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A propósito da amnésia de Vasco Lourenço

5 Fevereiro, 2019

Vasco Lourenço responde hoje no PÚBLICO a João Miguel Tavares a propósito de um texto que JMT escreveu sobre Marcelino da Mata. Para lá do extraordinário esquecimento de Vasco Lourenço de si mesmo – Marcelino da Mata, segundo Vasco Lourenço, combateu na “guerra colonial” não esclarecendo em que guerra combateu ele mesmo, Vasco Lourenço, e já aqora que actos tem para recordar. – Mas voltemos a Marcelino da Mata e à tortura de que este foi vítima em 1975.
Como Vasco Lourenço não pode deixar de saber entre as pessoas que torturaram Marcelino da Mata encontravam-se civis e também militares. Aliás os militares estiveram presentes logo na captura das pessoas que nesses dias foram torturadas no RALIS e o RALIS como Vasco Lourenço ainda não deve ter esquecido era um quartel, logo os militantes civis do MRPP não entravam lá dentro transportando outros civis em viaturas militares só porque achavam que aquele local era melhor para interrogatórios do que a vivenda do Restelo onde tinham começado a torturá-los.
Aliás Marcelino da Mata tem repetido que enquanto foi torturado estiveram presentes o tenente-coronel Leal de Almeida, comandante no RALIS, e o capitão Quinhones.
E a não ser que a amnésia seja mesmo galopante Vasco Lourenço também não deve ter esquecido o que queriam saber os civis e militares que de 15 a 17 de Maio de 1975 torturaram Marcelino da Mata e outros sequestrados como o ex-fuzileiro José Jaime Coelho da Silva e sua mulher Natércia Coelho da Silva, o juiz Francisco José de Abreu Fonseca Veloso e o seu filho, o aspirante José António Veloso.
Aquilo que os torturadores pretendiam obter eram as provas da ligação de militares como Jaime Neves e Salgueiro Maia à chamada rede reaccionária. Obviamente também procuravam a confirmação da proximidade de Arnaldo de Matos com os reaccionários (A luta entre a linha negra chefiada por Saldanha Sanches e a linha vermelha liderada por Arnaldo Matos estava a ocorrer: dentro de meses Saldanha Sanches sairá do MRPP e escreve um livro demolidor intitulado O MRPP instrumento da contra-revolução.)
Em resumo, os esquecimentos de Vasco Lourenço são a forma mais rápida de não se confrontar com a degradação a que em 1975 tinham chegado as Forças Armadas.
Não deixa ainda de ser comovedor que Vasco Lourenço ao descrever o papel de Dinis de Almeida no retirar os presos do RALIS diga que estes os levou “para lugar seguro”. Certamente também esqueceu que o “lugar seguro” era a prisão de Caxias. Ironia, não é? Um ano depois do 25 de Abril a prisão de Caxias tornava-se o “lugar seguro” onde se colocavam algumas pessoas a salvo da violência revolucionária.
Os presos, à excepção de Natércia Coelho da Silva, que entretanto fora colocada em liberdade e deixada pelos militares do RALIS na gare de Santa Apolónia, acabariam por ser levados de facto para “o lugar seguro” de Caxias, sendo que no caso de José Jaime Coelho da Silva o seu estado de saúde degradara-se a tal ponto que ainda foi levado ao Hospital de Santa Maria, onde entra com um nome falso e com a indicação de que sofrera um acidente de viação. Como o médico que o observa o quisesse internar, os militares levam-no para o Hospital Militar Principal e daí para Caxias. Entra ali a 19 de Maio. Tal como acontece com os outros transferidos do RALIS é colocado em rigoroso regime de incomunicabilidade durante meses.


Obs. Estes e outros factos foram por mim tratados no artigo “Morte aos traidores!”

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16 comentários leave one →
  1. JgMenos permalink
    5 Fevereiro, 2019 11:16

    A mediocridade e a traição aos valores militares têm nesse capitão de Abril a sua mais plena expressão.

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    • licas permalink
      5 Fevereiro, 2019 16:35

      (2000-1975)=25, 25+(2019-2000)=44, NÃO CHEGA ????????????

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  2. Artista português permalink
    5 Fevereiro, 2019 11:34

    Vasco Lourenço é um escarro! Ele e outros…

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  3. Manuel Assis Teixeira permalink
    5 Fevereiro, 2019 13:01

    Faz-me muita impressão como é que uma figurinha como o ” Coronel” ( Como é que ganhou as divisas ? Que cursos fez ? ) Lourenço que há 40 anos se amesenda na Associação do 25 A, tenha o topete de criticar o GRANDE Marcelino da Mata que como muitos outros ( lembro o Capitão Bakar Jaló) combateram e acreditaram numa bandeira e numa certa ideia de país! Claro que alguem, que dizem perdeu uma companhia, e fora isso ganhou divisas na alcatifa, fica incomodado quando alguem fala de herois e de heroismo! Pobres figuras, fracas figuras, já vetustas que se arrastam pelas salas de uma agremiação que o tempo se encarregará de tornar obsoleta e depois esquecida! Apenas por culpa deles e do seu sectarismo!

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  4. SRG permalink
    5 Fevereiro, 2019 15:37

    Esse asqueroso indivíduo, é a maior vergonha dos Homens que lutaram no Ultramar. Eu como veterano de guerra, só lamento que estes vis e encapotados oficiais de m…da ainda tenham lugar na sociedade portuguesa. Ainda não perdi a esperança, de ver estes abutres ter o castigo merecido.

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  5. A.Silva permalink
    5 Fevereiro, 2019 16:19

    Já agora, a p. leninha também participou nas torturas?

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  6. Porreiro Pá permalink
    5 Fevereiro, 2019 17:27

    A minha maior homenagem ao grande Capitão Marcelino da Mata e outros heróis que deram o corpo ao manifesto para que estes parasítas, sem nada fazerem pelo país, vão engordando.

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  7. Expatriado permalink
    5 Fevereiro, 2019 18:03

    Anda por aí muito filho-da-puta amnésico…

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  8. vccqa permalink
    6 Fevereiro, 2019 00:38

    Helena, parabéns pelo excelente e mui revelador texto. Não conhecia o seu anterior artigo de 2015 sobre mesmo tema cujo linque que deixou fui ler.

    Como é que traidores e criminosos que foram membros dos partidos MRPP, UDP, MES e outros equiparados (muitos destes pulhas fizeram parte e alguns deles continuam a integrar o PC e o PS) mais tarde passaram-se por conveniência e sem a mínima vergonha ou remorso dos actos cruéis cometidos, para o inventado à pressa Bloco de Esquerda ùnicamente para fazer esquecer os seus crimes e escapar à fúria dos portugueses patriotas. É bom lembrar que só com a protecção da maçonaria todos eles conseguiram escapar.

    Repito, como é possível que muitos destes traidores e criminosos que se passeiam por aí impunemente, tenham chegado a fazer parte de vários governos de Portugal e muitos deles continuam a integrar partidos que supostamente são ‘democráticos’ e aos quais são oferecidos altos cargos políticos, uns, outros em administrações e/ou Instituições do Estado, sendo que isto vem acontecendo sem o mínimo pudor desde há dezenas de anos? Semelhante ultrage aos portugueses é sequer admissível quando se sabe que durante o PREC muitos destes criminosos e traidores torturaram, perseguiram e até assassinaram portugueses, uns que se limitaram a defender a Pátria e outros, os que por ela teriam morrido se tal preciso fosse?

    Jamais esquecer os mais de um milhão de inocentes que, a mando do governo maçónico-traidor de Lisboa, morreram em África assassinados por terroristas e mercenários pagos pelos dois internacionalismos, aos quais prestavam vassalagem os comunistas-sionistas Cunhal e Soares e mais uns milhares de militares e civis vendidos ao novo regime e igualmente traidores.

