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O mundo surreal do jornalismo e da política

27 Abril, 2011

Querem perceber o Estado do país? Leiam com atenção esta notícia do Público. É surrealista.  Nela se explica que, devido às regras de contabilidade do Eurostat, o défice de 2011 poderá aumentar se forem introduzidas portagens nas SCUTs que ainda não as têm. Até aqui tudo bem. É contabilidade. Vale o que vale. Anos de desorçamentação geram, mais cedo ou mais tarde, este tipo de paradoxos. Só que, segundo a notícia, os políticos que nos dirigem estarão a ponderar não introduzir portagens nas SCUT para não aumentar o défice contabilístico. Vou repetir: os políticos que nos dirigem estarão a ponderar abdicar de uma receita para não aumentar o défice. E os jornalistas que fazem a peça em momento algum mostram compreender que não faz sentido nenhum abdicar de uma receita para baixar o défice. Se a receita aumenta, o estado das contas públicas melhora, mesmo que o défice contabilístico aumente temporariamente. Chegamos ao estado a que chegamos também por causa disto: políticos predispostos a respeitar metas surreais, desde que aprovadas na UE, e jornalistas que não os questionam nem são capazes de avaliar a realidade para alem das estatísticas oficiais e das declarações dos “especialistas”.

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69 comentários leave one →
  1. 27 Abril, 2011 07:09

    À desorçamentação dos PPPs, que tanto encantou os governos socialistas, segue-se agora a asneira: confundir a realidade com os registos. Isto é tal e qual aqueles gestores que perante uma qualquer despesa corrente, perguntam: “Podemos imobilizar?”, na ideia de que se imobilizar, não aparece nas contas e fica o brilharete feito: a despesa realizou-se, mas o custo virá depois. Pagam-se mais impostos, mas isso é de somenos importância.

    Nos anos Guterres a despesa pública primária cresceu mais de 50% em 5 anos – e isto porque quase todo o investimento foi atirado para as calendas contabilísticas – teria crescido muito mais, sem esse truque.

    O que se está a passar agora é de gargalhada. O objectivo é continuar a esconder as SCUTS das contas – e é preferível continuar o disparate e atirar o problema para daqui a meia dúzia de anos do que resolvê-lo agora. Que gente tão fraquinha.

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  2. Eleutério Viegas permalink
    27 Abril, 2011 07:20

    Este estado miserável a que chegámos tem um nome: peiésse, com “beterres” ou com “socras”. Mas os pascácios da “comunicação” não vêem ou não querem ver…

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  3. Francisco Colaço permalink
    27 Abril, 2011 08:10

    Eleutério Viegas,
    .
    Com os jornalistas que temos, formados em escolas de «jornalismo» (seja lá o que isso for), sem cultura geral e com mais ensejo de manter o posto de trabalho do que de fazer um trabalho brioso, já não espero nada da cobertura dos artigos científicos, políticos ou sociais.
    .
    Os melhores jornalistas que tivemos eram economistas, juristas, engenheiros ou mesmo nem sequer licenciados. Não sei o que ensinam nos cursos de jornalismo, mas começo a pensar que é um anestésico mental qualquer para formatar a carneirada às exigências do poder vigente pela paz social.*
    *paz social (s. m. c.): perpetuidade no poder do Partido Socialista
    terrorista (v. agitador) (s. m.): quem ache que o Partido Socialista não deve ser perpetuado no poder.

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  4. 27 Abril, 2011 08:58

    aquilo não são jornalistas. são pessoas que acharam o máximo ser jornalista , tão cool , vai daí foram aos montes tirar licenciaturas em comunicação .e comunicam muito bem , mas é ao telemóvel com os amigos. não é jornalista quem quer , está mais que visto.
    faz impressão , às vezes , ler o jornal e ver como são estúpidos e escrevem o que acham que a malta quer ouvir.

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  5. Francisco Colaço permalink
    27 Abril, 2011 09:01

    Me,
    .
    Metade das pessoas que foram para comunicação não eram suficientemente inteligentes para tirar um curso em engenharia. Metade das pessoas que foram para engenharia não eram suficientemente inteligentes para tirar um curso em direito. Metade das pessoas que foram para direito não eram suficientemente inteligentes para tirar um curso em economia. Metade das pessoas que foram para economia não eram suficientemente inteligentes para tirar um curso em comunicação.
    .
    Está a ver o problema?

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  6. pedro permalink
    27 Abril, 2011 09:27

    se os licenciados em comunicação não fazem a mínima ideia do que passa imaginem a grande massa da população . Continuo a pensar que o engenheiro perde por poucos ou até ganha! o povo é o mesmo de 1900 e onde se lia 78,2% de analfabetismo ,agora deve ler-se 78,2% de analfabetismo funcional. Aquelas 4 múmias, no 25A de 2011 falavam para este mesmo povo.

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  7. tina permalink
    27 Abril, 2011 10:04

    O problema João, é que se o défice não baixar, os juros de empréstimo também não baixam. Não é assim tão linear de que forma ficamos a perder mais.

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  8. tina permalink
    27 Abril, 2011 10:13

    “Metade das pessoas que foram para engenharia não eram suficientemente inteligentes para tirar um curso em direito.”
    ..
    ahahaha, direito faz-se a dormir!…. Se o mundo fosse gerido por engenheiros, teria evoluído tanto quanto a tecnologia. Mas os engenheiros não estão interessados em política, que é para as pessoas banais, e por isso a humanidade evolui à velocidade de caracol. E se não fosse pelos engenheiros e a evolução da tecnologia, então estariamos mil vezes pior.

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  9. anti-comuna permalink
    27 Abril, 2011 10:14

    Por baixo de um mundo comunicacional está o mundo real. E esse vai fazendo maravilhas e surpreendendo.
    .
    .
    Portugal não é todo assim, fraquito e num mundo surrealista. Há coisas fantásticas que se fazem em Portugal que está ao nível do que melhor se faz no mundo. Por exemplo, há em Portugal uma empresa (ou softwarehouse ou game studio) que criou um produto verdadeiramente surpreendente que pode marcar o futuro imediato do sector português das Tis. A empresa é a http://www.seed-studios.com/, sedeada no Porto e vai lançar para a semana, na plataforma da Playstation da Sony um dos jogos sensação, o Under Siege, que poderá mesmo lançar Portugal na alta roda deste tipo de produção.
    .
    .
    E não se pense que é fácil e barato lançar este tipo de produtos no mercado. Há mesmo casos de fracasso em que muito dinheiro foi investido e os resultados comerciais um fracasso, mesmo com um poder comercial bastante forte. Mas este empresa do Porto deverá conseguir mostrar que em Portugal há mesmo excelência de fazer do melhor que há a nível mundial. Uma PME do norte que é apenas um exemplo de um Portugal desconhecido do mundo comunicacional, que é péssimo, mas que surpreende os experts em determinadas áreas.
    .
    .
    Sugiro três links. O da empresa do Norte, sua página no Facebook e um artigo sobre o jogo sensação:
    .
    http://www.seed-studios.com/
    .
    http://www.facebook.com/undersiegegame?sk=wall
    .
    http://www.eurogamer.pt/articles/2011-01-22-under-siege-analise
    .
    .
    Mais uma dicotomia marcante entre o Norte que trabalha e produz e o mundo de Lisboa, mais virado para as aparências que para a realidade.

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  10. anti-comuna permalink
    27 Abril, 2011 10:49

    Enquanto a crise em Lisboa vai-se aprofundo, há um Portugal que trabalha e se esforça, mesmo sendo parasitado. Et voilá:
    .
    .
    “Pequim, 27 abr (Lusa) — As exportações portuguesas para a China no primeiro trimestre de 2011 aumentaram 44,5 por cento em relação a igual período de 2010, somando 215,4 milhões de dólares (147,3 milhões de euros), segundo estatísticas oficiais chinesas.
    .
    “Estamos a conseguir manter o acelerado ritmo de crescimento do ano passado, mas há ainda muito mais a fazer”, disse hoje à agência Lusa o embaixador de Portugal na China, José Tadeu Soares.
    .
    Pelas contas da Administração Geral das Alfandegas Chinesas, o aumento das exportações portuguesas para a China foi especialmente acentuado em março passado: 57,6 por cento.”
    .
    In http://aeiou.expresso.pt/comercio-exportacoes-portuguesas-para-a-china-aumentam-445-no-1-trimestre=f645525
    .
    .
    O ano passado o crescimento das exportações para a China foram excelentes e este ano, tudo o indica, mesmo abrandando o seu ritmo de crescimento, as exportações voltam a subir bastante. Ou seja, a China não é apenas uma ameaça para os seus concorrentes mas também uma oportunidade. Só desejo que os exportadores portugueses aguentem o embate do colapso da economia de Lisboa e liderem um novo paradigma do pensamento económico tuga.

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  11. PKS permalink
    27 Abril, 2011 10:55

    E se o mundo surreal fosse o do Eurostat?
    E se o erro fosse das regras contabilísticas estúpidas e estupidamente interpretadas?

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  12. 27 Abril, 2011 10:56

    Mas ò anti-comuna, há anos que ouço e leio os jornalistas afirmarem que na China é só escravatura…LOL

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  13. 27 Abril, 2011 10:56

    Depois queixam-se da baixa nas vendas de jornais… pois, fumam mas não inalam

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  14. 27 Abril, 2011 10:57

    Anda tudo sem norte…falta vontade…

    Eça e Portugal – Dever Fazer e Fazer o que se Deve http://goo.gl/fb/KAZb7

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  15. anti-comuna permalink
    27 Abril, 2011 11:07

    “Mas ò anti-comuna, há anos que ouço e leio os jornalistas afirmarem que na China é só escravatura…”
    .
    .
    Os nossos jornais vivem num mundo à parte. Eles vivem dependentes deste mundo comunicacional emanado do sistema político e do Estado. E vivem no mundo da ideologia e pouco mais. A imprensa portuguesa, na generalidade, é uma boa… Seca. Para não ser mal educado. É mesmo rasca e confunde o seu umbigo, assente em Lisboa, com o que se vai fazendo pelo país fora e até pela realidade fora de Lisboa.
    .
    .
    O nosso tecido produtivo devia fazer uma greve à imprensa tuga e apenas ler jornais estrangeiros, para realmente tomar o pulso ao que realmente se passa no mundo. Senão, vive num mundo surrealista também.

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  16. 27 Abril, 2011 11:15

    Conhecido meu dos tempos das “Brasileiras”. Encontrei-o no Campo Pequeno. Rechonchudo. Condidenciou-me que saiu da «Securitas» e apertou com eles. Recebeu indemnização.
    Entretanto diz que está à beira do precipício, vai até à MEO. Precisa duns cobres.
    Ah, e comprou um Mitsubishi de 2001, com a indemnização… o tipo é comercial, precisa de estar actualizado nestas coisas dos carros.
    Está mal diz ele, o Passos Coelho deu a estocada final. Se ele fosse mais novo ia embora do país, ter uma vida digna.
    Vota Sócrates a 5 de Julho.

    Cumprimentos,

    R.

