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Negócios “democráticos”*

31 Agosto, 2013
by

António Barreto teve uma intervenção na denominada “Universidade de Verão” do PSD que poderá, porventura, pôr-nos, a todos, a pensar angustiadamente. Pelo menos, teve esse efeito, sobre mim. Mas o que é que Barreto disse? Pelo que pude compreender através da imprensa (não estive presente nessa iniciativa partidária que se destina, oficialmente e me termos de “marketing”, sobretudo, a fornecer uma “capsula” de elevação e de informação aos jovens militantes partidários), Barreto refletiu sobre a relação entre a política e os negócios.

Há uma relação de promiscuidade evidente – pelo menos, houve, enquanto tínhamos a ilusão de que éramos um país rico. E tal relação tem (teve) virtualidades para além daquilo que todos nos habituamos a pensar. Num plano moral, essa promiscuidade é, naturalmente, condenável. Contribuiu – e muito – para o nosso estado atual. Barreto não deixou de salientar a relação entre as muitas obras públicas desnecessárias e as políticas públicas que fomentaram tal despesismo. Só que, de certo modo, essa promiscuidade acabou por ter, também, um efeito virtuoso: ajudou a solidificar as instituições democráticas. A democracia é cara e funcionará, também, tanto melhor, quanto mais dinheiro disponível (nomeadamente, para os partidos) existir. Mais – e aqui residirá o busílis da questão – quanto mais motivação egoística existir, da parte dos agentes políticos, para adotarem certas políticas públicas, mais facilmente se assegura (se tem assegurado) o financiamento da democracia. No fundo – e vamos pôr as coisas em termos crus – sem um mínimo de corrupção, teria sido mais difícil instituir um Estado democrático. Só que, persistindo esse estado de coisas, põe-se, também, em causa, o funcionamento da Democracia e do próprio Estado. Portanto, chegou necessariamente – também, se quisermos ser cínicos, por efeito da crise – o tempo de depurarmos a nossa democracia, sendo certo que, agora, não temos dinheiro disponível para que tal seja feito sem sobressaltos! Estamos condenados a mudar de ciclo; quer queiramos, quer não, temos mesmo que acelerar o fim deste regime e criar as condições para um novo quadro político-constitucional (e uma nova vida política) se queremos que a nossa democracia, doravante, sobreviva.

Já agora, em fase de pré-campanha autárquica, importaria, também e prementemente pensar o poder local (”a escola primária da democracia”) à luz da angustiante equação lançada por Barreto. Começando, por exemplo, por tirar ilações sobre certos orçamentos de campanha (inclusivamente, de alguns “independentes”) publicitados na imprensa…

* GRANDE PORTO, 30.08.2013

51 comentários leave one →
  1. 31 Agosto, 2013 11:39

    Parece muito duvidoso que um regime não democrático seja imune à corrupção.
    A ideia de que existirá um “paizinho” infinitamente bom que cuidará de nós, além de enganadora é infantil.
    Quanto a considerar que a democracia é cara, depende do ponto de vista. Para os que vão beneficiar com a concentração de capital é cara, para os outros nem por isso.

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  2. 31 Agosto, 2013 12:03

    … sem um mínimo de corrupção, teria sido mais difícil instituir um Estado democrático.
    Onde é que há Estado, democrático ou não, sem um mínimo de corrupção?

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    • ax solo permalink
      31 Agosto, 2013 14:09

      Espero que a mínimo de corrupção seja um objectivo. E entre democracia ou honestidade prefiro a última.

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    • 31 Agosto, 2013 15:14

      Este Piscoiso (apaniguado dos ratos do largo) quando fala de
      corrupção está completamente *inside* no assunto .

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      • Portela Menos 1 permalink
        31 Agosto, 2013 15:21

        oh licas, essa propensão para o insulto é defeito ou feitio?

