Saltar para o conteúdo

Vida para além do défice (o outro)

4 Fevereiro, 2018

sport-of-tycoons-carl-barks

A economia deve crescer com base nas exportações.
O défice da balança comercial deve ser reduzido ou eliminado.

Alguém põe estas ideias e desígnios nacionais em causa ou, pelo menos, os relativize?
Não creio. Mesmo entre economistas é um discurso dominante e consensual.

É pena! Não havia necessidade de alimentar uma falácia há muito desmontada por David Ricardo e Adam Smith, entre outros.

No fundo, o mercantilismo está vivo e, diria até, pujante e em expansão. Continua a acreditar-se que riqueza é dinheiro. Defende-se como objectivo minimizar as saídas de dinheiro do país para pagar importações.
Esquece-se, no entanto, que o dinheiro é apenas um meio de troca e reserva de valor.
De que adiantaria acumular notas e moedas se não fosse para os transformar, mais tarde ou mais cedo, em consumo e usufruto de bens e serviços? O nosso bem-estar traduz-se nas coisas concretas a que temos acesso.

Deixou-se também que o uso de ferramentas e convenções contabilísticas quase nos impeça de perceber os fenómenos económicos implícitos à realidade que observamos. Do ponto de vista da acção humana, um défice comercial é algo que não existe. Por definição, qualquer troca que se verifique pressupõe uma diferente valorização do bem em questão pelas partes envolvidas. Ou seja, a troca acontece apenas se o bem recebido tem maior valor para a parte compradora do que o bem entregue em contrapartida. Não é um jogo de soma nula. Ambas as partes ganham. Cria-se riqueza.

Já agora, para os aficionados da álgebra aplicada à economia, o saldo da balança de pagamentos é sempre nulo.
*

Anúncios
9 comentários leave one →
  1. Arlindo da Costa permalink
    4 Fevereiro, 2018 21:24

    Eu bem me parecia que havia vida (muita!) para além do déficit, pois morremos e essa ilusão do ouro fica toda cá.

    Gostar

  2. Procópio permalink
    4 Fevereiro, 2018 22:04

    “O nosso bem-estar traduz-se nas coisas concretas a que temos acesso”.
    Realmente enquanto temos acesso está tudo bem. O pior é depois.

    Gostar

  3. LTR permalink
    4 Fevereiro, 2018 22:45

    Três sinais numa só semana:

    -Galamba anuncia e explica que no ano eleitoral não pode haver aumentos na função pública em tom bastante calmo
    -Vieira da Silva afirma que à economia não bastam leis, mas depende é da atividade das empresas (até aqui o governo era responsável pelos resultados e já vimos este filme com o sócrates)
    – César das Neves e Francisco Louçã lado a lado e de acordo no perigo latente

    Gostar

  4. cunha permalink
    4 Fevereiro, 2018 22:48

    Vê-se bem que o escritor é um teso e antes que se ofenda deixe-me recordar.lhe que via deficits anuais sucessivos de há 40 anos para cá deve como cidadão portugues uns 30 ou 40,000 euros á conta da dívida publica e já agora os seus filhos e netos (caso os tenha) mal chegam ao mundo partilharão consigo esse fardo. Apenas lhe recordo este facto porque vejo que vê dinheiro e já o quer gastar mas tem uma bela conta para pagar, ou julga por acaso que um caloteiro lá porque não paga o que deve não pagará de outra maneira?
    fim de indignação

    Liked by 1 person

  5. Procópio permalink
    4 Fevereiro, 2018 23:47

    Os sinais vão continuar. A táctica adoptada com êxito pelo inquisidor-mór e restante matilha continuará. Por agora faço referência apenas às regras 6, 7 e 8

    “A good tactic is one your people enjoy.” Keep doing it without urging and come back to do more.
    “A tactic that drags on too long becomes a drag.” Don’t become old news.
    “Keep the pressure on. Never let up.” Keep trying new things to keep the opposition off balance. As the opposition masters one approach, hit them from the flank with something new.

    “The Prince was written by Machiavelli for the Haves on how to hold power. Rules for Radicals is written for the Have-Nots on how to take it away.” Rules for Radicals
    Saul Alinsky, pai dos métodos modernos de subversão

    Liked by 1 person

  6. Oscar Maximo permalink
    5 Fevereiro, 2018 10:00

    Faz bem o autor por aqui o texto para aperfeiçoamento, antes de o entregar ao seu gestor bancário.

    Gostar

  7. Anónimo permalink
    5 Fevereiro, 2018 10:42

    Quem será que está por detrás de este Telmo ?. Herman José em rábula bloguística?.

    Gostar

  8. JgMenos permalink
    5 Fevereiro, 2018 11:25

    «a troca acontece apenas se o bem recebido tem maior valor para a parte compradora do que o bem entregue em contrapartida.».
    Da troca pessoal para o mercado mundial vai a distância de uns séculos.
    Acrescente-lhe as dívidas e refaça a teoria.

    Gostar

Indigne-se aqui.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: