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Do partido dos reformados ao Movimento Geração à Rasca*

8 Maio, 2011

Vinte anos depois, o Partido da Solidariedade Nacional voltou. Já não fala dos reformados nem dos idosos. Claro que também já não é liderado por Manuel Sérgio. Para trás ficou também aquela oratória num português que ressoava a Aquilino Ribeiro do antigo líder do PSN. Agora o neo-PSN trata dos jovens e na verdade não se chama PSN mas sim Movimento Geração à Rasca, Movimento 12 de Março, M12M, etc., que nesta matéria juvenil as siglas abundam.

Como é óbvio, esta versão jovem do antigo PSN goza de uma extraordinária simpatia mediática, pois não só tudo o que se apresenta como jovem passa imediatamente a “bonito, moderno e original”, como os candeeiros do velho anúncio radiofónico, como ainda usa uma linguagem de esquerda, e não de uma esquerda qualquer, mas sim daquela que vive nessa abençoada Terra do Nunca situada algures entre o BE e o PCP e que leva a vida a deitar amarras ao PS, o que é meio caminho andado para gozar de boa imprensa. Por comparação o PSN tinha o problema mediaticamente não despiciendo de até ter dado o seu apoio ao programa de governo de Cavaco Silva em 1991 e por essas e por outras foi num ápice que se viu apelidado de partido dos reformados.

À parte estas questões de estilo, nada mais separa o PSN do M12M: ambos nasceram da convicção de que a idade é um posto. Nos anos 90, Portugal acreditava que o futuro ia ser cada vez melhor e portanto o discurso dito antipolítica baseava-se na defesa dos direitos dos mais velhos, excluídos pela idade do bodo generalizado dos direitos sempre crescentes. Em 2011, os mais novos, ou aqueles que por eles dizem falar, recuperaram as reivindicações dos velhos dos anos 90 e a linguagem ainda mais velha das frentes de esquerda: querem segurança, certezas e um emprego para toda a vida.

Numa sociedade que vive sob o medo da perda, os jovens não se revoltam nem querem viver doutro modo. Envelhecem. Por isso aquilo que há vinte anos se chamava jocosamente partido dos reformados passou a ser sinónimo de juventude. O M12M é a versão 2011 do PSN de 1990.

Dentro de um ou dois anos estes jovens não serão tão jovens assim. Vestir-se-ão ainda como tal. Falarão como tal mas terão (ainda mais) aquele ar de quem não percebeu que os anos passaram. O seu destino poderá repetir o do PSN que começou com 96.096 votantes nas eleições de 1991 e desapareceu sem deixar rasto nas legislativas de 2002. Ou repetir o percurso dos Verdes e tornarem-se numas caixas de ressonância do PCP e do BE sem nunca conseguirem granjear respeitabilidade política. Ou mais provavelmente ainda nem isso conseguirão. Porque a idade não perdoa.

19 comentários leave one →
  1. Arlindo da Costa permalink
    8 Maio, 2011 21:54

    Eu sou do tempo da «Geração do Desenrasca».
    Se essa malta não se desenrascar e depressa, vai acabar mal e na sargeta.

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  2. Arlindo da Costa permalink
    8 Maio, 2011 22:00

    Até um antigo cantor de intervenção, o famoso «Rui Tomé», teve que DESENRASCAR-SE para combater este crise:

    Esses jovens alegadamente «à rasca», também estão à espera que o Sócrates lhes vá alcançar o pequeno-almoço à cama?

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  3. licas permalink
    8 Maio, 2011 22:05

    DESENRASCAR-SE, mesmo à custa da honra, da ética, da verdade . . .
    É um projet que DEFINE UM HOMEM (pela negativa….).
    O que temos visto do Arlindo da Costa é de um SABUJO impenitente
    do RATO DO LARGO chefe.

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  4. 8 Maio, 2011 22:20

    Seja lá como for, a verdade, verdadinha é que nem imaginamos quanto a Europa nos inveja…
    http://lishbuna.blogspot.com/2011/05/les-portugais-sont-toujours-gais-iv.html

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  5. 9 Maio, 2011 00:07

    Os jovens que vêm o futuro difícil devem lutar por ele. Logo devem tentar, entre outras coisas ter voz política. Mas dentro dos partidos existentes não parece haver propostas ou soluções para os problenas deles.
    Logo, não devem procurar fazer novos movimentos partidários. Porque os que existem não os representam, mas são os verdadeiros partidos e o respeitinho é muito bonito.
    Também podem declarar que a sua política é o trabalho, porque o trabalho liberta.
    Este post cheira a ranço.
    Olhe que o facto de alguém pedr pelos seus direitos não tira o direiro aos outros de se manifestarem.

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  6. Arlindo da Costa permalink
    9 Maio, 2011 07:14

    O Barreto?
    Esse está cheché.
    Deve andar a comer muito borrego formatado, importado pelo liquidador da produção nacional, um tal Alexandre.

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  7. Pine Tree permalink
    9 Maio, 2011 08:44

    A Senhora Dona Helena mais uma vez chega a roupa ao pêlo a alguém, e com muita verve.
    Amigo Carneiro, andamos todos ao mesmo. Estes jovens querem servir a nação, estão desejosos de um emprego no Estado ou numa autarquia. Querem trabalhar num instituto de investigação, no departamento cultural de uma câmara, ou como inspectores dos bens alimentares e correlativos.
    Têm razão e quem não chora não mama.

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  8. Pine Tree permalink
    9 Maio, 2011 08:45

    A Senhora Dona Helena mais uma vez chega a roupa ao pêlo a alguém, e com muita verve.
    Amigo Carneiro, andamos todos ao mesmo. Estes jovens (matulões que andam pelos 30 anos…) querem servir a nação, estão desejosos de um emprego no Estado ou numa autarquia. Querem trabalhar num instituto de investigação, no departamento cultural de uma câmara, ou como inspectores dos bens alimentares e correlativos.
    Têm razão e quem não chora não mama.

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  9. JEM permalink
    9 Maio, 2011 09:14

    Colunista do FT: “Não se pode gerir uma união monetária com governantes como Sócrates”

    http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=483433

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  10. 9 Maio, 2011 09:52

    «a idade não perdoa.»
    achava por bem uma petição para cassar a carta de condução ao catroga!
    sempre que entro na auto-estrada entro em pânico não me vá aparecer ele de frente num papa-reformas!

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  11. bulimunda permalink
    9 Maio, 2011 10:18

    MEUS AMIGOS A GRÉCIA ESTÁ ENCALACRADA..A IRLANDA IDEM..DE MAIS DE 250 MIL MILHÕES..É TUDO UMA QUESTÃO DE TEMPO…O FIM DO MUNDO EM 2012 AFINAL É TÃO SÓ O FIM DA UNIÃO EUROPEIA COMO A CONHECEMOS…a TERESA DE SOUSA NA ANTENA 1 FEZ UM BOM RETRATO…
    O POPULISMO CRESCE A OLHOS VISTOS COM PARTIDOS DE EXTREMA DIREITA A TEREM GRANDES VOTAÇÕES…EM PARTICULAR NOS PAÍSES ONDE EXISTE MAIS CONFORTO E QUALIDADE DE VIDA -NORTE DA EUROPA..E NA ALEMANHA NÃO APRECEM EM VIRTUDE DO SEU PASSADO RECENTE…O TODOS POR NINGUÉM E CADA UM POR SI ESTÁ MAIS QUE A VISTA…

    O motor principal e fundamental no homem, bem como nos animais, é o egoísmo, ou seja, o impulso à existência e ao bem-estar. […] Na verdade, tanto nos animais quanto nos seres humanos, o egoísmo chega a ser idêntico, pois em ambos une-se perfeitamente ao seu âmago e à sua essência.
    Desse modo, todas as acções dos homens e dos animais surgem, em regra, do egoísmo, e a ele também se atribui sempre a tentativa de explicar uma determinada acção. Nas suas acções baseia-se também, em geral, o cálculo de todos os meios pelos quais procura-se dirigir os seres humanos a um objectivo. Por natureza, o egoísmo é ilimitado: o homem quer conservar a sua existência utilizando qualquer meio ao seu alcance, quer ficar totalmente livre das dores que também incluem a falta e a privação, quer a maior quantidade possível de bem-estar e todo o prazer de que for capaz, e chega até mesmo a tentar desenvolver em si mesmo, quando possível, novas capacidades de deleite. Tudo o que se opõe ao ímpeto do seu egoísmo provoca o seu mau humor, a sua ira e o seu ódio: ele tentará aniquilá-lo como a um inimigo. Quer possivelmente desfrutar de tudo e possuir tudo; mas, como isso é impossível, quer, pelo menos, dominar tudo: “Tudo para mim e nada para os outros” é o seu lema. O egoísmo é gigantesco: ele rege o mundo.

    Arthur Schopenhauer

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  12. 9 Maio, 2011 10:33

    mesmo agora via tsf:
    catroga: eu não tenho nada contra as grandes empresas; eu trabalho para as grandes empresas

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  13. Tiradentes permalink
    9 Maio, 2011 10:36

    Os arlindos DESENRASCARAM-SE, ganhando direitos para os quais não produziram e até para os quais nunca trabalharam. Depois de “estabelecido” na sua longa “luta” pelos direitos o sonho dos arlindos é fazer uma purga acabando com todos chechés e pondo a geração “à rasca” a cavar batatas e ele com chicote a vigir a produção.
    Os arlindos são cães fiéis ao dono.Noutros tempos seriam pides os kgb dos duros.
    Eles acham que a sua ” luta” assim os justifica.

    Eles são a versão anquilosada dos homens da luta que mais poderiam ser chamados os filhos …..

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  14. Tiradentes permalink
    9 Maio, 2011 10:44

    Tal como à Grécia a nós deram-nos uma fracção pequena daquilo que é a nossa enorme bancarrota. A do estado, a dos particulares e a das empresas. Quem tem dinheiro, por muito que este politicos, FMIs e comissões europeias digam que chega e que põe as coisas nos eixos, quem tem dinheiro, repito, não acredita. E não acredita pela simples razão de saber que na realidade o desvario é de tal ordem que estas “ajudas” são apenas o prolongamento da agonia.
    Adiamos o inevitável apenas…a bancarrota de acto em que já vivemos faz uns anos .