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      • ora permalink
        1 Setembro, 2013 01:45

        a pró pensão para o insulto dos Gamas vem dos tempos dos ditos extra-ordinários de gente fina daquele Saraiva que era compincha dos seguidores dos Bi-saias barreto’s

        dizer que alguém está in side num é in sulto nem in sultão

        a corrupção tem sempre dois sides pelo menos…

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  3. JDGF permalink
    31 Agosto, 2013 12:17

    As cantilenas de António Barreto começam a ter um efeito semelhante ao das carpideiras. Debruçam sobre tragédias que, de facto, ensombram o horizonte político, mas quando olhamos para as lamentações do homem ficamos sem saber perante quem estamos:
    – se um ex-político ressabiado;
    – se um outsider travestido de livre-pensador liberal;
    – se um empregado de um merceeiro holandês.
    Mais uma vez – e desta vez em Castelo de Vide – não decifrou estes enigmas…

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    • 31 Agosto, 2013 16:08

      Portela Menos 1 HIPERLIGAÇÃO PERMANENTE
      31 Agosto, 2013 15:21
      oh licas, essa propensão para o insulto é defeito ou feitio?
      ________________

      Só afirmo quando temho provas documentais . . .
      E SE o Camarada TIVÉSSE o mesmo cuidado, hein???????????

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      • Portela Menos 1 permalink
        1 Setembro, 2013 00:59

        ok, é feitio 🙂

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  4. André permalink
    31 Agosto, 2013 12:34

    “… sem um mínimo de corrupção, teria sido mais difícil instituir um Estado democrático.” Acho que há algo muito mais importante do que isso, é que em Portugal, o mínimo de corrupção era menos do que a corrupção existente em ditadura, em 39 anos de democracia, esse mínimo de corrupção é um sonho, uma utopia, sejamos francos, atualmente só sendo um mafioso é que se consegue alguma coisa na política portuguesa, seja a passar armas para o Irão, seja a vender material de combate aos fogos, seja a facilitar a construção de autoestradas para queimar dinheiro ao Estado.

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  5. A C da Silveira permalink
    31 Agosto, 2013 13:08

    Barreto expressa apenas aquele que é um dos maiores dramas dos portugueses: não serem capazes de distinguir o que é melhor para eles (para nós) enquanto povo, priviligiando sempre os interesses individuais, daí a corrupção secular, aos interesses do colectivo, incensando até os “chico-espertos” que se alambazam à mesa do orçamento.
    O regime saído do 25 de Abril, pelo qual a minha geração esperou metade da vida, alterou o minimo possivel o status existente; podemos mesmo dizer que a unica alteração significativa, e já não é pouco, foi o facto de os portugueses poderem passar a escolher em eleições livres quem os governa, a nivel nacional e a nivel local. A estrutura do estado ficou práticamente incólome, com os vicios de sempre, apenas passou a custar muito mais dinheiro aos contribuintes.
    Para não ir mais atrás, a Républica culpou a Monarquia de todos os nossos males, o Estado Novo culpou a 1ª Républica, a Democracia culpou o Estado Novo, e quase quarenta anos depois, já não gostamos desta Democracia, queremos “refundá-la”, seja lá isso o que for, nunca reconhecendo que o mal não é tanto dos regimes politicos, mas da maneira como os vivemos. Enquanto a grande maioria dos portugueses preferir “olhar para a árvore e ignorar a floresta”, esta país nunca mais chega a lado nenhum, que não seja aonde estamos: queremos mudar, mas nem sabemos para o quê!

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    • JDGF permalink
      31 Agosto, 2013 14:51

      Há muito – nomeadamente desde os escritos de Huxley – que sabemos como e porque as democracias são infestadas pela corrupção. E existe a noção de que os regimes autocráticos (quaisquer que sejam) aparentam (só aparentam) ser menos corruptos do que os democráticos. Porque, de facto, nos regimes autocráticos o Estado passa a ser um feudo de poucos. Nas democracias alarga-se o leque de candidatos às benesses do Estado o que pode tornar-se devasso e sequestrador . Por outro lado, existe o problema da liberdade de imprensa e a capacidade de divulgação das notícias.
      Isto levanta um problema muito semelhante à loja dos chineses. A Democracia poder ser (muito) mais cara do que as autocracias mas a qualidade de vida e de cidadania é outra.
      O que nos deve fazer pensar é que o empobrecimento, mesmo ocorrendo em regimes democráticos (hoje ninguém está livre da captura financeira) aumenta o risco de corrupção. E é nesse trilho que estamos a caminhar malgré formalidades democráticas que são exercidas de 4 em 4 anos.

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      • A C da Silveira permalink
        31 Agosto, 2013 15:08

        O caro JDGF pode até ter toda a razão do mundo, mas não é disso que eu estou a falar…

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    • André permalink
      31 Agosto, 2013 15:12

      A C, raramente concordo consigo. No entanto, acho que há só uma pequena coisa que se esquece no seu comentário: para além de atualmente termos escolha, também temos o poder de dizer que algo está bem ou mal (ainda que a nossa capacidade de encontrar alternativas seja fraca e amedrontada). Agora pelo menos é possível falar, coisa que a sua geração não fez durante muitos anos (pelo menos, sem ter medo de passar uma estadia em Caxias, Peniche, ou na última instância, o longínquo Tarrafal).

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      • Tiro ao Alvo permalink
        31 Agosto, 2013 17:30

        Sim André, por enquanto ainda temos o poder de dizer livremente nalguns blogues o que entendemos que está bem ou mal, mas temos que ser cuidadosos, colocando óculos adequados que não distorçam a realidade, como fazem os óculos fornecidos pelos partidos políticos.
        Em conclusão, denunciar é preciso, mas sem facciosismos.

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  6. Buiça permalink
    31 Agosto, 2013 14:03

    A democracia funciona tanto melhor quanto mais dinheiro houver disponível para os partidos???????

    Deve ser por isso que nos EUA ninguém com menos de $1bi pode pensar sequer em tentar ser presidente e na Suiça qualquer camponês lá chega.
    Tenha juízo.
    A Democracia já só existe efectivamente nos países em que há absoluta separação (inclusive moral) entre os interesses dos agentes económicos e os interesses dos eleitores e contribuintes.

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    • 31 Agosto, 2013 15:24

      Apanhei-te Buiça: é que te esqueceste de outra impossibilidade:
      a de haver Democracia infiltrada de Religião.
      LOGO AO CONTRÁRIO DO QUE AFIRMOU AQUI: o Irão NÃO PODE SER
      a única democracia nos países islamitas da África do Norte.
      _________AHHHHHHHHHH! AHHHHHHHH!

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      • Buiça permalink
        31 Agosto, 2013 19:23

        De acordo. Um país de religião única obrigatória pode ter alguma “democracia” na base do sistema político, só os torna mais razoáveis, mas obviamente não vou defender que os eleitos reportem ao clero ou qualquer outro poder transcendental.
        Se estivesse numa de apanhados comentaria essa do Irão ser em África, eheh
        Cumps,
        Buiça

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  7. 31 Agosto, 2013 15:28

    Buiça HIPERLIGAÇÃO PERMANENTE
    31 Agosto, 2013 14:09
    Todos eles foram financiados e lá colocados pelo Ocidente.
    Já era hora de acordar e ter um pouco de memória.
    Deixem-se de lirismos, há guerra na Síria para enfraquecer o Irão (curiosamente a única democracia da região) e fazer o pipeline de Gás para a Europa e enfraquecer os Russos.

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  8. javitudo permalink
    31 Agosto, 2013 16:50

    Denuncia-se o picoiso: “Onde é que há Estado, democrático ou não, sem um mínimo de corrupção?”. Uma coisa é haver sempre indivíduos corruptos ou com tendência para a corrupção. As tias, boas senhoras, bem lhe explicaram, ele nunca as quis ouvir.
    A carne é fraca, o tuga no fundo admira os corruptos, tomara ele lá chegar.
    Às vezes chega mal é descoberto emigra disfarçadamente tendo como apoio outros amigos que o protegem (exemplo Camargo- Corrêa/Vara).
    Os partidos da área da governação não se distinguem neste aspecto uns dos outros.
    Escondida anda a forma como foi criado o terreno favorável à corrupção, a todos os níveis a começar pelas juntas de freguesia, até à assembleia dos negócios escuros.
    É disso que fala A. Barreto sem coragem para ir longe. Ele também perdeu as ilusões.
    No protectorado foi criada a ilusão de um regime democrático de forma a atraiçoar a essência da democracia, foi também por isso que se tornou um protectorado ao fim de 900 anos de história. A perda de independência não foi uma indignidade, já que assentava numa questão dinástica. Filipe de Habsburgo, Rei de Espanha, era também neto de Manuel I, por via feminina.Comprometeu-se a respeitara manter e respeitar os foros, costumes e privilégios dos portugueses, coisa que que as Troikas se riem em privado.
    Filipe II de Espanha acabou por ser reconhecido como rei de Portugal, por ser o parente legítimo mais próximo nas Cortes de Tomar de 1581.
    O tuga não percebe sequer a diferença entre um país e um protectorado.
    O tuga está-se nas tintas para os vindouros.
    O tuga quer a barriga cheia, o odre cheio de vinho ou cerveja, plasma gigante, carro à porta, férias no algarve.
    Qual austeridade, qual pagar dívidas!
    Os mídia fazem censura descarada sobre a mensagem do desagradável, contra quem tenta informar e apresentar as verdadeiras soluções.
    Preparemo-nos pois para tempos agradáveis que estão para chegar. Se não chegarem carreguemos em todos mais alguém menos em nós próprios já que somos todas uns gajos porreiros e sem mácula. O azar são sempre os outros.

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    • manuel permalink
      31 Agosto, 2013 16:57

      Javitudo: A.Barreto não pode dizer que o estado foi assaltado pela máfia e que impera a omertà,mas que parece, parece.

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  9. manuel permalink
    31 Agosto, 2013 16:52

    Também concordo com o A.C. Silveira .Fico triste porque o regime democrático consegue ser mais corrupto que o Estado Novo. O dr salazar não permitia corruptos no poder e agora a corrupção está no poder político. A corrupção era a nível intermédio e era mais restrita . Como sair disto? Até o P.C.P. tem rabos de palha no poder autárquico!

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    • JDGF permalink
      31 Agosto, 2013 17:36

      A corrupção, no momento actual, não pode ser comparada à que existia no Estado Novo. Tem diferenças substanciais que passam por ciclos (eleições), pela intensidade (a integração na Zona Euro mudou a ‘dimensão’); complexidade e sofisticação (os novos produtos financeiros e derivados) e a internacionalização (globalização do circuito). Portanto, estamos a comparar realidades diferentes.
      Acresce a estas diferenças novas circunstancias de facto em relação sistema judicial e penal que continuando lento, pesado, desadequado, brando, fundamentalmente, não tem experiência, meios e competências para liderar eficazmente o combate e consequentemente criminalizar os novos modelos de corrupção, hoje, no terreno. Mas a resposta passa por aqui. Não há, no entanto, vontade política e, claro, é aqui que aparecem os interesses partidários onde o acesso fácil ao dinheiro é fundamental para fazer funcionar pesadas (e dispendiosas) máquinas (aparelhos) preparadas e oleadas para ganhar eleições.
      Daí a necessidade de manter abertas vias de acesso ao ‘pote’.

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  10. Fincapé permalink
    31 Agosto, 2013 16:58

    “…Só que, de certo modo, essa promiscuidade acabou por ter, também, um efeito virtuoso: ajudou a solidificar as instituições democráticas….”
    ———-
    Sobre as chamadas “universidades de verão”, questiono-me como é que cérebros humanos podem ultrapassar certos limites. Ainda se fosse “desuniversidade para brincar aos graúdos”, à laia de outros jogos florais tipo “parlamento jovem”, ainda se compreendia.
    – Sobre a intervenção de Barreto, a necessidade de querer participar no juvenil jogo sem ter de dizer apenas as vulgaridades que se dizem todos os dias levou-o a trazer esta pérola carregada de “novidade”:
    – “Só que, de certo modo, essa promiscuidade acabou por ter, também, um efeito virtuoso: ajudou a solidificar as instituições democráticas.”
    Esteve por isso mal, muito mal, como tem estado demasiadas vezes para aquilo que procura parecer.

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    • Fincapé permalink
      31 Agosto, 2013 17:12

      Já agora, o inventor dos falhados briefings, Poiares Maduro, foi participar neste “jogo do pi(e)ão”, para alertar os jovens presentes das maldades do TC.
      Maduro, sem que se lhe conheçam outras interessantes ideias políticas senão a dos falhados briefings, foi dar maus conselhos àqueles que amanhã, ou ainda hoje, serão assessores de Coelho e dele próprio.
      Deveria ter-lhes dito que a única ideia que teve, a dos briefings, falhou completamente. E que as leis devem ser feitas de acordo com a lei fundamental, a Constituição.
      E poderia terminar dizendo-lhes o seguinte: “Não olhem para o meu exemplo. Façam melhor! E se não forem capazes, demitam-se, como eu vou fazer!”
      Isto é que era um discurso, uma verdadeira lição. A seguir já poderiam chamar “universidade” àquilo.

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      • Tiro ao Alvo permalink
        31 Agosto, 2013 17:45

        Fincapé, o Constituição da República não é uma Bíblia, não. A Constituição que está em vigor foi escrita pelo punho de portugueses e aprovada por portugueses, podendo, portanto, ser alterada pelos portugueses. Quando quiserem.
        A Bíblia não pode ser alterada, os seus autores morreram há séculos. Pode, isso sim, ser interpretada, e é-o de várias formas, como se sabe. Mas os portugueses, como nação, estão vivinhos da silva e podem alterar a sua lei constitucional que foi escrita a cair muito para a esquerda, mostrando-se hoje desequilibrada.
        Alterar a Constituição é tão democrático como fazê-la respeitar. Quem pode o mais, também pode o menos.

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      • Fincapé permalink
        31 Agosto, 2013 19:23

        Claro, Tiro. Se reparar, eu não disse o contrário. Cumprir a lei que obriga a circular pela direita não é a mesma coisa que dizer que não se pode alterar e passar a circular pela esquerda.

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      • JDGF permalink
        31 Agosto, 2013 19:27

        Tiro ao Alvo HIPERLIGAÇÃO PERMANENTE
        31 Agosto, 2013 17:45

        É verdade que a Constituição pode ser alterada. Mas olhando para o País não se vê como. Quando muito pode ser derrubada, anulada, rasgada, suspensa, etc.
        Mas não seria disso que estava a falar…

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      • André permalink
        1 Setembro, 2013 08:21

        Eu acho que neste momento falar de revisões constitucionais é para entreter algumas bases da direita. Já repararam que com este chumbo do Tribunal Constitucional o governo pode justificar o segundo resgate (que muitos já davam como evidente, dado o fracasso das políticas governamentais)? Se o governo alterasse a Constituição deixava de ter um bode expiatório para o seu fracasso. Sinceramente acho que o governo anda a usar a Constituição para entreter a base da direita, e a direita toda a ver sem se aperceber de que está a ser bem enganada (quase como foi enganada pelo Sócrates quando fez com que chumbassem as medidas dele só para ter uma desculpa para se demitir e dizer que a culpa foi dos outros)… É giro ver várias pessoas a cair várias vezes no mesmo erro.

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  11. javitudo permalink
    31 Agosto, 2013 17:16

    Manuel, já não seremos nós a sair disto, alguém nos diz diariamente como vai ser.
    Não se vêm, nem se ouvem,
    O ruído dos mídia, a forma subtil de como o ruído alimenta a censura muito mais poderosa que no tempo do botas, a oposição estéril, dá mais força ainda ao processo inexorável que se prolongará por gerações entre os que ficam.
    A paradoxal mensagem de Leonor Beleza é impressionante:
    http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=83485.
    Ela que dirige um centro que pretende ser de excelência, não deixa de recomendar que os portugueses mais dotados emigrem…
    “Quando eu digo vão lá para fora não estou a dizer emigrem, não é isso que eu estou a dizer. Vão lá para fora estudar, vão lá para fora trabalhar, vão lá para fora ter experiências, voltem e enriqueçam o nosso país com essas experiências, aproveitem o tempo em que são mais jovens, tenham uma actividade profissional reconhecida, importante nas vossas vidas”, sublinhou, incentivado igualmente os jovens a fazer política, porque Portugal precisa “como de pão para a boca” de “ter gente reconhecida, gente com reputação que faça política”.
    Leonor Beleza é mais uma desiludida.
    Os que emigrarem dificilmente regressarão de vez , amenos que falhem, para falhados já cá temos muitos.
    Gente de reputação a fazer política é o que não há, nem vai haver.
    Nem a mafia dos negócios nacional e internacional deixaria, nem vejo ninguém disposto a suicidar-se por causas rotas. Vítor Gaspar depressa se afastou dessa má sorte e ainda hoje poucos perceberam o que quis dizer na sua carta de despedida.

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    • manuel permalink
      31 Agosto, 2013 17:41

      Concordo.Estive a ler o relatório da 7ª avaliação e senti vergonha.O nosso governo faz relatórios trimestrais e outros com diferente periodicidade para as 3 entidades que emprestaram o dinheiro com tal minúcia que, deve obrigar a montes de gente em permanência e percebe-se como o 1º ministro (chame-se Passos ou Seguro) é um mero figurante.Não tenho dúvidas ,vamos para o 2º Resgate e iremos para 3, e (n-1) , até ao estoiro final.Estou mais preocupado se algum deles for com perdas internas ,aí será o fim antecipado.

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      • JDGF permalink
        1 Setembro, 2013 00:01

        Vamos com toda a probabilidade para o 2º. resgate – e essa eventualidade há muito tempo que vem sendo ‘anunciada’ – mas não tem nada a ver como o ‘chumbo’ do TC ao projecto de ‘requalificação’ algo que hoje temos a sensação de ter sido desenhado em cima do joelho.
        O projecto reprovado pelo TC tem um impacto orçamental previsto de cerca de 170 milhões de euros (se considerarmos só 2014) o que sendo um rombo deveríamos, p. exemplo, confrontar com a ‘injecção’ há muito pouco tempo (em meados de Agosto) de 450 milhões de euros para o BPP. Aí não existiram anúncios ou ameaças de 2º. resgate. Tudo bem. Quando se trata de ‘transferências’ para instituições financeiras o dinheiro aparece. Quando se trata do Estado pagar aos seus funcionários ou o dinheiro não chega ou é ‘mal empregado’.
        Passos Coelho tem ‘mau perder’ e na ressaca mete sistematicamente o pé na poça. A argumentação com um 2º. resgate e mais medidas de austeridade não pode deixar de ser considerada uma ameaça infantil. Ou então uma chantagem. O 2º. resgate tem outras justificações e começa muito cedo, i. e., na 5ª. avaliação (Setembro de 20102) e a concepção do tal programa de ‘Reforma do Estado’ é uma mescla de problemas constitucionais que a dupla Vítor Gaspar/Passos Coelho resolveu subscrever por sua conta e risco. Vítor já deu o fora e Coelho dedica-se à posteriori a tentar justificar o injustificável.
        A evocação do 2º. resgate só vai acarretar problemas ao Governo já que vai questionar as suas razões. E elas não podem ser sempre endossadas ao Governo anterior…

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  12. J. Madeira permalink
    31 Agosto, 2013 17:19

    Não gostam de ouvir as verdades … então o sociólogo empregado do merceeiro
    holandês que, até foi orador convidado para botar discurso no dia da “Raça”, es-
    tá a querer virar o bico ao prego? Só porque diz umas verdades amargas sobre
    a realidade deste “paraíso” à beira mar plantado !?!

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    • ora permalink
      1 Setembro, 2013 01:41

      mas consegue-se ouvir a verdade num vácuo?

      os cousos do youtube inda agente com segue oubir

      agora como dizia o velho pontius o quéqué a berdade?

      mesmo ca oubíssemos sabíamos lá se era a berdade

      e os fazedores de verdades à pressão e ao metro são mais chatos cu Fidel

      olha o crato

      e aquele hermafrodita careca e bicéfalo do blouko

      berdade berdadinha que nã oubimos nada

      mete o bídeo pá

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  13. 31 Agosto, 2013 18:12

    Não faz grande sentido estar a comparar a corrupção durante a ditadura e a democracia, uma vez que numa ditadura nada é divulgado, ou sequer comentado, que ponha em causa o regime.

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    • 1 Setembro, 2013 00:45

      Os Comentários de Piscoiso sobre a corrupção continuam a ser um *must* . . .

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    • 1 Setembro, 2013 01:00

      E também havia informadores sustentados pelo poder político,
      e esse são os Partidos Políticos que o detém.
      Daí haver agentes que auferem *ninharias* (mensalinhas – mensalões)
      Piscósicas, a quantias astronómicas como as * compensações* assegurando
      mímos de receita da utilização das auto estradas . . .

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    • manuel permalink
      1 Setembro, 2013 12:12

      Vi e senti a corrupção no Estado Novo e não era endémica como é agora.

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  14. 31 Agosto, 2013 18:15

    pensava eu que a promiscuidade e corrupção tinha contribuído era para o descrédito das instituições democráticas e dos políticos e partidos em geral.. não me passava pela cabeça que ter os partidos atrelados a interesses privados fosse condição para solidificar a democracia , . enfim , enquanto não rebentar a bolha da politica suponho que continuaremos a ouvir estas inflacionices.

