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foi um grande acontecimento, pá, mas o salazar é que faz falta à malta

25 Abril, 2011
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“O 25 de Abril foi o mais notável acontecimento mais da história contemporânea”, diz Otelo Saraiva de Carvalho ao DN, uns dias depois de ter dito que precisávamos de um novo Salazar, com as mesmas características de honestidade e inteligência do original, para pôr o país na ordem.

autocrítica

25 Abril, 2011
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“Há políticos que não estão à altura das suas responsabilidades”, Jorge Sampaio ao i.

Esqueceram-se da legenda

25 Abril, 2011

como escreve o JMF e a historiadora esqueceu-se dos factos:

É só clicar e ler. Lendo percebe-se melhor

Esqueceram-se da legenda

25 Abril, 2011
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Abre-se o Público e, logo na página 4, aparece-nos um texto (sem link) que nem sabemos como classificar. Alguém que o jornal identifica como historiadora, defende que Álvaro Cunhal “nunca quis fazer uma revolução socialista em Portugal”e que “nunca existiu o risco de o PCP tomar o poder em Portugal” nos anos de 1974 e 1975. Diligente, acrescenta: “esse argumento … foi utilizado pelo PS para aliar-se aos sectores mais reaccionários da sociedade, nomeadamente a hierarquia da Igreja e das Forças Armadas”.

Como não li ainda o livro que justifica a entrevista – A História do PCP na Revolução dos Cravos (Bertrand) – não vou discutir a argumentação, apesar de a amostra visível na conversa com Raquel Valera (assim se chama a historiadora) indiciar uma grande fragilidade. A principal é assumir que a recusa do PCP em participar no golpe do 25 de Novembro é sinal definitivo de que Cunhal nunca ambicionou tomar o poder e só quis “estar integrado num Governo com o PS, negociar lugares com os socialistas”.

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“Já gastámos as palavras pela rua”`*

25 Abril, 2011

Talvez tenha sido porque estive a arrumar papéis para os impostos, actividade que materializa a sensação de perda, pois, ano a ano, ganha-se menos e paga-se mais. Ou talvez a culpa seja daquela palavra troika repetida à exaustão em todos os noticiários: a troika ia para aqui, a troika ia para acolá, a troika chegava uns minutos antes da hora prevista… Enfim, tem sido um fartar de troika na rua, troika no automóvel, troika a entrar no elevador. E uma pessoa olha e só vê umas criaturas mudas – a troika -, os jornalistas frenéticos tentando obter uma declaração da troika, os carros a partirem levando a troika para longe da nossa vista e deixando-nos na angustiante dúvida se, mal se viu a salvo do nosso olhar, a troika perdeu a compostura calvinista e desatou a rir de nós, da nossa aflição e do ar decadente de tudo isto.

Há uns dias, poucos, verborreia equivalente era gerada pela expressão “dívida soberana“. De cada vez que a televisão e as rádios repetiam a palavra “soberana”, acentuando a sibilante inicial e prolongando a sílaba tónica, era como se tivéssemos ganho de novo o torneio de Arcos de Valdevez, só que agora o troféu era a dívida soberana. (O que, além de ridículo, é patético, pois, na nossa actual situação, “dívida soberana” é uma expressão que contém em si mesma uma contradição insanável entre os termos, pois foi precisamente porque a dívida cresceu tanto que o país perdeu boa parte da sua soberania, a não ser que por nossa soberania se entenda a dívida propriamente dita.)

No 37.º aniversário do 25 de Abril, o verso de Eugénio de Andrade que dá título a esta crónica é o retrato mais rigoroso da nossa presente situação nacional: “Já gastámos as palavras pela rua (…) O passado é inútil como um trapo. E já te disse: as palavras estão gastas.”

