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do que mais precisa?

12 Outubro, 2017
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A acusação a José Sócrates é uma evidente vergonha para o PS e para todos quantos cegamente seguiram o antigo primeiro-ministro, sem manifestarem estranheza com o seu modo luxuoso de vida depois de abandonar o poder. Para os que eram ministros quando se deu a vigarice da frustração da OPA da SONAE, que lesou imensamente a PT e o país. Para os que eram ministros sem terem estranhado a prodigalidade do especialíssimo programa de repatriamento de capitais. Para os que aplaudiram sempre acriticamente José Sócrates, em troca de umas migalhas de poder, mesmo depois do «Pinóquio» do Freeport. Para os que nada disseram quando José Sócrates moveu influências perversas para silenciar a TVI. Para os que acharam normal que os amigos de Sócrates saltassem da administração da Caixa Geral de Depósitos para a administração do Banco Comercial Português. Tudo isso é um desconforto para o PS, mas, obviamente, não para todo o PS, porque no PS há gente muito séria; para a comunicação social que se deixou objectivamente amansar, ou comprar, pelo poder socrático; para os comentadeiros arregimentados do regime, que presumem sempre a inocência dos compadres e a culpabilidade dos inimigos. Há, todavia, um aspecto muito mais significativo e incomodativo em toda esta história. Ele é o modo como as elites políticas de divorciaram do país e das pessoas que governam, dispondo do património do estado e do património dos outros, como se lhes pertencesse. Na forma mentis que leva a este tipo de atitude, onde o que «o que é teu é nosso», não há grande diferença entre o que terão feito José Sócrates e, por exemplo, no Brasil, Lula da Silva (por sinal, com argumentos defensivos exactamente iguais) ou o que Mariana Mortágua anuncia que gostaria de fazer quando despudoradamente diz que «é preciso ir buscar o dinheiro onde ele está». O que isto significa é que esta gente perdeu respeito a quem os lá pôs, e considera o património do estado e das pessoas como coisa sua, de que podem dispor como se lhes aprouver, para o que lhes apetecer. Se isto não é uma crise de regime, hão-de dizer-me do que precisa mais o regime para entrar em crise.

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21 comentários leave one →
  1. Juromenha permalink
    12 Outubro, 2017 23:39

    Se a (curta) memória não me falha, “nesses tempos” o Bicharel 44 tinha um “número dois”, de total confiança, um tipo chamado costa.
    Que terá sido feito dele?…

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    • Euro2cent permalink
      13 Outubro, 2017 08:56

      Tipo fino, esse. Viu que a ganância era tanta e a arte tão pouca que mais tarde ou mais cedo os burrinhos iriam à água. (Não me admirava que se viesse a saber que disfarçadamente mandou uma pedrada aos burros.)

      Pôs-se a andar para a cambra, e deixou outro tanso ir para cabeça de forcado quando a bardina estoirou. Uns tempos depois enfiou uma naifa no tanso, tapou o cadáver e apareceu a assobiar para o lado, que nada de coisa alguma era com ele.

      Tem mais teflon do que dantes diziam que o Reagan tinha. Escorrega tudo para o lado …

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    • JgMenos permalink
      13 Outubro, 2017 10:23

      Um especial talento na fuga a responsabilidades, recuos e acomodações oportuníssimas, um verdadeiro líder da escapatória.
      (Valeria a pena ouvir um resumo das suas reacções aos ataques ao Sócrates na Quadratura do Círculo – à atenção da SIC)

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  2. LTR permalink
    12 Outubro, 2017 23:55

    Ninguém viu os +24.000.000 de dívida em menos de dois anos. Nem o Freeport no conselho de ministros. Nem o relatório negativo do SIRESP. O pequeno-almoço do figo há anos também. A compra da TVI que na altura não precisava de aval, e a notícia do Banif veio do céu. Os contratos das SCUT com as cláusulas confidenciais como o anexo 17 mostrado pelo Paulo Morais, nada. Mas viram bem o Relvas, as SWAP, a casa do Cavaco no Algarve e até o BPN que nem o próprio Constâncio do BdP na altura via. E para esses não há contemplações – a presunção de inocência não se lhes aplica. Isto é precisamente o tipo de gente a que se referia o Rui Rio no início do discurso de ontem, que por mero acaso vários jornalistas relataram não ter percebido muito bem.

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  3. LTR permalink
    13 Outubro, 2017 00:02

    Espetacular o modo como se critica uma revista, para logo depois uma interveniente interromper e fazer insinuações sobre as “pessoas que a gente conhece e cujo nome eu não vou dizer” com o aval do comentador. Resposta: sim, não, não, nada, claro, claro que sim, não!

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    • 13 Outubro, 2017 02:49

      Este tipo é um oportunista-catavento. Um tudólogo bem pago, vaidoso pelo seu protagonismo, convencido que influencia a opinião pública — e até influencia, os indigentes.

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  4. Procópio permalink
    13 Outubro, 2017 00:04

    Vão continuar na mesma até que não lhes doa.

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  5. licas permalink
    13 Outubro, 2017 01:40

    . . . se isto não é uma crise de regime.
    Não será bem assim: considero antes falta de civismo acompanhada
    de laxismo de controlo: baixo registo da qualidade ética da Sociedade.
    Substitui-se na escolha por mérito pelo popularismo.
    Com tempo nós todos evoluiremos para regime mais exigente, acredito.

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  6. 13 Outubro, 2017 02:42

    Rui A.,
    post cristalino, claro que isto é relevante momento duma crise de regime protagonizada por criaturas que despudoradamente o minaram e continuam a minar em todas as áreas de actividade.

    Eu teria acrescentado isto acerca de haver “gente muito séria no P”S”: saiam da sua “zona de conforto” (incluindo regalias muuiiiiiito obscuras), usem os seus estatutos de personalidades –poucas– de nível nacional e surjam rejeitando o seu correlegionário Sócrates…

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  7. 13 Outubro, 2017 03:23

    A propósito, excelente artigo do JMiguel Tavares no Público de ontem.

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  8. 13 Outubro, 2017 03:26

    Ontem quis ouvir e ver as reacções faciais do Jorge Coelho no Quadratura. Para além do habitual insulto à inteligência que protagoniza, surgiu atabalhoado, sem argumentos, preocupado.

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  9. PiErre permalink
    13 Outubro, 2017 07:41

    …” no PS há gente muito séria”…

    Não conheço ninguém.

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    • Euro2cent permalink
      13 Outubro, 2017 09:01

      Uma frase estranha, de facto. Metida um bocado à força ali no meio.

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    • Aventino permalink
      13 Outubro, 2017 10:54

      Um socialista (PS) é um comunista com medo de avançar!

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  10. Alain Bick permalink
    13 Outubro, 2017 09:18

    antónio das mortes nunca conheceu p 44
    nem no governo
    nem no largo dos ratos

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  11. André Miguel permalink
    13 Outubro, 2017 09:40

    “gente séria no PS” é ironia, certo? Diz-me com quem andas dir-te-ei quem és.

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  12. Eduardo permalink
    13 Outubro, 2017 09:49

    “… porque no PS há gente muito séria.”

    Tem muita razão
    Sempre que um socialista não se ria… está sério.

    Só um exemplo acabado:
    Santos Silva, o inefável ministro de qualquer coisa, quando não se ri está mais sério que sério… a esbracejar, a ameaçar, a injuriar tudo e todos..

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  13. 13 Outubro, 2017 12:39

    Desde quando há vergonha no PS? Um que agora é ministro roubou o gravador a um repórter. Um que foi Presidente da República fugiu dum local do acidente. Uma que agora está no BdP disse que o dinheiro do Estado era do PS. Um que foi ministro ofereceu uns estalos a um jornalista.
    E claro, temos António Costa.
    O homem que baixa 10 de imposto e aumenta 20 em taxas, tornando efectivamente todos mais pobres, e continua a dizer que acabou a austeridade. Por mim, já tenho saudades da austeridade de Passos Coelho, que era uma brincadeira ao pé desta.
    Absurdo ter de aumentar a carga fiscal num país que é um sucesso de governação, com um crescimento fabuloso maior-do-século. Os impostos deviam estar era a baixar, a dívida devia estar era a baixar. Os factos e a própria necessidade de espoliar desmentem todos os dias a narrativa da Geringonça.
    Como seria se não houvesse dinheiro? Como será quando voltar a faltar?

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  14. Carlos Guerreiro permalink
    13 Outubro, 2017 12:51

    O estilo de vida luxuoso começou com o Sócrates ainda PM, as férias no Algarve (Pine Cliffs), o nome do Sócrates na montra do Bijan. Só não viu quem não quis.

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  15. The Mole permalink
    13 Outubro, 2017 19:02

    2 considerações:

    1. “esta gente perdeu o respeito a quem os lá pôs”: para perder o respeito era preciso que alguma vez o tivessem tido – o que nunca aconteceu;
    2.”Se isto não é uma crise de regime” – Não, não é uma crise… Isto é “o regime”!

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