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Eutanásia, sim, mas aproveite-se a chicha

28 Janeiro, 2017

Vem aí a discussão sobre a eutanásia e Portugal, mais uma vez, fica aquém do progresso ao considerar que esta actividade consiste apenas na facilitação para a cessação da vida a quem o solicita. Há os casos holandeses, em que pessoas com Alzheimer, mesmo que não solicitem, poderão ver a sua vida eutanasiada por vontade dos parentes que, por um lado, não estão para tratar deles e, por outro, beneficiam de partilhas da herança antecipada. A crise atinge toda a gente. Há os casos belgas, de extermínio de adolescentes deprimidos (ou, por definição, “adolescentes”), que podem beneficiar da cessação de andarem a chorar pelos cantos com eyeliner preto, sujando assim cortinas tão difíceis de lavar. Porém, não há casos práticos de eutanásia com posterior reaproveitamento do cadáver, apesar da abundante literatura, como no Frankenstein, da Mary Shelley.

O problema da eutanásia em todos os países em que é praticada é o desperdício de recursos humanos perecíveis. Infelizmente, e Portugal quer ir pelo mesmo caminho, todas as legislações sobre o assunto são omissas no que concerne à utilização dos novos cadáveres para causas nobres como a psicologia robótica ou o canibalismo. Sim, a ciência é importante para muitas pessoas, incluindo os cientistas, mas não faz qualquer sentido, em pleno século XXI, que um cadáver fresquinho não possa ser devidamente comido em condições de máxima higiene por quem necessita saciar uma normal orientação gastronómica. O canibalismo não é uma escolha, já se nasce canibal: é uma orientação como outra qualquer, como o veganismo ou a coprofagia. Quem somos nós para decidir que um boi é passível de ser comido e a Dona Rosa deve ser desperdiçada através de enterro para usufruto único dos vermes do solo? Em que é a Dona Rosa menos que uma vaca? Ninguém quer obrigar quem não é canibal a comer carne humana, por isso não me venham com falsos moralismos da mais pura canibalofobia: quem quer, come; quem não quer, põe na beira do prato e não opina.

Escolas como a Alexandre Herculano têm problemas que transcendem muito meras infiltrações: no menu escolar nunca se viu um prato destinado a canibais. É assim que queremos alimentar as nossas crianças, com chicha de suíno? Aproveitemos a discussão pública sobre a eutanásia para sensibilizar a sociedade para o desperdício, lutando por um mundo melhor onde a carne humana pode ser consumida sem ser necessário o barbarismo – e a ilegalidade – de andar a comer indigentes sem qualquer protecção de controlo e higiene pela ASAE. Enquanto comem o Sr. Eurico, os estudantes podem ler sobre a dicotomia entre enfiar na racha ou enfiar no cu do livro do grande valter hugo mãe ou discutir o aborto que aprenderam anos antes, que a nostalgia e a contemplação também têm lugar no sistema de ensino.

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32 comentários leave one →
  1. PiErre permalink
    28 Janeiro, 2017 17:40

    Safa, que tétrico!

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  2. 28 Janeiro, 2017 18:01

    ehehe Uma variante da Proposta Modesta do Swift

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  3. Cipião Numantino da Boina, anti comunofóbico. permalink
    28 Janeiro, 2017 19:07

    Estes intelectuais, deixam-me sem palavras.

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    • 28 Janeiro, 2017 19:19

      Ainda sou capaz de mais: não se separa o sujeito do predicado com vírgula.

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      • Cipião Numantino da Boina, anti comunofóbico. permalink
        28 Janeiro, 2017 19:41

        Ainda bem, devo-lhe alguma coisa?
        Ou, é ao sujeito ou ao predicado.
        Embora de intelectuais tudo seja de esperar.

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      • 28 Janeiro, 2017 20:03

        Deve-me a gratidão de não o tratar como o Adão e Silva o trata.

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      • Cipião Numantino da Boina, anti comunofóbico. permalink
        28 Janeiro, 2017 20:05

        Quem é esse?
        É algum intelectual de pacotilha?

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      • 28 Janeiro, 2017 20:19

        Não, tenho a certeza que iria gostar. Diz coisas parecidas com as que a senhora diz.

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      • Cipião Numantino da Boina, anti comunofóbico. permalink
        28 Janeiro, 2017 20:24

        A que escreveu o post.
        Foi a sua esposa?

