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que não se mexam, não…

13 Setembro, 2012
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Caro João,

Com certeza que a falência do estado português só será recuperável com um conjunto cumulativo de medidas que reduzam significativamente a despesa pública e permitam que ela venha a ser sustentada, num prazo que será certamente distante, mas que não se pode perder de vista, por impostos equilibrados, que não asfixiem nem destruam a economia. Até aqui estamos todos de acordo.

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O problema está em que, mais uma vez e à semelhança dos governos anteriores, este tem vindo a tomar medidas de fundo quase somente por via da receita, aumentando impostos que não têm servido para sustentar essas tais reformas necessárias a que te referes: a da estrutura operacional do estado (para o que conviria, de vez, definir onde o estado deve e não deve estar); dos custos salariais pagos para manter essa estrutura e as suas finalidades ditas sociais; e, por fim, das pensões, que são um corolário natural da sua pesada estrutura operacional. Ora, como o João Caetano Dias aqui assinalou muito bem, é nisso mesmo que o governo tem falhado: na falta de ímpeto reformista, transmitindo às pessoas a convicção de que apenas e só lhes está a ir aos bolsos.

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Em democracia, caro João, os governos decidem por consenso com os principais agentes sociais e o eleitorado. Sem esse consenso não lhes é possível governar e, consequentemente, tudo o que fizerem será em vão. No estado em que se encontra Portugal, onde a crispação política está compreensivelmente levada ao extremo, o governo necessita de obter o consenso da generalidade das pessoas sobre as medidas duras que está a tomar. Não basta pôr um académico, sem capacidades oratórias, a explicar, na televisão, que o milagre económico foi encontrado numa medida de evidente recorte keynesiano, de redistribuição de renda para baixar custos salariais às empresas e gerar emprego. A isso é que eu chamo energia muito mal direccionada, porque não convenceu ninguém, tão pouco os nossos credores, e, por si só, numa sociedade plural e democrática, isso é mais do que suficiente para a condenar ao fracasso.

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Para conseguir o consenso sobre as medidas que tomou e que venha a tomar, e que ninguém nunca esperou que fossem menos do que duríssimas, o governo terá que dar o exemplo. Terá de demonstrar uma séria determinação reformista e de anunciar, com a máxima urgência, onde e quando vai cortar da despesa pública da sua estrutura operacional. Poderia, de resto, dar-se a si mesmo como exemplo (como Passos sugeriu que faria, ao anunciar, quando foi indigitado primeiro-ministro, que o seu governo seria o mais pequeno do período democrático), começando, de imediato, por reduzir estas obscenas listas de altos funcionários políticos, polvilhadas de boys and girls a ganharem milhares de euros por mês em salários brutos, para além das alcavalas das ajudas de custo e representação, que são injustificáveis em momentos de crise profunda como a que vivemos, em que exigimos a quem ganha miseravelmente que receba menos ainda.

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Estas e outras são “gordurinhas”, se  comparadas com a gigantesca adiposidade que é necessário cortar ao bicho? Sem dúvida. Mas o governo e os seus dirigentes que não comecem, já, por elas, que verão a repulsa e o asco com que os portugueses passarão a tratá-los.

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23 comentários leave one →
  1. trill permalink
    13 Setembro, 2012 14:39

    “ou então num instituto qualquer fazendo sabe-se lá o quê…organizando festas de 150.000 Euros, talvez”
    http://port.pravda.ru/cplp/portugal/11-09-2012/33697-portugal_sacrificios-0/

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  2. trill permalink
    13 Setembro, 2012 14:43

    “Desde meados dos anos noventa, assistimos a um deslise constante, assistimos a uma desgovernação por incompetentes que esbanjaram o dinheiro dos contribuintes, que deixaram Portugal com os piores salários, com preços de comida e de utilidades públicas a aumentar ano após ano, não protegeram o povo quando o país entrou no Euro (sem perguntar a ninguém se queria deixar o Escudo), quando os preços duplicaram ou triplicaram e deixaram os portugueses com uma das mais altas taxas tributárias na Europa (os pobres, claro, não os ricos).”

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  3. trill permalink
    13 Setembro, 2012 14:44

    “uma solução. Basta dizer que esta não reside nos três partidos acima referidos, como é mais que evidente.”

    http://port.pravda.ru/cplp/portugal/11-09-2012/33697-portugal_sacrificios-0/

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  4. trill permalink
    13 Setembro, 2012 14:50

    pelo menos o Rui vai dizendo algumas coisas evidentes. Tirar os tachos aos boys e girls é a última coisa que os partidos do centrão querem pq têm mêdo de ficar sem regimento. Por isso não fecham os institutos dispensáveis e insultuosos para quem passa mal. Pelo menos os russos já tomaram consciência da realidade do lugar. Outros se hã-de seguir.

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  5. trill permalink
    13 Setembro, 2012 14:52

    “listas de altos funcionários políticos, polvilhadas de boys and girls a ganharem milhares de euros por mês em salários brutos, para além das alcavalas das ajudas de custo e representação, que são injustificáveis em momentos de crise profunda como a que vivemos, em que exigimos a quem ganha miseravelmente que receba menos ainda.”

    Idem para os IP’s e Fundações que vivem penduradas no orçamento de Estado.

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  6. trill permalink
    13 Setembro, 2012 14:54

    aqui está um boy (pq para além dos boys dos partidos há os “outros”) e um instituto :
    Fernando Dias Nogueira (presidente do ISP),
    http://www.parlamento.pt/Paginas/XII1SL_PresidenteISPCOFAP20120516.aspx
    http://doportugalprofundo.blogspot.pt/2012/09/a-lista-incompleta-de-membros-do-grande.html

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  7. Tiro ao Alvo permalink
    13 Setembro, 2012 14:56

    Tem toda a razão. O governo deveria cortar nos seus próprios vencimentos e nas outras benesses. O mesmo para os deputados. Os governantes deveriam evitar nomeações que ninguém entende, como foi o caso das nomeações feitas pelo Ministério da Saúde, para os Centros de Saúde da Região Norte e dos muitos meninos e meninas, com menos de 30 anos, nomeados como especialistas para os diversos gabinetes dos nossos governantes. Especialistas em quê? Em sacar dinheiro imerecido?

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  8. ti miguel antonio permalink
    13 Setembro, 2012 14:59

    Apelo ao senhor Passos Coelho.
    Tenha senhor primeiro ministro a coragem histórica e o exemplo ético de fazer com que terminem os previlégios dos ex politicos qualquer coisa deste país, incluindo os presidentes e primeiros como o senhor. Pode ser um sonho utópico mas é nestas situações de rotura que os ” liders da historia” aparecem e fazem da verdade e da equidade ao nivel dos direitos e dos deveres uma pratica objectiva da boa politica. Era bom não ficar apenas como utopia este sonho. este pais bem gerido pode ser um exemplo para a humanidade, tem a medida certa…. .

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  9. trill permalink
    13 Setembro, 2012 15:05

    “Especialistas em quê? Em sacar dinheiro”

    “especialista” é o termo fixe para pôr qq um que tenha feito por ex uma acção de formação curta em determinada área a ganhar montes de $$$ como “especialista” naquilo.

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  10. trill permalink
    13 Setembro, 2012 15:08

    porque se colocam mestrado em tal – para ser “especialista” em qq coisa – aparecem logo cem pessoas com aquele mestrado e notas mais elevadas, entornado-se o caldinho. Por isso é mais seguro porem “especialista” e nada mais. Que até impressiona mais e fica tudo na dúvida pois ficam as (algumas) pessoas a pensar que é um doutor com “n” pos-docs na “especialidade”.

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  11. trill permalink
    13 Setembro, 2012 15:11

    nos IP’s nem há esse trabalho: nomeiam o presidente, este nomeia os directores, secretárias, motoristas, “especialistas”, etc, e é como se fosse um governo inteirinho spara o presidente e seus boys e girls. E ninguém sabe de nada e ninguém pergunta nada.

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  12. 13 Setembro, 2012 15:19

    Caro rui a, mais uma vez concordo consigo e, confesso, que ao ler os posts de JM, HM e JMF (não falo do CAA que não merece a pena) me sinto cada vez mais constrangido.
    .
    Há muitos erros de base na governação de PPC e, também, na liderança do PSD. Já se sabia que a governar contra as suas bases de apoio os partidos da coligação só podiam acabar mal mas, em determinada altura, parece que PPC se considerou como o ser predestinado para a derradeira missão de salvar o País, contra tudo e contra todos.
    .
    Isto é tão estúpido que até arrepia, particularmente se tivermos em consideração o facto de estarmos perante um político profissional, que o é, com um curto interregno, desde que começou a usar calças.
    .
    O facto é que se percebe agora que PPC não conhecia o País que queria salvar e que achou que ao colocar determinação no lugar da inteligência e do conhecimento resolvia o problema. Pobre criança!
    .
    Para mim tudo isto assumiu uma clareza tal desde a passada primavera (fui deixando por aqui as minhas preocupações e, por vezes o meu desespero), que me entontece o facto de tanta gente cuja capacidade reconheço ter permanecido cega.
    .
    Agora, quando se vão tentar arranjar remendos para tentar salvar alguma coisa, é altura de acrescentar mais umas coisas:
    .
    1. PPC é imaturo e superficial e não sabe formar nem liderar equipas.
    2. PPC é teimoso, convencido e não houve quem deve ouvir.
    3. PPC não tem capacidade de liderança adequada ao cargo que ocupa.
    4. PPC, que fala com as palavras adequadas, as vírgulas no lugar e com a dicção certa, transmite uma falsa imagem (muito perigosa) de segurança e tranquilidade.
    .
    Dito isto e para não perdermos mais tempo, o melhor é mesmo sair!