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  15. Centrista permalink
    9 Maio, 2011 10:51

    Helena, sou jovem, profundamente liberal, e estive nas manifestações. Estive não pela “convicção de que a idade é um posto”, mas pelo contrário – pela convicção de que a idade não deve ser um posto.Fui defender o fim de um país de 2 sistemas em que os velhos têm um sistema que lhes dá direitos, e os jovens têm um sistema que suporta os direitos dos outros. Fui protestar contra a ditadura da geração grisalha. Não sei como foi em Lisboa – no Porto, como sempre, quem lá esteve estava maioritariamente do lado da liberdade e não do lado do “queremos que o Estado nos dê coisas”. É verdade que quem lançou o movimento se sentiu mandatado para fazer alguma representação política – e eventualmente está a propor o velho proteccionismo de esquerda, que só serve os grisalhos. Não importa muito – a única solução viável para o mercado do trabalho é a que o FMI impôs, acabando com discriminações com base na idade ou antiguidade de vínculo contratual. Em resumo, não confunda quem esteve no MGR com o discurso gasto da esquerda PCP e BE. Quem lá esteve é sobretudo gente formada e informada que quer uma meritocracia e que sabe que a esquerda em Portugal só defende os instalados – sempre à custa dos jovens.

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  16. Centrista permalink
    9 Maio, 2011 10:56

    É irónico que, sendo o MGR um movimento profundamente liberal, haja tanta gente no Blasfémias a torcer-lhe o nariz.

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  17. lbzypt permalink
    9 Maio, 2011 12:37

    Algumas semanas antes da manifestação de 12 de Março, muitos começaram a questionar a razão de existir um profundo sentimento esquerdista no mural da Geração À Rasca, apesar dos próprios organizadores dizerem que a manifestação era apartidária.

    Depois descobriu-se que um organizador tinha pertencido à juventude comunista, outro era do BE e finalmente o terceiro era realmente apartidário e logo começaram as desconfianças e várias pessoas começaram a exigir que a manifestação não tivesse a participação de partidos (o PCP e o BE nessa altura já andavam com a língua de fora e os seus dirigentes juravam que iam participar).

    Depois de muitos protestos estes dirigentes vieram a público afirmar que aceitavam o pedido das pessoas e que afinal não iam à manifestação. Mas os protestos continuaram porque o mural era inundado com convicções comunistas e começou a existir um desconforto geral até que os organizadores começaram a bloquear as pessoas que pediam que o movimento fosse apartidário e que protestavam por causa de tantas ideias esquerdistas.

    Agora os 3 organizadores apesar de jurarem que nunca iriam formar um partido, quebram mais uma promessa e o mais grave é que não quiseram ouvir a opinião de milhares de pessoas e formam um partido esquerdista. Assim vive a nossa sociedade que não sabe nem tem capacidade de criar um movimento novo sem opinião partidária, abrangendo todas as opiniões, sem censura.

    Portugal neste momento encontra-se na bancarrota, mesmo com a ajuda do FMI e da UE estamos falidos. O actual governo andou a vender ao desbarato e com juros exageradamente elevados a dívida portuguesa. Vai chegar o momento em que temos que pagar aos credores internacionais sem termos a certeza que existe dinheiro para pagar.

    Se fossemos um povo unido e inconformado com os erros da classe política, os erros dos gestores públicos, os erros dos banqueiros, as pessoas revoltavam-se como aconteceu na Islândia. Mas como somos um povo semelhante a um rebanho de cordeiros, que ouve o patrão de cabeça baixa, que obedece a tudo com o rabinho entre as pernas a abanar como louco, que há anos não quer saber da política do seu país (60% de Abestenção), que não se revolta quando políticos corruptos anunciam que vão gastar o dinheiro do povo ao desbarato em obras que vão apenas subir o orgulho dos mesmos políticos, um povo que não se revolta por ver um justiça que mete na rua os criminosos e na prisão os inocentes, que não tem capacidade de acusar quem é mentiroso e corrupto.

    Somos um país que não tem a capacidade de prender e levar à justiça os políticos que nos levaram ao actual estado de crise e quando digo políticos digo todos porque são muitos de vários partidos.

    Por isso a ironia de um movimento passar a partido, de apartidário passar a esquerda radical é para mim pura ironia e uma profunda tristeza porque ainda vai demorar muitos anos para acordar os portugueses e provavelmente quando acordarem já devemos ser todos espanhóis ou chineses…

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  18. 9 Maio, 2011 18:15

    Na concentração dos cem mil Professores que se pretendeu espontânea, também foi logo controlada pelos Sindicatos, não para ajudar os Professores na contestação das políticas do M E, mas para proteger o M E de interlocutores que fugissem ao contolo do M E e dos Sindicatos.
    É o que temos.

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