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as pessoas estão primeiro: mas umas mais do que outras

22 Novembro, 2017
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«As pessoas estão primeiro», foi o slogan da última campanha autárquica do PS, que enxameou as vilas e cidades deste reino com outdoors coloridos, cheios de ternurentas personagens. A mensagem política era simples: à direita estão políticos sem coração, paladinos da austeridade para quem as pessoas são seres sem rosto, simples números de estatística em folhas de excel, enquanto que à esquerda reina o amor ao próximo, as políticas sociais e o humanismo não «financista».

Imbuído de tão nobres sentimentos, o governo da geringonça, depois de enfiar o barrete, mais do que anunciado, da Agência Europeia do Medicamento, resolveu «dar a volta por cima» e presentear o edíl da Invicta com um produto sucedâneo, a sede do Infarmed, deslocalizada de Lisboa para o Porto. Até aqui, para além da parolice dos festejos com que o referido edíl e os governantes envolvidos anunciaram o solene acontecimento, nada de mais. Há, contudo, um pormenor significativo a registar. É que esta entidade pública já existe há muitos anos e está, desde sempre, sediada em Lisboa. Dispõe de um quadro de funcionários que nela trabalham e que souberam, pela comunicação social, que os seus postos de trabalho tinham acabado de ser «deslocalizados» para 340 km de distância do local habitual. Perante esta «pequena» dificuldade, ministro, autarcas e outros responsáveis protestaram contra a falta de sentimentos patrióticos dos trabalhadores que – veja-se lá! – se recusam a ir trabalhar a 340 km das suas casas, pondo em causa, desse modo, a descentralização de que Portugal tanto carece. No meio disto, o Bloco e o PC continuam calados como ratos. De facto, para o PS e para as esquerdas que apoiam o seu governo as pessoas estão primeiro. Mas umas parecem estar mais primeiro do que outras.

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12 comentários leave one →
  1. 22 Novembro, 2017 12:25

    SEMPRE O MESMO COMENTÁRIO.
    OS PORTUGUESES TÊM O QUE MERECEM. MAIS NADA. MAS MAIS, VOLTA SALAZAR ESTÁS PERDOADO, AO PÉ DESTA GAJADA ERAS UM MENINO DE COURO.

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  2. Expatriado permalink
    22 Novembro, 2017 12:57

    As TVs vão estar presentes nas despedidas desta (e)migração forçada para que todo o populéu veja a babá e ranho das dores da separação.

    Não foi o Passos que…

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  3. Alexandre Novais permalink
    22 Novembro, 2017 14:53

    A regionalização é a confissão pungente de quem é completamente incompetente para governar este piqueno rectângulo. A única coisa que sabe fazer é ‘mandar fazer’!

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  4. Rui permalink
    22 Novembro, 2017 16:38

    Qual a forma correta para saberem que os seus postos de trabalho tinham sido deslocalizados a 340 km? Via cartão postal? Carta com aviso de recepção? Qual o problema de ser via comunicação social?

    Muitos portugueses viram os seus postos de trabalho serem deslocalizados para 10 mil km de distancia e nem sequer pela comunicação social foram avisados.

    Qual a relevância de um determinado organismo do estado ter estado sempre em Lisboa para o facto de haver uma decisão política para o deslocalizar? Se for incómodo para 300 famílias em Lisboa poderá ser uma oportunidade de fixação para 300 famílias na região norte.

    Espero que estas notícias se venham a repetir com vários outros organismos para varias regiões do país. Sejam elas anunciadas via comunicação social, Tweeted, Watsapp, email ou carta com aviso de recepção. Estas estruturas devem ser deslocalizadas para as várias regiões do país e especialmente aquelas que têm maior taxas de desemprego devem ter prioridade. Hoje em dia não faz sentido nenhum ter os organismos públicos todos concentrados em Lisboa, mas também não faz nenhum sentido estar a duplicar estruturas através da regionalização. A deslocalização a meu ver faz muito mais sentido.
    Se é incómodo para os funcionarios que residem em Lisboa? Obviamente que será, mas por outro lado será muito bom para as regiões que irão receber esses organismos.

    Até pode contribuir para o problema da moda que é o elevado preço das casas em Lisboa, pode ser que fiquem com preços mais acessíveis por redução de procura e não tenham de existir tantos entraves ao alojamento local que traz divisas para o país 😉

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  5. maria costa permalink
    22 Novembro, 2017 16:39

    Ora bien, se os professores não fazem mais do que a sua obrigação em ir dar aulas a 500 km, porque é que os farmacêuticos e os amanuenses não podem?
    Ups! e a casa?
    Ups! e os filhos?
    Ups! e o casamento?
    Como disse um apoiante, e apoiado, do 44 «ai aguentam, aguentam»

    Agora a história está muito nebulosa, cá para mim está e muito.
    Costa nunca faz nada “a bem da nação”, mas do seu umbigo, logo…

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    • Rui permalink
      22 Novembro, 2017 16:43

      É que os profissionais do Infarmed são de “excelência” e os professores pelos vistos são um pouco menos de “excelência”.

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      • maria costa permalink
        22 Novembro, 2017 16:48

        «Todos os animais são iguais, mas há animais mais iguais do que os outros»
        Mas isto foi uma direta ao socialismo

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  6. maria costa permalink
    22 Novembro, 2017 16:46

    Esqueci-me:
    Quando Santana Lopes deslocalizou umas secretarias para o Porto e Évora(?) foram «trapalhadas» (MSM dixent) que levaram o Compaio a ‘ficar farto’ (sic).
    Agora feitas por Costa, são o melhor do socialismo, da democracia da liberdade, da fraternidade e do/a …. (qualquer coisa tonitruante)

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  7. Rui permalink
    22 Novembro, 2017 16:48

    Quanto às pessoas que defendem que por razões de “eficiência” os serviços deverão estar todos em Lisboa, relembro que caso não houvesse a atuação independente do Ministério Publico de Aveiro contra a vontade de Lisboa, muitas das provas contra José Socrates teriam sido destruídas, por isso acho que mesmo do ponto de vista de funcionamento das instituições, o facto de não estarem todas centralizadas em Lisboa pode ser bom no sentido de haver uma renovação de quadros e maior independência de atuação que ponha fim ou pelo menos iniba a atuação do “sistema” que ainda persiste nos organismos públicos em Portugal

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    • maria costa permalink
      22 Novembro, 2017 16:52

      «… iniba a atuação do “sistema”…»

      O Grande Oriente está em Lisboa :), será que é contra a descentralização, ou também se vai descentralizar? 🙂
      Ás vezes fazem reuniões no «Portugal profundo», quando pensam que ninguém na terrinha os topa…

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  8. Rui permalink
    22 Novembro, 2017 16:58

    Se quiserem prosseguir nesta senha de descentralização, especialmente na área da saúde, sugiro que vejam a localização geográfica dos 7 ou 8 centros de referência – via verde – para o tratamento de AVC. O AVC é a principal causa de morte em Portugal. A falta de equidade de acesso à via verde do AVC, a principal causa de morte em Portugal para alguém que reside em Lisboa ou Porto face a alguém que reside no Alentejo ou Algarve devia ser motivo de indignação, manifestações, etc. Mas ninguém fala disso. Não há um jornalista que faça uma peça de investigação sobre esse assunto. Nem seria algo muito difícil de investigar….

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  9. Arlindo da Costa permalink
    22 Novembro, 2017 18:27

    É verdade, Dr. Rui A. É muita «precaridade» junta…

    Mais precaridade só mesmo aquela que aqui é apresentada em forma de comentários…

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