismo, arrogância caceteira e desrespeito reiterado de diversos representantes eleitos pelo Portugueses para o Parlamento.
No exercício de funções que exigiriam sobriedade e gravitas, este socialista teve diversas intervenções sectárias, desbragadas e até coléricas que contribuíram para abandalhamento das instituições, chegando ao desplante de introduzir censura prévia e à posteriori a intervenções de deputados na Assembleia, supostamente a casa da Democracia. Esta subversão dos princípios democráticos recebeu manifestações de concordância por parte da Esquerda parlamentar, mas curiosamente também de deputados (presidente e ex-presidente) do partido dito Liberal, que na altura aplaudiram de pé e por pelo menos duas vezes as indecências de Santos Silva.
Durante dois anos o objectivo político de Santos Silva foi o de perseguir, destratar, silenciar e avacalhar o eleitorado que a terceira maior força política do país representa, ao ponto de ter afirmado que o CHEGA envergonha o nome de Portugal.
À hora que publico esta crónica ainda não está confirmado oficialmente e em definitivo que Santos Silva perdeu agora o seu mandato de deputado. Mas só a alta probabilidade de o homem ser expulso do Parlamento em resultado de uma expressiva votação dos Portugueses no Chega deixa claríssima a estrondosa derrota pessoal de Augusto Ernesto. Pelo menos os emigrantes são gente que preza a decência democrática e rejeita soberba e tiques de tiranetes dos socialistas. Há, pois, lá fora uma reserva de esperança para o nosso país.
A minha crónica, em vídeo, aqui:
Abstenção boa e abstenção má
Durante mais de uma década as nossas ditas elites mostraram-se preocupadíssimas com o grave risco para a Democracia dos elevados níveis de abstenção, assim como com o alheamento dos jovens da política.
Não me recordo de algum dirigente partidário ou fazedor de opinião que não tenha escrito rios de tinta com apelos ao voto e à mobilização da juventude para a causa pública. Sempre consideraram que votar é um dever cívico e que a abstenção representava uma demissão da responsabilidade de fazer escolhas e uma forma de deixar aos outros decidir o nosso destino colectivo.
Não houve um político no activo ou na reserva que deixasse de registar como extremamente negativo o afastamento dos partidos das camadas mais novas da população. Desenharam-se campanhas e definiram-se estratégias para motivar a juventude a ir às urnas.
Ora, no Domingo passado o nível de abstenção baixou muito significativamente, tendo o Chega sido o principal responsável por fazer dos abstencionistas novos votantes. Aliás, não é à toa que o Chega teve um milhão e cem mil votos. Registo também que mais de 300 mil eleitores do partido de André Ventura e Rita Matias são pessoas com menos de 35 anos.
Aparentemente estes dois factos iriam precisamente ao encontro do grande desígnio nacional de baixar a abstenção e atrair os jovens. A menos que essas bandeiras fossem apenas hipocrisia e cinismo de quem afinal acha que a Democracia deve ser apenas para alguns, os da casta certa.
No final da minha crónica-vídeo disponível aqui, breves excertos da emissão especial da Sic-N de Domingo passado.
Todos, todos, todos?
Paulo Portas é de um cinismo e de uma falta de vergonha na cara monstruosas. O facto de saber comer à mesa, ter lido livros e ser bem-falante tem enganado muita boa gente sobre a personagem política sinistra que verdadeiramente é.
Ontem, seráfico e angélico, invocou o Papa Francisco para defender que o princípio do «todos, todos, todos» deve ser aplicado na política portuguesa. É extraordinária a ousadia soez de sinalizar a sua suposta virtude cristã, quando ao mesmo tempo é um dos políticos que mais acerrimamente tem defendido que o terceiro maior partido deve ser afastado de quaisquer entendimentos e é um advogado das chamadas «linhas vermelhas», o que na prática exclui os representantes de centenas de milhar de portugueses de participarem no diálogo com outras forças políticas.
É tão cega a obsessão de Paulo Portas com o Chega, que nas suas homilias televisivas de domingo, independentemente do tema que esteja a tratar, tenta sempre colar o partido de André Ventura ao extremismo. Há dias, a propósito das eleições na Galiza, Portas disse literalmente que esta província espanhola era «um paraíso porque tinha deixado os extremistas do Vox e do Podemos fora do parlamento». A sua desonestidade intelectual é tanta que no afã de deixar uma subtil crítica ao Chega, Portas se esqueceu que em segundo lugar na Galiza ficou um partido marxista-leninista.
No mesmo sermão televisivo, Portas sugeriu ainda que as manifestações dos polícias estavam a ser manipuladas por André Ventura e disse explicitamente que Trump tem um acordo secreto com Putin. Isto não serão «teorias da conspiração»?
