Skip to content

24 horas

20 Junho, 2017
by

https://imagens.publicocdn.com/imagens.aspx/843147?tp=UH&db=IMAGENS

Lembro-me, como se fosse hoje, da tragédia da ponte de Entre-os-Rios, e da rápida decisão do então ministro Jorge Coelho se demitir do importante cargo político que ocupava. Estava, por essa altura, há alguns dias no Rio de Janeiro, distante do que por cá se passava, e tudo aquilo me pareceu exagerado: no fim de contas, que responsabilidade poderia ter um ministro que tem, sob a sua responsabilidade, a tutela de milhares de equipamentos iguais ou semelhantes ao da ponte acidentada? Humanamente, nenhuma.

Politicamente, tinha-a toda, como Jorge Coelho, sem o dizer por palavras, explicou lapidarmente ao país. Jorge Coelho era, então, o homem mais poderoso do Partido Socialista, mais até do que o próprio António Guterres, e poderia ter ficado no poder, se o desejasse. Ninguém pediu a sua cabeça, nem o governo foi cabalmente acusado de responsabilidades no sucedido. O acidente ocorreu na noite do dia 4 de Março de 2001. No dia seguinte, menos de 24 horas depois, Jorge Coelho demitiu-se.

Por conseguinte, existe um enorme desvio do padrão desta «ética republicana», que Coelho tão bem demonstrou saber honrar, e o patético pedido de «esclarecimentos urgentes» que António Costa fez, nem ele sabe bem a quem, a propósito da tragédia que caiu em cima do país, nos últimos dias. Tragédia que todos os anos, com maior ou menor intensidade, se repete, é bom frisar. António Costa não percebeu ainda que não tem nada a perguntar a ninguém, senão a si mesmo e aos seus ministros. Que ponha os olhos no seu velho camarada de partido e perceba o que é a responsabilidade política. Depois, conclua o que entender.

Anúncios
27 comentários leave one →
  1. LTR permalink
    20 Junho, 2017 18:13

    Aguardemos serenamente para saber exatamente por que foi o PR o primeiro peso-pesado a chegar e qual a cronografia daquelas horas que justifica o posterior desalinhamento do presidente.

    Liked by 1 person

  2. piscoiso permalink
    20 Junho, 2017 18:14

    Se a queda da ponte de Entre-os-Rios tivesse acontecido por ter sido atingida por um raio, haveria mais semelhanças com o acontecido em Pedrógão.

    Gostar

  3. 20 Junho, 2017 18:39

    Rua!

    Gostar

  4. Campus permalink
    20 Junho, 2017 18:51

    Rui está a brincar . Pedir a Costa que siga o exemplo de um camarada, quando para alcançar o Poder é capaz de tudo, até de atraiçoar o seu camarada Seguro.

    Gostar

  5. Manuel permalink
    20 Junho, 2017 19:11

    Penso que não devemos ir por aí, pois corremos o risco de gastar dinheiro em eleições, dinheiro que é muito necessário para canalizar para as pessoas ao longo deste ano.

    Gostar

  6. Carlos Guerreiro permalink
    20 Junho, 2017 19:14

    O Coelho não se demitiu por ética. O Coelho serviu-se da queda da ponte para abandonar o barco que estava afundar. O Coelho foi mais um rato.

    Liked by 1 person

    • 21 Junho, 2017 13:15

      E pouco depois lá foi, certamente contrariado, para a Mota Engil, após ter-lhes colocado mil milhões de euros nas mãos em contratos enquanto ministro.

      Lá bem dizia a Pompeia Sula qualquer coisa sobre ser e parecer.

      Gostar

  7. Filipe Costa permalink
    20 Junho, 2017 19:27

    Está a pedir para Costa tirar conclusões? Está a pedir muito, ele vai culpar tudo e o seu contrário e a Ministra vai-se demitir por iniciativa “própria”.

    Liked by 1 person

  8. maria permalink
    20 Junho, 2017 19:29

    Não concordo em absoluto.Ao contrário do que diz Coelhone fugiu quanto mais as pessoas precisavam dele.Eu chamo-lhe irresponsabilidade.