    As imperdoáveis torturas praticadas sobre o oficial e esposa citados pela Helena e também sobre o Herói Marcelino da Mata (e outros mais cujos nomes não têm sido revelados) foram crimes sem perdão. Os autores destas inadmissíveis sevícias deviam ter sido todos incriminados. O pulha Vasco Lourenço é maçon, logo é natural que tenha traído Portugal e continue a fazê-lo. O mesmo aconteceu com o velhaco Otelo e apaniguados.
    Todos estes vendilhões de Pátrias eram/são maçons. Muitos dos coveiros do nosso País a soldo da maçonaria já morreram, mas os que ainda por aí se passeiam (com tachos oferecidos pelos governos, o que lhes possibilita ganhar balúrdios roubados aos portugueses) continuam a trabalhar secretamente (hoje pràticamente às claras) para o “governo mundial não eleito” (David Duke), que o mesmo é dizer para o sionismo-comunista.
    Maria

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    • Jornaleco permalink
      7 Fevereiro, 2019 13:40

      Caríssima Maria (vccqa),

      a justiça é cristá e augusta e ela não se vai esquecer de nadinha, mesmo de nadinha. Nenhum desses vai passar impune. Nenhum.

      A Inocência adora os justos e aqueles e aquelas que a defendem.

      O seu aviso precioso, em nossa direcção diz quase tudo.

      Os maus não querem saber de justiça e fazem todos a conta sem o proprietário da vinha. Felizmente, está comprovado, que a vinha tem um dono muito, muito especial.

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  9. 6 Fevereiro, 2019 10:10

    Aproveito para lembrar que o Estado Novo faxista e racista concedeu SEIS condecorações a Marcelino da Mata, esse caucasiano de gema, tornando-o o militar PORTUGUÊS mais condecorado da História do exército português.

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  10. Porreiro Pá permalink
    6 Fevereiro, 2019 17:21

    José Manuel Ferreira Gaspar, não se ficou atrás. Este dois grandiosos militares não precisavam de ser escultados e não se esconderam nas casernas para obter os galões

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  11. Leunam permalink
    6 Fevereiro, 2019 19:22

    Eis um “Capitão de Abril” no exercício da sua profissão, pago pelo Erário Português:

    No livro escrito por Manuel Godinho Rebocho (Sargento-Mor Pára-Quedista,na reserva)
    intitulado “Elites Militares e a Guerra de África”, Ed. Roma Editora, de 2009, extraí e transcrevo, com a devida vénia, as seguintes passagens, embora muito mais fique por escrever:

    pág. 251:

    “A Companhia comandada pelo Capitão de Infantaria Vasco Correia Lourenço chegou à Guiné no dia 25 de Julho de 1969…
    Em 30 de Julho de Julho de 1969, foi colocada em Cuntima, no sector de Farim, no norte da Província.”

    pág. 252:

    “Pela sua relevância histórica e pelo que contém de pertinente para a investigação, enquanto prova empírica de um comportamento e de uma relação social, transcrevo o despacho de Spínola sobre a sua visita a Cuntima, despacho que foi publicado pela circular nº 2237/C – P.º 33.8, da REP OPER.

    “1. Inspeccionei no dia 30 do passado mês a guarnição militar de Cuntima

    Desde há muito que estava informado do que o ambiente disciplinar da CCaç 2549 era mau e que nos últimos tempos piorara.
    Acusação: falta de aptidão do Capitão para comandar.
    O que vi, observei e ouvi na inspecção a Cuntima, excedeu tudo o que se possa imaginar.

    Rancho

    O pessoal queixou-se de que há cerca de 15 dias se encontrava sem batata e arroz e que teve falta de farinha e sal.
    ….

