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estado social?

23 Maio, 2011
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Custa insistir, dá trabalho e é chato, mas não pode ser de outro modo, porque muitos portugueses insistem, não obstante as evidências que todos os dias lhes entram olhos dentro, na convicção de que o “Estado Social” é uma coisa extraordinária, quase saída do Paraíso, e que o que tem falhado no caso português (para aqueles que admitem que o estado social português falhou) são os homens que o governam. Mais ou menos como aquela estória de que o “socialismo puro”, o que se encontra nos livros de Marx e de Engels, nunca foi posto em prática e que o modelo soviético foi uma reles corruptela de tão belos ideais. Num caso e no outro não é assim. O socialismo soviético existiu mesmo, e não esteve muito distante do que fora ditado pelos teorizadores do sistema, e o Estado Social não é um bom modelo político em parte nenhuma do mundo. Vamos lá, então, à fundamentação.

Primeiro, o problema da ingenuidade. Quem acredita cegamente nas virtudes do Estado Social, acredita, com igual obliteração visual, na racionalidade altruísta e objectiva da decisão pública. Ora, está mais do que estudado e demonstrado (desde, pelo menos, Maquiavel), que na tomada de decisão pública o dito “bem comum”, ou, para usarmos linguagem mais técnica, o “interesse público”, compõe muito limitadamente os motivos que levam à decisão e ao sentido que ela toma. Em regimes democráticos, isto é, em regimes de concorrência aberta de partidos que disputam o poder, esta tendência natural agrava-se muito mais. Por outras palavras, numa decisão pública interferem inúmeros factores, muito para além e muito antes do “interesse público” ser sequer ponderado: critérios subjectivos (como as tendências ideológicas do decisor); critérios de interesse pessoal (a progressão da carreira política, um chefe a quem se tem de agradar, uma ordem vinda de cima à qual se tem de obedecer), de interesse tribal (o que é mais conveniente para o partido e para os seus, para os eleitores da minha secção partidária, para os colegas do ministério), já para não falar de interesses obscuros (as comissões para aprovar projectos, os empregos prometidos nas administrações das empresas concorrentes a uma obra pública, o dinheiro secretamente depositado numa offshore, etc….). No meio de tudo isto, o dito “interesse público”, o tal que deveria servir de fundamento à actividade política e para a satisfação do qual estaria destinado o dinheiro dos nossos impostos, só costuma servir na medida em que dele possam resultar mais votos para o partido do governo. Por essa mesma razão é que, como todos sabemos, os anos de eleições são sempre de fartas inaugurações e de concretização de promessas antigas tardiamente cumpridas, muitas vezes adiadas por causa dos calendários eleitorais.

Segundo, porque a decisão política não é imediatamente escrutinável, razão pela qual só por ingenuidade se pode acreditar que os políticos e governantes faltosos e incumpridores possam ser imediatamente questionados quando agem contra o dito “interesse público”. Num regime de forte pendor parlamentar como o nosso, o parlamento, cujos deputados da maioria que sustenta o governo são frequentemente indicados pelo chefe do governo que deveriam fiscalizar, não controla coisa nenhuma. E se o parlamento não fiscaliza a acção governativa, muito menos o podem fazer os cidadãos, cada vez mais distantes da tomada de decisão política e limitados ao exercício cíclico do voto em partidos de sistemas políticos completamente fechados. Depois, porque não é necessário ser um político desonesto para se tomarem más decisões. Quem duvida, por exemplo, da honestidade pessoal de António Guterres. E quantas das suas decisões governativas honestamente tomadas não prejudicaram seriamente o país?

Terceiro, e isto está também mais do que estudado, porque a famosa redistribuição de rendimentos, que fundamenta a filosofia do Estado Social, não funciona em proveito dos mais necessitados, a quem chega (quando chega) uma ínfima percentagem dos rendimentos cobrados. Ou seja: por que razão cobra o estado cada vez mais impostos e contrai mais débito externo, e, ao contrário de todos os compromissos dos responsáveis, a vida piora de qualidade, o desemprego aumenta, os serviços públicos encerram portas, as pensões são reduzidas, etc.? É porque a maior parte desses rendimentos se fica pela burocracia e por custos financeiros muito mais elevados do que justificaria o serviço em causa. É que neles se incluem, para além dos custos normais do produto, outros factores. Vejam-se, por exemplo, os desperdícios do ensino superior público (comparem-se os custos relativos de alunos homólogos entre o sistema público e privado, por exemplo, mesmo descontando a dita “qualidade” superior do primeiro em relação ao segundo) e tirem-se as inevitáveis conclusões. É assim que se empobrece um país, como se empobreceu Portugal nos últimos vinte anos: um estado com uma racionalidade própria, a cobrar impostos progressivamente mais elevados para sustentar serviços de duvidosa qualidade, retirando capital à economia (privada, claro, que outra não há), fragilizando-a, tirando-lhe competitividade e oxigênio, até ao estertor final…

Quarto, porque o crescimento do Estado Social é inevitável e esse crescimento entorpece, anestesia e adormece um país. Retira-lhe competitividade, reduz-lhe a produtividade, seca a sua riqueza e amolece o tecido social, que transforma num conjunto amorfo de pessoas sem ambição, cautelosas, cheias de medo e à espera que os outros (o governo) façam por elas o que elas deveriam fazer por si mesmas. A verificação desta evidência é simples de fazer: basta olhar para a história portuguesa dos últimos vinte anos, em que a privatização da economia e a venda de parte significativa do sector público do estado geraram, em vez da redução do funcionalismo público, o seu aumento exponencial: do começo da década de 80, em que tudo estava praticamente estatizado, aos dias de hoje, quando vivemos numa economia de mercado, o funcionalismo público mais do que duplicou. O crescimento do estado é, assim, um processo natural numa sociedade disposta a aceitar o princípio de que o estado é um dinamizador social e económico, porque há sempre mais uma razão, mais um argumento, mais uma justificação plausível para ele crescer. A burocracia, o funcionalismo público, os “serviços”, isto é, o aparelho do estado é autopoiético. Só um estado funcionalmente muito limitado, com um governo pequeno em número de servidores e, sobretudo, em funções e competências constitucionalmente atribuídas, com uma sociedade confiante e ciente de que é a ela que cabe desenvolver o país, pode funcionar. E, mesmo assim, todas as cautelas são escassas e a vigilância tem que ser permanente e constante.

Por último e para pouparmos trabalho a todos, não me venham com a eterna conversa da Suécia dos anos 70 e 80, como exemplo do paraíso terrestre onde os governantes são impolutos e o estado cumpre angelicamente a missão social para o qual terá nascido. Nem a Suécia de hoje é a desses tempos (o estado encolheu bastante as unhas desde as reformas e as privatizações impostas, nos anos 90, pela grave crise de produtividade em que o país se encontrava), nem uma sociedade a quem o governo confisca unilateralmente metade da riqueza produzida pelo trabalho individual é uma sociedade livre, por mais escolas, hospitais e estradas que ofereça como contrapartida. Numa sociedade livre, o respeito pelos frutos proveniente do trabalho honesto é um direito fundamental, e os indivíduos só transferem para o estado a renda que entendem ser necessária para que este garanta o que é básico para que possam viver em sociedade. É assim desde a Magna Carta e tudo o que vá para além disto, tudo o que seja confiscar propriedade sem consentimento expresso do legítimo proprietário, só pode ter um nome: roubo.

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74 comentários leave one →
  1. 23 Maio, 2011 20:55

    “Custa insistir, dá trabalho e é chato, mas não pode ser de outro modo, porque muitos portugueses insistem, não obstante as evidências que todos os dias lhes entram olhos dentro, na convicção de que o” liberalismo ” é uma coisa extraordinária, quase saída do Paraíso, e que o que tem falhado” é a sua implantação. “Mais ou menos como aquela estória de que o “socialismo puro”, o que se encontra nos livros de Marx e de Engels, nunca foi posto em prática”

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  2. rui a. permalink*
    23 Maio, 2011 21:04

    “convicção de que o” liberalismo ” é uma coisa extraordinária” (…) “e que o que tem falhado” é a sua implantação”.
    Só falta a fundamentação…

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  3. Obliterador permalink
    23 Maio, 2011 21:13

    Olvidou-se o autor do post do um “pormenor” apenas.
    Qual é?
    É simples e resume-se a uma interrogação:
    – Porque é que, se o Estado Social é assim tão mau, países como a Alemanha, a Dinamarca, a Finlândia, a Noruega, a Holanda e (e mesmo os EUA, que não deixam de ser um Estado Social) etc… se encontram entre os países mais ricos e COMPETITIVOS do mundo?

