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sobre o que disse o cardeal patriarca de lisboa

12 Fevereiro, 2018
by

pcm_d_manuel_clemente_15Enquanto o país rural se entretém a dissecar a vida privada de um dos poucos políticos decentes que por aí andam, Sua Eminência o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, teceu considerações sobre a vida íntima de muitos portugueses, o que lhes tem merecido muito menos atenção. Num post, intencionalmente chocarreiro, que, sobre o assunto, escrevi na minha página do Facebook, o João Titta Maurício, uma pessoa que aprecio por saber pensar, acrescentou-lhe alguns comentários em defesa da posição tradicional da Igreja Católica, que é o que agora me proponho debater.

Começo por dizer que entendo a doutrina católica sobre a indissolubilidade do sacramento do matrimónio: pois se este é um compromisso livremente assumido pelos nubentes na presença de um padre, o mesmo é dizer, de Deus, como poderá um vínculo destes ser anulado pelos homens? A resposta da Igreja é simples: não pode. E, ao que julgo estar informado, nenhum matrimónio validamente celebrado e consumado pode ser anulado. Pode, isso sim, ser declarado nulo, ou seja, não gerado, ou seja, constatada a sua inexistência plena. Todas as causas da nulidade do matrimónio católico são, segundo a Igreja, motivos para considerar inconcluído o sacramento, pelo que a intervenção humana será, aí, a da constatação desse facto e não a da sua alteração ou transformação, uma vez constituído.

E quais são as consequências, segundo a mesma doutrina, para quem se vincula pelo sacramento do matrimónio e, por qualquer razão, rescinde o seu contrato civil de casamento? Perder o estado de graça, isto é, tornar-se num pecador, e, consequentemente, não poder aceder ao sacramento da eucaristia e ficar, por esse motivo, com uma capacidade de exercício da sua condição de católico muitíssimo reduzida. Não ficará fora da Ecclesia, como bem observou o João, mas ficará muito limitado na sua condição de católico. Desde logo, porque se não repuser integralmente a sua situação matrimonial, não poderá retomar o estado de graça, isto é, morrerá na condição de pecador. E o que tem a Igreja a oferecer a estas pessoas? A oração, o arrependimento, a distanciação da vida mundana, para o que D. Manuel Clemente sublinhou a abstinência sexual, mesmo para os que, sendo católicos, procuraram refazer as suas vidas casando-se com outra pessoa.

Pois bem: é aqui que não bate a bota com a perdigota. Se a doutrina considera suficientes duas declarações de vontade livres para que se forme o vínculo matrimonial, em que condição fica uma pessoa que é, por exemplo, traída ou abandonada pelo seu cônjuge, violando este gravemente as suas obrigações e deveres matrimoniais? Deve, estoicamente, aguentar, para não ficar numa situação que a poderá conduzir ao pecado? Deve abandonar a possibilidade de realizar a sua existência com outra pessoa, para não cair em pecado? Ou, no limite do absurdo, como sugeriu Sua Eminência, poderá até casar-se, desde que não se relacione sexualmente com o seu parceiro?

Parece-me evidente que ninguém pode ser condenado pelo que não fez, e se não for responsável pela dissolução do casamento, não compreendo como deverá alguém ser condenado ao pecado eterno pela renovação desse contrato. Ademais, faz-me uma certa espécie que a cópula sexual livre e consentida por dois cônjuges que se amam possa ser considerada fonte de desrespeito de um sacramento sagrado, quando este se tornou moralmente insustentável. Ou, pior ainda, que actos que tornem impossível a subsistência digna e moral de um vínculo entre duas pessoas não possam ser mais do que suficientes para que o perdão de Deus seja declarado a quem o pedir e, no limite, obriguem as suas vítimas a viverem na imoralidade para manterem o «estado de graça».

