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Danos colaterais

27 Janeiro, 2018

Na sua crónica desta semana, Alberto Gonçalves menciona as explicações apontadas para estes fenómenos do #MeToo. O artigo é excelente, como sempre. Pessoalmente, não creio é que qualquer destas explicações mencionadas — não é o autor que as aponta, apenas enumera as que vão circulando — seja abrangente o suficiente para justificar seja o que for. A explicação que me parece mais plausível e abrangente é a da adolescência dos média modernos, substituídos pela estranha noção twitteriana e facebookiana de que cada pessoa é uma história, uma opinião num igualitário sistema de difusão do eu. Factos são batidos por anedotas, reportagens destituídas por alegorias emocionais e delações recompensadas com likes. Quando abrir a boca (ou escrever algo) do foro pessoal passa a ser visto como coragem, é natural que qualquer um deseje a sensação de ser reconhecido como corajoso.

Estando as redes sociais na sua adolescência, não é de admirar que estejam neste momento a experimentar o choque inevitável que é descobrirem que os pais tiveram sexo e que este foi animalesco, suado e cheio de fluidos causadores de náusea para idades tão precoces. Daqui a uns tempos, como é natural, as redes (e, consequentemente, os “media tradicionais”) esquecerão a ideia romântica de amor à primeira vista com cruzamento de olhares num sítio escuro e estarão, sem qualquer pudor, a chuparem-se mutuamente no carro dos pais num daqueles pinhais de sobreiros modernos. Até lá, termos que gramar. Não deixa de ser cómico que a preocupação dos pais se desvie de uma gravidez indesejada para a exposição aplaudida do eu em público.

E a vida continuará, como dantes. Excepto para os desgraçados acusados e condenados sem recurso na praça pública. São os chamados danos colaterais.

 

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15 comentários leave one →
  1. 27 Janeiro, 2018 13:59

    Não camarada Vitor é mais por causa disto.

    Why Women DESTROY CIVILIZATIONS

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    • 27 Janeiro, 2018 14:29

      Esse canal é muito bom a manipular factos e a oferecer strawmen. Contudo, dá tiros do pé com facilidade, e esse vídeo é exemplo disso. Tanto tempo e não apresenta nenhuma prova (ou evidência) que mostre diferenças entre homens e mulheres de 1400 e de 2000.

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    • 27 Janeiro, 2018 15:50

      Oh vitor “never go full arlindo” ….
      Mas estava à espera de um artigo “cientifico” da revista (Nature) ?
      “Tanto tempo e não apresenta nenhuma prova (ou evidência) que mostre diferenças entre homens e mulheres de 1400 e de 2000.”
      Não ? Faça uma mapa ocidental, veja quais são as sociedades em que as mulheres estão mais “emancipadas” e onde o igualitarismo é mais forçado versus o nivel de testosterona dos homens, versus o nivel de natalidade, versus, quais dessas nações são as que estão a resistir mais à invasão de culturas estrangeiras, e mesmo inimigas como o islão, e como consequência mais dedicados à preservação da suas .
      Chama-se hipergamia biológica. A exigência da pacificação patológica das sociedades ocidentais democráticas progressivas, sobretudo feita pelas mulheres e para agradar às mulheres. Levou à feminização masculina e não havendo suficiente testosterona, as mulheres fazem questão de ir busca-la fora, mesmo que para isso tenham que voltar a submeter-se ao patriacado. É tudo um grande teste de seleção sexual do inconsciente colectivo feminino e os homens ocidentais falharam e continuam a falhar.
      Goodbye to Good Men jordan peterson

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      • 27 Janeiro, 2018 15:56

        Não há qualquer feminização masculina. O que há é uma ausência de arte e cultura reaccionária que estagnou depois dos beatnick e trouxe ao de cima a normalização temporária do fringe. Todas as normalizações são passageiras: se hoje é cool ser gay, amanhã será alvo de chacota. O fringe tende a suicidar-se quando chega ao mainstream.

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      • 27 Janeiro, 2018 17:54

        O vitor deixe lá o socio construtivismo de lado, a cultura é um produto dos imperativos e constragimentos biológicos não o contrário.
        Claro que são passageiras alguém vai tomar mão nisto sejam os de cá sejam os barbaros de fora. Vai haver “Blut und Boden” para limpar a degenerescência biológica e a sua consequente cultura.

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    • 27 Janeiro, 2018 20:28

      O primeiro vídeo parece que está indisponível: a comunidade “youtube” considerou-o ofensivo para alguns públicos mas basta clicar na tecla para prosseguir e consegue-se ver. É a semi-censura…

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  2. José da Costa permalink
    27 Janeiro, 2018 14:09

    Primeiro foi a guerra ao piropo.

    Tens que ser muito discreto a olhar para as curvas de uma gaja porque a fulana pode ser lésbica e chama a polícia.

    Se pedes namoro a uma gaja podes ser acusado de assédio sexual.

    Olha, para não arranjares problemas, quando tiveres tesão fecha-te em casa e bate uma punheta.

    E viva o Bloco de Esquerda!

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  3. Adriana Lima permalink
    27 Janeiro, 2018 14:55

    Juntamente com o Alberto Gonçalves (curioso tê-lo precisamente mencionado no presente artigo) é de longe, e por larga distância, o melhor cronista deste Portugal cada vez mais retardado,ental (e emocional).
    Extraordinário como sempre, o último parágrafo deveria entrar para a História.

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  4. lucklucky permalink
    27 Janeiro, 2018 14:55

    Para se perceber o motivo é preciso perceber o que também é a Esquerda:

    Este artigo captura bem o que é ser de esquerda para muita gente:

    http://dailycaller.com/2018/01/13/how-to-trump-the-media-avoid-conservatives-biggest-mistake/

    Permissa:
    People often take public positions in an attempt to increase their social status.

    E aumentar o estatuto social implica para um esquerdista chegar primeiro a mais um extremismo. Sempre mais.

    Leftism isn’t a policy machine or an economic machine. Its economic results would tell you that much in a hurry. But the machine keeps running. Which means it must work for something. The correct question is: in what way does it work?

    Analysis: Leftism is a status machine. A very, very successful status machine. Conservatives have lost status battle after status battle, often because they fought it as a policy battle. It rarely is.

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    • 27 Janeiro, 2018 14:58

      “Conservatives have lost status battle after status battle, often because they fought it as a policy battle. It rarely is.”

      Muito bem.

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      • lucklucky permalink
        27 Janeiro, 2018 20:49

        E explica bem o comportamento dos vários comentadores do PSD.

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    • Adriana Lima permalink
      27 Janeiro, 2018 20:21

      Muito, muito bom. Gostaria de ter sido eu a ver primeiro isso, que me parece agora claro como água. Obrigada.

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    • 27 Janeiro, 2018 20:24

      ” in what way does it work?”

      It works in the way of the “idiotas úteis”: são usados e deitados fora.

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  5. Arlindo da Costa permalink
    27 Janeiro, 2018 20:46

    Outra vez esse idiota do Alberto Gonçalves…. Esse comuna de tempos idos!????

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