    Liked by 2 people

    • 20 Junho, 2017 21:16

      Jorge Coelho não se devia ter demitido. Primeiro fazia aquilo que foi mandatado para fazer, que é isso que é ser responsável, e depois se quisesse demitia-se. Queimou um secretário de estado e pirou-se. Aliás as duas luminárias da foto fugiram com o rabo entre as pernas para pastagens mais viçosas. Se estivessem o Durão e o Constâncio na foto tínhamos os traidores todos juntos. E era 3 a 1 para o PS.

      Liked by 1 person

      • carlos alberto ilharco permalink
        21 Junho, 2017 08:55

        Nem mais.
        Já escrevi várias vezes sobre o assunto.
        Foi esperto.
        Deu um passo em frente e retirou.se.
        No dia seguinte era outro que tinha que aturar os abutres da comunicação social nomeadamente um senhor da Marinha (não me recorda o nome nem a patente) a quem exigiam que apresentasse imediatamente o autocarro.
        Jorge Coelho foi um verdadeiro cobarde,
        Com um chefe destes qualquer batalha é perdida mas ele safa-se.

        Liked by 1 person

  9. carolina lobo permalink
    20 Junho, 2017 19:39

    MUDAM-SE OS TEMPOS ….MUDAM-SE AS VONTADES…

    Gostar

  10. Jmbrafafernandes permalink
    20 Junho, 2017 20:57

    Eu, na altura era pequeno e como tal não sei: porém pergunto: esse magnífico ser, ainda está enclauruzado num qualquer mosteiro?
    Vou orar por ele

    Gostar

  11. Nelson Goncalves permalink
    20 Junho, 2017 21:28

    Discordo por completo do Rui A.

    Sendo verdade que o Coelho não tinha responsabilidade no sucedido, tinha toda obrigação em fazer um inquérito ao sucedido e tomar as decisões necessárias para o corrigir o que estava errado. Um gestor é mesmo isto.

    A ética republicana ? Que se foda, a obrigação do Coelho na altura era para com o país e em vez de tentar corrigir as instituições e processos que falharam, meteu o rabinho entre as pernas e abalou.

    Liked by 1 person

  12. Castrol permalink
    20 Junho, 2017 21:48

    A demissão do Dr Jorge Coelho até percebo, tinha pressa de ir para a Mota Engil.

    O que não percebo e me revolta é a atual ministra da Administração Interna ainda não se ter demitido, nem arranjado o cabelo…

    É que já não há pachorra para tanta falta de competência! As calamidades não se resolvem colocando um ar de desgraçadinha na cara!

    Liked by 1 person

    • 20 Junho, 2017 23:14

      “As calamidades não se resolvem colocando um ar de desgraçadinha na cara!”

      Não batam mais na coitadinha da Constança que só fez cagança.

      Gostar

  13. José Domingos permalink
    20 Junho, 2017 22:31

    Só se limitam a aparecer no telelixo das oito. Vê-se que andam á toa, não estão a aguentar a pressão. Só funcionam bem, quando está tudo bem. Falta-lhes traquejo, são nomeações politicas, não têm capacidade de liderança.
    É nestas situações é que nos apercebemos a quem estamos entregues, está tudo a assobiar para o lado, á espera de um milagre e já a tentar arranjar bodes expiatórios.
    Lembro que a maior parte desta malta, trabalhou no circo, com o pinto de suza, o calibre é o mesmo, estão é mais envernizados.

