Que fazer com a mensagem política dos europeus às eleições?

We don’t care about it.

Quando na noite de 7 de Junho se conhecerem os resultados das eleições nos 27 estados da UE, terá sido aquela opção política que a esmagadora maioria dos europeus terá expressado. O que irão os políticos, os partidos concorrentes, os analistas, os responsáveis pelas instituições europeias fazer quando conhecerem tal veredicto? Como sempre, nada. A ordem é ignorar.

Desprezar a resposta dos cidadãos tem sido a política sustentada da União Europeia ao longo das últimas duas décadas. Seja com a descendente participação nas eleições europeias, seja com o ignorar os resultados de múltiplos referendos, seja pelo processo adoptado de elaboração do tratado constitucional, seja pela dificuldade em escrutinar os actos dos deputados e comissários europeus. Ignorar e avançar. É o lema europeu. Numa imagem significativa, Paulo Rangel dizia há dias que embora existam sempre discordâncias sobre as soluções e caminhos a adoptar, a União Europeia «é como uma bicicleta, se pára, cai». Ou seja, apenas se aceita uma ideia de «crescendo». Na dúvida, avança-se. Tudo o mais, seja quem for que pretenda fazer pausas reflexivas, manifeste dúvidas sobre os caminhos apontados, prefira modelos «menos avançados» leva com o carimbo, com o opróbrio, de «anti-europeu» ou «eurocéptico». Sim, porque na actual visão dogmática «europeia» há apenas um caminho: sempre em frente. E quem disser o contrário, não é «dos nossos».

Na melhor tradição das «democracias avançadas», dos paladinos iluminados, dos majestáticos líderes e de todos os sonhadores de impérios (sem surpresa, todos igualmente responsáveis por milhões de mortes nos últimos 230 anos de história europeia), a actual «europa» caminha imparável para a«frente». Mas, sozinha. Sem povo. E crescentemente, contra ele. Quando chamado a pronunciar-se, votam contra. Quando lhes dão a palavra, recusam-na.

Indiferença, desconhecimento, falta de preparação, justificam os dogmáticos iluminados, pois apenas tais razões, aos seus olhos, poderão justificar a recusa na participação em tão «bonito« projecto. Que as pessoas não o queiram, que as pessoas prefiram apenas tradicional escolha dos seus governos e eleitos locais ao invés de uns deputados que não conhecem de lado nenhum e que não dão cavaco, é coisa que nem lhes passa pela cabeça.

Ah, mas «todos gostam de não ter fronteiras», «apreciam a moeda única», «o mercado único, a liberdade circulação e de trabalho». Mas precisamente. Deveria-se então reflectir-se se grande parte dos europeus aceita e tira proveito de tais realidades, porque é que não lhes interessa eleger um parlamento por via directa, supostamente cheio de seus « representantes». Não será porque aquelas realidades não dependem, nem dependeram para existirem do Parlamento Europeu? Não foi tal decidido, regulado e aprovado pelos chefes de governo, esses sim, eleitos pelos europeus? O que os deputados acrescentaram? O que fizeram ou fazem que justifique a sua eleição directa? Os europeus tem vindo crescentemente a concluir que nada. E portanto, agem em conformidade, desprezando-os.

(também publicado no Eleições2009)

27 Comentários

  1. Anónimo
    Posted 24 Maio, 2009 at 16:21 | Permalink

    só não percebi se é a favor ou contra.

  2. Posted 24 Maio, 2009 at 16:23 | Permalink

    Lá diz a minha tia Adelina:
    Parar é morrer

  3. Posted 24 Maio, 2009 at 16:26 | Permalink

  4. Anónimo
    Posted 24 Maio, 2009 at 16:40 | Permalink

    uns fazem andar e depois aparecem uns mete-nojo que vão à boleia, é o pessoal do renhónhónhó. tá tudo mal, isto é uma merda, ninguém pensa, ninguém consulta, mas eu também quero e com muita força.