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  17. anti-comuna permalink
    27 Abril, 2011 11:15

    Há coisas boas que se fazem fora de Lisboa mas que é pouco realçado. Mas já os que se movimentam bem em Lisboa, têm uma promoção imerecida, porque não dá dinheiro. Não vou falar aqui de nomes, porque não gosto de criticar empresas portuguesas, mesmo que vivam da dependência dos dinheiros públicos, mas elas existem e estão agora em crise. Pudera. Vivem da mama do Estado e só sobrevivem à custa do lobbying.
    .
    .
    Ainda há poucos dias, uma empresa tuga, fora de Lisboa, claro, foi novamente premiada lá fora. A Altitude ganhou, mais uma vez, um prémio-reconhecimento pelo seu bom trabalho:
    .
    http://www.altitude.com/index.php?option=com_content&task=view&id=1633&Itemid=542
    .
    .
    E há mesmo empresas que vivem a vender produtos e serviços que dependem do Estado que se safam. Mas a exportar. Como é o caso da Alert, sedeada em… Gaia!
    .
    http://www.alert.pt/
    .
    .
    Mas há mais empresas da área das TIs, fora de Lisboa, que estão a sair-se bem. E até estão a criar uma massa crítica que poderá revolucionar o Norte de Portugal dentro de anos. Estão aos poucos a criar um cluster na área tecnológica, que em lisboa poucos dão por isso. Por isso eles andam perdidos e não sabem que Portugal poderia sair mais rápido da crise. Mas como vivem num mundo paralelo e surreal, não sabem o que se faz por esse país fora. Quando pensam no Norte, associam logo ferraris e salários baixos. Mas eles que tirem o traseiro das cadeiras e se metam a visitar o tecido produtivo pelo país fora e vão aprender que está a surgir algo novo. Mas, não saem, não conhecem.
    .
    .
    É por isso que eu cada vez mais penso que é preciso o Norte exigir a Independência e largar o lastro, que só emperra e destroi o esforço alheio. Não se limitam a parasitar, também destroiem. O que é lamentável.

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  18. 27 Abril, 2011 11:20

    Outro conto sobre Portugal;
    Quinta-feira 21. Tia que é família, teve folga nessa tarde. Trabalha na Casa Pia. Exaurida explicou que se farta de trabalhar… agora é para descansar. Férias são férias e isto é merecido.
    O marido entretanto com 55 anos arranjou trabalho… esteve 5 anos desempregado. Hoje, depois de muita luta e esforço (e claro, muitos concursos) está na câmara de Oeiras…
    Ambos votam PS.

    Cumprimentos,

    R.

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  19. anti-comuna permalink
    27 Abril, 2011 11:41

    Aqui há dias, quando lia o blogue do prof. Pinto de Sá ( http://a-ciencia-nao-e-neutra.blogspot.com/ ) reparei numa coisa que ele escreveu e que realmente nunca é realçado em Portugal, mas que nós somos bons a fazê-lo. Quando ele discorria sobre a sua experiência a trabalhar com os japoneses, na área da energia nuclear, ele admirava a capacidade dos japoneses em desenv0lver hardware mas eram muito fracos no software.
    .
    .
    Em Portugal o ponto forte da engenharia tuga é, curiosamente, o software. No entanto, também em Portugal há quem seja capaz de desenvolver hardware. Como as equipas de investigação da Portugal Telecom em… Aveiro. Mas o ponto forte tuga é mesmo o software. Há mesmo cientistas portugueses, jovens e até nascidos após o 25 de Abril, que além dos conhecimentos teóricos em Física, por exemplo, vão para países ditos de excelência na dita Ciência pura e o forte deles é criar software para pôr as máquinas a trabalhar. Como no CERN da Suiça.
    .
    .
    Aqui há uns tempos, quando a ESA teve problemas em criar um sistema operativo para fazer funcionar o hardware (neste caso, satélites) foram os portugueses os bombeiros de serviço e que salvaram muitos milhões de euros e, talvez até, os próprios projectos envolvidos.
    .
    .
    Ora, isto não é reconhecido por Lisboa e seu mundo autocêntrico. Mas fora de Lisboa há um mundo novo, em que poderá casar o fabrico de hardware e o software, tão ou mais importante que os próprios equipamentos. E casos que são paradigmas que existe um mundo de oportunidades aos portugueses, fora de Lisboa, que poderão mudar por completo Portugal. Como aquele caso em que o software criado em Coimbra faz funcionar robots industriais ainda mais eficientemente que os programados pelos seus produtores. Neste caso, suiços e alemães.
    .
    .
    Ora, Portugal tem potencialidades que não são reconhecidas. E numa economia que se está a transformar para uma baseada em redes de conhecimento e agilidade superrápida (na terminologia tuga, desenrasca), os portugueses dão cartas. E são do que de melhor há no mundo. Mas como o sistema político em Lisboa vive ainda de um pensamento ultrapassado, também de lá não saem soluções para resolver os problemas que eles próprios criaram. Mas há um Portugal “novo” que está a desabrochar e a trilhar a grande revolução económica que se vive actualmente.
    .
    .
    É por isso que, cada vez mais, é mesmo imperioso o Norte se tornar Independente e mudar o sistema político. E gerar uma nova geração de políticos menos marcado pelas ideologias ultrapassadas e mais concentradas em realizações práticas assentes em ideias descomplexadas. E deixar Lisboa entretida com as suas feridas, lambendo-as. Porque, fora de Lisboa, há uma revolução económica em curso. Mas poucos a reconhecem porque até poucos em Lisboa a compreendem.
    .
    .
    É a vida!

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  20. Francisco Colaço permalink
    27 Abril, 2011 11:42

    Tina,
    .
    Se o mundo fosse gerido por engenheiros, teria evoluído tanto quanto a tecnologia.
    .
    Agradeço-lhe os elogios (tenho o azar ou a sorte de ser um engenheiro), e lembro que 90% da câmara de deputados chinesa é constituída por engenheiros, ao que ouvi.

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  21. João Branco permalink
    27 Abril, 2011 11:43

    O problema João, é que se o défice não baixar, os juros de empréstimo também não baixam. Não é assim tão linear de que forma ficamos a perder mais.

    Para além disso, a renegociação dos contratos PPP com as partes privadas, se estes implicavam determinados volumes de tráfego sem portagem (ou determinados volumes de tráfego em auto-estradas com portagens ligadas a elas) podem levar também a que os custos de impor portagens seja superior a não impor.

    Pode ser que colocar portagens e incluir desde já as PPP de uma vez no défice (em vez de as pagar ao longo do tempo) seja uma decisão que dê dinheiro… mas não há garantias disso. A implementação das portagens nas SCUTs que foram feitas é uma decisão politica, não uma decisão económica.

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  22. João Branco permalink
    27 Abril, 2011 11:45

    Estes comentários não conhecem o QUOTE :(… A frase inicial é da tina, e não minha

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  23. anti-comuna permalink
    27 Abril, 2011 12:09

    Sectores tradicionais, sinónimo de baixo know-how e salários baixos?
    .
    .
    Não é bem assim, mas assim vai Lisboa. No outro dia surgiu uma interessante noticia mas que é um espelho do que se está a fazer um pouco por todo o país. A noticia é esta:
    .
    .
    “Indústria
    .
    Icel investe 800 mil euros na robotização da fábrica”
    .
    In http://mobile.economico.pt/noticias/icel-investe-800-mil-euros-na-robotizacao-da-fabrica_107169.html
    .
    .
    Mas o que realmente destaco é isto:
    .
    .
    “A empresa fechou o exercício de 2009 com uma queda na facturação, tendo atingido os 6,5 milhões de euros, mas espera fechar o corrente ano com um volume de negócios de 7,2 milhões de euros, principalmente apoiados nas exportações.
    .
    “O caminho percorrido já é bastante longo e hoje sentimos que tem sido positivo dada a notoriedade que a marca tem vindo a alcançar. Somos líderes no mercado nacional e exportamos 70% da produção para os mais diversos países”, realça João Jorge. A Icel vende os seus produtos para países como a Grécia, Espanha, Benelux, Alemanha, Suécia, Dinamarca, Inglaterra e Polónia, mas também para a Rússia, Hungria, Estados Unidos, Canadá, Austrália e para alguns países do Médio Oriente. “Concorremos nestes países com marcas europeias e posicionamo-nos em segmentos de valor acrescentado, ou seja, segmentos orientados para a qualidade e não para o factor preço”, realça o director geral da Icel.”
    .
    .
    Ideias-chave: marcas próprias, valor acrescentado, exportações, liderança nacional.
    .
    .
    Como eles conseguem liderar em Portugal e combater as importações de baixo preço?
    .
    .
    “Voltando à robotização da Icel, João Jorge frisou ainda a importância dos recursos humanos e tecnológicos da empresa. “Estes dois factores de produção interagem de forma directa. O avanço tecnológico implica actualização em termos do conhecimento, daí que a formação tem de ser contínua para dotar os colaboradores de capacidade de adaptação às novas exigências do saber fazer”, diz. E adianta que, ao nível tecnológico, a empresa tem vindo a apostar na robótica em todas as operações que classifica como sendo operações “não críticas ao nível do processo de fabrico, canalizando cada vez mais os operadores para a especialização”.”
    .
    .
    Automatização industrial e know-how dos colaboradores da empresa, não apenas para aumentar a produtividade mas como criar produtos de alto valor acrescentado com vista a liderar o mercado nacional (que deve ser o principal “laboratório de mercado” da empresa) e catapultar esse know-how para conquistar mercado no exterior.
    .
    .
    Sectores tradicionais, sinónimo de mão-de-obra barata? Salários baixos? Onde? Só se for no Paquistão, na India ou até mesmo na iberoamérica. Ou norte de África, porque em Portugal, estes sectores tradicionais foram reestruturados e estão agora a mostrar o resultado de todas estas mudanças.
    .
    .
    Os poderes públicos passam a vida é a enganar os portugueses. Não são TGVs nem auto-estradas nem as eólicas que mudarão Portugal. É o knowhow de todo um conjunto de agentes económicos e até preferências do consumidor que criarão produtos e serviços para, não apenas combater as importaçoes mas sobretudo exportar e recolher riqueza através da competição internacional.
    .
    .
    O Norte de Portugal precisa é de mudar de ideias e acabar de vez com essa ideia cada vez mais ultrapassada de interesse nacional, que não passa de um chavão para os que capturarem o Estado o parasitarem mais. Precisa é de mudar de lideranças políticas no seu mais alto escalão, tanto em governos como até em diplomacia, hoje em dia cada vez mais económica. E não ver embaixadores com a mentalidade de Lisboa a beberem uns copos e a comerem canapés em vulgares festas de representação diplomática, mas pouco produtivas e típicas da época vitoriana.
    .
    .
    Enfim, há todo um Portugal que precisa de ser liberto das amarras de Lisboa e que os deixem voar alto e dar largas ás suas potencialidades. Com este sistema políticos cristalizada, todos iremos ao fundo. Não apenas Lisboa.

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  24. anti-comuna permalink
    27 Abril, 2011 12:36

    Aqui há dias a imprensa alfacinha deu um enorme destaque às mudanças operadas na Zara, quando passou a usar a net como nova forma de vender ao público. Mas em Portugal há já quem o faça e também começa a liderar. Casos como a FlyLondon (de uma empresa do Vale do Ave) ou a Lanidor são casos tugas que raramente são destacados pela imprensa sedeada em Lisboa. Compreende-se. São duas empresas fora de Lisboa. (Aliás, isto é mesmo revelador da forma de pensar de Lisboa. Quando em crise, preferem destacar sucessos de fora que os portugueses. Não é por acaso que as crises no mundo da bola de Lisboa, com os clubes da capital quase arruinados, fizeram subir o número de adeptos do Barcelona e do Real Madrid em detrimento dos portugueses.)
    .
    .
    A Lanidor, outra empresa fora de Lisboa, persegue a liderança nacional na área da moda. Mas não se limita a ser forte no mercado interno, que deve ser o seu principal laboratório para lançar novas colecções. Ela tem uma estratégia de internacionalização mais focalizada e após ter aprendido com os erros anteriores. Mas mais que a estratégia de internacionalização, a Lanidor, tal como a Zara, aposta bastante na internet como forma de vender a sua produção:
    .
    http://www.lanidor.com/SS2011/index.html
    .
    .
    Mas este é um sector tradicional, não é? Mas é fora de Lisboa. Mas para se ser competitivo nesta área é preciso know-how e agilidade para combater as importações e até conquistar quotas de mercado no exterior. E se a Zara é case study de gestão em alguns países, como os USA, ditos os campeões da coisa, tal se deve bastante à agilidade. Mas os portugueses são mesmo os reis e senhores do desenrasca. Leia-se, responder positivamente a desafios inesperados. É por isso que as exportações portuguesas estão novamente a subir bastante. As mudanças que se estão a operar na economia mundial estão a dar oportunidades aos portugueses, que são mais ágeis, fléxiveis e não emperram quando o inesperado acontece. Pelo contrário, é mesmo a resolução de problemas inesperados o ponto forte dos portugueses.
    .
    .
    A Lanidor é um exemplo, mas há uma outra empresa, de Rio Tinto, que também consegue produtos novos de um modo verdadeiramente assustador, fazendo da Zara uma mer mero caracol. A Parfois.
    .
    .
    Mas em Lisboa preferem destacar o que vende e fora quando estão em crise mesmo que fora de Lisboa há bons exemplos a destacar. Por isso, quando o Benfica e o Sporting não ganham nada, clubes de Espanha e da Inglaterra ganham adeptos, em detrimento do que é tuga fora de Lisboa. É um comportamento típico da capital. Et voilá, lá se vai a famosa solidariedade nacional pró galheiro. lolololololololol

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  25. 27 Abril, 2011 12:39

    Não é por acaso que o jornalismo está pior e essa será a tendência de muitas outras áreas onde o estagiarismo ganhou terreno. Como em quase todas as áreas de comunicação (e suponho que noutras também) não se fazem contratos, os trabalhadores “mais antigos” são os primeiros a ser substituídos por miúdos que, por vezes, nem sabem escrever. Estes são apenas alguns dos defeitos cada vez mais sentidos nas diferentes áreas profissionais. O jornalismo é o mais óbvio porque é também o mais visível na sociedade.

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  26. Francisco Colaço permalink
    27 Abril, 2011 12:44

    Dois jornalistas portugueses encontravam-se numa férrea discussão. Um afirmava que a água ferve aos 100 graus, outro contrapunha que fervia aos 90. Nenhum arredava pé.
    .
    O director do jornal, homem de larga coltura (erro intencional e não resistido), formado nas mais independentes universidades portuguesas, dá razão ao primeiro, que dizia que água ferve aos 100 graus. Esclarece ao segundo:
    .
    — Caríssimo, está a confundir a água com o ângulo recto. A água ferve aos 100 graus. O ângulo recto ferve aos noventa.

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  27. Francisco Colaço permalink
    27 Abril, 2011 12:45

    Ativo,
    .
    ser substituídos por miúdos que, por vezes, nem sabem escrever.
    .
    Vá lá, está a ser generoso!

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  28. tina permalink
    27 Abril, 2011 13:13

    “Agradeço-lhe os elogios (tenho o azar ou a sorte de ser um engenheiro), e lembro que 90% da câmara de deputados chinesa é constituída por engenheiros, ao que ouvi.”
    .
    Mas deveria ser cada vez mais assim em todos os países. Hoje em dia há tantas questões técnicas em discussão, as “alterações climáticas”, nuclear, alimentos geneticamente modificados, etc, e são deputados completamente ignorantes na matéria que decidem sobre elas. Isto é muito preocupnate a nível da UE, porque esta gente está sempre a fazer leis para proibir qualquer coisa e não sabem do que falam. Além disso, naturalmente os engenheiros têm um raciocínio e uma lógica melhores, que ajudaria a optar pelas melhores soluções em qualquer assunto.

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  29. Fincapé permalink
    27 Abril, 2011 13:22

    Ainda ontem, na entrevista à TVI, quando Sócrates falou no superávit dos primeiros meses deste ano, fiquei à espera que a jornalista Judite o obrigasse a explicar muito direitinho esses resultados para ver se se deviam a truques de contabilidade. Mas a senhora, entusiasmada com o aparecimento de Passos Coelho com a mulher, nem quis saber de superávits. Queria era saber se ele também iria aparecer parolamente com namorada nova na campanha. Tristes jornalistas tão iguais aos tristes políticos!

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  30. Francisco Colaço permalink
    27 Abril, 2011 13:25

    Tina,
    .
    Contra mim falo, mas quando nós, portugueses, tivemos engenheiros como primeiro-ministro a situação não foi muito famosa. Falo de António Guterres e de José Sócrates.

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  31. Fincapé permalink
    27 Abril, 2011 13:39

    As decisões políticas devem ser tomadas por… políticos. Os políticos estão cheios de assessores até ao pescoço. Boys sem qualquer préstimo. Escolham bons assessores, documentem-se e informem-se sobre os assuntos, ouçam a opinião pública e, na hora de decidir, decidam em consciência. Sejam engenheiros, contabilistas ou comerciantes. A Assembleia da República deveria ser mais diversificada quanto à formação dos deputados. Isso eliminaria os lobbys que tudo fazem para as leis os favorecerem. No caso dos engenheiros, veja-se por onde andam alguns que passaram pela política. Assim que sairam, foram ao encontro dos arranjinhos que fizeram. E estão bem na vida, graças à sua falta de vergonha.

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  32. zazie permalink
    27 Abril, 2011 13:42

    Então, ó desocupado, não és tu que conheces coisas mais agradáveis para se fazer ao vivo?

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  33. Francisco Colaço permalink
    27 Abril, 2011 14:01

    Dois jornalistas em viagem pelo Serengueti discutiam:
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    — É o Sol!
    — É a Lua!
    — É o Sol, meu papalvo! Não vês que é o Sol?
    — Não é nada o Sol, é a Lua! Se consegues olhar para ela, tem de ser a Lua.
    .
    Acompanhava-os o director do jornal, homem de coltura e formado pelas universidades mais internacionais e independentes deste país. Este é apanhado por eles a discutir. Os dois, em desespero, colocam-no como árbitro da discussão. Pedem-lhe uma opinião. Este olha para o astro, cofia a barba, coça a testa, olha de novo e por fim dita a sua sentença:
    .
    — Na verdade não sei. Também é a minha primeira vez por cá.

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  34. anti-comuna permalink
    27 Abril, 2011 14:17

    Fora de Lisboa, um mundo em mudança.
    .
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    Enquanto Lisboa está como uma barata tonta à espera de um milagre, algumas coisas mostram que há algo de novo em Portugal. Um Portugal que em vez de se lamuriar luta contra a imtempérie.
    .
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    Acima dei dois exemplos de como a procura da liderança no mercado doméstico pode catapultar uma empresa para um forte crescimento no exterior. A Icel e a Lanidor são exemplos práticos que a concorrència interna gera potenciais campeões internacionais. Ou seja, é a a competir em mercados concorrenciais que se ganha músculo para se sair vencedor. Se esses são dois exemplos, há outros dois que merecem destaque e atenção. O grupo Jerónimo Martins e a Sonae.
    .
    .
    Aqui há uns anos foi polémica a decisão de liberalizar o mercado da distribuição, em especial porque o comércio tradicional se queixava destes novos fortes players e, alguns ainda, temiam que as empresas internacionais abocanhassem os players nacionais. Se fosse hoje, diriam que os neoliberais ou ultraliberais queriam destruir o tecido económico nacional.
    .
    .
    Mas a liberalização do sector do comércio veio trazer um novo ambiente competitivo ao mercado nacional. E tão competitivo foi que tivemos quase todos os grandes players internacionais a entrarem pelo mercado dentro. No entanto, ao contrário do que muitos pensavam, não apenas os players nacionais resistiram à concorrência como até ganharam músculo para competir lá fora. O grupo Jerónimo Martins é em si mesmo um caso de sucesso na Polónia. Tanto sucesso obteve que estuda novas oportunidades em outros mercados. Outro caso que aguentou o embate foi a Sonae, que em vez de cair nas mãos dos estrangeiros, tem vindo a conquistar quota de mercado. E estes dois players se tornaram tão fortes, graças à concorrència feroz, que além de baterem a concorrência, estão no bom caminho para crescer lá fora. Mas poderosos players, como os franceses da Auchan, acabaram por desisitr do mercado nacional, por incapacidade de rentabilizar os seus investimentos.
    .
    .
    Tudo isto serve de ilustração que os portugueses não deveriam ter medo da concorrência. Seja ela chinesa, marroquina, francesa ou até finlandesa. Daí que se pode concluir. Os portugueses têm medo da concorrência porquê? Se acabam por conseguir bater os seus concorrentes em muitos segmentos de mercado?
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    Os portugueses quando concorrem abertamente contra os demais conseguem fazer milagres. Por exemplo, a Portucel está a conseguir dominar o mercado de papeis finos. À custa de quem? Dos nórdicos, em especial finlandeses. Ou seja, nem o “milagroso” sistema educativo finalndês está a salvar parte do tecido produtivo da Finlándia, que vive hoje uma crise interessante. É a Nókia que despede milhares de trabalhadores, como antes os concorrentes da Portucel, incapazes de bater os portugueses. Mas muitos líderes políticos portugueses têm medo da concorrência.
    .
    .
    A Icel e a Lanidor conseguem fazer do mercado doméstico uma espécie de laboratório para criar novos produtos e serviços para até gerar boas vendas no exterior. Mas a Sonae também. Vejamos o que ela, a Sonae informou o mercado:
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    “SONAE SR

    Aumento do volume de negócios em 12%, com um crescimento de 1% das vendas numa base comparável;
    .
    Reforço de liderança nos sectores de electrónica de consumo e desporto em Portugal;
    .
    ƒ Crescimento sustentável das operações em Espanha, muito sustentado por um desempenho positivo das vendas numa base comparável;
    .
    em 2010, as vendas em Espanha representaram aproximadamente 20% das
    vendas da Sonae SR;
    .
    ƒ Aumento da área de vendas em 60 mil m2 para um total de 364 mil m2, equivalentes a 503 lojas de retalho especializado no final de 2010;
    .
    a área de vendas fora de Portugal aumentou em 94%, a totalizar 89 lojas no
    final do ano. ”
    .
    In http://www.sonae.pt/fotos/editor2/vendaspreliminares.pdf
    .
    .
    O retalho especializado da Sonae, não apenas consegue reforçar a liderança no mercado doméstico como consegue crescer bem no exterior. E, ainda mais importante, pelo forte sentimento proteccionista do consumidor espanhol, a Sonae está a conseguir crescer bem em Espanha, que ainda por cima crise uma crise elevada.
    .
    .
    Isto serve para demonstrar que a saída da crise portuguesa não está em fechar os mercados à concorrência, nem os proteger da competição intensa do exterior, nem lhes dar muitos subsidios. A saída da crise portuguesa passa por abrir mercados internos à forte concorrência, porque mesmo que muitas empresas falhem, as sobreviventes geram vantagens competitivas que depois podem atacar os mercados externos. E isto até devia ser celebrado, que as empresas portuguesas podem vencer num mundo bastante competitivo. E não são barreiras invisiveis ou mais menos disfarçadas que geram campeões nacionais. São mercados abertos, livres e concorrenciais.
    .
    .
    É triste o que assiste hoje na opinião publicada. Não sabem como sair do buraco em que nos metemos. Alguns até pensam que é dar dinheiro e subsidios a algumas empresas que fará Portugal sair da crise. Não. É resolver os problemas crónicos do despesismo público e do seu endividamento e é apostar em abrir mercados internos a mais concorrência, para gerar novos competidores à escala internacional.
    .
    .
    É triste que tantos peçam crescimento económico mas não saibam como o promover. Pensam que é proteger da concorrência as empresas já estabelecidas e até subsidiar exportações. Mas não o é. A saída da crise deve ter duas componentes. A política orçamental e a política económica. Ambos estão bastante ligadas mas uma sem a outra não funcionam. Tanto é preciso gerar orçamentos superavitários como abrir o mercado interno à concorrência. Porque será esta concorrência que gerará os campeões nacionais.
    .
    .
    Mas o sistema político de Lisboa, capturado por uma rede de interesses e de corrupção não o entende ou não o quer. Pensa que o dinheiro vai cair do ceu ou o crescimento económico é induzido pelo Estado através de subsidios, investimentos públicos ou choques tecnológicos. Enfim, Lisboa cristalizou-se e com ela o sistema político. Assim sendo, quanto mais depressa o Norte conseguir a Independência, mais depressa gera riqueza para viver acima da média europeia.

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  35. tina permalink
    27 Abril, 2011 14:38

    Francisco, mais sobre jornalistas:
    Jornalista da RTP:
    É trágico! Está a arder uma vasta área de pinhal de eucaliptos! (trata-se de uma nova variedade de árvores…)
    Uma jornalista da TVI:
    “Estão zero graus negativos.” (ok)
    Comentário de uma jornalista sobre o caso Aquaparque:
    “Os aquaparques têm feito, durante este ano, muitas vítimas, que o digam os dois mortos registados este mês…”. (em directo além!)
    Lídia Moreno – Rádio voz de Arganil:
    Quatro hectares de trigo foram queimadas…Em princípio trata-se de um incêndio. (em princípio, pois até se pode tratar duma inundação…)
    A meio de um relato de futebol:
    “Chega agora a informação…o jogador que há pouco saiu lesionado foi vítima de uma fractura craniana no joelho.” (mais um caso raro na medicina!!!)

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  36. certo permalink
    27 Abril, 2011 14:40

    Piada aqui e outra ali, sem grandes mal-entendidos,
    desta valeu-me passar os comentários todos por ver quanto
    entusiasmo vai com o anti-comuna, que deus guarde,
    como por ler o elogio aos engenheiros.

    E para mim não há escrita mas gostosa que essa à volta da produção do Norte.
    Obrigado, anti-comuna.

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  37. Francisco Colaço permalink
    27 Abril, 2011 14:45

    Tina,
    .
    Exemplos deliciosos.
    .
    Fazem-me lembrar uma outra anedota sobre jornalistas estagiários. Discutiam porque o avião que se fazia à pista era o avião que levava o presidente dos Estados Unidos. Um dizia que sim, o outro que não.
    .
    O director do jornal, de atributos moderna, independente e lusofonamente certificados, derime a discussão:
    — Não é o avião do presidente. Faltam-lhe as motinhas de escolta.

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  38. 27 Abril, 2011 15:01

    Face a isto, passaria já a propor que os passes sociais da Carris, PT e Metro(s), bilhetes de avião da TAP deixem de ser pagos. Assim, teríamos um défice inferior, pela certa.
    Curiosamente, o mesmo Público, na segunda notícia, na mesma página, argumenta que os subsídios (Férias e Natal) pagos com Certificados de Tesouro é uma medida a não recorrer pois não tem influência na dívida e no défice. Claro que não interessa nada que a dívida seja mais interna (juros pagos a nacionais) e menos externa (juros pagos a bancos estrangeiros) e que a poupança seja incrementada, mesmo que forma “forçada”. Interessará mesmo é cortar nesses subsídios, ordenados e pensões, o que assegurará o pagamento de uma dívida bem estrangeira, com bons (para eles) e altos juros associados. E nós vamos nisto…
    http://notaslivres.blogspot.com/2011/04/surrealismo.html

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  39. anti-comuna permalink
    27 Abril, 2011 15:14

    Caro Certo, quanto a isto:
    .
    .
    “E para mim não há escrita mas gostosa que essa à volta da produção do Norte.
    Obrigado, anti-comuna.”
    .
    .
    Devo-lhe dizer que Lisboa poderia conseguir realizar verdadeiro milagres económicos, se em vez de chorarem e parasitarem o país, se concentrassem em actividades que gerassem valor acrescentados em ambiente concorrencial. E olhe que eu acredito que Lisboa poderia competir bem no espaço internacional, mas para isso era preciso mudar as mentalidades de Lisboa, em especial as suas élites. E vou-lhe dar um exemplo disso mesmo. O grupo Sumolis, sedeado em Carnaxide.
    .
    .
    Logo a abrir, destaco uma coisa que veio no seu último relatório de contas publicado:
    .
    “Inovámos. Investimos. Estivemos lá. Adaptámo-nos aos nossos consumidores. Arriscámos.
    Fizemos loucuras. Ajudámos quem nos ajudou. Crescemos em Portugal e no resto do Mundo!”
    .
    In http://www.sumolcompal.pt/app/uploads/relatorios/2706970604d9f54d35534b.pdf
    .
    .
    E de facto este grupo está a fazer uma grande reestruturação, a projectar novos produtos e internacionalização. De notar que este grupo empresarial conseguiu aguentar o embate da queda dos mercados domésticos, aumentando as vendas e sua quota de mercado e, melhor ainda, crescendo nas vendas ao exterior na casa dos 18%.
    .
    .
    É dos poucos exemplos de Lisboa que tenta crescer em mercado aberto e concorrencial, no entanto, como é norma em Lisboa, não deixa este grupo de realizar negociatas com o poder político e com o braça financeiro armado do Estado, chamado CGD. Mas não quero destacar coisas más nesta empres, mas as boas e como esta empresa (e outras como ela, como a Unicer ou até mesmo a Centralcer) pode contribuir para tirar o país do buraco em que nos meteram.
    .
    .
    Hoje em dia, da esquerda á direita, vemos muita gente a dizer, candidamente: é preciso voltar a apostar na agicultura, na industria e nas exportações. Isto é dito tanto por Freitas do Amaral como até pelo Jerónimo de Sousa. A questão é velha como sempre. Como? Como podemos gerar uma agricultura competitiva? Uma industria competitiva?
    .
    .
    Se no plano das intenções têm todos bom coração, na forma de lá chegar são uns azelhas. Porquê? Porque acham que o Estado pode induzir crescimento económico pela via das intervenções directas e indirectas, pela via dos subsidios ou até formas encapotadas de proteccionismo. Mas essas ideias, em vez de gerarem crescimento económico, apenas enterram mais o país.
    .
    .
    Pego na agricultura. Como é que Portugal pode gerar uma agricultura competitiva? Através de subsidios? Não. Através da industrialização do tecido produtivo agricola. O que quero dizer com isto? É com empresas como a Sumolis que Portugal poderá desenvolver uma agricultura competitiva. É através da industria que a agricultura portuguesa poderá ser competitiva. E é com uma industria a competir contra os seus mais fortes concorrentes que gerará as vantagens competitivas que permitirão que as maçãs, laranjas ou peras portuguesas sejam vendidas no exterior através do aumento do valor acrescentado destas matérias-primas. Ou até através da venda de cerveja no exterior que incluirá nos seus produtos matérias-primas produzidas em Portugal. Como o malte por exemplo, ou a cevada.
    .
    .
    É acrescentar valor ao produto agricola nacional que gerará uma agricultura portuguesa competitiva. Mas para o fazer, este tipo de empresas tèm que ter como principal preocupação criar produtos e serviços que os clientes apreciem. E paguem por eles. mas para isso é necessário gerar um forte ambiente competitivo em Portugal, eliminando barreiras á entrada de novos competidores, sejam eles portugueses ou estrangeiros.
    .
    .
    É claro que o Estado tem aqui um papel. Mas não tanto em intervir como muitos pensam, mas antes criar um ambiente regulatório, competitivo e até de fiscalização exigente sobre este tipo de produtores. O Estado até pode investir em sistemas de distribuição de água, de regiões para ouras e ajudar a agricultura. Pode até ajudar a enfrentar o desafio da baixa qualidade através do combate à fraude destes sectores. Pode até ajudar a transferir conhecimento do mundo académico para o empresarial. Mas não é a proteger os portugueses que os vão tornar mais ricos. Pelo contrário, quanto maior a concorrência, maior a probabilidade de surgirem competidores portugueses com estaleca a competir nos mercados internacionais.
    .
    .
    O problema é este. É verdade que temos de crescer mas para o fazer, o Estado deve ser mais árbitro e fiscalizador e menos interventor. Além disso, o Estado ou quem quer que seja não consegue saber quem será capaz de vencer nos mercados internacionais, logo o melhor são políticas “neutras” quanto aos futuros vencedores. Ou seja, tanto pode ser a Sumolis a tornar-se um grande competidor internacional, levando a produção portuguesa a conquistar quotas de mercado, como pode ser a Unicer ou até mesmo um novo concorrente. Não o sabemos. O que sabemos é que é a forte concorrência interna que gera as vantagens comparativas que no futuro poderão levar a produção portuguesa a conquistar os mercados internacionais.
    .
    .
    E esta empresa de Lisboa está no bom caminho. Outras tantas poderiam seguir-se, até porque em Lisboa existem potencialidades enormes. Mas quando a mentalidade é gerar parasitagem ao resto do país em vez de competir no mercado e ganhar músculo para depois competir a escalas internacionais…
    .
    .
    Mas as élites de Lisboa e suas mentalidades são como são. Se não querem mudar, o problema é deles. Mas quem acredita que pode chegar lá através de métodos correctos, não pode deixar de pensar que é preciso uma ruptura com esta mentalidade parasita. Por isso defendo cada vez mais a Independência do Norte. Não porque tenha medo da concorrência mas precisamente o contrário. Eu sei que é em concorrência aberta que o Norte poderá gerar riqueza, crescimento económico, empregos e uma sociedade mais justa.

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  40. 27 Abril, 2011 15:47

    Tina:

    As agências de rating trabalham em base de caixa.

    A primeira coisa que um analista faz é reconstruir os fluxos financeiros esperados de cada estado a partir da informação disponível.

    Se se disser que não vamos cobrar portagens, os juros da dívida soberana têm mais probabilidades de subir e os ratings de descer do que se alterarmos os critérios contabilísticos para relfectir a verdade. Nada pior para um analista do que encontrar aldrabices nas contas. À realidade negra soma-se a desconfiança.

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  41. 27 Abril, 2011 15:49

    ” A empresa é a http://www.seed-studios.com/, sedeada no Porto e vai lançar para a semana, na plataforma da Playstation da Sony um dos jogos sensação, o Under Siege, que poderá mesmo lançar Portugal na alta roda deste tipo de produção.”

    Ou muito me engano ou esse jogo já foi lançado há 2 ou 3 anos, sem grande sucesso.

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  42. Lionheart permalink
    27 Abril, 2011 15:58

    Anti-comuna, acho que exagera largamente o peso económico do Norte e da sua pujança produtiva. As empresas que fala não têm peso para alavancar o crescimento dessa região, quanto mais do país. Isso é um mito. E é verdade que no Norte predominam as injustiças na repartição dos rendimentos, de uma forma escandalosa. Os licenciados ganham muito menos do que em Lisboa e são obrigados a trabalhar mais. Os pedreiros e os serralheiros na zona de Lisboa ganham mais que muitos engenheiros no Norte. Sei do que falo.
    .
    Quando se desindustrializa depois é o cabo dos trabalhos para voltar a ganhar competências. Num país com parcos recursos humanos e em capital, como o nosso, é ainda pior. Veja-se o caso da indústria da construção naval no Norte, mais precisamente os Estaleiros de Viana do Castelo. O primeiro navio patrulha oceânico foi entregue à Marinha com 5 anos de atraso… O LPD está visto que nunca teriam capacidade para o fazer cá, em tempo útil. É assim. A baixa produtividade do sector, para além da perda do know-how, deu nisto, apesar dos alemães terem entregue o projecto dos patrulhões como uma das contrapartidas do contrato dos submarinos.
    .
    Mas para que não pensemos que isto é só connosco, o Reino Unido está com muitas dificuldades em direccionar a sua economia para a exportação, precisamente porque a indústria representa apenas 10% da economia hoje em dia. Desindustrializaram em excesso, pensando que os serviços e o consumo podiam alavancar a economia e hoje, com uma das maiores dívidas externas do mundo, não têm escolha senão reequilibrar a economia. O problema é que será um processo muito mais demorado e doloroso por causa por causa da desindustrialização e das desigualdades regionais, que têm sido mitigadas com algo que não se vai poder manter: o investimento público.
    .
    Portugal está muito pior, porque é um país mais pobre, tem uma indústria menos competitiva, tem menos massa crítica, muito menor qualidade no ensino superior e uma situação política caótica. Apesar de tudo, os “camones” actuaram antes que os mercados lhes caíssem em cima e isso foi uma ajuda muito grande para o sector privado.

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  43. 27 Abril, 2011 16:03

    Desculpem lá… mas alguém tem paciência para ouvir as anormalidades que o anti-comuna escreve acerca de Lisboa? Ó homem compra um CD de fato da Amália e vai ouvir que isso passa!

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  44. José Manuel Moreira permalink
    27 Abril, 2011 16:03

    Mas o mais incrível é o jornal, próximo PS mas a fugir para o BE, ser pago ou subsidiado por um tal BA. O JM tem razão, estamos feitos para este assumido e “público” mundo surreal: que vai do jornalismo à política, sem desprezar as contas.
    JMM

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  45. Arlindo da Costa permalink
    27 Abril, 2011 16:19

    Acho que o BA tem de devolver à sociedade parte daquilo que ele arrecadou e arrecada.
    Não esquecer que Portugal não tem capitães de indústria. Tem é merceeiros que ficaram milionários à conta do endividamento do Estado, pois «enxugaram» todos os meses os ordenados dos funcionários públicos, pensionistas e reformados.
    Aliás, o débito do Estado tem sido o crédito destes poltrões do comércio de coisas estrangeiras.
    Fechar esses antros de consumo e de podridão alimentar devia ser o próximo paradigma económico…

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  46. Francisco Colaço permalink
    27 Abril, 2011 16:27

    Arlindo da Costa,
    .
    Palavras sábias. Vamos acabar com as verdadeiras sanguessugas do Estado.
    .
    Começamos então pela Mota-Engil, pela Opway e pela Portugal Telecom, de longe as piores.

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  47. tina permalink
    27 Abril, 2011 16:32

    jcd,
    Obrigada pela explicação. Já agora, acha que a insistência no TGV pode afectar os ratings? E ainda outra pergunta, porque é que os juros da Grécia já estão a 24%? Obrigada.

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  48. anti-comuna permalink
    27 Abril, 2011 16:43

    “Ou muito me engano ou esse jogo já foi lançado há 2 ou 3 anos, sem grande sucesso.”
    .
    .
    O jogo era para ser lançado hoje mas como a Playstation sofreu um sério atack de um hacker no seu servidor online, e está fechado há vários dias, em principio só para a semana será lançado mas no mercado americano. Se for à página do Facebook deles terá mais informações.
    .
    .
    Atenção, convém não confundir também versões beta com lançamento reais. Nem sei se houve versões beta abertas. Só testei uma recentemente e não de uma empresa tuga, portanto, sinceramente passa-me ao lado essa questão.
    .
    .
    Caro Lionheart, é verdade que o Norte não revela a pujança económica que devia, mas é precisamente porque numa economia como a portuguesa, em que as actividades rent seeking roubam recursos ao tecido produtivo, gera dois grandes problemas. Um é a de que a rentabilidade dos capitais próprios do tecido produtivo cai e torna-se insutentável a própria sobrevivência de grande parte do sistema produtivo. E sofre mais o tecido produtivo aberto á concorrência porque sofre os efeitos maléficos das entidades rent seeking. Daí que, como aquele paper eu aqui apresentei, na prática um país com elevadas actividades rent seeking acaba por concentrar demasiado as suas exportações, logo tecido produtivo.
    .
    .
    O caso inglês não é bem semelhante ao tuga. Como bem nota, eles têm dificuldades em conseguir direccionar produção para a exportação, mas porque é o próprio tecido produtivo que não o deseja, por obter margens mais elevadas no mercado interno. No entanto, como também bem o diz, eles têm uma base de partida melhor, até porque têm actividades rent seking menores e, ainda, têm um conusmo público e privado empolado, que acabará por obrigar o tecido produtivo a procurar os mercados externos quando as margens no mercado doméstico cairem.
    .
    .
    A questão é saber se um garrote sobre o consumo público e privado não irá gerar um colapso na economia britànica. Porque, como o tecido produtivo inglês não consegue gerar margens capazes de exportar, talvez tenha que haver um colapso económico para ajustar salários e inflação para níveis internacionais. Um bocado à semelhança do que aconteceu no Japão há cerca de 20 anos atrás, em que a valorização do yene estoirou com a bolha salarial japonesa. E a bolha dos preços do mercado doméstico face aos seus concorrentes internacionais.
    .
    .
    Aqui o que eu quero que se registe é o seguinte. O Norte do país é o que tem as melhores condições para gerar campeões internacionais. Eu não sei quem vai ser a “zara tuga”, mas tenho a certeza que o caldo de cultura e condições para que surja uma a norte existe. Vamos ver se eu não tenho razão.
    .
    .
    Só gostaria de o corrigir numa coisa, que é uma ideia feita errada. Não são as grandes empresas que geram países competitivos. Essas grandes empresas costumam apenas ser o resultado de um processo. São as PMEs que geram uma economia produtiva. E são elas os motores económicos dos países, do crescimento económico, da criação de riqueza e do emprego. E quanto mais empresas grandes existem num país sem terem um tecido económico sustentado em PMEs, piores os crescimento económicos. Basta ver as crises do passado em países como a Argentina, Brasil, ou agora os USA e até o UK. O caso japonês é um bocado diferente porque a crise foi mais devido ao proteccionismo que gerou preços internos anormalmente altos face aos concorrentes internacionais, que á falta de uma rede de PMEs à volta dos conglomerados japoneses. Repare-se que os conglomerados koreanos não passaram pela mesma crise que os japoneses.
    .
    .
    As empresas grandes são boas para servir de bandeira de um país ou região. De até servirem como exemplos, mas não são elas que geram países competitivos. São as PMEs, ditas em cluster, reunidas à volta de um sector económico ou até uma empresa grande, aqui em especial na Ásia.
    .
    .
    No entanto, caro Lionheart, no Norte estão a surgir os futuros campeões internacionais. Vc. é que não ouve falar deles porque a nossa imprensa só vê Portugal como Lisboa, já que o resto é paisagem. para ter conta do que eu digo, tome atenção à Efacec, que hoje já factura mais de mil milhões de euros e parece uma empresa pequena. E no entanto, além de facturar acima da fasquia dos mil milhões de euros, está a crescer a um ritmo verdadeiramente notável, para uma empresa que ccresce pela via orgânica. Portanto, cuidado que o Norte começa a gerar empresas com massa crítica bastante grandes, que podem marcar o futuro do Norte de um modo bastante marcado e inexorável.
    .
    .
    A ver vamos se nos próximos 10 anos estes campeões do Norte não mostrarão as suas garras. ;))

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  49. certo permalink
    27 Abril, 2011 16:57

    Eu sei, anti-comuna, que não visava a guerra, mas a sã concorrência, e alegra-me é sentir o seu entusiasmo. Um entusiasmo e conhecimento das realidades, que agrada e com que se aprende. O mesmo no referente às mentalidades, se o entendo, de sempre mais e mais despesismo centralista, em face da busca, aqui e ali, de padrões de produção competitivos, a julgar pelos exemplos, ao nível do melhor que se faz lá fora.
    Mas nem a mim me leva a rixa Norte-Sul ou Lisboa-Porto, se vivi quase trinta anos no coração da capital, que muito prezo, como não me sinto órfão de pátria se o Benfica e o Sporting não ganham e não competem o que deviam, como felizmente o traduz a maior alma a Norte.
    E resumo com a ideia que me toma ao longo dos seus textos, desde há muito, não de agora, apenas, assim houvesse mais gente, muitos homens e mulheres aptos a pensar assim de forma livre, sábia, crítica e independente.
    E olhe que ainda lembro tempos em que lhe recomendei calma e tento, por ser compassivo e não malhar tão forte e duro no “líder”, o nosso primeiro. Não por dever de algum favor ou especial aderência, além do respeito que se me esgotou depois de só tarde ver como o ‘anti-comuna’, usted e pequeno número de outros cidadãos estavam tão certos.
    Mas tenho-o por sábio diante do saber e acerto com que discorre acerca da vida económica, social e política, como quem sabe ver, com inteligência.
    E se eu tivesse uns milhões, convidava-o a dirigir-me a empresa que ainda desse, a Lisboa e lá fora, umas cartas.

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  50. Qlido permalink
    27 Abril, 2011 17:02

    anti-comuna, de 2007 para cá, todos baixaram, mas o maior trambulhão nas exportações nacionais foi no norte.

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  51. Qlido permalink
    27 Abril, 2011 17:06

    Acho patética essas discussões de Lisboa vs.Norte, como se não houvesse merda por todo o lado, e coisas boas também. Não é esse o problema, e Lisboa não tem culpa que os burocratas se sentem por lá. Já agora anti-comuna, não seja tão selectivo, o que não faltam é bons exemplos fora do norte. Por exemplo, conhece http://www.sovenagroup.com ?

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  52. anti-comuna permalink
    27 Abril, 2011 17:08

    Por norma costumo olhar para as PMEs como sinais de pujança económica de um país. Foi assim que eu apelidei de milagre económico alemão quando ainda todos diziam que a Alemanha era socialista e sem uma luz ao fundo do túnel.
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    Por isso, é nas PMEs tugas que eu procuro entender o que se passa com o tecido português. E as PMEs tugas estão a revelar bons sinais de que estão com algum músculo para mostrarem coisa bonitas que são capazes de o fazer.
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    Um bom sinal é ir a um supermercado de um país qualquer e tentar ver os produtos que são vendidos por PMEs. E em Portugal houve uma explosão nos últimos anos de PMEs que lançaram novos produtos e serviços. Isso nota-se bem quando se visita os supermercados portugueses. Desde produtos da área alimentar até brinquedos se nota.
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    Mas no Norte começam a surgir grupos que facturam muito e que passam ao lado dos holofotes da imprensa tuga, mais virada para o seu umbigo lisboeta. Dou outro exemplo, de uma empresa que o ano passado terá crescido bem e que terá facturado acima dos mil milhões de euros: o grupo RAR: http://www.rar.pt/ .
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    É verdade que esta empresa tem crescido tanto pela via orgànica por por aquisições. E até está bem diversificada, embora com alguns erros de monta, como aquele que gerou uma açambarcamento de açucar em Portugal. Pese embora este grupo actue num sector protegido da concorrência (que estranhamente a Autoridade da Concorrência parece fechar os olhos – será que ainda existe Autoridade da Concorrência em Portugal?), o dos açucares, noutros sectores actua num ambiente concorrencial bastante forte. Como o das embalagens. Mas é no sector alimentar que está a revelar surpresas, isto depois de quase ter fechado as portas. A sua estratégia de elevar o valor acrescentado da sua produção principal, açucar, gerou interessantes resultados que podem bem mostrar que a Norte pode surgir mais um campeão internacional.
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    No entanto, grupos como este, a RAR ou até mesmo a Corticeira Amorim (que está a tentar diversificar o valor acrescentado à cortiça9, mostram que há aqui sinais de algo bem mais forte do que pensamos. E poderiamos ir a outros grupos, como a Solidal, por exemplo. Mas o que eu realçava é que, pese embora pareça não existir grupos a Norte grandes e fortes, eles existem. Não são é conhecidos do grande público porque, mais uma vez, a imprensa económica tuga vive para o seu umbigo e depende quase exclusivamente da política para sobreviver. O que é estranho, pois esta imprensa económica mais parece imprensa política que económica. O que é ainda mais desconcertante do tipo de imprensa que temos em Portugal. Enfim, coisas de Lisboa.

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  53. anti-comuna permalink
    27 Abril, 2011 17:16

    “anti-comuna, de 2007 para cá, todos baixaram, mas o maior trambulhão nas exportações nacionais foi no norte.”
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    Sim, foi no Norte. Mas devido ao colapso previsivel de um projecto político: a Quimonda. Andaram a subsidiar exportações e viu-se no que deu. Agora ainda tentam salvar o pouco que resta dela, duvido que o consigam mas oxalá o consigam.
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    Se excluir a queda das exportações devido a encerramentos de multinacionais ou deslocalizações, verá que o Norte tem crescido bem. E não parece. Como exemplo paradigmático disto mesmo ponha os olhos no calçado português. As exportações portuguesas continuaram a crescer mesmo com a fuga maciça das multinacionais do sector. Ou seja, a produção nacional tomou o lugar à produção das multinacionais. O que demonstra que algo mudou no Norte.
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    O caso Sovena conheço-o, caro Qlido e é outro exemplo de como as élites de Lisboa podem ganhar dinheiro sem parasitarem o resto do país. É verdade que essa empresa está integrada num grupo parasitário, mas é a prova provada que os grupos de Lisboa podem crescer e ganhar dinheiro sem parasitarem o país. Tanto a Nutrinveste como a Efacec, do mesmo grupo, mostram que é possível um outro país em Portugal. Mas infelizmente o sistema de Lisboa é como é e só lamento-o.

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  54. Qlido permalink
    27 Abril, 2011 17:25

    Qual é a diferença entre um autarca de Braga que endivida a câmara municipal em mais de 30 milhões € para construir um estádio de futebol, de um de Matosinhos que ainda hoje fez a mesma coisa , ou de autarcas do Alentejo que constroem um aeroporto onde nos anos 50 alemães construíram uma base aérea para testes por ser das regiões mais desabitadas da Europa, ou de uns autarcas que constroem autódromos no Algarve, em que diferem esses dos políticos de Lisboa ? Não é tudo a mesma estirpe xuxualista ? O problema está nas regiões ou o problema está nos líderes e nas políticas ? Por mim mudem o Parlamento, Belém e São Bento para as Berlengas e discretamente avisem a Força Aérea que é ali o novo campo de tiro. Lisboa agradece.

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  55. 27 Abril, 2011 17:28

    Anti-comuna, à tempos trabalhei com um empreendedor lisboeta. Estava sempre a brincar com ele, dizia-lhe:
    – Um empreendedor lisboeta? Isso não existe, é um oxímoro, é uma combinação académica de laboratório que não existe na vida real… como o tecnécio.
    Ainda nos ríamos os dois com a cena.

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  56. anti-comuna permalink
    27 Abril, 2011 17:43

    Um exemplo interessante no sector do calçado:
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    “As empresas de calçado exclusivamente portuguesas estão a conseguir adaptar-se a um novo modelo competitivo e a migrar a produção para segmentos de mercado cada vez mais exigentes e, por essa via, a alavancar o sector em Portugal. Segundo dados do Gabinete de Estudos da APICCAPS, as exportações das empresas totalmente portuguesas aumentaram 22% entre 2000 e 2008, para um total de 1131 milhões de euros.
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    Em termos gerais, as empresas exclusivamente portuguesas têm actualmente uma quota de 89% do total de calçado exportado. Um número bem diferente do registado em 2000. Com efeito, o peso relativo das multinacionais instaladas em Portugal recuou de 39% para 11% em apenas oito anos.
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    Os dados apurados permitem concluir que, de 2000 a 2008, as exportações das empresas de calçado de capital estrangeiro caíram 72,6%. Em termos absolutos, há uma quebra de 423 milhões de euros nas exportações das multinacionais, passando as exportações de 583 milhões em 2000 para apenas 160 milhões de euros em 2008.
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    Outro dado curioso prende-se com o reforço da capacidade exportadora da indústria portuguesa de calçado desde o ano 2000. Assim, não obstante o desinvestimento directo estrangeiro, o peso das exportações na produção nacional de calçado passou de 87,2% em 2000 para 95,5% em 2008. Por outras palavras, foram as empresas exclusivamente portuguesas que permitiram que o sector de calçado se tivesse afirmado neste período como o sector mais internacionalizado da economia portuguesa.
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    in http://www.apiccaps.pt/web/guest/home?p_p_id=101_INSTANCE_P1fs&p_p_lifecycle=0&p_p_state=normal&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-1&p_p_col_pos=1&p_p_col_count=6&_101_INSTANCE_P1fs_struts_action=%2Fasset_publisher%2Fview_content&_101_INSTANCE_P1fs_urlTitle=calcado-resiste-portuguese-exports-increased&_101_INSTANCE_P1fs_type=content&redirect=%2Fweb%2Fguest
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    Este é um exemplo de como as empresas portuguesas resistiram ao colapso da fuga maciça das multinacionais. E isto era previsivel que aconteceria. Não sou só eu que o digo. O Pedro Arroja ( http://portugalcontemporaneo.blogspot.com/ ) bateu muito na má entrada do €uro.
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    É evidente que concordo que entramos mal no €uro mas mais pela brusca alteração do antigo escudo e pela taxa de conversão do escudo para o aéreo, que estoirou com muitas empresas. Além desse factor (que depois contribuiu para desiquilibar ainda mais o país, porque as privatizações do Guterres a par da forte queda das taxas de juro, em vez de terem servido para gerar superávites orçamentais, apenas serviu para criar o monstro da despesa público, que o JCD apelidou de um modo feliz), os demais factores foram a abertura dos mercados portugueses e europeus à forte concorrência internacional, sem um prazo de adaptação minimo que permitisse ao tecido produtivo a Norte fazer as reestruturações sem estoirar de vez. E isso aconteceu ao mesmo tempo que em Lisboa, com inveja do sucesso de muitos a Norte, se dizia que era preciso o Estado puxar pelos aumentos salariais para destruir as empresas incapazes de pagar mais altos salários. Diziam que era preferivel pagar subsidios de desemprego, estes idiotas de Lisboa.
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    O Norte, desde a crise de 91/93 sofreu uma série de choques externos e internos que era inevitável um forte aumento do desemprego. Dizem alguns que foi deliberado. Eu prefiro acreditar que foi mesmo burrice doentia de muita gente que decide em Lisboa sem fazer patavina ideia do que é trabalhar em sectores abertos á concorrência internacional. E, claro, ao sistema rent seeking implantando em Lisboa. Que deu nas “maravilhosas” PPPs como símbolo desta podridão de Lisboa e suas élites.

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  57. anti-comuna permalink
    27 Abril, 2011 17:47

    Caro CCZ, a generalidade dos empreendedores de Lisboa nascem das negociatas com o Estado. Há para aí uma empresa, que dizem que estaria para ser a google tuga, que parece sobreviver à custa dos dinheiros públicos. Tem uma projecção mediática excelente, fruto de um empreendedorismo mesmo à lisboeta: depende dos dinheiros públicos para manter as portas abertas.
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    Assim também eu. lolololololol
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    Veja-se o post que o Gabriel meteu há minutos para se perceber como funciona o empreendedorismo em Lisboa. lolololololol
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    Ah! Dizem que o Estado deve puxar pela criação de empresas, não é? ahahahhhahhh

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  58. A C da Silveira permalink
    27 Abril, 2011 18:26

    O comissario finlandes Olli Rehn, disso hoje taxativamente que se a Finlandia não aprovar o resgate a Portugal, podemos ir para a bancarrota, porque não há um plano B. Mas a TVI24, está a noticiar de acordo com uma fonte europeia que não identifica, que Portugal vai mesmo receber os 80000 milhões. O comissario Rehn é mentiroso, ou o Alberto Carvalho está a fazer o trabalhinho para o qual foi contratado?

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  59. anti-comuna permalink
    27 Abril, 2011 18:28

    As guerras marxistas levaram a um estereotipo: luta de classes. Ou seja, os interesses dos capitalistas nunca são coincidentes com os dos socialistas ou comunistas. A verdade dos factos não é essa e historicamente os comunas e os xuxas sempre foram alimentados por capitalistas e pelas élites. Até em Portugal grande parte dos betinhos alinha pelas ideias do BE.
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    Um grande homem a mostrar como as coisas não são bem assim foi o Sutton ( http://en.wikipedia.org/wiki/Antony_C._Sutton ) e embora a sua primeira grande obra tenha sido um choque para muita gente, na realidade ele não se ficou por ali e continuou a mostrar como o comunismo foi alimentado, não apenas por jogos geoestratégicos do Estado (neste caso, sobretudo alemão e americano) como foi mais longe a mostrar que os capitalistas de Wall Street promoveram activamente o socialismo nacionalista, como antes o fizeram ao socialismo internacionalista. Dito por outras palavras, o comunismo bolchevique e o nazismo tiveram um grande apoio de capitalistas.
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    Em Portugal, o primeiro partido socialista com esse nome foi promovido e apoiado pelo famigerado D. Manuel II, em contraponto ao jacobino partido republicano.
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    Um excerto de uma obra do Sutton:
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    “Is there any evidence that this magnificently sweeping objective was also known to Congress and the academic world? Certainly the possibility was known and known publicly. For example, witness the testimony of Albert Rhys Williams, an astute commentator on the revolution, before the Senate Overman Committee:
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    . . . it is probably true that under the soviet government industrial life will perhaps be much slower in development than under the usual capitalistic system. But why should a great industrial country like America desire the creation and consequent competition of another great industrial rival? Are not the interests of America in this regard in line with the slow tempo of development which soviet Russia projects for herself?
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    Senator Wolcott: Then your argument is that it would be to the interest of America to have Russia repressed?
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    MR. WILLIAMS: Not repressed ….
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    SENATOR WOLCOTT: You say. Why should America desire Russia to become an industrial competitor with her?
    .
    MR. WILLIAMS: This is speaking from a capitalistic standpoint. The whole interest of America is not, I think, to have another great industrial rival, like Germany, England, France, and Italy, thrown on the market in competition. I think another government over there besides the Soviet government would perhaps increase the tempo or rate of development of Russia, and we would have another rival. Of course, this is a.rguing from a capitalistic standpoint.
    .
    SENATOR WOLCOTT: So you are presenting an argument here which you think might appeal to the American people, your point being this, that if we recognize the Soviet government of Russia as it is constituted we will be recognizing a government that can not compete with us in industry for a great many years?
    .
    MR. WILLIAMS: That is a fact.
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    SENATOR WOLCOTT: That is an argument that under the Soviet government Russia is in no position, for a great many years at least, to approach America industrially?
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    MR. WILLIAMS: Absolutely.17
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    And in that forthright statement by Albert Rhys Williams is the basic clue to the revisionist interpretation of Russian history over the past half century.
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    Wall Street, or rather the Morgan-Rockefeller complex represented at 120 Broadway and 14 Wall Street, had something very close to Williams’ argument in mind. Wall Street went to bat in Washington for the Bolsheviks. It succeeded. The Soviet totalitarian regime survived. In the 1930s foreign firms, mostly of the Morgan-Rockefeller group, built the five-year plans. They have continued to build Russia, economically and militarily.18 On the other hand, Wall Street presumably did not foresee the Korean War and the Vietnam War — in which 100,000 Americans and countless allies lost their lives to Soviet armaments built with this same imported U.S. technology. What seemed a farsighted, and undoubtedly profitable, policy for a Wall Street syndicate, became a nightmare for millions outside the elitist power circle and the ruling class.”
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    In http://www.reformed-theology.org/html/books/bolshevik_revolution/chapter_11.htm#THE EXPLANATION FOR THE UNHOLY ALLIANCE
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    Isto mostra o porquê que pode haver interesse por parte dos capitalistas em promover o socialismo e o comunismo.
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    Em Portugal é o mesmo. As élites (ou rulling class) pretendem ganhar dinheiro através do rent seeking. Por isso, não é de espantar, o apoio de muitos capitalistas ao socialismo tuga. O caso muito badalado do líder do Grupo Espirito Santo é apenas um dos que campeiam por Lisboa. Claro que muitos podem-no fazer por ideologia. Mas a generalidade deles capturam os interesses do Estado através de alianças com o PS tuga. Por isso se vê muito boa a gente a promover, directa e indirectamente, o PS e o Sócrates em particular. Desde o “conde de Anadia” ao próprio Balsemão.
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    É claro que os socialistas jogam com o sistema porque lhes é rendoso em termos eleitorais. A imprensa tuga está amestrada e serve os interesses dos poderes estabelecidos. Uma associação entre capitalistas tugas e os xuxas. Por exemplo, lembram-se do 5º canal de televisão que iria ser aberto? Onde está ele? Não está, pois não? Também por isso não existe grande interesse em privatizar a RTP. Afinal ela acaba por conseguir as suas receitas, não pela via de conquista de um bolo publictário, que teria que roubar aos privados, mas pelos nossos impostos. O sistema gosta. Desde os donos da TVI até aos da SIC, compensa este sistema actual. Por isso não promovem a abertura do mercado nem sequer privatizam o sorvedouro de dinheiros públicos chamada RTP.
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    Claro que o socialismo campeia em Portugal. Por todo o Portugal. O caso da compra de dois campos da bola em Matosinhos mostra que isto é mesmo generalizado. mas há uma pequena diferença. Um pequena mas grande diferença. É que a Norte os capitalistas quase sobrevivem de sectores abertos á concorrència. E os que se mudaram para Lisboa foi para terem acesso ao poder e o comprar. Temos o caso da Cofina, por exemplo.
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    A coisa é ainda mais escabrosa, que até o BCP se mudou para Lisboa. Mas o caso ainda mais emblemático chama-se Mota-Engil. Porquê? Porque é em Lisboa e seus feitores, como o Jorge Coelho (familiar directo do Paulo Portas e do Murteira nabo) que o socialismo está bem implantado. Daí que a familia que dominava a empresa, sabendo que iria falir, teve que aceitar aderir ao sistema lisboeta. Outras faliram porque não souberam movimentar-se rumo a Lisboa e associarem-se a este sistema socialista mafioso. O caso da OPCA, por exemplo, mostra que quem não se vende, vai á falência.
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    Os grupos económicos de Lisboa quase sempre estão ligados a negociatas com o Estado. Contam-se pelos dedos aqueles que foram criados em sectores abertos e livres,, com elevada concorrência internacional. O capitalismo pode aproveitar-se do socialismo como este pode aproveitar-se dos capitalistas. Se o Mussolini criou um sistema económico fascista, inspirando-se nas ideias do Paretto, hoje ele existe em muitas sociedades. Em Portugal, temos Lisboa, que mais parece Palermo. Nos USA é o eixo Wall Street Washington, que chegou ao cúmulo de meterem um comuna no poder, que por sua vez prossegue a agenda de Wall Street.
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    Enfim. Nada como desempoeirar ideias feitas. lolololololol

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  60. Francisco Colaço permalink
    27 Abril, 2011 20:32

    Anti-Comuna,
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    Já fizemos a corda para os socialistas nos enforcarem. (refiro-me a José Estaline, o Santo da Odete)

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  61. anti-comuna permalink
    27 Abril, 2011 20:58

    Negócios de Lisboa. Onde a verdade doi.
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    Aqui há uns anos tivemos uma OPA da Sonaecom à Portugal Telecom. O país entrou em histeria, Lisboa entrou em estado de choque. A coisa foi tão cómica que houve até deputados que surgiram como líderes de associações de pequenos investidores da PT, que tão depressa vieram à tona como desapareceram por completo após o falhanço da OPA. Tivemos até especuladores a defenderem supostamente os trabalhadores da PT e, claro, surgiu por essas alturas o nome Ongoing.
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    De um momento para o outro, o nome ongling passou a estar na ribalta. Como por encanto, esta empresa surgiu a comprar lotes de acções da PT, como se fosse já uma empresa com muitas décadas no mercado. No entanto, ela surgiu como um cogumelo mágico. Serviu para impedir que a Portugal Telecom fosse parar ás mãos da Sonae, um grupo do Norte.
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    Seja como for, este novo grupo empresarial teve uma ascensão de tal forma, que hoje até é dona de um jornal económico em Portugal, tem interesses no Brasil na área dos média também e, de um momento para o outro, surge como um dos potentados de Lisboa.
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    Até hoje nunca se percebeu de onde surgiu tanta massa mas é certo que os fundos de pensões da PT investiram na ongoing tal como esta investiu na própria PT. Tudo para combater os “gajos do Norte”, quee pasme-se, iam vender a Vivo aos espanhois. (O santander foi o parceiro privilegiado escolhido para criar um sindicato financeiro que financiasse a OPA da Soane.)
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    Uma entrevista interessante, de um dos senhores de Lisboa:
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    “Quanto ao investimento feito pela Portugal Telecom nos fundos da Ongoing, Salgado lembrou o acordo estratégico estabelecido em Abril de 2000 entre a PT, o BES e a CGD, que criou “uma estabilidade accionista portuguesa importante”, defende.
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    “O grupo Ongoing juntou-se e também apoiou a PT contra a OPA [lançada pela Sonaecom] que teria acabado com a participação que a PT tinha na Vivo [Brasil], que acabaria vendida provavelmente à Telefónica”, frisou.”
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    http://www.jn.pt/PaginaInicial/Media/Interior.aspx?content_id=1402847&page=2
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    Anos mais tarde a Vivo foi mesmo vendida aos espanhois.
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    Ora, como se pode ver, estamos todos bem convencidos que só mesmo motivos patriotas motivaram a guerra de Lisboa contra a Sonae, esses merceeiros de vão de escada, que queriam vender a Vivo aos espanhois. lololololol
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    Mas essa entrevista é em si mesmo mais interessante pelas revelações do como se fazem grupos de média em Portugal:
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    “O presidente do BES garantiu esta terça-feira que o banco considera importante que sejam grupos portugueses a controlar as empresas de média e que tem apoiado a Ongoing como apoiou outros grupos.
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    “Não há nenhuma relação privilegiada com a Ongoing. O BES esteve ao lado do Dr. Balsemão quando lançou a SIC, onde manteve uma participação alguns anos”, disse Ricardo Salgado.
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    “Não era nossa intenção sermos donos de grupos de media”, assegurou, sublinhando que a missão do BES é “promover e apoiar os empresários e as empresas”.
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    Ricardo Salgado diz que “é fundamental que as empresas de media estejam em mãos portuguesas”, recordando que o banco num passado recente foi accionista do DN, no âmbito de um processo de reestruturação.
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    “A Ongoing é mais uma empresa que se lançou no sector dos média. É um grupo dinâmico e com muita iniciativa. Comprou o Diário Económico que era de accionistas espanhóis e depois de italianos, lançou agora o Brasil Económico que pode ser um factor para apoiar as empresas portuguesas que desenvolvem actividades no Brasil”, referiu.
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    “O Dr. Nuno Vasconcelos é descendente de um fundador do grupo Impresa, é afilhado do Dr. Balsemão, por isso, tem origem nos media”, comentou.
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    “A nossa missão não é estarmos ligados aos média. Apoiámos o grupo de Joaquim Oliveira na compra da Lusomundo e é preciso lembrar que havia interesses estrangeiros”.
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    A OPA da Media Capital e o apoio dado a Miguel Pais do Amaral também foram realçados por Ricardo Salgado.
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    Quanto ao investimento feito pela Portugal Telecom nos fundos da Ongoing, Salgado lembrou o acordo estratégico estabelecido em Abril de 2000 entre a PT, o BES e a CGD, que criou “uma estabilidade accionista portuguesa importante”, defende.
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    “O grupo Ongoing juntou-se e também apoiou a PT contra a OPA [lançada pela Sonaecom] que teria acabado com a participação que a PT tinha na Vivo [Brasil], que acabaria vendida provavelmente à Telefónica”, frisou.
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    Sobre os mais recentes acontecimentos que agitaram a PT, Ricardo Salgado louvou as declarações de Henrique Granadeiro, ‘chairman’ da operadora, dizendo que o responsável teve “uma posição impecável, em linha com o que é a boa governança nas grandes empresas cotadas”.
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    “Como disse Henrique Granadeiro, não foi nem irregular, nem ilegal [o investimento de 75 milhões de euros da PT nos fundos da Ongoing]. Se houver alguma prática menos correcta esta deve ser corrigida para o futuro”, considerou.
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    Levado a fazer um comentário sobre o pedido de demissão de Jorge Tomé, gestor que representava o banco público no Comité de Investimento da PT, Salgado escusou-se a comentar.
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    “Sobre juízos de valor comportamentais não sou a pessoa indicada para o fazer. Esse assunto, se existir, deve ser discutido pelo conselho da PT”, afirmou.
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    Quanto à OPA lançada pela Ongoing sobre a Media Capital, o presidente do BES invocou a ética bancária, dizendo que “as relações bancárias não devem ser divulgadas pelos banqueiros”.”
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    In http://www.jn.pt/PaginaInicial/Media/Interior.aspx?content_id=1402847&page=3
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    Esta entrevista como se foram formando alguns grupos em Portugal nos média. Quase todos financiados pelo Grupo Espirito Santo. Tudo em nome da defesa da pátria, não é?
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    Também aqui há uns anos estalou uma acesa guerra entre o Pinto Balsemão e o Ricardo Salgado. Nunca se percebeu bem porquê, a coisa deu para o torto com o BES a deixar de fazer publicidade no grupo impresa, dona do Expesso e da SIC. Legitimamente podemos desconfiar que o BES estaria por trás de uma tentativa de um raide ao grupo impresa e isso deve ter desgostado o Balsemão, que pelos vistos era padrinho do Vasconcellos, rosto da Ongoing.
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    A guerra estalou, houve pruridos entre estes dois senhores de Lisboa, a coisa aqueceu mas acabaram por fazer as pazes e tudo voltou ao normal.
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    Bem esprimidinho, lá temos o BES por trás da ongoing, hoje cada vez mais presente no mundo comunicacional tuga. Tivemos até deputados que não sabiam o que era a ongoing e 8 meses depois ingressavam nos quadros da empresa. Mas a contratação mais sonante não foi a de Eduardo moniz, de saída da TVI, desgastado com o governo socialista. Não, o nome mais sonante foi a contratação do ex-lider das secretas tugas militares, que mal saiu foi logo parar aos quadros da ongling.
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    E assim, em meia dúzia de anos, temos um grupo que vai dos média ao imobiliário. Nunca lhes faltou dinheiro para comprar participações, tanto em empresas cotadas nacionais como não cotadas. Tanto no Brasil como noutros PALOPs. É verdadeiramente notável como em pouco mais de seis anos surge um grupo destes, já com alguma dimensão. Claro que é tudo gente inteligente, do melhor que há na vida empresarial tuga.
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    Claro que nestas coisas há sempre ligações com gente de fora de Lisboa. O Berardo, por exemplo, um dos maiores accionista do BCP, diz-se que financiado pela CGD, chegou a meter-se na PT. Como prémio recebeu um museu em Lisboa pago pelos dinheiros públicos. E, mesmo assim, não vai há muito tempo, diz-se que com salários em atraso. No entanto, continua accionista do BCP e, até anda a estudar ir a mais um aumento de capital do BCP. Com que dinheiro? Não se sabe. Mas fala-se que a CGD também anda a financiar os patriotas tugas.
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    Aliás, a CGD é um verdadeiro banco de fomento. Além de se dizer por aí que financia o Berardo, que fez parte de um grupo de accionistas que tomou de assalto o BCP para o entregar à maçonaria, também financiou empresários nacionais para controlarem outra empresa tuga: a Cimpor. Ora, aqui a coisa foi tão engraçada, que o devedor, sem capacidade para sequer cumprir minimos de liquidez para manter uma posição accionista hipotecado, ainda conseguiu que a CGD lhe desse uma opção de compra, após a entrega das acções da Cimpor á CGD, para cumprir “margens”.
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    Este capitalismo de Lisboa é mesmo fantástico. Cria grupos de média do nada, com uma pujança que admira os mais estudiosos destas matérias. Sim, porque este capitalismo merece ser estudado em todo o mundo, pois para se ganhar dinheiro desta forma, é preciso mesmo que haja quem venha estudar o capitalismo lisboeta. Além de criar grupos do nada, consegue cruzar interesses tão diversos como a maçonaria, especuladores e empresas de construção civil que mais parecem hedge funds.
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    Sim, sim. os gajos do Norte são merceeiros que chulam o povo, não é? Até queriam comprar a PT e vender a sua joia da coroa: a Vivo. Que acabou nas mãos de espanhois, claro, tudo em defesa dos interesses nacionais. Interesses nacionais? Ou das élites de Lisboa?
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    No entanto, nem muitos lisboetas são capazes de admitir que são governados por élite rasca, parasita e… Socialista! lolololololol

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  62. anti-comuna permalink
    27 Abril, 2011 21:40

    Só para relembrar tempos antigos e como se pode pressionar a imprensa.
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    “O Grupo Espírito Santo (GES) cortou ontem relações com a Impresa. Em causa, segundo a organização liderada por Ricardo Salgado, está uma campanha orquestrada pelos media da Impresa no sentido de forçar o GES a aumentar o seu investimento publicitário nos títulos detidos por Francisco Pinto Balsemão.”
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    In http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/lazer/tv–media/salgado-e-balsemao-cortam-relacoes?nPagina=1
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    Toda esta noticia e o que se seguiu é mesmo uma amostra de como funciona o capitalismo lisboeta. lololololololol
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    Mas calma. Isto é tudo gente séria e do mais alto gabarito, com uma capacidade invejável para criar riqueza, não é verdade? ahahhaahahahh

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  63. José Silva permalink
    27 Abril, 2011 21:43

    Excelente AC !!!

    Apenas alguns comentários, nomeadmente para o lionhear

    Sabe o que é a Dutch disease (http://en.wikipedia.org/wiki/Dutch_disease) ? Eu explico. É o efeito de drenagem de recursos que um sector mais rentável induz nos restantes.

    Basicamente é a tese de Vitor Bento no seu livro Nó Cego: O sector dos BSNT explora, suga o sector dos BSTransaccionáveis.

    Lisboa tem rentabilidades artificialmente elevadas devido à sua aposta na economia BSNT, FIRE (http://en.wikipedia.org/wiki/FIRE_economy) e crony capitalism (http://en.wikipedia.org/wiki/Crony_capitalism).

    Prova disto é que segundo as estatísticas do BP, o distrito de Lisboa representa 43% do crédito privado não bancário e o m2 da AMLisboa é 40% acima da média nacional.

    Ora todos sabemos que os próximos anos serão de desalavancagem, portanto, adeus ao FIRE. E também sabemos que o crony capitalism só sobrevive quando há dinheiro publico para gastar.

    Ora o que vai acontecer é que daqui pr 5 anos os carpinteiros do Norte ganharão mais do que os engenheiros do sul e o movimento de migração interna vai-se alterar.

    Há uma contradição no seu raciocínio a propósito do exemplo do UK. O Norte ainda é uma das regiões industrializadas da Europa, ao contrário de Lisboa. Portanto o Norte tem mais «armas» do que o sul neste momento.

    O problema do Norte é que é incapaz de antecipar os esquemas que a elite política e oligarquia de Lisboa inventa para se aproveitar de cada novo cenário. Historicamente, a especialização económica de Lisboa é viver de esquemas, parasitagem. Por isso, embora não ache viável nem desejável a independência do Norte, a proposta do AC tem toda a lógica.

    PS: Caro AC, quem dera que o assalto maçónico fosse apenas ao BCP. Quem dera.

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  64. anti-comuna permalink
    27 Abril, 2011 22:45

    Por falar em crony capitalism, os nossos oligarcas trama-se bem. Vejamos o que diz este documento realizado em Lisboa sobre as parcerias publico-privadas, realizado em 2008:
    .
    “A ambição do programa de concessões rodoviárias contrastou com a
    precariedade dos meios afectos à sua coordenação, condução e gestão por parte do
    Estado. Com efeito, enquanto se avolumavam as concessões em concurso, projecto,
    construção e serviço, assistia-se a uma quase estagnação dos recursos humanos
    alocados ao seu controlo. Não é, pois, de estranhar que a qualidade e prontidão da
    resposta fornecida pelos serviços se fossem degradando. Regista-se também alguma
    inoperância das estruturas dirigentes para adaptar, de forma mais conveniente, os
    serviços às solicitações e responsabilidades que sobre eles imperam.”
    .
    In http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/tek/n10/n10a03.pdf
    .
    .
    Sem falar na falta de preparação técnica do Estado para realizar as famosas parcerias publico privadas. Daí que eu me pergunto. Será de propósito que se retire recursos humanos competentes neste tipo de áreas sensíveis do funcionamento do Estado para beneficiar os privados?
    .
    .
    Mas este documento acima é ainda mais interessante por isto. Revela alguns dos privados que fizeram estas negociatas com o Estado. E quem são estes privados? Dois ou três nomes recorrentes. BES, Brisa e Mota-Engil.
    .
    .
    Isto é de tal forma surrealista, que vale a pena ler isto, que não foi há muito tempo:
    .
    “O que o Ministério não referiu é que a Aenor é a antiga denominação da Ascendi (como pode ser visto aqui, onde se informa que o “conjunto de empresas do Grupo Aenor procedeu à alteração da sua marca comum Aenor para Ascendi”), e que a SCUT Interior inclui, entre outros grupos, a Opway, que é accionista da Ascendi. Por outras palavras, as dotações extraordinárias parecem ser, de facto, directa ou indirectamente para a Ascendi ou para os financiadores e os accionistas da Ascendi.
    No entanto, a grande questão é saber porquê e por que é que estas despesas estão agora a ser orçamentadas e não o foram em 2007, 2008, ou 2009. E esta é uma questão que deve ser devidamente esclarecida pelo Ministro das Finanças ou pelo Secretário de Estado das Finanças. Afinal, o que está em causa são quase 600 milhões de euros dos contribuintes, os mesmos que vão ser agora sujeitos ao maior agravamento fiscal das últimas décadas.
    .
    Mais: sabendo que o governo rompeu o contrato salarial com os funcionários públicos, cortando-lhes os salários, e rompeu o contrato eleitoral com os eleitores, aumentando-lhes os impostos, seria também importante perceber por que é que o governo não se deu ao trabalho de tentar renegociar estas despesas com os grupos económicos em questão.”
    .
    In http://desmitos.blogspot.com/2010/10/o-lapso-relapso.html
    .
    .
    Dito de outra forma. Para o governo mais vale cortar nas pensões dos reformados ou subir o IVA que cortar na mama de alguns grupos económicos portugueses.
    .
    .
    Lisboa vai bem e recomenda-se, não é? lolololololol

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  65. Portela Menos 1 permalink
    27 Abril, 2011 22:49

    “Lisboa vai bem e recomenda-se, não é?”
    Não nos diga que não houve PPP’s acima do eixo Nazaré-Caldas da Rainha?

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  66. 27 Abril, 2011 22:53

    Este blog vale principalmente pelos comentários do Anti-Comuna. Obrigado AC.

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  67. anti-comuna permalink
    27 Abril, 2011 23:16

    “Não nos diga que não houve PPP’s acima do eixo Nazaré-Caldas da Rainha?”
    .
    .
    Houve. E muitas. Basta ver nas parcerias do sector das águas.
    .
    .
    Mas há sempre nomes sonantes da capacidade empresarial tuga nestas jogadas com o Estado.
    .
    .
    “A Martifer é um grupo multinacional, sedeado em Oliveira de Frades (Portugal), emprega mais de 3.000 colaboradores, e centra a sua actividade nos sectores da construção metálica e das energias renováveis.
    .
    A Martifer iniciou actividade em 1990 no sector das estruturas metálicas. Em 2004, a empresa entrou no negócio das renováveis, aproveitando o know-how da actividade de construção metálica para desenvolver a área dos equipamentos para a energia.
    .
    A Martifer é líder no mercado ibérico da construção metálica, e ambiciona atingir uma posição de liderança em outros mercados seleccionados, nomeadamente Europa Central e Angola.
    .
    No sector das energias renováveis, a Martifer quer afirmar-se como produtor integrado de soluções chave-na-mão para os segmentos eólico e solar.
    .
    Ainda no campo das energias renováveis, a Martifer actua como promotor de projectos de geração eléctrica, gerindo um conjunto de participações em projectos em diferentes estádios de desenvolvimento.
    .
    A Martifer SGPS, SA é a holding do Grupo e está cotada na Euronext Lisbon desde Junho de 2007. Em 2008, os proveitos operacionais das suas actividades nucleares ascenderam a 650 milhões de euros.
    .
    A estrutura accionista de referência é formada pelos sócios fundadores, através da I’M SGPS, S.A., e pelo Grupo Mota-Engil, juntos controlam quase 80% do capital da empresa.”
    .
    In http://www.mota-engil.pt/AreaDetail.aspx?contentId=103
    .
    .
    Voltando ao crony capitalism, que os nossos oligarcas dominam. Quantos recursos não são canalizados para estes projectos ruinosos para o Estado e que custam muitos milhões aos portugueses? E que poderiam ser canalizados para estruturas produtivas que geram mesmo crescimento económico?
    .
    .
    Ainda hoje estive a dar uma vista de olhos aos resultados do BCP e fiquei confuso com o que li aqui, confirmado nesta noticia.

    .
    .
    “Os recursos totais de clientes desceram 1,2% para 66,6 mil milhões de euros, enquanto o crédito concedido a clientes desceu 2,4%, “influenciado fundamentalmente pela actividade em Portugal, não obstante o crescimento do crédito a clientes na actividade internacional”.
    .
    O banco nota que o crédito a empresas sofreu a maior redução, já que o crédito à habitação até aumentou 3,8%.”
    .
    In http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=481215
    .
    .
    Lá está. O país precisa de crescer e para onde vai o crédito concedido pelo BCP? Para o crédito à habitação, actividades internacionais e menos para as empresas. É por isso que o nosso sistema económico está roto. E o FMI quer acabar com os subsidios públicos ao endividamento. Porque o recursos escassos em vez de promoverem o crescimento económico apenas promovem mais endividamento familiar.
    .
    .
    Mas isto é o sistema económico tuga no seu melhor. Graças a deus que o PS meteu lá este senhor, pois temos uma classe empresarial do que melhor há no mundo. Então a nossa banca, meu deus, é mesmo do melhor que há a gerir em Portugal. Tudo gente inteligente e bem preparada. Mas se calhar por isso os nossos oligarcas precisam tanto do Estado como o Estado deles.
    .
    .
    Lisboa é isto. É isto e muito mais. É toda uma cultura empresarial parasitária, enfim…

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  68. Portela Menos 1 permalink
    27 Abril, 2011 23:21

    olhe que o BCP tem sede e nasceu no Porto!

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