Todas as palavras com que construímos o ideário destes 37 anos – justiça, dignidade, solidariedade, independência – não só nos parecem subitamente gastas como quando as repetimos não acontece absolutamente nada. E, contudo, como escreveu Eugénio de Andrade, “tenho a certeza de que todas as coisas estremeciam quando as pronunciávamos.” Mas isso foi antes de as palavras estarem gastas.
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Talvez por concurso público

24 Abril, 2011

Há coisas espantosas e esta ideia de que a escolha dos papas, dos beatos e dos santos deve obedecer às regras comuns é uma delas: Um Papa fora do comum e uma beatificação fora da lei

Desvendada trafulhice das agências de rating

24 Abril, 2011

Durante quase 2 anos tentei descobrir o que é que as agências de rating ganham em falsificar ratings. Finalmente, o Daniel Oliveira dá a resposta:
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O Capital Group, através da Capital World Investors, é o maior acionista da Standard & Poor’s e tem uma das maiores participações na Moody’s. Em simultâneo, detém um investimento significativo em títulos de dívidas soberanas: entre eles, 370 milhões de euros em dívida da Irlanda, Portugal, Espanha e Grécia. Ou seja, o mesmo grupo que avalia o risco das dívidas beneficia das evoluções do mercado da dívida. Avalia e lucra. Arbitra e joga.
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Não sei se estão a ver o filme:

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1. Accionista da Standard & Poor’s compra dívida portuguesa (um país com as contas públicas sólidas)
2. A Standard & Poor’s faz um downgrade do rating de Portugal (perfeitamente injusto, tendo em conta a solidez das contas públicas portuguesas).
3. Títulos da dívida portuguesa passam a valer menos.
4. Accionista da Standard & Poor’s, detentor de títulos da dívida portuguesa, … perde dinheiro (ou, como diz o Daniel, beneficia das evoluções do mercado da dívida).
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Perde dinheiro? Bem, não me parece um esquema muito inteligente.

Quando a estagnação era uma palavra a evitar

24 Abril, 2011

É bom ter memória e por isso é fundamental ler este texto de Henrique Raposo  sobre os jornalistas e a campanha de 2009. E este do José na Porta da Loja sobre a actual campanha   E recordar que em  Novembro de 2008 a LUSA não escrevia a palavra estagnação nos títulos: «Estagnação’ é palavra proibida. (…) No documento, a que o CM teve acesso, o CR “estranha que,  no dia da divulgação das novas previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), os jornalistas da economia tenham sido proibidos de utilizar a palavra ‘estagnação’ [no título e no lead], para qualificar a evolução de 0,1% prevista para o PIB português em 2009”.» Esses eram os tempos dos bota-abaixistas e dos tremendistas. Poder-se-ia pensar que agora que se confirmam em pior o que  “a velha” e os tremendistas diziam que as notícias se teriam tornado mais exigentes. Nada disso. Apenas mudaram as palavras com que iludem a realidade.

O partido caloteiro português*

24 Abril, 2011

De repente, os noticiários encheram-se de “populistas finlandeses”. Os partidos ou líderes que, por essa Europa fora, mostram reservas face à ajuda pedida por Portugal passam automaticamente a ser designados entre nós por populistas. E não são uns populistas quaisquer: sobretudo na TSF, a expressão “populista finlandês” é proferida com um tom que lembra pretéritas evocações da tomada de Lisboa aos mouros na defunta Emissora Nacional.
Curiosamente, neste mesmo país não se chamam populistas aos líderes que defenderam ao longo de anos o aumento da despesa pública. E, sobretudo, não se chamam populistas aos partidos que, como são o caso do BE e do PCP, não só dizem rejeitar a ajuda externa – no que estarão de acordo com os populistas finlandeses – como encaram com extraordinária ligeireza a possibilidade de deixarmos de pagar a nossa dívida.
Se na Finlândia os congéneres noticiosos da TSF tiverem sentido de humor, ainda acabarão a fazer notícias sobre “os partidos caloteiros portugueses”.

*PUBLICO

Os mortos que são mortos em*

24 Abril, 2011

Vittorio Arrigoni e Juliano Mer-Khamis fazem parte de uma categoria especial de assassinados: são mortos em e não mortos por. Morto na Cisjordânia, no caso de Juliano Mer-Khamis, e em Gaza, no caso de Vittorio Arrigoni. Note-se que ninguém duvida que foram assassinados: a tiro, diante de um filho, no caso de Juliano Mer-Khamis, por estrangulamento, e após umas horas de maus tratos, no que respeita a Vittorio Arrigoni.
Nas notícias sobre estas mortes somos profusamente informados que estes dois homens dedicaram parte das suas vidas contestando a actuação de Israel e defendendo a causa palestiniana: o israelo-palestiniano Juliano Mer-Khamis mantendo um teatro em Gaza e o italiano Vittorio Arrigoni trabalhando para uma associação pró-palestiniana.
E é aqui que chegamos à má-fé subjacente a muitas das notícias sobre as mortes neste lugar do mundo: caso sejam palestinianos os assassinos essa pertença desaparece, sendo substituída por expressões apátridas como “radicais”. Vittorio Arrigoni e Juliano Mer-Khamis foram mortos por pessoas que se reivindicam defensores da causa palestiniana. Ou seja, pessoas que, noutro contexto, seriam designadas como palestinianas, mas que em casos incómodos como estes passam a radicais islâmicos ou salafistas.

*PUBLICO

25 de Abril

24 Abril, 2011

Uma forma de comemorar o 25 de Abril:
Convite debate Porto 25 Abril 2011

O tal que ficava abaixo de 7% já vai nos 9,1%…

23 Abril, 2011
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O INE, em sintonia com o Eurostat, anunciou esta tarde uma revisão da notificação relativa ao Procedimento dos Défices Excessivos enviava a Bruxelas no final de Março. Agora, o défice de 2010, que já fora revisto em alta para 8,6 por cento do PIB, passa a ser de 9,1 por cento, por causa de três contratos de Parcerias Público Privadas (PPP).

um bom rapaz

23 Abril, 2011
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Esta foi a melhor notícia das últimas semanas para Pedro Passos Coelho. Significa que Mário Soares acredita na derrota do PS e que vai fazer um esforço para que o vencedor se entenda com o seu partido e não com o CDS, tendo em vista uma coligação pós-eleitoral. O esforço é, de resto, mais do que justificado. A ficar fora do governo, o Partido Socialista entrará certamente numa crise interna que o poderá afastar por muito tempo do poder. Mário Soares, melhor do que ninguém, deve conhecer o ambiente interno do partido e as direcções para onde as facas estão já apontadas.

O “cordeiro” eleitoral

23 Abril, 2011
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Em função do que se disse, escreveu e, sobretudo, em função da (1ª) posição do PS (Vieira da Silva) sobre o facto de Teixeira dos Santos não constar das “listas” de candidatos do partido (uma opção; todos os partidos tomam as suas opções), em contraste com as explicações do mesmo Vieira da Silva sobre Luis Amado (ele próprio, já há muito tinha pedido para não continuar com uma actividade política tão intensa), parece que Teixeira dos Santos será mesmo, para Sócrates, em termos de estratégia eleitoral, uma espécie de “cordeiro pascal” (rectius, eleitoral)…..

O legado de Afonso Costa e as manobras de José Sócrates

23 Abril, 2011
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Muita coisa se tem escrito sobre o centenário da Lei da Separação do Estado e das Igrejas, mas não me lembro de a ver referenciada como uma das armas políticas criadas por Afonso Costa para garantir a hegemonia dos radicais na chamada “República Velha”. Porém, como Vasco Pulido Valente explicou, a Intangível – assim ficou conhecida a lei, e não por acaso – foi bem mais do que “o mais odioso acto da facção jacobina”: foi também um instrumento para os exaltados da propaganda submeterem os moderados e tomarem conta do movimento republicano e do Estado. Ora a forma como os radicais então manobravam tem curiosos e significativos paralelos com as intrigas políticas dos dias que correm.