  5. lucklucky
    Posted 24 Maio, 2009 at 16:46 | Permalink

    A maioria dos Políticos Europeus sempre foram Dirigistas. Todo o projecto Europeu não é mais que a replicação á escala Continental do que foi o Estatismo do início do Séc.XX. Como é óbvio é não é mais que a continuação do dirigismo monárquico por outros meios, eles , e isto vale tanto para as nossas eleições nacionais como para as europeias nunca se viram no lugar como representando a vontade de um conjunto de pessoas que o elegeu. Eles valem-se do “escolher o mal menor” para conseguir avançar os seus projectos. Pode-se enganar muita gente durante algum tempo mas não durante todo o tempo, o que se está a passar é que cada vez mais pessoas se apercebem que estão a ser enganadas.

  6. Anónimo
    Posted 24 Maio, 2009 at 16:55 | Permalink

    #5 – suicida-te, chegas lá mais depressa e até pode ser que arranjes lugar na fila da frente.

  7. Posted 24 Maio, 2009 at 16:55 | Permalink

    “esmagadora maioria dos europeus terá expressado”… isso não será a abstenção? desconfio que depois da aberrante gestão feita pelos políticos “europeus” da “vergonha de Lisboa”, que o resultado que vai sair das europeias é sobretudo um crescimento da abstenção…

  8. Amiga da Gabriel
    Posted 24 Maio, 2009 at 17:04 | Permalink

    Muito bem

  9. Anónimo
    Posted 24 Maio, 2009 at 17:05 | Permalink

    Eu também não vou votar, era o que faltava alimentar tachos. políticos e jogadores da bola, eles é que ganham as massas e eu é que vou alimentá-los, lá são todos amigos, os xuxas, os bloquistas e os sociais, almoçadas, jantaradas, os novos imigrantes.

  10. Anónimo
    Posted 24 Maio, 2009 at 17:32 | Permalink

    Saem daqui à segunda almoçados, regressam à sexta para jantar em casa, correm o mundo à nossa conta, pôem o braço no ar e dizem umas barbaridades e agora têm aqueles ordenadões, votar em branco não que ainda metem cruzes onde eu não quero. Eu vou mas é para a praia.

  11. Posted 24 Maio, 2009 at 17:37 | Permalink

    Não concordo com tudo mas está muito bom.

  12. Anónimo
    Posted 24 Maio, 2009 at 17:55 | Permalink

    Há pouco tempo preenchi um questionário electrónico que supostamente saberia dizer qual era o partido com que mais me identificava. Como respondi que sou a favor dos referendos europeus e que o Tratado Europeu deve ser referendado, fui considerado anti-europeísta. Mas não é verdade. Sou europeísta. Gostava muito de ajudar a concretizar a ideia de Europa. Só que estou a ver a Europa a andar mais depressa do que pode, a fazer a sua história muito no plano do episódico e pouco no plano dos tempos longos e infra-estruturais. Julgo que a esta velocidade, a Europa que eu tanto amo se vai esbarrar.

    Ao olhar para os políticos portugueses e para o modo como sobem na vida, não posso deixar de olhar para o Tratado de Lisboa e para o parlamento Europeu como mais um degrau da escalada política; como mais um tacho para políticos reformados como o Vital Moreira; como mais um lugar de cargos ambiciosos como o de Durão Barroso; como mais um lugar onde às custas do contribuinte os políticos podem deslocar-se em carros de luxo como o Jaime Gama.
    Não é para essa Europa que eu quero contribuir! O actual Primeiro Ministro José Sócrates prometeu-me que eu poderia responder a este referendo. Mentiu-me. Perdi a confiança. Será que numa democracia sou obrigado a confiar em quem me mente? Estas mentiras destes políticozecos serão os pés de barro da Europa!

  13. Anónimo
    Posted 24 Maio, 2009 at 18:06 | Permalink

    #13 – “carros de luxo como o Jaime Gama.”
    nem precisavas de preencher o questionário, isto chegava, o resto é tanga para encher chóriços.

  14. Marafado de Buliquei-me
    Posted 24 Maio, 2009 at 18:44 | Permalink

    E o carro do Santana que ele comprou quando era Pres. da CML ?