Termino dizendo ao João aquilo que ele certamente não ignora: que, sendo eu um «católico geográfico», porque nasci em Portugal e sei compreender o relevante papel da Igreja e da fé na consolidação de um sentimento comunitário (bastaria, se não o tivesse intuído, ler o Herculano para o perceber), sou agnóstico e não tenho uma particular admiração pela relação que a Igreja Católica tem com a sexualidade humana. Não pelos episódios de pedofilia que desgraçadamente a têm atingido ou pela duplicidade de muitos sacerdotes que estão imensamente distantes do que pregam sobre essa matéria. Uma verdade, para que o seja, basta-se a si mesma e não precisa que os que a declaram a professem. Mas o que me chateia mesmo é que o sexo, ainda que amorosamente vivido, possa ser causa de pecado irredimível, a não ser pela negação da condição humana.

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24 comentários leave one →
  1. Jose Satanas permalink
    12 Fevereiro, 2018 17:16

    Por favor, não dividam nenhum numero pelo meu interesse neste tema…

    Depois de 10min a falar sobre isto no Governo Sombra e de ler este post fico cada vez mais convicto das minhas opções religiosas.

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  2. lucklucky permalink
    12 Fevereiro, 2018 18:01

    Ora bem rui a.
    O problema que a Igreja – a maioria dela- tem com a sexualidade é uma das coisas mais estranhas.

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  3. 12 Fevereiro, 2018 18:03

    A Igreja Católica (e também outras igrejas) continua a pecar. Como ? No mínimo porque pensam no sexo das pessoas, surgem-lhes a imagem (como é) o do macho e o da fêmea. Impõe aos seus “pastores” que não casem, que não façam filhos, quer que não pratiquem sexo, mas pensam quotidianamente no pirilau e no pipi doutros. Na natural, humana função do pirilau e do pipi.
    Francisco, Clemente, seja quem for, em mim não mandam nem influenciam na “matéria”.

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  4. Procópio permalink
    12 Fevereiro, 2018 18:18

    Não sei o que Bocage diria ao Cardeal

    Imagine-se.

    “Não seria Penélope tão casta,
    Se os seus amantes lhe chamassem bela.
    Esta glória somente querem todas,
    Com fervoroso ardor todas a buscam;
    Nem sobre as margens do Eufrates César
    Mais pela glória marcial suspira.
    Apraz a Vénus variar de forma,
    Também Cupido de ser vário gosta;
    Um gesto sempre doce se aborrece,
    Às vezes vale muito um desagrado”.

    Seria ao desagrado queo cardeal se refere?

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    • 12 Fevereiro, 2018 18:55

      Faz falta um Bocage, ou um O’Neill, ou uma Natália, ou um Pacheco.

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      • licas permalink
        13 Fevereiro, 2018 14:51

        Verdade, verdadeira . . . qualquer desses literatos
        responderiam à letra para opróbio do Cardeal.
        Chacota para ele.

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  5. sam permalink
    12 Fevereiro, 2018 20:11

    É de pasmar a quantidade de gente convicta de que a leitura de um título os torna ipso facto habilitados a comentar seja o que for.

    E é de pasmar a quantidade de gente convencida de que o coitado do cardeal lhes dirigiu a palavra.

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  6. Artista português permalink
    12 Fevereiro, 2018 20:35

    Se um tipo, casado pela igreja, der uma facadinha no matrimónio, pode ir confessar este pecado e fica perdoado? Presumo que sim, mas não sei. Se de facto tal presunção se confirmar por que motivo não há absolvição para quem em vez duma facadinha, passar a dar umas quecas com regularidade? Mistérios….

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  7. sam permalink
    12 Fevereiro, 2018 20:39

    Caro Rui A., tente ler alguma coisa um pouco mais actual sobre o tema, tipo o documento “A alegria do amor”. Actualize-se, homem.

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  8. lucklucky permalink
    12 Fevereiro, 2018 20:55

    Veja-se aqui a Igreja Católica aplaudindo mais 3 impostos:

    http://rr.sapo.pt/noticia/105444/portugal-propoe-tres-novos-impostos-europeus?utm_medium=rss

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  9. Arlindo da Costa permalink
    13 Fevereiro, 2018 03:59

    Temos que nos convencer que o sexo é só para o clero.