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  15. Buiça permalink
    31 Agosto, 2013 19:30

    Acrecento que há alguma confusão aqui entre Democracia e sufrágio universal…
    Não basta cada um ter um voto para uma Democracia funcionar e o governo efectivamente seguir as decisões da maioria da população.
    Democracia implica “checks & balances”, expressão para a qual curiosamente nem me ocorre tradução para português, talvez porque não existam ou sejam ineficazes. É essa parte da Democracia que não existe no nosso país, não há um único corrupto preso que me lembre, e quando alguém se demite ou comete algum acto grosseiro a punição é sempre “moral” ou por pressão mediática ou o que seja.
    Outra coisa que uma Democracia deve tentar assegurar é que somos chamados a escolher entre os melhores dos melhores, outra coisa em que falhamos miseravelmente.
    Há muita maneiras de fazer uma Democracia funcionar, em Portugal parece ser mais importante assegurar que não funciona.
    Basta ver pelo nível das opções que são apresentadas em qualquer boletim de voto.

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  16. Sousa Pinto permalink
    31 Agosto, 2013 20:08

    Os portugueses que em 2011 fizeram uma desratização do país, esqueceram-se que havia um Palácio onde se esconde o “RATÃO”

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  17. 31 Agosto, 2013 20:51

    O “jeitinho”, a “atençãosinha”, o “favorzinho”, o favor, a cunha, a corrupção, estão entranhados desde há muuiiiiiiitas décadas no gene vivencial dos tugas.
    Nada a fazer contra. E quando sucessivos governos (accionados por interesses partidários e seus correlegionários) dão maus exemplos que invariavelmente ficam impunes…
    Muita gente admira o pequeno trafulha, o reconhecido e grande corruptor…

    Estas universidades de Verão partidárias não passam de ejaculações teóricas cujos “alunos” preparam-se e sonham para alcançar o poder local, regional ou de Estado, custe o que custar…
    Entra-lhes por um ouvido e saem pelo outro a mil à hora o conselho de “boas práticas”, de honestidade, de respeito pelos cidadãos e pelos patrimónios, pela Constituição… E, chegados a casa, se os papás não são bons exemplos de honestidade…

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  18. 1 Setembro, 2013 00:49

    De acordo. Mas diga-me cá: encontra melhor? Qual, desembuche!!!

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  19. eramasfoice permalink
    1 Setembro, 2013 01:05

    A estupidez do postador, e de quem cita, vai muito para lá do que a natureza permite.

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    • ora permalink
      1 Setembro, 2013 01:35

      olha que não olha que não

      basta ver que a tua citação roça as raias do atraso mental quase vegetativo

      a natureza da política é ser estúpiida

      tal como a estrada é uma limitação à liberdade individual e dá de incêndios piromaníacos às multas da GNR e vice-versa

      tal como um poste a dor deve ser um sado-masoquista ou um christo com cruz incompleta

      já tu…..

      São Canhões? Sabem mesmo a manteiga…Domingo, Setembro 01, 2013 1:26:00 AM

      Em Soares eu Creio os ministros que Abril nos deu são piores que Hitler e Mussolini ou agente leu mal?Sábado, Agosto 31, 2013 4:03:00 AM

      um presbítero para os nestorianos sírios ou para os armeníacus tem direito a uma lojeca similarr à da maçonaria….

      logo o velho é presbítero non…..ou seja num é presbítero como o de cartheia o Eurico pá

      iste nem na censura funciona

      é uma censura em férias à juiz du con’s titi anal

      ou és um presbítero sem presbitério ou um candidato a juiz dos con’s anais

      nin claro

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  20. 1 Setembro, 2013 08:00

    Já é muito sabido:
    Entre os *Calimeros* (it is injust), os *justicialistas* (a foice e martelo),
    e os *permissivistas* (enriquecei, mesmo por meio de corrupção) parece que
    a maltosa não discorre mais nada.
    Esqueci-me_____desculpem_____
    há também os *moralistas* (não se faz isso, …que é feio).

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  21. SRG permalink
    1 Setembro, 2013 11:07

    Anda por aqui um “moralizador” armado em chico esperto, doutorado em asneiras, e que pensa que são todos atrasados mentais. Ora m…a .

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  22. 2 Setembro, 2013 15:44

    António Barreto é uma incógnita de valor democrático passageiro!

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