O “partido autárquico” e a agenda “liberal e reformista”
Posted by JoaoMiranda em 9 Maio, 2008
Escreve Bruno Alves:
Mas menos o é o de Fernando Ruas, uma das caras do “partido autárquico” cujos interesses eu penso serem incompatíves com uma agenda “liberal e reformista”, e que Passos Coelho escolheu para seu mandatário nacional.
Esta questão levantada por Bruno Alves é pertinente. Existe um partido autárquico com interesses e existe uma agenda “liberal e reformista” aparentemente incompatíveis. Tenho dificuldade em perceber onde está a incompatibilidade. Bem ou mal, o partido autárquico tem o mérito de conseguir manter vivos centros políticos de pode fora de Lisboa. Os interesses do partido autárquico são interesses reais de pessoas reais. Devem-se a factos políticos reais. Resultam de problemas que constituem entraves reais ao desenvolvimento do país. Lembro que no país ainda vivem pessoas que nada vão ganhar com o aeroporto de Alcochete, a nova ponte sobre o Tejo, o túnel de Alcântara e o TGV. Isso constitui um problema e um desafio para qualquer agenda “liberal e reformista”. Aliás, não consigo imaginar uma lista de problemas que uma agenda “liberal e reformista” deve resolver em que o problema do centralismo não esteja no topo. Bruno Alves parece mais preocupado com a salvação do PSD, em partiular, com a salvação do PSD dos efeitos do localismo e do menezismo. Sinceramente, não percebo como é que um partido pode ser salvo do seu sustentáculo social. O PCP dificilmente poderá ser salvo da CGTP, o PS dificilmente poderá ser salvo da UGT e dos funcionários públicos e o BE dificilmente poderá ser salvo dos movimentos sociais utópicos. Também é pouco provável que o PSD consiga ser salvo do poder local. O único partido que até agora se conseguiu salvar de uma base de apoio é o CDS-PP. É também o único que a cada eleição corre o risco de ser varrido do mapa eleitoral.
Anónimo disse
O mandatário de Passos Coelho é … Fernando Ruas. E a candidatura tem ainda apoios de Mira Amaral. É um bocado anedótico. Espero sinceramente que ganhe. É o máximo.
eheheh
piscoiso disse
Fernando Ruas deve ter sido escolhido por Viseu ir acolher a selecção nacional, para estágio.
Scolari até pode dar uma perninha.
CAA disse
Por falar em selecção, o Bruno Alves vai ser convocado?
piscoiso disse
Convocar jogadores do Porto, deve ser um enorme sacrifício para Scolari.
Agora que o seu reinado está chegando ao fim, altura em que Vitor Baía vai finalmente divulgar a porca política de convocações scolarianas.
Figo também podia dizer umas coisas, mas está noutra.
Mialgia de Esforço disse
Estava longe de imaginar que o Bruno Alves também fosse bloguista!!!
Tiago Azevedo Fernandes disse
Acabei de escrever um post precisamente sobre esta questão do “país real”. Estamos sintonizados no tema. :-)
http://ofuturoeagora.blogs.sapo.pt/30391.html
Red Snapper disse
Boa análise. De facto uma agenda liberal é antes de tudo uma agenda descentralizadora. Especialmente em Portugal. É por isso que Pedro Passos Coelho não poderia ter escolhido melhor mandatário nacional. Na verdade como é consabido a liberdade e as escolhas individuais ficam tanto mais garantidas quanto mais próximos estiverem os poderes instituídos dos cidadãos. Quer se queira quer não, a verdade é que o poder autárquico, com todos os males que se lhe queiram apontar, reforçou a existência de uma sociedade livre, composta por cidadãos livres e iguais em direitos e deveres. Ora, a escolha de Fernando Ruas, enquanto símbolo máximo do poder autárquico, assenta que nem uma luva na tão propalada agenda liberal e reformadora de PPC.
Red Snapper disse
….o BE dificilmente poderá ser salvo dos movimentos sociais utópicos”
Haverá lá melhor coisa que a utopia!? A ideologia e a utopia são dois vectores da realidade imprescindíveis.Sem utopia já há muitotinha morrido .
AS disse
«Lembro que no país ainda vivem pessoas que nada vão ganhar com o aeroporto de Alcochete, a nova ponte sobre o Tejo, o túnel de Alcântara e o TGV.»
As pontes sobre o Tejo são muito apreciadas pelos minhotos que passam férias ou fins-de-semana no Algarve.
O PSD autárquico e a sua incompatibilidade com uma agenda “liberal e reformista” « O Insurgente disse
[...] Arquivado como: Comentário, Política, Portugal — Bruno Alves @ 10:35 pm O João Miranda pergunta-me em que medida os interesses do PSD autárquico são incompatíveis com uma agenda [...]
libertas disse
«o único partido que até agora se conseguiu salvar de uma base de apoio é o CDS-PP»
Tomara que o CDS tivesse como base de apoio os trabalhadores independentes, empresários e precários deste país – enfim, tivesse o apoio de todos q não vivem do sistema. Só assim evitaria ser varrido eleitoralmente e teria uma base de apoio de que se poderia orgulhar!