    Somos tão atrasados que ainda discutimos estas tretas no século XXI.

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    • sam permalink
      13 Fevereiro, 2018 08:58

      Ai, Arlindinho, continuas a acreditar piamente nas enxaquecas da tua mulher…

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      • lucklucky permalink
        13 Fevereiro, 2018 13:20

        Suspeito que o Arlindo seja mais como o Justin Trudeau, PM Canadá…

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  10. Fiscal Fisco permalink
    13 Fevereiro, 2018 10:23

    Caro Rui,

    a sua descrição inicial do quadro está correta, mas incompleta, e por isso mais tarde começa a ver sem razão incompatibilidades entre a bota e a perdigota.
    A abstenção de relações sexuais consta na Familiaris Consortio do Papa JPII, é doutrina antiga, e o Sr Patriarca limita-se a repetir isso. Não inventou nada.

    Leia o nº 80

    http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/apost_exhortations/documents/hf_jp-ii_exh_19811122_familiaris-consortio.html

    onde poderá encontrar tratadas muitas das preocupações que expressa neste post, um post aliás que escreve como se o mundo tivesse nascido consigo…

    Nenhuma organização pensou e escreveu mais sobre sexo do que a Igreja Católica. Agnósticos a sugerir que a Igreja Católica tem um problema com o sexo é o mesmo que astrólogos a dizer que o Einstein tem um problema com os astros.

    Se quiser ter uma amostra de textos modernos de um Papa canonizado, sugiro: Chris West, The Theology of the Body Explained. Mas há muitos mais ao longo de todos os séculos. Ainda há dias no Observador apareceu um artigo a referir o texto de S. Afonso Ligorio que tem muito mais sobre o assunto do que alguma vez souberam ou imaginaram Sanger, Kinsey, Calderone, Marcuse, Guttmacher, Reich, e todos os outros “lideres” da “revolução sexual”.

    Há muito que se sabe que “Catholics do it better”, e há pouco tempo foi feito um estudo nos EUA sobre o grau de satisfação com o próprio casamento (Robert Lerner, um judeu, antigo presidente do INE dos EUA, professor na U. Chicago) e de muito longe o grupo mais feliz eram os católicos que praticam a doutrina da Igreja (um com uma em regime de total exclusividade, nada de contraceptivos, nada de aborto, nada de pornografia).

    Tirar a máxima felicidade do carro, não é fazer com ele tudo o que nos dá na telha, é mais seguro seguir o que diz o fabricante.

    Mutatis mutandis, tirar o máximo proveito da faculdade sexual é fazer o que diz O Fabricante. E a estatística confirma-o.

    Rui Ramos tem no Observador um artigo muito mais profundo e certeiro que este seu post.
    Os pedófilos procuram profissões que os colocam em posição de poder relativamente a crianças. 80% dos casos de pedofilia na Igreja foi com rapazes, ou seja, tratou-se de gays infiltrados na Igreja. O clero teve uma terrível epidemia de homossexualidade no século X e foram tomadas medidas muito fortes para impedir que tal viesse a repetir-se. Essas medidas foram abrandadas em meados do século XX, com os resultados conhecidos.

    De qualquer forma, padre não é a única profissão que permite aos pedófilos estar numa posição de poder com crianças (e possivelmente nem é uma profissão muito atrativa para os pedófilos) pelo que na lista ordenada por incidência de pedofilia, padre aparece no lugar vinte e tal (no topo da lista estão os professores de ginástica; muito acima de padre católico estão os pastores protestantes). Se houvesse aulas de economia obrigatórias no jardim infantil, hoje estaríamos a falar da epidemia de pedófilos entre os economistas! Mas ao contrário da Igreja onde ao longo dos séculos houve medidas ativas para evitar isso, entre professores de ginástica, pediatras, e etc., não há nenhuma medida ativa para evitar a infiltração de pedófilos.

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    • rui a. permalink*
      13 Fevereiro, 2018 15:39

      Está lido, o seu nº 80, e, francamente, nada acrescenta ao que já todos sabemos. A teologia católica, por muito que lhe custe, não resolve o problema de condenar uma pessoa à imoralidade de manter um matrimónio efectivamente dissolvido sem culpa sua (casos de abandono, de traição insuperável, etc.) para manter o «estado de graça», o único que lhe dá acesso ao sacramento fundamental da eucaristia. A teologia católica é coisa feita por homens, meu caro, e outros homens, tão ou mais crentes do que esses, interpretaram o assunto de outro modo, a meu ver de forma muito mais sensata e consentânea com qualquer sentimento que se tenha de Deus. Veja os ortodoxos, por exemplo, sugerindo-lhe também um link, para o deixar com alguma coisa para ler. Aqui vai: https://lusortodoxia.com/2012/11/14/divorcio-segundo-casamento/.
      Sobre a sua apreciação acerca da pedofilia na Igreja, bom, aí as suas confusões são mais do que muitas. Na verdade, afirmar que isso é responsabilidade de «gays infiltrados na Igreja». em 80% dos casos é de gritos e de apitos. «Infiltrados»? Mas houve um plano dos homossexuais para atacar a Igreja? Está a brincar, não está? Para além de que identificar a homossexualidade com a moléstia de crianças indefesas é de um mau gosto inqualificável. Talvez se prestasse alguma atenção ao que se passa nos Seminários (noutra ocasião, com tempo e pachorra, poderei contar-lhe algumas histórias de, por exemplo, seminários católicos brasileiros…), se meditasse, seriamente, sobre a condição sacerdotal e a sexualidade, era capaz de retirar conclusões mais honestas.
      Ah, e, por fim, quase me esquecia, essa de que um agnóstico não está habilitado a opinar sobre a Igreja leva-me a dizer-lhe, mutatis mutandis, que um padre não estará habilitado a opinar sobre sexualidade. Pelo menos, seguindo a sua argumentação, não devia estar…

      Cumprimentos,

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      • Fiscal Fisco permalink
        13 Fevereiro, 2018 18:27

        Caro Rui,

        No seu post original escreveu “para o que D. Manuel Clemente sublinhou a abstinência sexual, mesmo para os que, sendo católicos, procuraram refazer as suas vidas casando-se com outra pessoa.”

        Eu observei-lhe que isto não é doutrina de D. Manuel, é doutrina antiga, e remeti-o para uma fonte concreta para provar o que dizia. Ponto.

        “A teologia católica […] não resolve o problema de condenar uma pessoa à imoralidade de manter um matrimónio efectivamente dissolvido sem culpa sua […] para manter o «estado de graça».”

        Frase confusa (“resolver o problema de condenar”??), mas na teologia católica a separação de pessoas e bens não faz uma pessoa perder o estado de graça. Não sei se respondi, mas se conseguir expressar-se de forma mais articulada talvez o possa ajduar.

        “A teologia católica é coisa feita por homens, meu caro, e outros homens, tão ou mais crentes do que esses, interpretaram o assunto de outro modo, a meu ver de forma muito mais sensata e consentânea com qualquer sentimento que se tenha de Deus.”

        Isto é um pouco como dizer que as teorias de Hayek são coisas feitas por homens e outros homens (como Marx ou Mussolini) fizeram interpretações tão ou mais sensatas. Não se está a pedir declarações, está-se a pedir provas, factos, argumentos, etc. É assim que as pessoas debatem assuntos.

        “Veja os ortodoxos, por exemplo, sugerindo-lhe também um link, para o deixar com alguma coisa para ler.”

        Certo, mas qual a origem da permissão do divórcio na Igreja Ortodoxa? Um caso semelhante a Henrique VIII (e ocorrido bastante antes…)

        Já agora, citou ortodoxos, mas podia ter citado a IURD, as Testemunhas de Jeová, os Evangélicos, os Muçulmanos, etc:

        https://www.universal.org/noticias/deus-aprova-o-divorcio
        http://www.religiaodedeus.net/divorsio_mito.htm
        http://www.robertosoares.com/crente-divorciado-pode-casar-de-novo/

        A argumentação a favor do divórcio anda toda em volta das mesmas voltas que os teólogos católicos rejeitaram há muito. Se se quer pronunciar sobre o assunto, porque não faz um texto a duas colunas com os argumentos de protestantes e ortodoxos a favor do divórcio e os correspondentes contra-argumentos dos católicos. Por exemplo, muitos protestantes dizem que Jesus autorizou o divórcio no caso de “porneia” que traduzem por “adultério”. Os católicos dizem que “porneia” não é “Moikiea” (adultério) nem faria sentido em 1 Cor 6:9 dizer “nem porneia, nem idólatras, nem moikeia, nem homossexuais […] entrarão no Reino dos Céus”. Repetir o emsmo pecado em dois locais diferentes da mesma frase seria absurdo…

        E se não está interessado em fazer uma análise dos argumentos dos dois lados, porque é que classifica a posição dos ortodoxos como superior?

        “Sobre a sua apreciação acerca da pedofilia na Igreja, bom, aí as suas confusões são mais do que muitas.”

        OK, então explique-me lá as confusões.

        “em 80% dos casos é de gritos e de apitos. «Infiltrados»? Mas houve um plano dos homossexuais para atacar a Igreja?”

        Homossexuais são pessoas do sexo masculimo que têm relações sexuais com pessoas do sexo masculino.
        80% das vítimas de padres eram rapazes.
        Logo, 80% das vítimas eram do sexo masculimo e foram abusadas por pessoas do sexo masculino, ou seja, em 80% dos casos tratou-se de abuso homossexual (reler 1).

        Onde está a confusão?

        “«Infiltrados»? Mas houve um plano dos homossexuais para atacar a Igreja?”

        Eu não me referi a movimentos organizados. Referi apenas que houve homossexuais que foram para padres porque isso os colocava em contacto com rapazes. O mesmo se passa com os que vão para professores de ginástica ou pediatras com o objetivo não de ensinar ginástica, mas estar em contacto com crianças numa posição de poder. E se no caso do professor de ginástica ainda pode dizer que a pessoa tinha um sincero interesse em ensinar ginástica (para além de ver crianças nuas no balneário, etc.) no caso dos padres não pode dizer que o abusador tinha um verdadeiro interesse em ser padre, em servir uma religião que diz “a quem abusar de crianças mais lhe valia atar uma pedra ao pescoço e atirar-se ao rio”, “Nenhum homossexual entrará no Reino dos Céus”, etc. Ele infiltrou-se na Igreja no sentido em que está lá fingindo ter um objetivo (servir a Irgeja), mas sendo de facto motivado por outro (ter acesso a crianças).

        Mas embora eu não tivesse dito nada sobre isso, digo agora: sim, há vários livros que descrevem as redes organizadas de homossexuais que foram para os seminários de forma a infiltrar toda a hierarquia da Igreja. O próprio Papa Bento XVI o disse. Há longas descrições (com nomes e tudo) sobre o passado dos padres pedófilos, quem lhe fez a entrevista para entrar no seminário, quem ra responsável do seminário na altura, etc., de forma que hoje se sabe bastante bem (sobretudo nos EUA) quem, como, onde e porquê acabaram muitas crianças inocentes a ser violadas por homossexuais ordenados.

        Sugiro que leia Michael Rose, Goodbye Good Men.

        “Para além de que identificar a homossexualidade com a moléstia de crianças indefesas é de um mau gosto inqualificável.”

        Pensei que estavamos a argumentar e não a falar de estética. 80% das vítimas eram rapazes abusados por homens; quer chamar o quê a estes homens? Heterossexuais? Americanos?

        “Talvez se prestasse alguma atenção ao que se passa nos Seminários (noutra ocasião, com tempo e pachorra, poderei contar-lhe algumas histórias de, por exemplo, seminários católicos brasileiros…),”

        Conheço muito bem o que se passa, muito melhor do que imagina…
        E este tipo de argumentos “espera aí que eu vou chamar o meu primo e já vais ver” é um pouco patético.