    Alojamento de Pessoal

    As condições de alojamento são péssimas, com a agravante de se encontrar em construção um aldeamento que oferece a experiência suficiente para se improvisarem rapidamente instalações aligeiradas que satisfaçam condições mínimas de habitabilidade.
    Há pessoal a viver em abrigos que são buracos absolutamente inabitáveis.
    O pessoal encontra-se há dez meses na Província e ainda não tem colchões.
    Porquê? Quando unidades mais recentes já os têm.

    Armamento

    Encontrei G3 em péssimo estado de limpeza e conservação o que denota que há muito tempo não é passada revista ao armamento, negligência grave de comando em campanha.
    Note-se que as Companhias Africanas e as Milícias vêm revelando especial cuidado com a conservação do armamento.

    pág. 253:

    Acção disciplinar sobre o pessoal
    Proíbo que com base na presente inspecção se punam soldados (refiro-me ao armamento) pois as faltas por mim detectadas encontram-se cobertas pelos Comandantes de Pelotão e estes pelo Comandante de Companhia a quem deve ser pedida responsabilidade.
    ….
    ….
    pág. 254

    “A circular da responsabilidade do General António de Spínola revela que o Capitão Vasco Correia Lourenço, um Capitão da Academia, não tinha aptidão para comandar. O seu pessoal passava fome, vivia em buracos e dormia sem ao menos um colchão. Na Guiné nos meses de Julho, Agosto e Setembro, que aqueles homens já ali haviam passado, as chuvas caem com violência de verdadeiros dilúvios e estes jovens, filhos de Portugal, viviam num buraco e no chão.
    O armamento estaria próximo da inoperacionalidade: as G-3 enferrujam bastante o que torna duvidoso o seu funcionamento,nestas condições. E estavam em guerra, ainda que aquela fosse uma zona relativamente serena, o que lhes valia. Spínola, experiente e conhecedor, proíbe que sejam punidos os soldados.
    Por fim, em termos severamente humilhantes, Spínola inferioriza a companhia de Vasco Lourenço relativamente às Companhias de homens africanos e às próprias milícias, terminando por ordenar que o Capitão da Academia fosse aprender com um Capitão miliciano, que comandara a Companhia colocada em Jolmete.
    O mínimo que se pode afirmar é que a formação militar não teve, neste caso, qualquer influência na qualidade do desempenho, a diferenciação esteve nos valores e nas capacidades pessoais. Spínola ordena que Vasco Lourenço vá aprender com um miliciano.”

    Por aqui se pode concluir, tal como o Autor do livro fez que:

    “A qualidade do desempenho, possuindo conhecimentos técnicos suficientes, depende em grande parte das características pessoais que nuns indivíduos abundam, enquanto noutros escasseiam.”

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    • Manuel Assis Teixeira permalink
      7 Fevereiro, 2019 07:30

      Muito bom! Um grande contributo para a ” certificação ” da total imcompetencia do Capitão Lourenço para comandar e para a sua iletracia militar! Não tivesse havido o 25A e Lourenço teria sido despedido e hoje provavelmente estaria em Runa

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    • Porreiro Pá permalink
      7 Fevereiro, 2019 09:44

      É preciso falar somente a verdade. Quando fui para a tropa o IN era preto. 40 anos passados acho que o IN era verdadeiramente branco.

      No dia 23 de Setembro de 1974 aterro na linda cidade de Luanda e sou encaminhado para o ATA, conjuntamente com 3 camaradas.

      Passo por um bairro de moradias ( à esquerda) e um musseque (á direita). Do lado esquerdo figurava nos portões uma tabuleta com os dizeres-cuidado com o cão.

      E uma voz bramindo-o que vêm estes filhos da puta para aqui fazer?

      Este sujeito fez muitas viagens ao aeroporto, transportando familiares e aguardava que os filhos da puta lhe guardassem o cabedal.

      E do lado do musseque, a humildade das pessoas era tanta que não esqueço as frases: o branco vai embora e nós vamos morrer aqui à fome: ou o branco vai embora e os movimentos vão matar-se uns aos outros.

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