O Paulo Portas de hoje do «todos, todos, todos» é o mesmo que no passado escreveu e cito: «a última coisa que convém ao português médio é um cigano ou um negro que concorrem no mercado e pesam no Estado». Esta afirmação é recordada por um investigador em Ciências Sociais em livro publicado em 2022 pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.
E o Paulo Portas do «todos, todos, todos» é também a mesma criatura que durante dois anos foi um dos mais destacados evangelistas de uma sociedade fascisto-sanitária, defendeu a segregação de cidadãos, lançou anátemas de chalupas e negacionismo sobre pessoas com sentido crítico e uma avaliação de risco-benefício diferente da dele próprio, promoveu a vigilância electrónica dos Portugueses, fez a apologia dos confinamentos e pretendia instaurar a proibição de circulação entre concelhos.
Luís Montenegro e a AD acham mesmo boa ideia trazer para o palco indivíduos com estas características éticas e morais?
A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:
Da tinta verde a Passos Coelho
Sobre o ataque desta manhã com tinta verde a Luis Montenegro trata-se única e simplesmente de um crime sobre o qual deve ser apresentada queixa formal na polícia. Revela um problema de segurança, pequena criminalidade e de impunidade de delinquentes reincidentes. Não há nada mais, nem menos a dizer sobre o caso.
Quanto à situação política e ao momento eleitoral no país penso que um discurso agregador de todo o espaço da Direita não seria demasiado difícil de encontrar. Concentrar todo o eleitorado, do PSD ao Chega, numa frente de combate ao Partido Socialista não deveria ser problemático, sobretudo quando o país vive uma profunda crise ética e institucional protagonizada por Costa e após oito anos de um governo PS que atirou para o caos e a degradação total os serviços públicos de Saúde, Educação, Segurança e Forças Armadas, enquanto esmifrou os contribuintes, penalizou as empresas e quebrou todas as iniciativas privadas susceptíveis de criar riqueza.
Tratar os Portugueses como adultos e gente autónoma, mobilizando o país para um caminho de progresso e desenvolvimento não implica entrar num vórtice de apresentação de propostas políticas ou num pregão de medidas para todas as áreas de governação.
Bastaria apresentar um outro modo de ver o mundo em que cada pessoa, família ou empresa é capaz de prosseguir o seu próprio projecto de vida, livre do espartilho de um estado centralizador e voraz. Seria suficiente defender a transformação de um Estado dirigista num Estado ao serviço da sociedade, libertando os portugueses da obediência à oligarquia.
Ainda assim, seria bom apresentar uma esperança reformista e uma oportunidade para fazer diferente dos socialistas responsabilizando a classe política pelos resultados, mas tendo a humildade de reconhecer que não são os partidos que mudam o país, mas antes cada Português.
Não se deveria deixar de alertar para a necessidade de combater e reagir à doutrinação cultural e ao pensamento único que se tenta impingir às crianças e jovens nos vários níveis de ensino. Nem deixar de chamar a atenção para riscos de insegurança ou reivindicações identitárias de minorias numa sociedade cada vez mais heterogénea.
Luís Montenegro, André Ventura e Rui Rocha jogam no campeonato da pequena táctica eleitoral, das arrogâncias imberbes de linhas vermelhas, metidos num galinheiro de egos e sinalização de supostas virtudes, agastados com ressentimentos e quezílias pessoais.
Pelo contrário, Pedro Passos Coelho veio dizer o que era preciso ser dito, com um nível e autoridade a anos-luz da dos actuais dirigentes partidários da Direita. Tomara que estes tenham aprendido a lição, pelo menos para o pós-eleições quando muito provavelmente será necessário que os três da vida airada assegurem condições políticas a um governo de Direita se quiserem manter o PS afastado do poder.
A minha crónica-vídeo de ontem, aqui:
Querido amigo, de Pedro para Pedro.
O amigo e companheiro político de Pedro Nuno Santos perdeu clamorosamente as eleições locais realizadas no fim de semana passado na Galiza. O PSOE teve o seu pior resultado de sempre nesta região de Espanha. O partido socialista espanhol é agora a terceira força política com apenas nove deputados.
Por seu lado, o Partido Popular, de centro-direita, o principal partido da oposição em Espanha, venceu solidamente as eleições com 40 deputados, o que lhes confere uma confortável maioria absoluta no parlamento regional.
As eleições na Galiza, demonstraram mais uma vez a debilidade do poder do partido socialista no país que tenta forçar uma lei de amnistia inconstitucional e desculpadora de terroristas para tentar assegurar uma legislatura, mas que só é possível com alianças a forças políticas de extrema-esquerda, antidemocráticas e revolucionárias. Este asqueroso concubinato entre as várias Esquerdas para a manutenção no poder, é algo muito semelhante aos compromissos que em Portugal, Pedro Nuno Santos admite realizar com o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista.
Entretanto o primeiro-ministro espanhol, amigo e companheiro político de Pedro Nuno, está envolvido em mais um escândalo relacionado com o uso de fundos públicos para viagens e férias pessoais. Apesar de tribunais e comissões independentes terem já exigido explicações ao socialista, Pedro Sánchez recusa-se a esclarecer gastos e despesas suas e de convidados seus durante 88 dias de férias que gozou em diversas residências oficiais do Estado, assim como não responde às suspeitas da utilização indevida do avião Falcon do Estado para viagens pessoais, de cariz estritamente partidário e de campanha eleitoral.
Este padrão de comportamento e o à-vontade com que políticos socialistas se apropriam de meios públicos para benefícios privados é algo que, infelizmente, não nos é estranho em Portugal.
Já conhecemos bem quem são os amigos de partido de Pedro Nuno Santos. Mas o secretário-geral do PS escolhe também a dedo as suas companhias no país vizinho. É caso para invocar o dito popular do “diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”.
A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:
Ou é isto ou é aquilo
Novas eleições, nova lufada de ar reciclado para o circo mediático agarrado à bóia dos debates sobre os debates. Para um meta-país, meta-sobrevivência parasítica a comentar o que se comenta nos comentários dos comentadores. Exactamente como este post, tão descabido como tudo o resto.
Está a decidir-se se Montenegro deve ser primeiro-ministro ou se é melhor deixar a palhaçada como está. Em acréscimo, discute-se se os evangélicos devem ou não redefinir o papel do Estado, passando do modelo de negociatas obscenas para negociatas santificadas pela obscena moral de cruzadas burguesas (ou burgessas).
Há IL, a pretender substituir-se ao CDS de 2011 — repetindo até faces — e há AD, para se votar no caso de se querer a substituição dos facilitadores do esbulho pela necessidade de substituição destes na administração pública; há todos os outros para manter o regime bem regulado no esbulho por experiência demonstrada nos últimos anos. Há também o Ventura, sozinho, no papel de bispo de uma IURD qualquer a garantir que, seja qual for o resultado, não há forma plausível de esconder uma borbulha purulenta sem a rebentar.
Tudo o resto é conversa de adormecer meninos. Estou farto disto, logo voto aquilo.
Chegaram os saldos políticos
Confesso que não tenho paciência para a forma como se fazem, desde sempre, as campanhas eleitorais no nosso país. Já falei disso aqui, em crónica. É profundamente penoso ouvir candidatos que anunciam de forma irresponsável, todo o tipo de promessas sem medir o que dizem. Na verdade, parece uma feira onde cada vendedor, de megafone na mão, tenta persuadir – com tudo o que lhe vem à cabeça -, que o melhor produto é o seu.
O problema é que essa forma de fazer campanha, cai em descrédito junto dos mais informados. Do salário mínimo e pensões que vão ultrapassar a Espanha em 4 anos, às portagens e o IUC que, por artes mágicas vão agora desaparecer, não se aguenta!

A realidade nacional é bem diferente desta fantasia que nos querem vender:
1- O aumento de salários está intimamente ligado ao desempenho da economia do país (com as suas inevitáveis variáveis) e este, intimamente ligado à estabilidade fiscal, incentivos, liberalização e desburocratização do sector;
2- O aumento das pensões está intimamente ligado a reestruturação da Segurança Social e desempenho da economia;
3- A redução de impostos está intimamente ligada à redução do aparelho do Estado;
4- TODAS estas medidas estão intimamente ligadas ao COMBATE contra as AGENDAS globalistas. Sem este combate em TODAS as vertentes da agenda 2030, o país não parará de empobrecer.

Se não houver coragem de colocar primeiro estas questões em cima da mesa, que estão interligadas entre si, tudo o resto é pura demagogia.
Há coragem suficiente para o dizer em campanha e cumprir estas 4 metas durante o mandato, para depois e só depois, começar a melhorar a qualidade de vida da população? Essa é a minha questão.
Propaganda é fácil de fazer (daí a minha aversão). Política séria e de compromisso, não. Porquê? Porque não é popular. Cria até algum desconforto em eleitores que dependem do Estado (e são muitos em Portugal pois são mais de metade da população activa, isto sem falar das clientelas – o polvo).
A política de verdade não caça votos fáceis mas absorve muito voto da abstenção (acima de 40% e mais difícil de captar) porque é aí onde estão os descrentes na política por estarem fartos de ouvir promessas não cumpridas e outras, impossíveis de cumprir do jeito que são anunciadas. Fartos da política do faz de conta, da mentira descarada, da conversa para “boi dormir”.
É na abstenção que reside o maior cepticismo, a revolta, a descrença. É aqui que se diz “não vale a pena votar porque é tudo farinha do mesmo saco. Prometem o céu sem saber se o podem comprar.”