O objectivo político da Intangível não era apenas o de humilhar os católicos – algo que conseguia na perfeição, ao colocar os padres na dependência de uma “pensão” do Estado, ao proibir qualquer cerimónia litúrgica depois do sol-posto ou ao impedir os religiosos de usarem em público as suas vestes talares, entre muitas outras disposições. Com a Intangível Afonso Costa “deixou os moderados num impossível aperto”, obrigando-os a optar entre o seu campo e o “do inimigo”. Com a Intangível traçou uma espécie de “linha na areia” que separava os que estavam a favor ou contra a República, colocando os primeiros sob o comando dos radicais e tornando impossível qualquer compromisso com os demais.

José Sócrates, sem ter o calibre intelectual ou o génio político de Afonso Costa, parece inspirar-se no mesmo tipo de processo político. A todo o momento trata de estabelecer a “linha na areia” que separa os “patriotas” dos inimigos do “bom povo socialista”: ontem foi estar ou não com o FMI, hoje é estar ou não com o seu modelo muito próprio de “estado social”, no limite é, como perguntou em Matosinhos, “estar ou não estar com ele”. O PS já caiu nesta armadilha e rendeu-se-lhe num congresso transformado em cerimónia ritual coreografada ao estilo de Leni Riefenstahl.

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Quem foi que mentiu?

22 Abril, 2011
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Quanto, no dia em que foi anunciado o pedido de ajuda externa, vi o email do ministro das Finanças para o Jornal de Negócios desconfiei que este estava a forçar a barra: uma vez que Sócrates não dava o passo, dava ele. O Pedro Santos Guerreiro, pelo que escreveu no twiter, pensou o mesmo. Porém, no sábado, o douto Expresso veio esclarecer-nos que não, não fora assim, tudo fora combinado entre o ministro e o chefe do Governo à hora de almoço. Hoje o mesmo o Expresso esclarece o que realmente se passou:

“A 6 de Abril Teixeira dos Santos tomaa decisão de responder por escrito a uma pergunta do ‘Jornal de Negócios’, que a coloca no site a meio da tarde. Nela, o ministro das Finanças considerava que a situação se tinha tornado insustentável e que Portugal tinha decidido pedir ajuda à Unão Europeia. A decisão não foi, assim, ao contrário do que o Expresso noticiou, tomada num almoço entre os dois. O objectivo era não deixar margem de recuo ai primeiro-ministro. E assim foi”.

Pois foi. Fico só com pena que o Expresso, que assume ter sido enganado por uma fonte, não tenha aproveitado para denunciar essa fonte, ao abrigo do que está previsto no Código Deontológico dos jornalistas.

Ortografias

22 Abril, 2011

Havia a rotura e a ruptura. O Expresso e o acordo ortográfico, para simplificar, acrescentaram a rutura.

É melhor jogar com 10 do que com 11…

22 Abril, 2011
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PAULO PORTAS, no Facebook, discorre, nestes termos, sobre a sondagem da Marktest:

“A Marktest é todo um caso. O histórico dos seus erros é bárbaro. Só dois exemplos. A Marktest dava 65% a Cavaco Silva. Na verdade, o Presidente foi reeleito com 52%. A mesma Marktest deu ao CDS em 2009 a módica expressão de 5%. Por acaso o CDS teve 10.5%… Os prognósticos mais recentes seriam hilariantes se não fossem sistematicamente “convenientes” para uma certa estratégia. Há um mês a Marktest publicava uma sondagem que “dava” maioria absoluta ao PSD (49%!). Curioso: foi exactamente na véspera do líder do PSD exigir a… maioria absoluta”.

Mas, pergunta-se, porquê isto, agora? E eis a resposta, segundo PORTAS:

” Porque o PSD não tem sido poupadinho em erros. Então o que magicam os cérebros da São Caetano? À falta de mérito, avançamos com o medo… convém ao PSD “assustar” os eleitores… e nada melhor do que uma sondagenzita para na aparência favorecer o PS e na verdade “assustar” o eleitorado com uma votação ridícula no PSD… Coincidência: a Marktest aparece sempre na hora certa. Até já demonstrou não ter qualquer angústia com a sua falta de credibilidade”… (link aqui). Mas,

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Supercalifragilisticoespialidoso

22 Abril, 2011

7 de Abril: Ferreira Leite recusa integrar listas do PSD

11 de Abril: Marques Mendes recusa convite de Passos Coelho

20 de Abril: Teixeira dos Santos e Luís Amado fora das listas do PS “por vontade própria”

(ver aqui)

Dúvida

22 Abril, 2011

A capa do Expresso levanta a dúvida se andamos a ser conduzidos por dois loucos ou se andamos a ser conduzidos por um louco e por um fraco.

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Sorte a dele ser do PCP e da Brigada Victor Jara, se fosse do PSD ou do CDS até achavam que era natural terem-lhe partido a perna

22 Abril, 2011

Este texto saiu no PÚBLICO de ontem. Nele dá-se conta de uma agressão gratuita. Trata de um daqueles casos que habitualmente vem no Correio da Manhã mas que daí não sai. Que tenha saído no PÚBLICO e com este destaque é invulgar. Invulgar é também o facto de o agredido dizer claramente que acha que existe uma “questão cigana”, matéria na qual não estarei necessariamente de acordo com ele. Contudo parece-me óbvio que em vários pontos do país, nomeadamente em localidades como Abrantes e Coimbra existem problemas muito sérios provocados por pessoas que se apresentam como ciganas. Tal como se dizem ciganos vários dos membros das famílias que levam para Espanha pessoas deficientes mentais ou com problemas de alcoolismo para os usarem em trabalho escravo. Habitualmente a apresentação como ciganas destas pessoas é apagada pelos mesmos jornais que puxam para título a condição cigana nas notícias sobre a pobreza e a discrminação ou que eles entendem por discriminação e que se reduz  invariavelmente ao que os não ciganos pensam dos ciganos. Curiosamente a condição de esquerda do agredido é o que é destacado na entrada deste artigo. À partida quase parece que vamos ler uma notícia sobre a Brigada Victor Jara. Como se essa pertença de esquerda fosse uma premissa de que aquilo que se vai ler não transforma ninguém em racista. E na verdade todos sabemos que se o agredido não fosse de esquerda não poderia dizer que acha que existe uma  “questão cigana” e alguns até achariam que era natural terem-lhe partido a perna: 

«Manuel Rocha é director do Conservatório de Coimbra, músico na Brigada Victor Jara, militante activo do PCP e candidato a deputado, mas da última vez que apareceu nos jornais foi por ter sido espancado. Coisas que fazem pensar, como explica, na primeira pessoa

Desde que se me partiu uma perna que passei a ver as coisas de outra maneira. Não por causa da perna, mas do que soube depois. Começou no hospital. Veio um amigo e contou uma história, outro e fez uma confidência, depois veio um conhecido e falou-me do assunto, a seguir um colega e até um médico – cada um com um caso novo, uma perspectiva diferente. De tal forma que, agora, quando começo a falar disto, vejo que preciso de um discurso também ele novo, que enforme o que descobri, que me ajude a localizar as novas realidades que estavam aí e eu não via.

Pronto. Gosto de pensar alto, do vaivém do raciocínio no diálogo com os outros, e era importante dizer isto – que há um antes e um depois, mas que o depois não tem propriamente a ver com o que aconteceu naquela noite. Bandidos são bandidos, só isso, bandidos. Foi isso que eu disse, escrevi e repeti nos dias a seguir àquela noite, foi isso que eu disse ao meu filho no dia seguinte e é isso que eu digo agora.

Vamos, então, aos factos. Fui à Estação de Coimbra B buscar um amigo, um maestro mexicano, que vinha de Lisboa, seriam umas 22h00 do dia 24 de Janeiro, uma segunda-feira. Parei o carro mesmo em frente à estação da CP, junto dos táxis. Quando voltávamos, um homem de 30, 40 anos, pediu-me lume. Disse-lhe que não fumava e ele mandou uma boca. Só me apercebi de que a coisa era mais séria depois de entrar no carro: ele colocou-se entre mim e a porta e impediu-me de a fechar. Ler mais…

AICEP em campanha

22 Abril, 2011

Basílio Horta diz que renuncia à presidência do AICEP se for eleito, mas não antes. Deve ter uma boa teoria para explicar porque é que o cargo de presidente da  AICEP é incompatível com o cargo de deputado mas não é incompatível com o de candidato em campanha eleitoral.

tempo de decisões

21 Abril, 2011
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Francisco Sá Carneiro ganhou, com maioria absoluta, umas eleições legislativas num país saído de uma revolução, dominado por uma mentalidade de esquerda radical, com a comunicação social (que, de resto, lhe chamava «fascista» e «caloteiro») nas mãos do Partido Comunista e da extrema esquerda, e com um PSD em larga medida descrente da aliança que ele propusera a Freitas do Amaral e a Ribeiro Teles e insatisfeito com a composição das «listas». Anos depois, Aníbal Cavaco Silva, que ganhara o congresso do PSD por uma escassa maioria de votos, que era desprovido de talentos mediáticos e, ainda por cima, era vagamente fanhoso e ostensivamente desconsiderado pelas elites do partido pelo seu evidente provincianismo, conseguiu do país as duas primeiras maiorias absolutas de um só partido no pós-25 de Abril. Pouco tempo antes, Mário Soares, acabado de ser ostracizado pela ala eanista e do «secretariado» do partido que ele mesmo fundara, venceu as eleições presidenciais, que iniciara com cerca de 7% de intenções de voto, tendo de ultrapassar Salgado Zenha e Lurdes Pintasilgo, estes dois candidatos sempre muito estimados pela comunicação social da época. Estes três homens, tão diferentes entre si, venceram porque falaram ao país e porque tinham algo de importante para lhe dizer. Foram genuínos e convincentes, não perderam tempo nem se deixaram enredar na pequena política, e apresentaram aos portugueses alternativas políticas claras.

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Quem paga a campanha?

21 Abril, 2011

A nova lei de financiamento de campanhas eleitorais incentiva, como nunca antes tinha acontecido, uma total promiscuidade entre os negócios e a política. Ler mais…

Breve descrição de uma tragédia (por um dos seus mentores)

21 Abril, 2011

uma tragédia à vista

21 Abril, 2011
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Lamento dizê-lo, mas considero que não há maior demonstração de fraqueza política do que atacar o mensageiro em vez da mensagem. As sucessivas direcções do PSD, desde o fim do cavaquismo até hoje, têm-se especializado nessa «arte», a propósito das sondagens que lhes dão más votações, com os resultados eleitorais que são infelizmente bem conhecidos. A sondagem da Marktest ontem conhecida, por mais «martelada» que esteja e por mais que sirva os interesses do «inimigo», retrata uma evidência que até quem for politicamente cego consegue ver e que convém não ignorar: a tendência de queda do PSD e para a subida do PS nas intenções de voto para 5 de Junho. O que a sondagem retrata é que este PSD, que criou grandes expectativas aos portugueses, não está a «passar» no eleitorado, pelo menos o suficiente para cumprir o que seria a sua obrigação: estar muito à frente do seu rival, o Partido Socialista, cujo governo levou o país à bancarrota.

 

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O Barómetro da Marktest

21 Abril, 2011

Vale a pena ler os dados absolutos da sondagem da Marktest para o DE/TSF e compará-los com os dados do mês de Março. Destaco alguns dados que me parecem interessantes para a análise da sondagem:

  • O número de respostas contabilizadas é o mesmo (805).
  • A maior variação (em número absoluto)  é a do PSD (menos 65).
  • A segunda maior variação é a dos indecisos (mais 62).
  • A terceira maior variação é a do PS (mais 39).
  • A quarta maior variação é a dos inquiridos que não pretendem votar (menos 37). Ler mais…

Há gente para tudo

21 Abril, 2011
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A extraordinária agência Lusa (a mesma onde foi demitida uma editora por não ter feito uma notícia com uma frase que Sócrates só pronunciaria no dia seguinte) conseguiu encontrar uma figura dita de centro-direita para quem o resultado da sondagem de hoje “demonstra alguma sanidade mental dos portugueses”. Não é difícil adivinhar quem é a douta figura.

A manha

21 Abril, 2011

Vale a pena ler este post de Luís Paixão Martins sobre as sondagens. Nestas coisas não é uma questão de razão mas sim de observação. E a dele vale a pena. Eu acrescentaria que a par de tudo isto existe ainda um outro factor a ter em conta: a manha. Os portugueses tiveram desde 1910 uma História resolvida por golpes de Estado. Os “do poleiro” eram ridicularizados mas temidos. Invencíveis. Até ao dia em que uma quartelada resolvia o problema.  Nesse dia Lisboa celebrava a queda e no dia seguinte começa novo ciclo. Cavaco teria hoje níveis de popularidade astronómicos se tivesse seguido o exemplo de  Sampaio, tivesse feito uma golpada que nos livrasse de Sócrates, mandasse os poderes presidenciais às malvas e desatasse a promover governos de unidade nacional. Ficávamos todos contentes porque desresponsabilizados. É esta a nossa manha.

No jogo do marketing eleitoral

21 Abril, 2011
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… chegou a hora do factor: “a minha sondagem é melhor do que a tua“…

Dispensado

20 Abril, 2011

O Partido Socialista dispensou Teixeira dos Santos. E com razão. Foi um péssimo ministro das finanças.

Já vi fins de vida menos tristes…

20 Abril, 2011
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Otelo Saraiva de Carvalho: “Precisávamos de um homem com a inteligência de Salazar”

Precaridade? Acaba-se já com ela:

20 Abril, 2011

Contratos de trabalho passam a ter todos duração ilimitada. Rescisão/despedimento passa a ser livre.

Síntese da execução orçamental

20 Abril, 2011

Já está disponível. Boas leituras.

Vamos com calma

20 Abril, 2011

É melhor não começarem já a queimar cartuchos porque muito provavelmente José Sócrates vai propor algo semelhante. Afinal a este governo se deve o elementar principio de bom senso de ponderar o património nos casos de atribuição de Rendimento de Inserção. O tempo passa depressa mas convém ir recordando  que ainda Novembro de 2009 o Eduardo Pitta se mostrava chocado com o que escrevi sobre a atribuição do RSI a uma família que possuía um património muito acima da média. Lá polemizámos um pouco mas o assunto morreu ali. Curiosamente em Março de 2010 o Governo aprovava esta medida. Não faço ideia se o combate aos abusos nesta matéria se faz  com um cartão social de débito como propõe Diogo Leite Campos ou com outro sistema qualquer mas parece-me  óbvio que o actual sistema protege «os mais espertos e os aldrabões» como ele afirma.

As tábuas da lei

20 Abril, 2011

Com leis tão boas quanto esta acabam-se os precários. Mas acabam mesmo porque ninguém os contrata. Quem tem emprego fica blindado quem não tem não arranja.