  15. Pifas
    Posted 24 Maio, 2009 at 18:49 | Permalink

    Europa, Europa … não era uma donzela que foi raptada por um touro e sodomizada por um deus? Talvez se trocar os papéis com a Ásia se safe de morrer à fome:

    “Allgarb: Visite a Pattaya da Europa.”
    “Alltejo: onde os mais velhos ainda têm um lugar ao Sol (with our kids).”
    “Allpuerto: Get drunk and take my daughter.”

  16. Alberto Costa Andrade
    Posted 24 Maio, 2009 at 20:12 | Permalink

    O princípio da cura, está na consciência da doença: – Quando um doido, sabe que está doido, já não está doido.

    Pois então

  17. Anónimo
    Posted 24 Maio, 2009 at 20:33 | Permalink

    li que lá pela uk , depois das choriçadas dos sires , a intenção de voto nos partidos mini cresceu bastante . acho uma excelente ideia. a tendência de copiar o estranja aqui até era sensata.uma bela bofetada nas ventas dos donos do estado , pois era.

  18. JMG
    Posted 24 Maio, 2009 at 20:35 | Permalink

    Faz tempo que não lia um texto tão lúcido. Num registo diferente, e sem o mesmo brilhantismo, dá-me licença que acrescente?

    A ideia de que a dissolução do velho Estado Português nos Estados Unidos da Europa resolveria o crónico atraso relativo do nosso País assenta em vários pressupostos discutíveis e num evidente parti-pris ideológico, legítimo em si mas contestável com boas razões. Refiro apenas um, por ser o mais evidente: é o de que a economia funciona pelo princípio dos vasos comunicantes, e assim a integração num espaço mais rico gera automàticamente uma equalização dos rendimentos. Todavia, a experiência histórica de processos de integração não ilustra este ponto de vista: O Norte de Itália é mais rico que o Sul, tendo o país sido unificado há bem mais de 100 anos; o Arkansas é muito mais pobre do que a Califórnia, havendo aliás enormes e persistentes diferenças de rendimento entre os vários estados da União; e está por demonstrar que, tivesse a Guerra da Secessão tido um resultado diferente, os estados do Sul, ou os do Norte, estariam mais pobres ou mais ricos do que estão. Isto no plano económico. Depois, há o sentimento de pertença: É costume dizer que o nacionalismo é uma invenção do Romantismo, mas quem se der ao trabalho de ler (aliás não é trabalho, depois de começar é prazer) as Crónicas de Fernão Lopes o que lá vê, pelo menos no povo de Lisboa, se não é um sentimento nacional não se entende o que seja. E vem aqui a talho de foice referir o parti-pris, qual é é o de que Portugal não é mais do que aquilo que são os Portugueses viventes, e que portanto o que a maioria decidir é o que está bem. Alguns Portugueses, entre os quais me incluo, acham que eles, e os seus concidadãos, são apenas depositários de uma herança, não são proprietários dela, e entendem que as engenharias sociais, no que toca à nacionalidade e ao inerente sentimento de pertença, são uma receita para o desastre: Se a burocracia europeia, as burocracias dos vários países europeus, e uma parte significativa da upper-class e da inteligentsia levarem o projecto da Europa Federal por diante, será apenas uma questão de tempo até o edifício começar a mostrar rachadelas. O parto de novos países costuma ser um processo doloroso; que se imagine que com elementos tão díspares como sejam mais de duas dezenas de nações seja possível, por sucessivos decretos e tratados, fazer uma federação viável, parece-me relevar do domínio da loucura.

  19. Joaquim Amado Lopes
    Posted 24 Maio, 2009 at 21:19 | Permalink

    9. Anónimo:
    Eu também não vou votar, era o que faltava alimentar tachos.
    De que forma é que o Anónimo não ir votar contribui para serem menos os tachos a alimentar? Mesmo que a abstenção fosse de 99%, de que forma contribuiria isso para serem menos os tachos a alimentar?

  20. Anónimo
    Posted 24 Maio, 2009 at 21:28 | Permalink

    Se eu não for votar não gasto gasolina, não dou os 3,15 euros ao partido em quem votasse ( dinheiros nossos) e não perco um dia de praia que o tempo está aquecer.Além disso não sou convitamente europeísta.

  21. Anónimo
    Posted 24 Maio, 2009 at 21:29 | Permalink

    convictamente

  22. Anónimo
    Posted 24 Maio, 2009 at 22:23 | Permalink

    22 , vá lá votar e contribua para o tacho de quem eles menos esperam. vote no ppm , na laurinda , no garcia ,qualquer um menos no ps psd pcp be cds. qualquer um serve para o trabalho que por lá fazem. quer melhor castigo que este?

  23. Posted 24 Maio, 2009 at 22:23 | Permalink

    O Blasfémias «é como uma bicicleta, se pára, cai». Ou seja, apenas se aceita uma ideia de «crescendo». Na dúvida, avança-se. Tudo o mais, seja quem for que pretenda fazer pausas reflexivas, manifeste dúvidas sobre os caminhos apontados, prefira modelos «menos blasfemos» leva com o carimbo, com o opróbrio, de «anti-blasfemos» ou «basfemocéptico». Sim, porque na actual visão dogmática «blasfema» há apenas um caminho: sempre em frente. E quem disser o contrário, não é «dos nossos».

  24. Anónimo
    Posted 24 Maio, 2009 at 23:07 | Permalink

    Votar na Laurinda. A Laurinda era a mulher, logo ex- mulher do miguel de sousa tavares, dedica-se às revistas da moda e tal. Prefiro os Monárquicos, a Europa está cheia de reis, vou pensar no assunto.

  25. Anónimo
    Posted 24 Maio, 2009 at 23:37 | Permalink

    Recebi agora este mail. Confesso que desconhecia o que o mesmo menciona. No

    entanto só faço uma pergunta: Há algum politico por quem valha a pena o país repetir as eleições e suportar tudo o que isso acarreta?

    Sabiam que o voto em BRANCO é o mais eficiente?????

    SE VOTAREM EM BRANCO, ou seja, se não escreverem absolutamente nada no boletim de voto, é muito mais eficiente do que riscá-lo.

    Nenhum politico fala nisto… porquê?????????

    Porque se a maioria da votação for de votos em branco eles são obrigados a anular as eleições e fazer novas, mas com outras pessoas diferentes nas listas.

    Imaginem só a bronca…….:::::)))))))))

    A legislação eleitoral tem esta opção para correr com quem não nos agrada, mas ninguém fala disso.

    Não risquem os votos, porque serão anulados e não contam para nada.

    VOTEM EM BRANCO……!!!!!!!!!!!!!!

    A maioria de votos em BRANCO anula as eleições….. e demonstra que não queremos ESTES políticos!!!

    Espalhem para se obter a maioria.

  26. Posted 25 Maio, 2009 at 01:06 | Permalink

    tamém há uma outra solução: num botar votadura e assim ficam eles com menos 3 eurius à cabeça… imaginem que ninguém ía votar, sempre era esse que num lhes entrava nas caixas dos partidos!…

  27. eu
    Posted 9 Setembro, 2009 at 13:40 | Permalink

    A mensagem de que votar em branco anula as eleições e que anda a circular na internet é completamente falsa.

    Conforme podem ver aqui: http://www.tvi24.iol.pt/politica/eleicoes-cne-branco-voto-europeias-tvi24/1068388-4072.html, votar em branco não anula eleições.

    Este esclarecimento foi feito na altura das eleições ao Parlamento Europeu mas aplica-se a qualquer acto eleitoral.

    “…o voto em branco não tem qualquer relevo na atribuição de mandatos, neste ou em qualquer outro acto eleitoral.”

    “Ainda que o número dos votos em branco seja maioritário, a eleição é válida, na medida em que existem votos validamente expressos e que apenas esses contam para efeitos de apuramento de mandatos a atribuir..”


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