Ninguém pode prometer sem dizer “preto no branco”, e antes de qualquer outra promessa, “o Estado tem de encolher 50%” e que para este objectivo tem de “auditar todo o aparelho do Estado” para o tornar mais eficiente, mais leve, menos oneroso e totalmente transparente. O aparelho do Estado não produz riqueza logo não pode ser o maior sugadouro de impostos dentro do país. Veja-se a Holanda, Suécia, Suíça, Irlanda e outros países com a mesma dimensão geográfica de Portugal e com um Estado mais pequeno onde tudo funciona com excelência.
O socialismo fez crescer exponencialmente o aparelho do Estado apenas para aumentar o seu eleitorado e isso tem de ser urgentemente revertido.

Observemos através de números de 2022, no PORDATA, esta triste realidade:
Total de população: 10.444 milhões (2022)
População activa:
- no sector privado: 4.582.115
- no sector público:
- empresarial: 196.953
- funcionários administração pública: 745.707
Total: 942.660
População inactiva beneficiária de:
– pensões: 3.638.367
– RSI: 87.052 (dados de 2006 Pordata)
– desemprego: 163.824
Total: 3.889.243
Total de dependentes do orçamento do Estado (população inactiva e trabalhadores do Estado): 4.831.903
Podemos observar que em 2022, havia mais dependentes do Estado do que população activa, fora do Estado. Significa isto, que 4.582.115 contribuintes suportam os custos dos 4.831.903 dependentes do aparelho do Estado.
Como é que um país pode crescer com uma asfixia assim? Ah! e não me venham aqui com a ladainha de que os empregados do Estado também pagam impostos para justificar que não são um peso na economia do país. Na verdade, pagar impostos (lembro que o salário mínimo nao paga IRS) não é suportar os custos salariais. Nada tem a ver. Esses custos, na realidade são na sua maior parte, suportados pela entidade patronal, aqui neste caso, o Estado.
Portugal está com uma dívida colossal, não tem dinheiro nos cofres e a UE não é garante de liquidez, muito pelo contrário. Quanto mais dependemos financeiramente da UE e do Banco Central, mais reféns ficamos da ditadura desses oligarcas da Europa que definham o país.
A primeira promessa tem de ser, REDUZIR todo o aparelho do Estado, uma medida estrutural urgente que foi sistematicamente ignorada por todos os governos até ao presente.
Porque o Estado é uma casa desgovernada, sem controle, onde quem detém o poder usa-o a seu bel prazer, sem responsabilidade e até de forma dolosa. Está mais do que provado pelos inúmeros casos que quase diariamente surgem na comunicação social, e que são apenas a “pontinha do iceberg”.
Eis como, na minha opinião, deveria ser:
- auditar todo o aparelho do Estado: cortar no desperdício, nos excessos, no inútil;
- tolerância zero para déficit nas empresas públicas que ao longo de décadas absorveram biliões de euros e mesmo assim continuam com déficits crónicos vergonhosos e qualidade deficitária – a carris; a TAP; a STCP; a CP – recorrendo às parcerias público privadas em todos os sectores do Estado onde há prejuízos;
- criminalizar a gestão dolosa: impedir cargos públicos aos condenados por corrupção e gestão danosa, obrigando-os a responder pela dívida com os bens pessoais. Tem de haver punição para a gestão dolosa porque só assim se desincentiva o roubo ao erário público
- Estado reduzido ao seu papel de regulador e fiscalizador – com parcerias público privadas na saúde, no ensino, nos transportes. ADSE para todos os trabalhadores;
- eliminar observatórios que não observam nada:https://oinsurgente.wordpress.com/2012/05/05/lista-de-observatorios-portugueses/
- transparência absoluta nos concursos públicos; acabar em definitivo com os oportunistas no Estado; os concursos públicos são sempre inflacionados por muitos milhões; fiscalização contínua aos processos concursais e a gestão camarária.
- as PPP rodoviárias são criminosas e tem de ser revertidas: https://eco.sapo.pt/opiniao/ppp-repetir-os-erros-do-passado/
- aumentar a confiança no Estado: plataforma digital com prestação de contas semestrais do Estado para sabermos para onde vão os impostos; o povo ser chamado a pronunciar-se sobre propostas políticas fracturantes através de referendo;
- tolerância ZERO para resgates de bancos; nem um cêntimo sem auditorias externas a esmiuçar toda a contabilidade para averiguar se houve gestão dolosa; obrigar os acionistas a cumprirem com a directiva da UE e serem os primeiros a responder financeiramente por prejuízos.

E depois, imediatamente a seguir:
- estimular a economia e investimento com estabilidade fiscal, liberalização e desburocratização do sector; redução/isenção de encargos fiscais; reformas fiscais atractivas para o sector, colocar o Estado a pagar todas as responsabilidades a 20-30 dias da factura, no máximo (o Estado caloteiro é a pedra na engrenagem da economia que endivida todo o país); estas medidas de apoio às PME acompanhadas de uma eficiente fiscalização, desincentivam a economia paralela que não é mais do que o resultado da asfixia fiscal em que o socialismo deixou o país. Usar como modelo a Irlanda.
- reestruturar a segurança social. Como? Aqui:
Começando a GERIR (as contas da segurança social não estão a ser geridas mas sim, usadas sem qualquer responsabilidade, para investir em fundos – até tem acções da Coca Cola e Luis Vitton – e servindo até para tapar buracos do governo) essas contas de forma transparente e responsável:
- colocando o dinheiro dos descontos do trabalhador à parte, sem possibilidade de movimentar a não ser para atribuir as respectivas reformas.
- Os descontos das empresas para a segurança social, referente a cada salário pago, noutra conta, para efeito de pagamento de baixas médicas, tratamentos de saúde e apoios sociais a TRABALHADORES.
- Os restantes apoios sociais, a não trabalhadores, noutra conta gerido com fundos do OE e UE (esta conta seria a única a poder sofrer cortes ou aumentos consoante a evolução sócio-económica).
Tudo separado. Sem possibilidade de usar estas verbas para outros fins. Porque o que é do trabalhador tem obrigatoriamente de lhe ser devolvido para uma reforma condigna. É preciso parar o desfalque.

APENAS depois destas medidas se pode avançar com a correcção às políticas danosas que prejudicaram várias classes profissionais, jovens e reformados deste país, lesados décadas a fio por uma classe política irresponsável, e em muitos casos, criminosa: os professores, os médicos, os enfermeiros, os agentes de autoridade, jovens recém formados e tantos tantos outros, roubados e maltratados pelo Estado.
É muito fácil prometer e depois, chegar ao governo e dizer: “ups! afinal não podemos fazer nada do prometido porque não há dinheiro, a culpa é do “Costa”. Assim, também eu prometo a Lua.
Esta forma de fazer política tem de acabar. Não precisamos que nos prometam o paraíso. Precisamos que se comprometam a gerir com responsabilidade os recursos do país, estancando imediatamente as fugas colossais de dinheiro público (por via da obesidade mórbida do aparelho do Estado e gestão dolosa e criminosa dos detentores de poder), para assim, ser possível fazê-lo crescer, torná-lo mais próspero, mais seguro, com serviços públicos de qualidade e acessíveis a todos.
Porque quem muito promete sem condições, pouco cumpre. Poucas promessas mas com sentido de responsabilidade e bem sustentadas, aumentam a credibilidade e esperança. O contrário, não.
Fica aqui a dica.
O meu voto vai para…
O meu artigo de hoje para a coluna da Oficina da Liberdade no Observador pode ser lido aqui ou na transcrição abaixo:
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Estou convencido de que uma esmagadora parte do eleitorado de Direita deseja um resultado das próximas eleições legislativas que permita cumprir três grandes objectivos:
- Tirar o PS do poder.
- Manter o PS afastado do poder.
- Reduzir a intervenção do Estado nas nossas vidas.
A questão é que entre os não-socialistas nem todos concordam com os melhores caminhos para que estas vontades se concretizem. Ainda assim, será consensual neste campo político a constatação de que para impedir Pedro Nuno Santos de ganhar as eleições e afastar o PS do poder por tempo higienicamente recomendável, importa desde logo convencer os Portugueses a fazerem opções eleitorais que retirem o maior número possível de votos ao PS e que sejam criadas condições que permitam a manutenção de um governo de Direita cuja sustentabilidade política seja tanto mais facilitada quanto maior for o universo de eleitores que o suporte.
Por mim, gostaria que a Direita se afirmasse simultaneamente com medidas consistentes para redução de despesa pública e com uma postura que não cedesse ao wokismo ou ao desenho da sociedade por via legal. Mas para este desiderato não vislumbro no actual panorama partidário qualquer agremiação que mereça o meu voto.
Contudo, first things first, e baseando-me nos dados de uma recente sondagem política elaborada pela Universidade Católica (UCP) e na minha própria análise da dinâmica eleitoral, concluo que para tirar o PS do poder o ideal é que cresça o abstencionismo dentro das hostes socialistas e diminua no campo não-socialista. Segundo a UCP, mais do que a Aliança Democrática (AD), é a Iniciativa Liberal (IL) e o Chega (CH) que vão buscar votos à abstenção. Verifica-se também que, hoje, a maior transferência de votos socialistas (do PS em 2022) para Direita, tem como destino a AD e o CH, por esta ordem. Sucede que tanto o CH como IL tiram relativamente mais votos à AD do que ao PS, mas apesar de tudo o CH tira mais votos ao PS do que a IL. Aliás, a IL não tira votos ao PS, segundo o relatório da Católica. O voto na IL apresenta-se assim como “inútil”.