Câmara dos Lordes

20 Abril, 2011

Alegre acusa Passos de desrespeitar Parlamento com escolha de Nobre
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“o que me assusta é que um candidato a primeiro-ministro tenha mostrado uma tal falta de consideração e de respeito pelo Parlamento. Falta de consideração e de respeito até por figuras do seu próprio partido que poderiam naturalmente aspirar e tinham o direito de ser presidentes da Assembleia da República“

À atenção do FMI

19 Abril, 2011

Antes de marcarem reuniões:

– Quarta-Feira: Benfica-Porto (funcionários começarão a desaparecer 2 horas antes do jogo. Políticos desmarcarão reuniões)

– Quinta-Feira: tolerância de ponto da parte da tarde (porque é véspera de Sexta-Feira Santa)

– Sexta-Feira: Feriado ( Sexta-Feira Santa)

-Sábado: sábado é sábado

– Domingo: Páscoa

– SegundaFeira: comemorações do 25 de Abril (estudar o que foi o 25 de Abril e porque é que precisamos do vosso empréstimo para pagar os direitos que Abril nos deu)

Vale a pena ler

19 Abril, 2011
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(…) Tanto o PSD como o PS lhe fizeram convites e tentaram o seu apoio. Mas há duas diferenças essenciais que fizeram Nobre escutar o líder social-democrata e menosprezar o que lhe foram dizendo do lado socialista: por um lado, o seu convencimento de que o ciclo socialista chegou ao fim e é o responsável por um ambiente irrespirável; por outro lado, o facto de o PS apenas se ter aproximado de si depois dos 14% que obteve nas eleições. Pedro Passos Coelho, amigo de Artur Pereira (director de campanha de Nobre) e admirador do percurso e da mensagem de cidadania do médico, procurou várias vezes escutar a sua opinião. Ao contrário de muitos, nunca procurou menosprezar ou desvalorizar a sua candidatura, mesmo quando as sondagens lhe davam 3 e 4 por cento. (…) 

Já é público o jantar de Fernando Nobre com Sócrates em casa de Mário Soares. Aconteceu mesmo, é verdade. Nesse jantar, o primeiro-ministro não lhe fez qualquer convite formal: apenas mostrou surpresa pelo resultado e confessou-lhe que metade dos seus ministros votara nele. (…) 

As duas pessoas que mais influência tiveram no avanço de Fernando Nobre – ou, pelo menos, que detonaram uma série de reuniões marcadas pelo fundador da AMI – foram Miguel Sousa Tavares e Rui Moreira. Os dois, amigos próximos, desafiaram Nobre para ser candidato à Presidência da República e disponibilizaram-se totalmente para o apoiar no que fosse preciso. Miguel era visita de casa de Fernando Nobre – e na apresentação da sua candidatura, no Padrão dos Descobrimentos, teve o exclusivo da primeira entrevista para a SIC. Esse é o facto e a origem da candidatura. (…) 

o valor negativo da democracia

19 Abril, 2011
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A ideia de democracia assenta em dois pilares fundamentais: um valor positivo – a representação política do povo, e um valor negativo – a substituição pacífica dos governantes.

 

Tenho para mim, desde há muito, que as democracias ocidentais perderam o sentido positivo do sufrágio universal, que vale agora somente pela sua dimensão negativa, o que, diga-se, já não é nada mau. Mas, na verdade, a ideia do «governo do povo, pelo povo, para o povo», se alguma vez existiu, hoje perde-se completamente nas falsas promessas eleitorais, na ausência de controles efectivos da governação, na submissão das assembleias parlamentares aos directórios partidários, enfim, na lógica do poder pelo poder, provavelmente a sua verdadeira natureza, independentemente das roupagens que vista. Resta, assim, a possibilidade de ciclicamente submetermos os políticos à censura do voto, castigando-os ou recompensando-os com o poder que todos querem conquistar e manter.

 

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