    Gostar

  14. Alexandre Policarpo permalink
    20 Junho, 2017 23:04

    Em Outubro de 1995, o projecto da nova ponte de Entre-os-Rios estava pronto para ir a concurso no mês seguinte. Previa-se que as obras começassem durante ao ano de 1996 e a ponte estaria pronta no final de 1998.
    Mas quando tomaram posse e devido ao elevado numero de obras que o Cavaco lhes tinha deixado para inaugurar, os socialistas mandaram suspender este e outros projectos, provavelmente para os recuperar mais tarde chamando-lhes seus, como fizeram com o Alqueva, p. ex.
    Portanto, na minha modesta opinião o Coelho demitiu-se pela calada da noite, se calhar para não ter de explicar porque é que mandaram parar a construção da nova ponte em 1995, situação que só pode ter ocorrido com conhecimento dele.
    Não tive conhecimento destes factos por interpostas pessoas, nem os ouvi em conversas de café. Na época, passou tudo na SIC, que entrevistou quer o ex ministro das Obras Publicas, quer os projectistas da ponte, quer técnicos da ex JAE, e todos foram unanimes: os socialistas sem razão que o justificasse, no final de 1995 meteram na gaveta o projecto de uma ponte que devia estar pronta em 1998, evitando assim que a velha ponte caísse no ano 2000, levando 50 e tal vidas com ela.
    A demissão do Jorge Coelho não teve nada a ver com dignidade, ele demitiu-se para safar o coirão! tal qual andam todos a fazer agora: 1º ministro, ministra da administração interna, ministro da agricultura e chefias da Protecção Civil, todos uma cambada de incompetentes!

    Liked by 1 person

  15. 20 Junho, 2017 23:19

    Falta muito para este “governo”-geringonço-que-não-ganhou-eleições ser demitido?

    O Afectuoso vai ter que desligar a incubadora se não quiser ficar borrado com a merda do bebé. Terá que fazer um aborto pós-nascimento.

    Gostar

  16. Carneiro permalink
    21 Junho, 2017 03:59

    na época JC estava à espera de ser constituído arguido. E quis evitar que o Governo se salpicasse. Ele tinha desmantelado a Divisão da JAE que fiscalizava as pontes. Não era apenas uma questão de responsabilidade política. Mais tarde ele não foi acusado porque na época os irmãos gozavam de imunidade e de impunidade. A demissão de JC não foi um acto de responsabilidade politica. Havia mais factores.

    Liked by 1 person

  17. 21 Junho, 2017 12:55

    “Ele tinha desmantelado a Divisão da JAE que fiscalizava as pontes.”

    Portanto, a culpa foi do Coelhone mas como se demitiu ainda deu a ideia de homem honrado. Estes xuxas são uns acrobatas formidáveis. Não admira, não têm coluna vertebral.

    Gostar

  18. 21 Junho, 2017 14:15

    Comparar uma tragédia que se deu por causa da ruína de uma estrutura construída e a cargo de um ministério, e que carecia de obras de conservação e reparação que não foram feitas, razão primeira para explicar as consequências mortais, com a tragédia por causa de incêndios naturais e normais parece-me que é comparar a estrada da Beira com a beira da estrada. Fazer cair a ministra por causa das mortes no incêndio é o mesmo que admitir que os bombeiros foram os culpados de não terem conseguido apagar o incêndio a tempo de as pessoas não morrerem e os meteorologistas que não previram onde o raio ia cair. Está tudo doido. A ponte caiu porque o ministério não procedeu às obras necessárias. O incêndio deu-se porque é normal e natural. Se chegou à estrada e às casas foi porque as pessoas lá puseram as árvores, não o ministério.

    Gostar

    • 21 Junho, 2017 15:02

      Dia quente, área de densidade florestal, histórico de incêndios. Surpresa para quem? Primeiro alerta pouco depois das 14… E depois?
      Naquele dia houve ignições por todo o país, ardeu floresta e mato como ardem todos os verões. Mas aqui houve algo diferente, 64 vidas perderam-se. O sistema de Protecção Civil simplesmente não respondeu. Como se explica o que aconteceu nas horas seguintes às 14.00 de dia 17?
      Miguel D

      O incêndio não começou às 19h com a trovoada seca, começou às 14h45. Houve flagrante falta de prevenção, de meios, de comunicações, de coordenação. Por quê?

      A ministra e o PM não estão isentos de culpa. O governo de Santana Lopes foi demitido porque a lista de colocação dos professores não saiu a tempo. E estes assassinos?

      Gostar

  19. Arlindo da Costa permalink
    21 Junho, 2017 16:30

    Jorge Coelho demitiu-se para ficar bonitinho na fotografia.
    No meio duma batalha o general não abandona a luta. Não deserta, como Vs. Exªas quereriam.
    Sois fraca gente…

    Gostar

Indigne-se aqui.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: