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Substância espessa e doce, amarelada ou acastanhada: mel.

3 Janeiro, 2019

Nas últimas semanas vários amigos referiram nas redes sociais que o MEL-Movimento Europa e Liberdade é “um dos think tanks mais prestigiados do país”. Eu, parolinho como sou, até fiquei envergonhado de quase nada saber sobre a instituição… Lembrava-me de há tempos me ter parecido que a coisa estava associada a uma espécie de “vaga de fundo” que se estaria a criar para promover Santana Lopes e de ter associado um jornal recentemente criado. Mas a minha memória era apenas difusa e sem quaisquer certezas, pelo que me dediquei a uma rápida light due dilligence sobre a coisa.

O website do MEL nada diz, tendo apenas publicado o programa da sua próxima convenção. Na sua página no Facebook pouco mais tem. Recorri, portanto, a fontes públicas sem sair do sofá e verifiquei que o MEL foi constituído em Novembro de 2018. Ou seja, mal nasceu, tornou-se “um dos think tanks mais prestigiados do país”. Notável!

Pensei eu: de certeza que tem histórico e acções desenvolvidas no passado. Fui ver. Tem.

Salvo melhor e mais completa informação que possa existir, aquilo de que me apercebi é que tudo tem origem em 2009 sob a liderança de Daniel Proença de Carvalho com o Projecto Farol. Tratou-se de uma iniciativa a que esteve associada grande parte da nomenclatura lusa habitual e que foi formalizada em Fevereiro de 2013 tendo como sócio fundador único o grupo Delloite Consultores S.A.

Em Maio desse ano (2013), o Projecto Farol cria uma espécie de spin-off. Um outro think-tank, desta vez chamado Missão Crescimento. Nesta versão, além da Delloite/Projecto Farol, associam-se a Associação Comercial do Porto (na altura ainda dirigida por Rui Moreira), as Ordens dos Engenheiros e dos Economistas e o Fórum de Administradores de Empresas. A rebaptizada organização tinha por objectivo “encontrar, ao nível da política económica, respostas capazes de atenuar o impacto recessivo do acordo de reajustamento assinado por Portugal com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário internacional, no âmbito do programa de assistência financeira.

Finalmente, em 21 de Novembro de 2018, pela mão das mesmas pessoas que foram impulsionadoras e estiveram na origem das anteriores versões do think-tank, chegamos ao MEL, formalmente constituído por Paulo Carmona e João Costa e cujo objecto é este:

Mel_Fim

Feito o levantamento histórico de enquadramento, gostaria de comentar o programa anunciado da sua primeira Convenção.

Desde logo, Jorge Marrão (Delloite e dirigente do MEL), diz que o think-tank é formado por liberais de direita e de esquerda, mas olhando para alguns dos nomes com maior notoriedade que participarão no evento, interrogo-me qual será o mais liberal: Marques Mendes, Paulo Trigo Pereira, Pedro Duarte, Luís Amado, Paulo Portas ou António José Seguro?

Curioso é também notar que no painel dedicado ao tema do combate aos interesses instalados um dos oradores é José Miguel Júdice.

Registo também que a Pedro Santana Lopes é dada honra de “Convidado de Abertura” de trabalhos, ficando por exemplo o presidente da Iniciativa Liberal, nesse mesmo dia, apenas a coordenar um dos painéis.

Depois, ainda hei de perguntar pessoalmente ao Carlos Guimarães Pinto que ideia foi a dele em convidar para key-note speaker sobre “Novas Ameaças à Liberdade” o socrático Carlos Magno.

Assunção Cristas, quiçá outra liberal, é Convidada de Encerramento.

Os promotores do MEL lá terminam com mais uma vassalagem ao poder, convidando o já insuportável Marcelo – presidente famoso pelas suas cuecas – para o fecho da sessão. Marcelo, fino, ainda nem sequer lhes confirmou a presença.

Para quem se diz farto de ver o estado capturado pelos interesses instalados, este programa é uma salgalhada incompreensível, com os mesmos protagonistas de sempre e um conjunto de companhias muito estranha para meu gosto.

Não tenho de facto paciência nenhuma para convénios urbano-progressistas da capital.

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5 comentários leave one →
  1. lucklucky permalink
    3 Janeiro, 2019 13:17

    – presidente famoso pelas suas cuecas –

    Aqui está o maior problema da Direita, é uma direita, aprumada, muito ciente do aspecto que se dá, a roupa que se veste ou não se veste. Por isso essa direita irrita-se com as cuecas do presidente…

    Marcelo deveria ser famoso por ter ido ao beija mão a um ditador comunista, facínora que provocou milhão de refugiados e milhares de mortos. O que demonstra a venalidade política e simbólica do maior representante de uma suposta democracia.

    Mas isso já não irrita a Direita, nem sequer regista nela. Uma Direita de “tias” portanto.

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    • Luis permalink
      8 Janeiro, 2019 16:36

      Concordo. Mas do ponto de vista histórico a Direita portuguesa nunca teve grande tradição liberal.

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  2. Pedro permalink
    3 Janeiro, 2019 13:29

    Não consigo descobrir onde estão as tais personalidades de esquerda.

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    • The Mole permalink
      3 Janeiro, 2019 15:08

      De direita é que não são de certeza… por isso a sua dúvida será quanto a serem “personalidades”, certo?

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      • Pedro permalink
        3 Janeiro, 2019 18:20

        Os representantes do pensamento tatcheriano em Portugal não são de direita ?

        Para si o que é preciso para ser de direita ?

        Miguelista ?

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