Tudo está bem quando acaba bem
Há funções primordiais para o estado. Alguns, talvez induzidos em erro por romances esquisitos, acham que essas funções são óbvias idiotices sem qualquer interesse como não ser desviado para uma estrada onde se acaba a morrer intoxicado ou queimado, estragando assim estatísticas de progresso; outros, ainda, acham que é a providência de entretenimento aristocrático em cuecas para as televisões, como que mostrando que há um santo pénis real encolhido na volumetria oprimida das trusses passível de repovoar os cofres da segurança social do futuro. Todas estas pessoas estão erradas.
Como se viu na semana que passou, a função primordial do estado, aquilo que o monstro faz bem, é a construção de mercados para veganismo biológico – mas que caraças é uma cenoura não biológica, horda de imbecis? – e comercialização de djembes para tribalização rasta-etnográfica pelos palhaços de serviço que mostrem recusa de crises provocadas por cabrões que passam a vida a construir e a demolir as populanças dos contribuintes. Como se não bastasse o querido governo decidir que pessoas têm obrigação de abandonar casas que compraram por indemnização determinada por convenção em pestilento fraldário, decidiu também o querido governo sentir a dor lesa-pátria por pessoas do prédio Coutinho se tornarem surdas à flauta do palhaço de Hamelin destacado para o serviço. Uma sopeira organizou um cordão humano, a que vários camelos compareceram para, perante as televisões, passarem pelo buraco da agulha. Foi um sucesso para a sopeira, tendo imensos Facebook-likes já garantidos, assim como uma foto na Caras de Agosto ou da valente desgraçada que a pariu. Não tendo ainda o estado executado completamente com doloso zelo a sua magnânima função de besta, vem um tipo que se diz ser “ministro do ambiente” (cargo que tutela coisas espectaculares como o aterro da Cova da Beira) dizer que vai processar os moradores que subsistem no prédio Coutinho.
Tudo isto sem que ninguém tenha sido devidamente atado ao pelourinho. Tudo está bem quando acaba bem.

Isto tudo não será, na essência, o subproduto óbvio do Socialismo? Quiça mesmo do Estado Social Europeu? Em última análise da Democracia dos territórios do Norte da CE aplicados no Sul sem qualquer controlo? Não estará implicado nesta deriva até o autor do “Diabo”: Passos Coelho?
GostarLiked by 1 person
Isto tudo não será, na essência, o subproduto óbvio do Socialismo? Quiçá mesmo do Estado Social Europeu? Em última análise da Democracia dos territórios do Norte da CE aplicados no Sul sem qualquer controlo? Não estará implicado nesta deriva até o autor do “Diabo”: Passos Coelho?
GostarLiked by 1 person
o idiota útil faz sempre falta, para que não se fale tanto da miséria que grassa nos hospitais e maternidades. E ainda não chegaram os incêndios mas nessa altura o futebol dará uma ajudinha. p que os pariu a todos!
GostarLiked by 1 person
»… a função primordial do estado, aquilo que o monstro faz bem, é a construção de mercados para veganismo biológico – mas que caraças é uma cenoura não biológica, horda de imbecis? – e comercialização de djembes para tribalização rasta-etnográfica pelos palhaços de serviço que mostrem recusa de crises provocadas por cabrões que passam a vida a construir e a demolir as populanças dos contribuintes.«
Extraordinário! Do melhor que tenho lido no Blasfémias. Muito obrigado.
GostarLiked by 2 people
Obrigado desde a primeira leitura (wtf?)
Vou procurar aqui ler outros textos seus.
Rogo-lhe que continue a olhar para o país.
Frases suculentas, palavras despudoradas.
Mais vezes, por favor. Cumprimentos.
GostarLiked by 1 person