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  4. Arlindo da Costa permalink
    28 Janeiro, 2017 19:26

    Como dizia Lavoisier, na Natureza nada se perde, tudo se transforma. Há que reciclar e reaproveitar os despojos do eutanasiado. Aliás, a doutrina neo-liberal assim recomenda. Tudo tem um preço.

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    • Sem Norte permalink
      29 Janeiro, 2017 02:27

      Concordo, na doutrina neoliberal tudo tem um preço, já na doutrina socialista, o “há que reciclar e reaproveitar os despojos do eutanasiado. ” não tem preço sequer.

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    • André Miguel permalink
      29 Janeiro, 2017 15:31

      Já a ideologia socialista é a rainha do desperdício. Nem na eutanasia querem aproveitar as sobras.

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  5. Ambrósio permalink
    28 Janeiro, 2017 19:55

    Eutanásia para os humanos. Fim do abate de animais nos canis.

    O Apocalipse chega a que horas?

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  6. Tiradentes permalink
    28 Janeiro, 2017 20:07

    Já o Lenine e o Stalin eram neo-liberais e por isso eutanasiavam que se fartavam para cumprir os quadros quinquenais de produção agrícola, onde num meio de um batatal o ar era lindo

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  7. Arlindo da Costa permalink
    28 Janeiro, 2017 20:26

    No neo-liberalismo tudo é comercializável : desde as chichas aos testículos.

    Admirável Mundo Novo, minhas senhoras e meus senhores!

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  8. Tiradentes permalink
    28 Janeiro, 2017 22:20

    Exactamente…é prática do Partido comunista Chinês matar para vender orgãos….é um neoliberalismo do caraças.

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  9. Alain Bick permalink
    28 Janeiro, 2017 22:31

    Figaro
    Révélées par les vidéos de l’association L214, les méthodes de l’abattoir du Vigan (Gard) seront au cœur du procès qui se tiendra les 23 et 24 mars prochains. Au-delà de cet exemple, partisans et opposants d’un nouveau statut juridique de l’animal s’affrontent.

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  10. Os corruptos que se cuidem permalink
    28 Janeiro, 2017 22:31

    Ah, valente! Quem fala assim não é gago! Arrefinfe-lhes!

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  11. Os corruptos que se cuidem permalink
    28 Janeiro, 2017 22:35

    https://en.wikipedia.org/wiki/Soylent_Green

    Vejam a trama do Soylent Green, ah, ah! Já estivemos mais longe… se é que não estamos emsmo lá.

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    • 28 Janeiro, 2017 23:33

      Sim, o filme parecia ficção científica e já é realidade

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      • André Miguel permalink
        29 Janeiro, 2017 15:40

        Oh Zazie não me assuste! Fosga-se a sério?!
        Por falar em ficção científica, vi há pouco uma cena na net sobre os futuros robôs sexuais e lembrei-me logo do Blade Runner, em 1982 era ficção e uma cena cyberpunk de maluquinhos nerd!

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      • carlos alberto ilharco permalink
        29 Janeiro, 2017 19:18

        É realidade nos condomínios super fechados e na cena pastoral da morte.
        Na comida felizmente ainda falta um bocadinho.

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      • carlos alberto ilharco permalink
        29 Janeiro, 2017 19:20

        Lembrei-me que o Soares já estava morto, mas deve ter gostado de ouvir a Lacrimosa lá no Céu,

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  12. Churchill permalink
    28 Janeiro, 2017 23:32

    Já devia estar autorizada há muito tempo
    Tínhamos ganho alguns anos de pensões com o velho xuxalista

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  13. André Miguel permalink
    29 Janeiro, 2017 15:28

    “Em que é a dona Rosa menos que uma vaca?” LOOOL

    Muito bom!
    É isto mesmo que é preciso esfregar na cara desta esquerda progressista. É levar mais além a suas próprias ideias para vermos o aburdo das mesmas.

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  14. javitudo permalink
    29 Janeiro, 2017 16:32

    Nada acontece por acaso. A subversão das sociedades adquire muitas formas.
    Uma delas está em usar a palavra mãe como apelido, particularmente num ser abominável.

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  15. pita permalink
    30 Janeiro, 2017 18:36

    Vitor ( o corrector de Português de Portugal só aceita Victor) Cunha. Há anos que aconselho — por privilégio profissional — as velhinhas com gatos e cães em casa para que os tratem muito bem. Quando bater a fome sempre terão umas proteínas ‘de luxo’. Então o veterinário (um dos antepassados do magarefe) nada lhes cobrará. Não se diz ‘gato por coelho’? E não digam nada aos chineses, porque eles comem tudo e não deixam nada. Os fachos…

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