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será isto tão difícil de compreender?

11 Julho, 2018
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Uma empresa é uma conjugação de recursos humanos e materiais, com o objectivo de prestar serviços a clientes (mercado) e, com isso, obter um resultado financeiro que cubra os custos correntes, permita o eventual crescimento do negócio e remunere o capital e o esforço investidos (lucro).

Quando uma empresa apresenta resultados negativos anuais sucessivos, isso pode significar duas coisas que, em última análise, redundam numa só, que é a última das duas: que a empresa produz bens e serviços de que o mercado não necessita; que a empresa é mal gerida, isto é, que a afectação dos seus recursos não cumpre os desígnios necessários aos seus pretendidos fins.

Vindo isto a propósito desta notícia sobre a CP, várias coisas se tornam necessárias ponderar.

Primeiro, a decisão dos actuais governantes em reverterem o processo de privatização em curso lançado pelo governo anterior. Na altura, a coisa foi posta como sendo a defesa dos interesses nacionais e da população, que a privatização – visando o maldito lucro – poria em causa. Analisada a decisão pelos seus resultados, a CP encontra-se à beira de uma iminente e ruinosa falência, a que a decisão conduziu.

Segundo, que os serviços que a CP presta ao país são necessários e têm clientes. Bastará ver, por exemplo, a permanente indisponibilidade de lugares nos Alfa, por sinal os comboios mais caros da companhia, para se tirarem conclusões. E estas só podem ser que, como a empresa tem clientes e presta um serviço fundamental ao mercado, ainda por cima em regime de monopólio, a sua situação financeira só pode ser explicada por má gestão da empresa.

Terceiro, que a empresa já estava em situação financeira muito grave quando os anteriores governantes a quiseram privatizar. Aliás, foi por isso mesmo que o tentaram fazer: para desonerarem o estado de mais responsabilidades no pagamento das dívidas sucessivamente acumuladas por uma gestão incompetente e irresponsável, entregue frequentemente a boys and girls dos partidos do regime.

Quarto, sobre o futuro da companhia: como não foi privatizada mas a sua actividade não poderá cessar, por mais falida que esteja, os aportes de capital necessários a que continue a trabalhar serão cobertos pelo estado. E, como quem diz estado diz contribuintes, será mais uma conta – e uma conta muito pesada – a cobrir pelos nossos impostos, com o sacrifício de (quase) todos.

Quinto, como o estado entrará com o dinheiro estritamente necessário à satisfação das necessidades mais urgentes da empresa, ele servirá apenas para pagar aos credores imediatamente indispensáveis à continuidade da sua actividade, pelo que não sobrará qualquer dinheiro para investimentos. Ou seja, as condições de funcionamento da CP vão continuar a degradar-se e os clientes serão cada vez pior servidos.

Sexto, e último, qual seria a diferença, para os consumidores, da privatização da CP? Porventura os carris desapareceriam? Os comboios deixariam de circular? Claro que não: a empresa seria vocacionada para ter lucro, isto é, para ter mais clientes e servi-los melhor, porque, de outro modo, passariam a fazer os seus trajecto de outro modo – carro, camionete, etc., e a empresa continuaria a acumular prejuízos. Com a vantagem de que seriam os novos donos da companhia a assumirem os custos do passivo e os de investirem num negócio que, sem prosperar, estaria condenado ao fecho e à perda do capital investido. O que, obviamente, nenhum investidor deseja.

Em conclusão: empresas + privatização + lucro = serviço público e satisfação dos clientes; e empresas + estado + gestão partidária ruinosa = prejuízo + mau serviço + aumento de impostos. Tudo o resto é preconceito ideológico. Será isto tão difícil de compreender?

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24 comentários leave one →
  1. LTR permalink
    11 Julho, 2018 12:40

    Quanto mais o país se afundar, melhor para os comunistas do PCP, do BE e do PS.

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  2. Mario Figueiredo permalink
    11 Julho, 2018 12:46

    Por força da minha profissão, a CP é outra empresa pública da qual conheço um pouco da má gestão interna. É mais uma empresa pública que gastava fortunas a manter equipas de programadores e gestores de projecto incompetentes em projectos de desenvolvimento in-house que duravam mais de uma década e nunca chegavam a lado nenhum.

    Naturalmente o orçamento para estes desvarios era uma pequena percentagem dos custos de exploração da empresa. Mas revelam bem o gerir da coisa pública e a total inexistência de mecanismos internos de avaliação que são o garante do bom funcionamento de qualquer empresa privada, mas que no sector público são um empecilho aos benefícios e direitos.

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  3. Mario Figueiredo permalink
    11 Julho, 2018 12:54

    O sector público é uma desgraça onde aterram os piores gestores e onde se formam os piores funcionários. As excepções, quando as há (porque hás vezes lá aparece uma ou outra) apenas cumprem a regra de um país que não conseguiu em 44 anos “liberdade e desenvolvimento” criar uma única empresa pública que seja um exemplo de boa gestão.

    Todas, sem excepção, confirmam que um estado com aquela vontade marxista de intervir directamente na economia do país através de empresas criadas por si e que beneficiam de protecção especial que não está ao alcance de empresas privadas, fá-lo mal e porcamente, com um mau serviço e buracos financeiros que o povo está a pagar para além do custo normal do produto ou serviço.

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    • LTR permalink
      11 Julho, 2018 14:09

      No sector colocaram-se os amigos nos cargos de direção (isto é, nos cargos com ordenados mais interessantes). Como a incompetência é total, o único caminho por vezes é o da arrogância e da boçalidade, que acaba por degradar a própria máquina que os sustenta. Os subalternos têm de durante muitos anos explicar as coisas mais básicas à chefia, para eles poderem gerir e governar, e apresentar aos seus superiors o trabalho feito pelos outros, como se fosse deles. É um país patético e circense, psiquiatricamente abalado por problemas crónicos, que nem daqui a mais 900 anos vai sair disto. A merda está-lhes entranhada nos átomos das células.

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  4. Mario Figueiredo permalink
    11 Julho, 2018 13:06

    Essas esquerdas, a revolucionária e aquela do Maio de 68, rasgam as vestes contra a fórmula do Rui A., empresas + privatização + lucro = serviço público e satisfação dos clientes. Diz que é mentira. Até dizem que propriedade é roubo.

    Mas a verdade é que o estado não dá o exemplo. Antes pelo contrário, serve como case study de como não se devem gerir empresas e à sua conta aprendem-se nas faculdades de gestão e economia termos como Principio de Peter, o Efeito Dunning–Kruger, a Lei de Parkinson, ou serve de inspiração para autores como John Gall.

    A esquerda diz que é mentira, mas prova a todo o momento que o estado é ainda pior.

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  5. Procópio permalink
    11 Julho, 2018 15:36

    Viajei recentemente no intercidades entre Lisboa e Porto. Chamo à atenção de que existem troços onde o ruído e a trepidação sentido dentro das carruagens é simplesmente extraordinário. A falta de manutenção é evidente e mais tarde ou mais cedo veremos os resultados.
    A exposição de rui a. é muito esclarecedora. As realidades não fazem parte dos geringonços e &. Como diz ITR que parece conhecê-los, quanto mais o país se afundar, melhor para os comunistas do PCP, do BE e do PS. De facto o PS tem vindo desde há muito a ser infiltrado de comunas ortodoxos e anarcas resultante da migração do pcp e do be.
    É notícia que o Hospital de S. José está em vias de extinção. Vai a fazer falta, principalmenter um dos serviços que parece debater-se com magnos problemas, o da Psiquiatria.
    O SMZC refere que a Urgência de Psiquiatria daquele hospital tem sofrido «enormes constrangimentos de espaço físico e falta de pessoal diferenciado». Ora perante a situação que se vive na kapital estes constrangimentos vão dificultar o acesso aos governantes quando chegar o dia do ajuste de contas.