    Agradecia uma resposta para clarificar, um pouco, este recorrente debate.

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  4. Arlindo da Costa permalink
    23 Maio, 2011 21:20

    A verdade é que o actual Estado Social «sustenta» vocês e as vossas famílias.
    Falam com os vossos pais, avós, tios, bisavós e digam que a partir da agora não vai haver reformas, nem serviço nacional de saúde,etc.
    Gostava de ver a cara deles.
    Antes do 25 de Abril, o Estado Social – uma ideia de Salazar, aperfeiçoada na prática por Marcelo Caetano, com a introdução das Caixas de Previdência, Grémios e Casas do Povo – era muito exíguo e muita gente se lembra que 75% da população idosa vivia na miséria, morriam à mingua, não tinham medicamentos e pagavam o médico com ovos, galinhas e chouriços!
    Sois ainda muito novos. Sois da geração do Kinder-Chocolate!

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  5. 23 Maio, 2011 21:21

    “Primeiro, o problema da ingenuidade. Quem acredita cegamente” nas virtudes do direito à propriedade como absoluto,” acredita, com igual obliteração visual, “nos mercados”.

    “Segundo, porque” os actos individuais não são imediatamente escrutináveis, “razão pela qual só por ingenuidade se pode acreditar que os” indivíduos “possam ser imediatamente questionados quando agem contra” a liberdade dos outros .

    “Terceiro, e isto está também mais do que estudado, porque a famosa” liberdade económica “não funciona em proveito dos mais necessitados, a quem chega (quando chega) uma ínfima percentagem” dos bens produzidos.

    “Quarto, porque o crescimento” das desigualdades “é inevitável e esse crescimento entorpece, anestesia e adormece um país. ”

    “Por último e para pouparmos trabalho a todos, não me venham com a eterna conversa” de que com a liberdade económica total e o primado do direito à propriedade chegaremos ao “paraíso terrestre” onde os indivíduos respeitarão angelicamente as liberdades uns dos outros sem os escravizar.

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  6. rui a. permalink*
    23 Maio, 2011 21:26

    Ó meu amigo, assim não vai lá: é preciso dizer em que Portugal você encontra um “direito de propriedade absoluto” e “liberdade económica” que conduzam às tais “desigualdades crescentes”. É que, pelo menos até agora, as ditas “desigualdades” são consequência de um estado social e de um governo socialista. Falta demonstrar as consequências nefastas, efectivamente verificadas, do dito “liberalismo”, caso você o encontre por aí.

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  7. Arlindo da Costa permalink
    23 Maio, 2011 21:28

    Há coisas que me fazem um «parafuso» à cabeça!
    Por que é que os «liberais» tugas (poucos!) estão na sua maioria acolitados em tendência no PSD, já que o verdadeiro partido da Direita (o CDS-PP) é um partido social-cristão e popular?
    Por que é não fundam o Partido Liberal Português, à semelhança do FDP alemão, que agora, até é chefiado por um alemão de origem vietnamita?
    Por que é covardemente querem parasitar num partido cuja matriz ideológica é a social-democracia?
    Os «liberais» tugas são uma originalidade portuguesa, como é a nossa antiga via original para o «socialismo», ou não passam duns diletantes sem eira nem beira?
    Aqui fica o desafio à intrépida comunidade «liberal» tuga…

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  8. 23 Maio, 2011 21:29

    “Falta demonstrar as” virtudes “efectivamente verificadas, do dito “liberalismo”, caso você o encontre por aí.”

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  9. insider permalink
    23 Maio, 2011 21:31

    ó arlindo tu não és da geração do kinder
    és só da geração dos imbecis!
    a população idosa – aquela que deu origem a uma aberração como tu – pelos vistos não pertencia aos 75% de desgraçados… ou pertencia… mas não morreu à míngua…
    casas do povo e derivados existiam muito tempo antes do caetano!

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  10. rui a. permalink*
    23 Maio, 2011 21:33

    “Falta demonstrar as” virtudes “efectivamente verificadas, do dito “liberalismo”, caso você o encontre por aí.”

    Pois. Mas aprendemos com os erros e não com as hipóteses cuja validade ainda não foi confrontada com a realidade. É pena, mas convém termos presente a realidade: vivemos num estado social, gerido por governos socialistas. O resto são meras hipóteses de trabalho, a verificar ou talvez não.

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  11. 23 Maio, 2011 21:41

    Vivemos num estado dos bancos e construtores civis, gerido por governantes socialistas, que se disfarçou de estado social para manter apoios. Mesmo que fosse um estado social com intenções honestas, um falhanço não provava nada a não ser a possibilidade de algo falhar. O resto são aproveitamentos em direcções que convêm aos mais fortes.

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  12. Arlindo da Costa permalink
    23 Maio, 2011 21:44

    Insider#
    Este é daqueles que combate o «estado social», não porque tenha convicção, mas por que não obtem dele (por ora…) o tão ambicionado «rendimento máximo garantido»….
    Como diria o Sinhôzinho Malta, estou certou ou estou errado?
    (É mais um «liberal» na fila para querer deitar-se às tetas ou ao pote, segundo a nova fraseologia passista (e passadista!)….)

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  13. balde-de-cal permalink
    23 Maio, 2011 21:44

    andam por aqui os xuxas do costume a chamar estado social ao dinheiro dos contribuintes como se este fosse dádiva da rataria.

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  14. Arlindo da Costa permalink
    23 Maio, 2011 21:49

    Rapinar e roubar é com a Irmadande da Coelha.
    Até querem tirar um Coelho da cartola…
    Quem não vos conhece, que vos compre!
    O Arlindo conhece essa fauna e pelos dentes!

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  15. blitzkrieg permalink
    23 Maio, 2011 21:50

    O Abrantes que assina “Arlindo da Costa” é uma lamentável amostra da imbecilidade socialista. Com o país na bancarrota, sem dinheiro para pagar salários ou dívidas, mesmo assim quer manter a fantochada. Este imbecil é seguramente mais um a viver à sombra do dito “Estado Social”, e que quer a sua manutenção sem beliscadela a todo o custo.

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  16. JPT permalink
    23 Maio, 2011 21:55

    É assim tão difícil perceber, Arlindo, que o Estado não pode ser a fortaleza dos que dele vivem contra aqueles que o pagam? É assim tão difícil perceber, Arlindo, que um Estado em que todos têm direitos e nenhum tem deveres não é um Estado mas um escarro? Duvida Arlindo? Acha um exagero? Deixemos de lado o seu querido Zé, ou a Juíza da carteira perdida (ou a borracha em contra-mão), ou o Lopes da Mota, ou o Director que pôs 2 mil velhotes na bicha nos Capuchos, ou os maquinistas semana-sim/semana-não da CP, ou a pleiade de professores reformados que teima em dizer que descontou para receber 2500 euros: vá à Baixa de Lisboa e pegue num saco de plástico, pequenino, bem fechado, contendo lixo (não reciclável), e dirija-se a um almeida da CM Lisboa, depois, peça-lhe, educadamente, para botar o saco no caixote que o homem traz com ele. E depois, ouça a resposta, e veja o Estado a que isto chegou.

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  17. Arlindo da Costa permalink
    23 Maio, 2011 21:57

    Quem está na bancorra é a Mamadeira do Alberto João Tarrão.
    Ló o «estado social» atingiu os píncaros do cúmulo. Têm mais funcionários públicos do que a Cuba de Fidel. O pessoal do PSD da Madeira endividou a Região até 2075!
    E já não falo da Cãmara de Lisboa que o Santana, o Carmona e sus muchachos e muchachas, que foi o exemplo mais eloquente da Bancarrota.
    E se querem que eu falo da Cãmara de VNG e das «empresas» municipais do Luis Filipe às Vezes e do Doutor em Ciências do Paleio Fiado, um tal Marco António, então é que a porca vai torcer o rabo…
    É este tipo de coveiros das finanças públicas que vão ser a «solução» para as dificuldades do país?
    Vão mas é coçar os tintins para a Betesga do Rossio enquanto os electricos passam!

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  18. rui a. permalink*
    23 Maio, 2011 22:06

    “Indeed, in important respects today’s Sweden is moving back to the liberal economic regime that existed before the explosion of government interventionism in the 1960’s.”
    Obrigado pelo link, caro Eduardo.

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  19. Fredo permalink
    23 Maio, 2011 22:10

    “Ó meu amigo, assim não vai lá
    Não vai não. Custa assim tanto perceber que aquilo a que v chama estado social é a base da civilização e que o seu fim é o regresso à barbárie do “homem lobo do homem”?

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  20. rui a. permalink*
    23 Maio, 2011 22:15

    Fredo,
    A sua “civilização” é aonde? No Martim Moniz dos pobres dos indianos manifestantes por um saco com comida?

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  21. castanheira permalink
    23 Maio, 2011 22:19

    Albuquerque e costa,
    Um país que não respeita a propriedade é um país que só pode empobrecer pois o incentivo para trabalhar desaparece .Sem se trabalhar não se produz riqueza!
    Um país sem liberdade só pode ser um país pobre .Só com liberdade os cidadãos podem ter iniciativas de trabalho e consequente produção de riqueza .
    O socialismo ataca a propriedade e a liberdade , logo empobrece os países sob esses regimes .
    Portugal vive em socialismo, logo tem vindo e continuará a empobrecer.

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  22. rui a. permalink*
    23 Maio, 2011 22:19

    E, já agora, quem lhe diz que “o homem é o lobo do homem”? Não conhece a cooperação voluntária? Acha que o mundo se fez com o quê? Com estadistas a mandar no vulgo, ou com o vulgo a entender-se consigo mesmo, a estabelecer relações de comércio, contratos de direito privado, convenções e praxes sociais, etc.? Quer fazer um a análise da origem das grandes guerras da humanidade para ver se elas tiveram origem na liberdade dos homens ou no despotismo dos governantes? E, se considera que o “homem é o lobo do homem”, o que dirá dos homens que estão no poder, dotados de um poder especial sobre os demais? Serão anjos? Perdem a sua “humanidade” por causa dos aromas do poder? Desculpe lá, mas precisa de arrumar essas ideias.

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  23. Arlindo da Costa permalink
    23 Maio, 2011 22:25

    Castanheira#:
    Cioncordo. Vai dizer isso aos teus camaradas do PSD que desde o 25 de Abril, passando pelo comunismo cavaquista, foram os que mais povoaram a administração pública, as empredas públicas e os que mais legislaram para o «estado sucial» deles.
    Ainda me lembro que há dois ou três meses o Alberto João dizia que Sócrates e «este» PS era o governo mais à direita e mais neo-liberal que alguma vez Portugal teve.
    De facto Sócrates é muito mais liberal, na economia e nos costumes, do que os amanuenses que se colaram ao PSD.

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  24. 23 Maio, 2011 22:28

    Rui A.,
    Não me venha o senhor com essa conversa de que o liberalismo é o paraíso na terra. Quanto à verificação, o regime soviético confrontou a realidade com algumas hipóteses de trabalho e o resultado não consta que tenha sido bom.

    Se é essa a sua fundamentação, não lhe encontro um único argumento que não seja demagógico. Ou então o senhor desconhece que a história da humanidade é um enorme repositório de antropofagia.
    Cump.

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  25. rui a. permalink*
    23 Maio, 2011 22:38

    dp,
    Sobre a história da humanidade convém não sermos tão generalistas…
    Sobre o regime soviético e o liberalismo, confesso-lhe que não entendo a conexão, nem vejo o que lá possa estar o liberalismo a fazer.
    Quanto ao exercício da demagogia, na Universidade costumamos ser um pouco mais rigorosos com os alunos que nos fazem simples afirmações. Demonstrar é preciso, em conclusão. Não basta palavrajar.
    Cumprimentos,

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  26. Fincapé permalink
    23 Maio, 2011 22:41

    Por muito que os teóricos do ultraliberalismo se esforcem, não há qualquer teoria séria para apresentar. O que está na base da sua defesa é o egoísmo e o autoconvencimento, estilo: “eu sou muito bom, logo devo receber desmesuradamente pelos meus serviços, contribuindo o mínimo para a sociedade, essa invenção maligna!”
    Quanto às práticas, nem vale a pena falar. Os liberais EUA só o são até os seus interesses estarem em risco. Se um dia for necessário até a Coca-Cola nacionalizam. Outra experiência a ter em conta, são os pornográficos “vencimentos” que eram literalmente dados aos líderes do não menos pornográfico sistema que permitiu esta monumental crise sem que eles paguem nada por a terem provocado. Se me apetecesse fazer listas do que disse, faria facilmente, recorrendo ao google. Mas creio que não vale a pena. Toda a gente sabe isso, mas basta lembrar o senhor Greenspan, que no final do mal que provocou, apenas no final, reconheceu os erros. Muitas asneiras foram cometidas em nome de utopias igualitárias. No caso do liberalismo selvagem, elas são cometidas assumidamente para beneficiar… sempre os mesmos privilegiados que se apossam dos novos poderes… e nada bons, diga-se.

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  27. rui a. permalink*
    23 Maio, 2011 22:46

    “Se um dia for necessário”
    Descanse que não verá esse dia chegar. Já o Marx tinha “previsto” o mesmo para a Inglaterra industrial e foi o que se viu. Já quanto ao socialismo real, àquele que se implantou na “Pátria dos Povos”, a coisa correu um pouco pior…
    Cumps.,

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  28. JgMenos permalink
    23 Maio, 2011 22:47

    E se deixam-se os rótulos – PSD. PS, … – e concordassem em verificar os números.
    Quanto custam os benefícios do Estado social?
    Quanto custam as leis aparentemente ‘sociais’ como a lei do arrendamento.
    Quanto custa os pesudo-socialistas ‘fazerem o seu melhor’ pelo bem do país?
    78.000.000.000,00 é um princípio de conversa…

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  29. razia permalink
    23 Maio, 2011 22:51

    dp,
    .
    Curiosamente, os maiores exemplos de antropofagia na história das sociedades humanas, desde Estaline a Mao, passando pelo Hitler, resultaram de visões colectivistas da humanidade, de líderes iluminados e da exaltação do “bem comum” como valor supremo.
    .
    O último reduto destes sonhos molhados colectivistas é o estado social que serve de desculpa para sugarem metade do rendimento da população e imporem a sua ideologia, a troco de bancarrotas e de migalhas para os desafortunados. Os defensores do estado social total e ideal, são, por ironia, os seus maiores coveiros.

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  30. 23 Maio, 2011 22:52

    O Estado não serve para nada, menos para socializar os prejuízos, quando os meninos da banca cometem asneiras e não se recapitalizam, ou desbaratam irresponsavelmente o dinheiro dos seus clientes. Já agora também serve para impedir que a banca pague demasiado esta crise, embora tenham tido lucros ao longo dos anos que nenhuma outra área da economia teve. Os portugueses é que têm que pagar a crise dela (15 mil milhões de euros).
    Desde os anos 70, em que a desregulação dos mercados se efectivou, e em que Tatcher e Reagan trataram de mostrar ao mundo como se esmaga os sindicatos e as forças sociais, que as desigualdades têm crescido e que a pobreza extrema cresce descontroladamente.
    Claro que as universidades e escolas públicas são menos exigentes; por isso é que conheci muita, demasiada, gente que colocava os seus filhos no ensino privado para que os meninos terminassem o 12.º ano (já agora, gostaria de saber o que os críticos das Novas Oportunidades teriam a dizer sobre este facilitismo, este negócio, que já acontece há anos).
    Se simplesmente consideramos que quem nos governa é imperfeito, e consideramos natural o darwinismo (a agressão permanente), então nem sei para que somos dotados de razão. Gostaria também de saber se não é um roubo, por exemplo, a flexibilidades dos mercados laborais (contratos a prazo; exploração de imigrantes e nativos). E também gostava de saber se o facto de os mercados financeiros contornarem os governos nacionais não está na origem da instabilidade sistémica que se sente desde os anos 70, com crises recorrentes.
    A solução, então, é aceitar hobbesianamente a nossa condição e, embora pareça incontornável que nos organizemos em sociedade, prescindamos de tentar aperfeiçoá-la colectiva e humanamente.
    Se o que pensa é o que nos resta, então demos um viva ao pensamento único.

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  31. Fredo permalink
    23 Maio, 2011 22:56

    Rui A.
    A sua “civilização” é aonde? No Martim Moniz dos pobres dos indianos manifestantes por um saco com comida?
    Os indianos ainda vêm para Portugal, na esperança de uma vida melhor, porque ainda temos (algum) estado social. Se viesse o seu liberalismo, o Martim Moniz ficaria pequeníssimo para os portugueses que sobrassem do trabalho escravo. Muitos iriam mesmo fazer o que esses fazem hoje, e estariam nalguma praça de alguma cidade desse mundo em que ainda houvesse estado social.

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  32. pedro permalink
    23 Maio, 2011 22:59

    Há um pormenor inultrapassável para o pretenso “estado social” que se diz querer manter… não há dinheiro, estamos tesos, na bancarrota; para esse tal de “estado social” continuar a existir mais algum tempo (e seria só por algum tempo!), tal como está, seria preciso esmifrar / confiscar o dinheiro que sobra a quem ainda trabalha e o resultado, quando deixasse de valer a pena trabalhar, seria catastrófico… (a não ser que um país rico ou um grupo de países ricos aceitem sustentar-nos à borla, assim como existem pais que sustentam filhos inúteis a vida toda, pelo menos enquanto são vivos).

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  33. rui a. permalink*
    23 Maio, 2011 23:02

    “Muitos iriam mesmo fazer o que esses fazem hoje, e estariam nalguma praça de alguma cidade desse mundo em que ainda houvesse estado social.”
    Pois é! Mas o problema é que muitos já foram mesmo embora, e a maior parte para países como o Brasil, os EUA, a Inglaterra, onde o socialismo infelizmente, para desgraça dos nativos locais, não distribui sacolas com feijão e arroz. Uma desgraça!

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  34. rui a. permalink*
    23 Maio, 2011 23:06

    Pedro,
    Mas é isso que nos está a acontecer: o estado social continua a esmifrar-nos o dinheiro e estamos a ser sustentados, há anos, por alguns países da UE. Mas o que vale a pena reflectir é nisto: como e para onde se foi o nosso dinheiro do estado social?; quanto custaram as decisões desse estado, sempre visando o “bem-estar” dos portugueses, e no que resultaram elas?; e, já agora, as pessoas que as tomaram e implementaram eram todas “desonestas” ou, na sua maioria, apenas acreditavam naquilo que estavam a fazer?
    Cumps.,

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  35. Fincapé permalink
    23 Maio, 2011 23:09

    É relativamente fácil concluir pela idade de alguns comentadores pelos comentários que fazem. Aquilo que a maioria da juventude de 74 (e outras anteriores e posteriores) tinham de utopia, parte da actual tem de egoísmo e de convenimento. Acham que nunca necessitarão de pagar doenças caras, ou que nunca adoecerão, que terão sempre muito dinheiro para pagar tudo, que vencerão os outros no seu darwinismo social. Essa pica costuma passar com a idade e com a chegada do reumático e da diabetes. Os EUA, por exemplo, que gastam o dobro do dinheiro em % do PIB em saúde, tinham (têm) uma grande fatia da população sem saúde. Curioso. Um exemplo a seguir.

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  36. 23 Maio, 2011 23:19

    Ruia A.,
    “Sobre o regime soviético e o liberalismo, confesso-lhe que não entendo a conexão, nem vejo o que lá possa estar o liberalismo a fazer.”
    Experimente espreitar para um lago e veja como a sua imagem é reflectida. Compreenda que o liberalismo é uma utopia ou uma “mera hipótese de trabalho que segundo as suas palavras “carece de verificação real”, tal como o regime soviético colocou em prática uma hipótese de trabalho que até à data carecia de verificação real.

    “Quanto ao exercício da demagogia, na Universidade costumamos ser um pouco mais rigorosos com os alunos que nos fazem simples afirmações. Demonstrar é preciso, em conclusão. Não basta palavrajar.”
    Mas o senhor não demonstrou nada. Quanto muito limitou-se a elencar alguns defeitos generalistas dos estados que com vontade politica podem ser minorados, corrigidos e ou eliminados, e que com a maior das facilidades são replicados na sociedade civil. A isto que o senhor fez e a que chama de “palavrajar” não é outra coisa que demagogia.

    Só para clarificar as coisas, concordo com muito do que escreve e até concordo com a análise que faz dos desvios do estado social, todavia já vivi o suficiente para acreditar em revoluções.
    Cumpr.

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  37. 23 Maio, 2011 23:19

    A Magna Carta com que o Rui termina o seu texto é um bom exemplo. Apesar de todos os condicionalismos sociais que a impuseram, foi uma forma de limitação do poder. Ora, isso não só não é incompatível com o Estado Social (o que garante os serviços necessários para que diferenças de riqueza lhes limitem o acesso), como é condição indispensável para o seu bom funcionamento. Acontece que não só não conheço nenhuma proposta neste sentido dos opositores do Estado Social, como conheço o contrário (veja-se o modo vergonhoso como o PSD foi alinhando nas alterações à lei do poder local que só não foi aprovada, porque eram demasiado evidentes os objectivos de consolidação de aparelhos que visava).
    O que o rui refere, nada tem que ver com o Estado social. Trata-se, isso sim, de uma estratégia de controlo do aparelho de estado por um ou dois partidos que nele vão distribuindo as suas clientelas. A maior parte dos “serviços” que atualmente compõem o aparelho de estado e o modo como são nomeados os seus titulares, em nada interessa à população. Mais: a esmagadora maioria desses “serviços”, nem sequer são conhecidos. Curiosamente, quem ler os programas eleitorais dos partidos de poder ou que já chegaram ao poder, não encontra uma única refrência ao modo como são escolhidas as pessoas para ocuparem cargos no aparelho de estado, assim como não encontra uma única referência à utilidade de diversas direções gerais e regionais (educação e saúde, só para dar dois exemplos). Por isso, o que está em jogo é muito simples: procura-se criar o ambiente necessário para transferir para os privados, setores rentáveis e, mais importante ainda, quase sem concorrência possível. É, ao fim e ao cabo, a continuação de satisfazer uma clientela endinheirada, sem qualquer espírito de iniciativa, que se está nas tintas para o livre mercado e que sempre viveu à sombra do estado onde tem fieis representantes. Sim, porque, como diz, a gestão do estado não é ideologicamente neutra.

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  38. 23 Maio, 2011 23:21

    Onde se lê “o que garante os serviços necessários para que diferenças de riqueza lhes limitem o acesso”, deve ler-se “o que garante os serviços necessários para que diferenças de riqueza NÃO lhes limitem o acesso”. As minhas desculpas.

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  39. Fincapé permalink
    23 Maio, 2011 23:25

    Caro rui a.
    “Se um dia for necessário”… Saberá melhor do que eu a intervenção que o estado liberal americano teve de fazer nas suas “grandes” jóias do empresariado. E sabe que isso é, e será, feito sempre que estaja em causa o interesse económico americano. Sabe bem a luta que foi feita para não deixar cair o Lehman Brothers. Sabe que eles perguntavam ao Secretário do Tesouro: então, vão deixar-nos cair? Esse caíu, mas a economia toda não ruiu porque o Estado interveio. E mesmo o ignorante que presidia anteriormente teria feito o mesmo. Ou ainda mais, para salvar os amigos. É assim o liberalismo. E será sempre. O Estado serve para fazer o que o capital quer. Querem estradas, fazem-se estradas; os sectores significativos da economia estão aflitos (ou os dos amigos), o Estado intervem; a populaça quer saúde, que se desenrasquem!

