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fuja da media markt: não compre lá nada

29 Setembro, 2018
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Não costumo expor casos pessoais no espaço público, tão-pouco no Blasfémias, mas, dado o que considero ser a pertinência pública do que vou em seguida contar, resolvi abrir uma excepção. O caso é o seguinte:

  1. No dia 15 de Junho de 2017 comprei, na Media Markt-Aveiro, um computador Microsoft NB Surface LAPT, por € 1169,00. A este valor acresceram € 139,00 para pagar um seguro de 3 anos;
  2. No mês de Fevereiro de 2018 o computador deixou de carregar e logo me dirigi à loja que mo vendeu. Depois de se experimentar outro carregador, concluí-se que este alimentava a máquina, pelo que era aí que estava a avaria;
  3. Em face disto, a loja ficou de me arranjar um novo carregador, no que me disseram que demoraria pouco mais de uma semana;
  4. Quinze dias passados, dirigi-me à loja e informaram-me que, afinal, só a Microsoft poderia vender o carregador original, o que demoraria, através deles, cerca de um mês a conseguir. O melhor seria – disseram-me – levar o computador e eu mesmo contactar a Microsoft, que logo me resolveria o problema;
  5. Caí na esparrela e aí começou um novo calvário, porque a Microsoft se revelou incontactável por telefone e email, sendo que resolvi comprar um outro carregador, com a mesma potência, embora de «marca branca», o único que consegui arranjar no mercado;
  6. Por motivos técnicos que ignoro, o carregador não servia e concluiu-se, então, que só um da Microsoft seria adequado;
  7. Regressei à loja. Espanto meu, o atendente informou-me que não havia mais arregadores Microsoft no mercado, ao que lhe perguntei se, então, ele achava que ia ficar sem um computador que tinha menos de um ano, uma garantia de dois e um seguro de três. Ficou como um boi a olhar para um palácio, e só reagiu quando mandei vir o livro de reclamações;
  8. Na Media Markt – Aveiro o livro de reclamações é uma  espécie de tesouro bem guardado: não está à vista dos clientes e só lhes é entregue muitos minutos depois de pedido, quando o gerente da loja é chamado para se inteirar da situação;
  9. Deixei-lhes, então, o computador no dia 8 de Julho, ficando a aguardar que accionassem a garantia, o seguro, o que bem entendessem e resolvesse o problema.  No documento que acompanhou a entrega do aparelho pode ler-se: «carregador deixou de funcionar»;
  10. Passados cerca de 15 dias, notificaram-me para ir buscar o aparelho: a marca mandava-me um novo, mas… helás!, sem carregador, pelo que continuaria sem funcionar. Novo pedido do livro de reclamações, claro;
  11. De então para cá, já fui à loja várias vezes, quase uma por fim de semana. Os empregados que me atendem são todos diferentes, nenhum está ao par da ocorrência e, uma vez inteirados, tentam sempre mandar-me de volta com a máquina debaixo do braço, porque «é mais rápido resolver o assunto com a Microsoft». Até aí, de facto, já tinha chegado. Obviamente, o computador continua lá.
  12. Conclusão: há 8 meses que estou sem um computador que adquiri há 15, apesar das diligências e esforços encetados junto de quem mo vendeu. Um pesadelo que hei-de resolver, mas, garantidamente, jamais comprarei seja o que for nessa loja.
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22 comentários leave one →
  1. mg42 permalink
    29 Setembro, 2018 16:14

    “há 8 meses que estou sem um computador…”

    https://www.fnac.pt/Microsoft-Surface/Carregadores-para-Surface/n552265

    Pronto está resolvido.
    Não tem de quê.

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    • rui a. permalink*
      29 Setembro, 2018 17:04

      Agradeço, mas a FNAC não tem o que necessito. Praticamente cada surface tem um carregador com características diferentes dos outros. Já lá estive.

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      • Luis Lavoura permalink
        29 Setembro, 2018 17:46

        Então parece-me que a Microsoft está a fazer todo o possível para obrigar os clientes a comprarem sempre novos computadores. 1) Fabricam computadores que exigem carregadores todos diferentes, 2) fazem carregadores que só servem para esses computadores e que se avariam rapidamente, e 3) não conseguem ou não querem fazer um serviço de pós-venda capaz de substituir os carregadores avariados.
        A culpa parece-me 80% da Microsoft, 20% da Media Markt.

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    • mg42 permalink
      29 Setembro, 2018 23:59

      Uma pena, devia ter comprado antes um destes…

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  2. Luis Lavoura permalink
    29 Setembro, 2018 17:42

    Sem pretender desculpar a Media Markt, a mim parece-me que a principal culpa neste caso é da Microsoft. A Microsoft fabricou um carregador que deu o berro e agora não se mostra capaz de o substituir.
    Acho muito estranho que o Rui A faça um post todo a acusar a Media Markt e não dirija nele uma palavra crítica sequer à Microsoft.

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    • Mario Figueiredo permalink
      29 Setembro, 2018 19:40

      Absolutamente de acordo.
      Poderemos questionar a Media Markt pela forma como tem arrastado o problema do portátil. Mas aí o problema é o mesmo na maioria dos retailers quando o problema é de difícil resolução.

      Mas a Microsoft deixou de dar importância a todo o seu segmento de hardware mobile. Em Junho de 2017 quando o Rui comprou o Surface, já a Microsoft tinha anunciado o fim desse sector. É a Microsoft e não a Media Markt que o Rui tem de exigir explicações e obrigar a lhe fornecerem um novo carregador. Ou ser ressarcido do custo do Surface, uma vez que este ainda está na garantia. A Microsoft Portugal é obrigada a atende-lo. E uma conversasita de advogado será o suficiente para eles não o ignorarem.

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    • Miguel permalink
      30 Setembro, 2018 16:07

      Não resolve o problema do cliente em período de garantia? Devolve o dinheiro. Ponto.
      Se a marca é culpada ou não que interessa isso para o caso?
      O Luís é mesmo do contra. Dass

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  3. lucklucky permalink
    29 Setembro, 2018 17:44

    E comprou hardware na Microsoft…

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  4. 29 Setembro, 2018 19:20

    Se comprou na Media Markt, é com eles que se resolve o problema, garanto que não envio o meu SAMSUNG para a Coreia, vai ali para a Staples.

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  5. 29 Setembro, 2018 19:22

    Mais uma coisa, meta já processo para lhe devolverem o dinheiro num julgado de paz, ou carregador ou dinheiro de volta. Não perca mais tempo e inclua mas 1000 euros por danos.

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  6. josecarlos1957 permalink
    29 Setembro, 2018 21:23

    Por favor coloque este seu relato no portal da queixa para chegar a mais pessoas e assim evitar mais vítimas.

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  7. carlos alberto ilharco permalink
    29 Setembro, 2018 22:12

    As reclamações feitos no respectivo livro têm um prazo para serem respondidas.
    Era interessante saber o que a Media Market respondeu ao regulador.

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  8. hajapachorra permalink
    29 Setembro, 2018 22:30

    Nessa mesma loja já tive um problema com um teclado da Apple. Só com carta para o Provedor de Justiça se resolveu o assunto.

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  9. lucklucky permalink
    29 Setembro, 2018 23:13

    Só agora notei 8 meses!? Porque é que não pediu o dinheiro de volta?

    A partir de 30 dias se não me engano a Mediamarkt tem de devolver o equipamento arranjado ou devolver o dinheiro.

    O Rui já poderia ter comprado outro computador. E bem melhor que os sarilhos da Microsoft.

    É sempre preferível não comprar produtos a empresas do qual um produto não é o seu principal ganha pão. A Microsoft não se dedica a fabricar hardware.
    E verificar sempre as críticas dos modelos que se pretende comparar venham de onde vierem. Não há marcas boas, há modelos bons.

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  10. Myrddin Emrys permalink
    30 Setembro, 2018 11:58

    (Na FNAC)
    – Olá, perdi o meu carregador e preciso de um novo
    – Que computador tem? Oh, isso não existe em Portugal, tem de encomendar de fora e vai-lhe custar bastante.
    – Não tem Universais?
    – Não, mas há uma loja que os vende
    (na loja que os vende)
    – Olá, tem carregadores Universais?
    – Tenho, mas são de 120 W
    – O meu computador precisa de um com 230 W
    – Então não lhe posso vender este porque vai estragar o seu computador
    – Ok, mas eu quero-o à mesma
    – Não pode ser! Tenho de ligar ao meu superior
    – Venda-me só o raio do carregador
    – Não dá, vai ter de assinar este termo
    – Assino o caralho, tem aqui o dinheiro e passe para cá o carregador

    E esta foi a história de como, após perder o carregador, não deixei de ler o Blasfémias nem por um dia

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  11. Jorge permalink
    30 Setembro, 2018 12:33

    Já tive um problema destes de fonte de alimentação, Resolvi com a amazon.de comprando uma Leicke com a potência e a tensão adequadas-

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  12. 30 Setembro, 2018 15:32

    tudo normal, é assim que operam as empresas alemãs, clientes servem para pagar e nada mais,.

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  13. 7anaz permalink
    30 Setembro, 2018 16:42

    Caro Rui, creio que perde tempo a contactar fabricantes de seja o que for, quando a loja que lhe vendeu o produto é que tem que lhe resolver o problema. Eu tive há pouco tempo atrás um problema similar com uma grade cadeia de venda de artigos de electrónica, e quando me dirigi ao serviço pós-venda para resolver, eles também me quiseram direccionar para a marca do equipamento ( a Sony, no caso) ao que lhes respondi que eu nem conhecia a Sony de lado nenhum, mas tinha sido ali na loja que tinha comprado o equipamento, de que tinha a factura de venda do mesmo, pelo que se não atendessem a minha situação, estaria lá no dia seguinte de manhã acompanhado do meu advogado. Resolveram o problema prontamente sem mais demoras nem negas. Junto do cliente a loja é responsável seja qual for a marca e os problemas que ela possa dar, isso é um problema entre a loja e a marca em questão. O cliente nunca pode ser prejudicado no meio disto.

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  14. 30 Setembro, 2018 20:56

    Dou aqui a minha achega, não caiam nas extensões de garantia ou seguros em megastores. A lei obriga a loja a cumprir a garantia, mas se houver um seguro o caso passa para a seguradora e nunca mais se resolve. As extensões de garantia e seguros são uma dupla mina para as lojas – ganham comissão e lavam as mãos dos problemas.

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  15. The Mole permalink
    1 Outubro, 2018 10:18

    Se tivesse comprado um Magalhães, era só marcar “44” e resolvia-se logo…

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  16. Ricardo_A permalink
    1 Outubro, 2018 12:24

    Caro Rui

    A lei que regula as garantias é o Decreto-Lei n.º 67/2003, alterado pelo DL n.º 84/2008.

    Uma avaria é uma não conformidade.

    Segundo o Artº 3º nº1 “1 – O vendedor responde perante o consumidor por qualquer falta de conformidade que exista no momento em que o bem lhe é entregue.”

    Ou seja, o responsável é a MediaMarkt.

    Não obstante, o consumidor pode também exigir o mesmo do produtor (MIcrosoft), segundo o Artº 6º nº1:
    “1 – Sem prejuízo dos direitos que lhe assistem perante o vendedor, o consumidor que tenha adquirido coisa defeituosa pode optar por exigir do produtor a sua reparação ou substituição, salvo se tal se manifestar impossível ou desproporcionado tendo em conta o valor que o bem teria se não existisse falta de conformidade, a importância desta e a possibilidade de a solução alternativa ser concretizada sem grave inconveniente para o consumidor.”

    Exigir à Microsoft é uma opção do Rui mas, se prefere a MediaMarkt, é aí que deve ir e não há qualquer dúvida sobre a sua responsabilidade.

    Quanto ao prazo, a lei é clara no artigo 4º:
    “1 – Em caso de falta de conformidade do bem com o contrato, o consumidor tem direito a que esta seja reposta sem encargos, por meio de reparação ou de substituição, à redução adequada do preço ou à resolução do contrato.
    2 – Tratando-se de um bem imóvel, a reparação ou a substituição devem ser realizadas dentro de um prazo razoável, tendo em conta a natureza do defeito, e tratando-se de um bem móvel, num prazo máximo de 30 dias, em ambos os casos sem grave inconveniente para o consumidor.

    5 – O consumidor pode exercer qualquer dos direitos referidos nos números anteriores, salvo se tal se manifestar impossível ou constituir abuso de direito, nos termos gerais.”

    Ou seja, o Rui tinha vários direitos, entre os quais a resolução do contrato (devolução do artigo e reembolso do dinheiro). Tal não seria aceitável como primeira abordagem, por poder ser considerado abuso de direito (é como avariar o isqueiro do carro e querer devolver o carro). Contudo, depois de 8 meses, já é aceitável pedir a resolução do contrato.

    O que eu faria: uma vez que não existe Julgado de Paz no concelho de Aveiro e para evitar uma acção num tribunal ordinário (custos de advogado e demora) eu apresentaria queixa no CNIACC – Centro Nacional de informação e arbitragem de conflitos de consumo, solicitando a resolução do contrato (a decisão deles tem força de primeira instância). Aproveite para pedir uma indemnização por danos não patrimoniais (incómodos).

    Apenas uma ressalva: a adesão à arbitragem é voluntária. Caso a MediaMarkt não a aceite não há outra forma de os obrigar a não ser recorrer a um tribunal ordinário.

    Se não aceitarem há ainda uma outra alternativa que é ir contra o produtor (Microsoft). Como têm a sede social em Lisboa, pode interpor uma acção no Julgado de Paz e aí já não é voluntária.

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  17. rui a. permalink*
    1 Outubro, 2018 21:06

    Agradeço, a todos, os comentários e informações aqui deixadas.

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