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  13. Outside permalink
    13 Setembro, 2012 15:20

    Caro Rui. A.,
    Detentor do cargo exclusivo da sanidade, lucidez, sentido de justiça e dever, neste prezado blog, após o evidente elogio ao seu texto, uma questão:
    Acredita que JM não visualiza o que Todos nós visualizamos? Acredida na sua credulidade ou que simplesmente, conscientemente, por compromisso ou interesse, ignora a realidade da sociedade portuguesa, do Portugal Real, das pessoas para álem dos números?
    Só não vê quem não quer, monstruosa é a evidÊncia ao longo das duas ultimas décadas.

    O mais sério problema é a ausência de mérito entre as forças políticas (todas) representadas em S. Bento e na vacuidade de forças políticas alternativas às mesmas.
    Fique bem.

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  14. 13 Setembro, 2012 15:21

    Caro Rui A.,
    Excelente post. Foi o melhor que li sobre o assunto em causa. Sem dúvida, que não basta uma “solução teórica” se a paz social fôr posta em causa. E também não há dúvida, ideologia à parte, que o Estado tem de ser fortemente reformado (leia-se, “cortado” e tornado mais eficiente) e já.

    Cump.,
    A. F.

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  15. zazie permalink
    13 Setembro, 2012 15:40

    Pois é isso mesmo. O tuga não é imbecil- ou bem que há moralidade ou bem que comem todos.

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  16. 13 Setembro, 2012 16:13

    aliás , para fazer o que tem estado a ser feito ( sobrecarregar o mexilhão é fácil para quem tem a faca e o queijo na mão ) nem precisávamos de governo. precisávamos de governo era para o difíil , para corrigir erros , para renegociar, para tudo o que foi prometido desde as ppp à rtp passando por “libertar a economia do peso do estado” . por isso , mal empregue dinheiro que ministros andam a receber , até eu fazia o que andam a fazer.

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  17. Eduardo permalink
    13 Setembro, 2012 16:48

    OCDE: Perspectivas para economia portuguesa melhoram
    http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=578349

    Et voilá…

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  18. piscoiso permalink
    13 Setembro, 2012 18:23

    Diria mesmo:
    Rui Há.

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  19. Joaquim Amado Lopes permalink
    13 Setembro, 2012 22:19

    Rui A.,
    O seu artigo falha completamente em dois aspectos fundamentais. O de que é possível gerar consenso sobre as medidas necessárias para tirar Portugal do atoleiro para foi atirado por décadas de políticas irresponsáveis e o de que “ninguém nunca esperou que (essas medidas) fossem menos do que duríssimas”.
    .
    Sindicatos, corporações, partidos da extrema-esquerda (em que se inclui uma parte significativa do PS), parte do PSD e parte do CDS continuam completamente desligados da realidade e a defender o aumento da despeza do Estado. Naturalmente, isso inviabiliza qualquer hipótese de consenso.
    .
    Este Governo está a falhar muitíssimo, particularmente na área da comunicação. Mas o seu maior erro não é não conseguir gerar consensos que são claramente impossíveis. A maior falha deste Governo é não ter a coragem para avançar sem os ter.
    Pedro Passos Coelho ainda nos deu alguma esperança quando disse “que se lixem as eleições”. Infelizmente, não se está nas tintas para as corporações, incluíndo as suas próprias clientelas partidárias. O resultado final (o que realmente interessa) é o mesmo de se estar nas tintas para o país.
    Vai perder as eleições, as corporações estarão sempre com quem mais pode fazer por elas portanto vai perde-las com as eleições e a única coisa que vai restar do Partido serão as clientelas, que se virarão rapidamente para outros que lhes ofereçam o que Pedro Passos Coelho já não lhes poderá dar.

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  20. Atom permalink
    14 Setembro, 2012 06:38

    O Estado e o PSD foram tomados por um grupo de compadres sem ideologia política definida que distribuem benesses pelos amigos e desgovernam o país. Para tentar resolver este problema de forma expedita, parece-me que o comum dos cidadãos deveria varrer o PSD de todas as autarquias do país (as eleições autárquicas são as próximas), e afastar os seus candidatos dos benefícios da mesa das benesses autárquicas. Esse numeroso grupo de pessoas defraudada a sua expectativa de mesa farta, iria certamente ia pressionar o grupo dirigente de topo cujas políticas precipitaram a derrota autárquica.

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  21. Ricardo Arroja permalink
    14 Setembro, 2012 14:08

    Rui: muito bem. No ponto.

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  22. JCA permalink
    14 Setembro, 2012 14:49

    .
    Ou seja como aquele analfabeto simplificava em duas penadas no café de quem a Comunicação Social foge como gato sobre borralha incandescente:
    .
    entre o Programa da Troika e os Portugueses aparece um programa parasita que ninguém sabe donde veio (parasitario no sentido das lombrigas parasita que se instala no intestino dos hospedeiros). Parasita a troika e os Portugueses.
    .
    Essa da baixa da TSU às Empresas é um ‘presente envenenado’ que ‘generosamente’ o Governo oferecia aos Empresários para arrnjar o ‘bode expiatório’ que o PC bem engoliu quando desatou a gritar contra o Patronato. Desta vez o Patronato não engoliu a óstia. Não tem pés nem cabeça: dava microx% da TSU às Empresas e cortava-lhe 7% geral no poder de compra interno (procura para menos 7% de produção). Mais avançado que o aumento de 7% do IVa porque direto nos salários ficaria protegido da baixa de receitas de IVA que os 7% de aumento de IVA inevitavelmente traria.
    .
    E continuava ‘o borgesso analfabeto’ no café, que parvalhada é esta que com estas ideias estoiram o ‘our0’, a paz social, que são o garante da confiança dos mercados em Portugal ? Expliquem-se.
    .
    E ouvi mais uma série de coisas mas são tantas que nem vale a pena estar para aqui a encher mais ‘linguados’.
    .
    Uma ficou, entre estabilidades de não fazer eleições, pedir ao atual governo que por favor tenha a bondade de não se dignar a mudar ou mudar-se, ou governos de salvação nacional que com tantos salvadores acabou nisto, IMPÕE-SE:
    .
    um GOVERNO DE RECONSTRUÇÃO NACIONAL que cumpra com a meta da Troika quere pagas façam lá os Portugueses e Portugal fizerem e a reabsorção de todos os Portugeses que o Governo despediu no Estado dos Portugueses cujos ordenados terão de ser pagos por UM CORTE TRANSVERSAL SALOMONICO EM TODAS AS DESPESAS DO ESTADO que os absorvam e absorvam também o excesso de despesas publicas que são causa da trapalhada toda que andam a armar desde os finais de Socrates até hoje a que todos os quadrantes nacionais ESTÃO A DIZER NÃO IRREVERSIVELMENTE.
    .
    Não tem nada a ver se PPC age assim ou assado ou isto ou aquilo. Ou que os contra digam que matam e esfolam. Apenas o que é o Portugal, empregados, empregadores, familias, reformados, empregados, desempregados, funcionários publicos civis, militares ou contratados ESTÃO FARTOS. estão a dar o murro na mesa. E é suicida teimar em desafià-los com discursos desafiadores dum lado ou de treta do outro. Isto emtrou em rotura. Tão estupidamente que na mó de cima esá o PCP e o BE. Inteligentes ….
    .

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  23. JCA permalink
    14 Setembro, 2012 21:28

    .
    E já agora uma recomendação, não agitem muito o tema Socreates porque por sinal estão fracotes a ‘explicar’ porque se fossem mais vivos viravam isto de cangalhas num abrir e fechar de olhos. Oiçam quem vos avisa. Portanto o melhor é o tema Socrates ficar no lugar em que ficou, o Passado. Acabem com o amadorismo. Ou pelo menos sejam chico-espertos, escondam o amadorismo porque o Passado não desculpa nem justifica o Presente. Se o Passado foi substituido é porque se apresentou capaz de ser melhor no Presente. Desculpas ninguém papa.
    .
    Cuidado com a oratória disparatada.
    .

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