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O regresso de Mr. Chance (a propósito do PSD)

3 Março, 2010
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Temos 4 candidatos declarados. Dos três mais relevantes, um já o é há 2 anos; outro, tenta sê-lo, pelo menos, há outros tantos. O último, é mais recente e, até certo ponto, foi o mais imprevisto. O quarto candidato declarado, tem sido uma espécie de “não-candidato”, sem papas na língua (uma das vantagens do estatuto de “não-candidato”).

A (des)informação, como habitualmente, é grande. Decorre não só da importância da eleição do novo líder do PSD (que poderá – ou não – vir a ser o próximo 1º Ministro; que poderá – ou não – vir a refundar o Partido), mas também de uma espécie de adesão e militância pessoal e subjectiva, de cada votante e simpatizante “laranja”, a um conjunto de “colagens”, “imagens” e “wishful thinkings”, supostamente representados por cada um dos candidatos. Ou seja,  questões de fé

Sim, acaba por ser uma questão de fé (ou de preconceito quase clubístico) o que nos faz ouvir coisas espantosas. Coisas espantosas essas que, de todo, não podem ser justificadas ou apreendidas, a partir das declarações públicas, dos discursos e das posições políticas concretas, manifestadas (até agora) pelos próprios candidatos!

Todos as facções projectam, no seu candidato, o seu “Mr. Chance”. Fala-se em “preparação”, em representação de interesses (já ouvi falar de “interesses económicos”, de “interesses do centrão”, da “actual Direcção”, da “opus dei”, de variados lobbies – desde o gay, ao da banca -,  dos interesses de “Ângelo Correia”, etc., etc.); fala-se “em fretes ao PS”, em “política de verdade” e em “imagem televisiva”. Fala-se em “barões”, em “bases”, em “cacicagem”. Ouve-se dizer que o candidato x teve um bom discurso, mas com algumas falhas de consistência (sem se dizer quais). Contabiliza-se, de facto, a “consistência” ou a falta dela, a “social democracia” ou a falta dela, os percursos profissionais ou a falta deles e até o tempo de militância “laranja” ou “centrista”, ou a falta dele, dos candidatos.

Sobre um primeiro debate televisivo, há comentadores que conseguiram sentenciar e avaliar os programas políticos dos candidatos envolvidos, pelo simples olhar e pose deles próprios.

 Sim, porque realmente, até agora, ainda só ouvi um discurso concreto, sobre medidas concretas,  a um deles (independentemente de tais discursos e medidas concretas serem boas, más ou assim-assim). Precisamente, àquele que “não tem percurso profissional”, nem “preparação”, nem sequer “consistência”. Ouvi chavões tipo “regresso à agricultura” e “rigor e exigência” serem erigidos, por alguns comentadores, em “programa político”. Falta ainda ouvir, na televisão, um terceiro candidato (sem contar com aquele que é  uma espécie de “não-candidato”). Em resumo, a curiosidade sobe (para mim), relativamente à próxima prestação de Aguiar Branco.

No entanto, uma coisa é certa: avaliando as avaliações e comentários feitos até agora* (procurando, realmente, perceber o que é que cada candidato tem para nos dizer e, sobretudo, para fazer), os três (candidatos) seriam bem mais eficazes e cansar-se-íam menos se, simplesmente, estivessem calados. Quanto mais calados, melhor!

As respectivas “falanges” encarregam-se de nos dizer aquilo que eles (não) disseram e projectarem neles aquilo que ” o país”  quer, independentemente do que faça o próprio candidato – sobretudo, se não fizer nada!

De facto, a sagacidade política de Mr. Chance  continua a ser muito eficaz: o bom político é aquele que nos permite projectar o que queremos (independentemente da realidade).  Tal como Mr. Chance, quando questionado sobre a situação económica do país, a resposta certa é falar de jardinagem….O resto, não interessa para nada, sobretudo para certos comentadores de “falange”.

* e mesmo aqui, no Blasfémias.

2 comentários leave one →
  1. Pi-Erre's avatar
    Pi-Erre permalink
    3 Março, 2010 15:30

    O tipo da foto é muito parecido com o Al Capone.

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  2. Eduardo F.'s avatar
    3 Março, 2010 22:06

    Caro PMF,

    O seu post esclareceu, sem ambiguidade, quem é o “seu” candidato. Boa sorte.

    E, sim. Sempre foi uma questão de fé e estou convencido que continuará a sê-lo. Daí a importância da avaliação que os eleitores fazem do carácter dos candidatos. No meu modesto entender, um dos candidatos tem muitas dificuldades nesta matéria. Mostrou-o bem no debate de ontem.

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