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  40. Guillaume Tell permalink
    23 Maio, 2011 23:28

    Texto interessante, verídico mas que tende a ser algo extremista (mais por omissão que por outra coisa). Se de facto não se pode acreditar ingenuidadamente no Estado não se pode reclamar a sua quasi disparição.
    É um facto que o Estado em Portugal é demasiado pesado e prejudica mais o país do que outra coisa.
    O Estado português é sabido está onde não devia estar e não está onde devia estar (e em ambos de maneira abrupta). Por isso é necessário o limitar às suas funções de base (segurança, Justiça, exército, regulação (essencial, o Estado é o único com legitimidade para mandar e fazer respeitar as leis e a CONCORRÊNCIA), obras públicas (só o Estado as pode garantir), Saúde e Educação. Eu inclui os dois últimos porque se só a favor para que haja mais liberdade de escolha nesses sectores, não acredito que se os possa liberalizar (privatizar seria até mais correcto) totalemente) e as fortelacer, como é necessário reforçar a fiscalização contra ele próprio. E quem melhor que o eleitorado para fiscalizar o erário público? (Pensai na Suiça, país eficaz, liberal e com forte pendor social)

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  41. rui a. permalink*
    24 Maio, 2011 00:31

    “Compreenda que o liberalismo é uma utopia”
    dp,
    Mais uma vez lhe tenho de chamar à atenção para o facto, meu caro, de não poder fundamentar em nada do que escrevo aquilo que você diz a respeito do que eu supostamente penso. Não é que o assunto tenha importância de maior, porque não me tenho assim em tão grande conta, mas a verdade é que se há liberal que afirma que o liberalismo não é um programa de governo, nem serve para governar o estado, esse liberal serei eu. Na verdade, se se der ao trabalho do que tenho escrito sobre isto noutras paragens (sugiro o site da OrdemLivre.org), verá que é isto que afirmo e que o que eu digo é que o liberalismo é uma filosofia sobre o poder, mas não uma filosofia do poder. Por consequência, nunca poderia ser uma utopia política, a não ser que você considere o estado social um paradigma universal e intemporal, e a pretensão de limitar o governo, liberalizar a economia e privatizar as funções privadas do estado uma perigosa utopia. Aí, lamento, comete vários erros, quer porque o estado social não é uma panaceia universal, quer porque existem hoje estados com práticas muito mais liberalizadores do que aquele que você encontra em Portugal. Quer um exemplo, sem ter que ir aos EUA? O Brasil “social” do Lula e da Dilma. Quer conhecer o que dizem as leis de trabalho do Brasil sobre, por exemplo, o despedimento de um trabalhador? Acha utópico pretender para Portugal coisa semelhante ao do Brasil da Dilma e do Lula em matéria de Direito do Trabalho? Pode ser que seja. Mas neste caso é uma utopia vivida por quase 200 milhões de brasileiros.
    Cumps.,

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  42. rosa engeitada permalink
    24 Maio, 2011 00:44

    escrevendo a “sério” pelo menos uma vez…

    Leio o comentário de rui a. e não “encontro” a defesa do liberalismo, mas sim, a denúncia do logro praticado em nome do “estado social”.

    A esquerda utiliza a bem sucedida estratégia das seitas religiosas: em nome de Deus. Neste caso: em nome da esquerda. Uma decisão política com origem na direita, a sua contestação não é refutada com o argumento de ser uma decisão de direita. No caso da esquerda, utilizando uma inexplicável superioridade moral, basta apelidar a decisão de: “política de esquerda”

    Está vulgarizado: “o é preciso mais esquerda”, como mezinha para todos os males. Ninguém se atreve a perguntar: o que é isso de “mais esquerda”?

    O nosso problema resume-se a: corrupção. Nem considero incompetência. Com excepção de um ou outro ministro “pateta”, não há incompetência na nossa governação. Há calculismo. Chega-se ao ponto dos “interesses” não serem na adjudicação e concretização do contrato, mas nas indemnizações provocadas pelo seu adiamento ou, da sempre prevista anulação.

    A nossa maioria de esquerda não é corrupta, mas é solidária. Se observarmos, as denúncias de corrupção surgem sempre que a decisão está ligada a uma eventual privatização. À corrupção – sempre que ligada ao crescimento do Estado – fecha-se os olhos.

    Mesmo numa sociedade liberal, o “estado social” é algo importante para colmatar as sempre existentes desigualdades, mas… será o “estado social” que a economia puder suportar. Aqui reside a diferença. A esquerda entende que para manter o “estado social”, justifica empobrecer toda a sociedade; “matando” dessa forma a sua sustentabilidade: eis o logro.

    Faz lembrar o homem que agride a mulher diariamente, em simultâneo com românticas juras de amor.

    Nestes últimos anos, o PS não destruiu o “estado social”, destruiu a sua sustentação e, se continua, poderá destruir o “equilíbrio” da sociedade, como neste momento a entendemos.

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  43. PMP permalink
    24 Maio, 2011 00:44

    O Sr. Rui A. continua em não perceber como funciona a economia e assim continua a dizer disparates.
    .
    A agremiação dos neotontos de que o Sr. Rui A. parece fazer parte nem sequer sabe de onde vem o dinheiro, portanto não consegue propor nada de muito util na discussão macroeconomica do Estado Social.
    Vou repetir alguns conceitos chave macroeconomicos que depois de entendidos fazem perceber que o Estado Social é o único sistema politico/economico que garante um bem estar elevado:
    .
    1- Para um privado comprar um bem ou serviço tem de ter dinheiro. Se os privados tiverem menos dinheiro compram menos coisas e o desemprego aumenta porque as empresas produzem menos coisas;
    2- Devido ao risco sobre o futuro , os privados não gastam tudo o que ganham e assim compram menos coisas.
    3 – O estado social minimiza o risco para os privados e assim os privados compram mais coisas, do que comprariam sem estado social.
    4 – Quanto mais coisas de comprarem mais impostos se pagam, quer IVA quer IRC e IRS e assim atinge-se o equilibrio
    5 – Só falta perceber de onde veio o dinheiro inicial, mas isso é só para alguns (os neotontos estão a milhas)

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  44. rui a. permalink*
    24 Maio, 2011 01:11

    Prezado PMP,
    Você é um génio, homem de Deus! Cada palavra que escreve é uma pérola de sabedoria económica. Que talento! Ainda vai a ministro das finanças, um destes dias. Se não for, não hesite: escreva ao próximo e explique-lhe tudo o que sabe, fruto certamente de profundo estudo, leitura e meditação, sobre a magnífica ciência macroeconómica. De homens como você é que o país precisa, caramba! Só um pequeno pormenor, para o caso das coisas não correrem pelo melhor, devido, claro está, a mais outra crise mundial: o dinheiro já não vem das rotativas instaladas na Casa da Moeda, em Lisboa! É preciso ganhá-lo ou pedi-lo emprestado. Uma maçada, em suma! Dá um trabalhão danado. Agora, veja lá se lê e aprende algumas coisitas, em vez de andar por aqui a arranhar barbaridades do nível do ensino secundário das novas oportunidades.
    Cumprimentos compreensivos,

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  45. lucklucky permalink
    24 Maio, 2011 02:02

    Mais um texto comido pelo monstro do blasfémias…deve ter uma palavra proibida…

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  46. Unreal permalink
    24 Maio, 2011 05:30

    “E mesmo o ignorante que presidia anteriormente teria feito o mesmo. Ou ainda mais, para salvar os amigos. É assim o liberalismo. E será sempre.”

    Isto é a prova de que a desinformação constante que por aí anda faz sucesso entre os carneiros. Salvar um banco com ou sem amigos é chamado de liberal, com ou sem prefixos. Sim senhor! Não é deixá-lo falir e assumir responsabilidades a seguir que é liberal, mas sim injectar-lhe dinheiro dos contribuíntes. A novilíngua em todo o seu esplendor. A nacionalização do BPN também deve ter sido um marco liberal na nossa história, só pode. Conseguem escrever duas frases que se contradizem entre si e pensam que arrotam grandes postas de pescada. Se fossem antes praticar plancking em varandas o mundo agradecia… Ou se não vos apetecer, ao menos digam onde vão buscar o dinheiro para o que querem sustentar sem caírem em derivas totalitárias (em nome de um bem comum qualquer muito bem intencionado, claro), ou entretenham-se a fazer filhos que alimentem o esquema de Ponzi que é todo o vosso querido estado social.

    É que toda a gente já concordou que seria excelente ter o estado social perfeito, mas ninguém tem ideias para o sustentar que não caiam nas inevitáveis invejazinhas ou que tenham o mínimo de efeito em sustentá-lo. Para isso seria preciso que se trabalhasse, o que não pode acontecer quando metade do país passa metade do tempo a pensar na sexta ou feriado seguinte e a outra metade a invejar ou odiar qualquer coisa, animada ou inanimada, ou na forma de pior fazer o trabalho que tem a fazer, através de dicas em vez de raciocínio, ou na forma de aplicar cunha em vez de mérito, (tendo o mérito de arranjar cunha e quiça boa reforma), ou na forma de meter mais uma baixa (invariavelmente por motivos psicológicos, pois o que temos são crianças mentais até aos 45 anos e velhos mentais imediatamente a seguir), ou no tempo que precisa de trabalhar para a próxima sazonalidade de subsídio de desemprego, ou quantos tem de meter em casa para chegar a uma quantia aceitável de rendimento mínimo + subsídios diversos, ou na forma de melhor engraxar o chefe ou qualquer coisa que cheire a ter um pouco mais de poder e respectivo dobramento de costas e mente, ou na melhor forma de esgotar a paciência dos outros na estrada e nos passeios, ou na melhor forma de desonestidade intelectual e baixezas conexas a aplicar na próxima conversa, invariavelmente sobre esferas, ou ainda a melhor forma de justificar a perda de valores e fazer disso algo bom, ou a suspirar que os portugueses lá fora é que trabalham bem pois lá aceitam limpar cús e escadas enquanto cá estar quieto rende mais (deve ser porque ninguém está a ver), ou na melhor forma de desancar o professor que se atreveu a corrigir o estupor do rebento (tendo o professor razão, o que ainda deve dar mais gozo), ou na melhor forma de lixar o aluno do qual não gosta da ferormona, mas mesmo assim aplicando toda a peidagogia que conseguiu transformar em mnemónica, e no fim adormecer ao som de uma bela telenovela…

    Se a isto em 100 anos não acontecer o mesmo que à ilha de Páscoa, é uma sorte.

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  47. Guillaume Tell permalink
    24 Maio, 2011 09:12

    Caro Rui A., eu acho que o senhor não me compreendo totalemente. Eu sou a favor de “mais” liberalismo (aspas porque ao fundo essa frase não quer dizer nada gramaticalemente), mas também de MELHOR Estado. É óbvio que o Estado social não é um paradigma intemporal, mas o Estado sim (enfim nas sociedades ditas complexas) e tem uma razão de existir, que é de garantir a estabilidade e a pacificação da sociedade. Porque se é óbvio que são os indívidos que fazem a riqueza, a cultura, o progresso, também são eles que têm tendência a se quererem “escravizaram” os uns aos outros, ora cabe o Estado impedir que a sociedade viva na lei do mais forte (concorrência e acesso a certos bens e serviços (Saúde e Educação) que é isso que quer dizer ao fundo).

    E se de facto o liberalismo é uma filosofia sobre o poder, cabe (e digo bem cabe, seria o ideal) ao poder de ter uma filosofia prágmatica, baseada sobre preceitos liberais e “sociais”. E a melhor maneira de nos assegurarmos de isso, e eu sei que sou repetitivo, é de instituir a democracia semi-directa.

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  48. Fincapé permalink
    24 Maio, 2011 10:18

    Carneiro é a tua tia!
    Quanto ao resto, ler e interpretar não é para qualquer um. É só para quem sabe.

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  49. 24 Maio, 2011 10:31

    No Ocidente temos um sistema de parasitismo económico, em que alguns países ditos “desenvolvidos” se dedicam a cobrar juros de dívida, dividendos dos seus investimentos e arbitragem laboral em “economias emergentes”. Enquanto isso, a sua população trabalha nos serviços ou no acabamento de produtos manufacturados no ultramar. Quantas vezes o acabamento consiste apenas na colocação de uma etiqueta? Mas o comércio não chega para manter a vitalidade de uma sociedade. Boa parte dos cidadãos dos “países desenvolvidos” acaba por cair na indigência moral, laboral, ou ambas. O parasitismo estende-se das classes altas às classes médias e baixas. E aí entra o dito “Estado Social”, como mecanismo redistributivo do parasitismo que assim se generaliza, como as metástases de um cancro, a toda a sociedade.

    A ética do trabalho tem sempre dois elementos, a saber: UM, o respeito e orgulho do trabalhador pela sua profissão; DOIS, o respeito do empregador e do gestor pelo trabalho e dignidade profissional dos empregados e subordinados. Tendo desaparecido ambas as faces da ética do trabalho, a sociedade dos países ditos desenvolvidos converte-se num bicho parasitário, num vampiro das riquezas produzidas no ultramar. A última etapa, que estamos agora a viver, é a destruição dos sistemas de ensino. Com a população assim zombificada, a regeneração da sociedade torna-se impossível.

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  50. Ricardo Sebastião permalink
    24 Maio, 2011 10:59

    5*****

    Deviam ao menos discutir este texto nas escolas secundárias deste país!

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  51. 24 Maio, 2011 11:40

    Dizer que o Lberalismo é uma “filosofia sobre o poder” e não uma “filosofia de poder” é uma forma simpática de dizer que já se percebeu ser irrealizável (curiosamente, pode-se dizer o mesmo das ideias de Marx e Engels). Montesquieu, pensou em formas de poder; Ricardo, penso em formas de organização económica só possíveis com alterações nas formas de poder (do seu tempo); Locke pensou formas de governo… Só que a relaidade foi cruel. Já gaora: haverá maior utopia do que a do livre mercado?

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  52. 24 Maio, 2011 12:24

    Andamos em círculos. Se o “socialismo real” precisava de um ser humano com uma ética e um altruísmo exigentes, está-se agora a ver que a economia liberal de mercado não precisa menos disso. Está precisamente a falhar a ideia de que uma colecção de egoísmos pode ser geradora de ordem social. Aparentemente pode tanto quanto uma colecção de dogmas igualitários.

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  53. Sérgio permalink
    24 Maio, 2011 12:24

    Pessoalmente eu darei mais credibilidade ao pradigma “liberal” da sociedade quando este for defendido por um pobre, de preferencia a quem tenha morrido um filho por falta de cuidados médicos devido à falta de dinheiro para os pagar e sem que nenhuma caridadezinha tenha intervido a tempo.

    Em relação ao Brasil e aos USA, só a quantidade de homicidios/ano nesses dois países mostram bem como estão lançados no caminho da prosperidade. Só que essa prosperidade fica-se pelas elites e pelos apaniguados directos… O resto que trabalhe, sue, sangre e morra.

    Espero que um dia os papalvos se apercebam que o “liberalismo” irá resultar no neo-feudalismo em que a populaça ficará à mercê dos caprichos do patrão local e/ou dos grupos rentistas. Ou você acha que sem regras não predominará a lei do mais forte? Ou se é apologista do minarquistmo, por intervenção divina as “elites” deixarão de controlar a Justiça e as forças de Segurança/Defesa?

    O Liberalismo não é mais do que a justificação para as massas de medidas que irão enfraquecer a democracia e promover o bem estar e riqueza das elites. E será essa a realidade até ao proximo banho de sangue.

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  54. 24 Maio, 2011 12:31

    Sérgio,
    «O Liberalismo não é mais do que a justificação para as massas. de medidas que irão enfraquecer a democracia e promover o bem estar e riqueza das elites»
    j kenneth galbraith explicou muito bem essa saga dos afortunados!

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  55. 24 Maio, 2011 12:32

    Sérgio,
    obrigado pela sua síntese muito bem conseguida!

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  56. 24 Maio, 2011 13:24

    Pois é, Sérgio, vc. não sabe do que fala quando se refere ao Brasil e aos EUA nesses termos. Sugirop-lhe que visite esses doias países antes de opinar sobre eles. Vá a São Paullo, por exemplo, visite uma cidade próspera e desenvolvida, com quase 18 milhões de habitaantes, onde não há praticamente desemprego e os empregos são de longe melhor remunerados do que em Portugal, e depois escreva o que lhe apetecer.

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  57. neotonto permalink
    24 Maio, 2011 13:46

    “Vá a São Paullo, por exemplo, visite uma cidade próspera e desenvolvida, com quase 18 milhões de habitaantes, onde não há praticamente desemprego e os empregos são de longe melhor remunerados do que em Portugal, e depois escreva o que lhe apetecer”

    Pois, pois

    ja seí onde vai aterrar o Rui quando esta etapa neo- concluir…Fazer de Sao Paulo um nao-Estado independiente do Brasil. Aquí se començou a por a primeira pedra…

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  58. CAL permalink
    24 Maio, 2011 13:49

    Estou confuso. Não foram os Liberais que criaram o estado social vingente? O partido socialista no governo, não o soube aperfeiçoar por interesses escusos, engana as pessoas com políticas populistas. Neste país só existem três formas de sobreviver sem ser escravo: entrar para a política, fazer parte de uma colónia de ciganos e por último, residir nas bafejadas ilhas Lusitanas.

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  59. CAL permalink
    24 Maio, 2011 13:50

    Erro: vigente

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  60. rui a. permalink*
    24 Maio, 2011 13:51

    Cara Sr.ª Neo,
    E argumentos, alguma coisa?

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  61. neotonto permalink
    24 Maio, 2011 13:59

    Nao ha argumentos porque era uma prediçao a-cientifica.

    Menos fundamentada portanto que esta…dá 19 C graos de temperatura na citada cidade…

    http://www.tutiempo.net/tiempo/Sao_Paulo_Aeropor-To/SBSP.htm

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  62. 24 Maio, 2011 14:36

    Rui A.,

    Lamento, mas só agora tive oportunidade de voltar.
    Quando afirma que eu desconheço parte do que escreveu sobre este tema, é a mais pura das verdades. Por isso com as limitações inerentes a ao completo conhecimento do seu pensamento sobre o tema, limitei-me a comentar o que escreveu e os caminhos que apontava.

    Estando sem tempo para me alongar, diria apenas em resposta ao seu comentário que a responsabilidade de lhe atribuir ideias utópicas é minha e mais abaixo explico porquê. Mas porque de facto, e mais uma vez com as limitações acima afirmadas, creio que de facto o que defende é uma distopia em relação ao modelo social europeu em que vivemos e não apenas melhoramentos ou actualizações que podem e devem ser introduzidos.

    Segundo os modernos conceitos de Utopia por evolução da de More, estes actuam sobre a sociedade e não apenas sobre o governo ou o pensamento político. Sendo que uma das permissas das modernas Utopias que Mannheim enuncia, é quase uma das suas respostas a um dos comentadores e passo a citá-lo “as meras hipóteses que carecem de verificação real”. Foram estes os motivos que me levaram a atribuir-lhe ideias utópicas.

    Finalmente, em relação ao que me perguntou sobre o estado social como modelo, a resposta é sim; acredito que pela coesão social trazida ao longo das últimas décadas é um paradigma europeu. Quanto à sua intemporalidade, não lhe sei responder.
    Se necessita de ser aperfeiçoado quanto à gestão não tenho dúvidas, e quanto às diferenças existentes nos vários países não me causam problemas.

    Desculpe lá isto estar tudo mal embrulhado e pouco desenvolvido, mas estou com pouco tempo para mais.
    Cump.

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  63. Ricciardi permalink
    24 Maio, 2011 15:50

    E, não obstante, as sociedades existem, porque as pessoas precisam de viver umas com as outras.
    Estou mesmo convencido que, até os liberais, concordam que uma sociedade é necessariamente composta por individuos de toda a espécie e feitio. Uns gordos, outros magros, uns mais burrinhos, outros mais finos, e doentes cronicos e empreendedores fantasticos e outros menos fantasticos, e rabetas e fufas e assassinos e padres e imagine-se, é constituida até de liberais e comunistas… a sério.
    .
    Enfim, temos de aceitar a realidade como ela é. Precisamos de todos. É verdade, de todos. Uns e outros fazem a sociedade, o mercado para alguns.
    .
    Neste sentido, cada um pode e deve esforçar-se por potenciar as suas qualidades naturais ou adquiridas e melhorar a sua vidinha de acordo com o seu esforço e mérito. A sorte tem de dar uma ajudazinha, claro, mas estatisticamente quem se esforça acabará por alcançar.
    .
    Mas na sociedade tambem existem preguiçosos ou ociosos e doentes e inacapazes…. Faz parte integrante dela. Os motivos são irrelevantes, embora possam ser atendiveis. A natureza das coisas, o mercado para alguns, encarrega-se de recompensar cada um pelo seu esforço, regra geral. E se assim fosse, linearmente falando, e extrapolando para a sociedade, os fracos seriam eliminados.
    .
    Morreriam naturalmente. O preguiçoso por inanação, os doentes e incapazes por razões obvias e os desempregados, de fome.
    .
    Nasceu assim a ideia do estado social. Mesmo os fracos da sociedade, além da utilidade do exemplo, são pessoas e merecem, assim, viver. Religião aparte, é obrigação de todos solver as necessidades básicas (ou de sobrevivencia) de alguns, seja por que motivo for.
    .
    Religião aparte, é obrigação de todos assegurar que TODOS os filhos dos mais fracos podem ser fortes um dia. É obrigação de todos assegurar boa saúde e educação para os filhos dos outros. Sem prescindir da sua sobrevivencia. Afinal de contas, que culpa tem uma criança pelo facto dos seus pais serem bebados ou doentes ou outra coisa qualquer.
    .
    A pureza ideologica, dos liberais e comunistas, nem se pode chamar de utópica. É uma brincadeira, só pode.
    .
    Pegamos em algumas ideias de uns e outros e aplicamo-las à realidade. E até se complementam. A sério. O liberalismo com a sua preocupação nas qualidades do individuo, e portanto egoista, resulta bem para questões micro-economicas. A concorrencia é isso mesmo. Lutar para ter um lugar melhor do que a concorrencia. Seca-la de preferência. Os meus interesses fazem-me lutar contra quem me impede ou limita. Quero sempre mais, evidentemente. E isso leva a que eu me aperfeiçoe… que estude, que me empenhe, que conheca o adversario. A ideia é fazer melhor do que os outros e colher os proventos decorrentes. É claro, se eliminar a concorrencia, fruto do meu mérito pessoal, acabo por dominar o mercado. Esse é o meu objectivo. Ganhar tudo, ou comer tudo como diria Zeca Afonso. O que é natural e salutar até.
    .
    Mas a chatice é que, a sociedade, nessa altura, precisa de criar regras por forma a evitar que o vencedor absoluto continue a sua senda abocanhadora e permita, à força da lei, que outros apareçam a disputar. Afinal de contas não podemos deixar que o vencedor se deite à sombra da bananeira. Temos que alimentar a concorrencia e assegurar que ela exista. Ao estado, esse papão, cabe-lhe fazer acontecer tal desiderato.
    .
    E aí, aparece o socialismo. Ah e tal mas as pessoas estão mal e nem dinheiro tem para comer ou tomar as vacinas. Mais grave, os mais fracos (por comparação com os mais forte ou sortudos) asseguram que precisam de pôr os filhinhos a trabalhar. O mais velho, aos doze anos, terá de trabalhar para sustentar os irmãos, distorcendo o mérito. E se preciso for, os outros tambem vao trabalhar, agarvando o mérito por razões puramente financeiras. Afinal de contas, que culpa tem o vencedor do mercado, que existam crianças ou outras pessoas com serias dificukdades de sobrevivencia? aahhh
    .
    Pois é, não tem culpa alguma, o vencedor claro. Mas a paixão pelas coisas que o seu génio conquistou raramente lhe permite abrir mão de umas codeas. O estado é chamado novamente. Tu, meu, vais pagar 25% dos teus lucros para nós podermos assegurar que o teu mercado continua, desculpe, a sociedade continue. E vamos fazer hospitais e escolas e tribunais e outras cenisses.
    .
    Ok, estado, tu mandas, mas não abuses. Olha que se te pões com coisas tiro daqui os meus negócios. Sim senhora até estou disponivel a ajudar quem precisa, mas vê lá se não os habituas mal… eles devem sentir que, embora a sobrevivencia esteja garantida, a qualidade de vida só se alcança com mais esforço. O estado, nem sempre ligou a estas sábias recomendações. Alguns governantes até se aproveitaram pessoalmente dos dinehrios que era suposto existir para equilibrio da sociedade.
    .
    E foi assim que, os empresarios, tambem movidos por alguma ganancia, resolveram dar uma lição aos estados que lhes tiravam dinheiro em excesso e criavam condições cada vez mais custosas para empreender ou manter o nivel de lucros.
    .
    Resolveram sair do país. E viram que isso era bom, como Deus quando fez o firmamento. Produzir barato na China, embora com trabalho escravo, era coisa apetecivel. Eles lá nem ligam se despejar tinta vermelha no rio. E os trabalhadores nem precisam de usar mascaras. Eles são tantos que se morrem de cancro até alivia.
    .
    E o que interessa é que, produzindo lá, enviando para cá, alem de manter os lucros, até os aumento. E não tenho que pagar cenisses para os mais fracos. Não.
    .
    Bem, a sociedade entrou em depressão. Ainda tentaram manter o mesmo nivel, contraindo emprestimos sucessivos. Emprestimos esses que vem da China, whatelse? Além de desempregados e em depressão, agora, temos tambem dividas.
    .
    A solucao encontrada é reduzir a assistencia aos fracos, dizem os experts na materia. Que morram para aí à vontade. Eis a solução do milagre economico do futuro.
    .
    RB

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  64. rui a. permalink*
    24 Maio, 2011 15:59

    dp,
    Vamos a ver, por pontos.
    Quanto às “utopias”, certamente que as utopias políticas são as ideologias ou teorias políticas que pensam ser possível agir verticalmente sobre a sociedade e transformá-la segundo a vontade de uma elite dirigente. Ora, esse é um dos pontos contra o qual o pensamento liberal mais se rebela, e, se quiser confirmar o que aqui digo, sugiro-lhe que leia o que Hayek (para mim o autor liberal mais importante de sempre) escreveu sobre o “construtivismo” (a engenharia social política). Não poderia ser mais contundente. Esta crítica liberal ao construtivismo tem pressupostos epistemológicos (as limitações do conhecimento humano), consequências políticas (a impossibilidade da planificação, o fracasso do dirigismo, a importância da liberdade enquanto verdadeiro processo de desenvolvimento social, económico e humano, etc.), e é património do pensamento liberal, que em momento algum sugere a “construção de uma sociedade liberal”, mas que se limita a afirmar que uma sociedade onde vigorem os princípios do governo limitado, da propriedade privada, do respeito pelos direitos fundamentais, da liberdade de expressão, da economia de mercado, etc. será uma sociedade mais desenvolvida, mais próspera e mais feliz do que qualquer outra.
    Mas um ponto importante sobre as utopias políticas, ou o construtivismo social, se quiser, é que elas são de várias tonalidades e graduações, o que me parece que você não aceita, encerrando aí uma contradição no seu raciocínio que me parece dificilmente superável. Ou seja: um estado onde uma elite dirigente, que manipula os mecanismos da redistribuição e do mercado, atinge o pleno emprego e o bem-estar social pleno é, ela também, uma utopia. Não pretende, como nos regimes soviéticos, construir o “homem novo”, mas não abdica do homem plenamente feliz, seguro e com acesso pleno aos bens de consumo e lazer (educação, saúde, ambiente, habitação, emprego, etc.) que farão dele um homem realizado. Ora, isto é o Estado Social e é, a meu ver, uma enormíssima utopia. Primeiro, porque é dirigida por uma elite governante e utiliza uma metodologia de execução vertical. Segundo, porque é supostamente feita através de recursos alheios, e fazer a caridade com o que não é nosso não é, perdoe-me, fazer caridade alguma. Terceiro, porque ignora a natureza humana. Não deixa, aliás, de ser caricato que os críticos do liberalismo digam que ele é inexequível porque, citando (mal) Hobbes, “o homem é o lobo do homem”, e depois confiem em meia-dúzia de homens para governarem todos os outros. Melhor lhes faria lerem um bocadinho Maquiavel, para entenderem o que verdadeiramente move os homens que estão na política. E quarto, porque esta visão ignora o que seja a burocracia e o crescimento autopoiético do estado. As consequências desta utopia são as que temos à vista em Portugal: em vez de desenvolver o país e de criar bem-estar social, arruinou-o, faliu-o e trouxe miséria, desemprego e uma crise económica e social sem precedentes. Espero que você concorde que isto não é devido exclusivamente aos últimos anos de governo e que o país já vivia acima das suas possibilidades há muito. Ainda que os culpados fossem somente os governantes mais recentes, teria sempre sido este sistema político e económico, que permite a apropriação unilateral de recursos para a redistribuição conforme os critérios de quem governa, que os autorizou a fazê-lo, o que é, mais uma vez, uma demonstração eloquente do fracasso do sistema.
    Sobre a União Europeia, eu diria que a considero uma realização absolutamente notável nos mais diversos domínios, mas que tem vindo a falhar em muitos outros, temendo eu que os fracassos possam fazer abortar o projecto inicial, que era o desenvolvimento cataláctico (isto é, não dirigido, ou, se quiser, pelo método dos “pequenos passos” de Jean Monnet) de um espaço inter-estatal de paz e harmonia, baseado na liberdade de comércio. O assunto da UE mereceria muitos outros desenvolvimentos (talvez comece a escrever sobre ele, no Blasfémias, por um destes dias), mas dir-lhe-ia somente, e para terminar este já longuíssimo comentário, que não existe, a meu ver, um “modelo social europeu”, e que onde esse modelo é sinónimo de Estado Social (Portugal, Grécia, a Espanha dos últimos anos, a própria França), as coisas estão longe de correr bem. Mas este é, como lhe disse, um outro assunto que não pode ser ligeiramente tratado, como o estou a fazer aqui.

    Cumps.,

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  65. 24 Maio, 2011 16:03

    Ricciardi,
    magnífico comment!

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  66. 24 Maio, 2011 16:50

    Rui a:
    Só um comentário. De facto, há muito que Portugal está deficitário. Historicamente, esse é um mal que acompanhou a parte final da monarquia, a república, o estado novo… por aí fora. Limitando-me aos últimos anos, sabemos que a maior parte desse endividamento foi privado e não público. Sabemos, também, que não foi provocado para criar qualquer serviço orientado para as mais prementes necessidades da população: saúde, educação, justiça, segurança, combate à pobreza. Então, que tem isso que ver com Estado Social? E essa de dizer que, na europa, ele existiu, sobretudo, em Portugal, Grécia e Espanha carece de fundamentação. Esses são, precisamente, os países onde, em minha opinião,é forçado falar nele.

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  67. 24 Maio, 2011 17:49

    Ricciardi,
    Na mouche! O que acho mais espantoso é como, apesar do todo o cromatismo existente, se consegue sempre ver só a preto, ou só a branco, esquerda ou direita, comunismo ou liberalismo. O Estado deveria ser um árbrito imparcial. Não é, nem tem sido. Nem sequer precisamos de inventar a roda. Uma boa parte do trabalho já foi feito por outros e a História podia ter um papel importante nesta percepção, mas estamos todos demasiado focados na nossa pequenez e ideias feitas.
    http://carecacompelo.blogspot.com/2011/05/nem-estado-mais-nem-estado-menos.html

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  68. PMP permalink
    25 Maio, 2011 01:12

    O Sr. Rui A. é uma espécie de neotonto que não percebe ou não quer perceber (por questões ideológicas ou de crença) como funciona a economia e continua a dizer disparates sobre o estado social.
    .
    Claro que o Sr. Rui A. como outros neotontos já percebeu que este Euro estúpido foi inventado para implementar a ideologia/crença/religião que professa.
    .
    Mas o Sr. Rui A. e outros neotontos poderiam ganhar alguma credibilidade se explicassem aqui à malta de onde vem o dinheiro e se refutassem os meus singelos argumentos macro-económicos em vez de escreverem comentários bacocos e infantis.

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  69. 25 Maio, 2011 09:30

    «este Euro estúpido foi inventado para implementar a ideologia/crença/religião que professa.»
    Também o acho!
    o grande problema é que o tiro está a sair pela culatra, mas o maior problema é que quem se f* somos todos nós…mas para os liberais o que conta são os indivíduos e esses átomos saem ilesos ao que parece…

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  70. 25 Maio, 2011 12:19

    Só o liberalismo utópico é que não massacra o indivíduo. O liberalismo real, tal como o fez o socialismo real, massacra e reduz o indivíduo à indigência moral e, ao fim de poucas gerações, ao parasitismo social.

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  71. tiago permalink
    25 Maio, 2011 17:42

    “Claro que o Sr. Rui A. como outros neotontos já percebeu que este Euro estúpido foi inventado para implementar a ideologia/crença/religião que professa.”

    PMP,
    está então a afirmar que esses senhores inventaram uma moeda única controlada por estados, criando dinheiro artificialmente, para implementar a ideologia de uma moeda com valor real controlada e definida voluntariamente (como por exemplo o ouro)? é preciso muito descaramento para fazer uso de tanta ignorancia

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  72. rui a. permalink*
    25 Maio, 2011 19:11

    Sobre o que os liberais sobre o dinheiro, e para ver se os disparates que aqui têm vindo a ser escritos abrandam, sugiro a leitura disto:

    Também gostaria de lhes recordar vários comentários feitos pelo Friedman na altura da criação do euro, mas não tenho nenhum link à mão.Quando tiver tempo para os procurar darei notícias.
    Cumps.,

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