        Uma vez mais, recomendo a leitura do livro referido acima, ou do relatório de Tom Jenkins.

        “se meditasse, seriamente, sobre a condição sacerdotal e a sexualidade, era capaz de retirar conclusões mais honestas.”

        Ensine-me lá a tirar conclusões honestas. Comece por exemplo por me explicar proque é que há muito mais abuso de crianças (rapazes) por pastores protestantes casados do que por padres católicos? Aguardo as suas instruções sobre meditação e honestidade. Obrigado.

        “Ah, e, por fim, quase me esquecia, essa de que um agnóstico não está habilitado a opinar sobre a Igreja leva-me a dizer-lhe, mutatis mutandis, que um padre não estará habilitado a opinar sobre sexualidade. Pelo menos, seguindo a sua argumentação, não devia estar…”

        Não disse isso em lado nenhum. O que eu disse é que a Igreja Católica tem milhões de páginas dedicadas a estudar/pensar a sexualdiade humana, tal como Einstein passou muito tempo a pensar em astronomia. Não se espera que um astrólogo tenha passado anos a estudar as teorias de Einstein, tal como não se espera que um agnóstico tenha passado muitos anos a estudar a literatura católica sobre significado e sentido da sexualdiade humanna. Se me enganei no seu caso (ie, se é um estudioso do assunto, uma espécie de astrólogo doutorado em Equaçõesde Maxwel e Transformada de Lorenz) então peço desculpa.

        O conhecimento da Lua é feito pelos astronautas que foram à lua, mas também por físicos que nunca sairam da Terra. O nosso conhecimento da sexualidade humana na Igreja Católica é feito pela leitura das escrituras, por muitos leigos que foram profissionalmente pensadores de topo (durante séculos), por muitos padres geniais (durante 2000 anos, como S. Tomás, etc.), uns padres que fizeram vida de casados (S. Agostinho), etc., tendo uma vantagem compettiva extraordinária que é o facto de terem ouvido milhões de confissões….

        Nesta matéria tudo acaba sempr eno meso: onde esta o centro de gravdiade do pensamento? Sempre que alguém diz que o divórcio devia ser permitido para os cristãos acaba sempre a verificar-se que o centro de gravidade do seu pensamento estava no umbigo ou um pouco mais abaixo.

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      • 13 Fevereiro, 2018 22:18

        Rui A.,

        A doutrina católica da indissolução do casamento é profundamente errada. Não tem sustentação bíblica. Até porque no versículo onde se apoiam para a indissolução do casamento se diz qual a condição de dissolução de um casamento, a qual o João Ferrreira de Almeida traduziu por prostituição.

        É um problema exclusivamente católico. Outros cristãos, que não se apoiam na chamada tradição, sinónimo de opinião estúpida sem sustentação na escritura de uns tais denominados doutores, rejeitam essa estultícia.

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      • Fiscal Fisco permalink
        13 Fevereiro, 2018 23:55

        Francisco Miguel Colaço,

        sobre as suas convicções em matéria de interpretação bíblica, não faço comentários porque se soubesse do que está a falar saberia que não é só um versículo (nem dez…).

        “Outros cristãos, que não se apoiam na chamada tradição, sinónimo de opinião estúpida sem sustentação na escritura de uns tais denominados doutores”

        Sobre esta afirmação, observo apenas que “tradição” é um termo técnico que não tem nenhuma relação com o sentido que a palavra “tradição” tem em português.

        Todos os textos têm um meta-texto associado e no qual, e apenas no qual, é possível compreender exatamente o sentido do texto. Por exemplo, quando vê numa porta “Puxe” vê um texto do qual conhece o meta-texto e por isso sabe que aquilo significa “puxe a porta” ou ” a porta abre para si”. Sem o meta-texto, a frase é ambígua: tanto pode significar “puxe a porta” como “puxe o letreiro que diz puxe” como “puxe o cabelo a alguém”, etc.

        Um texto irónico não diz em local nenhum que o texto é irónico; só se percebe o sentido do texto conhecendo o meta-texto associado, caso contrário a pessoa pode estar a ler no texto exatamente o oposto do que o autor queria dizer.

        Qualquer pessoa pode ler o código civil, mas nem todas as pessoas podem ser advogadas pois entre outras coisas falta-lhes o meta-texto.

        Como os pais fundadores da América sabiam isto criaram um texto (Constituição) e um órgão vivo que asseguraria a transmissão do meta-texto (Supreme Court). Não deixaram um texto e o principio “Sola Constituiciones” para que cada americano interpretasse a Constituição à sua maneira inspirado pelo seu espírito democrático.

        A Bíblia, como qualquer outro texto, tem um meta-texto associado. Não diz em local nenhum que os livros da Bíblia são aqueles, não diz em local nenhum que o Didaké não pertence à Bíblia, não diz em local nenhum qual o lugar da Biblia no depósito da revelação, não diz em local nenhum como devem ser sanadas as contradições na Bíblia, não diz em local nenhum “sola scriptura”, etc. A transmissão do meta-texto da Bíblia é assegurado por uma estrutura viva criada por Jesus chamada Igreja e que está unida aos apóstolos por uma sucessão nunca quebrada: o Cardeal de Lisboa teve um Bispo mais antigo a colocar-lhe as mãos nos ombros; esse bispo teve outro mais antigo; e assim sucessivamente até se chegar a um dos apóstolos. Os ortodoxos partilham essa sucessão. A maioria dos protestantes não. Os protestantes (com as suas cem mil denominações) mostram o que seria a interpretação da Constituição Americana caso não houvesse um Supreme Court, caso não houvesse transmissão do meta-texto da Constituição.

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      • 14 Fevereiro, 2018 14:37

        Rui A., o problema que parece dificultar a compreensão é o facto de partir do agnosticismo.
        No fundo, o Rui A., está a colocar a questão: se Deus existir em que é que isso e a religião, neste caso católica, é importante para mim e para a minha felicidade, para o meu conceito de justiça e amor?

        O problema é que não foi isto que Cristo nos revelou e veio trazer, não foi um conceito ou filosofia que poderá ser boa para nós.

        Cristo revelou-nos a Verdade e é a partir daí que devemos considerar tudo o resto. Revelou qual o plano de Deus para nós e o destino que poderemos ter, seguindo um caminho. A reflexão será feita ponderando se estamos ou não a seguir esse caminho, unindo a nossa felicidade a Deus e não apenas considerando a nossa felicidade e idealizando um mundo melhor.

        Nas Escrituras após Cristo ensinar sobre o divórcio e o adultério e a indissolubilidade do matrimónio “o que Deus uniu não o separe o homem” (Mt19,6) os Apóstolos disseram “Se é essa a situação do homem perante a mulher, não é conveniente casar-se” (Mt19,10).

        “Respondeu-lhes Jesus: Nem todos compreendem esta linguagem, mas apenas aqueles a quem isso é dado. Há eunucos que nasceram assim do seio materno, há os que se tornaram eunucos pela interferência dos homens e há aqueles que se fizeram eunucos a si mesmos, por amor do Reino do Céu. Quem puder compreender, compreenda” (Mt 19,11-12)

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  11. 13 Fevereiro, 2018 17:44

    Agnosticismo = ignorância ( citação de Chesterton )

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  12. krakatoa permalink
    13 Fevereiro, 2018 19:22

    Os oficiais da igreja, castos(?) por obrigação tem a cabeça cheia de sexo (quando não têm uma criança ou uma catequista à mão). E depois querem que os outos, que não são padres a passem pelo mesmo. E assim têm a loja cada vez mais às moscas.

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  13. PiErre permalink
    14 Fevereiro, 2018 15:13

    Preciso de um meta-texto para entender este post e os respectivos comentários.
    Como não o tenho, adeus.

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