as biografias de cunhal
Por que tanta gente, à esquerda, tem um interesse quase mórbido no que possa ser a direita portuguesa?
Consideremos, desde logo, que não será por altruísmo desinteressado, nem pela vontade de ajudar. A velha dicotomia de Carl Schmitt, do «amigo-inimigo», que, segundo o velho professor alemão, representava a própria essência da política, mantém-se válida em Portugal, e não creio que tenha chegado o dia da véspera do seu fim.
Não sendo, então, por amor, como naquela velha anedota matrimonial, será certamente por interesse. E o interesse é claro. E é antigo.
É claro, na medida de que a esquerda, sobretudo a esquerda bem-pensante, sempre se arrogou de uma superioridade moral para determinar aquilo que a direita indígena deve ser. E, nesta táctca, porque de uma táctica se tratou e trata, a direita não é moderna, porque não aceita as causas fracturantes da esquerda, não é social nem generosa, porque não subscreve as políticas estatistas da esquerda, nem sequer é culta, porque não segue o que a esquerda lê e atreve-se mesmo a ter leituras originais que, para a esquerda, são desviantes. Em suma, a direita não presta e não serve, porque… não é de esquerda.
E é antigo porque, desde a fundação do regime que a direita político-partidária foi aquilo que a esquerda deixou e quis que fosse. Desde logo na constituição do CDS, que, para ser tolerado (e mal) teve de estar, segundo a mirabolante fórmula do Professor Freitas «rigorosamente ao centro». Ou seja, poderia estar em toda a parte, menos à direita. Depois, mais tarde, a direita foi diabolizada por causa da «cultura»: segundo os corifeus da intelectualidade esquerdista indígena, a direita portuguesa era profundamente ignorante e analfabeta, «a mais estúpida da Europa», quiçá do mundo. A intelligentsia, por essas épocas, estava à esquerda, sobretudo na que «produzia» com subsídios do estado, e os sucessivos ministros e secretários de estado da Cultura, mesmo os que pertenciam a governos de direita, reconheciam-no com generosos subsídios, não fossem desancados nos jornais do regime. Mais recentemente, quando alguma direita se afirmou timidamente «liberal», logo o liberalismo foi crismado de coisa do diabo, como impiedade de ricos contra pobres, uma espécie de hooliganismo político-intelectual, que o Dr. Pacheco Pereira tão bem descreve, para seu gozo pessoal e vingança de supostas ofensas partidárias.
Em face disto, no tempo presente, alguma direita liberal acanha-se e rejeita a rotulagem. Em vez da histórica díade da geografia política, refugia-se numa tríade que as pessoas comuns não compreendem. Nem aceitam, para clara felicidade da esquerda, que assim realiza a sua táctica e mantém a direita refém da sua vontade. Por conseguinte, a direita, sobretudo a liberal e libertária, se quer ganhar identidade e espessura, tem de cuidar mais de si e deixar o que a esquerda queria que ela fosse à própria esquerda. E não tem que ter medo de rótulos: em vez de se deixar afastar por o que eles possam ter sido, deverá apropriar-se deles e determinar-lhe o conteúdo. Quanto ao Dr. Pacheco Pereira, que continue a escrever biografias de Álvaro Cunhal.

Pois para mim, o mais difícil é definir a esquerda. Derrubando as fachadas do discurso da defesa dos pobrezinhos, o que resta? Gente abastada com gosto refinado que se delicia com todas as mordomias do capitalismo e que guarda o seu dinheiro na conta de amigos.
No parlamento europeu estão alguns dos nossos (Vade Rectro!) esquerdistas. Todos a trabalhar em prol do bem comum. É com grande sacrifício pessoal que defendem os operários e camponeses.
http://www.youtube.com/embed/NVzRrkeBPOQ
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Não me importaria, até gostaria de colocar aqui a minha opinião e debater com o Rui Albuquerque sobre a Cultura tuga criada e produzida pela “direita” e pela “esquerda” antes e post 25 de Abril, mas porque é assunto sério e vasto, não é este o local adequado.
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Para Lenine sempre que se faz uma revolução, deve ser os comunistas a organizar a direita antes que a direita se organize a si própria.
Vasco Gonçalves, na “Cova da Moura”, dirigindo-se a Freitas do Amaral : “O Sr. Professor é a pessoa escolhida para organizar o Partido da Direita”. Assim nasceu o CDS.
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Nesse caso, quem foi o culpado, quem se deixou encantar com as supostas directrizes ? O “esperto” VGonçalves ou o “sonso” FAmaral e quem mais o acompanhou ?
Sobre partidos da direita nesse período, falta no post outro partido com alguma importância: o PDCristã.
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O PDC foi proibido pelos democratas, parece que não dizia que Portugal iria rumo ao socialismo.
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Felizmente neste blog encontra-se gente de direita que não tem medo ou complexos de se assumir como tal.
Aqui em Portugal parece que é vergonha ser de direita, ou ser assumidamente de direita.
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A disjunção esquerda vs direita já deu o que tinha a dar e não foi nada bom.
Urge implementar o princípio:
– O homem medida de todas as coisas.
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Regresso ao sofismo, parte 2.
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Eu sou de direita mas tenho é vergonha dos saloios do burgo.
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hehehe os parolos 😛
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> a direita, sobretudo a liberal e libertária,
Ah, os progressistas com algum dinheiro, por contra-distinção aos progressistas sem dinheiro.
Ambos comidos vivos pelos progressistas com muito dinheiro, que hoje em dia roubam descaradamente a clientela aos progressistas sem dinheiro, e cortam o ar aos com algum dinheiro. Manobra muito bem feita.
É chato é a mono-cultura do progresso. Cultura chata de monos chatos.
(“Ai Costa, é o progresso, Costa.”)
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Pois, só que esquerdas e direitas há muitas, como os chapéus. Já para não falar do centro e seus arredores. Pergunte a um católico o que pensa da direita maçónica e terá sorte se não lhe cair algum vómito em cima.
Em todo o caso, por aqui não parece que haja grande apetência pelo liberalismo. De certa forma, passados quarenta anos sobre o vinte e cinco de abril, também os “liberais” sofrem da enfermidade da época: o sinistrismo. Se o CDS se disfarçou de centro para esconder a direita que era, se o PPD andou a propalar uma social-democracia de que a sua base eleitoral fugia, não deixa de ser curiosos ver os conservadores autoritários de ontem e de hoje travestirem-se de “liberais históricos”. De certa forma, e no que ao PSD respeita, e voltando aos idos de 1974, é como se o partido de Sá Carneiro e Magalhães Mota tivesse sido vítima de uma OPA pelos ressuscitados Partido do Progresso, Partido Liberal, Movimento Federalista Português. Se o PSD deixa ou não que isto lhe suceda é lá com ele: agora, num país pobre, atrasado, periférico, ainda de matriz social católica, e que não esqueceu os santos anos do Senhor Professor de Coimbra, desconfio que não lhe vai trazer grande receita. Mas gostam? façam favor de vender o peixe. Já gora, às claras, dizendo o que são e o que querem
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O manuel branco inventa !…
O que é que os “liberais” e o PSD de ontém e de hoje teem a ver com dois ou três grupusculos de direita dita “nacional” aparecidos no turbilhão de Abril de 1974 e rápidamente desaparecidos na insignificância ou naturalmente extintos ?!…
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Tá bem, tá, conversa de Comuna . . .
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Caro Rui,
Só peca por não ter escrito o nome do visado: Luís Aguiar da Conraria. O último artigo dele no Observador revela uma desonestidade que eu não esperava dele.
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Se este povinho de m€rd@ tivesse consciência de classe, nunca votaria em partidos que só beneficiam uma élite corrupta, culta, porque só essa élite ladra, tem acesso ao BOM ensino, á cultura, a comprar livros, etc., parasitas que andam à séculos a viver à custa do que os outros produzem
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Aqui só há uma pessoa assumidamente de direita.: – o Bolota.
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colono,
Mainada…só tu me entendes
Nã entendo, como é que o Cunhal um comuna da treta mesmo depois de morto morrido, ainda incomoda os rui.a do nosso Burgo??? O rui.a é o quê??? acho que em Baleizão lhe damos outro nome.
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Cunhal já não incomoda mesmo nada.
imbecis Já não se pode dizer o mesmo dos imbecis
que tentam seguir-lhe as pezadas.
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licas,
mas rui.a nã fala dos imbecis, fala no Cunhal, como descalças essas bota??? O certo é uma coisa, o comunas são uma merda, mas vocês não os largam.
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Bolota,
Na verdade o rui.a não fala própriamente no Cunhal … Fala no Dr. Pacheco Pereira … também conhecido por escrever biografias de um tal … como é mesmo o nome ??!… 🙂
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S,
Tá bem, fala no Pacheco que por sua vez fala no Cunhal. Que sendo um comuna da treta, mesmo de pantanas, não o deslargam, esta é a Jorge Jesus.
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Bolota,
Falando então no Cunhal … 🙂
Eu nunca diria que o Cunhal é “um comuna da treta” !…
Como comuna foi longe e se não foi ainda mais foi porque, felizmente, não o deixaram !…
Para o melhor e sobretudo para o pior, é um personagem de peso na história do nosso pais no século XX que é importante conhecer.
Eu até li de fio a pavio (uff !…) aqueles calhamaços do Pacheco Pereira sobre o Cunhal, mas na verdade são também e muito sobre o PCP e outros comunistas, e creio que ajudam a perceber muita coisa sobre o que foi e como funcionou este partido politico.
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A Esquerda julga-se dona da verdade universal. Para levar a sua avante, diz-se vanguardista e iluminada e para impor as suas ideias, fará o que for necessário. Até assaltar palácios de inverno.
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Porra, vc. ainda não saíu do período do assalto ao palácio de Inverno ? Agasalhe-se, senão constipa-se à espera de novo assalto.
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Grande Elmano,
Não foice o PC, logo a esquerda, ainda hoje tinhas nem que fossem embacelados o Toino Salazar, o Americo Tomas, o Cerjeira e o Caetano. O MArcelo estaria no mesmo lugar onde está mas no outro lado
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Bolota,
Se tivesse sido mesmo o PC a fazer o 25 de Abril teriamos tido de imediato um regime totalitário comunista que nos teria feito ter rápidamente saudades dos “brandos costumes” do Salazar, do Tomás, do Cerejeira e do Caetano !!…
Quanto ao Marcelo, por ser filho de um ex-governador colonialista, e se não tivesse sido fuzilado no Campo Pequeno, estaria muito provávelmente ainda num gulag a apanhar bolotas ali para os lados de Baleizão !!… 😉
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S,
Tá bem, então quem foi???? Para mim era mais dizer quem não foi, mas tu dirás quem foi.
O Presidente Martelo nã foi porque esse andou sempre no outro lado da barricada.
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Bolota,
O 25 de Abril foi sobretudo feito por militares, a partir de motivações iniciais que não eram sequer politicas mas sim corporativas, por pessoas das mais diversas orientações politicas, inclusivé mais ou menos até pouco antes ligadas ao regime deposto (veja-se o caso de um grande numero de integrantes do “movimento dos capitães”, veja-se a composição da Junta Salvação Nacional, veja-se a figura do primeiro Presidente da nova Républica, etc, etc).
Claro que, no meio de muitas centenas ou milhares de protagonistas, também estiveram alguns simpatizantes e aderentes do PCP. Mas, felizmente, com pouco peso e em posição subalterna.
Marcelo Rebelo de Sousa, como a esmagadora maioria dos portugueses, incluindo os comunistas, não participou no movimento militar do 25 de Abril.
Sendo filho de um homem politico ligado ao regime anterior, é compreensivel que tenha tido relações pessoais e frequentado ambientes politicos e sociais próximos.
Tal facto não faz dele automáticamente alguém que estivesse do outro lado da barricada.
Mas até podia ser.
Se foi deixou de ser.
Tanto é assim que, logo a seguir à mudança de regime, foi membro fundador de um dos partidos politicos da democracia, o PPD, onde estavam também muitas outras pessoas provenientes de diferentes sensibilidades politicas democráticas, desde a “ala liberal” do Parlamento anterior até sociais-democratas não socialistas passando por multipas correntes democrata-cristãs e liberais.
Ainda a propósito do “outro lado da barricada”, gostaria de acrescentar as duas notas seguintes.
A primeira para lembrar que milhões de portugueses estiveram até ao 25 de Abril “do outro lado da barricada”. Com maior ou menor consciência, com maior ou menor convicção, mas estiveram.
Outros milhões, incluindo em grande parte os mesmos que estiveram do outro lado, estiveram a seguir ao 25 de Abril do lado de cá, da nova situação.
Incluindo aqui muita gente que aderiu entusiásticamente
Incluindo aqui muitas pessoas que a seguir ao 25 de Abril aderiram às ideias do PCP e às organizações a ele ligadas.
Digamos que estes milhões de pessoas passaram do lado de lá da barricada para o lado de cá.
Nada que retire valor e legitimidade às opções politicas que então livremente tomaram.
A segunda para dizer que, em termos da liberdade e da democracia, o PCP, tal como os sectores que sustentaram o regime anterior, estiveram sempre do outro lado da barricada.
Antes e depois do 25 de Abril.
Mais o PCP, que não mudou de ideologia e se manteve fiel ao sovietismo do que uma parte dos adeptos do anterior regime, que depois do 25 de Abril evoluiram e acabaram por aderir à ideia de uma sociedade aberta e democrática de tipo “ocidental”.
De resto, o PCP, sendo um partido defensor e satélite de uma ideologia e de um regime totalitário como o comunismo, esteve ainda mais do outro lado da barricada do que o conjunto do anterior regime, que embora autoritário e ditatorial, foi menos totalitário e repressivo do que os regimes comunistas e fascistas da mesma época.
Dito isto, fica descansado porque, apesar de também vires do “outro lado da barricada” relativamente à democracia que resultou do 25 de Abril, eu sempre defenderei a tua liberdade de expressão e de intervenção politica.
Desde que te portes bem, claro !… 😉
Abraço.
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Não foi o JPP membro fundador daquelo oxímoro que se chamada Clube da Esquerda Liberal?
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Cunhal era acima de tudo um artista e um intelectual. Não se compara com a escória «intelectual» que abunda por aí.
Até na prisão traduziu Shakespeare. Naquele tempo não havia google tradutor, como muitos de vocês utilizam.
Havia massa cinzenta.
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Foi pena o Cunhal não tivesse reservado a sua “massa cinzenta” para ser apenas um artista e um intelectual e não se tivesse limitado a traduzir Shakespeare em vez de ter sido “acima de tudo” o chefe da filial portuguesa de uma ideologia que assassinou directamente mais de 100 milhões de humanos e que torturou, reprimiu e aprisionou ainda muitos mais.
Quanto a ter traduzido Shakespeare na prisão … fico surpreendido porque pensava que os carrascos “fassistas” o tentavam matar todos os dias e que, não conseguindo, lhe batiam nos dedos das mãos e o privavam de papel para não poder escrever ou desenhar !!!… 😉
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