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  6. anónimo permalink
    11 Julho, 2018 15:42

    ENVC

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  7. José Domingos permalink
    11 Julho, 2018 15:47

    Tal e qual a TAP, quanto pior melhor.
    O povo que utiliza estas companhias ainda deveria ser pior, ir a pé para o trabalho ou no carrinho pago a prestações, só temos o que merecemos e ainda é pouco.
    Os funcionários destas empresas estão bem pagos, os familiares podem viajar de borla e depois não há lugares no alfa.
    Podem continuar a carregar este povo imbecil, a malta aguenta.

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  8. carlos alberto ilharco permalink
    11 Julho, 2018 16:07

    O post está errado do princípio ao fim, porque o autor deliberadamente esconde um facto:
    A empresa por via de ser do Estado é obrigada a praticar preços sociais e mesmo a dar lugares gratuitos, além de manter linhas completamente desnecessárias.
    Se fosse privatizada, o que iria acontecer a estas três obrigações?

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    • rui a. permalink*
      11 Julho, 2018 16:56

      Qualquer empresa que não ajuste os preços de venda dos seus produtos à disponibilidade económica dos seus clientes fecha. Havendo concorrência os preços são determinados pelos clientes e pela oferta dos concorrentes. É simples, pressupõe o conceito de empresa, que, etimológica e cientificamente, não engloba as «empresas» do estado, pelo que seria redundante integrá-lo no texto.

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      • JMS permalink
        11 Julho, 2018 22:31

        O raciocínio do Carlos Alberto Ilharco é o mesmo que, ao longo de 44 anos, nos trouxe à presente situação.

        A total iliteracia económica e financeira da esmagadora maioria dos portugueses, cria a ilusão de que precisamos do PCP, BE e deste PS para defender o nosso bem estar.

        Se houvesse um bocadinho mais de inteligência, já teríamos entendido que são precisamente estas forças políticas que não nos deixam progredir e ter uma vida mais parecida com os países para onde os “refugiados” e os “migrantes” querem ir. Centro e norte da Europa.

        Com a nossa localização geográfica, podíamos ser, na realidade, um bom local para se viver. Mas enquanto formos um “país de esquerda”, com este lixo intelectual e, acima de tudo, a ignorância deliberadamente imposta pelo esquerdismo criminoso a que estamos sujeitos, medrar, só podemos mesmo pensar em emigrar.

        Farto desta porcaria toda, ainda tenho que levar com o “governo” mais aldrabão e mais levado ao colo pelos “merdia” que alguma conheci e, cereja no topo do bolo, apanhar com um palhaço que se faz passar por presidente da republica.

        Dass!…

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      • carlos alberto ilharco permalink
        11 Julho, 2018 23:48

        Por defeito do Blasfémias não se pode responder directamente a um comentário, neste caso o de
        JMS PERMALINK
        11 Julho, 2018 22:31

        Vai aqui a resposta.
        Faça o favor de volta a ler o que eu escrevi porque não está lá nada do que pensa ter lido.
        É um hábito muito natural quando somos um bocadinho limitados em inteligência e ao não compreendermos o que lemos escrevemos uma coisa qualquer.

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    • Mario Figueiredo permalink
      11 Julho, 2018 21:00

      Este argumento da “empresa-social tem que dar prejuízo” é do pior que se pode ouvir. Tem tão de recorrente como de errado e é um excelente exemplo da Narrativa da Xuxa.

      Quando a viabilidade de um empresa pública passa pela capacidade de injecção de dinheiro por parte do estado, já estamos mal. Mas quando essa empresa, mesmo com o dinheiro injectado pelo estado nem assim consegue evitar resultados líquidos negativos, então ultrapassámos o limite do aceitável.

      A ideia que a empresa tem de manter infraestruturas ou serviços obsoletos ou com resultados negativos já figura nas contas do estado. Portanto ninguém pode argumentar com honestidade que é por essa razão que os resultados são negativos. Com piores condições de financiamento vivem as iniciativas privadas sem fins lucrativos e ainda assim conseguem manter os seus resultados.

