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O Cristo das Trincheiras

5 Novembro, 2018

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Este Cristo com as pernas decepadas, uma mão arrancada e o peito perfurado foi a imagem com que a 9 de Abril de 1918, após horas de intenso tiroteio se confrontaram os soldados portugueses que combatiam na Bélgica, junto à ribeira de La Lys.

O número de soldados portugueses mortos e desaparecidos nesse dia 9 de Abril de 1918 ainda hoje é incerto. Mas para lá do sabor amargo da derrota, das muitas baixas, dos milhares de homens feitos prisioneiros e da desmoralização das tropas, nesse Abril de 1918, os membros do Corpo Expedicionário Português confrontaram-se em La Lys com uma paisagem que na sua completa devastação mostrava o horror da guerra e para muitos deles o mistério da fé: só esse Cristo decepado sobrara do que outrora fora uma bucólica paisagem rural com as suas casas típicas e o seu cruzeiro no caminho que ligava Neuve-Chapelle a La Couture. Soldados de diferentes países, aliados e inimigos, tinham-se feito fotografar aos pés do cruzeiro de Neuve Chapelle. Combate após combate os soldados viam como o cruzeiro permanecia de pé.

 


Até que chegou esse 9 de Abril de 1918 que para o Corpo Expedicionário Português ficou conhecido como Desastre da La Lys e em que o Cristo do cruzeiro de Neuve Chapelle se tornou na mais impressionante imagem da guerra: um Cristo mutilado.

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Ao recuarem levando os seus mortos e feridos os homens do Corpo Expedicionário Português carregaram também com o Cristo do cruzeiro de Neuve Chapelle agora designado Cristo das Trincheiras.

Na lama da Flandres, Cristo sofria e morria nas trincheiras tal como acontecia aos filhos dos camponeses de Portugal.

Quarenta anos depois, em 1958, o Cristo das Trincheiras seria entregue a Portugal e levado para o Mosteiro da Batalha.

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8 comentários leave one →
  1. Manuel Assis Teixeira permalink
    5 Novembro, 2018 11:02

    Muito impressionante! Pobres soldados vitimas da estupidez dos politicos! Uma vez mais…
    A minha homenagem por esta via ao meu avô o então Alferes de Artilharia Manuel de Abreu Castelo Branco que muito jovem combateu em La Lys e felizmente voltou vivo e louvado pelo seu comportamento em combate!
    Bem hajam todos os combatentes que no ultimo seculo se bateram por Portugal!

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  2. Procópio permalink
    5 Novembro, 2018 11:28

    A imagem do Cristo com as pernas decepadas cola-se a um povo triste, intoxicado pela futebolice anti desportiva, pelas drogas sintéticos, pelo álcool e acima de tudo pelas promessas avulsas de populistas encartados e atrizes de segunda. Estão mancomunados com capitalistas poderosos que gratificam estações televisivas. Assim se proporcionam injustificadas, constantes e nojentas aparições. Os objetivos são comuns: a destruição da sociedade pacífica, a alienação e a subsversão de valores perenes que unem as nações.
    Pior ainda, surge entre a palhaçada quem, a propósito de tudo e de nada baralha as cartas, traz os responsáveis da bagunça ao colo, branqueia os escândalos com leveza, lê a história por alto. desatento, vende o corpo e a alma para se manter no lugar tornado indigno.
    Ontem como hojequem morre é o povo, oiçam o general Tamagnini:

    “De Portugal não ha maneira de mandarem reforços para refrescar esta pobre gente que pode chegar a um ponto em que não dê nada. Os inglezes rendem as divisões passados uns mezes; a nós, atiraram-nos para aqui, e nem se lembram que na Flandres ha portuguezes com a vida em perigo constantemente, ao passo que ha figurões, que cá deviam estar, e passeiam pelas ruas de Lisboa, desdenhando ainda de nós.”

    Hoje procura-se abafarTancos, a tendência funesta do local assombra desde 1916.

    “Cerca de 20000 homens estabeleceram-se no grande acampamento, que ficou conhecido como “cidade de Paulona”. O material para as tendas veio de Espanha, adquiriram-se 300 camiões aos EUA, 4000 cavalos à Argentina, a Grã-Bretanha forneceu armas, rações de combate e, mais tarde, o próprio transporte para França.
    O clímax de todo este processo de instrução foi a grande Parada de Montalvo, em julho de 1916, que contou com a presença das mais altas individualidades portuguesas, nomeadamente o Presidente da República e membros do governo. Com pompa e circunstância, pretendia-se mostrar ao país e aos ingleses que a República Portuguesa tinha um exército preparado.
    Ainda assim, as debilidades eram evidentes e os soldados só partiram para França depois de terem voltado a ser agricultores durante seis meses, no final de janeiro de 1917.
    Em França, confirmar-se-ia que a instrução não havia sido a mais adequada e que o equipamento e fardamento que os soldados portugueses possuíam não era apropriado para uma guerra de trincheiras. A maioria dos soldados ia contrariada e os próprios oficiais viam o CEP como um degredo, pelo qual responsabilizavam políticos e militares intervencionistas”.

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  3. José Domingos permalink
    5 Novembro, 2018 12:59

    Ainda falta contar a verdade sobre esta vergonha nacional, promovida pelo parlamentarismo.
    Não merecemosuma imagem desta grandeza.
    Cristo esqueceu-se de Portugal.

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    • André Miguel permalink
      5 Novembro, 2018 13:19

      Os Portugueses é que esqueceram Cristo e Portugal e por isso permitem serem burros de carga de uma elite que não vale um chavelho. Nenhum povo com amor próprio e orgulho de si permitiria este enxovalho de que é alvo há mais de um século.

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  4. José Domingos permalink
    5 Novembro, 2018 14:03

    Tem toda a razão, André Miguel.
    Cumprimentos

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  5. A. R permalink
    5 Novembro, 2018 17:10

    Não esquecer que foi um triste governo de esquerda que teve a ideia de os mandar para lá. 50 anos depois a mesma esquerda andava de braço dado com soviéticos e cubanos pelas mãos dos terroristas para matar os nossos soldados no Ultramar.

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  6. Ricardo permalink
    5 Novembro, 2018 17:42

    Obrigado pela partilha HM!

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  7. maria permalink
    5 Novembro, 2018 22:55

    Lá me desapareceu um comentário…

    Só para dar os parabéns à Helena por tão bonita descrição, necessàriamente sucinta, sobre o heroismo dos nossos infelizes rapazes que, sem quererem nem pedirem, se viram obrigados a ir combater inglòriamente numa Guerra fratricida sem preparação física suficiente nem fardamento mìnimamente adequado, a mando da esquerda então no poder. Dezenas de milhares, dando o seu melhor, tràgicamente por lá ficaram. Que esses heróis sejam para sempre lembrados e homenageados.

    A mesma esquerda, como bem lembrou o ilustre comentador R.A, que 56 anos depois, protagonizada pelos seus descendentes comunistas-socialistas, no poder em Lisboa, mandou assassinar mais de um milhão de portugueses inocentes que tudo quanto pediam aos seus algozes era que os deixassem continuar portugueses.

    A esquerda, toda ela – apesar das diversas tendências pretensamente adoptadas para iludir os mais distraídos – só existe para mandar matar quem lhes faça frente. Temos bastos exemplos recentes e bem conhecidos em Portugal. Sem esquecer aqueles que, pelo mesmo motivo, o foram no passado.

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