Por outro lado, embora não bem formuladas, das perguntas usadas pela UCP para sondar os inquiridos sobre quais os arranjos parlamentares e de governo melhores para o país pode inferir-se que o eleitorado AD tem clara preferência por um governo minoritário com apoios à sua Direita. A abertura para negociar que o eleitorado AD sugere dá, no entanto, primazia à IL, mas não rejeita alargar conversações ao Chega se necessário fôr para a maioria parlamentar. Ou seja, aparentemente o «não-é-não» é uma linha mal sintonizada com as preferências do eleitorado da Aliança Democrática.
Claro que para aumentar a probabilidade de a AD vencer as eleições em vez do PS, nada como votar na coligação. Apesar do facto de, infelizmente, as políticas do PSD e PS não serem substancialmente distintas, já seria positiva a mudança de protagonistas e de decisores políticos. Se bem que Luís Montenegro garante alguma dignidade institucional, coisa que não acontece com Pedro Nuno Santos.
Mas quem como eu viu a intervenção de Paulo Portas na apresentação da coligação e os entusiasmados aplausos dos dirigentes da AD aos dislates desprezíveis, mentirosos e repugnantes que nesse momento ecoaram na sala, sente-se moralmente impedido de colocar na urna um voto numa agremiação que tem uma criatura politicamente sórdida como sua eminência parda e que durante dois anos foi um dos mais destacados evangelistas de uma sociedade fascisto-sanitária, bio-totalitária, repressiva, segregadora, permissiva de abusos de poder de toda a ordem e privadora das mais elementares liberdades e direitos básicos das pessoas. Ainda para mais, sendo eu eleitor no círculo do Porto, torna-se visceralmente impossível votar no respectivo cabeça de lista da AD, por razões semelhantes.
A Iniciativa Liberal seria à partida a minha escolha pelo mal menor. O seu cabeça de lista revelou-se um dos nossos melhores deputados, admiro-o pela sua inteligência, e é alguém em quem já votei mais do que uma vez. Porém, esteve publicamente silencioso durante o período do maior ataque à Liberdade e Democracia que o nosso país viveu nos últimos 50 anos – os chamados “tempos da pandemia” – quando espantosamente não estava sequer condicionado por qualquer espartilho partidário (e ainda que estivesse!), já que à altura era responsável por um ThinkTank chamado +Liberdade.
Uma omissão que seria relevada não fosse o caso de a Iniciativa Liberal evidenciar cada vez mais traços da sua génese e essência fundadora, ou seja, seguindo activamente toda e qualquer agenda dita progressista, sinalizadora de suposta virtude, fazendo concessões morais em troca de ser aceite pelo bem-pensismo urbano-relativista em questões como o aborto ou a eutanásia, ou alimentando fantochadas e folclore da cultura woke, importando para o nosso país os piores e mais reles preceitos que se vão adoptando noutras sociedades podres e enfermas.
Na área económica a IL continua também sem perceber que antes da baixa de impostos é preciso reduzir a despesa pública. Não só em termos relativos, mas sobretudo em valor absoluto. A liberdade das pessoas aumenta não pela maior eficiência da utilização de verbas provenientes do roubo fiscal nem pela competência no uso do dinheiro dos impostos, mas pela inequívoca e corajosa redução estrutural e permanente do tamanho e âmbito do Estado. Objectivo este de que continuamos sem ouvir palavra relevante da IL.
Sabe-se que é da natureza dos partidos querer transpor os seus programas para letra de Lei e, por isso, só o acne dos hiperbólicos activismos políticos e fantasias adolescentes impedem constatar que a liberdade das pessoas tende a ser inversamente proporcional ao número de ideias que os partidos têm para a sociedade.
Não obstante, ao Chega não faltam ideias e propostas. Tantas que se contradizem entre si num emaranhado de promessas para todos os gostos e grupos de interesses, revelando a inconsistência doutrinária deste partido e o desvio cada vez mais acentuado de uma rota populista que, assim, provavelmente já vai tarde demais para se orientar num caminho de verdadeira direita conservadora e nacionalista (que em todo o caso não é da minha preferência). O estatismo do CH é sobretudo claro na área económica e surpreende-me até quem só recentemente disso se apercebeu. É pena que assim seja porque como comentou em Novembro Pedro Passos Coelho além de não ser antidemocrático o Chega tem trazido para o debate temas muito relevantes esquecidos pelas restantes formações políticas e tem dedicado uma atenção especial à chamada “guerra cultural” contra o wokismo, é apologista de um travão à agenda globalista das sinistras elites internacionais e partilha de um sensato e necessário eurocepticismo nas questões que envolvem o posicionamento nacional no quadro da União Europeia. Ao invés, o Chega resolveu vender banha-da-cobra durante esta campanha eleitoral, apresentando um conjunto de medidas contraproducentes e demagógicas que repelem gente como eu, pouco dada a lirismos económicos neo-marxistas.
Em eleições não se pretende escolher amigos nem convivas para jantares. A cada um assiste o direito de excluir de sua casa visitas por quem não tem especial simpatia. Mas isso é bem diferente da antidemocrática indisfarçável repugnância e apartheid que dirigentes e formadores de opinião da nossa Direita querem que se faça a uma parte dos Portugueses que votam, representem eles 20% ou 2% do eleitorado. Além de tristes reminiscências trotkistas de uma Direitinha serventuária da Esquerda, as «linhas vermelhas» replicam o mesmo e exacto desumano esquema mental em que histérica e facilmente se pretendeu segregar, castigar e quiçá eliminar os «negacionistas» e não-“vacinados” contra a covid19.
Este precedente de excluir o Chega do diálogo, compromissos e acordos com outras forças políticas, além de hipócrita e contraproducente é uma atitude assente num plano inclinado que vê críticos e desalinhados como gente deplorável, algo cuja sequência lógica e rapidamente resvala para uma sociedade fechada e uma distopia totalitária. Somos todos Charlie Hebdo. Somos todos Ucrânia. Somos todos Chega?
Basta esta circunstância para desejar que o Chega tenha uma grande votação nas eleições legislativas de 10 de Março. Já agora, suficientemente elevada para ser incontornável, ajudando a forçar o espaço da Direita a reformar-se e a encontrar lideranças adultas, recuperando a maturidade democrática e o respeito pelo voto livre de Portugueses. Até porque, como escrevi em Julho passado, o melhor que poderia acontecer ao PSD e à IL seria o Chega integrar um governo de Direita. E o pior que poderia acontecer ao Chega seria fazer parte do Executivo.
Então, no fim de contas, não havendo um Javier Milei português, qual a opção de quem considera um imperativo categórico tirar o PS do poder? Em que partido vota alguém que por razões tácticas é incapaz de subverter os seus princípios morais votando AD, mas simultaneamente não quer tirar votos à coligação para evitar o mal maior?
Não vota em nenhum.

Carros Eléctricos e Fascismo
No Reino Unido, o comité da Câmara dos Lordes encarregue de tratar das questões do meio ambiente e alterações climáticas veio, pesaroso, informar que a adoção de veículos eléctricos pelo cidadãos tem sido mais lenta do que os defensores da neutralidade carbónica desejariam.
Uma das curiosidades é que dos 13 membros desta comissão da Câmara dos Lordes, apenas dois conduzem eles próprios veículos eléctricos. Apesar da evidente hipocrisia estes políticos têm a distinta lata de impingir e obrigar os outros a gastar dinheiro em veículos eléctricos que não querem.
De tal forma esta gente é fanática que criam leis que vão proibir a comercialização de novos automóveis a gasolina ou diesel a partir de 2035.
Mais: esta seita eco-fascista cai no ridículo de produzir um relatório de 128 páginas sobre o tema e onde se procura responsabilizar Rowan Atkinson pelas fracas vendas de carros elétricos e pela má percepção pública acerca destes veículos.
Rowan Atkinson, recordo, tornou-se famoso pela sua personagem «Mr Bean» e pela série humorística «Blackadder». Atkinson, além de actor, é formado em engenharia eléctrica e de sistemas de controle e apesar de ter comprado o seu primeiro carro híbrido há quase 20 anos e um totalmente eléctrico há 10 anos, descreveu num artigo de opinião do ano passado que os veículos eléctricos “não têm alma” e que apesar de ser um entusiasta por novas tecnologias e novas formas de energia se sentia “enganado” vaticinando que “a lua de mel com carros elétricos está a chegar ao fim, e que isso não é mau”.
O actor sustentou as suas opiniões em factos e argumentos de vária ordem, mas o que impressiona é que hoje em dia qualquer opinião desalinhada com a narrativa das classes dirigentes é logo catalogada de «negacionista», procurando-se censurar e silenciar quem não segue a cartilha dos políticos, lançando-se sobre as vozes críticas o anátema de que prejudicam o «bem comum».
Portanto, pouco importa se o custo de aquisição de veículos eléctricos é mais elevado, se as infra-estruturas de carregamento são insuficientes, se há questões com as baterias, se é duvidoso o benefício ambiental dada a pegada de carbono na construção e abate dos carros.
O que o Estado e a oligarquia dominante pretendem é que as pessoas deixem de escolher por si quais carros a comprar e conduzir. Há que submeter o povo à vontade de sinalização de suposta virtude dos «iluminados», nem que para isso seja necessário esquecer o mundo real em que vivemos.
Ou seja: o que verdadeiramente polui a sociedade são as pulsões fascizoides e totalitárias dos nossos políticos.
A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:
IL marimba-se para emigrantes
Cerca de 2,3 milhões de portugueses estão a viver fora do país e destes mais de 850 mil jovens residem no exterior. Portugal tem a taxa de emigração mais alta da Europa e uma das maiores do mundo, sendo que 30% dos portugueses entre os 15 e os 39 anos deixaram o país.
Não admira por isso que participação dos emigrantes nas eleições para a Assembleia da República em 2022 tenha tido um número recorde de votantes, aumentando em 63% face às Legislativas anteriores. Mas, por incompetência e desorganização do Estado, mais de 80% dos votos dos emigrantes no círculo da Europa foram considerados nulos.
Na altura a Iniciativa Liberal foi – e bem – um dos partidos mais vocais a repudiar esta pouca-vergonha, afirmando tratar-se de uma clara diminuição da qualidade da democracia e um total desrespeito para com centenas de milhar de portugueses lá fora. Além disso – e bem – a IL tem-se tentado posicionar como a voz dos Portugueses que foram forçados a emigrar em busca de uma vida melhor.
Porém, todas estas virtudes vão por água abaixo quando as preocupações da Iniciativa Liberal se revelaram entretanto uma farsa, ou uma triste e populista desfaçatez.
Explico:
Quando João Cotrim de Figueiredo decidiu abandonar a liderança do partido deixando um sucessor dinástico designado, muita gente alertou para o que diziam ser um cambalacho para lhe arranjar um poiso mais bem remunerado no Parlamento Europeu. Logo vieram os activistas partidários do costume indignar-se perante tamanho sórdido processo de intenções, mas na verdade a IL acabou por anunciar Cotrim como primeiro candidato nas Europeias de Junho.
Todavia, já depois deste anúncio, a Iniciativa Liberal decidiu apresentar Cotrim também como cabeça de lista pelo círculo da Europa nas eleições legislativas de 10 de Março próximo.
Ou seja, a IL torce os seus princípios e trai o eleitorado que diz defender. Na prática sinaliza que um voto nas legislativas em Cotrim de Figueiredo é uma inutilidade e uma fraude, pois não poderá ser ao mesmo tempo deputado da nação e deputado em Estrasburgo.
Provavelmente a IL não acredita que vá eleger Cotim nas legislativas, mas então o seu dever patriótico seria o de coligar-se ou recomendar o voto na AD no círculo da Europa para não desperdiçar votos a favor do PS.
Mas se a IL acredita na eleição de Cotrim nas Legislativas, que sentido tem ser cabeça de lista para as Europeias? Vai ficar deputado em Lisboa por meia dúzia de meses? Ou o partido quer garantir um tacho a Cotrim de Figueiredo caso não tenha votação suficiente nas Europeias?
Em política o que parece é. E parece que a IL desconsidera os jovens e, sobretudo, está-se a marimbar para os nossos emigrantes.
A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:
O Chega está apatetado, ou apenas parece?
O disparate inconsequente das chamadas «linhas vermelhas» e do «não, é não» tem permitido instalar-se na sociedade a ideia de que o Chega é um partido diferente de todos os outros. Acresce que o facto de PSD e Iniciativa Liberal ostracizarem o Chega de um eventual entendimento para governar o país, tem dado a André Ventura a oportunidade de capitalizar ainda mais essa distinção radical do Chega com uma liberdade acrescida. Saber que não terá responsabilidadess governativas imediatas, dá-lhe espaço para propôr medidas políticas que atraem a atenção e popularidade junto de camadas alargadas da sociedade descontente com o estado do país, e para quem a consistência doutrinária ou exequibilidade dessas ideias não são análises a que se dediquem.
Mas conviria ao Chega não exagerar no pregão de banha-da-cobra, arriscando um registo de conto-do-vigário ao apresentar um chorrilho de medidas económicas que só não são absurdas porque são mesmo absolutamente erradas e profundamente estúpidas. É que, a dada altura, o eleitorado de Direita que vê o PSD como uma matiz alaranjada do socialismo do PS, e vê a Iniciativa Liberal como um recreio de crianças woke que querem pagar menos impostos mas que não “deslargam” o Estado, esse eleitorado de direita – dizia eu – não é parvo de todo e acaba por não ter mais disposição para discursos próprios da “esquerdalha chavista” como a demagogia dos supostos «lucros excessivos» da banca ou das gasolineiras, ou lirismos incalculados de pensões de valor igual ao salário mínimo.
Nem tão pouco algum eleitorado potencial do Chega fica agradado com o novo coelho que Ventura tirou da cartola: o combate à economia paralela. Quem não aprecia a economia paralela reduz a despesa do Estado e com isso baixa impostos. Não promete mundos e fundos a uns com o dinheiro dos outros.
Se o Chega não quer perder uma certa imagem de ser uma “verdadeira oposição” ou um veículo eventualmente útil para forçar o realinhamento e reagrupamento do espaço da Direita no combate ao PS, talvez valha a pena acautelar que na loja do Mestre André a falta de homogeneidade ideológica própria de um partido populista não atinge níveis tão extremos que lhe quebrem o crescimento potencial.
A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:
