Uma história de mamas
A propósito da suspensão imposta pelo Facebook à página do Blasfémias pela publicação desta imagem, decidi escrever uma pequena história.
Foi em 1987 que decidiram: no ano seguinte iriam a Benidorm, como os Silva fizeram no ano passado. Última quinzena do Verão de 1988, Ambrósio e os pais entram, às cinco da manhã, na camioneta que os levará, após dois longos dias e uma noite em Madrid, à província de Alicante. A meio do segundo dia, logo após o almoço em La Roda, Albacete, um carro arde na berma da A–31, antes da bifurcação desta para a A–30. Anos mais tarde recordei este incidente quando eu próprio parei o Opel uns quilómetros a sul de Hellín, na A–30, por uma ruptura de tubo de refrigeração do motor, tendo andado a fazer transbordo de tachos e almofadas do taxi que nos levou ao parque de estacionamento do aeroporto de San Javier, onde aguardei por um carro de substituição. “Felizmente não se incendiou” veio-me à memória.
Ficaram no hotel Sol y Sombra, na Calle de Florida, a 800 metros da praia Poniente, não na mais badalada Levante, já na altura frequentada por europeus de países considerados mais abastados, como ingleses e alemães. Pior é o caminho da praia para o hotel, a subir a Av del Rey Jaime I, que a descer todos os santos ajudam. Ainda hoje, a piscina do hotel fica do lado aposto da rua. O revestimento azul da piscina, áspero, compreendia-se pela quantidade de areia depositada no fundo. Toda a gente a usava como lava-pés entre a praia e o quarto enquanto as sevilhanas gorduchas ensaiavam grotescas interpretações de canções para a soirée no bar que, certamente, inspiraram Almodóvar uns anos antes.
Ambrósio corou com a quantidade de mamas na praia. Eram grandes e pequenas, firmes e gelatinosas, orgulhosamente irreverentes e caoticamente bamboleantes, de todas as cores e variados graus de dureza de mamilos, ora apontando em estéreo para o longínquo horizonte, ora, nos casos das senhoras com cara de mãe de alguém, apontando no ângulo de 60 graus que cria a hipotenusa do triângulo rectângulo formado pela areia e a caminhante figura maternal. Ambrósio nunca tinha visto tal coisa. A quantidade de gente que se passeava de mamas ao léu, como se fosse normal, como se houvesse disso na Praia da Aguda, onde costumava ir com os pais, queimava-lhe o cérebro pequenino de português deslumbrado. Os postais! Ai os postais, com mulheres nuas espalhados pelos mostruários. Em Portugal nunca haveria disso: vivia-se o cavaquismo em todo o seu esplendor, a era da obscuridade que, só com Guterres e depois com Sócrates iria libertar as mulheres das amarras domésticas para a necessária defesa ferrenha do uso de burka, como fazem as modernaças que frequentam, elas próprias, as praias de biquini opcional de Formentera.
Ambrósio deixou de ter treze anos em 1989. Agora, nos quarentas, é coleccionador de postais. Não pode publicá-los no Facebook – é proibido. Daí que os publique eu, aqui, no Blasfémias. No Facebook fica só o link.

Verdade?
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A conta do Facebook foi suspensa por causa do post do Rui A. Aparecia a imagem e os deuses da rede ficaram irados.
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É um problema comum aos bots.
O que não deixa de ser irritante.
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Ah! que anormalidade. Mas é demasiado estranho. Isso foi denúncia.
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O pessoal do facebook é uma cambada de rabetas. Vivam as mamocas!
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Se fossem 2 gay’s na intimidade, censuravam? Aposto que não, senão levavam com os LGBT todos deste mundo, em manifs e censuras à rede, vestes rasgadas e gritos esganiçados.
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Pergunto eu, se me permitem? Ainda vão continuar a usar o facebook? O poder de resposta à hipocrisia desta rede social está nas mãos dos seus utentes.
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Se dum lado chovia do outro trovejava, ontem foi um dia muito triste!
Aqui no Blasfémias, ao meu comentário ao post do Rui A. foi negada a publicação ou seja fui “CENSURADO” talvez por um tesourinha deprimido.
No FB o mesmo meu comentário com o post do Rui A. foi eliminado por causa da dita foto.
Só o acontecido aqui no Blasfémias me preocupa!
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Isto está uma rebaldaria. Desde que tiraram a disciplina de religião e moral nas escolas tem sido um escalar de mamas ao léu. Ainda bem que há amaricanos com bom senso.
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Um “cromo” da informática tem o poder de gerir a informação a que milhões de pessoas acede diariamente. Tem o poder de veto, de censura e em consequência, um enorme poder de influencia sobre a opinião publica a uma escala global.
O nosso pensamento uniformizado e gerido por automatismos, reduzidos a estatísticas coloridas numa folha de calculo… Os indivíduos a servirem de “alimento” a uma máquina que nos controla e que nos usa em seu proveito.
Regista-te Narciso! É gratuito e sempre será.
Obrigado pela tua visita!
Esperamos voltar a ver-te brevemente Otário.
thttps://www.theguardian.com/technology/2016/sep/08/facebook-mark-zuckerberg-napalm-girl-photo-vietnam-war?CMP=fb_gu
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Na Noruega aconteceu o mesmo a um jornal de grande tiragem, porque publicou na primeira página a famosa foto da “menina do napalm”, da guerra do Vietname.
Por lá, anda tudo histérico com o assunto.
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Rectifico: foi um escritor norueguês que publicou a foto na sua página de Face, e viu-se bloqueado. Estalando a polémica, vários jornais solidarizaram-se, recebendo também advertências por parte da rede social.
Neste caso, parece que o Face está a tentar agora emendar a mão.
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O Facebook é uma empresa de marxistas: financia a hilária clinton
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Até que enfim aparece no Blasfémias uma matéria muito bem ilustrada.
Que venham muitas mais deste jaez , pois o Arlindo – moi même – há-de estar aqui para lavrar o seu douto comentário.
Parabéns sinceros ao ilustre postante, Prof. Vitor Cunha.
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Cala-te que tu andas sempre com o broche:
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