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      • carlos alberto ilharco permalink
        11 Julho, 2018 21:56

        Muito obrigado.
        Os preços da CP nas linhas urbanas são uma questão social e não há volta a dar.
        Se os aumentassem, não vejo como pessoas com o salário mínimo poderiam ir trabalhar, pois em vez de ganharem dinheiro ainda teriam que pagar para trabalhar.
        Portanto o senhor como gestor ia perder utentes e teria que voltar a subir os preços até atingir o Nirvana de não ter passageiros.
        Não me parece grande ideia.
        Acresce que há outro pormenor que o senhor esqueceu.
        A CP graças à Constituição tem o dobro ou o triplo dos empregados necessários e uma dezena se não mais de sindicatos inamovíveis..
        Portanto se o senhor fosse o gestor da empresa privada CP primeiro teria que mudar a Constituição ou corria o risco de ter uma greve a cada duas horas.

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  9. 11 Julho, 2018 18:23

    Sendo algumas premissas correctas, lamentavelmente a conclusão não é. Nos comboios longo curso, a procura excede largamente a oferta da CP, não obstante a contínua subida de preços. Porém, não foi feito qualquer investimento sério nos últimos 20 anos! Se a gestão da CP é ineficaz, deve ser alterada por quem lá manda, o ministério dos transportes. Este governo e os anteriores não fizeram nada para evitar chegar ao ponto em que hoje chegamos. Não haverá privatização, haverá COLONIZAÇÃO das nossas linhas por empresas públicas estrangeiras. Como a EDP, que pertence ao estado Chinês.

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  10. Procópio permalink
    11 Julho, 2018 18:46

    Outros assuntos difíceis de compreender.
    https://observador.pt/2018/07/11/ordem-avisa-para-colapso-se-medicos-com-mais-de-50-anos-deixarem-as-urgencias/
    Eu não acredito porque há pessoas, supostamente bem informadas, a afirmar a pé juntos sermos um exemplo para o mundo. Confundem a boa intenção de ter um serviço universal e gratuito, hoje tendencialmente gratuito, com uma desorganização eivada de nepotismo e desconfiança que vai dar naturalmente o berro.
    Isto afinal não é coisa de maior. O tuga tem pouco amor ao corpinho.
    Tirando o ronaldo, a bebida, o cigarro e a praia, tanto faz.
    O que tem de ser tem muita força e quem não pode ir de combóio que vá a pé.
    Para a próxima não irá sequer votar… que “eles” são aldrabrões são. Mas quem sabe?
    Pode ser que depois do bagaço ainda possam contar com ele. Por ora, vai evitando de abrir o guarda fato por onde passam os figurões. São os que no intervalo das sessões da bola vê passar nas têvês a prometer-lhe o paraíso a preço de saldo.

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    • JMS permalink
      11 Julho, 2018 21:46

      Infelizmente, no que respeita à saúde, estamos cada vez mais parecidos com Cuba.

      No resto, é melhor nem falar.

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  11. maria permalink
    11 Julho, 2018 18:53

    Nunca consegui compreender o porquê de tantos horários!Metade já chegavam e sempre atenuava o prejuízo.

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  12. Leunam permalink
    11 Julho, 2018 18:56

    Somos pobres porque somos ineficientes.

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  13. Tiago permalink
    11 Julho, 2018 18:58

    Sabem como já se chama a CP na Linha do Oeste?
    Camionetas de Portugal
    Já houve mais de 300 supressões de viagens nesta linha, que depois são feitas de camionete fretada.

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    • carlos alberto ilharco permalink
      11 Julho, 2018 23:51

      Ora nem mais.
      Uma linha que usei por duas vezes, por acaso de comboio e que já devia ter sido encerrada.

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  14. Arlindo da Costa permalink
    12 Julho, 2018 22:32

    Se for uma privatização dos serviços ferroviários como aconteceu no Reino Unido prefiro andar de coche…

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