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Que em 2011 nos vejamos gregos…*

1 Janeiro, 2011

“(…) Em termos políticos, 2010 foi, para os portugueses, um ano que deveria suscitar reflexões importantes (talvez mais do que nos recentes anos transactos), unindo-nos, pelo menos, num desejo para 2011: que o País (em rigor, o Estado) saia, por pouco que seja, do estado de desorientação em que realmente parece ter imergido. No fundo, que melhore, por pouco que seja, para sobreviver como um Estado minimamente civilizado e de Direito, deixando-nos, a nós, portugueses, viver… quer dizer, deixando-nos em paz! Claro está: isto é um daqueles desejos que, pelo menos em 2011, também sei que não se realizará.

Com efeito, uma primeira reflexão a destacar será esta: se a nossa vida quotidiana enfrenta dificuldades, desde logo, advenientes dos PEC e do Orçamento, isso resulta, em grande medida, de uma crise que não nos é imediatamente imputável. Não seremos responsáveis directos pela desorientação e incompetência orçamental do Estado, mas, apesar disso, temos que arrostar com as suas consequências.

Uma segunda reflexão (em rigor, constatação): bem vistas as coisas, pouco mudou de 2009 (e de 2008…), para 2010. O País está, basicamente e em termos políticos, na mesma! O que será especialmente mau, sobretudo se o seu estado tiver parecenças com aquilo que Eça nominava como uma “choldra”. E, nessa triste linha de continuidade, sobressaem dois acontecimentos que, para mim, merecem relevo e um crédito de esperança: apareceu um novo líder da oposição – Passos Coelho – que, quase do nada e num ano, passou a ser, efectiva e realisticamente, um pré-Primeiro-Ministro à porta de o ser e nasceu o Movimento Pró-Partido do Norte.

Este movimento – que, curiosa e significativamente, tem suscitado mais eco e interesse na imprensa espanhola, do que na nossa – pode vir a ser o primeiro murro na mesa contra o estado de acefalia centralista e paralisante, de que, desde há muito, o País padece.. Sobretudo, se o seu exemplo conseguir ser contagiante. Mais precisamente, um murro no próprio estômago do velho Estado carregado de vícios e de injustiças que minam eficazmente o sentido de “coesão nacional” e o impedem de se racionalizar, ou seja, de se regionalizar. Esta reforma – a “mãe de todas as reformas” políticas de que carece o nosso Estado (e a nossa cultura política dominante) – para mim, é, também, um desejo que dificilmente se realizará, já em 2011. E por falar em reforma do (mau) estado do Estado, acho que a Grécia deveria merecer um prémio do tipo “o país do ano de 2010”: pelas razões negativas que a assolaram e pela capacidade demonstrada para, em plena crise e para a combater, ter decidido reformar o seu Estado, regionalizando-se.

* Grande Porto, Sexta, 31.12.2010.

4 comentários leave one →
  1. samotrace's avatar
    samotrace permalink
    1 Janeiro, 2011 22:31

    E contudo a saída não é promissora. E não por não vermos mudança plausível de melhora ao que temos, se não se viu ainda uma vez que a alternativa ao poder saiu a terreiro a dizer no concreto, eu sei que fazer melhor pelo País.
    De modo que, além da gravata, me digam que mais que zero e nada já viram propor-lhes, diferente, senhores!

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  2. Nuno's avatar
    Nuno permalink
    2 Janeiro, 2011 02:56

    Não – e embora goste imenso da Grécia sob quase todos os aspectos -, não me quer ver grego; o que quero é ver-me livre dos parasitas de esquerda que nos infestam, correr com essa cotja e regressar, pelo menos, ao respeito que o 25 de Abril de 1974, traiçoeiramente, nos roubou.
    Também, seria bom que, embora já estejam velhos, se fizesse justiça a sério a toda essa cambada. Há tanto terreno baldio que dá para fazer campos de concentração espaçosos.

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  3. PKS's avatar
    PKS permalink
    2 Janeiro, 2011 10:55

    …Não – e embora goste imenso da Grécia sob quase todos os aspectos…

    Que falta de gosto.

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  4. Fernando's avatar

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